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sexta-feira, 28 de abril de 2006

Quando o racismo voltou ao futebol pernambucano

Ilustração de uma campanha contra o racismo no futebol português

Em 2002, depois que a torcida da barbie ressuscitou o sentimento que, durante 60 anos, impediu que jogadores negros jogassem a camisa do time alvirrubro, o leitor Rodrigo Carneiro Leão de Moura escreveu o texto abaixo. Como não tinha onde publicar, ficou guardado nos arquivos do seu computador. Essa semana, ele percebeu o quanto seu desabafo continua atualizado. O problema é que, hoje, seu texto pode ser vestido como carapuça em alguns tricolores. PATÉTICOS RACISTAS (título original) Quem acompanha a imprensa esportiva com regularidade já deve ter conhecimento das manifestações racistas de torcedores europeus. São freqüentes os xingamentos e as faixas contra os jogadores negros, latinos e não-europeus em geral. Talvez o caso mais marcante tenha sido o dos torcedores da Lazio, tradicional clube romano. As ofensas racistas vindas de sua torcida se tornaram tão constantes que o Presidente da Lazio - envergonhado - ameaçou proibir a entrada de seus próprios torcedores durante alguns jogos de sua equipe. Um dos jogadores mais atingidos por esses ataques racistas vem a ser, justamente, o Cafu, lateral direito do Roma (maior rival da Lazio). Pois é: Cafu - titular da seleção brasileira. Outro lateral titular da seleção - Roberto Carlos - já teve seu carro apedrejado e pichado por torcedores europeus com a seguinte ofensa: "Macaco". Pra quem ainda não sabe, os argentinos (que se pensam europeus acidentalmente nascidos na América Latina) costumam se referir aos brasileiros como "Los Macaquitos" - acredito que vocês não imaginam que eles estão nos elogiando. Quem acompanhou a imprensa esportiva após o último jogo entre Náutico x Santa Cruz não viu nenhum comentário (nenhum!) sobre as manifestações racistas da torcida do Náutico. Quem foi ao estádio dos Aflitos sabe do que estou falando. Sempre que o goleiro do Santa (Nílson - que, além de excepcional goleiro, é negro) pegava na bola, os torcedores alvirrubros imitavam o barulho de um macaco. Talvez você imagine que era "coisa de uma minoria". Se você foi ao estádio, você sabe que não. Tenho certeza que alguns torcedores do Náutico ficaram envergonhados e não participaram dessa palhaçada. Infelizmente, estes sim eram a minoria. Se o racismo dos europeus pode ser classificado como vergonhoso e imbecil, o que dizer do racismo dos brasileiros (ainda mais nordestinos?!) ? É curioso imaginar qual será o comportamento destes patéticos racistas durante a Copa. Sim, porque não sei se vocês perceberam, mas a atual seleção brasileira é a mais negra dos últimos anos. Talvez, eles, os arianos-brasileiros, façam como Le Pen (o líder da extrema direita francesa afirmou não torcer para a seleção de seu país - campeã mundial - em razão da grande presença de negros e descendentes de imigrantes entre seus jogadores). Não, é evidente que não. Os racistas de anteontem certamente irão vibrar com os gols de Ronaldinho Gaúcho, de Rivaldo e de Edílson. Porque esta é a face mais desprezível de nossa sociedade: a hipocrisia. É mais fácil manter e controlar nossas desigualdades sociais e raciais com a tão divulgada (e não menos falsa) "democracia racial" da sociedade brasileira. E essa covarde hipocrisia está presente nos comentários do tipo "- Mas era só uma brincadeira. Uma provocação normal em jogo de futebol." Duvido, porém, que a torcida do Náutico esteja preparando alguma provocação relacionada à cor da pele de Rodrigo Pontes (jogador do Santa que deu uma injustificável cotovelada no jogador Fumaça do Náutico. Detalhe: o agressor é branco e louro; o agredido é negro). Também a absoluta omissão da imprensa pernambucana é vergonhosa. Mas não é surpreendente. Simplesmente porque nós achamos que foi uma "coisa normal". Mas, na verdade, eu queria agradecer aos racistas alvirrubros. Porque anteontem eles me fizeram lembrar de tudo o que eu mais desprezo na sociedade brasileira: sua elite medíocre, burra e covarde. Finalmente, eles me lembraram o orgulho de poder afirmar: "Eu sou preto, branco e vermelho"

Recife, 30 de maio de 2002

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Carlinhos Paulista bota as cartas na mesa

Carlinhos Paulista de alma escancarada
por Inácio França Há uma semana, o Blog do Santinha publicou um artigo produzido a partir das informações colhidas com três diferentes fontes sobre um racha no elenco tricolor. Um dos responsáveis por esse suposto conflito seria o zagueiro Carlinhos Paulista, que leu e não gostou de ver seu nome envolvido na trama. Pouco antes de embarcar para Porto Alegre, ele entrou em contato com a equipe do Blog para desabafar e acertou uma entrevista para deixar tudo em pratos limpos. Ontem (quarta-feira, 26 de abril) finalmente aconteceu a conversa. Foram mais de 40 minutos de bate-papo na sala de entrevistas do Arrudão. Descontraído, bem-humorado e bastante paciente, Carlinhos não se esquivou de nenhuma pergunta, encarando de frente até as questões mais delicadas. Além da sua versão sobre o que foi publicado, nossa conversa tocou em vários assuntos. Para facilitar a leitura, resolvi publicar tudo dividido em tópicos:
*****
a) Carlinhos Paulista por ele mesmo: "Tenho 31 anos, sou de Campinas. Sou um cara que coloca sempre a família em primeiro lugar. Se minha mulher e meus filhos estão bem, então eu estou feliz. Tenho dois meninos, um de quatro anos e outro que vai completar dois anos. E atualmente estamos muito bem adaptados no Recife. Acho essa cidade fantástica e minha família se adaptou muito bem aqui. Tudo o que eu quero da vida está aqui em Recife".
b) A vida dentro das quatro linhas:
"No futebol, comecei a jogar no Guarani, passei pelo Juventus de São Paulo, Juventude. Aí, fui pra Alemanha e disputei a segunda divisão de lá por um clube chamado Waldhof-Mannhein. Tive que me adaptar ao futebol alemão, até de líbero e de volante eu atuei. Depois que meu empresário brigou com a diretoria do clube, os caras se vingaram em mim. Voltei pro Brasil para jogar no Figueirense, onde fui campeão estadual e disputei as finais da série C. Em 2000, fui pro Bahia para jogar a Copa joão Havelange. Aí, voltei pro Figueirense para jogar a série A em 2002 e 2003. Tive outra passagem pelo Guarani e vim pro Santa Cruz no ano passado".
c) A passagem pela seleção brasileira:
"Joguei em todas categorias de base da seleção: sub-15, sub-17, sub-19, sub-21, sub-tudo. Fui convocados cinco vezes para a seleção principal. Em 1995, até fiz um gol. Foi num amistoso em Manaus contra a Colômbia, após a reforma do estádio Vivaldo Lima, no dia 20 de dezembro de 1995. A partida estava empatada em 1 a 1 e fiz o segundo gol do Brasil. Ganhamos por 3 a 1".
d) Carlinhos dá a sua versão sobre e contradiz o Blog do Santinha:
"Costumo tentar acertar quando percebo que as críticas são construtivas e tento ignorar as críticas que são feitas só para destruir. Mas quando li aquele texto, resolvi entrar em contato porque falou no meu comportamento extra-campo. Minha mulher ficou chocada e se perguntava ‘meu marido, fazendo isso?’ Nunca fui um sujeito desagregador, essa história de racha e briga com Roberto nunca existiu. Como é que eu poderia brigar com o cara que mais me ajudou a me entrosar quando cheguei aqui em 2005? Roberto foi o sujeito que, mesmo sabendo que iria disputar a posição com ele, facilitou minha vida assim que cheguei ao Recife. Tanto que ele foi o primeiro a saber que eu iria desmentir tudo".
"O que deve ter acontecido é que as pessoas interpretaram nossas brigas em campo como racha, como brigas sérias mesmo. Porque, em campo, eu brigo muito com Roberto. Discuto mesmo. E brigo muito com Neto. Nos coletivos é a mesma coisa. Para quem está vendo tudo de fora, parece que a coisa é grave mesmo. Eu até brinco com Neto dizendo que a gente só não briga quando um dos dois está no banco".
"Até o ano passado Roberto e Neto eram os dois principais representantes do elenco para discutir o valor das premiações junto com a diretoria. Esse ano, por causa da experiência e da liderança que também comecei a exercer, eu também a participar das negociações. Isso é natural no futebol, mas pode ser que alguém tenha interpretado como se fosse uma disputa".
"Tirando aquela confusão entre Bala e Thiago, nunca houve nenhum conflito no elenco. O que realmente aconteceu é que, em 2005, havia um sentimento maior de união. Esse ano isso não aconteceu até pelo cansaço físico e mental. Todos nós só tivemos, no máximo, de 10 a 15 dias de férias depois do final da série B. Nos reapresentamos antes do Natal e começamos a jogar pelo estadual logo depois do Ano Novo. Ninguém se sentia muito disposto a, depois do treino, parar para conversar ou ficar mais uma hora treinando finalizações, por exemplo. Voltamos a fazer isso agora, depois que perdemos o campeonato pernambucano". e) A pressão na reta final do estadual:
"Quando começou a reviravolta no final do campeonato pernambucano, passamos a sofrer uma pressão muito grande. Eu senti uma pressão muito grande em cima de mim, principalmente porque todos falavam que a zaga tava mal, que a zaga tava batendo cabeça e tudo mais. Mas aí, quando se pensa em zaga, ninguém lembra que o sistema defensivo é composto por dois laterais, dois zagueiros e dois volantes".
"A mudança de treinador aconteceu nesse momento, no início da reviravolta. E isso foi muito complicado para o grupo. Ninguém sabe, por exemplo, que na véspera da partida contra o Central (3 a 2, no Arruda), treinamos em dois expedientes, o que é comum lá em São Paulo onde Giba trabalhava, mas aqui não tínhamos esse condicionamento. E todo mundo se matou no treino para mostrar serviço por técnico novo. O resultado é que, no segundo tempo, eu, por exemplo, estava cansado demais, as pernas pareciam pesar cem quilos. E o cansaço deixou o time inseguro".
f) O pênalti no primeiro jogo da decisão:
"Aquele pênalti não existiu. O juiz inventou e desestabilizou todo o nosso time. Depois do pênalti, ficamos irritados, nervosos. A desatenção no segundo gol foi provocado por essa irritação. O time estava revoltado com a arbitragem. O que mais me revoltou é que, depois do jogo, o juiz (Leonardo Gaciba, gaúcho de Pelotas) veio se justificar para mim. Ele falou: ‘Mas eu dei um pênalti para vocês também, mas vocês perderam’. Eu me irritei e disse assim: ‘Então dava primeiro pra gente, pô’".
g) Carlinhos avalia a queda de rendimento em 2006:
"Aconteceu um negócio no inconsciente de todos nós do grupo: o fato de ter chegado à série A nos deu um status diferenciado. Botamos na cabeça que tínhamos que ganhar, jogar bonito e convencer sempre. Esquecemos da necessida de marcar quando estamos sem a bola, que é preciso correr e, às vezes, é preciso jogar feio para ganhar. Na série B, jogamos feio muitas vezes e ganhamos partidas na base da raça. Como não estávamos conversando muito, essa necessidade de jogar bonito ficou na cabeça de todos. Agora não, agora estamos conscientes que precisamos ser eficientes e estamos conversando muito sobre isso".
h) A série A:
"Depois que a gente perdeu o estadual, o presidente Romerito me procurou e falou que iria precisar da minha liderança para ajudar a recuperar o ânimo do grupo. Eu respondi que iríamos botar uma pedra no passado e entrar na guerra do Brasileirão bastante concentrados e de astral renovado".
"Acabou o jogo contra o Inter e ficamos todos olhando um para a cara do outro no vestiário, todo mundo em silêncio, pois sabíamos que poderíamos ter vencido a partida. Aí, eu pedi a palavra e falei que o resultado foi ruim, mas só conseguiríamos vencer os jogos se continuássemos a trabalhar para isso. Não sei se foi nesse jogo que Giba começou a dar a cara dele ao time, como você diz, porque ele usa um sistema de jogo diferente de Givanildo. Com Giba, por exemplo, os laterais jogam mais recuados. E nós ainda estamos assimilando isso. Ainda falta assimilar muita coisa, mas está sendo muito bom trabalhar com Giba".

