segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Pênalti se bate com raiva, meu amigo!
domingo, 30 de outubro de 2005
O empate com gosto amargo de derrota
sábado, 29 de outubro de 2005
Sócrates, guerreiro do povo
por Inácio França
Sócrates nunca teve ligação alguma coisa o Santa Cruz. Mesmo assim, desde que esse blog foi criado há um link aí na coluna do lado direito para facilitar o acesso ao seu site pessoal. Foi uma pequena atitude política, significando que compartilhávamos muitas de suas opiniões, idéias e modo de compreender o futebol e política, assuntos inseparáveis para o doutor e para o Blog do Santinha.
Esta semana, compromissos de trabalho me colocaram em contato direto com o ex-jogador da Seleção Brasileira, um dos mais talentosos meias da história do futebol. Ingerimos caroços de cerveja (ele mais do que eu) e conversamos um pouco. Sempre distante do óbvio, Sócrates falou coisas que interessam a todos os torcedores.
Uma de suas opiniões vem a calhar nas horas que antecedem a um jogo contra o Grêmio. Ele já tinha lido sobre a pressão política exercida pela FPF. Quando eu lhe disse que divulgamos telefone e endereço de um juiz ladrão, ele caiu na gargalhada e deu força: "Essas ações políticas são importantes para neutralizar a força dos interesses econômicos. É preciso fazer isso mesmo. Se deixar, os caras metem a mão. Sempre foi assim".
Para Sócrates, o escândalo da máfia do apito não é novidade. "O futebol deve ser a única atividade onde só há uma única instância de decisão, o árbitro. Porra, é lógico que isso é para facilitar a manipulação! É a mesma coisa há 150 anos, não se usa tecnologia, não se usa nada. Há muito dinheiro envolvido nisso, então o objetivo é deixar do jeito que está e manipular para atender aos interesses".
Quando jogava, ele percebia quando o juiz estava roubando contra ou a favor. "Isso é mais visível na Copa do Mundo, que é uma competição curta, com jogos eliminatórios e muito mais dinheiro envolvido, aí os árbitros são importantes para garantir os resultados que interessam aos donos do dinheiro".
Sincero, o exemplo que ele usa para ilustrar a roubalheira em Copas do Mundo, é de Brasil 1 x 0 Espanha (o gol dele), na primeira rodada da Copa de 1986, quando os espanhóis tiveram um gol não marcado. "Logo depois me entrevistaram e eu falei 'se fosse a nosso favor, era gol'."
Da arbitragem, a conversa se desloca para outra roubalheira: a dos cartolas. "Todos nós somos, de forma ou de outra, responsáveis por nossos atos. Os caras que administram os clubes e as federações nunca são responsabilizados por seus atos. Eles são os únicos que não são responsáveis pelos seus atos".
Sócrates defende uma idéia original e ousada. Para ele, a luta pela ética no esporte é prioritária e não apenas um assunto secundário, como pensam os políticos de esquerda (ele é esquerda, nós do blog também). "O esporte é o segmento de maior visibilidade na sociedade brasileira. É o maior teatro nacional. Precisamos usar isso como instrumento de educação. Uma ação concreta, agressiva, para exigir transparência no esporte poderia, na minha visão, mudar o paradigma da sociedade em relação. A CPI do Esporte foi um antiexemplo, como não teve nenhuma consequência direta, a sociedade entende que se um setor tão importante suporta conviver com tanta falcatrua. Isso reforça os vícios".
"O futebol é muito importante para o Brasil. É o espelho do nosso povo: insolente, libertino, criativo e alegre. Essa é mais uma razão para lutarmos por ética na administração do esporte".
A violência nas arquibancadas, na sua opinião, precisa ser compreendida como um fenômeno social: "Você sabe como se cria um pitbull de rinha? O filhote cresce criado num buraco escuro, úmido e com pouca comida. O animal fica extremamente violento. Não é nessas condições que vive o povo brasileiro?"
Sócrates é pai de seis filhos homens. O mais novo nasceu há um mês e se chama Fidel. Sócrates fala francês, italiano e se recusa a falar inglês para não falar a língua do imperialismo.
Para fechar, uma última frase do doutor: "Estou torcendo para que os dois times daqui subam. A primeira divisão precisa de mais nordestinos".
Vários pontos para Sócrates.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Roteiro musical e sentimental da Sanfona Coral neste sábado
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Perfil coral 1: Neto, o Anjo da Guarda
Por Samarone Lima
Chego ao Arruda para uma entrevista com Neto, o camisa 5 do Santa Cruz. É tardinha, no nosso estádio, e Inácio França, chega depois. Ficamos olhando a piscina, os funcionários, pensando nossas besteiras, quando surge a necessidade de uma definição para Neto. Inácio me cutuca e diz:
“Rivelino era a Patada Atômica, Gerson era o Canhotinha de Ouro, Zico era o Galinho de Quintino. E Neto?”
Ficamos em silêncio. Inácio pensa, pensa e responde:
“O Anjo da Guarda”.
Concordo imediatamente. Ficamos lembrando de Neto em campo, sempre protegendo, defendendo, amparando o time, sem fazer alarde, sem aparecer muito, sem muita entrevista, sem marketing. Antes da entrevista, Neto já é o Anjo da Guarda tricolor.
Falamos com Álvaro Claudino, assessor de imprensa do Santa Cruz.
“Cadê Neto?”
“Está ali, fazendo a divisão do dinheiro para as cestas dos funcionários”.
Então sai Neto do vestiário, para uma conversa com a reportagem do Blog do Santinha. Ficamos sabendo que ele é um dos líderes do grupo, o responsável pela arrecadação de dinheiro para ajudar os funcionários do Santa. A imagem é surreal. Chega um senhor e pergunta:
“Neto, tu me ajuda a atravessar a rua?”
É um cego, amigos. Um cego, pedindo ao nosso atleta para ajudá-lo a atravessar a rua. Já na saída do estádio, pede dez reais. Neto puxa o dinheiro e pede a alguém para ajudar a atravessar o velhinho.
Então ficamos sabendo mais de Neto, que tem 28 anos, (ele não me disse seu nome completo, eu também não estou preocupado com o nome completo dele). É Neto, simplesmente Neto, o Anjo da Guarda tricolor. E começamos a conversa com estas coisas singelas, que fazem do jogador um ser mais humano. No vestiário, dividindo o dinheiro das cestas básicas, e depois, ajudando um ceguinho.
Como quase todo jogador de futebol deste País, Neto veio de família humilde, uma cidade chamada Miguel Calmon, a Fazenda Bitu, para sermos mais precisos, sertão da Bahia, a 360 quilômetros de Salvador. E Neto, o nosso número 5, com mais de 120 jogos vestindo a camisa do Santa, é o quinto filho. O filho que juntava dinheiro, comprava bola e o pai rasgava. Juntava dinheiro, comprava outra bola, e o pai rasgava de novo. Até que um dia, com 16 anos, jogando pela seleção de Miguel Calmon, contra um glorioso escrete da cidade vizinha, na final da Copa do Feijão, neto foi descoberto por um empresário e levado para o Fluminense de Feira (de Santana). Nunca mais seu pai rasgou as bolas do filho.
Como pouquíssimos jogadores do futebol deste País, Neto esbanja caráter, personalidade, visão de mundo e, principalmente, solidariedade. É como se o que ele faz em campo, ajudando o Santa, fosse reflexo do que faz na vida cotidiana.
“Não adianta pensar só em mim, nem só no elenco. É preciso pensar também nos funcionários, em todos”, diz.
Ficamos sabendo também que ele é responsável por fazer uma arrecadação entre os jogadores, para dar uma ajuda aos atletas que não jogaram.
