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segunda-feira, 31 de julho de 2006

O grande encontro

Aconteceu 40 minutos antes da partida de domingo: o compositor Bráulio de Castro, autor das músicas do CD Veneno da Cobra Coral (cuja segunda edição está quase pronta e será lançada assim que conseguirmos dinheiro para bancar a prensagem), o ator e cantor Walmir Véio Mangaba Chagas, o torcedor-símbolo Bacalhau e os intrépidos integrantes da Sanfona Coral foram os protagonistas de um memorável encontro na churrascaria Colosso.

Os tricolores que testemunharam a canja se emocionaram com a execução da música Nasci Santa Cruz, cantada em coro durante a farra preliminar ao jogo. Arredio ao cimento das arquibancadas, Bráulio só foi ao jogo para levar sua filha pé-quente Estela, que fez sua estréia no Arruda aos 14 anos.

Como nos velhos tempos

por Inácio França

Escrever sobre a festa da torcida? Ou sobre a valentia do time?

Faltavam uns cinco minutos para o fim do jogo e essas perguntas martelavam na minha cabeça. Seria mais fácil se o blog não existisse: poderia ficar apenas sofrendo com o sufoco do Corinthians e não arrumar o que escrever no dia seguinte.

A solução para meu dilema apaeceu na forma de uma frase, proferida por um tricolor que nunca tinha visto antes, um sujeito ao meu lado direito que só faltava morrer a cada passe trocado entre os atacantes alvinegros.

"Time arretado! Se eu soubesse, tinha nascido antes para poder torcer mais pelo Santa!" E explicou: "Perdi aqueles anos todos que o Santa botava pra arrombar nos campeonatos nacionais, perdi os supercampeonatos".

Ele tem 24 anos, se chama Túlio e sempre imaginou como seria o Arruda nos dias de jogos memoráveis contra o Atlético de Reinaldo, o Flamengo de Zico, o Corinthians de Rivelino, o Cruzeiro de Palhinha.

Desde ontem ele não precisa imaginar. Agora ele já sabe como era, sabe como é, com o verbo ser no presente.

Aqueles que nasceram antes de Túlio, acompanharam a vontade e a raça de Valença, Adriano, Márcio Alemão, Augusto Recife, Osmar e Cássio como há três décadas vibraram com Levir, Carlos Alberto Barbosa, Pedrinho ou Paranhos.

Quem tem mais de 40, viu a solidariedade e a raça da dupla Nenem e Mexerica tomarem o lugar da técnica e da habilidade de Fumanchu, Carrasco, Pio e Nunes.

Foi uma vitória épica, construída desde o início da tarde, quando a torcida tricolor começou a convergir para a avenida Beberibe, endereço do futebol de Primeira Divisão em Pernambuco.

Por isso, estão enganados aqueles que dizem que Maurício Simões montou o novo Santa Cruz. Esse time se parece mais é com o velho Santa Cruz, o terror do Nordeste.

Nota dos editores: temos excelentes fotos da festa nas arquibancadas e do encontro entre o compositor Bráulio de Castro, o ator e cantor Walmir Véio Mangaba Chagas, o torcedor-símbolo Bacalhau e a Sanfona Coral, mas a porcaria do sistema do Blogspot/Blogger está com problemas e atrapalhando a edição do Blog do Santinha. Como isso está acontecendo com uma frequência irritante, solicitamos aos leitores do blog que respondam à enquete sobre a viabilidade de mudarmos o endereço da nossa página.

Atualização: O designer gráfico Anizio das Olindas conseguiu botar a foto e ganhou dos editores do blog uma grade de cerveja, e 2 convites para cada jogo do santinha até a final do campeonato mundial em Tóquio (hehehehe)

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Hino do Curínthians de Regatas, versão Sanfona Coral

Saiu agorinha, a versão do hino do Curínthians de Regatas, versão Sanfona Coral:

Preparemos o gogó para domingo:

PAU NO CURÍNTIAS
QUANDO CAIR NO ARRUDÃO
O MEU SANTINHA
INCENDIANDO A MULTIDÃO

PAU NO CURÍNTIAS
O TIMINHO VAI PERDER
CAIU NO ARRUDA
A GENTE BOTA PRA FUDER.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Tá tudo certo para domingo


Como diz o velho Joãozinho Peruca, "tá tudo certo" para o domingo. A massa coral vai contar com um reforço de peso: o cantor e compositor Bráulio de Castro. O velho Bráulio é autor de grande parte das canções do CD "O Veneno da Cobra", e a já lendária "Bandeira do Santa Cruz", cantada a plenos pulmões no último domingo. O Véio Mangaba (Walmir Chagas), que é meio arredio a estádio de futebol, parece que vai superar o trauma. Bubuska também confirmou presença. Bacalhau vai chegar, diretamente de Garanhuns. Ou seja: a partir do meio dia, na Churrascaria Colosso, a galera do CD "O Veneno da Cobra", acompanhado da Sanfona Coral. Na foto (se o editor interino conseguir colocar no ar), Bráulio, Walmir, e outro tricolor ilustre: Seu Vital, do Poço da Panela. ps. Informamos que o jornalista João Valadares, ex-pé-frio, não vai estar na arquibancada. Levou um empurrãozinho, numa pelada vagabunda, e deslocou o ombro. Ou seja, ele está dando de ombros para a massa coral.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Estado de ânimo do timinho...

Deu hoje no site da Gaviões da Fiel... "Geninho afirma que situação ainda não preocupa"

26/07/2006 09:56

"O fraco treinador Geninho, afirmou em entrevista, que apesar da equipe ocupar a ultima colocação no brasileiro e de não estar jogando nada, a situação ainda não preocupa, já que a equipe ainda tem mais 25 jogos a disputar.

Esse é o pensamento de um técnico para times pequenos que não estão acostumados a ganhar títulos. Geninho provou com isso que não está preparado para dirigir um clube do tamanho do Corinthians. Para o treinador, sem comando, basta a equipe ganhar uma seqüência de jogos que sairá facilmente da incomoda posição que ocupa".

** Análise imparcial do Blog do Santinha:
1) Estão brigando entre eles (chamar o treinador de "fraco" e dizer que "não está preparado para dirigir um clube do tamanho do timinho" revela tudo.
2) Brigaram recentemente com o Carlito Chaplin Tevez Sarstfield. As pazes foram forjadas.
3) Bom momento para o Santinha afundar de vez o timinho.
4) Para quem ainda não sabe o hino do Curínthians de Regatas:
"Pau no curínthias
quando cair no Arrudão..."

Ps. Inácio, volta logo!

Cálculos para sairmos daquele lugar maldito

24/07/2006 | 16h25 | Série A
Santa faz cálculo para deixar zona de rebaixamento
Fonte: Redação do PERNAMBUCO.COM

Depois de 13 rodadas, o Santa Cruz largou, enfim, a lanterna da Série A do Campeonato Brasileiro, e justamente nas mãos de seu próximo adversário: o poderoso Corinthians. Uma vitória diante dos paulistas, no próximo domingo (30), às 16h, no Arruda, pode tirar os tricolores da incômoda zona de rebaixamento, coroando a campanha 100% da "era Maurício Simões" no clube. Mas além de fazerem o dever de casa, os corais dependem da combinação de resultados de outras quatro partidas, que serão realizadas pela 14ª rodada. Por isso, as chances matemáticas de sucesso na missão dos pernambucanos são de 58,3%. Nesta terça-feira (25), o Santa volta a treinar no campo do Unibol, em Paulista.

Além do Corinthians, as atenções dos tricolores estarão voltadas para outras quatro partidas: Fluminense x Botafogo, Atlético (PR) x Flamengo, São Caetano x Ponte Preta e Palmeiras x Paraná. Para deixar a zona de rebaixamento, o Santa Cruz torce pela combinação de, pelo menos, dois destes resultados. Se tudo conspirar a favor, os corais podem terminar a próxima rodada na surpreendente 14ª posição.

A escalada na tabela será a coroação de um trabalho eficiente do técnico pernambucano Maurício Simões à frente do Santa Cruz. O treinador chegou ao clube durante o recesso da Série A para a Copa do Mundo, quando os tricolores ocupavam a lanterna da competição, depois de dez rodadas sem vencer. De cara, Simões promoveu uma reformulação no elenco - dez jogadores deram adeus ao clube, enquanto nove reforços se apresentaram no Arruda. De lá para cá, o Santa só conheceu vitórias na Série A - sobre Goiás (2x1), Fortaleza (4x1) e Flamengo (3x0), esta no domingo passado.

Os números da era Maurício Simões são extremamente superiores aos das dez primeiras rodadas da Série A, quando o Santa Cruz foi comandado pelos técnicos Giba e Valdir Espinosa. Nas últimas três partidas, os tricolores marcaram nove gols e sofreram apenas dois. Antes, em dez jogos, haviam feito seis tentos, enquanto suas redes foram vazadas vinte vezes.

