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segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Aos leitores e comentadores do Blog do Santinha

Amigos e amigas, Em assembléia extraordinária realizada há pouco, por telefone, a direção intelectual e afetiva do Blog do Santinha resolveu que não vai ficar se preocupando com os comentários de baixo calão das torcidas adversárias neste espaço. Se os leitores quiserem ficar nessa lenga-lenga, rebatendo qualquer idiotice que escrevem, o problema não é nosso. Nossa preocupação é com o conteúdo do blog, para que a torcida do Santa Cruz Futebol Clube possa estar sempre acompanhando, de forma poética e jornalística, a vida do Mais Querido. Os comentários são formas de interagir, e cada um interage com o que tem para dar ao mundo: Quem tem mel dá mel, quem tem fel dá fel. Informamos que poderemos dar consultorias sobre o tema, já que parece estar faltando inspiração no mundo da Internet para os torcedores de outros clubes, que insistem em nos visitar diariamente. Maiores informações, favor ligar para Inácio França (descasado, mas apaixonado por uma alvirrubra), no 3266.4612 ou para Samarone Lima (não-casado, mas comprometido com uma donzela), no 3265.0005. Inté.

Pênalti se bate com raiva, meu amigo!

Por Samarone Lima Puta que o pariu, meus amigos, está difícil digerir aquele empate com o Grêmio Futebol de Regatas. Mas uma coisa eu realmente não entendo, e se tiver algum psicanalista entre os leitores deste blog, por favor me mande uma explicação plausível. Como é que um sujeito é jogador de futebol, está dentro de campo, o estádio lotado, seu time precisa da vitória de qualquer jeito e simplesmente recua um pênalti para o goleiro? Sim, amigos, uma recuada de bola. Um traque. O jogador Reinaldo deveria ser multado por ter feito aquela gracinha no momento mais dramático da partida. Um gol, naquele momento, era tudo o que o Santinha precisava, para enfiar mais dois gols. Eu precisava daquele gol, Inácio precisava, Ely, aqui do Poço, Seu Vital, Saulo, o Profeta, a Sanfona Coral, Billie Joe, o cachorro de Ely, Nana, K2, a turma que estava no Mercado da Encruzilhada, a multidão na Colosso e milhares de apaixonados pelo Santinha precisávamos daquele gol para deixar as coisas equilibradas. Hoje, amigos, estaria tudo no seu devido lugar. Cada clube com três pontos. Pra piorar, vou assistir ao Terceiro Tempo, com aquele chato do Milton Neves, o programa tem propaganda pra caralho, mas é o único de futebol no domingo à noite, eu não entendo certas coisas no Brasil, mas tudo bem. Daqui a pouco vejo os gols da rodada. O Corínthians, que tem uns trinta pontos à frente do segundo colocado, está perdendo de 1 x 0 e o juiz marca pênalty. Lá vai o Carlito Tévez, o baixinho Tévez, com aquela cara toda remendada de uma queimadura quando era pirralho, na longínqua Buenos Aires. O time é quase campeão, o estádio está cheio, ele poderia fazer uma gracinha, bater um pênalty estiloso, a la Reinaldo, porque entende do assunto, ele é daquele tipo de jogador que conversa com a pelota. O que fez o Tévez, aquele pirralho? Amigos, ele fez o óbvio. O baixinho correu e soltou um canhão para dentro do gol. Se o goleiro colocasse a mão, ela estaria aos pedaços, pendurada na rede, pelo lado de dentro. O goleiro correu e se escondeu atrás de um PM, com medo da bolada. Tévez soltou um foguete com raiva, com raça, com vontade de vencer, e saiu para o abraço. Chutou a bola com raiva do sofrimento quando era pequeno, das queimaduras, das pisas que levou do vizinho grandão, com raiva de alguma gaia que levou em Buenos Aires, há 15 anos, se vingou daquele professor de matemática que fodia a vida dele, mas chutou, acima de tudo, com vontade de vencer. Eu fiquei na cadeira, vendo a cena, as lágrimas ensopando a sala, lamento mas eu sou um torcedor emotivo mesmo. A única coisa que eu me perguntava: por que o Reinaldo resolveu ser coroinha da igreja justamente na fase final da segundona? O que mais me chateia nessa história toda é somente uma coisa – o futebol do Grêmio de Regatas. Tudo bem que o torcedor é um apaixonado pelo seu clube, ele sempre acha que seu time é o melhor, mas a gente sabe quando o time presta ou não. Lembro que Oswaldo, o nosso Titio, me disse uma vez que o Santa estava tão ruim, que ia a campo ver mais a cara da derrota. Mas ia ao estádio, como aqueles carneirinhos para o matadouro. O sujeito ter a coragem de estufar o peito e dizer que esse time do Grêmio é bom, pelo amor de Deus... Eu procuro uma tabela bonita no time do Grêmio, um lançamento à meia distância, um lençol, e nada. Procuro habilidade, algum toque de primeira, um driblezinho que se dá numa pelada, e nada. É força, força e força. Se eu fosse Givanildo, botaria um castigo para o Reinaldo – sessões de penalidade máxima, durante toda a semana, ao final de cada treino. Ele terá que bater 100 pênaltis por dia. Mas tem que ser com raiva, porque ele pensou que era craque e fodeu o time. Pênalty tem que ser batido com raiva, meu amigo, esta é uma teoria que tenho há muitos anos. Se o sujeito perder, a culpa foi do azar.

domingo, 30 de outubro de 2005

O empate com gosto amargo de derrota

Amigos leitores, A redação do Blog do Santinha está se recuperando do empate de ontem, que teve o gosto amargo de derrota. Aceitamos crônicas e relatos sobre o match de ontem, enquanto tratamos do fígado e do espírito. Adiantamos que vai sobrar peiada para os timbus. Da redação.

sábado, 29 de outubro de 2005

Sócrates, guerreiro do povo

por Inácio França Sócrates nunca teve ligação alguma coisa o Santa Cruz. Mesmo assim, desde que esse blog foi criado há um link aí na coluna do lado direito para facilitar o acesso ao seu site pessoal. Foi uma pequena atitude política, significando que compartilhávamos muitas de suas opiniões, idéias e modo de compreender o futebol e política, assuntos inseparáveis para o doutor e para o Blog do Santinha. Esta semana, compromissos de trabalho me colocaram em contato direto com o ex-jogador da Seleção Brasileira, um dos mais talentosos meias da história do futebol. Ingerimos caroços de cerveja (ele mais do que eu) e conversamos um pouco. Sempre distante do óbvio, Sócrates falou coisas que interessam a todos os torcedores. Uma de suas opiniões vem a calhar nas horas que antecedem a um jogo contra o Grêmio. Ele já tinha lido sobre a pressão política exercida pela FPF. Quando eu lhe disse que divulgamos telefone e endereço de um juiz ladrão, ele caiu na gargalhada e deu força: "Essas ações políticas são importantes para neutralizar a força dos interesses econômicos. É preciso fazer isso mesmo. Se deixar, os caras metem a mão. Sempre foi assim". Para Sócrates, o escândalo da máfia do apito não é novidade. "O futebol deve ser a única atividade onde só há uma única instância de decisão, o árbitro. Porra, é lógico que isso é para facilitar a manipulação! É a mesma coisa há 150 anos, não se usa tecnologia, não se usa nada. Há muito dinheiro envolvido nisso, então o objetivo é deixar do jeito que está e manipular para atender aos interesses". Quando jogava, ele percebia quando o juiz estava roubando contra ou a favor. "Isso é mais visível na Copa do Mundo, que é uma competição curta, com jogos eliminatórios e muito mais dinheiro envolvido, aí os árbitros são importantes para garantir os resultados que interessam aos donos do dinheiro". Sincero, o exemplo que ele usa para ilustrar a roubalheira em Copas do Mundo, é de Brasil 1 x 0 Espanha (o gol dele), na primeira rodada da Copa de 1986, quando os espanhóis tiveram um gol não marcado. "Logo depois me entrevistaram e eu falei 'se fosse a nosso favor, era gol'." Da arbitragem, a conversa se desloca para outra roubalheira: a dos cartolas. "Todos nós somos, de forma ou de outra, responsáveis por nossos atos. Os caras que administram os clubes e as federações nunca são responsabilizados por seus atos. Eles são os únicos que não são responsáveis pelos seus atos". Sócrates defende uma idéia original e ousada. Para ele, a luta pela ética no esporte é prioritária e não apenas um assunto secundário, como pensam os políticos de esquerda (ele é esquerda, nós do blog também). "O esporte é o segmento de maior visibilidade na sociedade brasileira. É o maior teatro nacional. Precisamos usar isso como instrumento de educação. Uma ação concreta, agressiva, para exigir transparência no esporte poderia, na minha visão, mudar o paradigma da sociedade em relação. A CPI do Esporte foi um antiexemplo, como não teve nenhuma consequência direta, a sociedade entende que se um setor tão importante suporta conviver com tanta falcatrua. Isso reforça os vícios". "O futebol é muito importante para o Brasil. É o espelho do nosso povo: insolente, libertino, criativo e alegre. Essa é mais uma razão para lutarmos por ética na administração do esporte". A violência nas arquibancadas, na sua opinião, precisa ser compreendida como um fenômeno social: "Você sabe como se cria um pitbull de rinha? O filhote cresce criado num buraco escuro, úmido e com pouca comida. O animal fica extremamente violento. Não é nessas condições que vive o povo brasileiro?" Sócrates é pai de seis filhos homens. O mais novo nasceu há um mês e se chama Fidel. Sócrates fala francês, italiano e se recusa a falar inglês para não falar a língua do imperialismo. Para fechar, uma última frase do doutor: "Estou torcendo para que os dois times daqui subam. A primeira divisão precisa de mais nordestinos". Vários pontos para Sócrates.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Roteiro musical e sentimental da Sanfona Coral neste sábado

Atendendo a centenas de pedidos, o Blog do Santinha divulga, em primeira mão, o roteiro da já lendária Sanfona Coral, antes, durante e depois do match contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense . Antes do jogo: 11h07 – Concentração no Mercado da Encruzilhada, de preferência no Bragantino, onde João Valadares promete pagar uma rodada de bolinhos de bacalhau, para vingar a Lusa e uma grade de cerveja, para acalmar os espíritos. 12h33 – Churrascaria Colosso, local por demais conhecido por abrigar a massa tricolor antes de cada jogo. Depois de tocar os sucessos que a torcida tanto aprecia – “quando passo na casa da Barbie”; “A coisa gemeu/no ano do centenário”, entre outros, os músicos forrarão o estômago com o tradicional galeto assado do Colosso, na esperança de um patrocínio de cervejas, que ninguém é de ferro. 14h17 – Entrada solene no Colosso do Arruda, com ingressos previamente comprados, pois os integrantes da Sanfona Coral detestam cambistas. 15 às 17 h – Arquibancada do citado estádio, no mesmo lugar de sempre, que está dando sorte, e apesar de não sermos supersticiosos, acreditamos em certas mungangas. Após o jogo: Impossível dizer o roteiro ou horário. Caso a vitória chegue, como acreditamos, o sanfoneiro poderá ser encontrado na manhã de domingo, abraçado com sua sanfona, em alguma calçada do Recife, que Deus nos proteja. Tomara que o sol venha rasgando, para lascar os cabras do Sul.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Perfil coral 1: Neto, o Anjo da Guarda

