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quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Perfil coral 1: Neto, o Anjo da Guarda

Por Samarone Lima Chego ao Arruda para uma entrevista com Neto, o camisa 5 do Santa Cruz. É tardinha, no nosso estádio, e Inácio França, chega depois. Ficamos olhando a piscina, os funcionários, pensando nossas besteiras, quando surge a necessidade de uma definição para Neto. Inácio me cutuca e diz: “Rivelino era a Patada Atômica, Gerson era o Canhotinha de Ouro, Zico era o Galinho de Quintino. E Neto?” Ficamos em silêncio. Inácio pensa, pensa e responde: “O Anjo da Guarda”. Concordo imediatamente. Ficamos lembrando de Neto em campo, sempre protegendo, defendendo, amparando o time, sem fazer alarde, sem aparecer muito, sem muita entrevista, sem marketing. Antes da entrevista, Neto já é o Anjo da Guarda tricolor. Falamos com Álvaro Claudino, assessor de imprensa do Santa Cruz. “Cadê Neto?” “Está ali, fazendo a divisão do dinheiro para as cestas dos funcionários”. Então sai Neto do vestiário, para uma conversa com a reportagem do Blog do Santinha. Ficamos sabendo que ele é um dos líderes do grupo, o responsável pela arrecadação de dinheiro para ajudar os funcionários do Santa. A imagem é surreal. Chega um senhor e pergunta: “Neto, tu me ajuda a atravessar a rua?” É um cego, amigos. Um cego, pedindo ao nosso atleta para ajudá-lo a atravessar a rua. Já na saída do estádio, pede dez reais. Neto puxa o dinheiro e pede a alguém para ajudar a atravessar o velhinho. Então ficamos sabendo mais de Neto, que tem 28 anos, (ele não me disse seu nome completo, eu também não estou preocupado com o nome completo dele). É Neto, simplesmente Neto, o Anjo da Guarda tricolor. E começamos a conversa com estas coisas singelas, que fazem do jogador um ser mais humano. No vestiário, dividindo o dinheiro das cestas básicas, e depois, ajudando um ceguinho. Como quase todo jogador de futebol deste País, Neto veio de família humilde, uma cidade chamada Miguel Calmon, a Fazenda Bitu, para sermos mais precisos, sertão da Bahia, a 360 quilômetros de Salvador. E Neto, o nosso número 5, com mais de 120 jogos vestindo a camisa do Santa, é o quinto filho. O filho que juntava dinheiro, comprava bola e o pai rasgava. Juntava dinheiro, comprava outra bola, e o pai rasgava de novo. Até que um dia, com 16 anos, jogando pela seleção de Miguel Calmon, contra um glorioso escrete da cidade vizinha, na final da Copa do Feijão, neto foi descoberto por um empresário e levado para o Fluminense de Feira (de Santana). Nunca mais seu pai rasgou as bolas do filho. Como pouquíssimos jogadores do futebol deste País, Neto esbanja caráter, personalidade, visão de mundo e, principalmente, solidariedade. É como se o que ele faz em campo, ajudando o Santa, fosse reflexo do que faz na vida cotidiana. “Não adianta pensar só em mim, nem só no elenco. É preciso pensar também nos funcionários, em todos”, diz. Ficamos sabendo também que ele é responsável por fazer uma arrecadação entre os jogadores, para dar uma ajuda aos atletas que não jogaram. Quando perguntado sobre sua trajetória no Santa, ele é cauteloso. Diz que está fazendo um trabalho contínuo, ocupando seu espaço. “Tenho a preocupação com meu crescimento não apenas como jogador, mas como homem, como caráter”, diz. Usando com freqüência o verbo “crescer”, Neto vai falando sobre sua vida e sua preocupação com tudo o que envolve o mundo do futebol. Vem sendo assediado por empresários (média de cinco ligações por dia), mas tem a cabeça no lugar. “É só você estar bem, que aparece uma multidão de empresários”, diz Atleta evangélico, da Igreja Presbiteriana do Pina, Neto trabalha na igreja ao lado da esposa, num ministério da “restauração de lares”. Eles dão amparo a casais que estão à beira da separação. Olho para Inácio e tenho certeza da escolha – o Anjo da Guarda. Nas horas vagas, ele não vai ser encontrado num pagodão, em farras, tomando suas cachaçadas. Poderá ser encontrado na igreja, num shopping, passeando com Anderson e Andreza, os dois filhos, ou buscando casais que precisem de ajuda, para levar sua experiência. Como um bom Anjo da Guarda, Neto sabe que está ajudando o time sem muito alarde. “Não apareço muito, não estou nos destaques da mídia, mas sei que faço uma parte importante na marcação, no apoio ao time”. E quando entra em campo, Neto, o que tu sente com a massa coral? “A única sensação que dá é um arrepio. Não tem como não correr, dar o sangue pelo time. A torcida do Santa é de arrepiar qualquer jogador”.

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Neto realmente é um ponto fora da curva de distribuição dos jogadores de futebol. É um camarada sério, que joga por ele e por Andrade. Uma coisa que sempre me impressionou foi como o rapaz fala bem e articuladamente quando entrevistado.

Ah, "Anjo da Guarda": não poderia ser melhor..

10/27/2005 10:13:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Estava exatamente pensando em elogiar essa qualidade de Neto, a de ser "desenrolado" nas entrevistas, já referida acima. O cara tem personalidade,e a matéria de vocês revela um grande coração, esse espírito de solidariedade. A gente lembra que ele já foi bastante criticado, mas sua determinação o tem levado a conquistar seu espaço, com muita competência. Vemos que a lendária camisa 5 do Santinha (que já foi de Givanildo, Zé do Carmo, Mancuso e outros) está muito bem nele. que Deus o abençoe e o ajude a nos trazer mais alegrias !

10/28/2005 12:38:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Com certeza Neto tem mostrado uma personalidade incrível nas entrevistas. Depois do jogo contra o Grêmio, lá, da segunda fase, eu tinha dito que o melhor momento do jogo tinha sido depois dele. Na entrevista de Neto. Assim como muitos, critiquei-o bastante no início. Mas já a partir do final do ano passado e, principalmente, esse ano tornou-se um dos meus ídolos!

Viva o Anjo da Guarda Tricolor!!!

10/28/2005 11:12:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Inácio e Samarone,

desde a primeira vez que vi onze jogadores do Santa Cruz entrando em campo, em 1989, pude ter a certeza que este clube era muito mais do que o meu pai, tricolor desde criancinha, me contava. Pude notar que torcer pelo Santa Cruz implicava em envolver toda a sua vida nisso. Quem torce pelo Santinha não tem o dom de se desligar para realizar outras atividades, secundárias, como trabalhar, por exemplo. O sofrimento e alegria que este time nos faz sentir não pode ser ignorado e é o responsável por todas as atitudes passionais dos "personagens" das histórias contadas neste blog.

Sentia falta de um veículo que traduzisse o que é amar o Santa Cruz.

PARABÉNS!

10/28/2005 06:32:00 PM  

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