Veja os resultados que interessam ao Santa Cruz na 14ª rodada:
Fluminense x Botafogo - Neste clássico carioca, o Santa será beneficiado por uma vitória do Fluminense. Com a derrota, o Botafogo permaneceria com 15 pontos, os mesmos que os tricolores podem chegar se vencerem o Corinthians. Neste caso, os pernambucanos levariam vantagem no critério de desempate "número de vitórias": 4x3.
Atlético (PR) x Flamengo - Como as duas equipes têm 14 pontos, o interessante para o Santa é que saia um vencedor deste confronto. Assim, o derrota seria ultrapassado pelos pernambucanos na classificação geral. Caso aconteça um empate na partida, os tricolores vão precisar golear o Corinthians para passá-los.
São Caetano x Ponte Preta - Em um confronto paulista, uma vitória do São Caetano ou um empate beneficiam o Santa Cruz. Se perder, a Ponte permanecerá com 14 pontos e será ultrapassada pelos tricolores. Se houver empate, os pernambucanos também ficarão na frente, beneficiados pela vantagem no saldo de gols.
Palmeiras x Paraná - O Santa precisa torcer por um tropeço do Palmeiras dentro de casa. Empate ou vitória do Paraná permitem que os tricolores ultrapassem a pontuação dos paulistas.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Compre logo seu ingresso, que começou a exploração!

Da redação do Blog do Santinha
Nós que fazemos o Blog do Santinha parecemos ser sempre do contra, mas vamos e convenhamos: qual o sentido de aumentar o preço da joça do ingresso no jogo contra o Corínthians? Parece funcionar a mesma lógica: quando o time precisa da torcida, a torcida chega junto, e quando começa a ganhar, aumentam os ingressos.
Todo mundo que vai ao Arruda sabe que uma diferença de dois, três reais no ingresso, deixa uma parte da torcida de fora: milhares de tricolores que não têm um pau pra dar num gato. Colocar, a partir de quinta-feira, os ingressos mais caros, é maltratar mais uma vez justamente a massa que empurra o time e encabula os adversários.
Quem vai fazer a festa? Justamente os cambistas. Qual o fodido que vai sair de casa, pegar dois ônibus (ida e volta, Pedro Bó), para comprar antecipado o ingresso? Só aí, ele gasta, no mínimo, R$ 3,20, o dinheiro de umas lapadas de cana, no jogo de domingo.
Então sugerimos aos nossos leitores que se organizem, comprem antecipadamente os ingressos para os amigos.
Até quarta-feira, às 20h, os preços serão os seguintes:
Sócios e estudantes: R$ 7,00
Anel superior (arquibancada): R$ 10,00
Anel inferior (geral): R$ 13,00
A partir de quinta-feira, vem a exploração da massa coral. Vejam que maravilha:
Sócios e estudantes: R$ 9,00
Anel superior: R$ 12,00
Anel inferior: R$ 18,00
Fica registrado o nosso protesto.
Uma arquibancada a R$ 18,00 no domingo é para ferrar o torcedor. No mínimo, é desconhecer que a torcida do Santa é a massa, o povão, uma gente que conta os trocados para ver o Mais Querido jogar em casa. O cara não vai gastar menos de R$ 25,00 para ir ao Arrudão, a não ser que vá a pé e não tome sequer uma dose de sua garapinha básica.
Que deixassem o mesmo preço, até como agradecimento à massa que empurrou o time para cima do Framengo, no último domingo.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Torcer e vencer na Amazônia

por Inácio França, enviado especial a Vila Rica (MT), com colaboração especial de Pedro Lopes de França.

É melhor começar contextualizando: pra chegar em Vila Rica, primeiro é preciso pegar um ônibus no TIP com destino a Palmas, capital de Tocantins. O ônibus é um autêntico pinga-pinga. Ele pára em Ribeirão, Rio Largo (AL), entra na rodoviária de Maceió, depois em São Miguel dos Campos (AL), Própria (SE), Aracaju, Estância (SE), Esplanada (BA) – onde há o pior self-service do nordeste -, Feira de Santana, Itaberaba (BA), Seabra (o centro geográfico da Bahia...), Ibotirama - nas margens do São Francisco -, Barreiras, Mimoso, entra em Tocantins depois de um trecho ladeira acima sem asfalto, faz umas duas paradas num lugarzinhos onde nem perguntei o nome porque não valia a pena, Porto Nacional e, finalmente Palmas, 36 horas depois de sair do Recife. Fim da parte mais longa da viagem.

Agora vem a pior parte: depois de passar a madrugada na rodoviária, nove horas de viagem num ônibus muito ruim e lotado, que faz umas cinco paradas antes de atravessar o rio Araguaia de balsa. A travessia dura menos de meia-hora, mas a balsa grande o bastante para levar o ônibus demorou quase duas horas para dar o ar de sua graça. E, pronto, chegamos a Vila Rica, norte do Mato Grosso, fronteira com o Pará.

Havia floresta em torno da cidade, hoje só vestígios de queimadas, restos de mata, bois bem criados e uma mistura de gaúchos, paranaenses, goianos, paulistas do interior e poucos nordestinos. Entre eles, Pedro e Júlia, meus filhos, que vieram morar aqui com a mãe, médica e também Santa Cruz numa região carente de profissionais de saúde e tricolores.

Foi por causa deles que fiz essa viagem toda. Faz pouco mais de dois meses que saíram daqui e eu precisava revê-los. Saudade mata a gente. Óbvio que é mais barato eu viajar sozinho de ônibus que duas crianças e a babá atravessar o país de avião, com a Varig em crise e sem tarifas promocionais da Gol.

Quando Pedro foi ao Arruda pela última vez, o Santa empatou com a Ponte Preta e Giba foi demitido. Quando ele viajou, o Santinha já era o lanterna e nos envergonhava.

Ontem, voltei a ver o Santa Cruz jogar ao lado de Pedrinho. Numa situação meio surreal: na casa de uma família de pernambucanos, rubro-negros, na beirada da Amazônia. Ficamos sozinhos na sala. Nos abraçamos com força a cada gol e, depois do gol de Nenê, ainda ouvi ele me recriminar porque eu havia reclamado do time no início do jogo.

“Nunca gosto de antecipar qual vai ser o resultado de um jogo do Santa só porque o começo não foi bom”.

Calado estava, calado fiquei. Afinal, proporcionalmente, Pedro já tem mais tempo de Arruda do que eu. Explico: só comecei a ir ao estádio depois dos seis anos. Ele entrou no Arruda antes do terceiro aniversário.

Aqui do meu lado, ele conta que, na semana passada, quando assistia ao Globo Esporte esperando pelos gols de Santa x Goiás, desanimou quando foi exibido primeiro o gol do time goiano. “Pensei: é, perdemos de novo”.

Pedro tinha uma motivação a mais para vencer o Goiás: assim que chegou em Vila Rica, Mateus um colega da escola, de origem goiana, o provocou: “Você torce pelo Santa Cruz? Pô, que time ruim...” A partir daquele dia, o Goiás ficou atravessado em sua garganta.

Pai responsável que sou, prefiro não me meter em discussões de adolescentes, mas estou torcendo para que ele dê uma passadinha na casa do menino e o chame para uma análise rápida sobre a tabela do Brasileirão. Na falta dos adeptos da coisa, é sempre bom ter por perto torcedores do Goiás ou mesmo do Flamengo, torcidas que não faltam pelas bandas de cá.

O Santa das crianças na vitória sobre o menguinho

Por Samarone Lima

Amigos corais, o dia ontem começou logo cedo. Pela primeira vez, minha patota chegou à lendária Churrascaria Colosso antes do meio dia. Comemos o famoso frango completo e bebemos várias, tranquilamente, até a chegada de Joãozinho Peruca e sua gangue. Viramos muitos copos, na busca da tal cegueira, essa coisa infantil do Saulo, brindamos muito, compramos bandeira do nosso clube (assinada por todos) e quando a Sanfona Coral rasgou, o mundo pegou fogo. Resultado: Santa 3 x 0 no Framengo Clube de Regatas.

Não vou falar sobre o jogo, porque isso é coisa com a crônica desportiva, dos jornais etc. Me atenho ao que foi mais emocionante, envolvendo o nosso clube: as crianças. Ah, amigos, como uma máquina fotográfica fez falta, no dia de ontem!

Logo cedo, nove horas da manhã, eu voltava da pelada domingueira, com a chuteira pendurada no pescoço, consciente de ter jogado uma ótima partida, exausto, já pensando no jogo da tarde, no Arruda, duando dois meninos, dois molecotes aqui do bairro, me abordaram. Perguntaram se eu já tinha ingressos. Respondi que sim, presente do Oswaldo Titio. Eles me informaram que estavam indo ao Arruda, comprar os ingressos deles.

