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quarta-feira, 31 de maio de 2006

A Inferno fala: "queremos atitude"

por Samarone Lima No jogo contra o Botafogo, algo chamou a atenção da torcida: o protesto da organizada Inferno Coral. Além das faixas de cabeça para baixo, os integrantes da Inferno usaram nariz de palhaço, tentando traduzir a irritação com a situação vexatória do time, que naquele momento estava com míseros dois pontos. Depois do jogo, o Santa continuou na lanterninha, com 3 pontos – dos 24 disputados. Para Fábio Coelho Neto, de 28 anos, presidente da Inferno há oito, o protesto foi organizado pela torcida para que a diretoria “olhasse com outros olhos” a situação do clube. Mesmo avaliando como “ótima” relação com a diretoria, Fábio lembrou que comanda uma torcida independente, e que antes de tudo, “está o Santa”. Ou seja, na hora de criticar, a torcida irá separar a boa relação com a diretoria e vai mesmo se posicionar. “A gente quer ver atitudes, problemas serem resolvidos. É o nosso papel. Se continuar assim, os protestos vão aumentar”, disse. Para Fábio, as contratações que não vêm dando certo no Santa têm uma característica: são jogadores tarimbados, vividos, sem o espírito de luta e a garra de um Neném, por exemplo. “Ele é melhor que Val Baiano, Zada, e outros que estão no time”, destacou o presidente da Inferno. As entrevistas do treinador Waldir Espinosa, dizendo que falta qualidade ao elenco, já não irritam os torcedores. “A gente ficava puto, mas hoje a gente vê que é a realidade do clube. Falta qualidade, matéria prima. Tem que contratar gente”. Fábio diz que a Inferno tinha a expectativa de uma Primeira Divisão difícil, com muitos times bons em ação, mas jamais imaginava que o Santa fosse desempenhar o pior início de campeonato da história do brasileirão. “Vamos exigir, vamos cobrar soluções, cobrar a saída de alguns jogadores”, lembra. Para o presidente da Inferno, o que a torcida não pode é ficar parada. “Juntos, podemos decidir o futuro do clube”, diz. Ele só lamenta a repetição dos erros, justamente agora, que o Santa conseguiu chegar à Primeira Divisão. “Todo ano é isso. A gente sofre tanto para subir... É a mesma coisa, parece que o pessoal não aprende”. Sobrevivência – A Inferno tem 1.500 sócios e sobrevive principalmente da venda de seus produtos (camisas, jaquetas, bonés, calças), em duas lojas. Uma fica na Rua do Hospício, 194, loja 06. A outra, fica defronte ao Arruda. Fábio Coelho destaca a independência da torcida, que vive do seu próprio faturamento. A principal ajuda da diretoria do clube acontece quando o time joga fora, e fornece algumas passagens. “A gente consegue também com empresários”, afirma. “É um sacrifício muito grande. Num jogo importante mesmo, gastamos uns dois a três mil reais na festa”, avalia Fábio. Dia 18 de junho, dia do jogo Brasil x Austrália, será realizada uma feijoada, no mini-campo, atrás do Arruda. Haverá telão e 30 grades de cerveja, além de feijoada e uma camiseta da torcida. A festa vai custar R$ 25,00 por cabeça. Segundo Fábio, o objetivo da feijoada é reunir a torcida. P.S - Por conta de estranhas coincidências históricas, o colunista Inácio França teme que a Copa do Mundo seja conquistada por uma seleção de camisa azul. Leia mais no www.pernambuco.com/copa/folhaseca