terça-feira, 25 de abril de 2006

Django não perdoava

Com a família, em Itu, numa foto recente (no alto); comemorando gol contra a coisa em 1983 (acima) por Inácio França O Santa Cruz já havia perdido o primeiro turno do estadual de 1983 e as coisas não se encaminhavam bem no segundo. A imprensa e a torcida sabiam que o então treinador Carlos Alberto Silva queria um centroavante matador, que jogasse enfiado na área. Exatamente o que Giba pede 23 anos depois. Quem desembarcou em Recife foi o desconhecido Django, apelido de Luiz Paulo Lemes, que aos 26 anos atuava no minúsculo Primavera, do interior de São Paulo. Grandalhão e meio desengonçado, ao chegar Django não inspirou muita confiança na torcida. Por conta do seu jeito, do apelido e das entrevistas bem humoradas, era motivo de piada por parte dos radialistas e dos torcedores adversários. Depois do título do tri-supercampeonato e dos 16 gols marcados praticamente apenas no terceiro turno, só os tricolores davam risadas. Django passou menos de seis meses no Recife, mas virou uma lenda no imaginário da torcida tricolor. "O Santa Cruz tá precisando de alguém para jogar enfiado na área? Então eu vou voltar", brincou ao ser localizado pelo Blog do Santinha em Itu, onde mora com a mulher Márcia e os dois filhos, Pedro e Stefan. Seu primogênito, Trévor, é atacante do Capivariano e em 2007 deve jogar no Puebla, do México. No Recife, Django morou no hotel Jangadeiro, em plena praia de Boa Viagem, mas saudades mesmo ele sente do Arruda: "Rapaz, só tenho lembranças boas da torcida do Santa. Fui muito bem tratado aí no Recife. Até hoje recebo carinho dos tricolores". Pouco depois da estréia com a camisa tricolor, o centroavante foi o pivô de uma enorme confusão na decisão do segundo turno, vencida pelos alvirrubros. O Santa já havia tomado um gol, quando Django foi desarmado, o que possibilitou um contra-ataque do time da Rosa e Silva. "Você acha que o time ia tomar o segundo gol por minha culpa? De jeito nenhum". Nosso camisa 9 deu um pulo por cima do jogador alvirrubro (Baiano, salvo falha da memória), o que deu início a uma confusão generalizada, com cenas hilárias, como a de Zé do Carmo arrancando o pau da bandeira fincada no centro do gramado para usar como arma. Até o educado e sizudo Carlos Alberto Silva saiu no tapa. "No vestiário, ele veio se queixar que brigou por minha causa". Depois de ser campeão pernambucano, Django foi contratado pelo Ituano e se tornou o maior artilheiro da história do clube, com 147 gols - foram 349 em toda sua carreira. Depois de uma rápida passagem pelo futebol de Santa Catarina, transferiu-se para o Bremscheid, da Alemanha, onde jogou de 1987 a 1989. Antes de encerrar a carreira e se fixar em Itu, rodou pelo interior paulista. Às vésperas de completar 50 anos, ele dono de uma casa lotérica e de uma loja de celulares, mas alimenta o sonho de ver o filho marcando gols pelo Santa. Antes de encerrar a ligação dá o recado: "Manda um abraço pro Luís Neto. Ele foi um grande amigo que deixei aí". A foto de Django em sua passagem pelo Santa em 1983 pertence ao acervo do Diário de Pernambuco e foi cedida para o Blog do Santinha por intermédio do superintendente Joezil Barros.

Histórias corais - de filho para pai

A máquina do tempo em que o cronista viajou para conversar com o filho que ainda não nasceu
Por Samarone Lima Amigos corais, primeiro as confissões. Este cronista baleado de batalhas nos estádios foi capaz, outro dia, de escrever uma loa caprichada para o volante Neto. Pior que isso, conseguiu a proeza, junto com o editor Inácio França, de batizá-lo "O anjo da guarda tricolor". Isso sem falar na defesa contundente do "Jovem arqueiro Anderson", entre outras bobagens. Estou aqui, procurando nos labirintos do Blog, apagar a tal matéria, antes que meus descendentes tenham acesso às asneiras que andei publicando. Imaginemos daqui a dez anos, estamos em 2016, meu filho volta da escola arrasado, deprimido, prometendo não mais ir ao Arruda comigo nos jogos da Série A. "Qual foi, filho, que cara é essa?". "Pai, é verdade que você achava mesmo o Neto um bom jogador?" Me olha com cara de zangado. "Pior: que foi capaz de escrever uma matéria sobre ele, elogiando seu futebol, dizendo que ele era uma espécie de anjo da guarda da zaga do nosso tricolor?" Engasgo geral. Fico vermelho, tento explicar que foi num momento bom da carreira, quando ele acertava dois, três passes por jogo, que era preciso incentivar o time, dar força num momento difícil, enfim. Nada dá certo. "Bem, meus colegas do colégio estavam certos - você só dava caneladas quando escrevia crônicas sobre o Mais Querido". Ele passa para o quarto, bate a porta chateado e procuro o primeiro boteco. No dia seguinte, o filho volta irado da escola. "Assim é demais, pai. Fui ver os arquivos do Blog do Santinha de 2006". Me preparei para o pior. Chumbo grosso. "Está aqui, imprimi até o texto. Sinceramente, pai... apostar todas as fichas no Anderson? Onde o senhor estava com a cabeça? Não ia aos estádios, não conversava com os amigos?" Ele bate o pé no chão várias vezes. "Pior que isso: discutir pesado com a turma da Sanfona Coral, que defendia o Gilmar?" "Mas filho..." O menino passa para o quarto, mais irado que nunca. Vou para o chuveiro, tentar esquecer das besteiras que fui capaz de escrever, antes dos 40. No terceiro dia, já estou me preparando para mais um massacre. O menino entra em casa num rompante, vestido com a camisa nova do Santa, patrocinada pela LG, um contrato milionário, depois das campanhas espetaculares na Série A. Recebo aquele abraço forte, de filho para pai. "Pai, eu sabia que você ia fazer um golaço aos 45 do segundo tempo!" Não entendi nada, fiquei esperando a novidade. Está aqui, pai, o texto em que você pedia calma à torcida com aquele treinador novo, o Giba, dizia que o time iria se arrumar a partir da quarta rodada, e ficaria entre os dez melhores da Série A, numa jornada inesquecível. Os olhos do menino brilhavam. "Melhor que isso. Dizia que a coisa iria começar fulminante, mas bastaria a primeira derrota, para o clima feder, e logo viriam outras derrotas, mostrando que o time só tinha arranque". O pirralho soltou o abraço, caiu no sofá e sorriu. "Agora... prever que a barbie e a coisa ficariam na segundona por dez anos, pai, foi demais. Desculpa aí pelo que falei nos dois últimos dias, tá certo? Foi só um jovem coração coral que ficou ferido". Antes de passar para o banho, o moleque perguntou: "Pai, é verdade que esse pessoal famoso, o Chiló, Gerrá, Alessandra Malvina, Josimar ... é verdade que eles iam mesmo para o estádio com vocês, e ficavam tocando no cimento?" "Era isso mesmo, filho. No sol e no cimento". "E o empresário deles deixava?" "Bem, filho, vai ser uma longa conversa". Ele voltou, sentou no sofá e disse: "Sou todo ouvidos tricolor, pai". Ajeitei a cadeira, dei um pigarro e comecei: "Bem, tudo começou naquele venturoso ano de 2005, quando a torcida coral despertou de um jejum de vários anos e ..."