Quando perguntado sobre sua trajetória no Santa, ele é cauteloso. Diz que está fazendo um trabalho contínuo, ocupando seu espaço. “Tenho a preocupação com meu crescimento não apenas como jogador, mas como homem, como caráter”, diz.
Usando com freqüência o verbo “crescer”, Neto vai falando sobre sua vida e sua preocupação com tudo o que envolve o mundo do futebol. Vem sendo assediado por empresários (média de cinco ligações por dia), mas tem a cabeça no lugar.
“É só você estar bem, que aparece uma multidão de empresários”, diz
Atleta evangélico, da Igreja Presbiteriana do Pina, Neto trabalha na igreja ao lado da esposa, num ministério da “restauração de lares”. Eles dão amparo a casais que estão à beira da separação. Olho para Inácio e tenho certeza da escolha – o Anjo da Guarda. Nas horas vagas, ele não vai ser encontrado num pagodão, em farras, tomando suas cachaçadas. Poderá ser encontrado na igreja, num shopping, passeando com Anderson e Andreza, os dois filhos, ou buscando casais que precisem de ajuda, para levar sua experiência.
Como um bom Anjo da Guarda, Neto sabe que está ajudando o time sem muito alarde.
“Não apareço muito, não estou nos destaques da mídia, mas sei que faço uma parte importante na marcação, no apoio ao time”.
E quando entra em campo, Neto, o que tu sente com a massa coral?
“A única sensação que dá é um arrepio. Não tem como não correr, dar o sangue pelo time. A torcida do Santa é de arrepiar qualquer jogador”.
Blog do Santinha é sucesso no sul do País
Técnicas básicas para educar um bebê tricolor
por Geraldo Lima, funcionário da Justiça Federal e zabumbeiro da Sanfona Coral
- Ainda na barriga da mãe, converse com o bebê sobre o Santa Cruz, falando de suas glórias, ídolos e conquistas. Em caso de vitória, comente os detalhes do jogo com o bebê, descrevendo lance por lance (os melhores lances, lógico), e na hora que a resenha for repetir o gol do mais querido, encoste o rádio num volume bem alto na barriga da mamãe.
- A partir do 5º mês de gravidez, leve a mamãe grávida para o Arrudão, pois, o neném vai sentir as vibrações da torcida coral.
- Prepare o quarto do bebê, com as cores do Santa Cruz, e não esqueça de comprar o uniforme tricolor, além de pendurar uma bandeira do Santa Cruz no berço.
- Lembre-se que o filho é seu, então, não tem essa de tio, sogro ou alguma alma sebosa da coisa ou barbie ficar dando pitaco.
- Outro detalhe, os padrinhos têm que torcer pelo Santa Cruz. Na fase da criança recém-nascida, a primeira palavra a ser ensinada deve ser SANTA CRUZ. Quando chegar as visitas, diga que ele (ou ela) já está falando "Santa Cruz", mesmo que não for verdade, porque todo mundo vai ficar na frente do tricolorzinho: “santa cruz, santa cruz, ...” Não dê os ouvidos para as opiniões dos avós, lembre que se o guri falar "Santa Cruz", você vai poder se amostrar pros amigos pelo resto da sua vida.
- A música a ser cantada na hora de ninar é: “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais essa vitória...”
- Na hora do banho, lavando a pitoca dele, cante: “a cobrinha quando entra no gramado...” OBS: evitar essa música em caso de nascer uma menina (cada coisa tem seu tempo).
- Quando o tricolorzinho começar a andar, compre uma bola do santa cruz, no caso de ser uma menina um bonequinho tricolor. Não esqueça que menino joga bola e menina brinca de boneca: “viadagem” é lá na casa da barbie.
- Sempre associe a coisa e a barbie a algo que a criança não gosta ou tem nojo, por exemplo, diga sempre que o burro-negro e o alvirosa é côco. Em caso de necessidade, passe côco no nariz dele e fique dizendo que os nomes dos dois times adversários.
- Quando você for passear com seu herdeiro e, por acaso, passar pelo chiqueiro ou pela casa da barbie, faça o maior esparro, diga que ali é um cemitério, que tem papa-figo, que prendem menino ali, e se puder, dê uma mijada na frente da sede adversária.
- Na época de levá-lo aos jogos do Santa Cruz, comece pelas partidas mais fáceis, pra não correr risco do menino ver uma derrota tricolor, porém se, por acaso, acontecer isto, enfatize que o árbitro roubou, ou melhor, juiz, porque é uma palavra mais fácil para o pirralho entender. Não esqueça de vestir o guri com o uniforme do Santa Cruz e botar uma bandeira na mão dele.
- No aniversário de 6 anos, faça a festança com o tema Santa Cruz: bolo confeitado com o escudo, bolas nas cores preto, branco e vermelho, caixinhas tricolores. A música da festinha será a do CD “Veneno da Cobra” e os palhaços e animadores devem ser tricolores. Tenha sempre cuidado com as amizades dele.
- Por fim, se aos 12 anos este menino tiver dúvida por quem torce, mande ele para terapia. Chegando aos 16 anos, e este fela-da-puta tiver torcendo pela barbie ou coisa, dê uma pisa nele e bote o safado pra fora de casa. Dedicado a meu sobrinho que está vindo por aí. O nome dele será Heitor e o apelido será Givanildo. As fotos são de uma família de amigos.
quarta-feira, 26 de outubro de 2005
Arruda, 1980
A segunda ampliação do Arruda começou em 1980, com a construção do anel superior. Na época, a ditadura militar estava acuada por conta do ressurgimento dos movimentos sociais e de seguidas derrotas nas urnas. Na defensiva, os milicos e seus aliados liberavam dinheiro fácil para obras megalomaníacas. Em Pernambuco, Marco Maciel era o governador biônico indicado pelos generais e como sua única virtude conhecida é torcer pelo Santa Cruz, sobrou dinheiro para custear as arquibancadas superiores e o aumento de capacidade para 80 mil pessoas.
A foto foi cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra (aliás, nosso banco de imagens do estádio está chegando ao fim. Só temos mais duas fotos para publicar)
Outras histórias de Mário Filho
O músico Júlio Vila Nova nos enviou mais dois causos extraídos do livro de Mário Filho, Eu sou Santa Cruz de corpo e alma, cuja capa reproduzimos há algumas semanas. Publicamos hoje essas duas histórias, além da foto do próprio autor, encontrada pela equipe do Blog do Santinha numa expedição pelos sebos de revistas do centro do Recife.
7 x 0 NO TIME DA ILHA
“Aconteceu no ano de 1934, eu tinha 13 anos de idade. O goleiro Diógenes Prado havia saído do Santa Cruz, seduzido pelo pessoal da Ilha do Retiro. Diógenes na época era o melhor goleiro da cidade, mas o Santa Cruz vingou-se a aplicou a sonora goleada no time da Ilha: 7 x 0. Esse jogo se fosse transmitido pelo locutor esportivo Ary Barroso, a imprensa carioca diria que a gaitinha do Ary ia se quebrar, de tanto apitar gol, como se sabe, o Ary transmitia futebol e cada gol ele tocava a sua gaitinha. Foram sete gols no campo da Av. Malaquias. Essa vitória ficou nos anais da história do futebol pernambucano [...]
