quinta-feira, 29 de junho de 2006
terça-feira, 27 de junho de 2006
Jarbas: camisa 8 de pouco papo e muita bola
Cansamos de Copa. Cansamos dos inúmeros comerciais e nenhuma bola de Ronaldinho Gaúcho. Cansamos da cobertura de TV feita por idiotas e para idiotas. Cansamos do futebol prisão-de-ventre da seleção de Parreira. Cansamos dos jogos chatos e esquemas táticos covardes de quase todas as seleções.
A partir de hoje, voltaremos a falar do objeto da nossa paixão, o Santa Cruz Futebol Clube. Copa do Mundo, só quando o assunto valer a pena ou o texto for inspirado.
E, para voltar a falar do Santinha, fomos a Boa Viagem procurar Jarbas, um excelente meia que passou pelo Arruda há duas décadas.
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por Inácio França
Depois de conquistar o título pernambucano de 1983, o Santa Cruz voltou à divisão principal do Brasileirão no ano seguinte reforçado de jogadores jovens, vindos em sua maioria do futebol paulista. O capixaba Jarbas, um veloz meia-direita do Botafogo de Ribeirão Preto, foi um deles.
Quando desembarcou no Recife, Jarbas carregava na bagagem a juventude dos seus 23 anos e a experiência de ter atuado nos maiores centros do futebol da época: depois de sair do pequeno Linhares, do Espírito Santo, passou pelo Bangu, pelo Democrata, de Governador Valadares (MG), e pelo próprio Botafogo.
Localizado pelo Blog do Santinha, Jarbas ficou surpreso com nossa intenção de entrevistá-lo para matar as saudades da torcida tricolor. "Olha, podemos conversar, mas vou logo avisando que eu não sou assim tão coberto de glórias". Essa discrição já o acompanhava em campo: era um daqueles jogadores que os comentaristas esportivos dizem que "jogam para o time".
"Disputei o Campeonato Brasileiro de 1984 e depois passei uma temporada no Náutico. Fui tricampeão pernambucano: uma vez pelo Náutico e bi pelo Santa, em 1986 e 1987", recorda o antigo meia, que saiu do Santa direto para o Beira-mar de Portugal.
"Eu me movimentava bastante e era rápido com a bola nos pés. Muita gente não sabe, mas há uma diferença entre ser veloz e ser veloz com a bola. No Santa, tive como companheiros de time jogadores inteligentes e habilidosos como Henágio e Marlon. Aí era fácil jogar".
Ele passou cinco anos no clube português e ajudou a levar o time à decisão da Copa de Portugal, na melhor temporada da história do modesto time. Voltou a Pernambuco e encerrou a carreira com apenas 33 anos, jogando pela barbie o campeonato estadual de 1992. Casado com uma pernambucana e apaixonado pela cidade, ficou por aqui.
"Voltei de Portugal já com o plano de abrir uma loja de material esportivo. Como deu tudo certo, larguei o futebol e virei empresário", contou durante nossa conversa na filial da loja Futebol do Brasil, na avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem (a matriz fica no Bairro Novo, em Olinda).
No fim da conversa, a pergunta inevitável: por qual time ele torce em Pernambuco? "Sou tricolor, é lógico. Há uma diferença enorme entre as torcidas do Santa e do Náutico. A torcida tricolor é completamente louca pelo time, é uma massa apaixonante. Lembro que, quando o ônibus chegava ao Arruda, já havia de 500 a 1.000 torcedores nos esperando e incentivando. Nunca vi algo assim em nenhum outro lugar por onde passei".
Julguei que ele estava fazendo média comigo e com os leitores do Blog e o questionei. Jarbas foi categórico: "Meu filho joga Futsal no Náutico. E lá todos sabem que sou tricolor. Digo isso para qualquer um".
segunda-feira, 26 de junho de 2006
A TV que está dando carrinho por trás na cobertura da Copa
Tricolores na Copa & resultado da enquete
Nota da redação: por misteriosas dificuldades técnicas do Blogspot só conseguimos publicar as fotos enviadas de Dortmund.
