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quinta-feira, 29 de junho de 2006

Uma Copa de seis meses, pelo amor de Deus!

Por Samarone Lima Amigos corais, a julgar pelas últimas notícias oriundas do nosso glorioso Santa Cruz Futebol Clube, tenho sentido um desejo profundo, irreversível e universal, uma vontade delirante de que a Copa do Mundo se prorrogue até dezembro do corrente ano, quiçá fevereiro de 2007, para a gente brincar o Carnaval em paz. Fui informado que foram contratados os craques Pelé e Márcio Mexirica. Quem ficou feliz foi o meu amigo Inácio França, que vai realizar um sonho antigo de jornalista: entrevistar o Pelé, tirar uma foto junto com o Rei e emoldurar para dar de presente ao pai. Bem, não era exatamente este Pelé que Inácio pretendia, mas cacete, também não vamos ficar botando banca! Mas, voltando ao assunto, meu medo é somente um: o fim da Copa, e o reinício do Campeonato Brasileiro. Medo não, quase uma síndrome de pânico. Vamos pegar de frente, logo no primeiro jogo, a Associação Desportiva Goiás, e peço a Deus que nos proteja. Outro dia, encontrei o valoroso Álvaro Claudino, assessor de imprensa do Mais Querido, ficamos bebericando num boteco perto da minha casa, mas evitei fazer perguntas sobre o andamento dos trabalhos no nosso clube, os nomes cogitados para serem contratados etc. Por precaução, puxei uma cadeira do lado oposto da mesa, e comecei logo a falar sobre a liga de Rugby na Escócia, porque sou aficcionado por Rugby. Álvaro, por sua vez, passou a falar de dominó, e tudo ficou bem. O paradoxo é que fico num conflito existencial de proporções bíblicas, envolvendo a razão (que informa sobre a precariedade do nosso time) e a emoção (que não vê a hora de retornar ao Arruda). Para piorar a situação, encontrei os integrantes da Sanfona Coral, e todos eles só falam em uma coisa: o retorno ao estádio. Mas a realidade está aí, com suas garras afiadas, bate com força nos meus ombros e informa que a Copa termina dia 9 de julho. Uma possível vitória do Brasil vai ser legal, uma derrota já não me comove tanto. Ruim mesmo será retornar de mal jeito e continuar levando lapada, como vem acontecendo. A julgar pelas contratações sensacionais que estão acontecendo, vou começar a acender minhas velas e invocar o velho Padim Ciço. Aceito sugestões de algum santo mais poderoso ou eventuais orixás.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Jarbas: camisa 8 de pouco papo e muita bola

O Santa de 1984: Luís Neto, Celso, Heraldo, Almeida e Marco Antônio (em pé); Henágio, JARBAS, Ivan, Ângelo e Cândido (agachados).

Jarbas, empresário em 2006

Cansamos de Copa. Cansamos dos inúmeros comerciais e nenhuma bola de Ronaldinho Gaúcho. Cansamos da cobertura de TV feita por idiotas e para idiotas. Cansamos do futebol prisão-de-ventre da seleção de Parreira. Cansamos dos jogos chatos e esquemas táticos covardes de quase todas as seleções.

A partir de hoje, voltaremos a falar do objeto da nossa paixão, o Santa Cruz Futebol Clube. Copa do Mundo, só quando o assunto valer a pena ou o texto for inspirado.

E, para voltar a falar do Santinha, fomos a Boa Viagem procurar Jarbas, um excelente meia que passou pelo Arruda há duas décadas.

*****

por Inácio França

Depois de conquistar o título pernambucano de 1983, o Santa Cruz voltou à divisão principal do Brasileirão no ano seguinte reforçado de jogadores jovens, vindos em sua maioria do futebol paulista. O capixaba Jarbas, um veloz meia-direita do Botafogo de Ribeirão Preto, foi um deles.

Quando desembarcou no Recife, Jarbas carregava na bagagem a juventude dos seus 23 anos e a experiência de ter atuado nos maiores centros do futebol da época: depois de sair do pequeno Linhares, do Espírito Santo, passou pelo Bangu, pelo Democrata, de Governador Valadares (MG), e pelo próprio Botafogo.

Localizado pelo Blog do Santinha, Jarbas ficou surpreso com nossa intenção de entrevistá-lo para matar as saudades da torcida tricolor. "Olha, podemos conversar, mas vou logo avisando que eu não sou assim tão coberto de glórias". Essa discrição já o acompanhava em campo: era um daqueles jogadores que os comentaristas esportivos dizem que "jogam para o time".

"Disputei o Campeonato Brasileiro de 1984 e depois passei uma temporada no Náutico. Fui tricampeão pernambucano: uma vez pelo Náutico e bi pelo Santa, em 1986 e 1987", recorda o antigo meia, que saiu do Santa direto para o Beira-mar de Portugal.

"Eu me movimentava bastante e era rápido com a bola nos pés. Muita gente não sabe, mas há uma diferença entre ser veloz e ser veloz com a bola. No Santa, tive como companheiros de time jogadores inteligentes e habilidosos como Henágio e Marlon. Aí era fácil jogar".

Ele passou cinco anos no clube português e ajudou a levar o time à decisão da Copa de Portugal, na melhor temporada da história do modesto time. Voltou a Pernambuco e encerrou a carreira com apenas 33 anos, jogando pela barbie o campeonato estadual de 1992. Casado com uma pernambucana e apaixonado pela cidade, ficou por aqui.

"Voltei de Portugal já com o plano de abrir uma loja de material esportivo. Como deu tudo certo, larguei o futebol e virei empresário", contou durante nossa conversa na filial da loja Futebol do Brasil, na avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem (a matriz fica no Bairro Novo, em Olinda).

No fim da conversa, a pergunta inevitável: por qual time ele torce em Pernambuco? "Sou tricolor, é lógico. Há uma diferença enorme entre as torcidas do Santa e do Náutico. A torcida tricolor é completamente louca pelo time, é uma massa apaixonante. Lembro que, quando o ônibus chegava ao Arruda, já havia de 500 a 1.000 torcedores nos esperando e incentivando. Nunca vi algo assim em nenhum outro lugar por onde passei".

Julguei que ele estava fazendo média comigo e com os leitores do Blog e o questionei. Jarbas foi categórico: "Meu filho joga Futsal no Náutico. E lá todos sabem que sou tricolor. Digo isso para qualquer um".

segunda-feira, 26 de junho de 2006

A TV que está dando carrinho por trás na cobertura da Copa

Por Samarone Lima Para quem esperou tanto tempo pela Copa 2006, fez preparação para a cobertura com amigos do Blog do Santinha, guardou a tabela no mural principal da casa e teve a sorte de estar trabalhando somente duas vezes por semana (na parte da manhã), eu deveria estar exultante, feliz, comentando o andamento do torneio. Mas amigos, aqui vai uma confissão, um desabafo: essa TV Globo está conseguindo transformar o espetáculo, a festa, numa repetição interminável de clichês, lugares comuns, falta de criatividade. Usando a linguagem futebolística, diria que a Globo está dando carrinho por trás na cobertura da Copa, e já deveria ter sido expulsa. Tem hora que dá é raiva mesmo, e me dá saudades do Arrudão. Aqui vai o pedido, o abaixo-assinado: um joguinho do Santa, pelo amor de Deus, para a gente desanuviar! Pior é saber que teremos que agüentar essa maresia televisiva até o último jogo. Eu não suporto mais essas matérias idiotas, mostrando a torcida da Inglaterra num bar-cheio-de-ingleses, que começam a gritar "England" a cada flash. Eu não agüento as matérias sobre Portugal, mostrando a "comunidade portuguesa" dançando "o vira", fora as intermináveis-matérias-sobre-a-culinária-alemã. Eu não agüento mais as matérias sobre os imigrantes alemães, holandeses, poloneses, croatas, falando que os avós vieram, e amam o Brasil etc. Sei que são tudo gente boa, ajudaram a povoar o Brasil, mas amigos, tem uma hora que a repetição é a maior demonstração de burrice. Oinc, oinc, oinc, TV Globo (tentei imitar um burro, não sei se é assim, fica a tentativa assim mesmo). Sobre o Galvão Bueno, não vou comentar. Anotei uma dele de um dos jogos: "Ele caiu de mal jeito, deve ter doído". Não diga. Domingo, você só tem o Fantástico para ver os melhores lances. Aparece então o Pedro Bial, com aquelas matérias "cabeça" que dão mesmo é dor de cabeça, a mistura açucarada de pseudo-poesia com textos fraquíssimos, e fico espumando na cadeira: cadê algo nelson rodrigueano? Não há drama na Copa? Não há sofrimento? Onde estão os personagens? Meu consolo tem sido assistir aos jogos perto dos amigos, de preferência os que falam alto. São os momentos em que esqueço que todos os jogos da Copa são exclusividade da Globo. Então, vejo a criatividade dos amigos, e fico um pouco aliviado. No último jogo, no Fernando´s, coletei estas pérolas salvadoras: "Só quem não vai para casa, se perder, é a Alemanha" (Garoto). "Travesti não tem endereço: travesti aparece" (Ibdem) "Recife tem 15 mulheres para cada homem, e 6 frangos para cada homem". (Ibdem) "Bola perigosa, heim!" (num chute que foi bater na arquibancada) "Acho que beber é do caralho. Ruim é não ter fígado" (Farfan) Sigo assistindo aos jogos aqui em Seu Vital, mas já perdi esperanças de ver uma cobertura ao menos razoável, e de ganhar um bolão na vida, um reles, magro, pequeno e econômico bolão. Já combinei com Inácio - na próxima Copa, faremos a cobertura de lá mesmo. Pelo que ando vendo pela TV, a Alemanha está lotada de tabacudos do Brasil. Tabacudo por tabacudo, prefiro eu e Inácio num boteco, tomando uma cerveja e falando nossas lorotas.

Tricolores na Copa & resultado da enquete

Provavelmente o fotógrafo estava embriagado no momento do click
Luís fazendo pose antes da partida contra o Japão
por Luís Oliveira, enviado a especial a Alemanha Só hoje tive condições de acessar novamente a Internet. Foi aí que descobri ter sido nomeado enviado especial do Blog do Santinha. Aceito a nomeação com muita honra e aviso que encontrei outros tricolores nos jogos do Brasil. Em Munique, pouco antes da partida contra a Austrália, conheci os amigos Jeová e André, tricolores aí de Recife. Na mesma cidade, conheci Johnny, que não parece, mas é dinamarquês e casado com uma pernambucana. Tornou-se torcedor coral por influência da família da esposa. A camisa tricolor foi um presente da sogra que, neste caso, deve valer como uma segunda mãe. As fotos foram tiradas do lado de fora do magnífico Allianz Arena, estádio construído pelo esforço conjunto dos dois maiores times da Bavaria e sobre o qual pesam graves denúncias de desvios de verbas. Deve ser horrível viver num país onde há tanta desonestidade no futebol... No jogo contra o Japao, só fui encontrar tricolores do lado de fora do estádio (Zé Neves e Romero Neto também estavam em Dortmund, mas graças a Deus só fiquei sabendo disso por Pedro Silva - repórter da Rádio Jornal, pois jamais tiraria fotos com eles). Mando uma minha de dentro do estádio do Borrussia, onde o Brasil goleou em 2006 e apanhou da Holanda em 74. Como o jogo terminou às 23h da quinta, já estava de noite quando pude encontrar novamente os torcedores corais, por isso a foto não está legal. Mas fizemos um senhor carnaval.