Naquele tempo, o meu querido Santa Cruz era conhecido como time de gente pobre e gente de cor, na ignorância do povo rico daquele tempo. Uma vitória tricolor não era bem recebida pelos falsos grã-finos do povo da Ilha. E o Santa Cruz que havia perdido Diógenes, jogou e ganhou de 7 x 0 com o seguinte time: dada, sherlock e João Martins; Ademar, Sebastião da Virada e Ernane; Walfrido, Limoeiro, Tara, Lauro e Estevão. Vitória que ficou gravada com letras douradas na história desse grande clube brasileiro.” (pág. 47)
O CANTOR DAS MULTIDÕES NO CLUBE DAS MULTIDÕES
“Maior cantor popular do Brasil de todos os tempos, artista que manteve o seu cartaz de maior vendedor de discos do Brasil, em um período de 10 anos consecutivos, sem ter fã-clube, máquina publicitária, empresário milionário, Orlando silva foi um cantor que venceu pelos seus méritos vocais e pela beleza impar de seu repertorio. Pois foi esse Orlando Silva que deu uma audição de gala nos salões do Santa Cruz, levando à sede do Mais Querido uma multidão invejável para ouvi-lo. Isso foi no início dos anos 70. Tendo feito sucesso em todo o Brasil como o melhor cantor deste país, Orlando Silva foi um mito que viveu permanentemente no seio do povo brasileiro e o Santa Cruz levando o grande cantor aos seus salões, sabia que estava levando o cantor do povo para o clube do povo.” (pág. 66)
terça-feira, 25 de outubro de 2005
Biografia de Givanildo: amostra-grátis
segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Diário de bordo
por Geraldo Lima, funcionário da Justiça Federal e zabumbeiro da Sanfona Coral
Viajar a São Paulo para assistir à partida de sábado foi mais do que uma aventura, foi viver uma seqüência inesquecível de grandes e pequenos encontros.
Já no aeroporto dos Guararapes fomos encontrando alguns tricolores que também estavam indo torcer pelo nosso Santinha. O vôo que estava marcado para 00h01 foi cancelado porque a aeronave deu problemas (ainda bem que foi antes de subir) e só saímos do Recife por volta das 2h30 de sábado. Pra não perder tempo, fizemos um ensaio da Sanfona Coral no salão de embarque, instigados por uma turma da cidade de Limoeiro, que também tinha o Canindé como destino final.
Chegamos em São Paulo por volta das 07h da manhã. E fomos direto para casa de Lu, a Moça Coral. Conseguimos dar apenas uma pequena cochilada: a ansiedade cortou nosso sono. Então o jeito foi começar a preparação do fígado por volta das 10h, ouvindo o CD Veneno da Cobra. Saímos da nossa concentração às 11h30 direto pra o Shopping D, que fica ao lado do Canindé, onde fomos encontrar com outros torcedores do Santa Cruz. O pessoal aceitou nossa sugestão e fundou a Sampa Cruz, com direito à faixa e tudo mais.
No percurso de ida até o estádio, mais encontros: fomos fazendo aquele forró, sendo identificados por alguns nordestinos, que distribuíam largos sorrisos. Lembro de um taxista que, na rua, que gritou: “É isso aí Santa Cruz! Eu sou de Caruaru!”
Aos poucos a torcida do Santa Cruz foi aparecendo, chegava nordestino por todo lado. Entenda-se nordestino como o cara que é daqui e mora lá há muitos anos.
Um momento inesquecível, pois, todos queriam reencontrar forró autêntico e conversar um pouco com a gente: queriam saber sobre o Santa, onde morávamos, queriam dizer de onde eram, comentar fatos de tempos passados e por aí vai. A sanfona e o time significavam o encontro com as raízes de cada um.
A figura que simbolizou tudo isto foi seu Armando, um senhor na faixa dos 60 e pouco anos, que há mais de 40 não vinha a Pernambuco e que a esposa torce pela portuguesa. Nós já estávamos no corredor das arquibancadas, quando ouvimos um grito: “É Santa Cruz”, olhamos para trás e o vimos. Paramos para lhe dar a atenção mais do que devida.
Quando seu Armando começou a falar sobre sua vida em São Paulo e suas recordações do Recife, dei a idéia de tocar as músicas do Santa. Bastaram os primeiros acordes do “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais esta vitória....” e não deu outra: seu Armando caiu no choro. Nós também.
Quando chegamos dentro do estádio uma verdadeira massa tricolor já estava lá. Era gente de todos os lugares de Pernambuco. Tinha nêgo de Palmares, Garanhuns, Lajedo, Cachoeirinha, Abreu e Lima, Caruaru e do Recife, mais precisamente Água Fria. Até o irmão de Sidraílson (nosso zagueiro que está em Portugal) com seus primos, juntou-se a nós, fazendo um forró que o Canindé nunca viu.
Muitos se aproximavam para perguntar sobre o time: quem é o jogador fulano de tal? quem é o cara da camisa 10? Um sujeito de Palmares ficou do meu lado o tempo todo, a tirar dúvidas sobre o time. Tive que, ao mesmo tempo, tocar zabumba e dizer toda a escalação do Santa Cruz.
Não fosse o placar negativo, nossa ida teria sido 100%. Mas, fizemos nossa parte, e o que mais nos impressionou foi que os tricolores que moram em São Paulo são realmente o espelho da nossa torcida, formada por pessoas humildes, sofridas e apaixonadas pelo Santa Cruz.
E como o nordestino que está por lá se identifica com o forró. Quando seu Armando chorou, parecia que o Santa Cruz simbolizou a pátria e o forró o hino nacional.
Agradecemos a todos que nos deram apoio logístico lá em São Paulo: Patu, Lú, Gabi, Allan, Cláudia, o casal de amigos Bia e Luiz e todos os outros.
Na foto da esquerda, seu Armando e a Sanfona Coral nos corredores do estádio. Na direita, acima: o grupo na Marginal Tietê.
Um só pensamento
Sanfona Coral comanda a massa tricolor em Sampa
| Por Samarone Lima, enviado especial a São Paulo. Amigos tricolores, dizem os realistas que perdemos para o fraquíssimo time da Portuguesa, no último sábado, pelo inacreditável placar de 4 x 1. Mas os realistas que me desculpem, a derrota foi apenas um detalhe, uma verruga, o mínimo, diante da farra monumental que fizemos antes e durante o jogo. Basta dizer que o placar marcava o 4 x 0, e a Sanfona Coral rasgava no centro, tocando até o hino de " Elefantes" de Olinda. Uma festa inacreditável de bonita. Mas vamos aos detalhes, que o bom da vida são os detalhes. A Sanfona Coral embarcou pela TAM na madrugada do sábado, com o atraso de 2h33, motivo para um imenso forró no Aeroporto dos Guararapes. Tiramos onda mesmo. A farra inicial em solo paulistano aconteceu na casa de Luciana Teixeira, a famosa "Moça Coral", que divide um duplex com Gabi. O detalhe: o apartamento fica defronte a um clube de tênis, e foi bonito ficar olhando a magia deste esporte tão popular - pec, pec, pec, os caras batendo a raquete na bola e a gente chamando eles tudos de boiola. Nos caminho para o estádio, tudo era alegria. O sanfoneiro Chiló estava feliz da vida e tocava tanto, que parecia dopado. Encantamos dezenas de pessoas no caminho, cada nordestino que nos via, marejava. O metrô estava em festa, tudo corria bem, até que apareceu um supervisor de estação, um tremendo truculento, querendo prender o trio, porque estava a tocar "sem minha autorização". Foi um negócio esquisito. O sujeito ficou apavorado com esta coisa bestinha, chamada alegria. Nossa Aleksandra Malvina botou moral e embarcamos no vagão seguinte. O detalhe singelo, o contraponto, foi uma velhinha, uma doce velhinha, que abriu um sorriso lindo quando viu a sanfona e acompanhou nossa trupe durante a viagem, batendo palminhas. Encontramos a massa tricolor no Shopping D. Temendo a prisão, a sanfona ficou mais quieta. Os tricolores de todo o Brasil começaram a chegar, cada um mais empolgado que