Por Samarone Lima Chego ao Arruda para uma entrevista com Neto, o camisa 5 do Santa Cruz. É tardinha, no nosso estádio, e Inácio França, chega depois. Ficamos olhando a piscina, os funcionários, pensando nossas besteiras, quando surge a necessidade de uma definição para Neto. Inácio me cutuca e diz: “Rivelino era a Patada Atômica, Gerson era o Canhotinha de Ouro, Zico era o Galinho de Quintino. E Neto?” Ficamos em silêncio. Inácio pensa, pensa e responde: “O Anjo da Guarda”. Concordo imediatamente. Ficamos lembrando de Neto em campo, sempre protegendo, defendendo, amparando o time, sem fazer alarde, sem aparecer muito, sem muita entrevista, sem marketing. Antes da entrevista, Neto já é o Anjo da Guarda tricolor. Falamos com Álvaro Claudino, assessor de imprensa do Santa Cruz. “Cadê Neto?” “Está ali, fazendo a divisão do dinheiro para as cestas dos funcionários”. Então sai Neto do vestiário, para uma conversa com a reportagem do Blog do Santinha. Ficamos sabendo que ele é um dos líderes do grupo, o responsável pela arrecadação de dinheiro para ajudar os funcionários do Santa. A imagem é surreal. Chega um senhor e pergunta: “Neto, tu me ajuda a atravessar a rua?” É um cego, amigos. Um cego, pedindo ao nosso atleta para ajudá-lo a atravessar a rua. Já na saída do estádio, pede dez reais. Neto puxa o dinheiro e pede a alguém para ajudar a atravessar o velhinho. Então ficamos sabendo mais de Neto, que tem 28 anos, (ele não me disse seu nome completo, eu também não estou preocupado com o nome completo dele). É Neto, simplesmente Neto, o Anjo da Guarda tricolor. E começamos a conversa com estas coisas singelas, que fazem do jogador um ser mais humano. No vestiário, dividindo o dinheiro das cestas básicas, e depois, ajudando um ceguinho. Como quase todo jogador de futebol deste País, Neto veio de família humilde, uma cidade chamada Miguel Calmon, a Fazenda Bitu, para sermos mais precisos, sertão da Bahia, a 360 quilômetros de Salvador. E Neto, o nosso número 5, com mais de 120 jogos vestindo a camisa do Santa, é o quinto filho. O filho que juntava dinheiro, comprava bola e o pai rasgava. Juntava dinheiro, comprava outra bola, e o pai rasgava de novo. Até que um dia, com 16 anos, jogando pela seleção de Miguel Calmon, contra um glorioso escrete da cidade vizinha, na final da Copa do Feijão, neto foi descoberto por um empresário e levado para o Fluminense de Feira (de Santana). Nunca mais seu pai rasgou as bolas do filho. Como pouquíssimos jogadores do futebol deste País, Neto esbanja caráter, personalidade, visão de mundo e, principalmente, solidariedade. É como se o que ele faz em campo, ajudando o Santa, fosse reflexo do que faz na vida cotidiana. “Não adianta pensar só em mim, nem só no elenco. É preciso pensar também nos funcionários, em todos”, diz. Ficamos sabendo também que ele é responsável por fazer uma arrecadação entre os jogadores, para dar uma ajuda aos atletas que não jogaram. Quando perguntado sobre sua trajetória no Santa, ele é cauteloso. Diz que está fazendo um trabalho contínuo, ocupando seu espaço. “Tenho a preocupação com meu crescimento não apenas como jogador, mas como homem, como caráter”, diz. Usando com freqüência o verbo “crescer”, Neto vai falando sobre sua vida e sua preocupação com tudo o que envolve o mundo do futebol. Vem sendo assediado por empresários (média de cinco ligações por dia), mas tem a cabeça no lugar. “É só você estar bem, que aparece uma multidão de empresários”, diz Atleta evangélico, da Igreja Presbiteriana do Pina, Neto trabalha na igreja ao lado da esposa, num ministério da “restauração de lares”. Eles dão amparo a casais que estão à beira da separação. Olho para Inácio e tenho certeza da escolha – o Anjo da Guarda. Nas horas vagas, ele não vai ser encontrado num pagodão, em farras, tomando suas cachaçadas. Poderá ser encontrado na igreja, num shopping, passeando com Anderson e Andreza, os dois filhos, ou buscando casais que precisem de ajuda, para levar sua experiência. Como um bom Anjo da Guarda, Neto sabe que está ajudando o time sem muito alarde. “Não apareço muito, não estou nos destaques da mídia, mas sei que faço uma parte importante na marcação, no apoio ao time”. E quando entra em campo, Neto, o que tu sente com a massa coral? “A única sensação que dá é um arrepio. Não tem como não correr, dar o sangue pelo time. A torcida do Santa é de arrepiar qualquer jogador”.

Blog do Santinha é sucesso no sul do País

Amigos tricolores, assim também é demais. Hoje, o repórter Gabriel Camargo, do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, ligou para a redaçao do Blog do Santinha. Queria saber tudo sobre a torcida, detalhes sobre a Sanfona Coral, o clima do jogo contra o Grêmio etc. Eles, no sul, estão acessando o blog a cada segundo, querendo saber o que está acontecendo com o nosso Santinha. Como somos criaturas educadas, informamos sobre nossa paixão pelo clube, a viagem a São Paulo, a farra, mesmo nas mais catastróficas derrotas, nossa alegria em apenas torcer etc. Aguardemos a edição de amanhã do Zero Hora. Se escreverem bobagem, já temos o email do repórter. Queriam tirar fotos da Sanfona, mas Chiló, que vai tocar hoje à noite no Garraffus (ôps, merchandising), estava cochilando para relaxar suas cordas vocais, para chegar ao fá sustenido bemol. Não nos enganemos, tricolores, as barbies e a coisa brevemente vão copiar. Todos ao Arruda no sábado!!!

Técnicas básicas para educar um bebê tricolor

por Geraldo Lima, funcionário da Justiça Federal e zabumbeiro da Sanfona Coral
  • Ainda na barriga da mãe, converse com o bebê sobre o Santa Cruz, falando de suas glórias, ídolos e conquistas. Em caso de vitória, comente os detalhes do jogo com o bebê, descrevendo lance por lance (os melhores lances, lógico), e na hora que a resenha for repetir o gol do mais querido, encoste o rádio num volume bem alto na barriga da mamãe.
  • A partir do 5º mês de gravidez, leve a mamãe grávida para o Arrudão, pois, o neném vai sentir as vibrações da torcida coral.
  • Prepare o quarto do bebê, com as cores do Santa Cruz, e não esqueça de comprar o uniforme tricolor, além de pendurar uma bandeira do Santa Cruz no berço.
  • Lembre-se que o filho é seu, então, não tem essa de tio, sogro ou alguma alma sebosa da coisa ou barbie ficar dando pitaco.
  • Outro detalhe, os padrinhos têm que torcer pelo Santa Cruz. Na fase da criança recém-nascida, a primeira palavra a ser ensinada deve ser SANTA CRUZ. Quando chegar as visitas, diga que ele (ou ela) já está falando "Santa Cruz", mesmo que não for verdade, porque todo mundo vai ficar na frente do tricolorzinho: “santa cruz, santa cruz, ...” Não dê os ouvidos para as opiniões dos avós, lembre que se o guri falar "Santa Cruz", você vai poder se amostrar pros amigos pelo resto da sua vida.
  • A música a ser cantada na hora de ninar é: “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais essa vitória...”
  • Na hora do banho, lavando a pitoca dele, cante: “a cobrinha quando entra no gramado...” OBS: evitar essa música em caso de nascer uma menina (cada coisa tem seu tempo).
  • Quando o tricolorzinho começar a andar, compre uma bola do santa cruz, no caso de ser uma menina um bonequinho tricolor. Não esqueça que menino joga bola e menina brinca de boneca: “viadagem” é lá na casa da barbie.
  • Sempre associe a coisa e a barbie a algo que a criança não gosta ou tem nojo, por exemplo, diga sempre que o burro-negro e o alvirosa é côco. Em caso de necessidade, passe côco no nariz dele e fique dizendo que os nomes dos dois times adversários.
  • Quando você for passear com seu herdeiro e, por acaso, passar pelo chiqueiro ou pela casa da barbie, faça o maior esparro, diga que ali é um cemitério, que tem papa-figo, que prendem menino ali, e se puder, dê uma mijada na frente da sede adversária.
  • Na época de levá-lo aos jogos do Santa Cruz, comece pelas partidas mais fáceis, pra não correr risco do menino ver uma derrota tricolor, porém se, por acaso, acontecer isto, enfatize que o árbitro roubou, ou melhor, juiz, porque é uma palavra mais fácil para o pirralho entender. Não esqueça de vestir o guri com o uniforme do Santa Cruz e botar uma bandeira na mão dele.
  • No aniversário de 6 anos, faça a festança com o tema Santa Cruz: bolo confeitado com o escudo, bolas nas cores preto, branco e vermelho, caixinhas tricolores. A música da festinha será a do CD “Veneno da Cobra” e os palhaços e animadores devem ser tricolores. Tenha sempre cuidado com as amizades dele.
  • Por fim, se aos 12 anos este menino tiver dúvida por quem torce, mande ele para terapia. Chegando aos 16 anos, e este fela-da-puta tiver torcendo pela barbie ou coisa, dê uma pisa nele e bote o safado pra fora de casa. Dedicado a meu sobrinho que está vindo por aí. O nome dele será Heitor e o apelido será Givanildo. As fotos são de uma família de amigos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Arruda, 1980

A segunda ampliação do Arruda começou em 1980, com a construção do anel superior. Na época, a ditadura militar estava acuada por conta do ressurgimento dos movimentos sociais e de seguidas derrotas nas urnas. Na defensiva, os milicos e seus aliados liberavam dinheiro fácil para obras megalomaníacas. Em Pernambuco, Marco Maciel era o governador biônico indicado pelos generais e como sua única virtude conhecida é torcer pelo Santa Cruz, sobrou dinheiro para custear as arquibancadas superiores e o aumento de capacidade para 80 mil pessoas. A foto foi cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra (aliás, nosso banco de imagens do estádio está chegando ao fim. Só temos mais duas fotos para publicar)

Outras histórias de Mário Filho

O músico Júlio Vila Nova nos enviou mais dois causos extraídos do livro de Mário Filho, Eu sou Santa Cruz de corpo e alma, cuja capa reproduzimos há algumas semanas. Publicamos hoje essas duas histórias, além da foto do próprio autor, encontrada pela equipe do Blog do Santinha numa expedição pelos sebos de revistas do centro do Recife. 7 x 0 NO TIME DA ILHA “Aconteceu no ano de 1934, eu tinha 13 anos de idade. O goleiro Diógenes Prado havia saído do Santa Cruz, seduzido pelo pessoal da Ilha do Retiro. Diógenes na época era o melhor goleiro da cidade, mas o Santa Cruz vingou-se a aplicou a sonora goleada no time da Ilha: 7 x 0. Esse jogo se fosse transmitido pelo locutor esportivo Ary Barroso, a imprensa carioca diria que a gaitinha do Ary ia se quebrar, de tanto apitar gol, como se sabe, o Ary transmitia futebol e cada gol ele tocava a sua gaitinha. Foram sete gols no campo da Av. Malaquias. Essa vitória ficou nos anais da história do futebol pernambucano [...] Naquele tempo, o meu querido Santa Cruz era conhecido como time de gente pobre e gente de cor, na ignorância do povo rico daquele tempo. Uma vitória tricolor não era bem recebida pelos falsos grã-finos do povo da Ilha. E o Santa Cruz que havia perdido Diógenes, jogou e ganhou de 7 x 0 com o seguinte time: dada, sherlock e João Martins; Ademar, Sebastião da Virada e Ernane; Walfrido, Limoeiro, Tara, Lauro e Estevão. Vitória que ficou gravada com letras douradas na história desse grande clube brasileiro.” (pág. 47) O CANTOR DAS MULTIDÕES NO CLUBE DAS MULTIDÕES “Maior cantor popular do Brasil de todos os tempos, artista que manteve o seu cartaz de maior vendedor de discos do Brasil, em um período de 10 anos consecutivos, sem ter fã-clube, máquina publicitária, empresário milionário, Orlando silva foi um cantor que venceu pelos seus méritos vocais e pela beleza impar de seu repertorio. Pois foi esse Orlando Silva que deu uma audição de gala nos salões do Santa Cruz, levando à sede do Mais Querido uma multidão invejável para ouvi-lo. Isso foi no início dos anos 70. Tendo feito sucesso em todo o Brasil como o melhor cantor deste país, Orlando Silva foi um mito que viveu permanentemente no seio do povo brasileiro e o Santa Cruz levando o grande cantor aos seus salões, sabia que estava levando o cantor do povo para o clube do povo.” (pág. 66)

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Biografia de Givanildo: amostra-grátis

Estávamos devendo o trecho da biografia de Givanildo, livro de autoria do jornalista Marcelo Cavalcante, em fase final de elaboração. Quitamos, agora, a dívida contraída junto aos leitores do Blog do Santinha: "No dia 12 de novembro de 1969, o Peixe havia goleado o Tricolor por 4x0. A partida era válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa e, mesmo com a goleada sofrida, Givanildo foi um gigante na partida. Não cansou de correr e marcou de perto Clodoaldo. O Jornal do Commercio reconheceu o talento do atacante. Nos comentários individuais dos jogadores, Giva recebeu a seguinte observação: 'Givanildo continua sendo o grande jogador do Santa Cruz. É incansável tanto no trabalho de marcação quanto no ataque'."