Mais que isso: estavam indo à pé. Não sei a distância do Poço da Panela ao Arruda, mas garanto que esses moleques não iriam andar menos de dez quilômetros. E eles lá estavam se importanto?

Amigos, foi uma das cenas mais tocantes do dia. Dois tricolores que não contavam com a paixão paterna do pai, para ir ao estádio, se movimentavam pela vida, em busca do ingresso. Juntaram os trocados durante a semana, completaram com o apoio de parentes. Acabei emprestando minha bicicleta, eles consertaram o pneu de outra, e daqui a pouco estavam de volta, com o sorriso iluminando o rosto de norte a sul. Mostraram os ingressos como quem exibe um troféu. No Arruda, eles vieram falar comigo. Estavam em estado de graça. Depois viriam os três gols, para a felicidade ser completa.

Outra cena aconteceu no início da tarde. Estávamos na Colosso, tomando nossa garapazinha básica e comendo o tal galeto completo, quando chega Rosa, assessora da vereadora Luciana Azevedo. Rosa estava com o filho, um pirralho lindo, com a camisa do Mais Querido. Detalhe: o pai é rubronegro e a mãe é alvirrubra. Um belo dia, o menino olhou para os pais e declarou:

"Eu sou do Tanta Cluz".

Os pais disfarçaram, mas o menino brilhava os olhos, quando via as imagens do time, na TV.

"Tanta Cluz", dizia, apontando.

Sabe-se que foram inúmeras as tentativas para fazer o menino recuar. Passeios no shopping, presentes, idas a outros estádios, mas não teve jeito. O menino olhava para as arquibancadas, para os torcedores de outros clubes, e não se sentia bem, acusava um enfado no espírito. Lá pelas tantas, o menino começou a exigir sua camisa do "Tanta Cluz", e não teve jeito. É o caso clássico de ter nascido já tricolor. Como diz João Valadares, o menino é um exemplo da evolução da espécie.

O momento mais bonito do dia foi quando ele tirou a camisa do Santa para vestir sua pequena camisa da Sanfona Coral. Gerrá, que vai ser papai, marejou os olhos, já imaginando seu filhote nos dias de jogo. Malvina botou a mão na barriga, emocionada. Quando a Sanfona entrou rasgando, o menino arregalou os olhos e começou a cantarolar o hino do Mais Querido.

Nas arquibancadas, o menino deu um show. Empurrou o time, cantou, pulou, a exemplo dos milhares de tricolores que lotaram o Arrudão, ontem, na vitória contra o Framengo. Pena que não guardei o nome dele, e nosso setor de fotografias do Blog andou de folga. A vitória foi espetacular, o time engrenou de vez, mas ontem, quem roubou a cena foi a pirralhada. Louvadas sejam as crianças corais!

Ao final do match, a Sanfona Coral emplacou o primeiro sucesso da Série A: o hino do Framengo Esporte de Regatas.

"Nunca mais Framengo, nunca Framengo
Nunca Framengo eu hei de ser
É meu maior prazer
no Arrudão
dar no Framengo
e a multidão:
Perder, perder, perder
Nunca mais Framengo,
Framengo é meu freguês".

Ps. Gerrá-zabumba já iniciou a composição do hino do Corínthias PCC Paulista. Diz mais ou menos assim:

"Pau no Corínthians
Quando cair no Arrudão
e o meu Santinha
incendiando o povão..."

Aceitamos colaborações.

Ps. Recebemos uma belíssima foto de Beto Figueirôa, mas minha burrice crônica está impedindo de publicá-la. Joãozinho Peruca e Macksandra tentarão fazer isso. Aguardem.

sábado, 22 de julho de 2006

"É hoje o dia, da alegria..."

Sem mais delongas: todos ao Arruda neste domingão, para dar uma goleada histórica no Framengo Futebol de Regatas. A concentração do Blog do Santinha, Kombi Coral e Sanfona Coral será na Churrascaria Colosso, a partir das 10h21. Joãozinho Peruca, K2 e Saulo prometem chegara bem antes, para receber todos meio cegos. Na foto, Chiló, Gerrá e Josemar, em pleno treino do Mais Querido. Não é por nada não, mas queremos saber qual o clube do Brasil que tem uma torcida como a do Santinha.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

"Desde quando eu era pequenininho, já era tricolor..."

Texto do sobrinho de Alessandra, da Sanfona Coral. O moleque tem apenas 10 anos e já faz rimas. O zabumbeiro Gerrá fez a gentileza de mandar o texto sem sequer citar o nome do garoto. E o cara ainda quer ser pai... *** Desde quando eu era pequenininho, já era tricolor, não tinha ninguém, que me fizesse mudar de cor. E quando diziam: "Menino sai da frente", não adiantava, eu ja era tricolor doente. E quando diziam: "Menino tu tas doidão!'', eu respondia: ''Pelo menos não sou do leão''. E as pessoas gritavam: "Menino abra o baú!" Nunca ia adiantar, eu não era do timbu! E aí completei 3 anos e ai nosso Santinha subiu mas em 2001 eu disse: "O Santa sumiu?'' Mas agora meu time tá na primeira mas eu adimito começou como uma topeira. Agora tenho 10 anos e mesmo assim continuo sendo Santa que agora tem 2 vitorias seguidas. E que venha o Flamengo, o Corinthias, qualquer time; nosso santinha barra tudo no Mundão e as vezes fora também. Quando perde caramba tenho as pernas bambas que sorte arretada!!! Vamo la tricolores encher o Arruda faz bem damos o dinheiro para pagar jogadores, técnico, fucionarios... e ainda comprar jogadores bons!!! Vamo lá gente!

Em busca de mais uma vitória

Por Marcílio Coelho, especial para o Blog do Santinha* No momento em que a seleção fez o que fez, ou melhor, fez o que não fez, nosso Santinha não ganhava nada, pior ainda, perdia quase todas e como se não bastasse era humilhado e alvo de gozações, parece que o futebol passa a ter graça de novo. É, quem não lembra do Pernambucano, do início trágico no brasileirão deste ano? Quantas e quantas vezes íamos ao Arrudão apostando todas as nossas fichas nas jogadas magistrais do Rosembrik, nas arrancadas fulminantes do nosso ídolo Bala, e com Tubarão - "agora o bicho vai pegar!" -, dizíamos à torta e à direita. Víamos tudo isso cegamente. Em meio a todo esse frisson esquecemos de fazer a valorosa pergunta: "Será que de fato temos um time?" Tudo bem, dessa pergunta estamos perdoados. Garanto que milhões e milhões de brasileiros também esqueceram de fazê-la quando desta última convocação do escrete canarinho, e deu no que deu! Eis que vem Goiás, vencemos 2x1 num Arruda desconfiado e apreensivo (antes da partida), goleada fora de casa 4x1 pra cima do Fortaleza. Será que aprendemos a jogar bola na Copa? Dominamos esses jogos? Impusemos nosso ritmo? Mostramos que agora temos craques de verdade? Não... acho que nada disso! Temos agora vontade, superação, dedicação, de um grupo que está em formação, mas que está, antes de tudo, querendo, buscando. Mas peraí, será que isto é suficiente ou é garantia para ganharmos até mesmo o próximo jogo? Mais uma vez talvez estamos deixando de fazer a pergunta certa, que é: "Será que devemos demonstrar que aprovamos a nova postura em campo, a garra, a determinação e, sobretudo a união, ou será que devemos esperar um pouco mais para termos mais credibilidade?" Esperar um pouco mais, até quem sabe o Nenê virar um matador badalado, o Washington explodir como um craque, ou o mexerica se tornar um mega-star cobiçado pelo sul maravilha? Acho que não. A hora é de bater palmas ou no mínimo tirar o chapéu, mesmo que amanhã não queiramos mais fazer isto. Talvez seja uma viagem minha, mas estava aqui imaginando como seria um exemplo para todo Brasil na hora da entrada de nosso Time Coral, na rotineira saudação da equipe à torcida, cada torcedor desse a mão ao tricolor do lado e juntos demonstrássemos que estamos fechados com aquele grupo e que unidos sairemos da situação que, é bom lembrar, ainda estamos. Bom, talvez isso ainda seja uma utopia, mas de qualquer forma vale o grito, vale o apoio, o incentivo. Vistamos o nosso manto coral sagrado e todos domingo ao colosso, mostrar principalmente para nós mesmos, que ainda estamos vivos. Para o Arruda, e já! *Nota do editor: O autor do texto não informou a profissão, origem, identidade, CPF, onde mora, mas vai para o ar, no clima de "todos ao Arruda".