o outro. Todos eram amigos de infância. De lá, seguimos rumorosos para o estádio do Canindé, onde chegaram tricolores de todo o nordeste, exilados em Sampa. A farra comeu no centro. Olhei para o relógio - faltavam 2h30 para o jogo começar, e já estávamos defronte ao estádio. Bebemos uma cerveja chamada "Atalaia", em lata. Custou R$ 2 mangos. Não lembro o sabor. O espetinho custou R$ 1,50 e era bem duro. Entramos no estádio. Seu Armando veio nos abraçar com lágrimas. Mora há 47 anos em São Paulo, perguntou se eu era mesmo o Nunes e não assistia a um jogo do Santinha desde 1980. Tiramos fotos, ele estava feliz, emocionado, em êxtase. " Mande esta foto para mim. Ela tem muito mais importância para mim do que para você", disse, já soluçando. O Santa entrou em campo e os jogadores se olharam: "Ôx, e o jogo é no Arruda?", perguntou Neto a Valença. Tinha mais tricolor do que torcedor da Lusa, perdão pela humildade. No estádio, só vendem cerveja sem álcool. Vai uma confissão, amigos, e que ninguém saiba: no intervalo do jogo, tomei uma Nova Schin, sem àlcool, por R$ 2,50. Me deu uma saudade irreversível do Arruda. O que a gente não faz pelo Santinha! Quanto ao jogo, nem é bom falar. Começamos bem, mas depois do gol, tudo começou a dar errado, a vaca foi para o brejo, ninguém entendeu o desenrolar dos fatos, e os fatos foram bem desagradáveis. Mesmo assim, quando saiu nosso único tento, o estádio veio abaixo. Quem quiser que escreva sobre o jogo, porque o jogo mesmo não foi o mais importante. Meu negócio é relatar a invasão da Sanfona Coral. Depois do jogo, fomos para um bar e tomamos todas. A Sanfona Coral fez sua primeira jornada nacional, já se preparando para a Copa Libertadores. Os milhares de tricolores que estavam no Canindé já combinaram - vamos invadir o Olímpico, em Porto Alegre. Perdão pela demora em escrever esta breve crônica - problemas de fígado impediram a produção de um texto decente. As fotos estão a caminho. Que venha o Grêmio!!! Nas fotos, lá em cima, Samarone e seu Armando. Na outra, a senhora eufórica no metrô. |
domingo, 23 de outubro de 2005
Problemas técnicos
sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Deu no Folhão
Mais uma do serviço de utilidade pública do Blog do Santinha, com a preciosa colaboração de Alexandre dos Anjos, do site TricolorPE. Caso não seja possível ler o texto do repórter Cristiano Cipriano Pombo, reproduzimos abaixo:
Arruda vê série invicta histórica do Santa Cruz
DA REPORTAGEM LOCAL
Ninguém tem neste milênio no futebol nacional uma série invicta como a do Santa Cruz no estádio do Arruda.São 32 partidas, com aproveitamento de 85,4% (25v e 7e), contando a Série B de 2004 e 2005, a Copa do Brasil-05 e o Estadual-05, quando encerrou jejum de quase uma década sem taças. Quem mais se aproximou disso foi o Cruzeiro, que em 2003 ficou 29 partidas sem perder no Mineirão.
E, segundo levantamento do Datafolha, basta um jogo sem derrota para que o Santa Cruz se isole, já que o Inter, em 1979, também ficou 32 jogos invictos em casa. A força caseira reflete no público, tanto que hoje o Arruda é o estádio de melhor média de público da Série B, com 18.208 por jogo -seria o quarto na lista da Série A.
Encarte virtual de um CD imaginário
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Porque votarei SIM
Patos (PB), 19 de outubro de 2005
por Inácio França
Convicto de que a discussão midiática em torno da compra de armas e o próprio referendo não tocam nem de leve nas origens da violência no Brasil, votarei SIM no próximo domingo e aponto, aqui no Blog, algumas motivações para isso:
a) A indústria da violência no Brasil é alimentada diretamente pelos fabricantes de armamementos e munição. Eles apostam no medo da população para aumentar seus lucros. Instigam o medo, alimentam o medo. E um povo amedrontado é fácil de ser controlado. Vejo ma propaganda do pessoal da Bancada da Bala os mesmos elementos usados por Bush na sua campanha terrorista contra o terrorismo.
b) Andar armado não é um direito. Não pode e não deve ser um direito. Isso vale para os Estados Unidos da América, onde o sujeito entra num supermercado e sai de lá com uma caixa de cereal Kellogs, um pote de manteiga de amendoim e uma espingarda de repetição. Na escola da esquina, mata seis meninos negros e depois estoura os miolos, depois de aumentar o lucro de um fabricante de armas.
c) Não é possível apostar no armamento da população para combater os bandidos, como se estivéssemos numa guerra civil. Acreditar nisso seria acreditar em milícias armadas, seria acreditar no caos e na desesperança. Se o objetivo de armar o povo fosse tomar o poder, eu votaria não, mas como é alimentar a matança fraticida, voto sim. Foi acreditando que estávamos numa guerra civil, que os milicos torturaram e mataram durante a ditadura. É por acreditar que estamos em guerra, que as polícias militares extorquem, torturam e matam todos os dias em todas as cidades do Brasil.
d) Votarei sim para que fazendeiros armados com arma legais não possam matar sem-terras que ocupam com justiça e legitimidade suas fazendas improdutivas.
e) E, finalmente o mais importante: votarei sim pela proibição de venda de munição no Brasil porque Bala é munição. E se a venda de munição for proibida, nenhum clube poderá comprar Carlinhos Bala, aí ele vai jogar no Santa Cruz até se aposentar.
Vamos invadir o Canindé!!!
O Blog do Santinha continua recebendo telefonemas e email de tricolores que se mobilizam para uma verdadeira invasão coral no próoximo sábado, em São Paulo. Luciana Teixeira Vieira de Melo, a bela "Moça Coral 2004", nos mandou o seguinte e-mail, que deve estimular todos os indecisos a comprarem suas passagens:
"Queridos,
Falei com meu amigo Rodrigo Patu e tudo certo mesmo para a concentração da Sampa Cruz. Shopping D, às 12h03. O bandeirão já está com ele e uma faixa da nova torcida está sendo confeccionada !!! Quem agüenta, hein ??? Somos um grupo de 15, mas vamos tentar arrumar mais gente. Vi que tem um Allan lá no site também interessado no jogo... vou ligar hoje. Até arrumei uma sanfona, mas não sei tocar. Fiquei muito feliz com a esperança mantida da Sanfona Coral vir para Sampa.Vamos às pendências do telefonema:
Patu falou com a diretoria da Portuguesa. Eles disseram que não vão impedir a entrada de instrumentos. Mas seria legal chegar cedo. A diretoria disse que a polícia poderia ficar sem entender e seria legal a gente chegar cedo para não ter problemas.
O ingresso custa R$ 15, meia R$ 7. Mas no dia vai passar para R$ 20 e R$ 10.Quanto ao apoio para pegar no aeroporto, Patu acha melhor vocês pegarem um táxi e a gente divide com a galera o valor.
E a casa será de vocês... acabei de me mudar, mas tem espaço para todo mundo. só não vamos ter cadeira, mas o resto... tenho três colchões massa para vocês !!! É, isso... fico esperando uma resposta.
Saudações tricolores,
Moça Coral"
Comentário do blog: Quem ainda estiver indeciso, acaba de ganhar esta dica de presente. Hospedagem na casa da Moça Coral, sanfona, farra e muita alegria.
Penúltimas e ultimas do Santinha
quarta-feira, 19 de outubro de 2005
Sanfona Coral em Sampa
Confirmado:
A Sanfona Coral acertou patrocínios diversos, e por conta própria, vai a São Paulo, para o match Portuguesa X Santinha, neste sábado.
Quem quiser ir com a Sanfona, deve ligar para o sanfoneiro Chiló:
(81) 9638.2255
Vai ser uma invasão de tricolores no estádio da Lusa.
Tragam os três pontos, caralho!!!