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Eis o resultado da última enquete promovida pelo blog: dos 109 votantes, 43 (39,45%) acreditam que Wilson Surubim repetirá seu excelente desempenho com as garrafas e péssimo com a bola. Ou seja, quase 40% dos leitores do blog apostam que a cartolagem do Santa Cruz fez (mais uma) péssima contratação.
Logo depois, com 28 votos (25,69% do total) aparecem aqueles otimistas incorrigíveis que acreditam na completa recuperação do volante.
Vinte e cinco votantes (22,94% do total) acreditam que o time voltará a vencer, mas Wilson Surubim não deixará de beber por causa disso. Outros 13 tricolores (11,93%), acreditam que ele vai pegar leve nos dias de jogo, mas não irá abrir mão do álcool.
domingo, 25 de junho de 2006
De festa na Copa
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Preparem-se para a roubalheira
segunda-feira, 19 de junho de 2006
Anotações aleatórias e inúteis sobre Arábia Saudita de Regatas 0 x 4 Ucrânia Futebol Clube
Um ano muito esquisito
sábado, 17 de junho de 2006
Heiligekreuz*
Fotos acima: Luís Oliveira (de verde-amarelo) e tricolores no estádio Olímpico de Berlim, na terça-feira, 13 de junho (Brasil 1 x 0 croácia)
Luís Oliveira, freqüentador assíduo do Blog do Santinha está acompanhando a Copa do Mundo in loco. Direto de um cyber café em Praga (capital da República Tcheca), onde foi passear depois da partida contra a Croácia, Oliveira nos mandou duas fotos de tricolores que encontrou no estádio Olímpico de Berlim. Desde já, Luís está nomeado como nosso enviado especial a Alemanha e adjacências.
Marcelo Ribeiro publicou está foto em sua página no orkut e nos avisou por meio de um comentário da página da coluna Folha Seca, publicada no site do Diário de Pernambuco (www.pernambuco.com/copa/folhaseca). Segundo ele, o engenheiro alemão que também aparece na foto (de capacete branco) informou que a camisa tricolor foi a primeira de um time brasileiro a entrar no Allianz Arena. É o Arruda de Munique.
* Segundo o dicionário Michaelis, Heiligekreuz é Santa Cruz em alemão.
sexta-feira, 16 de junho de 2006
Juarez fala mais uma vez
Fenômeno? só se for de gordura
por João Valadares
Depois do jogo do Brasil, o repórter João Valadares voltou a conversar pelo interfone com o porteiro Juárez, comentarista exclusivo do Blog do Santinha. Acompanhe a conversa:
- Alô. É Juarez?
-- É.
- Juarez, é João porra.
- Diga, seu João.
- Tô tentando falar contigo faz tempo e nada. A galera gostou pra caralho do teu comentário. Foi sucesso total.
- Foi mermo foi? Oxe. Essa galera sabe porra nenhuma de futebol, né?
- E então. Disseram que tu era o cara. Que entendia do negócio.
- Eu entendo mermo é de mulé, mai de futebol eu observo um pouquinho. Tu viu que o homem da meia-noite que fala inglês botou pra dentro hoje né? Eu num te disse. Futebol é assim porra. Da feiura, sai uma mulé do carai. Ele fei um gol de matador. É bola na rede. O jogo é esse. Tem coisa mai linda do que a bola no filó? Então pronto. Como disse aquele cara: "feio é não fazer".
- Sim. Faz tempo que tô tentando falar contigo. Os porteiros daqui do prédio disseram que tu tava trabalhando à noite agora.
- É. troquei para assistir o jogo do Brasil domingo em casa.
- E você viu o jogo do Brasil contra Croácia?
- Vi rapai. Claro que vi né? Foi uma mulé com um menino atravessado aquela porra daquele jogo. Onze parteiras e o menino não nascia nem com o carai. Pense num nó cego e ainda molhado. Puta merda. A merda tava pronta, mai num descia nem com o carai. Quase morro. Que negócio ruim do carai. É aquele mulé que o cara quer comer e quando come é uma meiota. Um negócio forçado. O povo chama de meia foda. Sabe como é né? Foi aquele jogo.