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Pré-roteiro para o Domingo Coral

Da redação do Blog do Santinha (lógico) Amigos corais, o Santinha vai jogar desfalcado, no domingo. O glorioso Inácio França, melhor volante da história do Blog do Santinha, está no Mato Grosso (não sei se do Norte ou do Sul), visitando os filhos, Pedro e Juju, que estão pelas bandas de lá, entre jacarés e mosquitos. Inácio só deve retornar para o jogo contra a Associação Esportiva Corínthians de Regatas. Como a vida segue, vamos ao tema fundamental da vida da torcida coral até o domingo: o jogo contra o Clube Recretivo Framengo de Regatas, no próximo domingo. Nós, do Blog, recebemos dezenas de email perguntando a programação da torcida coral para o match no Arruda. Temos o seguinte levantamento: Turma 1 - Os alucinados Oswaldo Titio e outros tricolores querem ir ao Arruda já no sábado à noite, levando colchonetes e aquele isonor com gelo e cerveja. A idéia é fazer um foguinho por ali mesmo, encaminhar um churrasco e virar a noite. Segundo Oswaldo, "a saudade está grande demais". Quem quiser ir nesta comitiva, favor mandar comentário para o blog, informando o número do telefone para contato. Detalhe: cada um deve levar seu colchonete, porque Oswaldo é Titito, mas nem tanto. Turma 2 - A turma do " Vamos Cegar", ou "Futebol e Braile, tudo a ver" São os cachaceiros de sempre: Saulo, K2 (aquele tarado que jogou o rato no telhado e acabou a brincadeira, nos Aflitos), Joãozinho Peruca e toda a família de Joãozinho. Estão se organizando para chegar ao Colosso às 8h33 (o horário era 8h40, mas acrescentei três minutos como licença poética), para começar a beber e tirar onda. Detalhe: a cada meia hora, Saulo vai passar com a garrafa de cana, aos gritos de "vamos cegar, vamos cegar, vamos cegar", imitando aquela música que diz "vamos pular, vamos pular, vamos pular", essas coisas infantís do Saulo. Quem quiser estar cego na hora do jogo, favor mandar comentários para o Blog, para acertar com a turma do braile, esses camaradas que estão tão lombrados na hora do jogo, que só lembram dos gols do Santa quando são exibidos na TV, no dia seguinte. Turma 3 - a Kombi Coral Naná & habitantes do Poço da Panela estão organizando aquele churrasco em que cada criatura leva um pedaço de alguma coisa. Como Naná está trabalhando para a campanha de Carlos Wilson, e o referido candidado é timbu, a sugestão é providenciar um suculento pedaço de timbu assado, para não dar azar. Quem gosta de churrasco (e de chegar atrasado ao Arruda), é só ir para a mercearia de Seu Vital, no Poço da Panela. Não esqueça de levar um pedaço de qualquer coisa, só não vale um pedaço de osso, porque churrasco de osso é foda. Detalhe: favor não levar bebida, que Seu Vital está ficando puto com essa brincadeirinha de levaram comida e bebida para o boteco dele. Turma 4 - a Sanfona Coral Como Gerrá vai ser papai, começou a frangagem. A programação oficial da Sanfona ainda não foi divulgada. A esposa do zabumbeiro, com uma semana de gravidez, já começou a enjoar. Passou defronte à Ilha do Retiro, e vomitou tudo. Passou defronte à Casa da Barbie e botou os bofes pra fora. Aguardamos o email oficial, para divulgarmos com nossos ilustres leitores. Chiló está cheio dos pantins. Diz que está "estudando o melhor roteiro", uma safadeza crônica que temos que suportar, em nome do nosso Mais Querido. Há suspeita de mudança na condução da Sanfona. K2, o sanfoneiro pé-quente, deve assumir o controle da situação. Caberá ao ilustre Chiló animar a galera somente antes e depois do jogo. Durante, a peteca fica com o nosso diretor da califórnia. Aqui vai a sugestão do Blog: todo mundo ao meio dia na Churrascaria Colosso, com ingresso no bolso. É tomar umas lapadas e entrar na fila, para engrenar de vez a máquina. Que venha o Framengo. Ps. e amanhã, para o treino?

terça-feira, 18 de julho de 2006

O caso do pai desnaturado (final)

por Inácio França ilustração: Natacha Français, da agência Makplan Atendendo a pedidos, antecipamos o fim da historinha... Dito isso, Aurélio deu por encerrada a conversa e foi se levantando. A psicóloga não gostou da atitude do pai e ficou mais ousada, ensaiando um sermão: “É essa sua atitude que está despertando a rejeição no menino. Basta um gesto seu para desfazer essa fantasia de ser rejeitado”. “E o que é que eu tenho de fazer?” “Simples: levar Júnior para assistir a uma partida do time dele”. Foi dada a sentença. “É o quêêêê!!!!! A senhora é louca, completamente maluca!!! Passar quatro, cinco anos na faculdade para receitar uma merda dessas... eu, Aurélio, na torcida da coisa??? Faça o seguinte, domingo o Santa joga contra a coisa, tome aqui dez reais e leve ele. Diga que fui eu quem dei o dinheiro...” Aurélio esperneou, fez de tudo para evitar tamanha humilhação, mas de nada adiantou. Nos dias que se seguiram, a esposa interviu, os avós deram pitaco, a professora fez uma longa explanação sobre as dificuldades de relacionamento com os colegas e a pressão ficou insuportável. Domingo, Aurélio arrumou uma camisa azul-claro, entregou Cássio a um primo que iria para as sociais do Arruda com o filho, marcaram de se encontrar na Colosso, e levou Júnior pela mão em direção ao outro lado do estádio. O pirralho, é bom frisar, vestiu-se com uma camisa do homem-aranha. Foi proibido de usar vestimentas vermelhas e pretas. Jogo difícil, a coisa abriu o placar no início do primeiro tempo. A turba ao seu redor vibrou, o menino comemorou sem alarde, intimidado com o semblante homicida do pai (Júnior assistia a filmes de suspense e sabia que aquele olhar só quem tinha eram os assassinos). Em quinze minutos, tudo mudou e o Santa virou o jogo. Os adeptos da coisa sofreram murchando. Aurélio descobriu, naqueles minutos, que era um autêntico sádico. Quanto mais sofriam ao seu redor, mas ele sentia prazer. Uma ducha de água fria no final do primeiro tempo: gol deles. Veio o segundo tempo e tudo levava a crer que seria 2 x 2. No finalzinho, Carlinhos Bala rouba uma bola do zagueiro e marca um golaço, por cobertura. Quase que Aurélio se trai, mas a visão da torcida comemorando no lado oposto compensou a desventura daquele domingo. Na avenida beira-canal, ele se encontra com o primo que tinha ficado com Cássio. No caminho para a avenida Caxangá, o pau comeu no banco de trás do Palio branco. O primogênito (ô palavrinha com cheiro de sacristia) não suportou as gracinhas do caçula e do primo tricolores e acabou levando a pior. Aurélio, lembrando uma das recomendações da psicóloga, permaneceu neutro e avisou aos filhos e ao sobrinho: “Não quero nem saber, não sou tropa de choque para separar briga de torcida.” Três contra dois dentro de campo. Dois contra um, fora. O pirralho rubro-negro levou a pior.
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O Arruda em dia de treino da semana decisiva da Segundona 2005
Tá tudo combinado! a Coralnet e o Blog do Santinha convocam a torcida para demonstrar nosso apoio ao elenco que ganhou do Goiás e do Fortaleza com raça e vontade! Vamos ao treino de sexta-feira, às 15h30min,no Arruda. É hora de retribuir aos jogadores a energia que contagiou a massa tricolor em duas partidas seguidas. Fizemos issona reta final da Segundona e deu uma sorte arretada!