Bandeira do Santa Cruz
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Moça bonita convoca
Atenção torcedores do Santa Cruz residentes em São Paulo e adjacências! A galega dos óios verdes da foto acima, vencedora por unanimidade do título Moça Coral 2004 - concurso de beleza e sensualidade extra-oficial promovido por ocasião do aniversário de 90 anos do clube -, não quer ir ao estádio do Canindé sozinha. Falando sério, a loira Luciana Teixeira é uma tricolor arretada, interessada em juntar uma turma boa para torcer pelo Santinha neste sábado e, quem sabe, formar o embrião da primeira torcida organizada do Tricolor do Arruda em São Paulo, a Sampa Cruz. Ela pede aos tricolores radicados na capital paulista que liguem para ela no 11-8388-2563.
Nada mal o serviço de utilidade pública do Blog do Santinha: a gente divulga telefone de poeta, juiz ladrão e mulher bonita!!!
Arruda, 1975
Na cheia de 1975, Tapacurá não estourou, mas, nos dias 17 e 18 de julho, pela primeira e única vez na história, as águas do Capibaribe e do canal do Arruda inundaram o estádio José do Rego Maciel. A lama que invadiu os túneis e vestiários foi bombeada em poucos dias, mas a recuperação do gramado levou semanas. O time ficou praticamente sem ter onde treinar e fez uma péssima estréia no Brasileirão daquele ano, perdendo em casa para o São Paulo por 1 x 2 (depois o Santa se recuperou e chegou em terceiro lugar no campeonato, vencido merecidamente pelo Internacional, de Porto Alegre).
De acordo com dados do site Pernambuco de A a Z (www.pe-az.com.br), do jornalista tricolor Marcos Cirano, 80% da cidade do Recife ficou debaixo d'água naquela enchente. Cento e sete pessoas morreram. Para piorar, três dias depois, quando a cidade ainda se recuperava da tregédia, o pânico tomou conta da capital pernambucana por conta do boato de que a barragem de Tapacurá havia se rompido (esse episódio rendeu um excelente livro chamado Viagem ao Planeta dos Boatos, do também jornalista e também tricolor Homero Fonseca).
A foto pertence ao acervo do Diário de Pernambuco e foi cedida à Confraria Ninho da Cobra.
domingo, 16 de outubro de 2005
Paixão em cordel
A Bienal do Livro é calorenta, as maiores editoras não vieram e quase todos os estandes não oferecem nada além do óbvio. Fora os lançamentos dos livros de Samarone, de Raimundo Carrero e a programação da Continente Multicultural, o resto é (ou foi) apenas mesmice.
No meio de tanta mediocridade, num boxezinho despretensioso de uma tal União dos Cordelistas, lá nos fundos do pavilhão, havia uma pérola cuja capa reproduzimos acima.
Os poemas desse folheto são bem-humorados e revelam a paixão do seu autor, o olindense Cícero Lins de Moura pelo tricolor do Arruda. Por telefone, ele nos autorizou a publicar algumas estrofes. Caso alguém se interesse em comprar o material e conhecer a íntegra dos poemas, deve ligar para o cordelista no número 81-9965-1565.
Eis um pouco da poesia de Cícero Moura:
"Gostei do preto e branco
Animado com vermelho
E digo, pra ser bem franco:
Quando me vi no espelho
Com a camisa tricolor
Em senti um jogador
Sem problema no joelho"
...
"Sou um Santa feliz
Não provoco quem perdeu
Não jogo pedra em juiz
É comportamento meu
Coisa ruim não me seduz
Se tu não é Santa Cruz,
Isso é pobrema teu!"
...
"Se é teu gosto torcer
Por um time bicolor
Se tu não sabes perder
És nervoso e brigador
Respeito tua fraqueza
Mas, com tua natureza
Não dá pra ser tricolor"
sábado, 15 de outubro de 2005
Análise isenta, racional e objetiva
por Inácio França
Minha imaginação está de ressaca, impregnada do bom futebol e da alegria que se espalhou pelas ruas do Recife. A crônica fica para outro dia. Hoje vou fazer uma homenagem ao elenco tricolor, tomando como modelo aquelas avaliações que os jornais fazem, citando individualmente os nomes dos jogadores e, destinando para cada um deles, uma análise superficial, pretensamente objetiva e repleta de lugares-comuns.
Vamos lá, um por um:
Cléber: Desde que Birigui saiu do clube e Luiz Neto se aposentou, no final dos anos 80, que a torcida não confia tanto num camisa 1. Tudo bem que, nesse meio tempo, o time teve bons goleiros como Raul e Nilson, mas com Cléber é diferente. Agora, já não preciso encher o saco de meu filho repetindo “ah, bom mesmo era Birigui!” Ou então “Luiz Neto é que era fora-de-série”. Cléber já entrou para a história do clube e para a galeria imaginária dos grandes ídolos. Ontem, fez apenas uma defesa difícil numa bola num chute de fora da área, mas, se fosse preciso, ele estaria lá como as muralhas da China.
Osmar: Nosso camisa 2 não é um craque excepcional, mas tem uma vontade que contagia o resto do time. Mesmo quando não está em seus melhores dias e não consegue apoiar bem no ataque, é seguro na defesa e não faz besteiras. Contra o Avaí, jogou muita bola desde os primeiros minutos da partida. Na minha opinião, foi o melhor em campo. Ah, é bem melhor que laterais consagrados como aquele Beletti, que está no Barcelona.
Valença: Ô sujeito raçudo da peste-bubônica. Não sei se em outros times, como por exemplo no Real Madri ou na seleção, ele jogaria com a mesma aplicação. Afinal, é fácil perceber que nosso zagueirão tem um amor sincero e sem limites pelo Santa Cruz. Ontem, jogou como sempre.
Roberto: Cá entre nós: Roberto é um ex-zagueiro em atividade. Vive se atrasando nas bolas rasteiras ou aéreas. Deve estar ansioso para se aposentar e virar auxiliar-técnico de algum treinador experiente. Cadê Adriano? Por que Adriano não joga??? Também jogou como sempre. Infelizmente. Já Carlinhos Paulista, com sua frieza, é o ponto de equilíbrio lá atrás.
Peris: Melhor que Xavier, sem dúvida. Mais perigoso, é arisco e corajoso. De vez em quando, dá umas farrapadas na defesa, mas ontem se comportou muito bem, chegando a virar o jogo da esquerda para direita numas bolas que só craques sabem fazer.
Neto: Se alguém lembra de ter visto esse sertanejo brincar ou fazer corpo-mole, favor avisar. Não é nenhum chef de restaurante grã-fino, mas sabe fazer o melhor feijão-com-arroz possível. Givanildo deve ter ensinado alguns segredos da camisa 5 para ele. Na partida contra o Avaí foi o melhor em campo (a análise é minha, o texto é meu e o blog é meu. Elejo quantos "melhor em campo" eu quiser).
Andrade: A torcida vive pegando no pé do coitado. É bem verdade que ele fez algumas partidas medonhas, errando passe em cima de passe e sem conseguir marcar nem mesmo a própria sombra. Mas, o saldo do "Cabeção" é positivo. Ele é importante no desarme e, quando não está cochilando, ajuda na distribuição da bola para o meio-de-campo. E chuta forte que é uma beleza! Ele merece um alívio.
Rosembrink: Sem comentários. Vale o que Samarone escreveu no texto anterior, logo abaixo deste. Também foi o melhor em campo contra o Avaí.
Leonardo: Jogou sua melhor partida com a camisa coral. Se repetir as atuações e se poupar na vida extra-campo (para bom entendedor meia dose, ou melhor, meia palavra basta), estamos feitos. Pelo seu passado na coisa e pelo futebol meia-boca que ele vinha jogando, era para a torcida ter sido mais rigorosa, mas como Givanildo é o avalista, até que ele teve vida mansa no Arruda.