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Diário de bordo

por Geraldo Lima, funcionário da Justiça Federal e zabumbeiro da Sanfona Coral Viajar a São Paulo para assistir à partida de sábado foi mais do que uma aventura, foi viver uma seqüência inesquecível de grandes e pequenos encontros. Já no aeroporto dos Guararapes fomos encontrando alguns tricolores que também estavam indo torcer pelo nosso Santinha. O vôo que estava marcado para 00h01 foi cancelado porque a aeronave deu problemas (ainda bem que foi antes de subir) e só saímos do Recife por volta das 2h30 de sábado. Pra não perder tempo, fizemos um ensaio da Sanfona Coral no salão de embarque, instigados por uma turma da cidade de Limoeiro, que também tinha o Canindé como destino final. Chegamos em São Paulo por volta das 07h da manhã. E fomos direto para casa de Lu, a Moça Coral. Conseguimos dar apenas uma pequena cochilada: a ansiedade cortou nosso sono. Então o jeito foi começar a preparação do fígado por volta das 10h, ouvindo o CD Veneno da Cobra. Saímos da nossa concentração às 11h30 direto pra o Shopping D, que fica ao lado do Canindé, onde fomos encontrar com outros torcedores do Santa Cruz. O pessoal aceitou nossa sugestão e fundou a Sampa Cruz, com direito à faixa e tudo mais. No percurso de ida até o estádio, mais encontros: fomos fazendo aquele forró, sendo identificados por alguns nordestinos, que distribuíam largos sorrisos. Lembro de um taxista que, na rua, que gritou: “É isso aí Santa Cruz! Eu sou de Caruaru!” Aos poucos a torcida do Santa Cruz foi aparecendo, chegava nordestino por todo lado. Entenda-se nordestino como o cara que é daqui e mora lá há muitos anos. Um momento inesquecível, pois, todos queriam reencontrar forró autêntico e conversar um pouco com a gente: queriam saber sobre o Santa, onde morávamos, queriam dizer de onde eram, comentar fatos de tempos passados e por aí vai. A sanfona e o time significavam o encontro com as raízes de cada um. A figura que simbolizou tudo isto foi seu Armando, um senhor na faixa dos 60 e pouco anos, que há mais de 40 não vinha a Pernambuco e que a esposa torce pela portuguesa. Nós já estávamos no corredor das arquibancadas, quando ouvimos um grito: “É Santa Cruz”, olhamos para trás e o vimos. Paramos para lhe dar a atenção mais do que devida. Quando seu Armando começou a falar sobre sua vida em São Paulo e suas recordações do Recife, dei a idéia de tocar as músicas do Santa. Bastaram os primeiros acordes do “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais esta vitória....” e não deu outra: seu Armando caiu no choro. Nós também. Quando chegamos dentro do estádio uma verdadeira massa tricolor já estava lá. Era gente de todos os lugares de Pernambuco. Tinha nêgo de Palmares, Garanhuns, Lajedo, Cachoeirinha, Abreu e Lima, Caruaru e do Recife, mais precisamente Água Fria. Até o irmão de Sidraílson (nosso zagueiro que está em Portugal) com seus primos, juntou-se a nós, fazendo um forró que o Canindé nunca viu. Muitos se aproximavam para perguntar sobre o time: quem é o jogador fulano de tal? quem é o cara da camisa 10? Um sujeito de Palmares ficou do meu lado o tempo todo, a tirar dúvidas sobre o time. Tive que, ao mesmo tempo, tocar zabumba e dizer toda a escalação do Santa Cruz. Não fosse o placar negativo, nossa ida teria sido 100%. Mas, fizemos nossa parte, e o que mais nos impressionou foi que os tricolores que moram em São Paulo são realmente o espelho da nossa torcida, formada por pessoas humildes, sofridas e apaixonadas pelo Santa Cruz. E como o nordestino que está por lá se identifica com o forró. Quando seu Armando chorou, parecia que o Santa Cruz simbolizou a pátria e o forró o hino nacional. Agradecemos a todos que nos deram apoio logístico lá em São Paulo: Patu, Lú, Gabi, Allan, Cláudia, o casal de amigos Bia e Luiz e todos os outros. Na foto da esquerda, seu Armando e a Sanfona Coral nos corredores do estádio. Na direita, acima: o grupo na Marginal Tietê.

Um só pensamento

por Inácio França A partir de agora, compromissos profissionais, casos de amor, questões de saúde, conflitos políticos ou contas a pagar, estão em segundo plano. Todas essas coisas que são o centro das atenções, que afligem ou empolgam os sujeitos de bem, ocupam agora um lugar desconfortável nas mentes e corações da torcida tricolor. Sábado à tarde, compreendemos que não teremos vida fácil nas próximas semanas. Entendemos que nossos jogadores terão de suar sangue em campo. O sofrimento, nosso fiel companheiro nos últimos anos, voltou e sentou-se ao lado no lugar vazio do sofá da sala ou na mesa do bar. Há poucos minutos, escutei a história de seu José Felipe, que de tão magro e ágil, é conhecido em Goiana, sua cidade, como Passo Mago. Percebi, então, a importância do momento que passamos a viver no instante que o juiz (ótimo, por sinal) soprou seu apito no sábado 22. E compreendi a real dimensão da angústia que se tornou nossa bagagem obrigatória. Vamos ao Passo Mago, senhor de 74 anos, aposentado que passou a vida trabalhando no setor administrativo da fábrica da Açonorte, junto do rio Itapessoca, perto do mar de Goiana. A fábrica veio para o Curado, mas ele se recusou a acompanhá-la, abrindo mão da possibilidade de ascensão profissional para continuar lá, tomando conta da propriedade fechada. "Ele não queria sair de Goiana", contou sua filha, colega de trabalho e médica respeitada na capital. Esse homem que se recusa a deixar seu lugar e seu passado, também rejeita o tempo livre dos aposentados. Passa os dias na banca do amigo Adielson vendendo jornais sem remuneração alguma. Faz isso pelo prazer de trabalhar, ler as notícias dos cadernos de esportes antes de todos e para poder conversar com os fregueses. Pois bem. Faz uma semana que esse homem está preso numa cama, cercado de aparelhos modernos e ruídos irritantes, na UTI do hospital Português. Sofreu um derrame. Um derrame que não afetou seus movimentos nem sua fala, mas o deixou inconciente e depois o levou ao coma. Ontem, domingo, Passo Mago acordou. Ao recobrar a consciência, pediu a presença da filha, minha amiga (seu maior orgulho é ter tido sete filhas e um filho, todos tricolores), e fez só uma pergunta: "quanto foi o jogo do Santa?". Ouviu a resposta e completou: "Que lavagem…" Seu José Felipe está se recuperando e, provavelmente, será submetida a uma rigorosa investigação científica. Os médicos querem saber como um homem de idade avançada passa cinco dias em coma e não perde a noção da tabela do campeonato.

Sanfona Coral comanda a massa tricolor em Sampa

Por Samarone Lima, enviado especial a São Paulo. Amigos tricolores, dizem os realistas que perdemos para o fraquíssimo time da Portuguesa, no último sábado, pelo inacreditável placar de 4 x 1. Mas os realistas que me desculpem, a derrota foi apenas um detalhe, uma verruga, o mínimo, diante da farra monumental que fizemos antes e durante o jogo. Basta dizer que o placar marcava o 4 x 0, e a Sanfona Coral rasgava no centro, tocando até o hino de " Elefantes" de Olinda. Uma festa inacreditável de bonita. Mas vamos aos detalhes, que o bom da vida são os detalhes. A Sanfona Coral embarcou pela TAM na madrugada do sábado, com o atraso de 2h33, motivo para um imenso forró no Aeroporto dos Guararapes. Tiramos onda mesmo. A farra inicial em solo paulistano aconteceu na casa de Luciana Teixeira, a famosa "Moça Coral", que divide um duplex com Gabi. O detalhe: o apartamento fica defronte a um clube de tênis, e foi bonito ficar olhando a magia deste esporte tão popular - pec, pec, pec, os caras batendo a raquete na bola e a gente chamando eles tudos de boiola. Nos caminho para o estádio, tudo era alegria. O sanfoneiro Chiló estava feliz da vida e tocava tanto, que parecia dopado. Encantamos dezenas de pessoas no caminho, cada nordestino que nos via, marejava. O metrô estava em festa, tudo corria bem, até que apareceu um supervisor de estação, um tremendo truculento, querendo prender o trio, porque estava a tocar "sem minha autorização". Foi um negócio esquisito. O sujeito ficou apavorado com esta coisa bestinha, chamada alegria. Nossa Aleksandra Malvina botou moral e embarcamos no vagão seguinte. O detalhe singelo, o contraponto, foi uma velhinha, uma doce velhinha, que abriu um sorriso lindo quando viu a sanfona e acompanhou nossa trupe durante a viagem, batendo palminhas. Encontramos a massa tricolor no Shopping D. Temendo a prisão, a sanfona ficou mais quieta. Os tricolores de todo o Brasil começaram a chegar, cada um mais empolgado que o outro. Todos eram amigos de infância. De lá, seguimos rumorosos para o estádio do Canindé, onde chegaram tricolores de todo o nordeste, exilados em Sampa. A farra comeu no centro. Olhei para o relógio - faltavam 2h30 para o jogo começar, e já estávamos defronte ao estádio. Bebemos uma cerveja chamada "Atalaia", em lata. Custou R$ 2 mangos. Não lembro o sabor. O espetinho custou R$ 1,50 e era bem duro. Entramos no estádio. Seu Armando veio nos abraçar com lágrimas. Mora há 47 anos em São Paulo, perguntou se eu era mesmo o Nunes e não assistia a um jogo do Santinha desde 1980. Tiramos fotos, ele estava feliz, emocionado, em êxtase. " Mande esta foto para mim. Ela tem muito mais importância para mim do que para você", disse, já soluçando. O Santa entrou em campo e os jogadores se olharam: "Ôx, e o jogo é no Arruda?", perguntou Neto a Valença. Tinha mais tricolor do que torcedor da Lusa, perdão pela humildade. No estádio, só vendem cerveja sem álcool. Vai uma confissão, amigos, e que ninguém saiba: no intervalo do jogo, tomei uma Nova Schin, sem àlcool, por R$ 2,50. Me deu uma saudade irreversível do Arruda. O que a gente não faz pelo Santinha! Quanto ao jogo, nem é bom falar. Começamos bem, mas depois do gol, tudo começou a dar errado, a vaca foi para o brejo, ninguém entendeu o desenrolar dos fatos, e os fatos foram bem desagradáveis. Mesmo assim, quando saiu nosso único tento, o estádio veio abaixo. Quem quiser que escreva sobre o jogo, porque o jogo mesmo não foi o mais importante. Meu negócio é relatar a invasão da Sanfona Coral. Depois do jogo, fomos para um bar e tomamos todas. A Sanfona Coral fez sua primeira jornada nacional, já se preparando para a Copa Libertadores. Os milhares de tricolores que estavam no Canindé já combinaram - vamos invadir o Olímpico, em Porto Alegre. Perdão pela demora em escrever esta breve crônica - problemas de fígado impediram a produção de um texto decente. As fotos estão a caminho. Que venha o Grêmio!!! Nas fotos, lá em cima, Samarone e seu Armando. Na outra, a senhora eufórica no metrô.

domingo, 23 de outubro de 2005

Problemas técnicos

As crônicas da goleada não entraram no ar devido a problemas técnicos que acometeram o fígado do nosso enviado especial ao Canindé, Samarone Lima. Informamos que, assim que o efeito do álcool passar, ele enviará texto e fotos, caso alguém resolva ajudá-lo a usar os botões da máquina digital.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Deu no Folhão

Mais uma do serviço de utilidade pública do Blog do Santinha, com a preciosa colaboração de Alexandre dos Anjos, do site TricolorPE. Caso não seja possível ler o texto do repórter Cristiano Cipriano Pombo, reproduzimos abaixo:

Arruda vê série invicta histórica do Santa Cruz

DA REPORTAGEM LOCAL

Ninguém tem neste milênio no futebol nacional uma série invicta como a do Santa Cruz no estádio do Arruda.São 32 partidas, com aproveitamento de 85,4% (25v e 7e), contando a Série B de 2004 e 2005, a Copa do Brasil-05 e o Estadual-05, quando encerrou jejum de quase uma década sem taças. Quem mais se aproximou disso foi o Cruzeiro, que em 2003 ficou 29 partidas sem perder no Mineirão.