O caso do pai desnaturado (parte 1)

A história é real e os nomes são fictícios, pois não tive a oportunidade de pedir autorização aos protagonistas para publicar a história. por Inácio França
ilustração: Natacha Français, da agência Makplan O aviso na agenda escolar do filho deixou Aurélio preocupado. A psicóloga do colégio o “convidava” para uma conversa sobre o comportamento de Júnior, seu filho mais velho. Psicóloga de colégio construtivista, desses bem “cabeça”, chamar para conversar devia ser sinal de alguma complicação. Foi por isso que ele se preocupou, pois, além da indisfarçável preguiça para estudar, o pirralho não dava sinais de nenhum problema mais grave. No dia e hora marcados, lá estava ele para o compromisso com a psicopedagoga “cabeça” do colégio “cabeça”. A moça fez rodeios, circunlóquios, tangenciou e, finalmente, foi à complicação: “Senhor Aurélio, seu filho está se sentindo rejeitado pelo pai. Ele acredita que o senhor não gosta dele, que tem vergonha dele e por isso o rejeita. Isso está gerando uma alteração em seu comportamento, principalmente no relacionamento com as outras crianças em sala de aula”. Ele não entendeu nada. Como poderia estar rejeitando um menino tão amado, tão cheio das atenções. Havia algum engano ou, então, a psicóloga queria encravar alguma culpa na sua consciência só por perversão, cristã ou psicológica. “Júnior, rejeitado!?!?! Agora lascou!!! Me explique bem direitinho...” “Seu filho se sente em segundo plano, ele acredita piamente que o senhor prefere e ama mais o caçula, o Cássio...” “?!?!?!” Aurélio não falou nada, só fez cara de ponto de exclamação, como nos gibis. A moça percebeu a perplexidade do pai e emendou: “Isso está acontecendo porque o senhor sempre leva Cássio para os jogos de futebol e deixa ele em casa, com a mãe”. Finalmente, Aurélio vislumbrou alguma lógica na conversa e argumentou sem vacilar. “E a senhora queria o quê? Júnior foi atrás da conversa besta da mãe, foi atrás da empolgação dos tios rubro-negros – tios, veja bem a senhora, por parte de mãe, que na minha família não tem desse tipo de gente, não – e preferiu torcer pela coisa. Não posso fazer nada. Cássio é tricolor como eu, tem seis anos mas já sabe a escalação do Santinha na ponta da língua, então vai comigo. Se Júnior quiser ir no campo, que espere pelos tios”. Dito isso, Aurélio deu por encerrada a conversa e foi se levantando. A psicóloga não gostou da atitude do pai e ficou mais ousada, ensaiando um sermão: “É essa sua atitude que está despertando a rejeição no menino. Basta um gesto seu para desfazer essa fantasia de ser rejeitado”.
continua amanhã...
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É hora de devolver ao time a energia que contagiou a torcida nas partidas contra Goiás e Fortaleza! A exemplo do que aconteceu na reta final da Segundona, em 2005, vamos lotar o último treino antes da partida contra o Flamengo e demonstrar apoio aos jogadores que estão brigando pela bola como se briga por um prato de comida. Sexta-feira, às 15h30min, no Arruda (só falta a assessoria de Imprensa do Santa confirmar o local do treino).

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Quadro de avisos

Aviso nº 01 - Lamentamos informar que o Blog do Santinha caiu uma posição no ranking do Coke Ring, o concurso nacional de blogs da Coca-cola. Estamos em terceiro, atrás do Site do Torcedor Santista e do Reality cup. Ou a gente está escrevendo besteira demais ou estamos atualizando de menos. Em compensação, os caras do concurso mandaram duas belezas de camisas pros editores do blog. Como Samarone não foi pro Arruda na quinta-feira, a dele ficou com o pessoal da Sanfona Coral. Farrapou, dançou. Aviso nº 02- O zabumbeiro Geraldo Gerrá Lima e a triangueira Alessandra Malvina (foto acima) têm o orgulho de informar oficialmente que estão grávidos. O casal ficou sabendo do resultado do exame positivo para gravidez na quinta-feira passada, minutos antes da partida contra o Goiás. Foram ao Arruda com o papel do laboratório entocado no bolso de pai Gerrá. É importante destacar que, desde que ficaram sabendo do pirralho, o Santinha não perdeu um pontinho sequer, donde se conclui que o menino(a) tá dando uma sorte arretada! A pedido do futuro papai, o blog pede aos leitores sugestões de nomes. Samarone, por exemplo, sugeriu Givanildo, no caso de menino, e Givanilda se for menina. Pensando na possibilidade de gêmeos, Inácio deu duas sugestões: Luís Neto & Birigüi ou Marlon & Henágio.

Quarenta e dois dias de invencibilidade

No bar, nem o ex-diretor de Futebol Sylvio Belém (o respeitável senhor em primeiro plano) parecia acreditar na goleada.
por Inácio França Primeiro foi a alegria de escapar do sufoco do Fortaleza com um gol atrás do outro. Depois, veio a perplexidade de golear fora-de-casa, afinal, se antes da Copa da Mundo alguém tivesse previsto um resultado desses, seria rotulado de maluco. Parecia mais fácil acreditar no título mundial do Togo. Foi tomado por essa incredulidade que, abandonei o histerismo do radinho de pilha e, acompanhado da alvirrubra de sorriso de luz, parti em desabalada carreira para o Fernando's, pois precisava ver o que estava acontecendo, precisava ver os gols no intervalo. Não boto muita fé nos radialistas que cobrem futebol. Podia ser um complô para enganar a torcida: imaginei o cara se esgoelando gritando gooooool e o placar em branco, num 0 x 0 sem graça. Mesmo diante da imagem da TV a cabo, a tricolozada continuava desconfiada. "Nem acredito", era o mantra quando o placar já marcava 3 x 0. No intervalo, ninguém piscou até o fim dos melhores momentos. O time de branco era realmente o Santa Cruz. Depois de tantas surras, continuamos a sofrer, mesmo com o 4 x1 no placar. Nem os jogadores do Fortaleza acreditavam numa virada, só os tricolores arregalavam os olhos e rezavam o terço a cada bola que ia em direção às luvas de Guto. No final, Serjão (o personagem do texto abaixo) resumiu tudo: "estamos invictos há mais de 40 dias". Hoje, acordei e fui logo dizendo para a minha amada alvirrubra: "ontem o Santinha enfiou quatro, jogando fora". Ela sabia, ela viu tudo, mas eu precisava repetir. Não foi sonho. Estamos vivos no campeonato e com um time que briga pela bola como se fosse um prato de comida. Essa última frase não é minha, é de Nélson Rodrigues, mas define exatamente como o Santa ganhou do Goiás e do Fortaleza.

Serjão é um filósofo contemporâneo

Sérgio Costa é um sujeito experiente, já andou pela diretoria do CREA e viveu muitas coisas na vida. Só mesmo assim para acompanhar a goleada de ontem fazendo piadas como se fosse mais uma vitória, uma simples vitória.

A cada vez que Serjão abria a boca, Samarone pegava caneta e papel para anotar algum frase lapidar e me passar para publicar aqui no blog. Na véspera, enquanto tomava cerveja ladeado por um alvirrubro alegre e um tristonho adepto da coisa, ele foi professoral quando os outros dois comemoravam a boa campanha na série B: "Vou explicar uma coisa vocês sobre esse negócio de A e B. Já viram a lista telefônica? O A começa lá em cima, com Aarão, Abimal e ele vai descendo até Azis, Azoubel, mas ainda é A, a primeira letra do alfabeto. Só depois, vem o B. Começa com Bárbara, b mais a, mas já é B, não é A. Entenderam?"

Testemunhas garantem que o rubro-negro balançou a cabeça e, humildemente, concordou: "ah, tá...".

Pouco antes da partida acabar, pela primeira vez na noite nosso filósofo demonstrou espanto. Ele ficou impressionado com o, digamos, futebol do zagueiro Márcio Alemão: "Esse cara foi expulso do PCC por ser ignorante demais. Marcola chamou ele e disse: 'Márcio, pô, pega leve, tás entrando muito pesado nos caras'. Se uma Mercedes-Benz 1113 vier com a bola, ele não abre não, deixa o pé e divide com tudo".

sábado, 15 de julho de 2006

O Santa na Imprensa

O Diário de Pernambuco enfocou o sentimento no Arruda após a vitória contra o Goiás: Um único dia para curtir o sentimento de alívio pela vitória diante do Goiás - a primeira no Campeonato Brasileiro - e mais nada. A situação do Santa Cruz ainda é complicada na tabela da Série A, pois continua na lanterna, e, amanhã, já volta a campo para enfrentar o Fortaleza, na capital cearense. Então não dá para perder o foco na competição. Mesmo assim, ontem, era nítida a alegria dos jogadores, que circulavam com o sorriso largo e os ombros bem mais leves pelo peso que começaram a deixar para trás. "Realmente o peso das costas diminuiu. Nós fizemos uma boa partida, vencemos e convencemos também, o que foi muito importante", disse o capitão do time, o zagueiro Váldson. Um dos heróis do triunfo diante dos goianos, o atacante Márcio Mexerica, estava feliz mas falava com cautela. "Foi uma boa estréia a minha, mas não temos muito o que comemorar ainda, pois a situação continua difícil", afirmou, lembrando da zona de rebaixamento. O técnico Maurício Simões pensa exatamente do mesmo jeito e faz questão de manter o foco na competição. "Claro que estamos mais aliviados, mas nada que deixe a gente se empolgar. Afinal, não saímos do lugar ainda. Demos apenas o primeiro passo", completou.

O Jornal do Commércio de sábado publicou a seguinte matéria sobre a dúvida do treinador Maurício Simões: Tiano ou Washington no meio-de-campo?