Nota da redação: por misteriosas dificuldades técnicas do Blogspot só conseguimos publicar as fotos enviadas de Dortmund.

*****

Eis o resultado da última enquete promovida pelo blog: dos 109 votantes, 43 (39,45%) acreditam que Wilson Surubim repetirá seu excelente desempenho com as garrafas e péssimo com a bola. Ou seja, quase 40% dos leitores do blog apostam que a cartolagem do Santa Cruz fez (mais uma) péssima contratação.

Logo depois, com 28 votos (25,69% do total) aparecem aqueles otimistas incorrigíveis que acreditam na completa recuperação do volante.

Vinte e cinco votantes (22,94% do total) acreditam que o time voltará a vencer, mas Wilson Surubim não deixará de beber por causa disso. Outros 13 tricolores (11,93%), acreditam que ele vai pegar leve nos dias de jogo, mas não irá abrir mão do álcool.

domingo, 25 de junho de 2006

De festa na Copa

por Júlio Vila Nova "Bendito seja, bendito seja, O alemão que inventou a cerveja !” Invoco esses versos bem simples, refrão de uma música do nosso amigo tricolor Bráulio de Castro, gravada na voz de Benito Di Paula (sucesso nos idos dos 70), para celebrar, daqui do Janga, a festa que é a Copa do Mundo. Aquilo ali deve ser um carnaval arretado! Fico sabendo que, na volta de uma breve turnê pela China, a orquestra de outro amigo tricolor, o maestro Spok, foi convidada para uma canja em Frankfurt, antes do show de Gilberto Gil. E viva o Frevo na China ! e na Alemanha! Devo confessar, meus amigos, que nunca nutri nenhuma admiração particular pelas coisas da Alemanha, mas não dá pra negar que é admirável a beleza das galegas e invejável a fartura das canecas de todo tipo de cerveja. Pra encurtar a história, fizeram uma troça por lá, com gente pedindo pra ouvir o hino de Elefante e de Ceroula. Deve ter rolado muita cachaça do Togo e muita celebração em todos os sotaques ! Reconheço a ruindade de muitas partidas, e deposito as esperanças na próxima fase, quando ficarão os melhores, depois da peneira imposta pela qualificação e muitas vezes pelo peso do apito dessas arbitragens tipo Rio Grande do Sul, como já lembrou Inácio. Mas vamos seguindo! A verdade é que vi poucos jogos. Empolguei-me com as torcidas, sobretudo as da África – e ainda a coreana, que galera animada ! Confesso que é um negócio indigesto ver Maradona vibrando com seu bom time argentino! Puta que pariu! Melhor que ele ficasse fumando seu charo cubano nos arredores de La Plata. A Copa está se desenhando e vamos encarar Gana. Agora começa o vamo-ver-pra-valer. Sem mais! Vou terminar pedindo licença para uma transcrição. Como muitos dos leitores de Samarone, aprendi com ele a aguçar os ouvidos para a riqueza do discurso de nossa gente. Não pude deixar de anotar alguns lances dessa conversa, travada em um boteco no Pátio de S. Pedro, pensando já na Copa de 2010 ou 2014: UM: ”A África do Sul não tem nada a ver com a África.” OUTRO: “Rapaz, fala besteira, não. A África do Sul é um país da África!” UM: “A África é um continente, não é um país. Tu tais doido ?” OUTRO: “Sim, e a África do Sul fica então em qual continente ?” UM: “Tá bom, é melhor a gente parar de discutir. Você já tá falando demais!” OUTRO: “Então me diga em qual continente fica a África do Sul ? Não é na África ?” UM: “É lá onde vai ser a próxima Copa!” OUTRO: “E então, miséra! Não é na África do Sul ? Me diga, então, por que a África do Sul não está jogando ?” UM: “Por que não ganhou nas eliminatórias!” OUTRO: “E então, ela disputou com quem ? Não foi com as outras seleções africanas, tipo Nigéria, Gana, Congo, Camarões, Marrocos?” UM: “É, agora fudeu foi tudo. Ei, Carlão (para o dono do bar): Bota aí um sanduíche de pão marroqui com camarão e uma cerveja,”. Valeu ! Em outro bar: CLIENTE: O Brasil até agora decepcionou pra caramba ! GARÇOM: É. O pobrema é que fizeram muito “inflame” em cima dos caras (???)

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Preparem-se para a roubalheira

O doutor, durante o bate-papo em outubro do ano passado
por Inácio França Por conta de um compromisso profissional, em outubro do ano passado convivi com o doutor Sócrates durante quase dois dias. Viajamos para João Pessoa, onde ele disputou uma partida beneficente. Bebemos antes e depois do jogo. Só não bebemos durante porque a festa era politicamente correta, mas sede não faltava ao antigo craque das Copas de 82 e 86. Conversamos sobre política, futebol e sacanagem, três assuntos que se misturam fácil fácil. Em determinado momento, quando futebol e política estavam no mesmo papo, Sócrates lembrou que na estréia da Copa de 1986, a seleção ganhou da Espanha de 1 a 0, gol dele, graças a um erro do juiz, que não viu a bola bater dentro do gol numa cobrança de falta dos espanhóis. "Só fosse a nosso favor, ele tinha marcado", ele garantiu. Aí, perguntei se ele acreditava que, até em Copa do Mundo, havia resultado encomendado e juiz roubando pra determinados times. Sócrates nem piscou: "Óbvio que sim! E na Copa esse tipo de coisa é ainda mais forte. Quando há muito dinheiro envolvido, os donos do poder manipulam para lucrar o máximo que podem e não podem. E qual outra competição envolve tanto dinheiro? Ou seja, envolve tantos interesses e tanta gente poderosa? É evidente que os juízes roubam e fabricam resultados." Lembrei das palavras do doutor na atuação de Carlos Eugênio Simon no Itália x Gana. Não tenho dúvidas que ele teria marcado, se pestanejar, aqueles pênaltis se eles tivessem sido a favor dos italianos, um país europeu, cuja fanática e endinheirada torcida está ali, a um pulo da Alemanha. A Fifa, em débito com os italianos desde 2002, quando teve que ajudar os coreanos para manter o interesse dos orientais na Copa, praticamete quitou sua dívida com a Fedecalcio, a CBF da Itália. Simon foi o office-boy que fez o pagamento. E o ladrão paraguaio Carlos Amarilla? Será que há algum ingênuo capaz de dizer que o safado "não viu" os dois pênaltis? Ora, foram os pênaltis mais pênaltis desse Mundial. Além de ajudar a Suíça - vizinha da Alemanha e cheia dos trocados também - , a FIFA, por meio do sujeito de apito, se livrou de Togo, uma seleção que estava dando o maior trabalho, com os jogadores ameaçando fazer até greve se os cartolas não pagasse o bicho prometido. Imaginem se Togo ganha e chega na última rodada com chance de classificação e em greve? Agora é que vai começar a roubalheira pra valer. Foi nas oitavas-de-final da Copa de 2002 que a Bélgica teve um gol legítimo anulado no jogo contra o Brasil. Também foi no mata-mata que a Itália recebeu uma ajudazinha do juiz contra a Nigéria, em 1994. E por aí vai. Sou capaz de apostar que, dos quatro jogos já definidos a segunda fase, o de maior risco do juiz meter a mão será Equador x Inglaterra, um afoito time sul-americano contra uma medíocre seleção européia, porém com o maior tempo na fila sem títulos e de segunda maior torcida na Copa.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Anotações aleatórias e inúteis sobre Arábia Saudita de Regatas 0 x 4 Ucrânia Futebol Clube

Por Samarone Lima Barzinho no Recife Antigo, começo do jogo Arábia x Ucrânia. Estou aqui, a serviço do Blog do Santinha, e daqui a pouco sai o gol da Ucrânia. O dono do bar, um tricolor convicto, solta esta pérola: "Na Copa passada, cada jogador da Arábia ganhou um carro de ouro. Agora, cada um vai ganhar uma surra de presente. Tira a camisa, que lá vai chicote!" O Casagrande comenta: "O goleiro escorregou. E o goleiro não pode escorregar". Não me diga... José Roberto Wright, um dos piores árbitros-ladrões do futebol brasileiro, erra comentários até olhando pela TV. O garçom me serve uma Brahma e confessa, na surdina: "Tomei uma bicada doida no jogo do Brasil...Não sei nem como cheguei em casa". Vem um cliente. Lá vai o garçom. Ele atende assim: "Diz, poeta..." Chega um vendedor de CDs falsificados, aqueles de R$ 5,00. Pára defronte ao bar e deixa o som ligado, na maior altura. Todos ficamos espumando. "Ô mago, a gente pode ver a Copa?" - , grita um gordinho, com cara de Bussunda. Um sujeito muito magro pede o almoço completo e mais dois pães. O fila-da-puta come tudo e devora os pães numa boa, limpando o prato. É aquele famoso magro de ruim. Três a zero para a Ucrânia. "Merece uma pisa mesmo", diz o dono do bar. "E vão levar lapada, quando chegar em casa". Tomo uma decisão radical: assistirei a próxima Copa, seja onde for, ao lado de amigos da velha guarda, como Inácio, Joãozinho Peruca, o magro Valadares, Marcel Tito, Bruno "Mijote" Fontes, K2, Gerrá, Chiló & Cia. Melhor: vamos com a Sanfona Coral para a próxima Copa. "Esta Copa não está com alavanca não. A turma está muito mole", completa o dono do bar, e já não estou entendendo mais nada. Chega um sujeito, levanta a camisa. O peito está cheio de cicatrizes, parece que ele estava no incêndio do Joelma. "Dá para o senhor me ajudar?" Eu só ajudo bêbados e vagabundos, penso em lhe dizer, mas fico na minha. O dono do bar responde, muito seco: "Não, amigo, não dá para ajudar não". O cara responde: "Muito obrigado, chefia". Um cliente chega e diz: "Já está dois a zero para o Congo?" Nesse momento, a Ucrânia faz 4 x 0 e vou embora, antes que venha mais um sorteio do Faustão. Na saída, um sujeito toma uma dose de Pitú e comenta, bem suave: "Eu só vivo calmo". É, quem me dera toda esta lerdeza, meu amigo, quem me dera toda esta lerdeza...