Carlinhos Bala: Tá certo, muitas vezes o baixinho é fominha e faz uma jogadas destrambelhadas, mas graças ao seu ímpeto, sua coragem e sua cara-de-pau, as defesas adversárias vivem se complicando. Não tem cristão que jogue despreocupado com Carlinhos solto no ataque. Contra o Avaí, chegou a irritar numa bola em que Osmar passou solto pela direita e ele mandou a bola no vestiário dos juízes, mas acabou sendo o melhor em campo ontem à noite.
Reinaldo: Foi o melhor em campo contra o Avaí. Vocês queriam o quê? O cara marcou três gols, não ficou um minuto sem se deslocar e não vai ganhar o Motorrádio?
Lecheva: O sujeito de nome mais esquisito do futebol brasileiro (parece alguma espécie desconhecida de peixe do Oceano Índico) é bom de bola. Nos poucos minutos em que jogou, fez boas jogadas, bons passes e cruzou bolas com precisão milimétricas na área dos Catarinas.
Momentos eternos no Arruda...
Por Samarone Lima
Ir ao Arruda é algo misterioso, e tenho em mente que minha vida teria sido muito mais pobre se eu não tivesse vivido as emoções que já vivi naquele estádio, junto aos que quero bem e na companhia dos milhares de desconhecidos que são amigos de infância logo que começa o jogo. Alguns desses momentos foram vividos no jogo de ontem, a vitória maravilhosa contra o Avaí, por 5 x 1. Vamos lá:
1
Chego ao estádio com um ingresso a mais no bolso, pois a moça perdeu o horário. Saio por ali, oferecendo meu ingresso para alguém, como um cambista desajeitado que não inspira confiança. Depois de rodar feito um tabacudo, oferecendo um reles ingresso, resolvo dar um presente a algum tricolor liso. Olho, olho e nada. Não quero dar o ingresso a um liso, mas a um fodido, o cara que não teve, naquele dia, a mínima esperança de ver o seu clube em campo - e talvez há tempos não faça isso.
Até que vejo um sujeito de uns 50 anos, com uma pequena banca de isqueiros, ali na rua das Moças. Caralho, o sujeito vendendo isqueiros numa sexta-feira à noite...
"Quer assistir ao tricolor?", pergunto.
Ele me abre um sorriso cristalino.
"ôx, e não, é?"
Dou o ingresso para ele. Arquibancada, que custa R$ 14,00.
Ele me abre um sorriso e começa a recolher os isqueiros, apressado.
Já esqueci de muitas coisas na vida, mas daquele sorriso não esquecerei.
2
Estamos com a Sanfona Coral, animadíssimos, cantando e sorrindo de tudo. Em um dos muitos gols do Santa, procuro os amigos para abraçar, mas ao meu lado, com a sanfona calada, está Chiló. Olho para ele, e vejo aquele sorriso de felicidade, dou um abraço no meu amigo, ficamos os dois comemorando.
"É tricolor, porra", repete Chiló, quase chorando, em silêncio.
A cerveja dos muitos tricolores ao lado voa em cima da gente. Eu, timidamente, protejo a sanfona.
3
Rosembrick é amado pela torcida. Ele sabe disso. Cada jogada maravilhosa, escuta um coro:
"Ah, é Rosembrique!".
Olho para o lado e dou uma de profeta:
"Estamos assistindo as últimas partidas do Mago no Santinha".
E me veio a impressão de que Rosembrick jamais vai esquecer isso. Foi no Santa Cruz que ele assumiu que era craque. Antes, ele apenas sabia, mas não tinha coragem de dar um drible seco só porque sabe dar um drible seco em qualquer lugar do campo.
Daqui a pouco, muito pouco, levarão nosso Mago.
4
O juiz marca um pênalti escandaloso contra o Santinha. Um sujeito olha para mim, me dá um cutucão e diz:
"Bota o telefone deste fila da puta no blog!".
5
Inácio quem viu, mas me contou, então vale. Depois do jogo, chegamos com a Sanfona no Amarelinho, e um sujeito que estava tomando uma cerveja olhou a sanfona, a animação, e parou tudo.
Limitou-se a ficar beijando o escudo do Santinha, repetidas vezes, com os olhos marejados.
**
Teria muitas cenas para relatar. Mas fiquemos com algumas, só para inspirar os leitores tricolores a nos mandarem seus "momentos eternos no Arruda".
Que venha o quadrangular, com a final no Arruda...
Em tempo: Acuso a melhor partida de Neto no Santinha, bem como um jogo incrível do nosso Osmarzinho. Além disso, é importante que Leonardo cresça, porque a experiência vai valer ouro nesta reta final.
Mundo animal: o caçador de leões
Por Nunes, pseudônimo de um jornalista especializado em Esportes que volta a colaborar com o Blog depois de um chá-de-sumiço
Há pouco mais de quatro anos havia decidido comprar um cachorro. Moro em casa e precisava de um caboclo que tomasse conta do pedaço, sem, no entanto, ser um desses serial killers. Queria um cão que botasse respeito, mas fosse gente fina com o povo da casa, com os amigos.
Passei a pesquisar diversas raças e uma me chamou a atenção: Rhodesian Ridgeback. Não apenas porque preenchia os pré-requisitos acima, mas por um detalhe sensacional. O Rhodesian é uma raça de origem africana, utilizada para caçar leões. Não tive dúvidas: só podia ser um cachorro desses!
Barreto está prestes a comemora cinco anos, fazendo jus à origem da raça. Há uns dois anos, passou pela rua um elemento cantando o “cazá-cazá”. O meu amigo avançou em direção ao rubro-negro, partindo para o portão e latindo com uma fúria que me deixou orgulhoso.
Na foto, Barreto descansa após a conquista do título estadual, quando papou não apenas leão, mas também timbu, patativa e outros seres. Este é o momento Mundo Animal Blog do Santinha. Mande também a sua contribuição e... dá-lhe Santa!!!
sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Blog do Santinha assusta gremistas!!!
Sanfona, farra e folia
Descobrimos os dados que faltavam para dar sentido à foto de Givanildo levantando o trófeu. É só verificar no texto correspondente, lá embaixo.
quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Movimento Fica Osmar (MFO)
Aviso
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Um pouco sobre Givanildo
por Inácio França
Não é por acaso que o profissional bem-sucedido que comanda o time do Santa Cruz tem fama de chato, arisco e de personalidade forte. Não foi por acaso que Givanildo Oliveira se tornou um dos maiores vencedores da história do futebol nordestino, com 11 títulos como jogador e outros 18 como treinador.
Givanildo nasceu numa família pobre no bairro de Vila Popular, em Olinda. Seu pai vivia constantemente desempregado e a mãe ganhava alguns trocados fazendo serviços domésticos. Pouco para criar sete filhos.
As primeiras lembranças de sua infância são de fome, miséria e do trabalho pesado carregando sacola na feira da praia dos Milagres em troca de alguns centavos. Até os 18 anos Givanildo fez um pouco de tudo para ajudar o sustento da família. Estudar era um sonho impossível.
As coisas começaram a mudar quando arrumou emprego como office-boy na empresa do publicitário Paulo Duarte, na avenida Dantas Barreto. O empresário ficava intrigado com a grande quantidade de visitantes que, sempre às sextas-feiras, chegavam na agência de publicidade procurando seu mais humilde funcionário. Eram emissários de times de várzea que iam até lá para assegurar a presença do rapaz nos jogos aos domingos, disputados em campos da periferia. O 10 de Novembro, de Olinda, e o Portela, de Jaboatão, enviavam os representantes mais insistentes.