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Já temos o que lamentar

Val Baiano, nosso provável-futuro-possível homem-gol por Inácio França Por conta de algum desses truques que a memória apronta, os gols perdidos por Val Baiano na partida do Beira-Rio me trouxeram a lembrança de uma roda-de-conversa entre vários colegas de trabalho da redação do Diário Popular, no centro de São Paulo. O ano era 1993 e fazia poucos dias que a Seleção Brasileira tinha apanhado da Bolívia em La Paz (aquele jogo em que Zetti foi flagrado no antidoping depois de tomar chá de coca) e o ataque canarinho sentiu uma falta enorme de Romário,. Logo em seguida, a Seleção disputou um amistoso no Pacaembu. Salvo engano foi um jogo-treino com o fraquíssimo Japão. Deu Brasil 1 x 0, com direitos a não-sei-quantos gols perdidos por Muller. Na redação do jornal, alguém reclamou: "Nunca vi se perder tantos gols feitos". Aí, Gilberto Lobato, nosso subeditor, falou do alto do seu bom senso: "O time melhorou sim. Pelo menos, tinha alguém na área para perder gols. Contra a Bolívia, nem isso." No jogo seguinte foi 6 a 0 aqui no Arruda. Vou repetir o sensato Giba (coincidência ou não, meu antigo chefe tem o mesmo apelido do treinador coral): mesmo com problemas na criação de jogadas, pelo menos agora temos alguém na área para perder gols. Nos últimos jogos, a bola estava passando direto pela área, sem ninguém de referência ou para enfiar o pé na dita-cuja. A defesa é essa mesma (Osmar, Adriano, Valença e Xavier), mas tudo vai melhorar no dia em que o futebol de Xavier for representado num gráfico como uma linha reta e não cheio de picos altíssimos seguidos por abismos profundos. O meio-de-campo é que tá de lascar. É uma falta de imaginação danada, parece conversa de arquivista com burocrata da secretaria de administração. Tubarão, ao contrário do bicho que originou seu apelido, só ataca de vez em quando e, mesmo assim, tá de fastio. Foram só duas partidas até agora. O time tem tudo para evoluir. Nada de pressão agora. O momento é dar força a Giba e torcer para que os problemas internos sejam resolvidos. Errata: a nova camisa da Sanfona Coral custa R$ 20,00 contos e não R$ 15,00 como publicamos numa postagem anterior

domingo, 23 de abril de 2006

Ao mestre, com carinho

O Blog do Santinha não poderia deixar de abrir um pequeno espaço para homenagear um grande homem: o inesquecível Telê Santana, um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro, morto aos 74 anos, no dia 21 de abril. Telê sai de cena, mas deixa como legado um exemplo de caráter, respeito e profissionalismo, valores cada vez menos presentes dentro e fora dos gramados brasileiros. Ao "Mestre Telê", a breve mas afetuosa saudação de todos os que fazem o Blog do Santinha, e certamente, de toda a torcida coral.

sábado, 22 de abril de 2006

Carlinhos Paulista nega racha e promete entrevista

Pouco antes de embarcar para Porto Alegre, o zagueiro Carlinhos Paulista tomou a iniciativa de entrar em contato com os editores do Blog do Santinha. Em plena área de embarque doméstico do aeroporto dos Guararapes, o capitão do time telefonou para o jornalista Inácio França e desabafou, negando com a veemência a afirmação de que ele seria o líder de um dos grupos rivais no elenco tricolor. Como ele não tinha muito tempo para conversar - o embarque para o vôo já havia começado -, acertamos que, durante a próxima semana, ele iria se encontrar com todos os editores, repórteres, fotógrafos, diagramadores, estagiários e office-boys do Blog (Inácio e Samarone) para uma entrevista exclusiva lá no Arruda. O assessor de Imprensa do clube, o jornalista Álvaro Claudino, será o intermediário e irá agendar a conversa. Mesmo assim, Carlinhos Paulista não escondeu seu aborrecimento com a publicação do texto sobre o racha no elenco, que teria ele e o também zagueiro Roberto como principais protagonistas. Combinamos com ele que, hoje, publicaríamos o conteúdo de nossa breve conversa por telefone (um aperitivo para a entrevista do meio de semana). Com a palavra, Carlinhos Paulista: "Um amigo meu que mora em Campinas leu o texto e me ligou avisando: 'tão te esculhambando'. Aí, me deu o endereço do Blog e li o que vocês escreveram. Fiquei surpreso. Minha esposa até chorou". "No momento, estou fora do time, mas eu sou um cara que é 100% grupo. Jogo sempre pro grupo, dentro e fora de campo. Faço minha parte fora de campo também". "Antes de conversar com vocês, liguei pro Roberto hoje de manhã (sexta-feira, 21 de abril) e avisei a ele que iria ligar pra dar minha versão e desmentir o que foi publicado. Gostaria que vocês me ouvissem". "Aquela história de não dar entrevista para a Imprensa, por exemplo, não foi idéia minha não. Aquela ordem veio lá de cima, da diretoria. O que eu fiz foi dizer que tínhamos que obedecer, pois somos funcionários do clube e temos que seguir as orientações que recebemos. Aí, foram dizer pra vocês que sou autoritário... não foi bem assim".

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Novo lote de camisas da Sanfona

A Torcida Organizada Musical Sanfona Coral está com um novo lote de camisas à venda. As camisetas, patrocinadas pelo Instituto Pernambucano de Medicina Sexual (IPMS), custam R$ 15,00 e podem ser adquiridas por e-mail diretamente com o zabumbeiro Gerrá (pelo e-mail gerralima@gmail.com ou pelo fone 9976-8985). O sanfoneiro Chiló foi o primeiro beneficiado com o novo patrocínio, pois ele já iniciou o tratamento de uma misteriosa moléstia da área de atuação do IPMS e os primeiros resultados já apareceram. "Parece que era um lance mais psicológico", mandou avisar o sanfoneiro. Gerrá também está tocando a pré-venda do novo CD Nasci Santa Cruz, com 16 músicas do compositor Bráulio de Castro em arranjos primorosos (ver postagem sobre o tema no menu dos artigos em arquivo, aí do lado direito). Cada CD custa R$ 10,00, mas precisamos vender antecipadamente uns 250 exemplares para poder prensar a tiragem completa.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Tocando em frente

Por Samarone Lima Confesso: a derrota nos pênaltis contra a coisa, quando a taça já estava caminhando pro Arruda, foi uma das minhas maiores dores futebolísticas. Não sei o que houve, se a circunstância, o excesso de emoção, o gol no último segundo, mas voltei para casa arrasado. Me doeu tanto quanto a derrota da seleçao canarinha contra a Itália, em 1982, quando eu tinha apenas 13 anos. Certas dores, muito precoces, podem desalinhar uma alma, fazer estragos irreversíveis. Aos 36 anos, sou um bom perdedor. Inúmeras decisões e derrotas, tanto no futebol, quanto na vida, enfrentei com relativa tranqüilidade. Doía muito, mas eu tomava um porre, ia dormir, no outro dia não olhava as bancas de revista, programas esportivos ou coisas do tipo. Mas a derrota nos pênaltis me acertou em cheio. Primeiro, não consegui ficar bêbado. Segundo, não consegui dormir. Pior que isso, a cena do Lecheva perdendo o pênalti, ficou remoendo meu juízo a noite inteira. Pela primeira vez na vida, acordei sem dormir. Durante vários dias, mergulhei num baixo-astral arrombante. Comecei a achar meu trabalho uma merda, meu bairro uma desgraça, o Recife feio, o futebol algo esquisito e histérico, pensei em terminar o namoro e viajar para a Amazônia. Escrevi uma carta de demissão ao Blog, pensei em recolher minhas chuteiras. Chega de crônicas sobre o Mais Querido e sua torcida. Por sorte, Inácio França pediu que eu repensasse, pois estava num momento de profundo sofrimento. "Nessas horas, a prudência pode ajudar", vaticinou. Aos poucos, os amigos começaram a comentar: “Samarone, estás com cara de doente”. Foram vários dias assim. Pior que isso era ver, em meio à festa adversária, os relatos de velhos e apaixonados tricolores, e aquelas frases que doem na alma: “não merecíamos perder aquele pênalti”; “eu pensei que o Lecheva ía soltar um limão”; “a festa estava pronta lá em casa”; “minha mãe chorou mais que eu”; "Luquinhas está arrasado". Até que fui me recompondo. A cena do pênalti foi sumindo do cabeção. Cancelei o pedido de demissão do Blog. Fui tocando a vida, renascendo das cinzas. Hoje, dez dias após o fatídico jogo, diria que voltei à normalidade. E fiquei pensando sobre esse mistério, que é a presença do futebol na minha vida - e na vida de tanta gente. O futebol determinando alegrias e tristezas, numa paixão fulminante. As loucuras que fazemos, nos momentos de maior emoção. Vamos do êxtase ao abismo, conhecemos a glória e a dor mais lancinante, num intervalo de segundos. No gol do Santa contra a coisa, naquele finzinho de jogo, eu vivi um dos momentos mais estranhos da minha vida. Penso que perdi a noção de tempo e espaço, o céu se misturou com a terra, como diria o Manuel Bandeira. Perdi a noção do individual. Eu era uma massa de tricolores, no mais absoluto transe. Talvez tenha sido esta a lição dos últimos dias: mesmo em meio à maior derrota, a vida segue e se renova. Os idiotas da objetividade, como diria o sábio Nelson Rodrigues, não entendem como um sujeito pode andar se arrastando, se sentindo um miserável, um infeliz, “só porque perdeu um título”. Andei cabisbaixo, triste mesmo, macambúzio, dolorido, mas já estou pronto para outra. O futebol tem me ensinado que nenhuma derrota é definitiva. Ou, como diria o velho Raul Seixas, “é de batalhas que se vive a vida”. Alguém duvida se estarei na Ilha do Retiro, no próximo jogo do Santa contra a coisa? Amanhã, dia de Tiradentes, desfilarei com meu manto coral. Tenho pra mim que Tiradentes foi um tricolor, muito antes de o Santa existir. Todo libertário é um tricolor de carteirinha. Levantemos a poeira. Vamos lá, dar a volta por cima.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Santa Cruz, clube de todas as cores