terça-feira, 30 de maio de 2006

Textos de novos colaboradores

Voltamos a publicar textos dos leitores do blog. Hoje é a estréia de novos colaboradores. Além disso, Inácio França atualizou a coluna Folha Seca, na edição on-line do Diário de Pernambuco: www.pernambuco.com/copa/folhaseca Com que roupa eu vou? por Abrahão Lucas, engenheiro de uma multinacional de fotografia Infelizmente mais uma rodada do Brasileiro da primeira divisão se passou e nós, torcedores corais, ainda não vencemos. Na qualidade de bom e fiel torcedor, eu me dirigi ao Arrudão com a certeza de que este seria o jogo da virada, onde o Santinha empurrado por sua torcida chegaria à primeira de uma série de vitórias no Brasileirão. O seu adversário, o Botafogo, contava com a ajuda de alguns Paraibabacas, burro-negros e alvi-rosas, sendo este último responsável indireto pela nossa derrota para o Juventude. Explico: quem viu pela televisão o jogo de Caxias do Sul, percebeu um alvi-rosa com uma camisa do náufrago na torcida do Santinha. Deu no que deu. Ao sair de casa para o jogo eu percebera que, nos jogos anteriores, eu já tinha vestido todas as minhas camisas do Santinha, inclusive a do novo padrão. Então resolvi, na qualidade de bom torcedor e mandingueiro (por via das dúvidas), vestir uma camisa diferente, o mais preta possível, como sinal de luto e resignação. Pois bem, acabei por vestir uma camisa do Manchester United (possível adversário do Santinha em Tóquio) onde predomina a cor preta. Somente ao chegar no Aroeira (barzinho próximo ao Arruda) percebi a besteira que tinha feito. Meus amigos começaram a perguntar o por quê de eu não ir com camisa do Santinha, o que de pronto eu expliquei, mas não tinha me dado conta que a camisa era preta com detalhes brancos (as cores do Botafogo). Agora eu corria o risco de apanhar da Inferno Coral. De qualquer forma, ao entrar nas sociais, avistei uma vez mais uma camisa alvi-rosa, só que desta vez, na torcida do botafogo - um ótimo prenúncio – disse eu a um amigo. Agora vai!!! Ledo engano. Nosso time além de limitado tecnicamente, tem um técnico que consegue atrapalhar. Isto sem falar no juíz. Ô juizinho discarado, mas eu não quero me aprofundar nesta questão. Voltando ao nosso time, por que Tiano não entrou no lugar de Zada (qualquer um poderia entrar no lugar de Zada!)??? Por que Val Baiano entrou em campo (ele entrou mesmo em campo???) ??? Por que Elvis improvisado na lateral direita??? Quem ficou na lateral depois da saída de Elvis??? Pra que um técnico que diz vai lutar apenas contra o rebaixamento??? A vitória mais uma vez não se encontrou com o Santinha. Daí eu deixo a seguinte pergunta para o próximo jogo : "Com que roupa eu vou?" ***** Pra completar, um poeminha capturado na Internet por Erick Ramo, um farmacêutico que mora em São Paulo, onde faz doutorado na famosa Escola Paulista de Medicina. O torcer pelo meu Santa é diferente de qualquer outro torcr É diferente, pois não se restringe a ser Somente torcedor Torcer pelo meu Santa é como casamento Nas alegrias e nas tristezas Na saúde e na doença Mesmo quando a doença parece não ir E as tristezas teimam em permanecer Isso por que o torcedor do meu Santa não torce por um time Torce por uma nação E tal qual em uma guerra Um cidadão não renega um país Mesmo que a derrota seja grande O torcedor do meu Santa apóia seu time na derrota Pois os obstáculos engrandecem Seu sentimento de nacionalismo E que me perdoem os que têm apenas títulos Claro que são importantes Mas o torcedor do meu Santa tem algo que os outros nunca terão: Tem paixão, tem amor! Sou Santa Cruz, de corpo e alma. E serei sempre, de coração.

ATASC: mais um espaço de participação

A moçada das ATASC (Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz) pediu para avisar aos leitores do Blog do Santinha que o site já está no ar (com link aí no menu do lado direito) e que amanhã, quarta-feira, ocorrerá a Assembléia Geral que vai formalizar a posse dos Conselhos diretor e fiscal, além da apresentação dos primeiros projetos da entidade. O objetivo dos integrantes é reunir tricolores dispostos a contribuir com o clube. A reunião acontecerá às 19h, na rua Muniz Tenório, 81, no bairro da Jaqueira. Quem estiver disposto a conhecer melhor a Associação deve ir à reunião, além de visitar a home-page.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