E, segundo levantamento do Datafolha, basta um jogo sem derrota para que o Santa Cruz se isole, já que o Inter, em 1979, também ficou 32 jogos invictos em casa. A força caseira reflete no público, tanto que hoje o Arruda é o estádio de melhor média de público da Série B, com 18.208 por jogo -seria o quarto na lista da Série A.

Encarte virtual de um CD imaginário

Quem é (ou era) católico, deve lembrar daquelas folhas de papel ofício com as letras dos cânticos da missa dominical, o que facilitava a vida dos fiéis na hora de cantar os hinos religiosos. Como os responsáveis pelo Blog já tiveram seu tempo de igreja aos domingos, fomos buscar nesse passado distante a inspiração para publicar as letras das música da Sanfona Coral, o que deve ajudar os tricolores que moram em São Paulo e irão ao Canindé neste sábado. Portanto, imprimam as letras, tirem cópias xerox e distribuam logo na entrada da Marginal Tietê. "Quando passo na casa da barbie Eu me lembro, eu me lembro Daquele gol de Carlinhos Bala Eu me lembro, eu me lembro" ao som de Eu Me Lembro, de Dominguinhos. "A coisa gemeu no ano do centenário" refrão para ser cantado ao som de O Canto da Ema, de Aures Viana, Alventino Cavalcante e João do Val. "Pra todo mundo a minha cara é de alegria Porque ninguém tem mais pontos que o tricolor O meu lamento é que ninguém pode dar jeito Mulher de rubro-negro só fode com tricolor" Pra Todo Mundo, de Aracílio Araújo, Ciro de Souza e Suemi Sã "É Rosembrick, Rosembrick, Rosembrick,Rosembrick, Rosembrick pra poeira levantar" Chililique, de J. B. Aquino e João Silva, famosa na interpretação do Trio Nordestino "Devagar, que o mago é de barro Devagar, ele pode partir" (Devagar, de Petrúcio Amorim) "A cobra vai fumar na segundona eu não quero mais ficar Carlinhos Bala chuta a bola e a bola rola E eu vibro até me acabar e já estou quase lá"* ao som de Saca-rolha, música mais conhecida pelo seu verso inicial "as águas vão rolar". *essa paródia foi feita pela alvirrubra mais amada, em homenagem ao Mais querido. "Chupa a cabeça da peia E tudo que o Santa quiser pois gaúcho é tudo viado dá o cu onde o Grêmio estiver" ao som do hino do Grêmio

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Porque votarei SIM

Patos (PB), 19 de outubro de 2005 por Inácio França Convicto de que a discussão midiática em torno da compra de armas e o próprio referendo não tocam nem de leve nas origens da violência no Brasil, votarei SIM no próximo domingo e aponto, aqui no Blog, algumas motivações para isso: a) A indústria da violência no Brasil é alimentada diretamente pelos fabricantes de armamementos e munição. Eles apostam no medo da população para aumentar seus lucros. Instigam o medo, alimentam o medo. E um povo amedrontado é fácil de ser controlado. Vejo ma propaganda do pessoal da Bancada da Bala os mesmos elementos usados por Bush na sua campanha terrorista contra o terrorismo. b) Andar armado não é um direito. Não pode e não deve ser um direito. Isso vale para os Estados Unidos da América, onde o sujeito entra num supermercado e sai de lá com uma caixa de cereal Kellogs, um pote de manteiga de amendoim e uma espingarda de repetição. Na escola da esquina, mata seis meninos negros e depois estoura os miolos, depois de aumentar o lucro de um fabricante de armas. c) Não é possível apostar no armamento da população para combater os bandidos, como se estivéssemos numa guerra civil. Acreditar nisso seria acreditar em milícias armadas, seria acreditar no caos e na desesperança. Se o objetivo de armar o povo fosse tomar o poder, eu votaria não, mas como é alimentar a matança fraticida, voto sim. Foi acreditando que estávamos numa guerra civil, que os milicos torturaram e mataram durante a ditadura. É por acreditar que estamos em guerra, que as polícias militares extorquem, torturam e matam todos os dias em todas as cidades do Brasil. d) Votarei sim para que fazendeiros armados com arma legais não possam matar sem-terras que ocupam com justiça e legitimidade suas fazendas improdutivas. e) E, finalmente o mais importante: votarei sim pela proibição de venda de munição no Brasil porque Bala é munição. E se a venda de munição for proibida, nenhum clube poderá comprar Carlinhos Bala, aí ele vai jogar no Santa Cruz até se aposentar.

Vamos invadir o Canindé!!!

O Blog do Santinha continua recebendo telefonemas e email de tricolores que se mobilizam para uma verdadeira invasão coral no próoximo sábado, em São Paulo. Luciana Teixeira Vieira de Melo, a bela "Moça Coral 2004", nos mandou o seguinte e-mail, que deve estimular todos os indecisos a comprarem suas passagens: "Queridos, Falei com meu amigo Rodrigo Patu e tudo certo mesmo para a concentração da Sampa Cruz. Shopping D, às 12h03. O bandeirão já está com ele e uma faixa da nova torcida está sendo confeccionada !!! Quem agüenta, hein ??? Somos um grupo de 15, mas vamos tentar arrumar mais gente. Vi que tem um Allan lá no site também interessado no jogo... vou ligar hoje. Até arrumei uma sanfona, mas não sei tocar. Fiquei muito feliz com a esperança mantida da Sanfona Coral vir para Sampa.Vamos às pendências do telefonema: Patu falou com a diretoria da Portuguesa. Eles disseram que não vão impedir a entrada de instrumentos. Mas seria legal chegar cedo. A diretoria disse que a polícia poderia ficar sem entender e seria legal a gente chegar cedo para não ter problemas. O ingresso custa R$ 15, meia R$ 7. Mas no dia vai passar para R$ 20 e R$ 10.Quanto ao apoio para pegar no aeroporto, Patu acha melhor vocês pegarem um táxi e a gente divide com a galera o valor. E a casa será de vocês... acabei de me mudar, mas tem espaço para todo mundo. só não vamos ter cadeira, mas o resto... tenho três colchões massa para vocês !!! É, isso... fico esperando uma resposta. Saudações tricolores, Moça Coral" Comentário do blog: Quem ainda estiver indeciso, acaba de ganhar esta dica de presente. Hospedagem na casa da Moça Coral, sanfona, farra e muita alegria.

Penúltimas e ultimas do Santinha

Nossa atuante redação do Blog do Santinha informa: 1. Carlinhos Bala foi absolvido pela 3a Comissão Disciplinar do STJD, no Rio de Janeiro, e jogará contra a Portuguesa, no sábado, às 15h. Claro que já sabemos o time na ponta da língua, mas não custa lembrar: Cléber, Osmar, Carlinhos Paulista, Valença e Peris; Neto, Andrade, Rosembrick e Leonardo; Carlinhos Bala e Leonardo. 2. A torcida coral já tem um ponto de encontro poucas horas antes do jogo contra a Portuguesa. Será no "Shopping D", Zona Norte de São Paulo, que fica bem próximo ao estádio do Canindé. A concentração será a partir das 12h03. Não esqueçam que em São Paulo já vigora o horário de verão! 3. Por motivos financeiros, a Torcida Organizada Musical Sanfona Coral não poderá viajar, guardando força e preparo fígado para a invasão de Porto Alegre, no jogo contra o Grêmio. A imensa faixa já está em solo paulistano, e será pendurada no alambrado uma hora antes do jogo, para que os tricolores saibam onde se juntar. Vamos que vamos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Sanfona Coral em Sampa

Confirmado: A Sanfona Coral acertou patrocínios diversos, e por conta própria, vai a São Paulo, para o match Portuguesa X Santinha, neste sábado. Quem quiser ir com a Sanfona, deve ligar para o sanfoneiro Chiló: (81) 9638.2255 Vai ser uma invasão de tricolores no estádio da Lusa. Tragam os três pontos, caralho!!!

Bandeira do Santa Cruz

Uma das mais belas canções do CD "O Veneno da Cobra Coral", lançado em 2002 (e agora em busca de patrocínio para uma nova tiragem), se chama "Bandeira do Santa Cruz". Samba de Braulio de Castro e Paulo Elias. Canta Walmir Chagas. Atendendo a muitos pedidos, colocamos no blog do santinha a letra: "Mulé, oh mulé você não precisa me esperá eu vou chegar fora de hora pois o meu Santa vai jogá Eu e cobrinha já tratemos depois do trabalho vamos lá onde está o Santa nós estemos Estemos firme, no cimento da gerá a gente come um pastel lá no chinês ou divide um p.f com Carlão bebe uma cerva, num dá pra beber treis e se arranca lá pro Arrudão Mulé não esqueça a porta aberta e deixe a bóia, a qual eu faço jus eu volto, mas num sei a hora certa volto enrolado na bandeira do Santa Cruz".

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Moça bonita convoca

Atenção torcedores do Santa Cruz residentes em São Paulo e adjacências! A galega dos óios verdes da foto acima, vencedora por unanimidade do título Moça Coral 2004 - concurso de beleza e sensualidade extra-oficial promovido por ocasião do aniversário de 90 anos do clube -, não quer ir ao estádio do Canindé sozinha. Falando sério, a loira Luciana Teixeira é uma tricolor arretada, interessada em juntar uma turma boa para torcer pelo Santinha neste sábado e, quem sabe, formar o embrião da primeira torcida organizada do Tricolor do Arruda em São Paulo, a Sampa Cruz. Ela pede aos tricolores radicados na capital paulista que liguem para ela no 11-8388-2563. Nada mal o serviço de utilidade pública do Blog do Santinha: a gente divulga telefone de poeta, juiz ladrão e mulher bonita!!!

Arruda, 1975

Na cheia de 1975, Tapacurá não estourou, mas, nos dias 17 e 18 de julho, pela primeira e única vez na história, as águas do Capibaribe e do canal do Arruda inundaram o estádio José do Rego Maciel. A lama que invadiu os túneis e vestiários foi bombeada em poucos dias, mas a recuperação do gramado levou semanas. O time ficou praticamente sem ter onde treinar e fez uma péssima estréia no Brasileirão daquele ano, perdendo em casa para o São Paulo por 1 x 2 (depois o Santa se recuperou e chegou em terceiro lugar no campeonato, vencido merecidamente pelo Internacional, de Porto Alegre). De acordo com dados do site Pernambuco de A a Z (www.pe-az.com.br), do jornalista tricolor Marcos Cirano, 80% da cidade do Recife ficou debaixo d'água naquela enchente. Cento e sete pessoas morreram. Para piorar, três dias depois, quando a cidade ainda se recuperava da tregédia, o pânico tomou conta da capital pernambucana por conta do boato de que a barragem de Tapacurá havia se rompido (esse episódio rendeu um excelente livro chamado Viagem ao Planeta dos Boatos, do também jornalista e também tricolor Homero Fonseca). A foto pertence ao acervo do Diário de Pernambuco e foi cedida à Confraria Ninho da Cobra.