A campanha contra os gritos racistas de parte da torcida tricolor, idealizada pelo leitor exilado em Barueri-SP, Allan Robert, e lançada pelo Blog do Santinha recebeu o reforço imediato e incondicional do pessoal da Coralnet (www.coralnet.com.br), do blog Metiopé (www.metiope.blogspot.com) e do site Tricolor PE (www.tricolorpe.cjb.net). Mesmo com as medidas apresentadas pela CBF para tirar pontos dos clubes com torcidas racistas, durante a partida contra o Figueirense alguns torcedores das sociais macaquearam os alvirrubros e repetiram a babaquice do uh uh para ofender o bandeirinha. Recomendamos a esses sócios que rasguem seus cartões preto-branco-e-vermelho e se dirijam à avenida Conselheiro Rosa e Silva para se filiar ao clube branco (do açúcar dos senhores de engenho) e vermelho (do sangue dos escravos e canavieiros). Afinal, os racistas são eles. Acima, logomarca antiracista capturada na web pelo leitor que se identificou como Adailton, morador de Candeias, em Jaboatão.

Bastidores do Arruda

Zada, o mais respeitado, pode ajudar a unir o grupo Por demência dos editores, algumas informações confirmadas pelo Blog do Santinha durante a apuração do material sobre o racha no elenco acabaram ficando de fora do texto publicado ontem. Resolvemos publicar abaixo no formato de três pequenas notas: ***** O meia Zada pode desempenhar fora de campo o mesmo papel que costuma exercer nos gramados: equilibrado e inteligente, pode funcionar como ponto de equilíbrio e aparar as arestas do elenco. Em 2005, conquistou o respeito dos colegas por causa da sus disposição de "jogar para o time" antes e depois do apito do árbitro. ***** O antipático boicote à Imprensa durante os dias de decisão do campeonato foi invenção do zagueiro Carlinhos Paulista. Autoritário, ele chegou a gritar com alguns companheiros para impedi-los de conversar com os repórteres após o jogo na Ilha do Retiro. O técnico Giba acabou levando a culpa pelo fato de ter decidido isolar os jogadores na tentativa, inútil, de contornar as rachaduras do grupo. ***** A cena descrita a seguir aconteceu numa sala da diretoria do Santa Cruz, no estádio do Arruda, durante as negociações que definiram a vinda de Thiago Gentil: depois de rasgar elogios ao atacante, seu empresário, o execrável José Luiz Galante, queixou-se dos R$ 1.500,00 oferecidos pela diretoria a título de auxílio-moradia. Segundo o nocivo Galante, o valor "era muito pequeno e não dava para alugar nada no Recife". Um dirigente argumentou que o maior auxílio-moradia do elenco era de Marcos Brito, que recebia R$ 1.200,00 porque tinha cinco filhos e precisava morar num apartamento maior. Tubarão acabou ficando com os R$ 1.500,00 para morar num senhor apê em Boa Viagem com a mulher e o único filho ***** Imaginem o que é sustentar cinco filhos com um futebolzinho tão mixuruca como o de Marcos Brito...

terça-feira, 18 de abril de 2006

Rede de intrigas: racha no elenco tricolor

Roberto e Paulista: os líderes das facções rivais por Inácio França O elenco do Santa Cruz está dividido, completamente rachado em dois. A informação acima caiu no colo da equipe do Blog do Santinha no final da tarde de ontem, enquanto atravessávamos a avenida Agamenon Magalhães em pleno crepúsculo. Não tínhamos motivos para duvidar do passarinho que nos contou a história, pois tratava-se de uma ave bastante confiável, mas decidimos verificar tudo direitinho antes de publicá-la. Zelo de quem já ganhou a vida como repórter. Samarone passou o dia entretido com mais uma entrevista para finalizar seu livro sobre a bomba no aeroporto. Então, coube a mim a tarefa de trocar e-mails, dar telefonemas e barganhar informações nos intervalos da labuta no Unicef. No final, a confirmação: as rixas e picuinhas entre os jogadores são graves. E, enquanto isso não se resolver, não adianta esperar pela volta do bom futebol. A julgar pelas respostas que escutei, os dirigentes do clube já identificaram os principais nós da rede de intrigas, mas decidiram que não irão agir como cirurgiões nem como homeopatas. Ou seja, nada de cortes profundos nem tratamento demorados demais. A estratégia dos cartolas parece ser contratar mais alguns reforços nos próximos dias e, depois, dispensar os problemáticos. O problema vai ser resistir à pressão da torcida, impaciente com os maus resultados e com a ascensão da coisa. As pessoas com quem conversamos identificam o principal problema na rivalidade entre o capitão Carlinhos Paulista e Roberto, principal liderança fora do gramado. Os dois nem se falam. E esse clima contaminou todos os jogadores. Depois de um início de relacionamento tenso com Givanildo, Roberto se aproximou do ex-treinador e acabou seduzido pela lógica de trabalhar bastante, conquistar resultados, garantir espaço no time e moral com a cartolagem. Neto, Carlinhos Bala e Rosembrik concordam com isso. Carlinhos Paulista não é um líder natural mas, por conta da sua facilidade de entrosamento, exerce bastante influência junto a alguns jogadores. E está sempre fomentando coisas do tipo "não fale isso perto de sicrano" ou "não confie em fulano". Tais recomendações fizeram a cabeça de gente como Thiago Gentil, Marco Brito, Édson Mendes e Alex Oliveira, mas azedaram o clima no Arruda. Empresariado por José Luiz Galante (elemento de péssima reputação), Paulista sempre ficou isolado num clube do qual os empresários mantiveram distância em 2005 por conta da força de Neto, Roberto, Bala e Givanildo. Com a saída do técnico e a chegada de Thiago Gentil, também empresariado pelo nefasto Galante, Paulista passou a sentir mais à vontade, chegando a reclamar até do conteúdo das matérias publicadas no site Coralnet. Hoje, ele acordou de péssimo humor por causa da boa repercussão da estréia da dupla Adriano e Valença na série A Gentil merece um parágrafo exclusivo: além de morrer de ciúmes do caso de amor entre Carlinhos e a torcida, também está se esforçando para ganhar o trófeu de elemento mais desagregador de 2006. Adora uma picuinha. Dizem que Romerito Jatobá já fez promessa no Morro da Conceição para que apareça um clube interessado nele. Se aparecer, ganha a liberação na hora, com direito a tapinha nas costas e tudo mais. Giba não chega a ser uma unanimidade, mas está conquistando o respeito de quem vive o cotidiano do clube. É um técnico que passa horas treinando fundamentos e formações táticas. Gosta de trabalhar, é aberto ao diálogo e tem uma visão moderna de futebol, capaz de agregar valor ao time do Santa Cruz. O azar é que ele chegou num péssimo momento na tabela do estadual e na vida interna do clube. Com todas essas informações (conferimos tudinho com mais de uma fonte, podem confiar. Até os nomes dos prováveis reforços o Blog do Santinha já sabe, mas sobre esses prometi guardar segredo), fica evidente que o quebra-pau entre Bala e Tubarão na reta final do segundo turno era apenas a ponta do iceberg. Foi o que estava abaixo da superfície que fez o time afundar.

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A cara do novo reforço

Esse é o novo contratado do Santa Cruz. Luciano Martins Soares jogou o campeonato goiano pelo Vila Nova, clube pelo qual foi revelado. Luciano tem 22 anos, 1,82cm de altura e pesa 73 quilos. Não encontramos maiores informações sobre seu futebol, mas pelo jeito é um meia inexperiente e que ficou caro demais para o Vila segurá-lo na Segundona. A foto acima foi capturada do site do próprio Vila Nova.