O melhor de Santa 1 x 1 Botafogo

A bandeirinha Aline foi a melhor coisa do jogo

por Inácio França A partida contra o Botafogo não foi só marcada pela ruindade do time e pela burrice de Espinosa. Também teve coisa boa, a exemplo da energia demonstrada pela torcida em dois momentos: antes mesmo do pontapé inicial e logo depois do gol de empate, quando a massa coral resolveu "empurrar" os jogadores. A reação do mago Rosembrick, com suas arrancadas vigorosas e seus dribles, foi de arrepiar. Ele acordou, mas teve que jogar sozinho, coitado. Outra coisa positiva foi o surpreendente futebol do zagueiro Váldson, que tirou tudo por cima, jogou com raça e demonstrou muita qualidade nos desarmes. O gol contra foi o azar, puro azar. Mas o melhor do jogo estava do lado de fora das quatro linhas: a bandeirinha Aline Lopes Lambert arrancou suspiros da torcida coral. Ao entrar em campo, a moça recebeu mais aplausos do que o time. No áspero cimento da arquibancada, o sanfoneiro Chiló (que está de licença da sanfona) ameaçava: "Inácio, eu nunca invadi gramado, mas hoje vou pular o fosso pra pedir a bandeirinha em casamento". Imaginem a cena: o sujeito invade o campo, a polícia corre atrás, os locutores o chamam de irresponsável, todos esperando algum ato de violência. Aí, o invasor se ajoelha aos pés da bandeirinha, os repórteres esticam os microfones e todos escutam o tricolor (no caso, Chiló) se declarar: "...casa comigo. Lá em casa, quem vai apitar o jogo vai ser você". E a TV transmitindo tudo ao vivo. Mas a concorrência era grande demais. Atrás de mim, um sujeito se esgoelava: "Bandeirinha, eu te amo, porra! Eu te amo!" Quando ela marcou uma mão na bola de Zada, o mesmo torcedor percebeu que sua paixão não era correspondida. Aí, ele desabafou gritando "vagabunda! escrota!". Coisas do amor.

Samarone Lima acaba de atualizar a coluna Folha Seca, no site do Diário de Pernambuco: o endereço é www.pernambuco.com/copa/folhaseca

domingo, 28 de maio de 2006

Acabou a paciência

por Inácio França Oito partidas, três míseros pontos ganhos e um futebol vergonhoso. Acabou a paciência da torcida e do Blog do Santinha. A obrigação de quem entra em campo com a camisa de um clube é lutar pela vitória, sempre com dedicação e profissionalismo, de preferência com raça. Não podemos deixar de apontar os incontáveis passes errados de Tiano, a covardia do inútil Val Baiano, a negligência de Zada, a limitação técnica de Júnior Maranhão, Alex Oliveira, Xavier etc etc. Mas eles não são os únicos responsáveis. Os dirigentes não podem ser poupados. São eles os culpados por essa, digamos, "política" de contratações pautada pelo amadorismo e improviso. Foram eles, com a excessiva centralização de poder e decisões na dupla Zé Neves/Romerito, que afastaram do clube uma meia dúzia de colaboradores e profissionais. Gente com experiência acumulada que hoje se recusa a contribuir apenas com trabalho ou dinheiro, jamais com opinião, nunca com poderes delegados. O amadorismo do gerenciamento do futebol tricolor fica explícito na permanência do ex-zagueiro em atividade Roberto no elenco do time pelo simples fato dele ser "amigo" do presidente. Foram esses dirigentes - ilegítimos, por sinal, pois estão à frente do clube graças a uma eleição descaradamente fraudada - que orquestraram uma campanha covarde, indigna, articulando contra o bom técnico Giba alguns radialistas, parte do elenco e a torcida organizada Inferno Coral. São esses dirigentes que, hoje, farão vistas grossas a um treinador que mexeu errado no time não uma, mas duas vezes. E que, na semana que passou, encolheu o time duas vezes em retrancas pífias. A torcida Inferno Coral, tão ligada ao clã dos Neves, também perdeu a paciência: seus integrantes foram ao estádio fantasiados de palhaços, colocaram faixas de cabeça para baixo e pediram providências em outras negras com letras brancas (fotos acima). No segundo tempo, desistiram de torcer e dispersaram-se. Evidência que, a partir de agora, esses dirigentes irão se isolar ainda mais. É preciso correr contra o tempo, mas como nada irá mudar no modo de negociar e contratar jogadores, as perspectivas são as piores possíveis. É fácil arriscar um palpipe: Ou cai o clã dos Neves ou cai o time. Abaixo, algumas frases dos torcedores nas arquibancadas do Arruda durante o jogo contra o Botafogo: "Ei, Zada, vai tomar no cu" - em coro, depois dele bater o pênalti nas mãos do goleiro. "A torcida esquece que Zé Neves era o presidente quando o Santa foi rebaixado em 1987. A torcida esquece que Zé Neves e Mirinda eram os diretores de futebol quando fomos lanternas em 2000 e rebaixados em 2001". "Esse Val Baiano tá roubando o dinheiro da gente. Centroavante que recebe duas bolas sozinho, na grande área, e não sabe o que fazer com a bola, tem que se aposentar". "Acerta um passe Tiano, só um, pelamordedeus". "Esse treinador é um imbecil: ele tira Bruno Lança que tava jogando direitinho pra botar Val Baiano, mas deixa o sanguessuga do Zada jogando. Depois, tira Zada e bota Fernando Miguel pra consertar a merda que fez". "Esse tal de Romerito tava fazendo campanha pra deputado antes da final do campeonato. Quero ver ele ter coragem de pedir voto e botar faixa agora".