Um ano muito esquisito

por Paulo Araújo Eu não me considero supersticioso, quer dizer, eu não me considero muito supersticioso, mas confesso que ando desconfiado desse ano de 2006. Vou logo aos fatos e às provas, pois alguém puramente racional não pode ficar baseando suas suspeitas em achismos (dá azar fazer isso...). 2006 já começou em dezembro do ano passado, com a renovação de vários jovens talentos do Santa Cruz, como Roberto e Carlinhos Paulista. Antes do início do Pernambucano, muitos tricolores apostavam no bicampeonato com o pé nas costas. "Sei não", eu dizia, "Sei não, estamos em 2006". Sai Givanildo, vem a confusão de Tubarão e Bala, vem Giba e entregamos uma invencibilidade de mais de 40 partidas no Arruda e o título aos bossais da coisa, os "argentinos" da Ilha da Fantasia. Típico de 2006. Sai Giba, vem Espinosa e a invicta e inédita série de dez partidas sem vencer, acompanhada da desonrosa lanterna. A Copa traz um alento temporário, mas somente neste ano tivemos o dia 6-6-6 (que, para quem acredita, é o número do anjo caído. Vade Retro!). O Brasil favoritíssimo faz uma estréia de regular a ruim, Ronaldo Fenômeno imita Val Baiano e depois ainda vimos a Argentina, cujo povo se orgulha, como alguém já disse, de um império que nunca existiu, meter 6 x 0 (olha o seis aí de novo: tem algo muito estranho) na Sérvia-Montenegro. E logo numa sexta-feira, dia de Exu parece. Mais: a sexta-feira caiu no dia dezesSEIS. Pavor total. Por falar na seleção da Argentina, considero-a "a coisa" do futebol mundial: bossais, julgando que têm o maior jogador do mundo, tudo lá é melhor, há muito não têm nada e seu maior adversário é que é o maior. Assim como sempre associei a Holanda a um time da Rosa e Silva, pois é aquele apagadinho que mesmo com bons times não consegue o que quer. No entanto, não me impressionei com esse "chocolate" platino em um time que nem país é mais: a Sérvia e o Montenegro formalizaram a separação pouco antes da Copa, deve estar havendo uma briga interna ou desmotivação muito grande e certamente o sentimento de equipe sumiu. Para quem não entende de geopolítica, deve estar ocorrendo com a seleção desses agora separados países o que ocorreu no Santa Cruz este ano na Primeira Divisão, ou seja, tem grego e troiano juntos. No sábado 17, acordei bem disposto e fui bater minha pelada. Contrariando algumas poucas pessoas mal informadas, meu futebol mantém a média, apesar do peso, da idade e de três cirurgias nos joelhos. Fiz até gol hoje, o meu terceiro este ano, só podendo acompanhar o jogo de Portugal e Irã quando não estava soberano no campo. Gol meu, gol de Deco, gol de Cristiano Ronaldo, Felipão e vitória de Portugal, vi que o dia prometia. Já durante as cervejas pós-pelada, acompanhei e torci pela seleção de Gana – com um futebol tipicamente africano, como pedia Samarone: agilidade individual, alegria e irresponsabilidade – contra a seleção da República Tcheca (que de simpático só tem a lembrança que o nome da república me traz). Confesso, porém, que antes da vitória de Gana, 2006 se fez presente de novo e me recordou que ainda faltam 6 meses para ele ir embora para sempre: um ataque cardíaco tinha levado o humorista Bussunda para outra dimensão. Fiquei triste, acompanho a Turma do Casseta e do Planeta desde quando faziam uma revista e um jornal chamados Casseta Popular e Planeta Diário, com uma renovação, à época, de um humor que há muito não trazia novidades. Foi embora pouco antes de comemorar seus 44 anos de vida e na certa não atentou, daí não tomou cuidado, que estava vivendo em 2006. Foi embora Bussunda, ficando seus personagens futebolísticos mais famosos, quais sejam Marrentinho do Tabajara Futebol Clube e Ronaldo Fofômeno, com uma ironia, que é perceber que hoje, pode ser que amanhã não, Marrentinho e Ronaldo Fofômeno foram incorporados pelo verdadeiro Ronaldo Fenômeno, seja pelo peso, seja pelo inexistente futebol. Vai ver que foi uma homenagem antecipada a Bussunda prestada pelo namorado de Raica, aquela modelo magrinha onde devem caber lá dentro umas cinco Juliana Paes... Por isso tive a certeza que a Itália não passaria tão fácil pelos EUA. Claro que torci pela Itália, sou um admirador da comida italiana, do campeonato italiano, de vinho, do Império Romano, do Coliseu, de Roma (não do time da Roma, tampouco do Milan, por causa das cores), enfim, um país em que moraria sem dificuldades – eles têm até duas instituições muito conhecidas por nós brasileiros: motorista ruim e máfia. Go home, Yankee. Nada de George Bush, USA, junk food, etc. Não deu, 2006 foi bonzinho e deixou o empate. Ainda bem que 2006 não enxerga direito e no domingo enfrentamos um time de cores verde e amarela também. A esperança de que ele pode se confundir foi confirmada e confirmamos nosso favoritismo. Por falar nisso, é bom não precisar de pontos para nos classificarmos contra o Japão; é que o técnico deles já perdeu 4 Copas – 1978, 1982, 1986 e 1998 – e dá uma azar medonho ao Brasil, como fria, racional e corretamente lembrou o meu irmão. Sem contar que se 2006 fizer o que está pensando, a taça vai para Los Hermanos, provando que desgraça pouca é bobagem. Porém, pensar nisso é muito pessimismo para quem tem de esperar por milagre este ano na Primeira Divisão. Boa sorte a todos, principalmente a nós tricolores, que sonhamos que o Santa Cruz pare de ser perseguido por 2006 e que guardamos um pouco de sonho para o nosso 6º (olha o seis de novo, não estou dizendo!) título mundial. Desse jeito, acho que o Santa Cruz será o 6º colocado, no mínimo o 6º de baixo para cima, que implica ser o 15º colocado e que 1+5 é seis, que...

sábado, 17 de junho de 2006

Heiligekreuz*

Fotos acima: Luís Oliveira (de verde-amarelo) e tricolores no estádio Olímpico de Berlim, na terça-feira, 13 de junho (Brasil 1 x 0 croácia)

Marcelo Ribeiro visita as obras do estádio Allianz Arena, de Munique, onde o Brasil jogará contra a Austrália

Luís Oliveira, freqüentador assíduo do Blog do Santinha está acompanhando a Copa do Mundo in loco. Direto de um cyber café em Praga (capital da República Tcheca), onde foi passear depois da partida contra a Croácia, Oliveira nos mandou duas fotos de tricolores que encontrou no estádio Olímpico de Berlim. Desde já, Luís está nomeado como nosso enviado especial a Alemanha e adjacências.

Marcelo Ribeiro publicou está foto em sua página no orkut e nos avisou por meio de um comentário da página da coluna Folha Seca, publicada no site do Diário de Pernambuco (www.pernambuco.com/copa/folhaseca). Segundo ele, o engenheiro alemão que também aparece na foto (de capacete branco) informou que a camisa tricolor foi a primeira de um time brasileiro a entrar no Allianz Arena. É o Arruda de Munique.

* Segundo o dicionário Michaelis, Heiligekreuz é Santa Cruz em alemão.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Juarez fala mais uma vez

Kaká aproveita a Copa para tirar o queijo

Fenômeno? só se for de gordura

por João Valadares

Depois do jogo do Brasil, o repórter João Valadares voltou a conversar pelo interfone com o porteiro Juárez, comentarista exclusivo do Blog do Santinha. Acompanhe a conversa:

- Alô. É Juarez?

-- É.

- Juarez, é João porra.

- Diga, seu João.

- Tô tentando falar contigo faz tempo e nada. A galera gostou pra caralho do teu comentário. Foi sucesso total.

- Foi mermo foi? Oxe. Essa galera sabe porra nenhuma de futebol, né?

- E então. Disseram que tu era o cara. Que entendia do negócio.

- Eu entendo mermo é de mulé, mai de futebol eu observo um pouquinho. Tu viu que o homem da meia-noite que fala inglês botou pra dentro hoje né? Eu num te disse. Futebol é assim porra. Da feiura, sai uma mulé do carai. Ele fei um gol de matador. É bola na rede. O jogo é esse. Tem coisa mai linda do que a bola no filó? Então pronto. Como disse aquele cara: "feio é não fazer".

- Sim. Faz tempo que tô tentando falar contigo. Os porteiros daqui do prédio disseram que tu tava trabalhando à noite agora.

- É. troquei para assistir o jogo do Brasil domingo em casa.

- E você viu o jogo do Brasil contra Croácia?

- Vi rapai. Claro que vi né? Foi uma mulé com um menino atravessado aquela porra daquele jogo. Onze parteiras e o menino não nascia nem com o carai. Pense num nó cego e ainda molhado. Puta merda. A merda tava pronta, mai num descia nem com o carai. Quase morro. Que negócio ruim do carai. É aquele mulé que o cara quer comer e quando come é uma meiota. Um negócio forçado. O povo chama de meia foda. Sabe como é né? Foi aquele jogo.

- Você achou que nossa seleção foi bem?

- Bem um carai. Me arreto quando escuto o povo falando que o começo é assim mermo. Pode ser, mai a gente tem que botar para torar. A gente tem o melhor time do mundo. Tem que botar na caneta, tirar onda mermo. É disso que gosto. Brasil jogou feito Alemanha. Futebol feio do carai. Brasil é Brasil. Brasil é banho de cuia carai.

- Mas a gente ganhou. E tu não falou que da feiura sai uma mulé do carai quando a bola entra na rede?

- Mai a nossa feiúra é bonita. A nossa feiura é Ronaldinho. Eu já tô achando ele "bunitinho".

- Então você gostou?

- Gostei nada. Ganhou de zero a um só.

- Zero a um?

- É. Aqueles "croácios" tavam jogando em casa né? Só tinha barbie naquela porra. A gente suar para ganhar de uma merda vermelha e branca é foda.

- Mas são três pontos.

- E é basquete é? Juro a tu. O Brasil perdia pra o Cabeça de Calango lá do Ceará, aquele time que te falei. Sou capaz de apostar minhas duas pirralhas. Se Girafinha tivesse inspirado não tinha para ninguém. O Cabeça de Calango botava pra torar.

- E Ronaldo, o fenômeno?

- Aquele puto. Fenômeno de gordura. Tá jogando com o nome. Acho que levou outra gaia. Li que ele passou mal e foi para o hospital. Se eu fosse o presidente da CBF proibia Pêdu Bial de ir fazer reportagem na Copa. Tenho para mim que ele passou a perna naquela nêga de Ronaldo. O bicho tava pior do que em 98. Essa gaia foi valendo meu véi. É ponta na Alemanha.

- Será?

- Ói. Sei não. Gaia endoida um, véi. Conheço um cara chamado, Zé Zebu. Pense num cara pra levar gaia. Até hoje ele nem fala, nem anda, nem enxerga direito. Mai aquele puto não tá jogando é nada. E os fela da puta dos jornalistas ficam defendendo. Ele pode até guardar um golzinho, mai hoje no meu time ele come banco. Banco de igreja. Daqueles duros. Pra bunda dele ficar queimando.

- Tu queria ele no Santa?

- Rapai, pergunta difícil. Acho que queria. Sei não. Ele é melhor que aquele atacante da gente.

- É. Acho que é.