Impressionado com a disputa pelo futebol do office-boy, Duarte conseguiu que ele fizesse um teste no seu querido Santa Cruz. Isso aconteceu em 1966. Sete anos depois, Givanildo já era pentacampeão pernambucano pelo Santinha. Foi supercampeão em 1976, ganhou um torneio internacional pela seleção brasileira e teve uma passagem rápida pelo Corinthians. Mais títulos pelo Santa Cruz, a transferência para o Fluminense e a volta para Pernambuco, jogando pela coisa, algo insignificante que não nos interessa tratar aqui no Blog do Santinha.
Pra encurtar a conversa, Givanildo tem 22 anos de carreira como treinador. Foi campeão 18 vezes pelo CSA, CRB, Paysandu, América-RN, América-MG e outros tantos.
Não foi por acaso que o jornalista Marcelo Cavalcante decidiu que era hora de contar a história desse pernambucano simples, tímido e vencedor.
A foto lá de cima foi tirada em 1969, no primeiro título conquistado por Giva e também o primeiro da seqüência do pentacampeonato (1969-1973). Quem garante é o próprio biógrafo do treinador, Marcelo Cavalcante.
Notícias do Santinha nos jornais de hoje
terça-feira, 11 de outubro de 2005
O Pagão do meu pai
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Tudo sobre Givanildo
por Inácio França
Independente do resultado final da Segundona deste ano, Givanildo Oliveira já ocupa um lugar destacado no futebol pernambucano, em geral, e do Santa Cruz em particular. Falta pouco para a história do técnico tricolor ganhar também um espaço na biblioteca dos torcedores. E isso vai acontecer quando o jornalista Marcelo Cavalcante (foto acima) concluir a biografia do Marreco, um dos maiores colecionadores de títulos do Norte-Nordeste do Brasil.
Apaixonado por biografias, Marcelo sempre teve a obsessão de contar em livro a história de um personagem que tivesse uma vida com ingredientes como sofrimento, luta, personalidade forte e vitórias. Faltava-lhe, porém, o principal: o personagem. "Quando o Santa Cruz trouxe Givanildo no início do ano, pensei: é ele!". A ótima temporada do tricolor confirmou sua hipótese e deixou ainda mais rica a biografia do treinador.
No início, Marcelo teve dificuldades. "Eu não tinha contato nenhum com ele. Não o conhecia. Então era difícil arrancar informações, ele não se soltava nas entrevistas. Achava até que ele não se importava com o projeto, que não estava nem aí".
Marcelo só recuperou o ânimo quando conheceu melhor o protagonista da sua história: "Esse é o jeito dele mesmo. Contido, reservado, sempre na dele. Acho que tem muita timidez também". Até hoje, Marcelo gravou mais de 15 horas de conversa com o ídolo da torcida coral. Ainda faltam, no mínimo, mais três entrevistas para preencher algumas lacunas.
"Tenho um material muito farto e rico sobre a infância de Givanildo e sobre seus primeiros anos como jogador no Santa Cruz, no Corinthians e no Fluminense. Os anos que dizem respeito à atividade como técnico no Pará, Alagoas, Minas Gerais e São Paulo ainda carecem de depoimentos e informações", revela o jornalista, que espera concluir a obra no primeiro semestre de 2006. Enquanto isso, vai passar os finais-de-semana escrevendo até meia-noite e tentando arrumar tempo para entrevistas nos horários de folga dos seus empregos na prefeitura de Olinda e no site JC Online.
Nos próximos dias, publicaremos um pouco sobre a vida de Givanildo, segundo Marcelo Cavalcante, e um trecho do livro enviado com exclusividade para o Blog do Santinha.
E-mail enviado por Fumanchu
Para saber mais sobre o Santinha
Amigos santa-cruzenses,
Este blog literário-esportivo-cultural-anárquico-apaixonado do Santinha está começando a juntar relatos que ajudem a contar a história do Mais Querido.
Hoje, o Júlio Vilanova, que está sendo colaborador ferrenho, mandou algumas informações sobre o livro "Eu sou do Santa Cruz de Corpo e Alma", publicado em 1986 pela CEPE.
Pedimos encarecidademente: quem tiver um exemplar, entre em contato com os blogueiros do Santa.
Da redação.
***
por Júlio Vilanova
Escrito sem qualquer pretensão literária nem muito rigor jornalístico, o livro "Eu sou do Santa Cruz de Corpo e Alma", de Mário Filho (já falecido), vale pelas histórias de quem acompanhava o Santa desde os anos 30. Foi editado em 1986 pela CEPE, mas deve estar esgotado.
Abaixo, uma história que ilustra bem a empatia do povão com o tricolor.
O PAI DE JAIME
"Nos anos 30, andava pelas ruas do Recife um cidadão aparentando a idade de mais de 50 ou menos de 60 anos. Profissão: carteiro dos Correios e Telégrafos. Sorridente, comunicativo, simpático, falava com todos como se fosse um amigo já muito antigo. Ele ia andando, conversando com todos e o povo dizia em uma só voz, é o pai de Jaime, half-esquerdo do Santa Cruz. O pai de Jaime era um amigo do povo, extremamente popular, tão popular como o próprio Santa Cruz. O Santa Cruz tem esse dom de ser querido por tudo e por todos. Até familiares dos jogadores são amigos do povo, como foi o caso do pai de Jaime, no ano de 1939. Jaime foi aquele valente half-esquerdo, seguro, técnico, duro nas jogadas mas uma dureza leal, limpa, disciplinada, jogando apenas para o rendimento de sua equipe." (p. 42)
***
Aguardamos sua história, tricolor!
sábado, 8 de outubro de 2005
Fumanchu quer ser mascote
por Inácio França
Fumanchu, Nunes e Joãozinho. Qualquer tricolor de qualquer idade já escutou essa escalação de linha de ataque. Aqueles com menos de 30 anos ouviram dos mais velhos as histórias dos jogos e gols desse trio. Para nós que, mesmo crianças, tivemos a oportunidade de vê-los atuar nos anos 70, citar os nomes dos três, assim nessa ordem, é como declamar o derradeiro verso de uma poesia que nos remete às alegrias da infância.
Depois que essa figurinha amassada de futebol cards (só quem se recorda de futebol cards somos nós, torcedores com mais de 30) caiu de dentro de um livro, o Blog do Santinha decidiu resgatar um pouco da história de Luiz Fumanchu, um dos melhores pontas-direitas do futebol brasileiro daquela época.
Não foi difícil encontrá-lo. Fumanchu hoje é comentarista esportivo de uma rádio de sua cidade natal, a pequena Castelo, no sul do Espírito Santo, perto da fronteira com o Rio de Janeiro. Mas fácil ainda foi entrevistá-lo. Assim que me apresentei como um jornalista do Recife, ele se empolgou e me interrompeu: "E o nosso Santa Cruz, sobe para a primeira divisão, não sobe?"
Ele falou assim mesmo "nosso Santa Cruz". E explicou que se considera tricolor.
Agora, vou dar voz ao ídolo, reproduzindo trechos da nossa conversa por telefone:
"Morro de saudades do Arruda. Tenho a maior vontade de voltar a entrar no gramado do Arruda, em dia de casa cheia. Bem que o Santa Cruz poderia promover um encontro daquele timaço que nós tínhamos: queria subir as escadas do vestiário com Givanildo, Ramón, Pedrinho, Nunes, Betinho..."
"Se o Santa subir para a primeira divisão, quero entrar em campo como mascote. Gostaria muito de dar um abraço no Giva. Quero ser mascote da torcida do Santa Cruz. Lembro que era uma torcida maravilhosa, alegre e apaixonada. O time entrava em campo embalado pela torcida nas arquibancadas. Queria reencontrar essa torcida que não me esquece, pois volta-e-meia estão me citando em pesquisas na Placar ou coisas do tipo".