domingo, 16 de outubro de 2005

Paixão em cordel

A Bienal do Livro é calorenta, as maiores editoras não vieram e quase todos os estandes não oferecem nada além do óbvio. Fora os lançamentos dos livros de Samarone, de Raimundo Carrero e a programação da Continente Multicultural, o resto é (ou foi) apenas mesmice. No meio de tanta mediocridade, num boxezinho despretensioso de uma tal União dos Cordelistas, lá nos fundos do pavilhão, havia uma pérola cuja capa reproduzimos acima. Os poemas desse folheto são bem-humorados e revelam a paixão do seu autor, o olindense Cícero Lins de Moura pelo tricolor do Arruda. Por telefone, ele nos autorizou a publicar algumas estrofes. Caso alguém se interesse em comprar o material e conhecer a íntegra dos poemas, deve ligar para o cordelista no número 81-9965-1565. Eis um pouco da poesia de Cícero Moura: "Gostei do preto e branco Animado com vermelho E digo, pra ser bem franco: Quando me vi no espelho Com a camisa tricolor Em senti um jogador Sem problema no joelho" ... "Sou um Santa feliz Não provoco quem perdeu Não jogo pedra em juiz É comportamento meu Coisa ruim não me seduz Se tu não é Santa Cruz, Isso é pobrema teu!" ... "Se é teu gosto torcer Por um time bicolor Se tu não sabes perder És nervoso e brigador Respeito tua fraqueza Mas, com tua natureza Não dá pra ser tricolor"

sábado, 15 de outubro de 2005

Análise isenta, racional e objetiva

por Inácio França Minha imaginação está de ressaca, impregnada do bom futebol e da alegria que se espalhou pelas ruas do Recife. A crônica fica para outro dia. Hoje vou fazer uma homenagem ao elenco tricolor, tomando como modelo aquelas avaliações que os jornais fazem, citando individualmente os nomes dos jogadores e, destinando para cada um deles, uma análise superficial, pretensamente objetiva e repleta de lugares-comuns. Vamos lá, um por um: Cléber: Desde que Birigui saiu do clube e Luiz Neto se aposentou, no final dos anos 80, que a torcida não confia tanto num camisa 1. Tudo bem que, nesse meio tempo, o time teve bons goleiros como Raul e Nilson, mas com Cléber é diferente. Agora, já não preciso encher o saco de meu filho repetindo “ah, bom mesmo era Birigui!” Ou então “Luiz Neto é que era fora-de-série”. Cléber já entrou para a história do clube e para a galeria imaginária dos grandes ídolos. Ontem, fez apenas uma defesa difícil numa bola num chute de fora da área, mas, se fosse preciso, ele estaria lá como as muralhas da China. Osmar: Nosso camisa 2 não é um craque excepcional, mas tem uma vontade que contagia o resto do time. Mesmo quando não está em seus melhores dias e não consegue apoiar bem no ataque, é seguro na defesa e não faz besteiras. Contra o Avaí, jogou muita bola desde os primeiros minutos da partida. Na minha opinião, foi o melhor em campo. Ah, é bem melhor que laterais consagrados como aquele Beletti, que está no Barcelona. Valença: Ô sujeito raçudo da peste-bubônica. Não sei se em outros times, como por exemplo no Real Madri ou na seleção, ele jogaria com a mesma aplicação. Afinal, é fácil perceber que nosso zagueirão tem um amor sincero e sem limites pelo Santa Cruz. Ontem, jogou como sempre. Roberto: Cá entre nós: Roberto é um ex-zagueiro em atividade. Vive se atrasando nas bolas rasteiras ou aéreas. Deve estar ansioso para se aposentar e virar auxiliar-técnico de algum treinador experiente. Cadê Adriano? Por que Adriano não joga??? Também jogou como sempre. Infelizmente. Já Carlinhos Paulista, com sua frieza, é o ponto de equilíbrio lá atrás. Peris: Melhor que Xavier, sem dúvida. Mais perigoso, é arisco e corajoso. De vez em quando, dá umas farrapadas na defesa, mas ontem se comportou muito bem, chegando a virar o jogo da esquerda para direita numas bolas que só craques sabem fazer. Neto: Se alguém lembra de ter visto esse sertanejo brincar ou fazer corpo-mole, favor avisar. Não é nenhum chef de restaurante grã-fino, mas sabe fazer o melhor feijão-com-arroz possível. Givanildo deve ter ensinado alguns segredos da camisa 5 para ele. Na partida contra o Avaí foi o melhor em campo (a análise é minha, o texto é meu e o blog é meu. Elejo quantos "melhor em campo" eu quiser). Andrade: A torcida vive pegando no pé do coitado. É bem verdade que ele fez algumas partidas medonhas, errando passe em cima de passe e sem conseguir marcar nem mesmo a própria sombra. Mas, o saldo do "Cabeção" é positivo. Ele é importante no desarme e, quando não está cochilando, ajuda na distribuição da bola para o meio-de-campo. E chuta forte que é uma beleza! Ele merece um alívio. Rosembrink: Sem comentários. Vale o que Samarone escreveu no texto anterior, logo abaixo deste. Também foi o melhor em campo contra o Avaí. Leonardo: Jogou sua melhor partida com a camisa coral. Se repetir as atuações e se poupar na vida extra-campo (para bom entendedor meia dose, ou melhor, meia palavra basta), estamos feitos. Pelo seu passado na coisa e pelo futebol meia-boca que ele vinha jogando, era para a torcida ter sido mais rigorosa, mas como Givanildo é o avalista, até que ele teve vida mansa no Arruda. Carlinhos Bala: Tá certo, muitas vezes o baixinho é fominha e faz uma jogadas destrambelhadas, mas graças ao seu ímpeto, sua coragem e sua cara-de-pau, as defesas adversárias vivem se complicando. Não tem cristão que jogue despreocupado com Carlinhos solto no ataque. Contra o Avaí, chegou a irritar numa bola em que Osmar passou solto pela direita e ele mandou a bola no vestiário dos juízes, mas acabou sendo o melhor em campo ontem à noite. Reinaldo: Foi o melhor em campo contra o Avaí. Vocês queriam o quê? O cara marcou três gols, não ficou um minuto sem se deslocar e não vai ganhar o Motorrádio? Lecheva: O sujeito de nome mais esquisito do futebol brasileiro (parece alguma espécie desconhecida de peixe do Oceano Índico) é bom de bola. Nos poucos minutos em que jogou, fez boas jogadas, bons passes e cruzou bolas com precisão milimétricas na área dos Catarinas.

Momentos eternos no Arruda...

Por Samarone Lima Ir ao Arruda é algo misterioso, e tenho em mente que minha vida teria sido muito mais pobre se eu não tivesse vivido as emoções que já vivi naquele estádio, junto aos que quero bem e na companhia dos milhares de desconhecidos que são amigos de infância logo que começa o jogo. Alguns desses momentos foram vividos no jogo de ontem, a vitória maravilhosa contra o Avaí, por 5 x 1. Vamos lá: 1 Chego ao estádio com um ingresso a mais no bolso, pois a moça perdeu o horário. Saio por ali, oferecendo meu ingresso para alguém, como um cambista desajeitado que não inspira confiança. Depois de rodar feito um tabacudo, oferecendo um reles ingresso, resolvo dar um presente a algum tricolor liso. Olho, olho e nada. Não quero dar o ingresso a um liso, mas a um fodido, o cara que não teve, naquele dia, a mínima esperança de ver o seu clube em campo - e talvez há tempos não faça isso. Até que vejo um sujeito de uns 50 anos, com uma pequena banca de isqueiros, ali na rua das Moças. Caralho, o sujeito vendendo isqueiros numa sexta-feira à noite... "Quer assistir ao tricolor?", pergunto. Ele me abre um sorriso cristalino. "ôx, e não, é?" Dou o ingresso para ele. Arquibancada, que custa R$ 14,00. Ele me abre um sorriso e começa a recolher os isqueiros, apressado. Já esqueci de muitas coisas na vida, mas daquele sorriso não esquecerei. 2 Estamos com a Sanfona Coral, animadíssimos, cantando e sorrindo de tudo. Em um dos muitos gols do Santa, procuro os amigos para abraçar, mas ao meu lado, com a sanfona calada, está Chiló. Olho para ele, e vejo aquele sorriso de felicidade, dou um abraço no meu amigo, ficamos os dois comemorando. "É tricolor, porra", repete Chiló, quase chorando, em silêncio. A cerveja dos muitos tricolores ao lado voa em cima da gente. Eu, timidamente, protejo a sanfona. 3 Rosembrick é amado pela torcida. Ele sabe disso. Cada jogada maravilhosa, escuta um coro: "Ah, é Rosembrique!". Olho para o lado e dou uma de profeta: "Estamos assistindo as últimas partidas do Mago no Santinha". E me veio a impressão de que Rosembrick jamais vai esquecer isso. Foi no Santa Cruz que ele assumiu que era craque. Antes, ele apenas sabia, mas não tinha coragem de dar um drible seco só porque sabe dar um drible seco em qualquer lugar do campo. Daqui a pouco, muito pouco, levarão nosso Mago. 4 O juiz marca um pênalti escandaloso contra o Santinha. Um sujeito olha para mim, me dá um cutucão e diz: "Bota o telefone deste fila da puta no blog!". 5 Inácio quem viu, mas me contou, então vale. Depois do jogo, chegamos com a Sanfona no Amarelinho, e um sujeito que estava tomando uma cerveja olhou a sanfona, a animação, e parou tudo. Limitou-se a ficar beijando o escudo do Santinha, repetidas vezes, com os olhos marejados. ** Teria muitas cenas para relatar. Mas fiquemos com algumas, só para inspirar os leitores tricolores a nos mandarem seus "momentos eternos no Arruda". Que venha o quadrangular, com a final no Arruda... Em tempo: Acuso a melhor partida de Neto no Santinha, bem como um jogo incrível do nosso Osmarzinho. Além disso, é importante que Leonardo cresça, porque a experiência vai valer ouro nesta reta final.

Mundo animal: o caçador de leões

Por Nunes, pseudônimo de um jornalista especializado em Esportes que volta a colaborar com o Blog depois de um chá-de-sumiço Há pouco mais de quatro anos havia decidido comprar um cachorro. Moro em casa e precisava de um caboclo que tomasse conta do pedaço, sem, no entanto, ser um desses serial killers. Queria um cão que botasse respeito, mas fosse gente fina com o povo da casa, com os amigos. Passei a pesquisar diversas raças e uma me chamou a atenção: Rhodesian Ridgeback. Não apenas porque preenchia os pré-requisitos acima, mas por um detalhe sensacional. O Rhodesian é uma raça de origem africana, utilizada para caçar leões. Não tive dúvidas: só podia ser um cachorro desses! Barreto está prestes a comemora cinco anos, fazendo jus à origem da raça. Há uns dois anos, passou pela rua um elemento cantando o “cazá-cazá”. O meu amigo avançou em direção ao rubro-negro, partindo para o portão e latindo com uma fúria que me deixou orgulhoso. Na foto, Barreto descansa após a conquista do título estadual, quando papou não apenas leão, mas também timbu, patativa e outros seres. Este é o momento Mundo Animal Blog do Santinha. Mande também a sua contribuição e... dá-lhe Santa!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Blog do Santinha assusta gremistas!!!

Da redação do blog: Amigos do Santinha, Bastou que os gremistas sentissem a mínima pressão, provocada por um singelo blog de jornalistas e torcedores do Mais Querido, para que as coisas se tornassem mais claras. Leiam a matéria publicada hoje: *** CORREIO DO POVO PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2005 Site ameaça publicar mais dados -------------------------------------------------------------------------------- O mesmo site de torcedores do Santa Cruz que havia publicado o endereço e o telefone do árbitro William Nery, incitando protestos, ameaça tomar o mesmo procedimento hoje. Em sua mais recente atualização, os responsáveis afirmam já terem obtido os mesmos dados em relação a Wagner dos Santos Rosa, que hoje apita o confronto entre Santa Cruz e Avaí. Os pernambucanos garantem vaga nas finais com um empate. 'Informamos a todos que, se ele não apitar bem direitinho, iremos publicar essas informações logo após a partida', afirma o texto no site. No mesmo espaço, é levantada a suspeita sobre o fato de os últimos dois jogos do Santa Cruz terem sido apitados por árbitros da Federação Carioca. Alheios à tentativa de intimidação por parte dos torcedores em Recife, os jogadores do Grêmio preparam-se para o jogo desta noite, no Olímpico. O centroavante Lipatin é, entre os sete reservas que devem jogar, aquele com mais chances de permanecer no time titular. O uruguaio volta a receber uma chance depois de recuperar-se de uma lesão muscular: ** O Blog do Santinha informa que: Não está pretendendo intimidar ninguém, mas apenas mostrar que estamos vigilantes e atentos não somente às falcatruas envolvendo arbitragens, mas à compra e venda de jogadores, renda (e público) divulgadas em nosso estádio, eventuais maracutais em vendas de cerveja e ingressos etc. Ou seja - prejudicou o Santa, vai para o ar. Não estamos "incitando" nem "ameaçando" ninguém. Estamos fiscalizando e prevenindo. Acabou o tempo em que os escândalos de arbitragem, roubos históricos e grandes pilantragens ficavam restritas às conversas de boteco, ou às famosas “reclamação de torcedor”, em alguma resenha esportiva na rádio, quando o telefone está desocupado. Como em qualquer atividade que envolve coletividade - e neste caso, a paixão de milhares e milhares de pessoas - , julgamos importante fazer o acompanhamento rigoroso das pessoas que têm a função de garantir o equilibrio entre os interesses milionários que envolvem o futebol, que são os árbitros de futebol. No caso do embate que se segue, temos um clube de envergadura nacional, do sul do País, que é o Grêmio, contra um clube de envergadura nacional, do nordeste do Brasil, que é o Santa Cruz Futebol Clube. Desnecessário dizer que a elite do futebol brasileiro quer o Grêmio de volta à primeira divisão, em detrimento aos outros clubes que seguem na disputa. Nos colocamos como aliados do Santa Cruz Futebol Clube e da torcida do Santinha. O resto, é pura frescura do Correio do Povo, um verdadeiro porta-voz do Grêmio.