Xô satanás!!!

Por Samarone Lima Amigos corais, tudo bem que o time está uma merda, que estamos levando vareio de bola, que o amadorismo está predominando no Arruda, que a venda de Carlinhos Bala parece mais ter sido um vacilo histórico, mas a vida segue. São duas da tarde, Oswaldo Titio está ali, com a camisa do Santa. Naná acaba de encostar a valiosa "Kombi Coral". Liguei para o sanfoneiro Chiló, que outro dia perdeu o seu amado pai, e por isso a Sanfona Coral andou calada. "Vaí ao jogo?", perguntou ele, e a pergunta me ofendeu. Sim, o tricolor não abandona seu time. Vamos lá, pegar o Botafogo Futebol de Regatas e mandar um três a zero, para afastar a zica, o mau olhado, o lundun, a maré braba, o azar. Vamos lá, dar um "'xô sananás" nessa onda ruim, quando levamos lapada e os outros adversários locais se firmam na série B. Espero que a próxima postagem seja uma análise detalhada sobre a vitória.

sábado, 27 de maio de 2006

Aviso: Folha Seca atualizada

Enquanto Samarone Lima não atualiza o Blog do Santinha com texto novo, conforme o acertado, os leitores podem matar o tempo na coluna Folha Seca, atualizada ontem (sexta-feira). O endereço: www.pernambuco.com/copa/folhaseca

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Apelação

Qualquer apelação vale a pena para que o time ganhe três pontos no próximo domingo. Quem for de reza, que reze; quem for de macumba, que faça seu despacho; quem for de exoterismo, apele para suas runas, tarôs ou coisa do gênero. Hoje, o Blog do Santinha descobriu, por acaso, que a planta "arruda" ajuda a afastar mau-olhado e inveja. Acredito que esse é um caso clássico de inveja por parte de rubro-negros e alvirrubros. Nos recomendaram incensos e folhas de arruda na entrada do estádio do Arruda. Vamos apelar.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

A opinião de quem conhece

A pedidos de muitos leitores do blog, buscamos a opinião do ex-vice-presidente do clube, Édson Nogueira, responsável direto pela montagem do time vencedor de 2005. Fizemos duas perguntas (quais os erros cometidos em 2006? qual seria o rumo certo a ser seguido a partir de agora?), mas Nogueira se esquivou de ambas. Cauteloso, ele sabe que qualquer palavra que disser pode gerar confusão. Disposto a evitar mal-entendidos, ele solicitou que publicássemos textualmente o que nos disse, com o mínimo de cortes ou edição. É exatamente o que fazemos agora: "Qualquer crítica que se faça hoje é muito cômoda, principalmente se for feita por alguém que está do lado de fora. Fiz as críticas que julgava necessárias no momento em que me afastei do clube, mas foram dirigidas aos métodos administrativos que ele, Romerito, julga serem corretos. E eu, como vice-presidente, tinha que me curvar. Ou seja, critiquei quando o time estava por cima, ganhando tudo na Segunda Divisão". "A diretoria atual é bastante participativa, dentro daquilo a que se propõe. Não se pode julgar uma administração pelos resultados em campo: estão errados aqueles que fazem isso. É bom lembrar que Romerito não faz gol, Romerito não perde pênalti. Sinto que esse é o momento em que a diretoria mais precisa de apoio dos tricolores. Ainda têm muito jogo pela frente e é possível recuperar esses pontos perdidos". OBS: O Blog do Santinha também procurou o ex-presidente Rodolfo Aguiar, responsável pelos times do Santa Cruz que conquistaram respeito nacionalmente na década de 1970, mas ele está viajando e só retornará ao Recife no início de junho.