- Parreira disse que Ronaldo estava com problemas. Disse também que ele tinha currículo.

- Problemas? O cara ganha mai dinheiro do que 20 milhões de porteiros juntos. Tem uma mulé do carai em casa. Tem uma casa do carai. Eu ganho uma miséra e ainda me considero um cara calmo. Problema é a minha pomba. Currículo? Então bota Pelé, porra. Pelé tem mai currículo. Currículo? E ele quer emprego essa fela da puta? Mai, acho que ele vai ficar melhor porque baixou a bolinha. Nada melhor do que a humildade.

- E quem foi o melhor jogador?

- Foi, por incrível que pareça, os dois zagueiros, Juan e ruim.

-- Foi?

- Lúcio é foda. Quando ele ataca, só falto endoidar. O cara tem 12 pernas meu véi. Tropeça na bola. A bola tem medo dele eu acho. E ainda é o melhor zagueiro do estrangeiro.

- E Ronaldinho Gaúcho? Jogou bem?

- Rapai. Ele num tá botando para torar não, mai ele é foda visse?Teve uma hora que tinha quatro bicho grandão nele e o doido num caiu. E ainda derrubou dois fela da puta. Aquela porra tem cola na chuteira. É uma miséra. Ele vai jogar mais nesse jogo de domingo. Pode escrever.

- E Kaká?

- Jogou mais ou menos. Sabe como é né? Fei o gol né? Aí vira um monstro. Futebol é isso. Tu sabia que aquele puto casou donzelo?

- Foi. Fiquei sabendo

- Rapai. Tu acredita num puto que casa donzelo? Seio não. Mai tudo bem. Que ele tire o queijo dele na copa. Desconte nos goleiros dos outros times.

- E domingo?

- Segunda tu liga pra mim que eu faço minha análise. É uns 3 a zero.

- Eu tu acha que o Brasil vai ser hexa?

- Rapai, se Cafu for preso é. Tô torcendo pra Cafu ser preso. Algemado no mei do campo.

- Tu tá doido.

- Pense comigo. Os caras iriam comer a bola pra dedicar o título ao amigo. Todo gol era pra Cafu. Todo jogo ia ter uma faixa. Eles iriam jogar pra soltar o amigo. Tô torcendo por isso. E ainda mai Cicinho joga mai que ele. Mai parece que a "puliça" da Itália cagou pra dentro. Espero que a gente bote a merda para fora.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Até no bolão...

por Marcel Tito Cinqüenta pessoas participam do bolão onde trabalho. Assim como o Santa Cruz, ao fim da primeira rodada de todos os grupos da Copa do Mundo, sou o lanterna. Apenas seis pontos marcados de 48 possíveis. Um aproveitamento de 12,5%. A situação do tricolor deve-se a vários fatores. Diretoria, técnicos e, claro, aos atletas – se é que podem ser chamados assim. No meu caso, antes que digam que não entendo nada de futebol e meu emprego fique realmente ameaçado, as justificativas: Wanchope e assistentes - Marquei Alemanha 1 x 0 no jogo de abertura, mas o trio de arbitragem deixou de marcar um impedimento claro do atacante Wanchope. Tudo bem, o primeiro gol do desgraçado foi em posição legal, mas o segundo? Prejuízo causado pelo trio de arbitragem argentino. Só podia. Apenas um ponto marcado, já que o Equador resolveu jogar bola e venceu a Polônia por 2 x 0. Bobo? – Se Gamarra deu uma ajudinha, um tal de Bobadilla me atrapalhou em Paraguai 0 x 1 Inglaterra. O goleirinho paraguaio defendeu tudo e se tornou um sério candidato à judas neste ano. Eficiência que faltou aos atacantes suecos, que empataram com Trinidad e Tobago em 0 x 0. E assim cheguei aos dois pontos. Doze tinham sido disputados. Franck de Bleeckere – A única lembrança da Bélgica que tenho – desde que comecei realmente a acompanhar as copas – é de Preud’homme, goleiro da seleção de 1990. Na época, eu era o camisa 1 do time da rua e, dizem, um pouco melhor do que o belga. Segundo informações paternas, cheguei a marca de 16 jogos sem tomar gols e tendo convertido três. Larguei as luvas por conta de um traumatismo craniano numa dividida no mesmo ano. Registro que o lance que ocasionou a lesão terminou em escanteio. Voltando ao assunto, o senhor Franck de Bleeckere junta-se à Preud´homme na lembrança. O árbitro começou até bem, mas validar dois gols da Argentina no mesmo jogo, com o adversário melhor em campo e com Maradona na arquibancada? Não existe. “Ele mostrou falta de personalidade”, disse o árbitro Edílson Pereira ao ser por mim consultado. Para completar, na outra partida, o árbitro holandês Markus Merk deixou de marcar um pênalti para Sérvia e Montenegro. Miserável. Mais dois jogos e nenhum ponto marcado. Da boca pra fora – Os iranianos tem fama de valentes, mas, pelo jeito, só fora das quatro linhas. Apanhar de 3 x 1 para os verdinhos do México é dose. E de Dreher, sem gelo, ouvindo Oswaldo Montenegro, ao meio-dia e com um pneu furado em um canavial deserto. O mesmo digo de Portugal. Começou bem, balançou as redes logo no início – aos quatro minutos do primeiro tempo eu já gritava no trabalho “só faltam seis” – mas parou por aí. Mais um mísero ponto marcado e 21 perdidos. Simon – Acreditava que os Estados Unidos tinham aprendido algo com Romário jogando lá. Falam até que têm um novo Pelé! Que iam perder, até imaginava, mas de três e sem marcar nenhum gol? Só mais um ponto para a contagem. Na outra partida do grupo, outro senhor, Carlos Eugênio Simon, acabou com a minha perspectiva de empate entre Itália e Gana. Deixou de marcar pênalti para os africanos, inverteu faltas, enfim. “Sempre disse que ele era fraquinho. Ele não consegue enganar ninguém. Só a Fifa”, comenta Edílson. Galo gordo – Na estréia do grupo do Brasil, Zico mostrou que pode até ser bom técnico, mas Copa do Mundo não é com ele. Perdeu de 3 x 1 para um bando de cangurus desorganizados. Na partida do nosso escrete, culpa de Ronaldo. O gordo só fez raiva e, graças a Kaká, marquei mais um ponto no bolão. Meu consolo é que no palpite para a partida contra a Austrália fui menos otimista. Coloquei somente 5 x 0. Hamilton – Se o volante que atua no futebol pernambucano estivesse na partida contra a Coréia do Sul, com certeza os togoleses teriam tomado mais gols, mas foram somente dois. Cheguei a seis pontos. No outro jogo, fui pego de surpresa pelo futebol mágico e envolvente da França. A seleção de Zizou arrancou um empate com a Suíça e me deixou na lanterna do bolão. Mea culpa – Assumo o erro duplo. Confiar que a Ucrânia pudesse empatar com a Espanha era demais. De lá só salva mesmo Clarice Lispector. Na outra partida, apostei na Tunísia. Um gol apenas. Deu empate em 2 x 2. Nenhum ponto e a lanterna isolada de presente. A situação está crítica. Mas, como reza o discurso pronto dos jogadores do Santa Cruz neste ano, “agora é levantar a cabeça e começar a recuperação. Com certeza ela virá.” Só não sei quando. Vou perguntar a Wilson Surubim.

Quadro de avisos

Informes do Blog do Santinha: AVISO Nº 1 Concluímos a votação da enquete que sondaa se os tricolores preferem o hexacampeonato do Brasil na Copa da Alemanha ou a permanência do Santa Cruz na Série A: 108 tricolores ou 93,9% do total de votantes) preferem que o Santa escape do rebaixamento jogando um futebol feijão-com-arroz. Apenas 7 pessoas (6,1%) dão preferência ao título mundial da Seleção Brasileira. E já tem outra enquete disponível (no menu do lado direito). AVISO Nº 2 O ranking quinzenal do Coke-Ring, o consurso nacional de Blogs da Coca-cola foi atualizado. O Blog do Santinha permanece na segunda posição no ranking que vale até o final de junho, atrás apenas do blog Reality Cup. Em terceiro lugar permanece o Montinho Artilheiro; em quarto está o Bola no Mundo;na quinta posição aparece o Blog do Fernando, seguido do Bola Carioca; Em sétimo lugar está o Arsenal Brasil, na oitava colocação, o Site do Torcedor Santista. O nono lugar é do Rola Blog e o décimo, é do Febre Alta.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Um olho na bola, outro em Meca