Não é só quando se perde que a cabeça dói. No futebol, costuma-se dizer que quando um técnico tem boas opções para uma mesma vaga ganha um “problema”. É mais ou menos isso que aconteceu com o treinador do Santa Cruz, Maurício Simões. Depois da vitória contra o Goiás, quinta-feira, por 2x1 (de virada), no Arruda, ele ficou com uma dúvida que é para lá de boa para o time: Tiano ou Washington, quem será o titular no encontro de amanhã, diante do Fortaleza, no Castelão? Tiano, para quem não conhece, é a cadência, já Washington, a habilidade misturada à velocidade.

Se o treinador levar em consideração o êxito em cima dos goianos, Tiano leva uma ligeira vantagem. O meia entrou no início do segundo tempo, distribuiu bem as jogadas, equilibrando as ações na meia-cancha. Washington foi escolhido por Simões para ser o titular. No entanto, carregou excessivamente a bola, e não criou lances de gol, como imaginou o treinador. Simões deixou o mistério no ar.

A escalação oficial só sai hoje, pela manhã, depois do treino tático realizado no Arruda. O treinador impressionou-se com o futebol de Tiano, mas, em contrapartida, sabe que manter a mesma escalação é importante para dar a identidade à equipe. “Washington e Tiano são duas boas opções para o jogo. Mas não vou definir nada com pressa. O importante é saber como o Fortaleza vem para nos enfrentar. O ideal é que a postura permaneça a mesma apresentada diante do Goiás. Só que com um pouco mais de inteligência. Ao passar dos jogos, os atletas vão estar mais aptos para realizar o que está sendo trabalhado”, explicou o técnico.

Até mesmo pelas circunstâncias, Tiano colocou um pé na vaga. Como o jogo é fora de casa, ter a posse da bola é fundamental. E costurar as jogadas no meio-de-campo é uma especialidade dele.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Fatos & Fotos de Santa 2 x 1 Goiás

A entrada triunfal da Sanfona no estádio José do Rego Maciel

Reparem bem nessa foto: em vez do cara comemorar o segundo gol, foi tirar foto da euforia dos outros! Tem doido pra tudo nesse mundo.

A "puliça" retirou a faixa da Sanfona, colocada detrás do gol da rua das Moças. Durante o programa de Jorge Soares, um enxerido entrou no ar dizendo que tinha sido uma arbitrariedade da diretoria porque o Blog do Santinha e a Sanfona Coral fazem oposição aos cartolas. Na verdade, a faixa estava num local fora das especificações da FPF e já foi devolvida sem maiores problemas. Mas nós continuamos independentes dos cartolas e sem simpatia alguma pela "puliça".

Coluna social: o professor Horácio Reis aproveitou brecha na agenda do Ministério da Educação para rever o Santinha
As fotos acima foram feitas e enviadas pelo publicitário Róbson Senna, fotógrafo oficial do Blog do Santinha

Enfim...

A Sanfona Coral e a alegria voltam ao Arrudão
por Inácio França
Ainda na arquibancada, logo depois do segundo gol, comecei a me preocupar: como seria possível traduzir a emoção experimentada por todos nós, tricolores, no momento do gol da virada? Não era decisão de campeonato, mas comemorávamos como no jogo mais importante das nossas vidas. O resultado não nos tirou da lanterna, mas nos abraçamos como quem testemunha um momento histórico. Foi nosso reencontro com a esperança. E o reencontro dos jogadores com a vontade de vencer. Durante e depois do jogo, a garra dos nossos jogadores era unanimidade. Mas apenas garra e correria não são capazes de explicar a enorme diferença entre a partida de ontem e as vergonhosas atuações dos 10 primeiros jogos. O time acertou passes, a marcação foi eficiente já na linha do meio-de-campo, o ataque não ficou isolado. A garra de Váldson, a precisão de Cássio e a solidariedade de Nenem extravasaram o gramado, inundaram as arquibancadas e nos fizeram esquecer a sina das humilhações anteriores.
Continuamos na última posição, mas, enfim podemos torcer. Antes, nem isso. Infelizmente, a história é implacável. Com o passar dos dias, a partida de ontem será apenas uma no meio da tabela, mais uma no meio de centenas de jogos do campeonato, mais uma entre dezenas que o Santa Cruz terá disputado até o final do ano. E a frieza dos números ou dos relatos jornalísticos jamais traduzirá a fé que saiu em velocidade dos pés do camisa 11, no instante do chute a gol. As resenhas radiofônicas também são incapazes de reproduzir o sentimento de quem recupera a confiança.
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Diálogos avulsos colhidos por observadores privilegiados e ouvintes atentos na noite de ontem:
- A defesa tá uma bosta! Vamos perder de novo!
- Que nada, rapá. Levamos o gol por azar. Foi azar.
- Ah, é? Então vai no Mercado de São José e pede meio quilo de sorte pra gente - dois sujeitos na arquibancada, logo depois do gol do Goiás.
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- Vai, Tiririca!
- É Tiririca não, o nome dele é Márcio Mexerica.
- E Mexerica é nome de homem? Vai ser Tiririca, Mexerica é nome de frutinha - outros dois sujeitos próximos à Sanfona Coral, pouco antes do gol da virada.
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- Eu jogo melhor que esse Nenem! - o jornalista Júlio Bandeira, depois que Nenem perdeu um gol no primeiro tempo.
- Vou entrar de férias em agosto, entrar em forma e pedir a vaga desse Nenem - o mesmo jornalista, no intervalo da partida.
- Vai ser gol de Nenem! Quer apostar que vai ser gol de Nenem? - Júlio Bandeira, quando o Santa já vencia por 2 x 1.
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- Cadê Samarone? Ele tá com medo de vir, é? - leitores do blog, antes do início da partida
- Se o Santa ganhar, Samarone pode ficar em casa até o final do ano - leitores do blog, animados com a garra do time.
- Tá tudo certo: o próximo jogo de Samarone vai ser contra o Serrano, em 2007 - os mesmos leitores, faltando cinco minutos pro final da partida.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Pessimismo em campo

Faltam uma hora e quarenta minutos para o Santa Cruz retomar sua participação no Campeonato Brasileiro da primeira divisão e, a julgar pelo resultado da enquete que iniciamos há uma semana e acabamos de encerrar, o time entrará em campo com uma multidão de torcedores pessimistas esperando nas arquibancadas. Entre os 161 votantes, 113 (ou 70,19% do total) não acreditam que a reestruturação realizada durante o recesso da Copa do Mundo irá dar bons resultados. Outros 25 tricolores (15,53% do total de participantes da enquetes), se dizem otimistas, mas continuam com um pé atrás, ou seja, acreditam que o time irá melhorar, mas não o bastante para livrar o Santinha do rebaixamento. Os otimistas puro-sangue são minoria: apenas 23 tricolores (14,29%) apostam na permanência na Série A em 2007.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

O desejo e a realidade

Por Samarone Lima Amigos, o que mais este Blog do Santinha fez, desde a inauguração, em 10 de agosto de 2005 (ôpa Inácio, temos que comemorar!), foi empurrar o Santinha, animar a torcida, incentivar olhares críticos para nossa emoção futebolística. Olhei há pouco meu primeiro texto, aqui neste espaço, sobre um jogo do Mais Querido: foi publicado dia 17 de agosto de 2005, após uma vitória por 1 x 0 em cima do rubronegro baiano. Chegávamos aos 37 pontos, naquela jornada maravilhosa de 2005. Mais que isso, na crônica eu citava o nascimento da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral, hoje um patrimônico cultural da torcida do Santa Cruz. Eu, o velho Inácio e dezenas de colaboradores, de leste a oeste do Brasil, e até do exterior, estivemos com o focinho grudado na TV, os ouvidos arregalados nos jogos sem TV, e não deixamos de estar no arrudão, ao lado da já lendária Kombi Coral. Aqui, neste pequeno espaço, organizamos viagens, articulamos a Minha Cobra, encaminhamos feijoadas, publicamos fotos, ampliamos amizades. Vimos o Santa subir para a Primeira Divisão, acompanhamos cada lance do Estadual 2006, quando deixamos o bi-campeonato escapar por entre os dedos do pé de Lecheva. Começou a Segundona, e o Blog acompanhou, infelizmente, os primeiros jogos. Pela graça divina, chegou a Copa do Mundo. Claro que iremos ao estádio amanhã, ver o jogo contra a Associação Futebolística-Musical Goiás. Claro que Chiló vai levantar a galera, e há promessas inclusive de termos o retorno da Minha Cobra. Ou seja: a torcida continua fazendo sua parte. Mas aqui vai a confissão, tirando toda a paixão de lado: nosso time vai entrar em campo dependendo mais da vontade do que do futebol. O Goiás, com 17 pontos, é um time arrumadíssimo, tinhoso, que não tem medo de jogar na casa do adversário, e só pensa na Libertadores. Estão na dúvida se o Johnson, aquele angolano que acabou com a gente, na Série B do ano passado, entra como titular ou não. Johnson, aqui, seria a salvação da lavoura. Sempre acusei o magro João Valadares de ser o mais pessimista dos tricolores. Dou a mão à palmatória. Hoje, sou o mais pessimista dos tricolores. Acho que temos mesmo um dos piores times da Séria A, quiçá o pior. Não acredito em uma "arrancada fulminante", como não acredito em Papai Noel. O tempo de uma Copa do Mundo não nos aponta redenções. Penaremos muito para fazer um reles gol no clube goiano, dirigido pelo competente Antônio Lopes. Deus queira que eu esteja errado. Depender da raça, da correria, é uma maravilha, serve como uma boa chuteira para a Segunda Divisão. Perdemos recentemente, em negociações nebulosas, Carlinhos Bala e o nosso Rosembrik. Desde que criamos o Blog do Santinha nunca senti um descompasso tão grande entre o meu desejo de torcedor e a realidade do time. Aguardemos até o final dos 90 minutos. Eu quero muito, desta vez, estar completamente errado.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Hora do reencontro

