Por Samarone Lima
Amigos corais, o dia ontem começou logo cedo. Pela primeira vez, minha patota chegou à lendária Churrascaria Colosso antes do meio dia. Comemos o famoso frango completo e bebemos várias, tranquilamente, até a chegada de Joãozinho Peruca e sua gangue. Viramos muitos copos, na busca da tal cegueira, essa coisa infantil do Saulo, brindamos muito, compramos bandeira do nosso clube (assinada por todos) e quando a Sanfona Coral rasgou, o mundo pegou fogo. Resultado: Santa 3 x 0 no Framengo Clube de Regatas.
Não vou falar sobre o jogo, porque isso é coisa com a crônica desportiva, dos jornais etc. Me atenho ao que foi mais emocionante, envolvendo o nosso clube: as crianças. Ah, amigos, como uma máquina fotográfica fez falta, no dia de ontem!
Logo cedo, nove horas da manhã, eu voltava da pelada domingueira, com a chuteira pendurada no pescoço, consciente de ter jogado uma ótima partida, exausto, já pensando no jogo da tarde, no Arruda, duando dois meninos, dois molecotes aqui do bairro, me abordaram. Perguntaram se eu já tinha ingressos. Respondi que sim, presente do Oswaldo Titio. Eles me informaram que estavam indo ao Arruda, comprar os ingressos deles.
Mais que isso: estavam indo à pé. Não sei a distância do Poço da Panela ao Arruda, mas garanto que esses moleques não iriam andar menos de dez quilômetros. E eles lá estavam se importanto?
Amigos, foi uma das cenas mais tocantes do dia. Dois tricolores que não contavam com a paixão paterna do pai, para ir ao estádio, se movimentavam pela vida, em busca do ingresso. Juntaram os trocados durante a semana, completaram com o apoio de parentes. Acabei emprestando minha bicicleta, eles consertaram o pneu de outra, e daqui a pouco estavam de volta, com o sorriso iluminando o rosto de norte a sul. Mostraram os ingressos como quem exibe um troféu. No Arruda, eles vieram falar comigo. Estavam em estado de graça. Depois viriam os três gols, para a felicidade ser completa.
Outra cena aconteceu no início da tarde. Estávamos na Colosso, tomando nossa garapazinha básica e comendo o tal galeto completo, quando chega Rosa, assessora da vereadora Luciana Azevedo. Rosa estava com o filho, um pirralho lindo, com a camisa do Mais Querido. Detalhe: o pai é rubronegro e a mãe é alvirrubra. Um belo dia, o menino olhou para os pais e declarou:
"Eu sou do Tanta Cluz".
Os pais disfarçaram, mas o menino brilhava os olhos, quando via as imagens do time, na TV.
"Tanta Cluz", dizia, apontando.
Sabe-se que foram inúmeras as tentativas para fazer o menino recuar. Passeios no shopping, presentes, idas a outros estádios, mas não teve jeito. O menino olhava para as arquibancadas, para os torcedores de outros clubes, e não se sentia bem, acusava um enfado no espírito. Lá pelas tantas, o menino começou a exigir sua camisa do "Tanta Cluz", e não teve jeito. É o caso clássico de ter nascido já tricolor. Como diz João Valadares, o menino é um exemplo da evolução da espécie.
O momento mais bonito do dia foi quando ele tirou a camisa do Santa para vestir sua pequena camisa da Sanfona Coral. Gerrá, que vai ser papai, marejou os olhos, já imaginando seu filhote nos dias de jogo. Malvina botou a mão na barriga, emocionada. Quando a Sanfona entrou rasgando, o menino arregalou os olhos e começou a cantarolar o hino do Mais Querido.
Nas arquibancadas, o menino deu um show. Empurrou o time, cantou, pulou, a exemplo dos milhares de tricolores que lotaram o Arrudão, ontem, na vitória contra o Framengo. Pena que não guardei o nome dele, e nosso setor de fotografias do Blog andou de folga. A vitória foi espetacular, o time engrenou de vez, mas ontem, quem roubou a cena foi a pirralhada. Louvadas sejam as crianças corais!
Ao final do match, a Sanfona Coral emplacou o primeiro sucesso da Série A: o hino do Framengo Esporte de Regatas.
"Nunca mais Framengo, nunca Framengo
Nunca Framengo eu hei de ser
É meu maior prazer
no Arrudão
dar no Framengo
e a multidão:
Perder, perder, perder
Nunca mais Framengo,
Framengo é meu freguês".
Ps. Gerrá-zabumba já iniciou a composição do hino do Corínthias PCC Paulista. Diz mais ou menos assim:
"Pau no Corínthians
Quando cair no Arrudão
e o meu Santinha
incendiando o povão..."
Aceitamos colaborações.
Ps. Recebemos uma belíssima foto de Beto Figueirôa, mas minha burrice crônica está impedindo de publicá-la. Joãozinho Peruca e Macksandra tentarão fazer isso. Aguardem.