por Paulo Araújo Depois que vi, ontem, Val Baiano de cabelo raspado jogando pela Seleção Brasileira e com a camisa 9 (ou será que alguém vai me dizer que não foi Val Baiano?), ficou mais fácil assistir ao jogo das arábias. Primeiro, é bom que se diga que não existe um continente árabe, onde estariam todos os países cujos povos falassem árabe, onde todos fossem terroristas, onde todos fossem muçulmanos, etc, etc, etc. A Arábia Saudita fica na Ásia, tem como vizinhos mais famosos o Irã e o Iraque, tem petróleo e muito, e é onde o Osama Bin Laden nasceu. A comissão técnica tem dez ou onze brasileiros, inclusive o técnico, Marcos Paquetá. É seleção alviverde e ocupa o 34º lugar no ranking da FIFA. A Tunísia fica no norte da África (entre Argélia e Líbia), fala árabe, mas também francês, por conta da dominação francesa até a década de 50 do século passado. Por isso tem tanto jogador francês ou de origem francesa no time, inclusive o técnico, apesar de Francileudo, uma das estrelas do time, ser brasileiro do Maranhão - que não jogaria por conta de contusão. Suas cores são vermelho e branco, ocupando o 21º lugar no ranking da FIFA. A Tunísia era a favorita, um time mais equilibrado, mesmo com dois desfalques, porém, poderíamos esperar tudo numa estréia de Copa, além da tradicional correria dos times. Pelas cores dos times, detalhe alertado por Inácio, já entrei torcendo pela Arábia Saudita. Time com muito francês e ainda alvirrubro? Tô fora. Só por isso, assisti ao jogo numa televisão de 5" e em preto-e-branco. Do tamanho do futebol esperado e sem precisar me lembrar das cores. Resolvi fazer o relato da partida ao mesmo tempo em que assisto, para ver se, em me saindo bem, consigo uma vaga numa emissora de TV (o início do texto contém pesquisa rápida na Internet, justamente para mostrar ampla cultura). Primeiro tempo: Pênalti não marcado aos dois minutos para a Tunísia. Até que enfim um "comentarista de arbitragem" da TV reconhece que o árbitro errou. Usama deve estar no estádio. Até os quinze minutos só dá Tunísia. Arábia melhora e equilibra o jogo Gol da Tunísia aos 22 minutos. O jogo fica uma merda. Outra falta gritante perto da área adversária para a Tunísia e o árbitro nada. Juro que vi um barbudo magro de turbante apontando para o árbitro, intimidando-o. Acabou o primeiro tempo (uma bosta). Segundo tempo: A um minuto, quase a Arábia empata. Mas o atacante árabe empurrou o zagueiro antes e o árbitro nada. Tem coisa aí, principalmente porque eu acho que vi o magro barbado de turbante descendo pelo túnel durante o intervalo. O técnico é brasileiro e eu continuo torcendo para a Arábia. Por que as seleções, inclusive o Brasil, não jogam com laterais aberto, fazendo cruzamentos? (isso é técnica para ter o que comentar...) A Tunísia parece que voltou com a bunda na parede, para o velho contra-ataque. Para mim, a Arábia vai empatar. O nº 13 da Tunísia tem um cabelo anos 80 (mais um comentário sem sentido) Bouazizi, o do cabelo pigmaleão, é substituído. Deve ser por conta do corte de cabelo - Eu não tinha dito antes (que comentarista arretado!): aos 11, Al-Kahtani, um dos destaques da seleção, empata o jogo. E se o Carlinhos Bala árabe entrar, vai ter virada saudita. Bota o Bala, Paquetá (Al-Shlhoub é um dos mais baixos da Copa e muito habilidoso, conhecido como Baby Maradona, mas para mim é o Bala das arábias) O jogo fica mais animado que o segundo tempo de Brasil e Croácia, com uma diferença: não há jogador gordo em campo. A nossa Arábia está mandando e vai virar esse jogo! Entra o irmão gêmeo de Zequinha Barbosa no time árabe, com o número 23 de Michael Jordan A Arábia, antes dos 30 minutos, já parece gostar do empate PQP! Al Jaber, que tinha acabado de entrar no lugar de Al-Kahtani, vira o jogo!!! Eu disse que a gente ia virar! O artilheiro tem 33 anos e só me lembra Cesinha, do Santa Cruz. Tô nervoso, doido que o jogo acabe. Só me lembro de ontem. Sulaimani quase faz mais um para a gente de falta. Uh, é Arábia! Que porcaria. Aos 47 minutos, a Tunísia empata. Ninguém me convença do contrário: o jogador que lançou a bola para a cabeçada de empate recebeu a bola em impedimento. Acabou o jogo. O árbitro foi bem em não marcar as faltas em favor da Tunísia (inclusive a falta dentro da área), mas falhou em dar 4 minutos de prorrogação. O assistente falhou gravemente em não marcar o impedimento que impediria o gol de empate da Tunísia. Vai ter punição, garantiu OBL, como se autodenominava aquele senhor magrinho, de barba grande e turbante. Vai ter punição, disse ele em árabe castiço. Gostei da atuação desse senhor no jogo, pois ele quase conseguiu que sua seleção vencesse; é de um cara desses que o Santa Cruz precisa: não jogou, tem punição. Mandei esse texto para a Televisão Al-Jazeera e vou ver se esse tal de OBL, que nasceu na Arábia Saudita mas que mora, ao que dizem, lá no Afeganistão, vem consertar muita coisa errada no Arruda, onde a situação faz o que quer e a oposição não aparece.

Análise filosófica da Copa, após 16 peladas

Por Samarone Lima Amigos, comecei o dia hoje levando um baita carão do editor-executivo do Blog do Santinha, o digníssimo Inácio França. Motivo: não escrevi a jato a crônica sobre a pelada envolvendo a Sociedade Esportiva Coréia do Sul 2 X 1 Grêmio Recreativo Togo. Tentei me explicar, que estava no Cabo de Santo Agostinho, sem Internet, mas fui alvo de uma dezena de palavrões, de forma que estou aqui, em plena manhã de quarta-feira, meio ressacado, numa lan-house meia boca na Conde da Boa Vista (R$ 1,50 a hora), deixando de assistir Espanha Futebol de Regatas x Sociedade Futebolística Ucrânia, para limpar meu nome na praça e não ser demitido do Blog do Santinha. Agora, vamos e convenhamos – o cara sentar para escrever uma crônica sobre um jogo medíocre como Togo x Coréia, faltando poucas horas para começar o jogo do Brasil, é o ápice da sacanagem. Pior: todo mundo ganhou jogo bacana para escrever. Eu, um dos fundadores deste renomado blog, peguei a sobra da sobra da sobra, é aquele negócio famoso, santo de casa não faz milagre. Antes de ir ao texto sobre a pelada, gostaria de dizer que estou frustradíssimo com a Copa. Vinha comemorando o fato de poder assistir todos os jogos, mas a cada partida, cada pelada, digo, descubro que o futebol empobreceu, e já começo a sentir saudades mesmo é do velho Arruda. Diante dos peladeiros, das caneladas, da bola eternamente recuada, imploro: uma partidinha do meu Santa, pelo amor de Deus! Depois de 15 jogos (estou perdendo um agora, por causa do senhor Inácio), estou sentindo um certo tédio espiritual, uma azia na minha alma futebolística. Parece que os caras só fazem mesmo é trocar de camisa, porque o futebol é o mesmo. Um golaço, pelo amor de Deus! Uns dribles secos, fazendo fila, levando todo mundo! Um sem-pulo, de fora da área! Um lançamento espetacular, por Deus! Os africanos foram recolonizados no futebol, deixaram a criatividade de lado, e agora nem se divertem, nem ganham jogo, nem porcaria nenhuma. Antes, era uma grande esculhambação, os caras queriam fazer um gol somente para dançar umas duas horas, tirar uma onda do carai, tomar todas na concentração, mas agora correm feito uns loucos, não conseguem dar um drible, e pensam que músculo ganha jogo. Agora, leitor, dê uma olhadinha no banco de reservas – só tem treinador branco! Lanço aqui o meu brado: que os negões treinem os negões! Que volte aquela esculhambação do Roger Milá! Estão matando a África até no futebol! Os melhores comentaristas da Copa continuam sendo, disparado, as mulheres. Tenho inclusive percebido que quanto mais velha a mulher, melhor o comentário. Na metade de Sociedade Esportiva Coréia X Grêmio Recreativo Togo, minha tia-avó Flocely, de 79 anos, soltou esta pérola: “Estou achando esse campo pesado, a grama está muito alta...” Amigos, eu quase bati palmas. O jogador mais feio da Copa, eleito por mim, tia Flocely e Renato, é o senhor Chun Soo Lee, aquele coreano com o cabelo pintado de Wanderleia. Como bem disse tia Flocely: “Esse é triste”. Foi só esculhambar o triste, que ele fez o gol. Lá pelas tantas, a mesma tia, irritada com o fraco futebol dos africanos, soltou essa: “Se cor ganhasse jogo...” O momento mais bonito da Copa foi o jogo inteiro de Inglaterra Futebol de Regatas x Sociedade Sulanqueira Paraguai. Cada vez que o Roque Santa Cruz pegava na bola, a minha TV ficava brilhando. É que na camisa do jogador, estava escrito somente isso: Santacruz. E vou deixar minha crônica do jogo de ontem para mais tarde, ou para nunca, porque todo mundo vai querer falar sobre aquela pelada do Brasil, ontem, contra o escrete da Croácia. O Inácio que se dane, mas vou ali correndo, pegar o segundo tempo do jogo da Espanha, para ver se a “Fúria” diz alguma coisa, ao menos nesta Copa. Em tempo: sugiro uma reunião dos Blogueiros do Santa, durante a semana, para tomarmos algumas cervejas e avaliarmos nossa pulsante cobertura da Copa.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Austrália x Japão pelo rádio (que nem na Copa de 38)

Austrália 3 x 1 Japão (por Marcel Tito) Pedi paciência e argumentei. Copa do Mundo só acontece de quatro em quatro anos. Não adiantou. Ele permaneceu irredutível. Apelei para a minha descedência australiana. Como resposta, um olhar de desdém. Contei a verdade. Precisava ver Japão x Austrália para escrever para o Blog do Santinha. Confiei na audiência do site. “Não tem fantinha, tainha, nem Juquinha”, respondeu o senhor Adriano. A síndrome do mau humor de quem trabalha durante a Copa do Mundo, creio. E assim, às 9h23 desta segunda-feira, pela segunda vez no ano, a impaciente Celpe privou a minha residência dos seus serviços. Por causa de duas contas atrasadas. Antes eram três. Maldita privatização. Era preciso pensar rápido. E veio a solução para não escutar Samarone Lima e Inácio França durante um mês me chamando de farrapeiro: acompanhar a partida pelo rádio. Japão x Austrália. Eu mereço. A transmissão começa com o hino do Japão. E vem as escalações. Austrália: Shuazerz; Nil, Moure, Colina e Emerton; Viduca, Keyes, Guela e Chiperfild; Wilkshaire e Bresciano. Agora o negócio vai ficar bom. Lá vem o Japão: Kawagushi; Komano, Miamoto, Nakata e Takahara; Nakamura, Yanagisawa, Santos (um brasileiro, que beleza!) e Fukurishi; Tinsuboy e Nakasawa. Acho que é isso. Primeiro tempo “O time do Japão abre o olho.” O primeiro trocadilho infame veio antes dos cinco minutos. Viduca vai, Viduca vem, Viduca chuta e “Kawagushi sensaaaaccccccccccional. Duas vezes”. Lá vem Viduca de novo. E a torcida canta em português! Tem muito brasileiro no estádio torcendo por Zico. Incrível o carisma dele. Dez minutos de jogo e só dá Austrália. Quinze minutos. Vinte e um minutos. Eita joguinho. E Nakata chuta. Para fora. E olha o gol da Austrália. Quase. “Não cai por um milagre a cidadela do Japão.” E “Viduca pintando miséria.” Esse cara coloca fácil Nenê e cia. no bolso. Todo mundo toca na bola. Menos Santos. Sacanagem comigo. Eis que no meio da vinheta publicitária... “Passou pelo goleiro e GOL!” De quem? “Komano passou para Yanagisawa. Ele cruzou e a bola passou por Nakamura e o goleiro da Austrália ficou reclamando.” Quem colocou para dentro? Agora o outro diz que quem cruzou foi Nakamura. Enfim, Japão 1 x 0. E a torcida do Japão faz a festa. “Ão, ão, ão, segunda divisão.” Estão menosprezando a Austrália. Trinta minutos e nada de Santos no jogo. O tempo passa devagar. Trinta e cinco minutos. O negócio tá complicado. Já disseram que está 1 x 0 para a Austrália, que está 0 x 0. Tem gente na rádio querendo ganhar o bolão da Copa de qualquer maneira. E tem Viduca de novo. Pisou na bola. Que é isso Viduca. Fim do primeiro tempo, graças a Deus. Acho que Santos não volta para o segundo tempo. É uma pena. Intervalo “Austrália e Japão fizeram um bom primeiro tempo. Um futebol ativo, de bom toque de bola. E a Austrália jogou melhor. O melhor jogador do Japão foi o goleiro. O gol me pareceu irregular. Me pareceu que o jogador Nakamura estava impedido. Depois me pareceu que ele deslocou o goleiro. De qualquer forma, o gol foi validado pela arbitragem e o Japão vence por 1 x 0. Isso é o que importa.” É muito parecer. Realmente, Juarez é, até o momento, o melhor comentarista da Copa. Pelo menos agora sei quem marcou o gol. Sem substituições no intervalo. Segundo tempo O jogo recomeça sem o som da torcida. Ou a partida está ruim e todos preferiram continuar comento salsichão nos corredores do estádio ou operador de áudio dormiu. Cinco minutos. E volta a torcida gritando “olé”. Falta muito tempo ainda. Confiança demais dos japoneses. Substituição na Austrália: Sai Bresciano, entra Caiu. Substituição no Japão. Sai Tinsuboy, entra Monivar. Dez minutos. Quinze minutos. Outra substituição na Austrália. Sai Moure, entra Kennedy. Propaganda da Celpe? Só pode ser brincadeira. “Fique em dia e acompanhe a Copa do Mundo com tranqüilidade.” Agora é que eles avisam. A torcida pede mudança. “Ah, é Rosembrik”. A negociação com o Palmeiras era só fachada. Tá explicado. Quando o mago entrar o negócio vai pegar fogo. Deve ser na Austrália. Vinte minutos. “É uma das melhores partidas da Copa”, diz o comentarista. Estou ouvindo. Até aqui, só teve chute para fora. A torcida vaia. Entendo a revolta. O sofrimento não tem fim. Lá vem Viduca. Falta perigosa para a Austrália. Posso apostar dez reais que vai para fora. Lá vai. “Barreira compacta do Japão. Partiu Viduca... DE-FEN-DEU sensacionalmente Kawagushi!!!”. Com um goleiro desse O Santa Cruz não perdia o Campeonato Pernambucano nem a pau. Trinta minutos. Faltam 15 somente. Os comentaristas começam a trocar elogios. Isso é porque o jogo está bom. Terceira substituição da Austrália: entra Aloíse, sai Wilkshaire. A estréia de Rosembrik na Copa fica para o próximo jogo. Entra Onu e sai Yanagisawa, no Japão. É o jogo da paz. Outra intervenção da torcida japonesa. “Mais um, mais um”. O cara deve ser o elemento surpresa. Trinta e cinco minutos. ´ Notícia da seleção brasileira... “O lateral-direito e capitão do Brasil, Cafu, acaba de ser condenado pela justiça italiana a dez meses por utilizar passaporte falso.” É bronca. Deviam prender era os pernas-de-pau da Austrália e Japão. Qualquer coisa, coloca Cicinho. Tem nada não. E gol da Austrália! Caiu. Mais um brilhante trocadilho: “Esse empate cai como uma luva para o Brasil”. Caía. Quarenta e quatro minutos, Caiu vira a partida com um “chute flamejante da entrada da área.” Três minutos de acréscimo para completar a angústia. Entra Oguro no lugar de Monivar, no Japão e GOL! “Alóise faz o terceiro para a Austrália. Eu disse que ia ter virada!”, brada o locutor. Eu não escutei isso, mas deixa para lá. Acabou o sofrimento. Que experiência. Vou indo pagar as contas atrasadas. A próxima atualização será amanhã, antes do jogo do Brasil, com texto de Samarone Lima sobre o clássico Togo x Coréia do Sul.