Quando a torcida é tratada como gado

Por Bernard Rieux, leitor do Blog, comentarista. Como há muito tempo não ia ao Recife, vou comentar apenas uma questão estrutural: a venda de ingressos. Já é incrível um clube depender quase que exclusivamente da venda de ingressos. Mais incrível ainda é esse clube tratar com tanto desleixo sua principal, quase única, fonte de renda.Os caras-de-pau dos dirigentes tricolores cobram R$14,00, preço do ingresso dos bons e seguros cinemas da cidade, onde venda e entrada são organizadas, as poltronas são confortáveis, o ambiente é climatizado e os banheiros são impecáveis. No Arruda, por outro lado, somos obrigados a enfrentar filas desorganizadas, assédio constante de cambistas, bilheterias imundas e fedorentas, cheias de goteiras, apenas para comprar o maldito ingresso. A entrada é outro martírio, onde os tricolores são tratados como gado. Nas arquibancadas, as goteiras são frequentes, e os banheiros vergonhosos. Se, hipoteticamente, os elementos paixão e devoção pudessem ser removidos dessa entidade inefável, o Santa Cruz Futebol Clube, e o futebol fosse reduzido a mero entretenimento, nosso querido clube estaria impiedosamente fadado à falência instantânea. Parabéns aos 12 mil heróis que foram ao nosso massacrado Arrudão ontem. Nota da redação Deu no JC de hoje: "O torcedor vem sendo tratado como um cachorro ou pior. Essa diretoria é de terceira divisão". (Renato Medeiros, comerciante) "Estou há uma hora nesta fila. Antes haviam apenas dois guichês e só depois abriram mais cinco. Os cambistas agem livremente aqui e compram todos os ingressos, principallmente os para estudantes". (Gustavo dos Santos) "Se não tivéssemos chegado a confusão teria sido maior já que alguns já estavam exaltados". (Sargento Bebobi Gomes, acionado para tentar organizar a venda dos ingressos) ** E antes que falem do "pequeno público" no Arruda, ontem: Palmeiras x Ponte Preta, no Parque Antárctica - 2.753 pagantes.

Cronistas ainda não entrararam em campo

Por Samarone Lima Amigos corais, Este cronista de velhas batalhas corais enfrentou outra batalha, ontem. Fui, com o glorioso escrete do "Caducos Futebol Clube", enfrentar o esquadrão do Sítio Mucuru, lá depois de Goiana, em ônibus fretado pelos próprios atletas locais, aqui do Poço da Panela. Furamos um a zero, seguramos bem até metade do segundo tempo, até que nosso treinador, Edinho "Batman" fez uma série de mudanças que pioraram o time, e perdemos de virada, já no finalzinho do match. O problema todo foi um rombo na lateral esquerda, por onde passava todo o Sítio Mucuru. Depois disso, foi cachaça, buchada, feijão verde, mais buchada, sarapatel, bode e tudo o que a gente tinha direito, ao som dos bregas mais plangentes. Quando cheguei, soube apenas do 0 x 0 do tricolor, mas já estava meio queimado, nem liguei muito. Por outro lado, o glorioso Inácio França refugiou-se com sua amada em sua casa-emprestada-pelo-amigo, lá para as bandas de Maragogi, e tudo o que viu de futebol foi uma partida entre pescadores, num bucólico final de tarde. Torceu até o desespero por um dos times, só porque o calção do pescador tinha o escudo desbotado do Santa. Enquanto não entramos no pique da Série A, aguardamos relatos, crônicas, comentários e análises as mais diversas sobre o jogo do Santinha contra o Figueirense, quando perdemos a chance de largar com três pontinhos fundamentais. A julgar pela crônica especializada, o nosso Santa não começou bem. O Jornal do Commercio deu nota 8 ao zagueiro Adriano, e 6 ao Thiago Tubarão. Me vem uma questão filosófica: o cara é Tubarão ou é Gentil? Informo que o juiz anulou um gol legítimo dos Caducos, no início do segundo tempo, alegando impedimento. Seria o segundo gol, e mataria o adversário. Há relatos verídicos de que fui um verdadeiro Adriano na zaga.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Os racistas são eles

Exilado em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, o leitor Allan Robert deu a idéia que colocamos em prática a partir de agora: o Blog do Santinha começa uma campanha para que a torcida tricolor abandone aquela babaquice racista de imitar macaco quando algum jogador negro do time adversário toca na bola. Sugerimos que os demais sites ligados ao clube ou à torcida do Santa Cruz façam o mesmo (Coralnet, TricolorPE e a comunidade tricolor no Orkut, por exemplo). A torcida tricolor é, majoritariamente, negra e pobre. Por essa razão, não deve negar suas raízes para reproduzir os preconceitos da elite racista brasileira. Por isso, o espaço do Blog está aberto para textos, depoimentos, imagens, desenhos e fotos contra o racismo no futebol. Os interessados devem enviar material para o e-mail blogdosantinha@gmail.com O pontapé inicial será dado com a republicação de trechos de um texto de Inácio França, publicado originalmente no extinto site da Confraria Ninho da Cobra, no dia 8 de março de 2005:

"...a estratégia que adotei foi achincalhar os alvirrubros sem dó nem piedade na coluna que tinha no Jornal dos Sports. Escolhi os adeptos da Barbie (ou do resto como eu apelidei o time cor-de-rosa) porque bater nos rubro-negros era algo óbvio demais. Até que eu batia, mas deixava a Coisa meio de banda.

Não demorou muito e os próprios alvirrubros me forneceram o pretexto que eu necessitava para irritá-los: a bizarra manifestação de racismo contra Nílson. Foi o bastante. Remexi no baú da história, recordei as origens escravagistas dos barões do açúcar que moravam nos palacetes da avenida Conselheiro Rosa e Silva e me referi ao presidente do clube como mein fuhrer. Eles a-do-ra-ram!

O problema é que eu queimei a língua.

Tudo mudou. Nilson agora é inimigo (ou será que sempre foi? Lembram das decisões de 2000 e 2002?) e a torcida tricolor usa os mesmos gritos ridículos quando ele entra em campo ou faz cera. Até parece que falta imaginação à torcida do Santa. É constrangedor assistir a torcedores de um clube que, nos anos 1950 e 1960 era chamado pelos adversários de “time de negros”, macaquear (o trocadilho é proposital) terceiros para ofender um cidadão por conta da cor de sua pele. Absurdo é constatar que a nossa torcida que tanto provoca Nílson é formada, em sua maioria, por negros e pobres, vítimas de racismo e de tudo quanto é tipo de preconceito pela vida afora.

É bem verdade que em todo jogo contra os cor-de-rosa dá uma vontade enorme de xingar Nilson, de chamar ele de “vendido” ou alguma coisa do gênero. Mas a reação da torcida me envergonha. E olhe que sou daqueles que acredita que a torcida tem sempre razão, mas não nesse caso.

Sei que este desabafo não irá surtir efeitos práticos mas, como disse lá em cima, faço questão de expressar minha opinião."

terça-feira, 11 de abril de 2006

Pré-venda do novo CD Nasci Santa Cruz

O compositor Bráulio de Castro tá virado num mói de coentro, fazendo letras e músicas como se fossem caldo de cana: de uma tacada só o homem fez quatro novas canções que vão fazer parte do CD Nasci Santa Cruz, que é uma espécie de segunda edição do CD Veneno da Cobra. O novo disco têm as mesmas 12 músicas da versão original, mais as quatro novas. A Aurora DVD, do jornalista tricolor Ricardo Carvalho, atendeu ao pedido do Blog do Santinha e patrocinou as novas gravações, das quais participaram a turma da Sanfona Coral e o cantor Walmir Chagas, o Véio Mangaba. Todo mundo já entrou em estúdio e as músicas já estão gravadas com o mesmo esmero das anteriores. A prestigiada agência de publicidade Makplan entrou no circuito e produziu o novo encarte (imagem acima), que ficou uma beleza. O problema é que está faltando dinheiro para prensar os discos e imprimir as capas. Por isso, Bráulio e o pessoal da Sanfona estão promovendo uma pré-venda para juntar dinheiro o suficiente para fazer os CDs.

O negócio é simples: os interessados em comprar antecipadamente o novo CD devem ligar ou mandar um e-mail para o zabumbeiro Gerrá (9976-8985 ou gerralima@gmail.com) para fazer a reserva e acertar o pagamento. Cada CD vai custar R$ 10,00, mas quem comprar antes não vai ter vantagem nenhuma. Depois, o preço continuará o mesmo, mas se 250 discos forem vendidos, será possível prensar 500 unidades. Com a venda das outras 250, serão produzidos outros 500 e por aí vai. O objetivo não é lucrar, mas garantir que os tricolores tenham acesso a músicas de qualidade, sem aquela gritaria de narração de gol e funk de última qualidade.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Breve sociologia do futebol pernambucano