- Você achou que nossa seleção foi bem?
- Bem um carai. Me arreto quando escuto o povo falando que o começo é assim mermo. Pode ser, mai a gente tem que botar para torar. A gente tem o melhor time do mundo. Tem que botar na caneta, tirar onda mermo. É disso que gosto. Brasil jogou feito Alemanha. Futebol feio do carai. Brasil é Brasil. Brasil é banho de cuia carai.
- Mas a gente ganhou. E tu não falou que da feiura sai uma mulé do carai quando a bola entra na rede?
- Mai a nossa feiúra é bonita. A nossa feiura é Ronaldinho. Eu já tô achando ele "bunitinho".
- Então você gostou?
- Gostei nada. Ganhou de zero a um só.
- Zero a um?
- É. Aqueles "croácios" tavam jogando em casa né? Só tinha barbie naquela porra. A gente suar para ganhar de uma merda vermelha e branca é foda.
- Mas são três pontos.
- E é basquete é? Juro a tu. O Brasil perdia pra o Cabeça de Calango lá do Ceará, aquele time que te falei. Sou capaz de apostar minhas duas pirralhas. Se Girafinha tivesse inspirado não tinha para ninguém. O Cabeça de Calango botava pra torar.
- E Ronaldo, o fenômeno?
- Aquele puto. Fenômeno de gordura. Tá jogando com o nome. Acho que levou outra gaia. Li que ele passou mal e foi para o hospital. Se eu fosse o presidente da CBF proibia Pêdu Bial de ir fazer reportagem na Copa. Tenho para mim que ele passou a perna naquela nêga de Ronaldo. O bicho tava pior do que em 98. Essa gaia foi valendo meu véi. É ponta na Alemanha.
- Será?
- Ói. Sei não. Gaia endoida um, véi. Conheço um cara chamado, Zé Zebu. Pense num cara pra levar gaia. Até hoje ele nem fala, nem anda, nem enxerga direito. Mai aquele puto não tá jogando é nada. E os fela da puta dos jornalistas ficam defendendo. Ele pode até guardar um golzinho, mai hoje no meu time ele come banco. Banco de igreja. Daqueles duros. Pra bunda dele ficar queimando.
- Tu queria ele no Santa?
- Rapai, pergunta difícil. Acho que queria. Sei não. Ele é melhor que aquele atacante da gente.
- É. Acho que é.
- Parreira disse que Ronaldo estava com problemas. Disse também que ele tinha currículo.
- Problemas? O cara ganha mai dinheiro do que 20 milhões de porteiros juntos. Tem uma mulé do carai em casa. Tem uma casa do carai. Eu ganho uma miséra e ainda me considero um cara calmo. Problema é a minha pomba. Currículo? Então bota Pelé, porra. Pelé tem mai currículo. Currículo? E ele quer emprego essa fela da puta? Mai, acho que ele vai ficar melhor porque baixou a bolinha. Nada melhor do que a humildade.
- E quem foi o melhor jogador?
- Foi, por incrível que pareça, os dois zagueiros, Juan e ruim.
-- Foi?
- Lúcio é foda. Quando ele ataca, só falto endoidar. O cara tem 12 pernas meu véi. Tropeça na bola. A bola tem medo dele eu acho. E ainda é o melhor zagueiro do estrangeiro.
- E Ronaldinho Gaúcho? Jogou bem?
- Rapai. Ele num tá botando para torar não, mai ele é foda visse?Teve uma hora que tinha quatro bicho grandão nele e o doido num caiu. E ainda derrubou dois fela da puta. Aquela porra tem cola na chuteira. É uma miséra. Ele vai jogar mais nesse jogo de domingo. Pode escrever.
- E Kaká?
- Jogou mais ou menos. Sabe como é né? Fei o gol né? Aí vira um monstro. Futebol é isso. Tu sabia que aquele puto casou donzelo?
- Foi. Fiquei sabendo
- Rapai. Tu acredita num puto que casa donzelo? Seio não. Mai tudo bem. Que ele tire o queijo dele na copa. Desconte nos goleiros dos outros times.
- E domingo?
- Segunda tu liga pra mim que eu faço minha análise. É uns 3 a zero.