É de fazer chorar

Há luz no fim do túnel?
por Inácio França Há algumas semanas, nós, editores do Blog do Santinha decidimos que não iríamos criticar o time nem a diretoria por conta dos resultados. Concluímos que esta seria uma posição muito cômoda e que poderia ser confundida com oportunismo barato. As críticas seriam feitas a partir de informações fornecidas por quem conhece os bastidores do clube - caso daquela reportagem sobre o racha no elenco - ou a partir das opiniões de quem realmente conhece de futebol. Continuaremos a seguir essa linha editorial. Por essa razão, tentarei traduzir meus próprios sentimentos durante a via-crucis que foi assistir aos dois últimos jogos do Santinha. Dá pena ver o Santa Cruz jogar. Acompanhar uma partida do seu clube de coração e, aos cinco minutos, sentir que não há esperança de vitória, é de fazer chorar, como diz a letra do frevo do tricolor Capiba. A postura dos nossos 11 jogadores diante do Juventude, ontem à noite, era tão covarde, tão acuada, que lembrava a humildade dos jogadores da China contra a seleção brasileira na Copa de 2002. Os closes das câmeras de TV revelaram, nas duas partidas, atordoadas expressões de medo dos jogadores tricolores. Senti pânico e desorientação no rosto de Osmar, Valença, Xavier, Júnior Maranhão e, principalmente, em Rosembrick. Esse time não merece vaias. Merece piedade.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Comecem a Copa do Mundo, pelo amor de Deus!

Por Samarone Lima Amigos corais, tive a oportunidade de não assistir Juventude de Regatas 4 x 1 Santinha. Pouco antes do início da partida, eu curtia uma dor de cotovelo clássica por outros motivos, e estava em um boteco de terceira, no Recife Antigo. Eram umas 18h21, quando pedi uma Brahma e peguei meu caderno, para escrever as bobagens de sempre, tentando desafogar as mágoas. Daqui a pouco, o dono do boteco começa a assobiar o "Santa Cruz/Santa Cruz/Junta mais essa vitória" em fá menor sustenido, um assobio afiadíssimo, cortante, que estremeceu o bairro inteiro. Puta que o pariu, que bico! Ele, como um bom dono de bar, não estava nem aí para os clientes. "É hoje!", pensei entre meus botões. "É hoje que a gente ganha e sai da lanterna. Daqui a pouco, passam dois conhecidos dele. Um grita: "É hoje! Vais levar uma lapada!". O meu amigo responde, num berro lancinante: "Vamos ganhar de cinco a zero, visse?" Repete: "Cinco a zero!" O rádio já estava ligado, com os preparativos para o jogo. Daqui a pouco, o assobio corta o ar novamente. "Fan fan fan/ fan fan fan/ pa ra ra ra ra ra ra ra..." Não tive como assistir ao jogo. Ao chegar aqui no Poço, um rubronegro me cumprimentou: "Cadê teu time?" "Não falo com segunda divisão". Cheguei à venda de Seu Vital. Diazepan estava saindo com o carro, chateado. Acompanhou pelo rádio. Estávamos nos últimos minutos. "Três a um, com um pênalti arranjado". Entro no boteco. Naná, com a camisa do Mais Querido, batia um dominó. Gugu, outro tricolor, lamentou o pênalti. Seu Vital estava concentradíssimo nas pedras. Peguei duas cervejas, vim para casa, lamentando. Poxa, mas três a um! Olhei agorinha, na Internet: ainda levamos o quarto gol. Segue aqui meu pedido desesperado: Que começe a Copa do Mundo, pelo amor de Deus! Estamos entrando para aquele momento perigoso, em que a torcida perde a empolgação, o time se desmotiva, as contratações não chegam ou não funcionam e caminhamos para o famoso vexame. Nenhum tricolor merece isso.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Zé, o invencível