Todos ao Arruda, palco de nossas verdades

por Inácio França

Meu amigo Edmundo Barreiros, jornalista do site do Globo Esporte, torcedor do fluminense e de todos os times tricolores, costuma repetir a tese de que Copa do Mundo é coisa feita pra quem não gosta de futebol: “Isso é show pra entreter boiola e perua. Quem gosta de futebol pra valer, gosta mesmo é do cimento de arquibancada, gosta mesmo é de Olaria x Madureira”. Está cheio de razão o meu amigo carioca. Depois de um mês de Copa do Mundo e 40 dias sem futebol no Brasil, tenho a sensação que ficamos esse tempo todo acompanhando emoções alheias, como meros espectadores da diversão dos outros. Ver futebol pela TV – e só pela TV –, sem a esperança de ver o jogo de volta em casa, é que nem assistir aqueles programas de culinária de Ofélia, quando ela fazia cada prato arretado e dizendo que o refogado estava cheirando maravilhosamente bem, que estava saboroso, que isso e aquilo, e o sujeito em casa, resignado com o feijão de ontem. O bom do futebol é tomar uma cervejinha antes de entrar no estádio, encontrar os amigos, escutar aquela gritaria dos camelôs vendendo bugigangas pirateadas, ver os pais levando as crianças pela mão, chegar à arquibancada e se encantar com o verde do gramado iluminado (em todo jogo à noite, experimento a mesma emoção da primeira vez que o verde do campo do Arruda se abriu à minha frente). Sofrer e comemorar no estádio, por mais que ele cheire a mijo e o time segure a lanterna do Campeonato, é mais verdadeiro que centenas de jogos transmitidos ao vivo da Europa. Aprendemos muito mais com o torcedor anônimo sentado ao lado, com quem compartilhamos nossas dores e alegria, do que com as análises táticas dos computadores. É por isso que a torcida tricolor está doida para ir ao Arruda novamente. É hora de reencontrar nossa realidade e nossa ilusão.

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Confirmadíssimo! A Sanfona Coral e a Minha Cobra também retornam às arquibancadas no Arruda nesta quinta-feira. O ponto de encontro será na churrascaria Colosso, uma hora antes da partida.

domingo, 9 de julho de 2006

Han Solo é tricolor

A pedidos de alguns torcedores que enviaram mensagens para o endereço eletrônico blogdosantinha@gmail.com, o Blog do Santinha um texto de Inácio França veiculado originalmente no natimorto site da Confraria Ninho da Cobra, no início de 2005. Como a página do (aparentemente) falecido grupo de oposição tricolor ficou poucos dias no ar, resolvemos atender aos apelos desses leitores. Inicialmente, a idéia era escrever uma série de crônicas com personagens de outras áreas, mas tudo se resumiu a esse texto solitário.

por Inácio França, em 21 de março de 2005 Esse tema vem me perseguindo há algum tempo, desde que folheei um livro de crônicas de Paulo Mendes Campos na Livraria Arraial, ali na Tamarineira. Folheei, mas não comprei. Estava liso. O gol é necessário é o título do livro, uma seleção de textos sobre futebol escritos por um dos melhores cronistas da língua portuguesa (pau-a-pau com Rubem Braga e Nélson Rodrigues). Numa das crônicas, Paulo Mendes enumera dezenas de escritores, poetas, compositores, músicos, escultores e pintores e, de acordo com as características de suas respectivas obras ou traços de suas personalidade, os associa a um dos quatro grandes clubes do futebol carioca. Ali em pé no meio da loja, foi a única crônica que li inteira. É fácil perceber que o texto, saboroso e divertido, foi feito por um sujeito que possuía um conhecimento vasto, com muita leitura e sensibilidade ao ponto de identificar pontos em comum entre os clássicos da cultura universal e as almas das torcidas do seu querido Botafogo, do Flamengo, do Fluminense e do Vasco. Fiquei sem entender muitos dos exemplos que ele dá. Conheço pouca coisa da vida e da obra dos gênios citados por Paulo Mendes Campos, mas não tenho dúvidas que ele teve uma sacada genial. Com ajuda do Google encontrei um trecho dessa crônica na web. Entre os autores mencionados no tal parágrafo, só tenho, digamos, um pouco mais de “intimidade” com Dostoieski e Machado de Assis. O russo sofreu tanto que, com absoluta certeza, seria botafoguense caso tivesse nascido no Rio. Machado, apesar de não ser um grã-fino, seria Fluminense. O místico e religioso Johann Sebastian Bach é outro cheio de afinidades com o Botafogo. Quanto aos demais, não tenho a mínima idéia dos critérios utilizados pelo autor de O amor acaba. Idéia boa tem mais é que ser copiada, por isso me inspiro no cronista para, a partir de agora, tentar fazer associações semelhantes com as torcidas do Santa, da “Coisa” e da “Barbie”. Como não tenho um milésimo do conhecimento e da “bagagem” de Paulo Mendes, quase sempre vou recorrer a personagens ou produtos da indústria cultural. Até agora, só consegui estabelecer vínculos entre as torcidas pernambucanas e os personagens da série de filmes Guerra nas Estrelas. Afora esses, não lembrei de mais nenhum outro. Aí vai o resultado dessa minha “viagem”: Han Solo e Chewbacca – aquele piloto de uma nave caindo aos pedaços e o seu mascote meio-cachorro-meio-abominável-homem-das-neves – são 100% tricolores, afinal batalham feito condenados para ganhar uns trocados, mas Harrison Ford ainda come a mocinha no final. Outro tricolor de carteirinha é Obi-Wan-Kenobi, uma espécie de sábio muito sensato que transmite seus ensinamentos aos mais jovens. A torcida alvirrubra é fácil de identificar: a princesa Lea e o irmão insosso dela, o herói Luke Skywalker. O pai deles, Anakim, nasceu alvirrubro, com aquela cara de bom menino que vive na decadência, mas tem “berço”. Depois, Anakim vira rubro-negro quando se transforma num megalomaníaco, acreditando que é o fantasiado mais poderoso do universo. Como ele não criou os filhos, Lea e Luke continuaram cor-de-rosa. Além de Darth Vader/Anakim, os rubro-negros têm um torcedor de peso: é Jabba, aquele monstrão gordo e nojento que lidera uma máfia num planeta arenoso. Feio e prepotente, deve ter sido o criador do “casá-casá”, grito de guerra da quadrilha dele. Lembrei de outro alvirrubro: Jar Jar Binks, um bicho esquisito, inconveniente e meio alesado do planeta Naboo. Nem é preciso fechar os olhos para imaginá-lo caminhando pela rua 48 gritando N-A-U... Pronto, não consigo ir além disso, mas aceito sugestões. Reproduzo abaixo o trechinho que encontrei da crônica de Paulo Mendes Campos, se alguém souber explicar porque Camões não é Vasco, e sim flamenguista, por favor me diga. Antes de deixá-los com Paulo Mendes, volto a Dostoeviski para garantir que, se o autor de Crime e Castigo fosse pernambucano teria sofrido conosco lá no Arruda, nas últimas finais de campeonato. "Miguel Ângelo é botafogo, Leonardo é flamengo, Rafael é fluminense; Stendhal é botafogo, Balzac é flamengo, Flaubert é fluminense; Bach é botafogo, Beethoven é flamengo, Mozart é fluminense. Sem desfazer dos outros, é com eles que eu fico, Miguel, Henrique, João Sebastião. Dostoievski é botafogo, Tolstoi é flamengo (na literatura russa não há fluminense); Baudelaire é fluminense, Verlaine é flamengo, Rimbaud é botafogo; Camões não é vasco, é flamengo, Garret é fluminense, Fernando Pessoa é botafogo. Sim, Machado de Assis é fluminense, mas no fundo, debaixo da cepa cética, Machado, um bairrista, morava onde? Laranjeiras!"