- Eu tu acha que o Brasil vai ser hexa?
- Rapai, se Cafu for preso é. Tô torcendo pra Cafu ser preso. Algemado no mei do campo.
- Tu tá doido.
- Pense comigo. Os caras iriam comer a bola pra dedicar o título ao amigo. Todo gol era pra Cafu. Todo jogo ia ter uma faixa. Eles iriam jogar pra soltar o amigo. Tô torcendo por isso. E ainda mai Cicinho joga mai que ele. Mai parece que a "puliça" da Itália cagou pra dentro. Espero que a gente bote a merda para fora.
quinta-feira, 15 de junho de 2006
Até no bolão...
Quadro de avisos
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Um olho na bola, outro em Meca
Análise filosófica da Copa, após 16 peladas
segunda-feira, 12 de junho de 2006
Austrália x Japão pelo rádio (que nem na Copa de 38)
Austrália 3 x 1 Japão
(por Marcel Tito)
Pedi paciência e argumentei. Copa do Mundo só acontece de quatro em quatro anos. Não adiantou. Ele permaneceu irredutível. Apelei para a minha descedência australiana. Como resposta, um olhar de desdém. Contei a verdade. Precisava ver Japão x Austrália para escrever para o Blog do Santinha. Confiei na audiência do site. “Não tem fantinha, tainha, nem Juquinha”, respondeu o senhor Adriano.
A síndrome do mau humor de quem trabalha durante a Copa do Mundo, creio. E assim, às 9h23 desta segunda-feira, pela segunda vez no ano, a impaciente Celpe privou a minha residência dos seus serviços. Por causa de duas contas atrasadas. Antes eram três. Maldita privatização. Era preciso pensar rápido. E veio a solução para não escutar Samarone Lima e Inácio França durante um mês me chamando de farrapeiro: acompanhar a partida pelo rádio. Japão x Austrália. Eu mereço.
A transmissão começa com o hino do Japão. E vem as escalações. Austrália: Shuazerz; Nil, Moure, Colina e Emerton; Viduca, Keyes, Guela e Chiperfild; Wilkshaire e Bresciano. Agora o negócio vai ficar bom. Lá vem o Japão: Kawagushi; Komano, Miamoto, Nakata e Takahara; Nakamura, Yanagisawa, Santos (um brasileiro, que beleza!) e Fukurishi; Tinsuboy e Nakasawa. Acho que é isso.
Primeiro tempo
“O time do Japão abre o olho.” O primeiro trocadilho infame veio antes dos cinco minutos. Viduca vai, Viduca vem, Viduca chuta e “Kawagushi sensaaaaccccccccccional. Duas vezes”. Lá vem Viduca de novo. E a torcida canta em português! Tem muito brasileiro no estádio torcendo por Zico. Incrível o carisma dele. Dez minutos de jogo e só dá Austrália.
Quinze minutos. Vinte e um minutos. Eita joguinho. E Nakata chuta. Para fora. E olha o gol da Austrália. Quase. “Não cai por um milagre a cidadela do Japão.” E “Viduca pintando miséria.” Esse cara coloca fácil Nenê e cia. no bolso. Todo mundo toca na bola. Menos Santos. Sacanagem comigo. Eis que no meio da vinheta publicitária... “Passou pelo goleiro e GOL!” De quem? “Komano passou para Yanagisawa. Ele cruzou e a bola passou por Nakamura e o goleiro da Austrália ficou reclamando.” Quem colocou para dentro? Agora o outro diz que quem cruzou foi Nakamura. Enfim, Japão 1 x 0.
E a torcida do Japão faz a festa. “Ão, ão, ão, segunda divisão.” Estão menosprezando a Austrália. Trinta minutos e nada de Santos no jogo. O tempo passa devagar. Trinta e cinco minutos. O negócio tá complicado. Já disseram que está 1 x 0 para a Austrália, que está 0 x 0. Tem gente na rádio querendo ganhar o bolão da Copa de qualquer maneira. E tem Viduca de novo. Pisou na bola. Que é isso Viduca. Fim do primeiro tempo, graças a Deus. Acho que Santos não volta para o segundo tempo. É uma pena.