Zé: "perdendo ou ganhando, sou tricolor até morrer"

por Inácio França Saí de casa, caminhei até a estrada do Arraial, a caminho do ponto de ônibus, e parei, pasmo, quando vi uma bandeira tricolor tremulando no alto de um carrinho de caldo-de-cana. O time mal das pernas, o maior rival numa situação bem confortável na Segundona e o sujeito desfilando pela cidade com um bandeirão de três cores. Motivos não faltavam para que eu ficasse na esquina, esperando que o sujeito se aproximasse. Ele chegou e fui direto ao assunto: "Eu quero um caldo, dos grandes, mas também quero fazer uma foto do teu carrinho com a bandeira". É evidente que o tricolor perguntou o porquê, mas a explicação apressada sobre blog e internet não foi muito esclarecedora. Mesmo assim, ele concordou em esperar que eu fosse até meu apartamento e pegasse a máquina digital. Enquanto tomava o caldo-de-cana de 70 centavos, fui conversando com o tricolor. "Nunca tiro a bandeira do carrinho, não. Faça sol, faça chuva, perdendo ou ganhando, é sempre assim. Quando a bandeira fica velha, compro outra ou mando fazer". Quando o questiono sobre o atual momento do time, na lanterna do Brasileirão, ele nem hesita: "E o que é que tem? Tenho essas frescuras não, eu quero é que todo mundo fique sabendo que sou tricolor. Tricolor até morrer!". "Quando o Santinha perde, os outros ficam tirando onda. É a maior resenha, mas eu me garanto. E nos dias do jogo da coisa? Vou vender caldo-de-cana na Abdias de Carvalho, com bandeira e tudo. Os rubro-negros ficam me resenhando, mas eu não tô nem aí". E o pessoal das torcidas organizadas não botam medo? "Que nada! Os maloqueiros da Jovem já vieram tirar onda, mas hoje ninguém mexe mais comigo, não. Tô dizendo: eu me garanto". E ele deve se garantir mesmo: quando pergunto seu nome, ele se esquiva. "Rapaz, bota José, somente Zé. Não bota meu nome todo não, é a maior sujeira". Antes de dar a entrevista por encerrada, Zé explicou que todos os dias sai de 6h da Cidade Universitária e sai pelas ruas do Recife vendendo seu caldo-de-cana. No meio da manhã, segue para a pracinha na frente de uma faculdade particular no Derby, onde se fixa até o final do dia vendendo caldo e bolo-bacia. Autêntico tricolor, Zé é um exemplo a ser seguido nessa má-fase. Ele se garante.

Pra quem ainda não sabe, Inácio França e Samarone estão escrevendo a coluna Folha Seca na página especial sobre Copa do Mundo da versão on-line do Diário de Pernambuco, o Pernambuco.com. O endereço é www.pernambuco.com/copa/folhaseca. A última atualização foi uma crônica de Samarone intitulada "Otimismo demais, cautela de menos".

Na parede da memória: o time de 1929

Em épocas de vacas magras e derrotas fartas, voltamos o olhar para o passado e encontramos nos arquivos do leitor Rodrigo Salgado essa imagem do time que disputou o campeonato estadual de 1929. Na ordem que aparecem na foto: Gatinho, Carlos, Lauro, Sebastião da Virada, Costinha, Miguel, Mateus, Julinho e José Vasquez (em pé); Fernando Amaral, o goleiro Alberto e Bebé (sentados ou agachados).

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Domingo no Parque Antártica

O time saúda a torcida
Saudade ainda mata a gente
Tarde-noite no Parque Antártica
Allan Robert fazendo pose no frio de Sampa

por Allan Robert, pernambucano funcionário de uma rede de supermercados em São Paulo.