Essas coisas que dizem durante a Copa...

Por Samarone Lima Depois de algumas rodadas da Copa, descobri que ainda não assisti a dois jogos no mesmo lugar, o que me deixa confiante quanto ao Hexa. Não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas quem disse que na vida, como no futebol, algo é lógico? De cada lugar, como observador anônimo, contratado pelo Blog do Santinha, colhi fragmentos que revelam a alma de nosso povo. Não, amigos, não somos “a pátria de chuteiras”, como bem disse o saudoso Nelson Rodrigues, mas “a pátria de comentaristas de boteco”, muitos dos quais não sabem que a trava da chuteira não tem nada a ver com a trava da porta. Vejamos então as pérolas coletadas: Impedimento “Impedimento é quando um outro está na frente de dois outros, no campo do outro”. (Aninha, psicóloga, na casa de Zeca) Dúvida existencial “Eles (os jogadores) tomam banho no intervalo?” (Lucila, logo após o final do primeiro tempo de Argentina x Costa do Marfim) Mudança de barra “Só é ruim quando eles (os jogadores) mudam de barra, porque eu me confundo toda. Fico torcendo pelo mesmo lado, e não é”. (Ibdem) No meio de um jogo importante: Amiga 1 – Pois eu, quando nasci, cheguei no quarto e minha mãe disse: "essa não é minha!" Amiga 2 – Eu não sei se essa conversa rolou na tua plástica... (Por motivos diversos, declino o nome das duas amigas, capazes de uma conversa deste tipo em um jogo da Copa) Torcida pra valer “Vou torcer pela Holanda, que é a única que joga bola, fora o Brasil”, (Minha tia Flocely, de 79 anos, antes do jogo da Holanda) Generosidade estética “O problema do Ronaldinho Gaúcho é aqueles dentes. Ele não é tão feio..”. (Uma amiga, exagerando na generosidade estética) A percepção mais rápida da Copa, até o momento... “Esse time de Angola é muito infantil”. (Garoto, aos dez minutos de Portugal X Angola) Discurso no setor de eletrodomésticos do Carrefour Estávamos, os malandros de sempre, assistindo Trinidad y Tobago X Suécia, quando um sujeito começou um discurso inflamado. "Pois estou torcendo pelas seleções da América do Sul, porque são do nosso continente, precisamos estar juntos", uma conversa inflamadíssima. Depois que ele terminou, todos ficamos em silêncio, ninguém olhava mais para o jogo. Ele percebeu a gafe que estava cometendo e complementou: "Menos pela Argentina, é claro..." Irromperam aplausos frenéticos e ele quase foi levado nos braços pela torcida no Carrefour. Eleito o torcedor brasileiro mais mau-caráter da Copa Acabo de eleger Zeca o amigo e torcedor brasileiro mais mau-caráter da Copa de 2006. Ele foi capaz de torcer pela Argentina, no jogo contra a Costa do Marfim, "somente" porque tinha colocado 2 x 1 para a Argentina no bolão. Desde já, meus votos que ele erre todos os demais resultados – menos o do Brasil, claro.

domingo, 11 de junho de 2006

"Coisa" ruim

Portugal 1 x 0 Angola

(por Inácio França)

Cancelei a presença numa farra, decorei trechos de livros de José Eduardo Agualusa e de Lobo Antunes para esnobar os leitores na crônica e, finalmente, me posicionei na frente da TV com um saquinho de amendoim. Aguardava pelo jogo Angola x Portugal desde o dia do sorteio dos grupos da Copa.

Havia um caráter ideológico para tamanha ansiedade. Angola foi saqueada pela predatória política colonial portuguesa durante séculos. Portugal não alisou na África e ficou agarrado ao osso até meados da década de 1970, quando saiu deixando um rastro de violência e miséria. Boa parte da sociedade portuguesa achou pouco e, atualmente, tem gente que ainda guarda uma dose de preconceito racial contra os angolanos que tentam a vida na Europa.

Além de tudo, seria a partida de um simpático time mais fraco contra a seleção vice-campeã da Europa.

Ou seja, tinha motivos de sobra para torcer por Angola na sua estréia em Copas exatamente contra os antigos saqueadores. Lembro que foi com esse estado de espírito que assisti à épica vitória do Irã em cima dos Estados Unidos, em 1998.

Mas eu tinha esquecido um detalhe.

Esse detalhe mudou completamente minha opinião e o alvo da minha simpatia ainda no início da transmissão: a bandeira da Angola é preta e vermelha, com uma foice amarela no meio. Preto, vermelho e amarelo!

Uma foice amarela! Tiveram a chance de escolher o branco e botaram amarelo no desenho da bandeira! Mau gosto da gota-serena da bubônica-do-rato. É a coisa africana. Ora, que se lasquem os angolanos. Quem manda não fazer nem a bandeira direito.

Pra piorar a camisa da torcida parece com a da Torcida Jovem.

Aí, lembrei que sempre fui com a cara de Felipão. Bom treinador, sujeito decente, pentacampeão mundial. E no banco ainda tinha Deco, brasileiro também. Ainda estavam tocando o hino quando comecei a falar sozinho: “Portugal tem que massacrar esses rubro-negros...”

O começo foi arrasador. Mais ou menos como fizeram nas colônias além-mar, o time de Portugal se mostrou disposto a acabar com a raça de Angola. Golaço aos quatro minutos, uma bola na trave no meio do primeiro tempo, e, como reação, uns ataques meio desajeitados dos angolanos. A guerrilha do MPLA era mais eficiente. Por falar nisso, o 21, um tal de Delgado, estava disposto a concretizar uma vingança histórica. Bateu demais. Do pescoço pra baixo era canela, do pescoço pra cima também.

Imbuídos do espírito dos colonizadores europeus, o time de Portugal passou a se comportar como se tivesse o direito natural de vencer os rubro-negros. Cientes da sua superioridade, passaram a enfeitar e fazer firula. O problema é que eles não têm jeito pra isso. Aí o jogo ficou sem graça, enjoado, daqueles que dá vontade de desligar a TV. O segundo tempo foi pior do que Equador x Polônia.

Com jogo amarrado, até que deu vontade voltar a torcer por um time que tem Zé Kalanga (dizem que o pai dele é dono de um pega-bêbo em Luanda), Locó e Jamba. Mas Angola é fraca de dar dó, apesar da vontade e da coragem os caras não acertavam uma jogada no ataque.

Faltava uns 20 minutos pro fim e eu percebi que já estava neutro, torcendo pro juiz acabar logo com aquela tortura e me liberar pra escrever, botar esse troço no ar e tirar um cochilo.