Intervalo
“Austrália e Japão fizeram um bom primeiro tempo. Um futebol ativo, de bom toque de bola. E a Austrália jogou melhor. O melhor jogador do Japão foi o goleiro. O gol me pareceu irregular. Me pareceu que o jogador Nakamura estava impedido. Depois me pareceu que ele deslocou o goleiro. De qualquer forma, o gol foi validado pela arbitragem e o Japão vence por 1 x 0. Isso é o que importa.” É muito parecer. Realmente, Juarez é, até o momento, o melhor comentarista da Copa. Pelo menos agora sei quem marcou o gol. Sem substituições no intervalo.
Segundo tempo
O jogo recomeça sem o som da torcida. Ou a partida está ruim e todos preferiram continuar comento salsichão nos corredores do estádio ou operador de áudio dormiu. Cinco minutos. E volta a torcida gritando “olé”. Falta muito tempo ainda. Confiança demais dos japoneses. Substituição na Austrália: Sai Bresciano, entra Caiu. Substituição no Japão. Sai Tinsuboy, entra Monivar.
Dez minutos. Quinze minutos. Outra substituição na Austrália. Sai Moure, entra Kennedy. Propaganda da Celpe? Só pode ser brincadeira. “Fique em dia e acompanhe a Copa do Mundo com tranqüilidade.” Agora é que eles avisam. A torcida pede mudança. “Ah, é Rosembrik”. A negociação com o Palmeiras era só fachada. Tá explicado. Quando o mago entrar o negócio vai pegar fogo. Deve ser na Austrália.
Vinte minutos. “É uma das melhores partidas da Copa”, diz o comentarista. Estou ouvindo. Até aqui, só teve chute para fora. A torcida vaia. Entendo a revolta. O sofrimento não tem fim. Lá vem Viduca. Falta perigosa para a Austrália. Posso apostar dez reais que vai para fora. Lá vai. “Barreira compacta do Japão. Partiu Viduca... DE-FEN-DEU sensacionalmente Kawagushi!!!”. Com um goleiro desse O Santa Cruz não perdia o Campeonato Pernambucano nem a pau.
Trinta minutos. Faltam 15 somente. Os comentaristas começam a trocar elogios. Isso é porque o jogo está bom. Terceira substituição da Austrália: entra Aloíse, sai Wilkshaire. A estréia de Rosembrik na Copa fica para o próximo jogo. Entra Onu e sai Yanagisawa, no Japão. É o jogo da paz. Outra intervenção da torcida japonesa. “Mais um, mais um”. O cara deve ser o elemento surpresa. Trinta e cinco minutos. ´
Notícia da seleção brasileira...
“O lateral-direito e capitão do Brasil, Cafu, acaba de ser condenado pela justiça italiana a dez meses por utilizar passaporte falso.” É bronca. Deviam prender era os pernas-de-pau da Austrália e Japão. Qualquer coisa, coloca Cicinho. Tem nada não. E gol da Austrália! Caiu. Mais um brilhante trocadilho: “Esse empate cai como uma luva para o Brasil”. Caía. Quarenta e quatro minutos, Caiu vira a partida com um “chute flamejante da entrada da área.”
Três minutos de acréscimo para completar a angústia. Entra Oguro no lugar de Monivar, no Japão e GOL! “Alóise faz o terceiro para a Austrália. Eu disse que ia ter virada!”, brada o locutor. Eu não escutei isso, mas deixa para lá. Acabou o sofrimento. Que experiência. Vou indo pagar as contas atrasadas.
A próxima atualização será amanhã, antes do jogo do Brasil, com texto de Samarone Lima sobre o clássico Togo x Coréia do Sul.
Essas coisas que dizem durante a Copa...
domingo, 11 de junho de 2006
"Coisa" ruim
(por Inácio França)
Cancelei a presença numa farra, decorei trechos de livros de José Eduardo Agualusa e de Lobo Antunes para esnobar os leitores na crônica e, finalmente, me posicionei na frente da TV com um saquinho de amendoim. Aguardava pelo jogo Angola x Portugal desde o dia do sorteio dos grupos da Copa.