Rubro-negro símbolo, Pedro Corrêa amanheceu feliz por Inácio França Cursei dois semestres do curso de Sociologia, em meados dos anos 80, e não tive paciência para seguir adiante lendo Weber, Durkheim, Marx e outros menos cotados. Mas, hoje, apesar de não saber definir exatamente conceitos como representação social ou estratificação, vou me arriscar a traduzir um pouco das raízes das três maiores torcidas pernambucanas. Para isso, usarei meus escassos conhecimentos sobre a dinâmica das forças sociais, políticas e econômicas do estado. Antes que os leitores pensem que o Blog do Santinha enveredou pelo pedantismo acadêmico, vou logo esclarecendo que comecei a pensar sobre isso ainda na noite de domingo, ruminando ódio. Me perguntava como eles conseguiam comemorar tanto e com tamanha arrogância um título conquistado com ajuda de árbitros e cartolas da Federação, todos mobilizados a partir das manobras de um dos seus dirigentes. As falhas, erros grosseiros e fraudes cometidas a favor do atual campeão pernambucano sumiram da memória e dos registros dos jornais. As bandeiras estão penduradas nas janelas sem constrangimento, como se os cartolas não tivessem acertado tudo num almoço, longe dos gramados onde os crimes foram executados. Mas, sigamos o raciocínio para não ficar só no desabafo rasteiro. Não é difícil identificar os significados sociais do clube vermelho-e-branco situado na avenida Conselheiro Rosa e Silva. Aliás, os endereços dos estádios dos três clubes são esclarecedores. Quem conhece um pouco da história de Pernambuco, sabe que esse clube é a representação social dos senhores de engenho e usineiros, que tinham seus palacetes na mesma avenida. O branco do açúcar misturado ao vermelho do sangue de índios, negros e trabalhadores rurais das Ligas Camponesas. Óbvia também é a representação social do Santa Cruz Futebol Clube, time criado por jovens que aprendiam profissões humildes entre os padres salesianos, antes que estes se dedicassem a educar as elites católicas. A cor negra foi imposta ao vermelho-e-branco para negá-las e criar um novo significado multirracial. O Santa Cruz representa os ex-escravos e migrantes que chegaram do interior e acabaram sendo empurrados para os alagados de Beberibe e alto dos morros de Casa Amarela, longe da elite branca e racista. Mas o endereço do nosso estádio também é revelador, pois o Arruda foi construído numa área pública, doada ilegalmente por um Maciel, daqueles que sem a fortuna dos Cavalcanti buscava o voto dos pobres para legitimar suas posições recém-conquistadas. O desfecho do campeonato 2006 serviu para que compreendêssemos melhor os significados e representações do clube da praça da Bandeira. A coisa sempre foi vinculada visceralmente às camadas médias da capital pernambucana. Clube daqueles que gozavam da confiança da aristocracia para ocupar os cargos burocráticos do estado e que, de serviçais bajuladores, enriqueceram burlando as leis. De acordo com esse meu simplório, porém lógico raciocínio, o clube que ganhou o título estadual deste ano é a representação social desta camada de novos-ricos, para quem o mais importante é o patrimônio financeiro, conquistado a qualquer custo. Historicamente, em todas as sociedade da era pós-revolução industrial para esses, a ética, a moral e os princípios podem subvertidos a todo instante, desde que isso gere lucros. Ou títulos de futebol. Por isso, para essa camada da população pouco importa se o Ypiranga empatou uma partida com um gol legítimo que acabou anulado. Por essa razão, não há porque considerar o pênalti inventado a seu favor no primeiro jogo da decisão ou aquele não marcado no primeiro tempo da partida de domingo. Eles sentem orgulho disso, como se orgulham de vestir a camisa vermelha-e-preta da amoralidade e da indecência. Então, tricolores, não há razão para tirarmos nossas bandeiras da janela ou deixarmos de ir ao estádio no próximo domingo. Torcer pelo Santa Cruz é resistir, é celebrar nossa humanidade.

Os deuses do futebol estavam com pena dos moribundos

Por João Henrique, colaborador assíduo do Blog, pela graça de Deus. Como não exerço a profissão de jornalista, apesar de ter esta formação, e nem desenvolvi um senso investigativo apurado, vou deixar para o implacável Inácio França a missão de noticiar as nossas falhas durante o campeonato e o que vamos precisar para fazermos uma primeira divisão classe A. O que quero realmente analisar é o quadro nacional dos campeonatos estaduais. Fazendo uma analogia, aprendi nas artes do marketing político que toda eleição tem um mote mais ou menos universal. É um movimento que atinge quase todas as capitais e as grandes cidades, porque, em geral, todos fazemos parte de uma mesma pangéia social. Por exemplo, nas eleições para prefeito do ano retrasado, prevaleceu o continuísmo e as reeleições no Nordeste. Em 2000, o PT começou a emplacar nas maiores cidades do país, o que desencadeou na apoteose da eleição de Lula dois anos depois. Tudo acontece, em todo canto, de um jeito parecido. É tendência pura Mas, fechando parênteses, voltamos a olhar para os campeonatos estaduais deste 2006. Se analisarmos com cuidado os resultados Brasil a fora, vamos perceber que houve um movimento histório-futebolístico dos deuses da Igreja de Charles Miller para dar um gostinho de campeão aos times que já viveram suas fases áureas, e hoje estão em decadência ou não são mais aquele balaio todo de outras épocas. Botafogo no Rio, Santos em São Paulo, Ceará no Ceará e a coisa em Pernambuco. Se procurarmos tem muito mais. Por isso, torcida coral, agora a gente tem que direcionar as energias pra o Brasileirão e esquecer esse pernambucano. Até porque, como se vê, os deuses do futebol estavam com pena dos moribundos. E aí lascou. J.

domingo, 9 de abril de 2006

Perdemos

Por Samarone Lima Acabo de chegar em casa, são nove horas da noite da noite do domingo. Venho da Ilha, onde perdemos o bi, nos pênaltis. Na Kombi, entre poucas palavras, eu e os tricolores aqui do Poço, a soluçar nossas tristezas. Não há como negar: uma parte da cidade está em festa. Há fogos, buzinas, fui cutucado por muitos rubronegros, eles são campeões. Viveremos, nos próximos dias, o inferno do "casá casá". É a derrota. Perdemos. O título esteve em nossas mãos e ele escapou. O Bi, em plena Ilha, seria perfeito, a consagração. Mas não veio. É a vida, e ela segue. Teria muitas coisas para contar, para escrever. Dois meninos que vendiam pipoca, na Ilha, e que começaram a rezar, quando veio a decisão nos pênaltis. Um camarada que botou a camisa do Santa e se ajoelhou. Walter, que ficou de costas para os pênaltis, e me perguntava se a gente tinha feito o gol. Lucas, meu vizinho de seis anos, um pirralho lindo, que me viu passando cabisbaixo, com a bandeira no ombro e disse, após um abraço generoso: "Sama, eu sei que o Santa perdeu mas depois a gente ganha de novo, não fica triste". É a derrota, pura e simples. Perdemos. Mas lembro da Ilha do Retiro calada, quando fizemos o gol. Lembro da felicidade que fiquei, quando eles perderam o primeiro pênalti. Chegamos perto do êxtase, e conhecemos a mais profunda dor. São as coisas do futebol. Perdemos. Aceitemos o fato simples da derrota. Deixemos nossos atletas em paz. Foi uma decisão nos pênaltis, e erramos quando o título estava próximo. Do lado de cá, tivemos o erro no momento decisivo, os pênaltis de Lecheva e Neto. Do lado de lá, existiu um goleiro numa noite inspirada, é preciso admitir. Não queiramos explicar o inexplicável. É o momento de apenas aceitar o imponderável do futebol, a misteriosa matemática dos pênaltis, quando faltava muito pouco para chegarmos ao êxtase. Cada tricolor deveria olhar para a camisa e sentir orgulho. Estou triste, é claro, mas aquela velha e linda camisa das três cores foi honrada. A vida segue. Cuidemos agora da primeira divisão.

Superstição fotográfica

Por Anízio das Olindas, designer gráfico e fotógrafo eventual "Vamos dar na coisa duas vezes hoje: no tempo normal e nos pênaltis". Foi o que disse o feliz proprietário desta casa no bairro de Amaro Branco, Olinda, quando eu vinha pela rua dele para fotografar novamente sua bandeira, nesta manhã chuvosa de domingo. Ano passado fiz a mesma coisa na manhã do jogo contra a Portuguesa e fomos para a 1ª divisão!

sábado, 8 de abril de 2006

É hoje!