Tem Folha Seca nova no ar: www.pernambuco.com/copa/folhaseca

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Enquete nova no ar e outros avisos

Aviso 01: Iniciamos mais uma enquete para saber qual o estado de ânimo da torcida tricolor em relação ao reinício do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Como sempre, a enquete está no menu do lado direito do blog, logo abaixo do banner do Coke Ring. Aviso 02: Por falar em Coke Ring, no mais recente ranking quinzenal deste concurso nacional de blogs da Coca-cola: continuamos num respeitável segundo lugar. na classificação com validade até a próxima segunda-feira, 10 de julho. Aviso 03: Voltamos a atualizar a coluna Folha Seca, no portal do Diário de Pernambuco (www.pernambuco.com/copa/folhaseca), com um texto de Inácio França sobre Filipão e a pilantragem dos árbitros da Copa do Mundo. A partir de segunda-feira, voltaremos a nos dedicar exclusivamente ao blog (que nossos chefes não nos escutem...).

quarta-feira, 5 de julho de 2006

A volta da Sanfona Coral e da Minha Cobra

Faltam oito dias para a retomada do Campeonato Brasileiro. E, quando o Santa Cruz entrar no gramado na quinta-feira, 13 de julho, a Torcida Organizada Musical Sanfona Coral voltará às arquibancadas do Arruda com sua formação completa. Depois de um longo período de inatividade, o sanfoneiro Chiló, o zabumbeiro Gerrá e os triangueiros Malvina e Josimar, ão esquentar a massa tricolor no reencontro com o time. Como o desafio de escapar da lanterna da Série A exige reforços para animar a massa tricolor, a Sanfona irá acompanhada da Minha Cobra, a gigantesca coral de 28 metros. Será a reestréia da cobra, que só foi ao Arruda uma vez, na vitória contra o Vila Aurora na Copa do Brasil. O ponto de encontro será na churrascaria Colosso, uma hora antes da partida contra o Goiás.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Crônica de uma derrota anunciada

Por Samarone Lima Tem coisas que eu faço e depois fico me esculhambando em praça pública. No dia do jogo da seleçãozinha do Parreira contra a Françona, fiquei tão concentrado assistindo o Portugal do Felipão detonar a Inglaterra Futebol de Regatas, que consegui uma proeza existencial-futebolística: às 15h, eu estava dentro do ônibus do Cabo, com destino ao Recife. Vários amigos me esperavam, desde cedo, os churrascos comendo no centro, enquanto o otário aqui esperava o motorista dar a partida. Não vou contar a viagem, porque teve de tudo. Gente com corneta, mulheres cheias de sacolas (o que diabo as mulheres fazem com um monte de sacolas, em dia de jogo decisivo da seleçãozinha?) O fato principal do dia foi a chegada à avenida Dantas Barreto pontualmente às 16h, quando estava começando o jogo. E agora? Onde assistir ao jogo? Em casos de indecisão, acho melhor seguir a intuição. Melhor, a multidão. Acabei no Pátio de São Pedro, onde uma multidão assistia a pelada num telão gigantesco. É por aqui mesmo, pensei, e comecei a bebericar no Buraco do Sargento. Como não tinha ninguém para ficar comentando comigo, paguei a cerva e dei o fora. Num outro boteco, mais decadente, descolei uma mesinha, sentei muito contente, e só depois do primeiro gole, reparei que a imagem mostrava 44 jogadores em campo. Fiquei por ali um tempinho, mas aos 33 minutos do primeiro tempo, eu já estava gritando a plenos pulmões que o Parreira tinha que mudar o time. Infelizmente, ele não me escutou. No intervalo, dei uma volta pelo Pátio. Começou uma música baiana, e o povão tome a dançar e beber. Ao meu lado, um sujeito começou a dançar, imitando uma estripe tease, depois subiu na cadeira. O PM ao lado, comentou comigo: "Esse é cem por cento frango". Logo apareceu outro, rebolando ainda mais. "Esse aí é duzentos por cento frango", completou o PM. Quando aqueles pilantras voltaram para o segundo tempo, eu não acreditei. O treinador não mexeu no time! "Ele vai esperar a gente levar o primeiro gol, para mudar", vaticinei. Mudei de bar novamente, para dar mais sorte. Em pouco tempo, encontrei os meus. "Vai, caralho!" "Xadê o meio de campo?" "Cafu, doente!" Faltando dez minutos, achei que estava dando azar e fui para uma barraquinha fuleiríssima na Dantas Barreto, tomar uma Schin gelada. Ao lado, numa mesinha simples, os caneiros. Fiquei ao lado, mas eles insistiram. "Vem pra cá, rapaz! Vai ver o desastre sozinho?" Eu fui. Comemos macaxeira com guizado e tomei umas lapadas. "Sabe o que é isso? Síndrome de 98. Essa Copa vai ser de Portugal", me disse um deles, que repetia o tempo inteiro: "Estou bêbado". Já perto do finalzinho, com a desilusão rondando todos, um dos meus amigos soltou essa: "Ôx, o Santa Cruz tá jogando melhor". Aparece a cara do Parreira, na TV, e ele emenda: "Sai, cara de gia!" O outro arremata: "É importante dizer que eu perdi dez cervejas!" O juiz apita o final do jogo, a Copa acabou para o Brasil. Uma multidão começa a sair do Pátio, passando pela Dantas Barreto. Uma multidão de tristes, chateados, alguns inconsoláveis. Mas há mais raiva que tristeza. O time não jogou nada, e isso ajuda a abafar qualquer sofrimento. Ruim é perder jogando um bolão, com um vacilo no final. Ao meu lado, o camarada que disse estar muito bêbado, me olha atentamente e confessa: "Tô triste. Tô muito triste". E começa a chorar. Como chorei todas as minhas lágrimas futebolísticas com a Seleção de 82, fiquei olhando o desamparo do amigo, depois tomei mais umas e fui embora. Aqui vai uma confissão: o último estadual, que perdemos nos pênaltis, me doeu muito mais. Na coluna Folha Seca, do Pernambuco.com (www.pernambuco.com/copa/folhaseca), Inácio França diz obrigado, Zidane.

domingo, 2 de julho de 2006

A Copa no Arena Arruda?

Dá pra imaginar o Arrudão parecido com o estádio do Borussia?
por Luís Oliveira, ex-enviado especial a Alemanha. A última partida da Copa que assisti na Alemanha foi o jogo da Seleção contra Gana. A partida aconteceu numa tarde e isso levou menos brasileiros ao estádio de Dortmund do que na última vez. Ao contrário de Berlim e Munique, essa região da Alemanha conta com menor número de migrantes, a maioria dos quais não foi liberada de suas aulas ou do trabalho para ver a seleção. Por isso, ao contrário do que Galvão Bueno disse na transmissão: as camisas amarelas no estádio eram vestidas em grande parte por venezuelanos, colombianos, noruegueses e até alemães torcendo pelo Brasil. Como o Blog deu uma guinada na linha dos texto sobre Copa, também mudo o foco para um assunto muito comentado pelos brasileiros na Europa. Observando o belíssimo estádio do Borussia, fiquei me perguntando: em 2014, teremos mesmo uma Copa no Brasil? Terá o nosso querido Arrudão condições de sediar um jogo do Mundial? Acho difícil, até por razões políticas. Blatter não gostaria de inflar a influência de Ricardo Teixeira na FIFA. Ademais, falta-nos a infra-estrutura básica: rede hoteleira eficiente, transporte público de qualidade (em Dortmund, como em todas as cidades, o metrô para na porta do estádio e possui boa interligação com o ônibus e o bonde), etc. Nos sobra apenas capacidade de fazer festa (na Alemanha, mesmo em dia de jogo, as cervejarias estão fechando às 22h30!). Todavia, o mais grave são os estádios. Hoje, apenas em sonho imagino um Arruda com acesso facilitado para o torcedor, inclusive deficiente físico; restaurantes de qualidade em seu entorno; cadeiras confortáveis em todo estádio; banheiros decentes e um placar eletrônico. Teria nossa torcida condições de bancar e, sobretudo, manter tudo isso? E as diretorias que se revezam no clube teriam condições morais de captar recursos para tais investimentos? Mas se sonhar não custa nada, já imagino o ponta-pé inicial da seleção brasileira no Colosso, comemorando em grande estilo nosso centenário e matando de inveja os torcedores da coisa, cujo chiqueiro já foi praça do longínquo e de má memória Mundial de 1950. Talvez seja a missão histórica do Santinha exorcizar este passado!