Havia um caráter ideológico para tamanha ansiedade. Angola foi saqueada pela predatória política colonial portuguesa durante séculos. Portugal não alisou na África e ficou agarrado ao osso até meados da década de 1970, quando saiu deixando um rastro de violência e miséria. Boa parte da sociedade portuguesa achou pouco e, atualmente, tem gente que ainda guarda uma dose de preconceito racial contra os angolanos que tentam a vida na Europa.
Além de tudo, seria a partida de um simpático time mais fraco contra a seleção vice-campeã da Europa.
Ou seja, tinha motivos de sobra para torcer por Angola na sua estréia em Copas exatamente contra os antigos saqueadores. Lembro que foi com esse estado de espírito que assisti à épica vitória do Irã em cima dos Estados Unidos, em 1998.
Mas eu tinha esquecido um detalhe.
Esse detalhe mudou completamente minha opinião e o alvo da minha simpatia ainda no início da transmissão: a bandeira da Angola é preta e vermelha, com uma foice amarela no meio. Preto, vermelho e amarelo!
Uma foice amarela! Tiveram a chance de escolher o branco e botaram amarelo no desenho da bandeira! Mau gosto da gota-serena da bubônica-do-rato. É a coisa africana. Ora, que se lasquem os angolanos. Quem manda não fazer nem a bandeira direito.
Pra piorar a camisa da torcida parece com a da Torcida Jovem.
Aí, lembrei que sempre fui com a cara de Felipão. Bom treinador, sujeito decente, pentacampeão mundial. E no banco ainda tinha Deco, brasileiro também. Ainda estavam tocando o hino quando comecei a falar sozinho: “Portugal tem que massacrar esses rubro-negros...”
O começo foi arrasador. Mais ou menos como fizeram nas colônias além-mar, o time de Portugal se mostrou disposto a acabar com a raça de Angola. Golaço aos quatro minutos, uma bola na trave no meio do primeiro tempo, e, como reação, uns ataques meio desajeitados dos angolanos. A guerrilha do MPLA era mais eficiente. Por falar nisso, o 21, um tal de Delgado, estava disposto a concretizar uma vingança histórica. Bateu demais. Do pescoço pra baixo era canela, do pescoço pra cima também.
Imbuídos do espírito dos colonizadores europeus, o time de Portugal passou a se comportar como se tivesse o direito natural de vencer os rubro-negros. Cientes da sua superioridade, passaram a enfeitar e fazer firula. O problema é que eles não têm jeito pra isso. Aí o jogo ficou sem graça, enjoado, daqueles que dá vontade de desligar a TV. O segundo tempo foi pior do que Equador x Polônia.
Com jogo amarrado, até que deu vontade voltar a torcer por um time que tem Zé Kalanga (dizem que o pai dele é dono de um pega-bêbo em Luanda), Locó e Jamba. Mas Angola é fraca de dar dó, apesar da vontade e da coragem os caras não acertavam uma jogada no ataque.
Faltava uns 20 minutos pro fim e eu percebi que já estava neutro, torcendo pro juiz acabar logo com aquela tortura e me liberar pra escrever, botar esse troço no ar e tirar um cochilo.
A próxima atualização no blog será amanhã à noite, com Marcel Tito escrevendo sobre um jogo que ele ainda não escolheu.
sábado, 10 de junho de 2006
Profunda análise dos sulanqueiros e galegos
sexta-feira, 9 de junho de 2006
Em campo, a segunda divisão da Copa
Equador 2 X 0 Polônia
(por Júlio Vila Nova)
A Copa do Mundo já viu jogos melhores. Mas, no final, foi merecida a vitória do Equador, o menos ruim.
Dois países com grande expectativa por sua participação nesta Copa, já que em 2002 fizeram pífias campanhas. Assim, deve ter rolado no velho continente muita vodka Wiborowa (uma das melhores, 700 anos de tradição, destilada de cereais) e muita chicha com cachaça nas redondezas da linha imaginária que divide o mundo ao meio (o google diz que chicha é a bebida típica de lá, feita de milho).