por Marcílio Coelho, engenheiro-civil e lamentavelmente morando em São Paulo há quatro anos Não queria aqui falar daquele jogo, daquela final inesquecível, tampouco daquela memorável conquista, nem muito menos daquele pesadelo que não nos sai da memória ou do fantasma da frustração que tanto tememos. Quero falar sim da essência de ser tricolor. Pois bem, quando procuro uma resposta que justifique por que tanto sofrimento, por que nunca, mas nunca mesmo, nada vem fácil para gente, me contento com a frase: "pra tricolor é assim mesmo, tem que ser sofrido". Momentos que antecedem a partida o coração tricolor transborda esperança e confiança, não importa o adversário, não importa a situação em que o time se encontra, o tricolor sempre acredita que "é hoje". Mas algumas vezes nos enganamos e o "hoje" fica para depois. Criticamos do gandula ao presidente, cobramos empenho, queremos qualidade, clamamos por união, lealdade, caráter, e principalmente respeito e amor às três cores que desde cedo aprendemos a sentir algo que, confesso, não sei explicar. Passados alguns instantes começamos a juntar os cacos. Os mais cabeçudos ainda remoem uma derrota por dias, semanas e até meses e campeonatos, como se pudessem negar ou fugir de sua essência tricolor. "Não, eu não dou mais dinheiro para vê esses caras" gritam uns; "eu que não perco mais meu tempo com esses filhos da puta", esbravejam outros. Os mais comedidos ainda refletem: "Puxa, passei a semana toda esperando por esse jogo, era no trabalho, era na hora do namoro e até quando ia dormir, não conseguia fazer nada disso direito, minha cabeça estava na contagem regressiva para aqueles 90 minutos, e deu no que deu". Ainda me recordo de quantos e quantos jogos do nosso santinha em que fiz tudo isso que descrevi acima mas, o que não me sai da memória são os momentos em que o Santinha toma um gol. E quero falar disto, pois do nosso gol, todos sabemos, é pura felicidade. Mas quando levamos um gol, principalmente deste nosso arqui-rival do qual também não sei definir o que sentimos, só sei que ódio é pouco, muito pouco. Pois bem, é como se abrisse uma ferida, uma parte de nossa confiança e auto-estima é decepada naquele exato momento. Toda a nossa insegurança como seres humanos vem à tona, o medo de perder o emprego, o medo de levar um chifre, o medo de ser assaltado, é difícil explicar, tudo vem junto, levamos um banho de desmotivação. Clássicos, finais, aqueles jogos importantíssimos em que não tem jeito, todos assistem ao jogo de pé, pois o estádio está cheio. De repente tomamos um gol, a situação começa a virar contra nós, e o que me vem à lembrança neste momento são as pernas em minha frente. É, a partir deste momento estou sentado, não quero ver mais a peleja, no fundo eu acho que isso talvez mude alguma coisa, mas é pura insatisfação e inconformismo. Uma criança numa situação difícil fecha os olhos como se, pelo fato de não estar vendo, não está acontecendo, ou quem sabe doa menos, sei lá, talvez seja isso, o fato é que não queremos é acreditar. E quando escuto pelo rádio, quantas vezes desligo para dar sorte, não é de raiva como a maioria dos torcedores o fazem, é pura mandinga, "quando eu ligar o santinha já vai ter virado". Não, de fato, nosso time está longe de ser o melhor de todos, deixemos isto para aqueles que vivem numa ilha, isso mesmo, eles são soberanos, um aglomerado de craques cercados por flagelados por todos os lados. Do nosso lado aqui estão aqueles que não perdem a confiança, apesar de colecionar derrotas, recentemente seis vices campeonatos, de 1999 a 2004, não perdemos e não desistimos nunca. Somos como aquela propaganda, que poderia muito bem ser dita assim: Sou brasileiro, sou tricolor, não desisto nunca. Não arrotamos soberba, lutamos no dia-dia, saímos de casa cheios de esperança, caminhamos, lutamos e por vezes perdemos, reclamamos, jogamos a culpa em tudo e em todos, mas colocamos a cabeça no travesseiro e refletimos: é... tudo bem, amanhã tudo vai dar certo! Qualquer semelhança deste desabafo com o cotidiano do cidadão brasileiro, sobretudo, nordestino, não terá sido mera coincidência. Não tenha dúvida, nem receio de gritar aos quatro cantos: "Sou brasileiro, sou nordestino, sou tricolor". É isso massa coral, coloquemos a mochila nas costas, levantemos a cabeça, e brademos: "é hoje!" E se tudo der errado, sigamos o roteiro, sem esquecer que amanhã tudo vai dar certo, portanto, à luta. E já! *** Sérgio Praxedes Filho tem 7 anos de idade, mas seu apelido na escola Anita Gonçalves, em Paulista, é Serginho Bala. Dizem que o menino joga um bolão no futsal. Na sexta-feira, ele dormiu mal, se alimentou mal e quase não presta atenção nas aulas. Estava (e está) preocupadíssimo com a decisão do campeonato. Ontem, sua mãe Valéria (na foto lá em cima, ao lado do filho) descobriu que tinha um compositor em casa: o menino compôs a paródia enquanto tomava banho. Depois, pegou papel e caneta e botou os versos abaixo no papel. Zelosa, Valéria entrou em contato com o Blog do Santinha e nos enviou a letra de autoria do filhão. Conclusão: só tem fanático e ainda tá chegando mais!!! TRILILIM,TRILILIM,TRILILIM A GLOBO LIGOU PRA MIM TRILILM,TRILILIM,TRILILIM A GLOBO LIGOU PRA MIM QUEM É? SOU EU O REPORTE DA GLOBO, QUE QUERO TE ENTREVISTAR TÔ NA ILHA DO RETIRO E O NERVOSISMO TÁ PRA MATAR. VAI TER GOL DO SPORT? NÃO, NÃO, SÓ DO SANTA VAI TER GOL DO SPORT? NÃO,NÃO, SÓ DO SANTA ACABOU A DECISÃO,ACABOU A DECISÃO, ACABOU A DECISÃO SANTA CRUZ É CAMPEÃO!!!

Entre a glória e a desgraça

por João Henrique, publicitário inspirado em Henry Miller Eles estavam jogando de camisas brancas com duas listras horizontais, sendo uma encarnada e uma preta. Domingo de nervosismo e ansiedade, dia em que até o céu se desequilibrava entre o sol e o nublado. Eles desafiavam o feroz time escuro em suas vestes hostis e a sua torcida amarela que não parava de babar gritos estéricos alucinados. Eles tinham ao seu lado uma massa apaixonada, de todas as cores, roendo carnes-vivas, cerrando as mãos agitadas. Eles estavam iluminados pela energia do povo e comiam a grama seca, a lama seca. Tragavam o ar a plenos pulmões e poros. Naquele campo inimigo, o desafio da bruxa avermelhava os olhos, inchava as veias. Eles estavam na dimensão intermediária entre a glória e a desgraça.Uma tela jamais pintada. Eles, a bola, a vontade, o contado, as redes.O final deste dia de domingo, eles não esquecem. E, é óbvio, todos nós sabemos de cor.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Loucos Otimistas

Por Júlio Bandeira, pseudônimo de um jornalista louco pelo Santa. Aconteceu num sábado, 29 de outubro de 2005. O empate com o Grêmio deixou o Santa Cruz na lanterna do quadrangular final da Série B. O sonho da Primeira Divisão estava longe. Numa mesa de bar, quem esteve no jogo procurava explicações. “Como pode? Temos o melhor time.” Ninguém conseguia vencer as interrogações até surgirem as provocações adversárias. A resposta veio numa profecia do sanfoneiro Chiló. “O Santinha vai subir. E quem vai pagar o pato é a Barbie.” Parecia um desabafo desesperado, sem nexo, irracional. E no futebol, realmente, a razão inexiste Em poucos instantes, Chiló ganharia apoio. O zabumbeiro Gerrá e outros tricolores repetiam a afirmação. A certeza na voz de cada um mostrava que não era apenas conversa fiada. No dia seguinte, os jornais anunciavam que a “sorte parece que abandonou de vez o Santa Cruz.” A sorte podia sim, ter deixado o time. Nunca os torcedores. Antes da partida seguinte, que podia aniquilar de vez o sonho alimentado durante o ano todo, a legião de otimistas cresceu. Quarta-feira, esses “loucos” esqueceram do feriado e se dirigiram ao Arruda. Treino do Santa Cruz pela manhã. Entre eles Chiló, Gerrá e outros tantos que engoliam com dificuldade a cerveja no sábado à noite. Protestos até cabiam, mas não foi o caso. Os “loucos otimistas” foram para mostrar aos jogadores que nada estava acabado. Nada de vaias. Aplausos para todos os jogadores. Reinaldo, que perdeu um pênalti no jogo anterior, foi o mais ovacionado. Com certeza, o elenco entendeu a mensagem. Sabiam que, em hipótese nenhuma, podiam abandonar aqueles torcedores. O resultado os tricolores conhecem muito bem. Contra o Sport, na primeira partida da decisão, quem não podia abandonar o Santa Cruz, abandonou. Mas Carlinhos Bala, Rosembrik e a torcida têm a chance de se redimir. Sem saudosismo mas com a mesma confiança, digo que o Santa será bicampeão. Quem quiser, pode guardar a sua camisa tricolor para utilizá-la na Série A. A minha está pronta para domingo. Pronta para mais uma decisão. Para as lágrimas e os sorrisos. Para mais um dia de glória. *** Não perca a ediçao especial do Blog do Santinha rumo ao título: Sábado (8/04) - "Entre a glória e a desgraça", texto do colaborador João Henrique Domingo (9/04) - "É hoje!", texto do colaborador Marcílio Coelho. Segunda (10/04) - "Um título inesquecível". Tudo sobre a conquista do Bi. Entrevista exclusiva com Givanildo - "A saudade do Santa está me matando". Depois de pegar três penaltis, Anderson desabafa: "Eu sabia que daria a volta por cima". Valença: "Quebrei a perna de Geraldo sem querer". Paulinho: "Só entro para fazer gol decisivo". Bala: "A mundiça se calou". Adriano: "Ganhar jogando com 9 jogadores é inesquecível". Osmar: "Nasci para ser campeão pelo Santa".

Todos ao treino!