Sanfona, farra e folia

Lançada com apoio do Blog do Santinha e do bar Empório Sertanejo, a Torcida Organizada Musical Sanfona Coral ganhou as páginas do Diário de Pernambuco e mereceu eternos segundos de fama na telinha da Globo. As novas celebridades pernambucanas retornam às 18h30min de hoje à concentração na churrascaria Colosso. Uma hora depois (mais ou menos), dar-se-á a entrada triunfal nas arquibancadas do José do Rego Maciel. Como será a primeira aparição pública de Chiló, Gerrá e Alê depois da fama instantânea, o triocolor exigiu 5.000 toalhas brancas previamente umedecidas e aquecidas, 200 caixas de água mineral com gás e 12 roupões de seda nas cores preta-branca-vermelha nos camarins da Colosso. Como a Colosso não tem camarins, o máximo que conseguiram foram seis cervejas e um pratinho de tira-gosto oferecidos pela dona de um boteco na beira-canal. Em tempo: os famosos integrantes da Sanfona irão autografar CDs antes da entrada no estádio e durante o intervalo da partida. Quais CDs? Como eles jamais gravaram disco algum, poderão autografar qualquer CD que os torcedores levarem: pode ser trilha sonora de novela, CD pirata, de funk...

Descobrimos os dados que faltavam para dar sentido à foto de Givanildo levantando o trófeu. É só verificar no texto correspondente, lá embaixo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Movimento Fica Osmar (MFO)

por Samarone Lima Está no jornal Folha de Pernambuco de ontem (12/10): “Lateral Osmar quer ficar no clube”. “O lateral-direito Osmar garantiu que se depender dele vai permanecer no Santa Cruz no próximo ano. O jogador ainda não foi procurado para renovar seu vínculo com o clube para 2006. Seu contrato com o time do Arruda vai até o dia 31 de dezembro deste ano”. O direito federativo do atleta, diz a Folha, está preso ao América-MG até o fim de 2007. “Se dependesse de mim já estaria negociando com a diretoria. Gosto do Santa e do Recife. Estou ambientado e com minha família aqui. Pela minha vontade ficaria aqui com certeza”, disse o atleta. Do nosso modesto Blog do Santinha, inflamados de paixão, e conhecedores da sanha dos outros clubes, em busca de bons laterais, lançamos o Movimento Fica Osmar (MFO) Que alguém cancele seus afazeres de hoje, perca o jantar, o café de amanhã, e converse com a devida urgência com o nosso lateral, para acertar o contrato até 2006. Fica Osmar! Fica Osmar! Fica Osmar! Vai a sugestão para a Sanfona Coral, imitando a música de Arraes em 86, para cantarmos no Arrudão: "Osmar/Osmar o nosso lateral Osmar/Osmar/Osmar no tricolor só vai dar Osmar". Todos ao Arrudão nesta sexta-feira!!!!

Aviso

O Blog do Santinha já obteve o telefone e o endereço do senhor Wagner dos Santos Rosa, árbitro que vai apitar o jogo Santa Cruz x Avaí. Informamos a todos que, se ele não apitar bem direitinho, iremos publicar essas informações logo após a partida. Vale a pena lembrar que foi esse juiz quem liberou a pancadaria do Santo André no jogo de ida do quadrangular, quando o Santa venceu por 3 x 0. Por uma estranha coincidência, os últimos dois jogos do Santa foram apitados por árbitros da Federação do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Um pouco sobre Givanildo

por Inácio França Não é por acaso que o profissional bem-sucedido que comanda o time do Santa Cruz tem fama de chato, arisco e de personalidade forte. Não foi por acaso que Givanildo Oliveira se tornou um dos maiores vencedores da história do futebol nordestino, com 11 títulos como jogador e outros 18 como treinador. Givanildo nasceu numa família pobre no bairro de Vila Popular, em Olinda. Seu pai vivia constantemente desempregado e a mãe ganhava alguns trocados fazendo serviços domésticos. Pouco para criar sete filhos. As primeiras lembranças de sua infância são de fome, miséria e do trabalho pesado carregando sacola na feira da praia dos Milagres em troca de alguns centavos. Até os 18 anos Givanildo fez um pouco de tudo para ajudar o sustento da família. Estudar era um sonho impossível. As coisas começaram a mudar quando arrumou emprego como office-boy na empresa do publicitário Paulo Duarte, na avenida Dantas Barreto. O empresário ficava intrigado com a grande quantidade de visitantes que, sempre às sextas-feiras, chegavam na agência de publicidade procurando seu mais humilde funcionário. Eram emissários de times de várzea que iam até lá para assegurar a presença do rapaz nos jogos aos domingos, disputados em campos da periferia. O 10 de Novembro, de Olinda, e o Portela, de Jaboatão, enviavam os representantes mais insistentes. Impressionado com a disputa pelo futebol do office-boy, Duarte conseguiu que ele fizesse um teste no seu querido Santa Cruz. Isso aconteceu em 1966. Sete anos depois, Givanildo já era pentacampeão pernambucano pelo Santinha. Foi supercampeão em 1976, ganhou um torneio internacional pela seleção brasileira e teve uma passagem rápida pelo Corinthians. Mais títulos pelo Santa Cruz, a transferência para o Fluminense e a volta para Pernambuco, jogando pela coisa, algo insignificante que não nos interessa tratar aqui no Blog do Santinha. Pra encurtar a conversa, Givanildo tem 22 anos de carreira como treinador. Foi campeão 18 vezes pelo CSA, CRB, Paysandu, América-RN, América-MG e outros tantos. Não foi por acaso que o jornalista Marcelo Cavalcante decidiu que era hora de contar a história desse pernambucano simples, tímido e vencedor. A foto lá de cima foi tirada em 1969, no primeiro título conquistado por Giva e também o primeiro da seqüência do pentacampeonato (1969-1973). Quem garante é o próprio biógrafo do treinador, Marcelo Cavalcante.

Notícias do Santinha nos jornais de hoje

(Mais um serviço de utilidade pública do blog do santinha) Por Samarone Lima Amigos, o gazeteiro tricolor acabou de passar com os jornais de hoje, Dia da Criança, então vamos às notícias do Santinha, publicadas nos três periódicos: Jornal do Commercio, Caderno e Esportes, página 13. Manchete: “Peris e Xavier travam luta pela ala esquerda” (com foto dos dois jogadores) Matéria mostra a queda-de-braço envolvendo os laterais Peris e Xavier, pela vaga de titular. Peris vinha sendo titular absoluto, até que sofreu uma contusão na coxa esquerda, pouco antes da primeira partida contra o Grêmio. Xavier entrou. No jogo contra o Grêmio, no Arruda, fez aquele golaço que todos lembram bem. “Acho que cumpri bem meu papel”, diz o “Chaveirinho”, como é chamado Xavier, na arquibancada. Opinião particular deste cronista tricolor: Xavier fez o golaço contra o Grêmio, joga seu futebol regular, mas Peris tem mais fôlego, apóia mais, dá mais segurança à zaga. É um jogador bem mais consistente que o nosso simpático Chaveirinho, que só deve ser escalado mesmo em caso de emergência. Diário de Pernambuco/ Esportes, página B9 Título da matéria: “Santa Cruz pode mudar contra o Avaí”. Roberto, Periz e Júnior Maranhão devem ser as novidades para o jogo contra o Avaí, na sexta-feira, informa o Diário, que traz um texto mais caprichado e uma boa avaliação do treino da sexta-feira. Segundo o jornal, Roberto vai para o lugar de Carlinhos Paulista (suspenso), e Periz “treinou normalmente e não reclamou de dores na coxa esquerda”. “Mesmo assim é bem provável que Givanildo teste Xavier hoje no coletivo”, informa o jornal. O texto diz que existe a possibilidade de Givanildo sacar Júnior Maranhão e colocar Leonardo no ataque ao lado de Reinaldo. Folha de Pernambuco/Esportes, página 5 Título: “Coletivo do santa foi desastroso: titulares não se encontraram em campo e foram atropelados pelos reservas” (com foto de Elvis, “mais uma vez um dos destaques da equipe”) Texto de André Albuquerque. Dos três jornais, é o que traz mais e melhores informações sobre o Santinha. Informa que o coletivo da sexta foi muito ruim, e que a equipe titular “não se encontrou em campo”. Os gols dos reservas foram marcados por Elvis, Lecheva e Paulinho. “O treinador parou o jogo várias vezes durante os 50 minutos de duração do trabalho. Em todas as oportunidades ele reclamou da posição dos meias de criação e do sistema defensivo”. Segundo a Folha, Givanildo já demonstrou que Peris é o “seu preferido no momento para ocupar a lateral esquerda, em detrimento de Xavier”, o que me parece uma ótima notícia. Outra boa notícia é que Leonardo está perdendo sua vaga para o “regular volante Júnior Maranhão”. O jornal traz uma importante informaçao sobre o lateral Osmar, mas será fruto de um comentário, logo mais. vamos lá, fazer a festa no dia dos tricolorzinhos...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