Foi uma edição do clássico confronto entre América do Sul e Europa, com representantes, digamos, de menor grandeza, uma espécie de segunda divisão na Copa. Nas arquibancadas, de um lado, morenas e gordinhos de chapéu panamá; e de outro, loiraças de olhos verdes e galegos de cara pintada. Em campo, uma seleção predominantemente negra, com nomes conhecidos (tinha até um Espinoza – vai-te !-, bom zagueiro até). De outro, uma escalação que é uma mistura de nomes de remédio para males intestinais, pulmonares ou vasculares. Uma escalação que dá para fazer uma boa quantidade de caça-palavras, para endoidar qualquer aficcionado nessa diversão.
Não deu pra sair de casa, e tive que assistir à transmissão global mesmo, acompanhado de duas cervejas, uma para cada tempo, pra não correr o risco de beber muito e esquecer algum detalhe. E o jogo, afinal, só teve mesmo alguns detalhes. A narração de Cléber Machado (acertei em não escolher um jogo transmitido por Galvão pé-no-saco Bueno) foi eficiente, embora sempre fique no ar a impressão de que a gente está sendo enrolado na identificação de Ktrgetdncowsky no lugar de Grzegorzjylawski. O comentarista, Noronha, não fez seu trabalho com mais empolgação porque não tinha nenhum time carioca em campo.
Sobre o jogo, por partes: a Polônia não é mais a mesma. Acabou-se a geração de craques como Lato (carrasco do Brasil em 74, eleito Senador em 2002, segundo algum site na internet), o goleiro Tomaszewski ou Boniek, jogadores que conquistaram dois terceiros lugares (em 74 e em 82). Futebol burocrático, pouca habilidade individual, relativa eficiência na marcação. E só. O jogo da Polônia não flui legal, é aquele congestionamento no meio campo ou aqueles lançamentos longos sem muito resultado. Dá para dizer que é complicado como o excesso de consoantes dos nomes dos seus esforçados atletas.
O Equador começou também jogando mal, um jogo truncado, muito por causa da Polônia, que não deixa ninguém jogar, com sua marcação chata. Mas saiu o primeiro gol equatoriano, de um lance de cobrança de lateral, o que mostra a falta de coisa melhor no jogo. Alguns lampejos de criatividade latina, mas pouco ainda para uma seleção que fez ótima campanha nas eliminatórias, terminando em terceiro lugar, inclusive tendo vencido Brasil e Argentina, em Quito. E acabou o primeiro tempo, parecendo que a gente tinha visto CRB e São Raimundo, ou coisa que o valha.
No segundo tempo, para a surpresa geral de toda a torcida que acompanhou o jogo nos quatro cantos do mundo...não melhorou quase nada! Mas a Polônia foi mais à frente e meteu duas bolas na trave, já no final da partida. Poderia ter tido sorte melhor. O Equador marcou o segundo gol aos 35 do segundo tempo, e conseguiu segurar até o fim. Aos 32, havia entrado em campo o valente Kosowski (com três vogais no nome), pela Polônia, ajudando um pouco mais seu time com algumas jogadas pela direita. Essa substituição também ajudou um pouco também o narrador, porque ele entrou no lugar de Stamprakjfgtuiwski.
Nos minutos finais, um olé da torcida equatoriana, na onda da farra do mundial. É o nosso jeito sulamericano de tirar onda. Um outro lance curioso da partida revelou bem esse jeito: aos 43 do primeiro tempo, o goleiro Mora demorou para repor a bola em jogo, e aí o juiz japonês Kanikama Sashimni Yamaha corre até ele para adverti-lo. O goleiro, cara pintada com a bandeira equatoriana, diz amigavelmente “Muy bien, japiña, quedese tranqüilo, muchacho !!”, e dá um tapinha cordial no peito do árbitro. Comentário do narrador global: “o goleiro demonstra até uma certa intimidade com o juiz”.
Valeu, minha gente !
Saudações corais !
A próxima atualização do Blog será no sábado à tarde, com texto do jornalista João Valadares sobre a partida Inglaterra x Paraguai.