O Blog do Santinha convida todos os santa-cruzenses de coração a darem uma passada no Arrudão, hoje, a partir das 15h. Será o último coletivo antes da decisão, e um momento de ajudar nosso elenco a começar a arrancada para o título. Como a venda de cervejas em treino ainda não foi regulamentada, pedimos que levem um isonorzinho, porque o sol vai estar rachando. Nota da redação: após insistentes pedidos dos leitores, estamos levantando o telefone da Renata, a "Moça Coral 2006," clicada pela nossa valorosa equipe de fotógrafos.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Fatos & Fotos

Mais um artista coral: David do Piston (ou será um trompete?)
Sem sanfona e sem zabumba, a gente teve que se virar
Renata, por aclamação, a musa das arquibancadas
Um fragmento do show da torcida coral
O nosso Zé do Rádio: Zé Paulo e o Panasonic 8, o radinho do seu avô, fabricado em 1969.
Josimar virou estrela e foi procurado pela Imprensa antes mesmo de entrar no estádio
Alguns comentários depois de uma madrugada de insônia: * Acertam em cheio nossos leitores ao dizer que sim, o Santa Cruz jogou bem, principalmente no primeiro tempo, o que não contradiz o texto escrito por Inácio França ainda de madrugada. Um grupo unido teria reagido de outra forma após tomar o pênalti: ontem, o time ficou desequilibrado e desesperado após o primeiro gol, passando a exagerar no individualismo, que já estava presente no primeiro tempo, quando os atacantes e até os volantes tentaram resolver tudo sozinhos. Lembram como foi a reação no jogo decisivo da Segundona?
* A torcida tricolor deu um espetáculo ontem no Arruda. Com cinco minutos de partida, ainda estávamos cantando o "Santa Cruz/junta mais essa vitória". De arrepiar.
* O jogo já tinha acabado há uns 5 minutos e Samarone, encostado na mureta, continuou olhando para o gramado vazio. Inácio tocou em seu ombro e chamou: "Vamos embora?"
A resposta foi inacreditável: "Acabou foi? Foi dois a zero mesmo?"

É hora de começar do zero

por Inácio França Ano passado, no meio de uma sequência de vitórias tricolores na segundona, o Blog do Santinha tomou uma posição política clara, de oposição à diretoria do clube. Criticamos quando todos elogiavam. Agora, pouco depois de uma derrota para a coisa no primeiro jogo da decisão do campeonato, não vamos criticar o juiz que inventou pênaltis, nem o goleiro que caçou borboleta no segundo gol e muito menos o técnico que acabou de chegar e está numa sinuca de bico. Também não há espaço nesse momento para críticas aos cartolas. A hora, tricolores, é de acabar com as panelinhas de jogadores, com os estrelismos e com a vaidade exacerbada de uma parte do elenco, principalmente daqueles responsáveis pela ascensão à série A em 2005. É exatamente a campanha do ano passado que oferece lições a serem compreendidas. Na temporada passada, nosso time mediano era um conjunto unido, um grupo solidário dentro e - ao que parece - fora dos gramados. Era a família de Givanildo. Esse foi um dos segredos do sucesso dentro de campo. Os problemas começam quando nem todos sabem conviver com vitórias ou fazer bom uso das posições conquistadas. O que se viu em campo contra a coisa nos dois últimos clássicos e contra o Central, há oito dias, foi um amontoado de jogadores atrapalhados na defesa e sem ajuda dos atacantes, os quais estavam mais interessados num grotesco boicote mútuo. É preciso começar tudo de novo, "zerar o processo" como dizem os políticos. Montar um novo grupo sem os ataques de estrelismo de Carlinhos Bala - sim, o Blog do Santinha acredita e espera que a decisão de domingo seja a última partida do nosso artilheiro com a camisa coral. Talvez sem ele, Rosembrinck deixe de boicotar os colegas, afinal a rivalidade com Thiago Tubarão não está resolvida. Ou alguém lembra de algum passe "na medida" do mago para o camisa 10?

O mesmo raciocínio vale para o outro Carlinhos, o Paulista, talvez o único zagueiro de área do País que joga fora da área e erra continuamente dentro da área. Também é hora de Valença tentar realizar o sonho de jogar no sul maravilha, lembrando sempre que não é recomendável fingir contusões num Vasco da Gama, por exemplo. Há risco de levar uma surra dos Eurico Miranda da vida.

No centro dessa confusão, Giba terá uma grande oportunidade de mostrar que é um treinador de futuro, pois montar um grupo, ser campeão e começar na Primeira Divisão, tudo ao mesmo tempo, não é tarefa simples não.

Fora isso, todos ao treino sexta-feira à tarde, incluindo a Sanfona. Recebemos informações de que seu Jura, pai do sanfoneiro Chiló, reivindicou liberação aos médicos da UTI cardiológicas para marcar presença no coletivo.

Ainda hoje (provavelmente à tarde), painel de fotos da torcida coral no Arrudão.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

A poucas horas do primeiro jogo decisivo...

Amigos corais, Faltam poucas horas para o início do primeiro jogo da decisão, no Arruda. Tivemos problemas técnicos e não conseguimos colocar uma matéria especial para o clássico. Mais um motivo para ampliarmos a equipe do Blog do Santinha. Bem, vamos às notas: 1) A vitória vai ser dedicada, pela torcida coral, ao Seu Jura, pai de Chiló, que enfrentou a maior batalha de sua vida esta semana - uma cirurgia no coração. O velho coração coral estará batendo firme, hoje. Um abraço fraterno ao nosso saudoso sanfoneiro Chiló, que sempre levantou a massa coral. 2) O ponto de encontro é a Churrascaria Colosso, a partir das 19h53. 3) A Kombi Coral já confirmou presença. Naná está correndo atrás dos ingressos. 4) Palpite do Blog: Santa 2 x 0 coisa (os dois gols no segundo tempo). 5) Não dá mais para escrever crônica. A única coisa possível, neste momento, é pedir que o relógio ande mais rápido, e que o juiz apite o início do jogo. 6) Que os deuses do Arruda nos ajudem. 7) A quem está longe do Recife neste momento: sentimos muito.

Nota urgente!!!

O pai do nosso querido sanfoneiro coral, Chiló, está precisando de doação de sangue para reposição. O esquema é o seguinte: você deve ir ao Hiene, que fica na rua Tabira, 54 (fica na rua da Acadêmia da Polícia Militar), e dizer que quer doar sangue para José Jurandy Lins da Silva, que está internado no Hospital Santa Joana. Como é sangue para reposição, pode ser qualquel tipo de sangue. Qualquer dúvida é só ligar para Chiló: 96382255 Agradecemos a cooperação de todos. Blog do Santinha

segunda-feira, 3 de abril de 2006

A questão psicológica da decisão

Por Samarone Lima Amigos corais, Eu acho os psicólogos meio malucos, mas tenho uma certeza interior que tudo na vida depende do estado psicológico da pessoa. Exemplo: o sujeito leva uma sonora de uma gaia, bebe todos os bares da cidade, fica querendo saber dela, se torna um obcecado compulsivo, vai se tornando um cadáver ambulante. Esse está fodido. Imaginemos outra cena: o sujeito leva uma gaia tremenda, sofre lá sua dor de corno, toma uns três pileques de empenar, mas descobre que a cidade está cheia de mulheres, que ainda tem muita vida pela frente, começa a se cuidar, volta a fazer um esporte, reduz os birinaites. Daqui a pouco, o camarada já deu a volta por cima. Tudo depende da reação psicológica. Pois bem, isso aqui não é consultório sentimental nem o Centro de Estudos da Gaia, vamos ao que interessa: a questão psicológica para a decisão do Estadual, contra a coisa, que começa quarta-feira. Estamos vindo de dois resultados muito ruins: fizemos 3 x 0 no Central em questão de minutos, não dava nem para comemorar direito. Depois, nossos atletas tiraram férias e ficaram jogando dominó em campo. Resultado: levamos dois gols e quase amargamos um empate. Muitas úlcera já estavam nascendo, na quarta-feira. Ontem, na barbielândia, começamos botando quente. Gerrá foi dar uma mijada, quando voltou, o Santinha já tinha enfiado três. Novamente, os jogadores corais decretaram licença-prêmio e foram fazer uma melhor-de-três no dominó. Resultado: o empate, com sabor de derrota. Pior que isso: ainda perdemos um pênalti e a coisa ganhou, de goleada, revertendo a vantagem. Vão decidir o caneco em casa. Psicologicamente, nós corais deveríamos estar arrasados e depressivos, exalando mal humor e achando a vida um sofrimento perpétuo. O tricolor, hoje, deveria estar azendo como um limão da Ceasa. Mas não, pelo menos na minha avaliação. Acho que ontem, naquele empate contra as barbies, começamos finalmente a caminhar para o Bi. Todo o cenário agora está desfavorável. A coisa vem embalada, o time está bem, vai decidir em casa. Nós estamos no meio de uma tormenta, com técnico novo, e um time que parece uma gangorra, a zaga parece mais a Agamenom Magalhães. Vamos do êxtase à fossa completa em minutos. Nos últimos jogos, não pudemos sequer piscar o olho, que tinha alguma desgraça acontecendo. Dizem que o treinador Giba saiu do estádio revoltado com os atletas, deu esporro em todo mundo, sobrou até para o roupeiro, massagista e gandulas. A torcida rubronegra já comemora o título. Ontem, já alugaram trios elétricos e chopp. Uma empresa de silk screen, de um amigo, recebeu a encomenda: cinco mil faixas de Campeão 2006. Hoje de manhã, fui informado que levaremos duas goleadas históricas. Não há cenário melhor para uma decisão: de um lado, um time de salto alto, com a torcida já comemorando o título, encomendando o chopp. Do outro, um time que vem de dois resultados ruins, com o treinador puto e em desvantagem no regulamento. O jogador coral vai entrar na decisão com raiva, querendo se redimir perante sua imensa e apaixonada torcida. Eles sabem muito bem a delícia que é a famosa “volta por cima”. A desvantagem do regulamento é o de menos. Na quarta-feira à noite, teremos 11 atletas alucinados pela vitória, 11 carrapatos na marcação, 11 Hércules nas quatro linhas, 11 obstinados pela vitória. E como diz aquela propaganda de cartão de crédito, "dar a volta olímpica na Casa dos Festejos, não tem preço".