O Pagão do meu pai

por Bosco Filho, direto de João Pessoa (PB) Desde que consigo argumentar sobre futebol com meu velho pai, ouço-o endeusar Maradona. Para ele, o portenho é insuperável: "Tudo o que Pelé fez com duas pernas, cabeça, tronco e membros, Maradona fez, apenas com a perna esquerda". Tem uma certa lógica, mas não concordo, até porque Pelé foi mais completo. Para mim, Pelé foi o melhor e pronto. Ponto! Mas sempre me doeu os ouvidos de tanto meu pai falar do Pibe. "Pelé nunca ganhou uma copa sozinho. Em 86, só deu Dom Diego", não cansa de repetir. Lembro-me muito bem de meu velho falando que a seleção de 82 só tinha "armandinho" (designação para jogadores de meio campo que só criavam mas não finalizavam). Era pura maldade. Aquele time que até hoje não sai da minha cabeça? Qual é pai, deixa de ser raivoso! Em 86, era o time os armandinhos envelhecidos. "Se no auge da forma perdemos, imagina agora", dizia. Quatro anos mais tarde veio a famigerada copa da Itália, com o mais famigerado ainda Lazzaroni (esse sujeito deveria ser banido do futebol) e aquela seleção retrancada, jogando um "catenaccio" de primeira qualidade. Não deu outra, perdeu. Onde já se viu uma seleção brasileira jogar à italiana? Mesmo assim ainda quase saio no tapa com o velho de tanto ele me perturbar depois daquela jogada genial de Maradona. Estados Unidos 94, o mesmo "catenaccio", mas dessa vez ganhamos. Tínhamos Romário para fazer a diferença. Meu pai, entretanto, não perdeu a chance. "Com um time desses, era melhor ter perdido", respondeu a minha mãe que estava feliz pelos filhos finalmente poderem comemorar um título mundial. Em 98, foi aquela coisa de amarelar pra cá, amarelar pra lá. Nike, Adidas, etc...Concordei com ele. Chegou 2002, nessa copa, estranhamente ele torceu pelo Brasil. Eu nunca havia visto meu pai torcer pela seleção. O que teria acontecido? Simples. Tinha Rivaldo. Criado no tricolor, colocado pra fora por pressão da torcida, mas tricolor de verdade. Rivaldo vinha sendo esculachado pela imprensa, sobretudo a do sudeste, capitaneada por Galvão Bueno, com as jogadas bonitas, mas inoperantes, de Denílson. Várias vezes foram feitas enquetes sobre quem deveria sair para a entrada do atleta do Betis. Sempre Rivaldo era o mais votado. Não houve uma única vez em que o resultado foi outro. O sangue tricolor do meu pai falou mais alto e ele torceu como nunca para que o nosso Rivaldo fosse o melhor da copa. E foi! Apesar da votação oficial ter dado um certo goleiro Alemão. A ironia é que justamente ele deixou escapar aquela bomba forjada nos campinhos de Paulista! Afinal, de onde vinha tanto ódio com a canarinha? Lembro do entusiasmo dele ao falar de Mané. Das jogadas de 58, 62 e 70. Por que tanta raiva? A resposta é simples para qualquer tricolor. Meu pai até hoje não engoliu o corte de Nunes - o cabelo de Fogo - da seleção que disputou a copa de 78. Nunes seria o primeiro, e único, jogador atuando em um clube nordestino a jogar uma copa. Mais imperdoável que o corte em si, foi a maneira que ele aconteceu. Inventaram uma contusão no nosso artilheiro e ele acabou alijado da disputa. O engraçado é que poucos dias depois, ainda antes da copa, ele jogou pelo Santinha, salvo engano contra a coisa, e marcou três gols. É, meu pai tinha razão. Foi uma maldade sem precedentes o que fizeram com o nosso Cabelo de Fogo. Descobri enfim o grande ídolo de meu pai. Para ele não tem Garrincha, Pelé, Tostão ou, muito menos, Maradona. Assim como Chico Buarque tem o seu Pagão, meu pai tem o seu Nunes. É isso! Outro dia contarei da visita que Nunes fez ao velho Bosco, meu pai, quando descobriu que ele não torcia pela seleção desde o corte em 78.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Tudo sobre Givanildo

por Inácio França Independente do resultado final da Segundona deste ano, Givanildo Oliveira já ocupa um lugar destacado no futebol pernambucano, em geral, e do Santa Cruz em particular. Falta pouco para a história do técnico tricolor ganhar também um espaço na biblioteca dos torcedores. E isso vai acontecer quando o jornalista Marcelo Cavalcante (foto acima) concluir a biografia do Marreco, um dos maiores colecionadores de títulos do Norte-Nordeste do Brasil. Apaixonado por biografias, Marcelo sempre teve a obsessão de contar em livro a história de um personagem que tivesse uma vida com ingredientes como sofrimento, luta, personalidade forte e vitórias. Faltava-lhe, porém, o principal: o personagem. "Quando o Santa Cruz trouxe Givanildo no início do ano, pensei: é ele!". A ótima temporada do tricolor confirmou sua hipótese e deixou ainda mais rica a biografia do treinador. No início, Marcelo teve dificuldades. "Eu não tinha contato nenhum com ele. Não o conhecia. Então era difícil arrancar informações, ele não se soltava nas entrevistas. Achava até que ele não se importava com o projeto, que não estava nem aí". Marcelo só recuperou o ânimo quando conheceu melhor o protagonista da sua história: "Esse é o jeito dele mesmo. Contido, reservado, sempre na dele. Acho que tem muita timidez também". Até hoje, Marcelo gravou mais de 15 horas de conversa com o ídolo da torcida coral. Ainda faltam, no mínimo, mais três entrevistas para preencher algumas lacunas. "Tenho um material muito farto e rico sobre a infância de Givanildo e sobre seus primeiros anos como jogador no Santa Cruz, no Corinthians e no Fluminense. Os anos que dizem respeito à atividade como técnico no Pará, Alagoas, Minas Gerais e São Paulo ainda carecem de depoimentos e informações", revela o jornalista, que espera concluir a obra no primeiro semestre de 2006. Enquanto isso, vai passar os finais-de-semana escrevendo até meia-noite e tentando arrumar tempo para entrevistas nos horários de folga dos seus empregos na prefeitura de Olinda e no site JC Online. Nos próximos dias, publicaremos um pouco sobre a vida de Givanildo, segundo Marcelo Cavalcante, e um trecho do livro enviado com exclusividade para o Blog do Santinha.

E-mail enviado por Fumanchu

Assim que leu o Blog do Santinha, o ex-ponta-direita Luiz Fumanchu nos mandou esse e-mail de agradecimento à torcida tricolor sob o título "Voltando a ser pernambucano": "Amigo, obrigado pelo você tem feito por mim, recordando a minha história no nosso Santa Cruz. Olha a importância que eu tenho para o povo pernambucano e, principalmente, para a torcida do nosso santa! É muito grande! Toparia trabalhar um dia em Recife! Jorge Luiz da Silva"

Para saber mais sobre o Santinha

Amigos santa-cruzenses, Este blog literário-esportivo-cultural-anárquico-apaixonado do Santinha está começando a juntar relatos que ajudem a contar a história do Mais Querido. Hoje, o Júlio Vilanova, que está sendo colaborador ferrenho, mandou algumas informações sobre o livro "Eu sou do Santa Cruz de Corpo e Alma", publicado em 1986 pela CEPE. Pedimos encarecidademente: quem tiver um exemplar, entre em contato com os blogueiros do Santa. Da redação. *** por Júlio Vilanova Escrito sem qualquer pretensão literária nem muito rigor jornalístico, o livro "Eu sou do Santa Cruz de Corpo e Alma", de Mário Filho (já falecido), vale pelas histórias de quem acompanhava o Santa desde os anos 30. Foi editado em 1986 pela CEPE, mas deve estar esgotado. Abaixo, uma história que ilustra bem a empatia do povão com o tricolor. O PAI DE JAIME "Nos anos 30, andava pelas ruas do Recife um cidadão aparentando a idade de mais de 50 ou menos de 60 anos. Profissão: carteiro dos Correios e Telégrafos. Sorridente, comunicativo, simpático, falava com todos como se fosse um amigo já muito antigo. Ele ia andando, conversando com todos e o povo dizia em uma só voz, é o pai de Jaime, half-esquerdo do Santa Cruz. O pai de Jaime era um amigo do povo, extremamente popular, tão popular como o próprio Santa Cruz. O Santa Cruz tem esse dom de ser querido por tudo e por todos. Até familiares dos jogadores são amigos do povo, como foi o caso do pai de Jaime, no ano de 1939. Jaime foi aquele valente half-esquerdo, seguro, técnico, duro nas jogadas mas uma dureza leal, limpa, disciplinada, jogando apenas para o rendimento de sua equipe." (p. 42) *** Aguardamos sua história, tricolor!

sábado, 8 de outubro de 2005

Fumanchu quer ser mascote

por Inácio França Fumanchu, Nunes e Joãozinho. Qualquer tricolor de qualquer idade já escutou essa escalação de linha de ataque. Aqueles com menos de 30 anos ouviram dos mais velhos as histórias dos jogos e gols desse trio. Para nós que, mesmo crianças, tivemos a oportunidade de vê-los atuar nos anos 70, citar os nomes dos três, assim nessa ordem, é como declamar o derradeiro verso de uma poesia que nos remete às alegrias da infância. Depois que essa figurinha amassada de futebol cards (só quem se recorda de futebol cards somos nós, torcedores com mais de 30) caiu de dentro de um livro, o Blog do Santinha decidiu resgatar um pouco da história de Luiz Fumanchu, um dos melhores pontas-direitas do futebol brasileiro daquela época. Não foi difícil encontrá-lo. Fumanchu hoje é comentarista esportivo de uma rádio de sua cidade natal, a pequena Castelo, no sul do Espírito Santo, perto da fronteira com o Rio de Janeiro. Mas fácil ainda foi entrevistá-lo. Assim que me apresentei como um jornalista do Recife, ele se empolgou e me interrompeu: "E o nosso Santa Cruz, sobe para a primeira divisão, não sobe?" Ele falou assim mesmo "nosso Santa Cruz". E explicou que se considera tricolor. Agora, vou dar voz ao ídolo, reproduzindo trechos da nossa conversa por telefone: "Morro de saudades do Arruda. Tenho a maior vontade de voltar a entrar no gramado do Arruda, em dia de casa cheia. Bem que o Santa Cruz poderia promover um encontro daquele timaço que nós tínhamos: queria subir as escadas do vestiário com Givanildo, Ramón, Pedrinho, Nunes, Betinho..." "Se o Santa subir para a primeira divisão, quero entrar em campo como mascote. Gostaria muito de dar um abraço no Giva. Quero ser mascote da torcida do Santa Cruz. Lembro que era uma torcida maravilhosa, alegre e apaixonada. O time entrava em campo embalado pela torcida nas arquibancadas. Queria reencontrar essa torcida que não me esquece, pois volta-e-meia estão me citando em pesquisas na Placar ou coisas do tipo". "No Arruda, não perdíamos. Nosso time matava os adversários no segundo tempo. O gramado do Arruda era fofo, mais fofo do que os gramados do Morumbi, do Maracanã ou do Mineirão. Aí, a gente cozinhava eles no primeiro tempo e matava no segundo, quando estavam todos cansados". "Tenho vários jogos na memória. Em 1975, a impresa carioca já considerava o Flamengo e o Fluminense como os dois finalistas do Brasileirão. Diziam que eram os dois melhores do Brasil. Então, num sábado com Maracanã lotado, a gente foi lá e sapecou dois no Flamengo, dois gols de Nunes. No dia seguinte, O Internacional enfiou três no Fluminense, com o Maracanã lotado também". "Eu tive duas passagens pelo Santa Cruz. A primeira foi em 1975, quando saí do Vasco e fui disputar o Brasileirão pelo tricolor. Voltei para o Vasco em 1976 e retornei para o Santa em 1977. Nesse ano, lembro que tínhamos um jogo importante contra o Palmeiras no Pacaembu. Ganhamos fácil, com dois gols meus e um de Nunes. Nesse jogo fiz um golaço de falta. Aí, a gente se complicou contra o Remo, pois tínhamos que ganhar por uma diferença de dois gols, mas o atacante do Remo, Mesquita, fez um gol no finalzinho da partida". Depois do Santa Cruz, Fumanchu foi contratado pelo seu time de coração, o Fluminense. Daí, passou duas temporadas no América do México e voltou para ser reserva do time do Flamengo campeão brasileiro em 1981. "Mas, aí eu já estava ladeira abaixo", brinca o ex-jogador, que está com 52 anos. Fumanchu é pai de dois filhos e comanda um programa esportivo diário, das 11h às 12h, na Rádio Cultura, de Castelo. Que tiver interesse em ver alguma imagem atualizada do ex-ponteiro, deve ir no site www.culturafm.net ou então esperar que alguém aproveite a ótima idéia de reunir os antigos craques da década de 70 em dia de casa cheia no Arruda.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Máfia do apito: telefone e endereço

1) O gol de Reinaldo no primeiro tempo foi absolutamente legal. Ele não estava impedido por 1,5 metro; 2) No segundo tempo, Leonardo foi puxado e derrubado dentro da área. Pênalti escandaloso 3) O número 3 do Santo André deu uma senhora mãozada em Elvis e escapou com um amarelinho. Considerando esses fatos relevantes, informamos o telefone e endereço do juiz ladrão William Marcelo Souza Nery, que apitou o jogo contra o Santo André: rua Fernando Esquerdo, 209 - bairro Maria da Graça - CEP: 20785-370 Rio de Janeiro - RJ O telefone do sujeito é 21-2228-1725. Quando bons profissionais trabalham corretamente merecem receber telefonemas e telegramas de congratulações pela competência. Lembramos que esse é um Blog de torcedores movidos por ódio, paixão e amor.

Bar de tricolor é o Garraffus!