A próxima atualização no blog será amanhã à noite, com Marcel Tito escrevendo sobre um jogo que ele ainda não escolheu.

sábado, 10 de junho de 2006

Profunda análise dos sulanqueiros e galegos

Inglaterra 1 x 0 Paraguai (por João Valadares) - Alô. É Juarez? - É não. É Wellington que tá falando. - Wellington, aqui é João do 1302. Tô precisando falar com Juarez. - Ele tá abrindo o portão agora que vai saindo um carro. Pronto, ele chegou aqui na portaria. - Diga seu João. É Juarez que tá na escuta. - Rapaz, você conseguiu aquela televisão que tinha me pedido para assistir aos jogos da Copa? - Consegui sim. Foi com seu Otávio do oitavo. Ela é meio safada, mas tá legal. É colorida e tudo. Quando começa a farrapar, dou umas tapinhas e a frescura passa. Seu Otávio até disse que eu poderia ficar com ela quando acabar a Copa. Já viu rico oferecer alguma coisa que preste? - Deixa isso para lá. Rapaz, tô numa ressaca triste. Cheguei de manhã em casa. Perdi o jogo Inglaterra e Paraguai. Tinha que escrever um comentário para colocar num site de uns cabra- safados amigos meus. Lembrei daquela nossa conversa sobre o futebol naquele dia, aí mesmo na portaria. E notei que você era viciado em futebol. Tá lembrado? naquele dia que você disse que era mais Ronaldinho Gaúcho com um pé só, cego e sem os dois braços do que qualquer jogador da Argentina. - É. notei pela voz que o senhor tomou umas meropéias. Eu vi tudinho. Não perco jogo nenhum da Copa. Posso contar. Mas essas coisas de análise não sei fazer não. Mas acho que ninguém sabe. "Mininu", aquele Galvão fala merda que só o carai. - Que porra de análise. Sou mais você com um olho só, olhando os jogos nessa televisão fuleira do que Falcão, Casa Grande e Galvão Bueno juntos assistindo aos jogos na beira do gramado. Conta aí. Primeiro quero saber quanto foi o jogo e quem jogou melhor. - Ói, foi 1 x 0 só vi? No primeiro tempo, só no primeiro tempo, a Inglaterra deu um pirão no time dos sulanqueiros. Pirão daqueles que o cara come e começa a suar. Pirão de Dona Cocada, uma macumbeira boa que tinha lá em Mirante, no Ceará. Pense num vareio de bola. - Sulanqueiros? - É. Esses putos falsificam tudo que é coisa. Comprei a porra de um rádio fabricado lá e já quebrou. Acho que até aquele padrão era da Sulanca. Pegaram um carregamento de camisas do Cruzeiro e costuraram o escudo nele. Fiquei até procurando Carlinhos Bala. -Cruzeiro? Paraguai é vermelho e branco! Tu tá doido é? - Mai agora tão cheio frescura. Tu tá por fora. Juro que jogaram de azul. Tinha até aquela Puma na camisa. Mas quem vai respeitar um time que joga de vermelho e branco? Acho que eles jogam melhor do que o Náutico. - Pode continuar. Como foi?-- Ói, oO time do galego jogou bola na primeira parte. Tinha até ficado com medo deles. Começaram bem. Colocaram os caras na roda. Eita porra. espera que chegou um carro. É rapidinho.
*****
Cinco minutos depois ... (que demora...)
- Aí ele chutou e foi gol.
- Gol? Você ainda tava no começo do jogo.
- Ahh sim! O gol foi no começo mesmo. Acho que uns três minutos.
- Gol de quem?
- Rapai, Gamarra deu uma de cocorote.
- Como assim? Cocorote?
- É. Boiola. Aro. Coió.
- Por quê?
- Resolveu cagar pra dentro.
- Como?
- Foi assim. O beque chutou.
- E foi gol de zagueiro?
- Não. Beque, aquele galego metido a bonitão. Sempre achei que o galego só tinha borlaite. Eu era arretado com ele. Minhas pirraias só falam nesse puto, quando ele aparece na televisão. Pensei que ele só jogava com truque de comercial de refrigerante. Mai né não vi? O bicho parece que tem as mãos no lugar dos pés. É uma miséra batendo na bola. Dava certinho no meio de campo do santinha. O senhor entende? Ele coloca a menina com a mão. A bola vai onde ele quer. Fico até com medo dele começar a botar a mão na gaveta de Dida.
- Sim, porra. Conta do gol.
- E então. Ele meteu um bola daquelas mei de rosca. A bichinha foi voando, voando e Gamarra meteu a cabeça nela. E jogou merda no ventilador. Fedeu. E Galvão passou o jogo todinho babando o ovo dele. Dizendo que ele não fez nenhuma falta. Era melhor ter feito 80 faltas e num ter jogado contra a própria barra. Né foda? Me arreto com essas coisas.
- E o Paraguai?
- No primeiro tempo ficou só olhando. Parecia um time chamado Cabeça de Calango, que tinha lá no meu interior. Os sulanqueiros ficaram olhando a menina passar de um lado para o outro. Por isso que chamam cavalo paraguaio né? Cavalo do Paraguai é assim, é? Seio não. Esses putos num fizeram nem um gol falsificado.
- Pensei que eles tinham um time arrumado. Tem não é?
- No segundo tempo, até que melhoraram. Mai aquela coisa que engana quem não entende de futebol. Fica tocando, mas num faz porra nenhuma.Tinha até um tal de Santa Cruz. O cabra disse que ele jogava bola. Pelo nome, desconfiei logo. Nem no Paraguai, essa porra do nosso time tem jeito. Tá foda. Já tô me arretando.
- Pode continuar.
- Ói, o Paraguai, na segunda parte, foi lá e veio cá. Mai só fica feito peru bêbo em época de Natal. A gente pensa que ele tá bom, mas tá ruim que nem a febre do rato.
- E os craques da Inglaterra?
- Tinha um cara na Inglaterra que tava maconhado, vi? Era que nem um homem da meia-noite. Só que falava inglês o miserávi. O bicho faz mais falta do que Roberto e Valença juntos. Galvão disse que ele num jogava nada. Mai achei ele perturbador. Tava em todo canto o vara-pau, parecia um bode pinotador quando come por engano maconha pensando que é pasto. Lembrei de um ponta lá do Cabeça de Calango chamado Girafinha. Esse da Inglaterra tinha bem umas quatro pernas o miserávi. Pense num cabra errado. Mai tu sabe que futebol num é um jogo muito certo não né? Tudo em volta do buraco é beira. Entrou é gol e pronto. Acho que ele vai fazer gol que só a peste nessa Copa. Ói o que tô dizendo.
- Mas pelo que notei do seu comentário, a Inglaterra não tem esse time todo não né?
- Seio não. Acho que eles vão engrenar. Tão na moita feito a Argentina. Começaram o jogo tratando a redonda como moça "virge". Pense num carinho com a menina. Era passeando de mão dada de um lado para o outro e cheiro no cangote. No segundo tempo, parece que estavam casados há 40 anos com a bicha. Os zé branquelos num queriam nem ver a pelota. Era cada chute doido no pé da orêia. Foi bronca. Os sulanqueiros quase furam um gol.
- E Galvão gostou do jogo?
- Que porra de Galvão. Você disse que eu era melhor do que ele. Ele ficou esculhambando o árbitro o tempo todo só porque ele tava aplicando a regra. Me arretei logo. Me arretei mesmo. Ele pensa que a gente é surdo. Repete a mesma coisa. Me diga uma coisa. A Inglaterra é perto da Alemanha?
- É sim.
- Que torcida viu? Fiquei até com pena dos sulanqueiros. Canta o hino o tempo todo. É um tal de "Salve Rainha". Acho que até Mãe Rainha, lá em Ouro Preto, se arrepiou.
- Então tá.
- Você vai escrever isso no jornal é? É doido é?
- Não. É na internet. É que tô de ressaca e perdi o jogo.
- Sei. Rapaz, tu bebe mai do que Zeca Pagodinho e Cana Brava junto. Já disse para você pegar mai de leve.
- Juarez, valeu meu velho. Tô confiando no seu faro. Nem olhei aqui na internet para não me influenciar. Depois digo o que o pessoal achou da sua análise.
- Análise um carai. Isso é observação de conhecedor. Vejo futebol há muito tempo. Se alguém não concordar não sabe nada de bola. É isso mesmo. Sim, ia esquecendo. Gostei de Gerardo, Lâmpada e Cou. São bons de bola. Dava certinho no Santinha, mai com esse treinador novo num sei se eles jogavam bem não.
Próxima atualização: domingo à noite, com o jogo Angola x Portugal sob o ponto de vista de Inácio França

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Em campo, a segunda divisão da Copa

Equador 2 X 0 Polônia (por Júlio Vila Nova) A Copa do Mundo já viu jogos melhores. Mas, no final, foi merecida a vitória do Equador, o menos ruim. Dois países com grande expectativa por sua participação nesta Copa, já que em 2002 fizeram pífias campanhas. Assim, deve ter rolado no velho continente muita vodka Wiborowa (uma das melhores, 700 anos de tradição, destilada de cereais) e muita chicha com cachaça nas redondezas da linha imaginária que divide o mundo ao meio (o google diz que chicha é a bebida típica de lá, feita de milho). Foi uma edição do clássico confronto entre América do Sul e Europa, com representantes, digamos, de menor grandeza, uma espécie de segunda divisão na Copa. Nas arquibancadas, de um lado, morenas e gordinhos de chapéu panamá; e de outro, loiraças de olhos verdes e galegos de cara pintada. Em campo, uma seleção predominantemente negra, com nomes conhecidos (tinha até um Espinoza – vai-te !-, bom zagueiro até). De outro, uma escalação que é uma mistura de nomes de remédio para males intestinais, pulmonares ou vasculares. Uma escalação que dá para fazer uma boa quantidade de caça-palavras, para endoidar qualquer aficcionado nessa diversão. Não deu pra sair de casa, e tive que assistir à transmissão global mesmo, acompanhado de duas cervejas, uma para cada tempo, pra não correr o risco de beber muito e esquecer algum detalhe. E o jogo, afinal, só teve mesmo alguns detalhes. A narração de Cléber Machado (acertei em não escolher um jogo transmitido por Galvão pé-no-saco Bueno) foi eficiente, embora sempre fique no ar a impressão de que a gente está sendo enrolado na identificação de Ktrgetdncowsky no lugar de Grzegorzjylawski. O comentarista, Noronha, não fez seu trabalho com mais empolgação porque não tinha nenhum time carioca em campo. Sobre o jogo, por partes: a Polônia não é mais a mesma. Acabou-se a geração de craques como Lato (carrasco do Brasil em 74, eleito Senador em 2002, segundo algum site na internet), o goleiro Tomaszewski ou Boniek, jogadores que conquistaram dois terceiros lugares (em 74 e em 82). Futebol burocrático, pouca habilidade individual, relativa eficiência na marcação. E só. O jogo da Polônia não flui legal, é aquele congestionamento no meio campo ou aqueles lançamentos longos sem muito resultado. Dá para dizer que é complicado como o excesso de consoantes dos nomes dos seus esforçados atletas. O Equador começou também jogando mal, um jogo truncado, muito por causa da Polônia, que não deixa ninguém jogar, com sua marcação chata. Mas saiu o primeiro gol equatoriano, de um lance de cobrança de lateral, o que mostra a falta de coisa melhor no jogo. Alguns lampejos de criatividade latina, mas pouco ainda para uma seleção que fez ótima campanha nas eliminatórias, terminando em terceiro lugar, inclusive tendo vencido Brasil e Argentina, em Quito. E acabou o primeiro tempo, parecendo que a gente tinha visto CRB e São Raimundo, ou coisa que o valha. No segundo tempo, para a surpresa geral de toda a torcida que acompanhou o jogo nos quatro cantos do mundo...não melhorou quase nada! Mas a Polônia foi mais à frente e meteu duas bolas na trave, já no final da partida. Poderia ter tido sorte melhor. O Equador marcou o segundo gol aos 35 do segundo tempo, e conseguiu segurar até o fim. Aos 32, havia entrado em campo o valente Kosowski (com três vogais no nome), pela Polônia, ajudando um pouco mais seu time com algumas jogadas pela direita. Essa substituição também ajudou um pouco também o narrador, porque ele entrou no lugar de Stamprakjfgtuiwski. Nos minutos finais, um olé da torcida equatoriana, na onda da farra do mundial. É o nosso jeito sulamericano de tirar onda. Um outro lance curioso da partida revelou bem esse jeito: aos 43 do primeiro tempo, o goleiro Mora demorou para repor a bola em jogo, e aí o juiz japonês Kanikama Sashimni Yamaha corre até ele para adverti-lo. O goleiro, cara pintada com a bandeira equatoriana, diz amigavelmente “Muy bien, japiña, quedese tranqüilo, muchacho !!”, e dá um tapinha cordial no peito do árbitro. Comentário do narrador global: “o goleiro demonstra até uma certa intimidade com o juiz”. Valeu, minha gente ! Saudações corais ! A próxima atualização do Blog será no sábado à tarde, com texto do jornalista João Valadares sobre a partida Inglaterra x Paraguai.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Folha Seca & Copa do Mundo

A próxima atualização do Blog do Santinha será no início da noite de sexta-feira, logo após a partida entre Polônia x Equador, cujos comentários abalizados serão de autoria do músico e professor Júlio Vilanova, que, não se sabe por qual razão, decidiu fazer a crônica desta partida. A coluna Folha Seca (www.pernambuco.com/copa/folhaseca) está atualizada com um texto de caráter místico-religioso de Inácio França e outro no qual Samarone Lima saboreia sua vingança sobre todos (e todas, pra ser politicamente chato e correto) que dizem não gostar de futebol.