"No Arruda, não perdíamos. Nosso time matava os adversários no segundo tempo. O gramado do Arruda era fofo, mais fofo do que os gramados do Morumbi, do Maracanã ou do Mineirão. Aí, a gente cozinhava eles no primeiro tempo e matava no segundo, quando estavam todos cansados".
"Tenho vários jogos na memória. Em 1975, a impresa carioca já considerava o Flamengo e o Fluminense como os dois finalistas do Brasileirão. Diziam que eram os dois melhores do Brasil. Então, num sábado com Maracanã lotado, a gente foi lá e sapecou dois no Flamengo, dois gols de Nunes. No dia seguinte, O Internacional enfiou três no Fluminense, com o Maracanã lotado também".
"Eu tive duas passagens pelo Santa Cruz. A primeira foi em 1975, quando saí do Vasco e fui disputar o Brasileirão pelo tricolor. Voltei para o Vasco em 1976 e retornei para o Santa em 1977. Nesse ano, lembro que tínhamos um jogo importante contra o Palmeiras no Pacaembu. Ganhamos fácil, com dois gols meus e um de Nunes. Nesse jogo fiz um golaço de falta. Aí, a gente se complicou contra o Remo, pois tínhamos que ganhar por uma diferença de dois gols, mas o atacante do Remo, Mesquita, fez um gol no finalzinho da partida".
Depois do Santa Cruz, Fumanchu foi contratado pelo seu time de coração, o Fluminense. Daí, passou duas temporadas no América do México e voltou para ser reserva do time do Flamengo campeão brasileiro em 1981. "Mas, aí eu já estava ladeira abaixo", brinca o ex-jogador, que está com 52 anos. Fumanchu é pai de dois filhos e comanda um programa esportivo diário, das 11h às 12h, na Rádio Cultura, de Castelo. Que tiver interesse em ver alguma imagem atualizada do ex-ponteiro, deve ir no site www.culturafm.net ou então esperar que alguém aproveite a ótima idéia de reunir os antigos craques da década de 70 em dia de casa cheia no Arruda.
sexta-feira, 7 de outubro de 2005
Máfia do apito: telefone e endereço
Bar de tricolor é o Garraffus!
O quase desconhecido hino oficial
quinta-feira, 6 de outubro de 2005
Aula de ladroagem
Até o São Paulo foi prejudicado (mas nesse caso, foi incompetência mesmo e não desonestidade): A arbitragem confusa do carioca Luiz Antônio Silva Santos só colaborou para a falta de controle emocional dos atletas. O meia Richarlyson (São Paulo) e os técnicos Paulo Autuori e Geninho foram expulsos. O Goiás segue fazendo ótima campanha e chegou a 34 pontos, quatro a menos do que o líder Corinthians. Souza marcou o gol da equipe, que administrou bem o jogo, marcando forte e indo ao ataque com cuidado.
P.S. - Descobrimos os nomes dos padres daquela foto da missa celebrada no Arruda. É só verificar no texto correspondente.
quarta-feira, 5 de outubro de 2005
Valença, a lenda tricolor
Por Samarone Lima
Amigos, ontem no Arruda nós tivemos mais um clássico fundamental do futebol brasileiro. O Grêmio Futebol Catimbense veio de Porto Alegre conhecer sua primeira derrota nesta fase da Série B. O Santa Cruz Coração Clube deixou sua torcida em êxtase, como o golaço de Xavier. O foguete passou e o goleiro gremista ainda procura os escombros.
Como eu vinha pregando no deserto, nós precisávamos não só de futebol, mas de catimba, raça, manha, para derrotar os gremistas. Estávamos querendo subir para a primeira divisão com um espírito de escoteiro mirim. E finalmente, soubemos fazer o gol e administrar a vantagem.
E no meio do jogo, já havia uma lenda em campo. O nome dele: Valença.
Sim, amigos, daqui a muitos anos, nós tricolores que estamos vivos em 2005, vamos bater no peito e dizer – eu vi o Valença-coração-tricolor jogando com a camisa do Santinha.
Soube outro dia que Valença chorou copiosamente, depois que perdemos o título do ano passado. Soluçava mais que muitos torcedores apaixonados. É só um detalhe emotivo do mito: a camisa coral ensopada de lágrimas. Amigos, escrevo aqui com os olhos marejados.
É impossível não considerar Valença um gigante na área tricolor. Dificilmente perde uma jogada, é capaz de estraçalhar o joelho na trave, para evitar um gol contra o Santa, seria capaz de arrebentar o focinho para tirar uma bola pelo alto. Mais que isso - se tivesse que escolher entre ficar inutilizado para o futebol e dar um título ao Santa, diria que Valença escolheria ficar na cadeira de rodas, com aquele sorriso de garoto solítário que ele tem.
Mas no jogo de ontem, a torcida urrava, a cada bola roubada, a cada dividida. “Isso é que é jogador”; “Valença é demais”; “Isso é que é raça, caralho!”; “O bicho é foda mesmo”. Se os gremistas vieram com toda aquela manha, a catimba conhecida, Valença apresentou a pós-graduação. Ouvi quando ele gritou para o atacante gaúcho:
"Aqui, quem manda sou eu".
Há o momento exato em que o jogador deixa de ser um reles craque e vira uma lenda. Ontem, não sei a quantos minutos do primeiro tempo, ele pegou a pelota, sua amiga de tantos anos, e chutou para a lateral, como se estivesse tendo uma epilepsia no coração, uma fraqueza no espírito. Mas não. O sangue jorrava do supercílio do nosso ídolo. Parecia um caninho da Tigre, vazando água vermelha, o supercílio do nosso craque. Aquela expressão “ele dá o sangue pelo time” foi levada ao pé da letra. A camisa do Santinha, manchada de sangue pelo nosso maior zagueiro, deveria ser tombada e colocada no panteão da nossa gloriosa história. Antes, ele havia ensopado a camisa de lágrimas. Depois, veio o sangue. O suor já estava há muitas gerações.
E veio a bandagem. Cobriram o cocoruto do nosso craque com uma faixa, daquelas que usam quando o sujeito leva um tiro, no meio da guerra. Ele foi remendado sem anestesia e ficou à beira do campo, desesperado, para voltar à área. Por alguns segundos, a área do Santa Cruz parecia um jardim da infância para os gremistas. Naquele momento, até Thiago, de 7 anos, que estuda na escolinha do Santa, driblaria todos e faria um gol. Aos 36 anos, me senti órfão de um jogador. Faltou pouco para que eu começasse a chorar.
A torcida urrava para o Edílson, digo, o juiz, liberar o retorno do nosso atleta. Valença precisava voltar. Arraes voltou, todos os exilados voltaram, o Fusca voltou, Os Rolling Stones voltaram, mas Valença não voltava nunca aos gramados. Um mudo, um sujeito que nunca tinha dito um “olá”, na vida, que estava ao meu lado usando a linguagem dos sinais, soltou um berro que balançou o Arrudão:
“Deixa Valença entrar, fila da puta!”.
Por alguns segundos, milhares de tricolores ficaram à beira de um colapso. Valença não estava na zaga. Mas o juiz finalmente escutou nosso mudo e liberou o retorno do nosso craque. O Grêmio, depois disso, sentiu o impacto, e jamais conseguiu enfiar a bola em nossa rede.
No segundo tempo, ele voltou com um singelo band-aid no supercílio. O médico quis reduzir o tamanho da lenda, tirando aquela faixa de ferido em plena guerra. Mas já era tarde. Por minutos eternos, vimos nosso craque jogando com a cabeça enfaixada, ferido mas lutando pelo tricolor. Bekembauer, que já fez o mesmo, se tornou uma figura menor. Uma cena para a história do nosso clube.
Valença, que joga beijando o escudo do Santa, é o próprio coração tricolor.
Deixemos de modéstia e louvemos o nosso craque.