Recife, 7 de outubro de 2005. (Um pouco de merchandising, que ninguém é de ferro) Amigos, poucos bares no Recife oferecem isso nos dias de jogo do Santinha: 1. Telão; 2. Uma TV 29 polegadas de apoio; 3. CD "O Veneno da Cobra", para ir esquentando a tricolozada; 4. Gols do Santinha, em CD; 5. Cerveja gelada; 6. Presença da "Sanfona Coral". Diante do exposto, só resta mesmo convocar a massa tricolor para assistir a classificação hoje, no bar mais tricolor do Recife. Além disso, um dos sócios, Samarone Lima, é um dos responsáveis por este blog, junto com o também tricolor Inácio França. Todos ao Garraffus, caralho! Rua Conselheiro Nabuco, 21 (Casa Amarela). Indo pela Estrada do Encanamento, entre à direita no segundo sinal (Picanha do Vavá), e depois, entre na segunda à direita. Fone: 3269.6769 Ps. será fácil identificar o bar: uma imensa faixa da "Sanfona Coral" estará dependurada na entrada.

O quase desconhecido hino oficial

O HINO OFICIAL Os Irmãos Valença (João e Raul) ficaram nacionalmente conhecidos por causa da polêmica envolvendo o plágio de sua música, rebatizada de O Teu Cabelo Não Nega, por Lamartine Babo (nesse caso, o grande compositor carioca, autor dos hinos de quase todos os clubes do Rio, virou Lalau). Mas a dupla tem outros sucessos imortais no cancioneiro carnavalesco do Brasil, canções como Um Sonho que Durou Três Dias ou Saudade (Há nesses dias de sonho / Tantos semblantes risonhos /Por toda parte há gargalhada / O canto alegre da mascarada (...). Tricolores, os irmãos Valença dedicaram ao clube a música que se tornaria o hino oficial, nosso hino nacional tricolor, que deveria ser mais conhecido nas Repúblicas Independentes do Arruda. A letra, que tem aquele certo rigor formal da oficialidade, tem uma metáfora maravilhosa para descrever o nosso orgulho maior, que é torcer pelo clube do povão, é fazer parte da multidão que vale ouro. (texto de Júlio Vila Nova) HINO DO SANTA CRUZ Nos anais, nos calendários Fiquem sempre por lembrança Teus lauréus extraordinários De bravura e de pujança Nos esportes, tua História É o orgulho a que faz jus Este símbolo de glória Que é teu nome, Santa Cruz Uma voz proclama e canta É a voz das multidões Santa Cruz, querido Santa Campeão dos campeões Essa multidão tamanha Gente pobre que te aclama Lembra o ouro que se apanha Nos cascalhos e na lama... Esse ouro é sangue, é vida É delírio, é raça e amor A bandeira tão querida A bandeira tricolor

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Aula de ladroagem

por Inácio França Antes de começar meus comentários sobre a absurda arbitragem do Luiz Antônio Silva Santos, no jogo contra o Grêmio, recomendo que vocês gastem alguns instantes para ler o trecho de uma matéria publicada na página de esportes do UOL e, em seguida, acompanhem meu raciocínio: "Lógico que os lances capitais são importantes, mas os lances não capitais é que vão, praticamente, dirigir nosso trabalho. Vamos analisar o comportamento do Edílson ao se relacionar com as duas equipes, para achar diferenças que provem que ele queria deixar os jogadores de um time nervoso, por exemplo", disse Edson Rezende. O ex-árbitro entende como lances não-capitais inversões de faltas, utilização de critérios diferentes para lances semelhantes, pressionar e exibir excesso de autoridade com atletas de uma determinada equipe, entre outros.Rezende afirmou que a "vivência" dos três componentes dessa comissão vai ajudar no que ele entende ser a maior dificuldade no trabalho: diferenciar um erro normal do árbitro de um lance marcado com má fé. "Quem viveu ali dentro [apitou jogos] sabe quando o árbitro é induzido a um erro involuntário, por circunstância da partida. Vamos analisar se ele comete erros seguidos e repetitivos contra um mesmo time. Isso será a prova de que não é um erro involuntário", disse ele. Acompanhando pela TV o jogo contra os gaúchos, lembrei dessa notícia veiculada há mais ou menos uma semana. Concluí que um dos efeitos secundários do escândalo da Máfia do Apito foi a revelação pública de uma prática comum no futebol e que parece fazer parte da cartilha não-oficial da arbitragem. Nós, leigos e ingênuos, nos iludimos acreditando que a roubalheira no futebol acontece quando há um gol mal anulado, um pênalti escandaloso ignorado ou uma expulsão qualquer. Pelo que Edson Rezende ensina, o juiz só apela para isso quando não tem jeito, quando é preciso puxar o revólver e anunciar o assalto. Antes de tomar medidas drásticas, o ladrão está lá no campo, botando a mão na carteira do time, sem ninguém perceber. A julgar pelo que diz o entrevistado, os árbitros roubam um time e fabricam um resultado com a maior naturalidade do mundo, como se bebe água na hora da sede. Era isso que Edílson Pereira de Carvalho fazia. Foi isso que Luiz Antônio Silva Santos fez no Arruda. Inverteu faltas, mostrou o amarelo para Carlinhos Paulista num lance insignificante, ignorou a violência dos gaúchos (Valença quase fica aleijado num lance lá no meio-de-campo e ficou por isso mesmo) e, para estressar ainda mais nosso elenco, foi lá na linha-de-fundo reclamar dos reservas que se aqueciam atrás do gol de Cléber. Provocação pura. Mas o elemento é um profissional da ladroagem. Recorri ao site Google e fiz uma busca com o nome dele. Luiz Antônio é conhecido no país todo como juiz ladrão: No site Atlético-MG encontrei esse texto: O departamento jurídico do Atlético enviou hoje uma nota oficial de protesto pela escalação do árbitro Luiz Antônio Silva Santos, da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, para apitar a partida Santos x Atlético, sábado, na Vila Belmiro. Ele foi escalado após um sorteio na tarde de quinta-feira, na sede da CBF, no Rio de Janeiro. O documento foi encaminhado à Comissão de Arbitragem da CBF, presidida por Armando Marques. Luiz Antônio Silva Santos está em litígio com o Atlético, que apresentou contra ele um pedido de abertura de processo administrativo, em virtude de sua atuação na partida contra o Palmeiras, no dia 15 de agosto. Naquela ocasião os jogadores reclamaram bastante das inversões de faltas e do tratamento diferenciado para com os jogadores paulistas. Num jornal de Curitiba havia isso: A pressão palmeirense aumentou, mas o Paraná soube contê-la. Mas depois de erros e exageros do carioca Luiz Antônio Silva Santos, árbitro da partida, o Palmeiras ganhou de presente um pênalti inexistente. Na primeira cobrança o argentino Gioino cobrou e Flávio defendeu. Mas o bandeira sinalizou que o goleiro teria se antecipado na hora da cobrança. Na segunda, no entanto, o estreante Marcinho, adquirido junto ao São Caetano por US$ 2,5 milhões, cobrou e deu números finais ao jogo.

Até o São Paulo foi prejudicado (mas nesse caso, foi incompetência mesmo e não desonestidade): A arbitragem confusa do carioca Luiz Antônio Silva Santos só colaborou para a falta de controle emocional dos atletas. O meia Richarlyson (São Paulo) e os técnicos Paulo Autuori e Geninho foram expulsos. O Goiás segue fazendo ótima campanha e chegou a 34 pontos, quatro a menos do que o líder Corinthians. Souza marcou o gol da equipe, que administrou bem o jogo, marcando forte e indo ao ataque com cuidado.

P.S. - Descobrimos os nomes dos padres daquela foto da missa celebrada no Arruda. É só verificar no texto correspondente.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Valença, a lenda tricolor

Por Samarone Lima Amigos, ontem no Arruda nós tivemos mais um clássico fundamental do futebol brasileiro. O Grêmio Futebol Catimbense veio de Porto Alegre conhecer sua primeira derrota nesta fase da Série B. O Santa Cruz Coração Clube deixou sua torcida em êxtase, como o golaço de Xavier. O foguete passou e o goleiro gremista ainda procura os escombros. Como eu vinha pregando no deserto, nós precisávamos não só de futebol, mas de catimba, raça, manha, para derrotar os gremistas. Estávamos querendo subir para a primeira divisão com um espírito de escoteiro mirim. E finalmente, soubemos fazer o gol e administrar a vantagem. E no meio do jogo, já havia uma lenda em campo. O nome dele: Valença. Sim, amigos, daqui a muitos anos, nós tricolores que estamos vivos em 2005, vamos bater no peito e dizer – eu vi o Valença-coração-tricolor jogando com a camisa do Santinha. Soube outro dia que Valença chorou copiosamente, depois que perdemos o título do ano passado. Soluçava mais que muitos torcedores apaixonados. É só um detalhe emotivo do mito: a camisa coral ensopada de lágrimas. Amigos, escrevo aqui com os olhos marejados. É impossível não considerar Valença um gigante na área tricolor. Dificilmente perde uma jogada, é capaz de estraçalhar o joelho na trave, para evitar um gol contra o Santa, seria capaz de arrebentar o focinho para tirar uma bola pelo alto. Mais que isso - se tivesse que escolher entre ficar inutilizado para o futebol e dar um título ao Santa, diria que Valença escolheria ficar na cadeira de rodas, com aquele sorriso de garoto solítário que ele tem. Mas no jogo de ontem, a torcida urrava, a cada bola roubada, a cada dividida. “Isso é que é jogador”; “Valença é demais”; “Isso é que é raça, caralho!”; “O bicho é foda mesmo”. Se os gremistas vieram com toda aquela manha, a catimba conhecida, Valença apresentou a pós-graduação. Ouvi quando ele gritou para o atacante gaúcho: "Aqui, quem manda sou eu". Há o momento exato em que o jogador deixa de ser um reles craque e vira uma lenda. Ontem, não sei a quantos minutos do primeiro tempo, ele pegou a pelota, sua amiga de tantos anos, e chutou para a lateral, como se estivesse tendo uma epilepsia no coração, uma fraqueza no espírito. Mas não. O sangue jorrava do supercílio do nosso ídolo. Parecia um caninho da Tigre, vazando água vermelha, o supercílio do nosso craque. Aquela expressão “ele dá o sangue pelo time” foi levada ao pé da letra. A camisa do Santinha, manchada de sangue pelo nosso maior zagueiro, deveria ser tombada e colocada no panteão da nossa gloriosa história. Antes, ele havia ensopado a camisa de lágrimas. Depois, veio o sangue. O suor já estava há muitas gerações. E veio a bandagem. Cobriram o cocoruto do nosso craque com uma faixa, daquelas que usam quando o sujeito leva um tiro, no meio da guerra. Ele foi remendado sem anestesia e ficou à beira do campo, desesperado, para voltar à área. Por alguns segundos, a área do Santa Cruz parecia um jardim da infância para os gremistas. Naquele momento, até Thiago, de 7 anos, que estuda na escolinha do Santa, driblaria todos e faria um gol. Aos 36 anos, me senti órfão de um jogador. Faltou pouco para que eu começasse a chorar. A torcida urrava para o Edílson, digo, o juiz, liberar o retorno do nosso atleta. Valença precisava voltar. Arraes voltou, todos os exilados voltaram, o Fusca voltou, Os Rolling Stones voltaram, mas Valença não voltava nunca aos gramados. Um mudo, um sujeito que nunca tinha dito um “olá”, na vida, que estava ao meu lado usando a linguagem dos sinais, soltou um berro que balançou o Arrudão: “Deixa Valença entrar, fila da puta!”. Por alguns segundos, milhares de tricolores ficaram à beira de um colapso. Valença não estava na zaga. Mas o juiz finalmente escutou nosso mudo e liberou o retorno do nosso craque. O Grêmio, depois disso, sentiu o impacto, e jamais conseguiu enfiar a bola em nossa rede. No segundo tempo, ele voltou com um singelo band-aid no supercílio. O médico quis reduzir o tamanho da lenda, tirando aquela faixa de ferido em plena guerra. Mas já era tarde. Por minutos eternos, vimos nosso craque jogando com a cabeça enfaixada, ferido mas lutando pelo tricolor. Bekembauer, que já fez o mesmo, se tornou uma figura menor. Uma cena para a história do nosso clube. Valença, que joga beijando o escudo do Santa, é o próprio coração tricolor. Deixemos de modéstia e louvemos o nosso craque.