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Igualdade em preto e branco

A foto e o texto abaixo foram enviados pelo leitor Fernando Henrique Arruda (o famoso FHA) e, aparentemente, não tem ligação alguma com futebol. Mas, quem estava na arquibancada do Arruda na última partida em casa, contra o Botafogo, sabe que uma coisa tem muito a ver com a outra: naquele jogo, no meio do segundo tempo, alguns tricolores - negros e mulatos em sua maioria - imitaram o ridículo som e macaco quando o camisa 11 botafoguense tentava armar um contra-ataque. Felizmente, a própria torcida reagiu e intimidou os racistas. A própria natureza demonstra a igualdade entre todos os seres humanos, independente da cor da pele. É uma lição a ser aprendida por todos! Estas duas meninas são irmãs gêmeas! Uma inglesa negra com ancestrais brancos deu à luz a estas gêmeas em 2005, uma negra e a outra branca. Tanto a mãe, Kylie Hodgson, 19 anos, quanto o marido, Remi Horder, 17 anos, são filhos de casais mistos negro e branco. As chances de nascimento de gêmeas assim eram de uma em uma milhão, segundo especialistas em fertilidade. Eles explicaram que um espermatozóide com genes exclusivamente da raça branca fecundou um óvulo do mesmo tipo, enquanto outro espermatozóide. com genes da raça negra, fecundou um óvulo com genes dos ancestrais negros, o que resultou no nascimento dessas duas gracinhas. Elas completaram um ano em abril.

terça-feira, 6 de junho de 2006

O Blog e a Copa

Durante o recesso do Brasileirão, o conteúdo do Blog do Santinha sofrerá alterações para entrar no clima que envolve a Copa do Mundo. Sem deixar o Santa Cruz e a torcida coral de lado, convidamos um grupo de quatro tricolores que têm intimidade com a palavra escrita para escrever sobre os jogos transmitidos pela TV lá da Alemanha. Além dos editores Inácio França e Samarone Lima, farão parte do nosso time de escribas os jornalistas Marcel Tito (da equipe de esportes do Diário de Pernambuco), João Valadares (da editoria de Cidades do Jornal do Commércio), o advogado Paulo Araújo e o músico Júlio Vilanova.

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Resultado da enquete: os cinco mais odiados

Neto, Roberto e Zada já viveram dias melhores. Val Baiano, nem isso.
Antes que a diretoria faça o anúncio da lista de dispensados, o Blog do Santinha publica o resultado da enquete com a lista dos cinco nomes que a torcida tricolor quer ver longe do Arruda imediatamente. Val Baiano, com 56 votos, é o jogador mais odiado pelos tricolores, seguido de perto pelo ex-zagueiro em atividade Roberto. O beque, "amigo do peito" do presidente Romerito, teve 53 votos, muito para quem nem mesmo entrou em campo no campeonato Brasileiro. Parceiro de Roberto e ex-ídolo, o volante Neto foi o terceiro escolhido como dispensável. Ele teve 43 votos. O técnico Valdir Espinosa e seus belos olhos azuis aparecem em quarto, com 35 votos, seguido pelo meia Zada, apontado por 27 tricolores. Vale destacar que, até o início da partida de ontem, o quinto colocado era Júnior Maranhão, mas Zada - responsável direto pela derrota ao perder uma bola na entrada de área e cometer pênalti logo em seguida - esgotou a paciência da tricolozada.

domingo, 4 de junho de 2006

O caminho para o fracasso

por Inácio França e Samarone Lima Todos lembramos bem do jogo contra a Portuguesa, o jogo decisivo, em que o Santa poderia finalmente voltar à Primeira Divisão. A cidade amanheceu enlouquecida. Melhor: a cidade não chegou sequer a dormir. Estávamos todos nervosos, esperançosos, ansiosos, estávamos felizes, radiantes, com a campanha comandada pelo mestre Givanildo. Horas antes, a concentração, a festa, a Sanfona Coral rasgando as ruas do Recife, e, nas proximidades do Arruda, havia um formigueiro humano. Gente de todas as idades, todos os credos, pobres, ricos, remediados, fodidos, todos caminhando para o estádio, porque o Santa finalmente estava voltando ao lugar que merecia. No caminho para o estádio, alguém fez um comentário: "É uma honra muito grande, o cara chegar à presiência do Santa". E nos recordamos de Rodolfo Aguiar, numa longa entrevista para este Blog, há alguns meses. Ele disse que "se preparou", durante muitos anos, para chegar a ser presidente do Santa. Foi um ritual que durou muitos anos, conhecendo os meandros do futebol, como se contrata, como se articula um bom time, as manhas de cada jogador, a relação com os demais diretores. Impressionante sua visão de clube, de algo que se perpetuaria no tempo, de que o Santa era mais importante que sua própria vaidade. Ascensão conquistada, começaram os erros, ainda nos últimos dias de dezembro. Os primeiros equívocos foram simultâneos. Um erro alimentou o outro. Delegar o poder de gerenciar o futebol a um grupo inexperiente e imaturo, sem qualquer vivência no ambiente selvagem do futebol, foi a decisão que desencadeou a tragédia em curso. Dá para imaginar um estudante de Química ser responsável por exportação e importação de açúcar? Pois é algo assim que está acontecendo no Santa Cruz. Em seguida, Givanildo e a diretoria instituíram o espírito do funcionalismo público no Arruda: os jogadores da campanha de 2005 conquistaram estabilidade. Neto, por exemplo, desistiu de jogar no Juventude pro causa do argumento que não valeria deixar de ser titular no Santa Cruz para se arriscar lá fora. Esse tipo de coisa acomodou vários atletas. O estadual começou e o péssimo dos adversários mascarou as limitações do Santa. Todos - diretoria, torcedores, imprensa e até os próprios jogadores - imaginavam que Giva iria fazer milagres e consertar o time com algum passe de mágica. Assim, os problemas reais foram subestimados. Pra piorar, os cartolas decidiram priorizar o estadual e anunciaram que o time para o Brasileiro era outro. O resultado é que o Santa Cruz não se preparou para o Brasileirão. E começou a fazer isso tarde demais, com o campeonato em andamento. Agora, diante de uma campanha tão ridícula, nenhum jogador que se preze tem coragem de vir se arriscar no Recife. A primeira coisa que o cara pensa é "como é que vou receber?". Qualquer um de nós, com um mínimo de profissionalismo, faria essa pergunta. O último erro foi a pá-de-cal: a troca de Giba por Valdir Espinosa para satisfazer a vontade de um elenco acomodado e confuso e de diretores que não conseguiam compreender o profissiolismo e a inteligência do treinador paulista. Chegamos agora ao fundo do poço. Descobrimos que o "Clube das Multidões" se tornou um pequeno reduto, cada vez mais reduzido, de gente que faz e desfaz no clube. Contratações as mais disparatadas, sem embasamento técnico, craques vendidos a troco de nada. Pior que isso, uma grande quantidade de tricolores ilustres, pessoas esclarecidas, inteligentes, capazes de contribuir com o clube, bem distantes do Arruda. Os homens que montaram o time do ano passado, que nos deu o título estadual, e a volta à Primeira Divisão, saíram no momento em que o time começava a ser campeão. Saíram não, foram enxotados, porque suas práticas não combinavam com as de quem "manda" no clube. Infelizmente, continuamos sem conseguir postar fotos no Blog. Em compensação, orgulhosamente informamos que, no novo ranking do concurso Coke Ring da Coca-cola, mantivemos a segunda posição.

sábado, 3 de junho de 2006

Amar não rima com sofrer

O texto abaixo foi escrito pelo radialista Jorge Neto, funcionário da secretaria da Comunicação da Prefeitura do Recife. Há quem diga que amar é sofrer. Eu não sou adepto desta teoria masoquista. O amor passa pelo carinho, pelo respeito e, principalmente, pelo prazer. O que temos sofrido, nós tricolores de verdade, é indescritível. Piadas, achincalhes, gozações, humilhações. E o pior é que não temos resposta. E não temos resposta porque o time é ruim e a diretoria ou é inocente ou muito esperta. Existem histórias muito mal contadas, como a transferência de Carlinhos Bala para o Cruzeiro. Acertaram a ida do jogador, vindo para cá atletas como Enrico, Wando e o goleiro Posso. Nenhum deles veio, mas Carlinhos está lá, jogando pelo Cruzeiro. Isso é inocência da diretoria ou existem coisas entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia nem imagina? Se os caras não vinham, Carlinhos não jogava! É questão de lógica! Cadê o dinheiro que viria com esta "transação"? Assistimos a mais um absurdona quinta-feira. Não levar Rosembrik para o jogo com o Paraná porque estaria sendo negociado com o Palmeiras é dizer que está morrendo de fome e precisando da esmola do time paulista. Se eles tinham interesse, tinham prazo até a hora da inscrição do atleta para a partida. Se não, ele jogaria. Infelizmente, no Santa Cruz, há um revezamento ininterrupto de integrantes do mesmo grupo na direção, que só faz se aproveitar. São verdadeiros sanguessugas que vêm dominando e dilapidando o nosso clube. Se o Brasil está mudando, é hora de mudar o Santa. Fora Romerito, Zé Neves e Cia Ltda! O Blog do Santinha aproveita para divulgar o resultado da nossa primeira enquete, encerrada hoje (sábado, 03 de junho): 67% (83 votos) dos tricolores não acreditam que o time irá conseguir uma vitória contra o Vasco, último jogo antes do recesso para a Copa do Mundo. Outros 33% (61 votos) estão otimistas. A partir de agora, toda semana faremos uma enquete entre os leitores do Blog. A nova consulta já está disponível aí no menu do lado direito, embaixo do banner do concurso da Coca-cola.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Problemas técnicos no Blog

Caros leitores: Durante todo o dia, enfrentamos problemas técnicos para atualizar o Blog. Amanhã, tudo voltará ao normal - esperamos. Inácio Samarone