Gostaria de comentar um pouco sobre minha ida ao Palestra Itália, para ver o Santinha de perto e matar um pouco a saudade. Como no jogo contra a Lusa no ano passado, o ponto de encontro da galera, logicamente só poderia ser em um shopping (é o que mais tem em Sampa...). O shopping West Plaza fica ao lado do estádio, tem um estacionamento muito grande e os torcedores do Porco estacionam por lá. Fui para o jogo com 2 amigos, um torcedor do Santa e outro torcedor do Bahia. Chegamos no shopping às 15:00hs e tava uma movimentação danada de torcedores do Porco, tudo verde. Tentei encontrar a galera em uma das várias praças de alimentação, mas os torcedores corais estavam disfarçados embaixo de blusões de frio, porque tinha uma grande circulação de palmeirenses e também a desconfiança por conta do atentados do PCC. Nos dirigimos em direção ao estádio, porque estava meio que em cima da hora e teríamos de comprar ingressos. Na entrada destinada a torcida do Santa Cruz, 2 fatos curiosos chamaram atenção: O primeiro foi uma mulher, já coroa, que ficou gritando da sua varanda (ao lado da entrada):

" Eu adoro nordestinos, são machos e não esses bichas paulistas..." Um cidadão da federação paulista, ficou gritando para ela parar de gritar essas coisas, porque ele iria desligar o som dela e acabaria a festa no instante. Os caras querem mandar até na casa das pessoas... Quem também chamou a atennção foi um cambista bem simpático, que trocou ingressos por 3 biscoitos(Promoção Tocer faz bem - Nestlé) e estava vendendo por R$ 10,00. O engraçado é que ele vendia os ingressos e entregava um cartão dele, é isso mesmo, o cara é tão organizado que tem um cartão de apresentação, com número de celular, e-mail, etc. Tem o nome: " Disck Ingressos". Vou escanear e mando junto das fotos do jogo(amanhã de manhã, tô sem o cabo USB...). Ao entrar no estádio, me espantei com a péssima posição para assistir o jogo. O final da arquibancada fica já entrando pelas áreas sociais do clube, de frente para as piscinas, horrível pra assistir o jogo. Além do mais, eles colocam uma tela verde na grade que divide as torcidas, para uma torcida não ver a outra. Reencontrei torcedores corais que estiveram presentes nos jogos que eu fui em SP, desde de que cheguei por aqui, em julho/05. O pessoal estava bem animado e tinha muitos torcedores desinformados, alguns estavam perguntando por Carlinhos Bala, Reinaldo, Paulinho e até por Bechara(faz tempo que ele passou no Santa Cruz...). Entendo essa desinformação, pois alguns não possuem recursos para acessar internet, tv a cabo, etc. O JOGO O Palmeiras começou o jogo indo para cima e o Santa pra variar, dormindo em campo. Levamos um gol de cabeça logo no comecinho do jogo. Após o gol, começamos a nos organizar e melhoramos a partida. Rose tentava puxar os contra-ataques e ficou meio órfão de Bala, perdeu a referência para quem tocar a bola. Mas fez uma boa jogada, driblou o zagueiro e soltou uma bomba. Sérgio deu rebote e o estreante Neném marcou o gol de empate, também foi só isso que esse Neném fez de bom... O Palmeiras voltou a pressionar, depois que Bruno Lança foi expulso, após dar um carrinho por trás, totalmente desnecessário, porque o jogador do Palmeiras estava de costas(merece ser multado). Este lance foi bem próximo da onde estávamos. Apesar dessa expulsão, conseguimos nos defender bem, com raça da dupla de zagueiros principalmente. Júnior Maranhão foi bem nos desarmes, devo reconhecer isso. No segundo tempo, levamos um gol perto do final da partida, justo na hora que a torcida começava a vaiar alguns jogadores do Porco. Gilmar, foi escolhido o melhor do jogo pela rádio Transamérica e também em outras rádios que estava ouvindo na volta para casa.

Neném foi escolhido o pior do jogo pelo lado do Santa Cruz e Paulo Bayer pelo Palmeiras.Tirei várias fotos da torcida do Santa no Palestra e lances do jogo(passo amanhã, pois estou sem o cabo USB, emprestei, pegarei amanhã). Fiquei com uma curiosidade no jogo de hoje(várias pessoas do meu lado tb...).Valdir Espinosa esqueceu que tinha direito a substituições?Estávamos com 1 a menos(graças a infantilidade de Bruno Lança, que merece ser multado). Alguns jogadores mortos em campo, como Alex Oliveira, Nenê e Zada.

Ele poderia ter colocado Tiano e Thiago, para tentar armar contra ataques(em velocidade), ou mesmo segurar mais a bola na frente, porque estava um bate volta danado. Poderia ter repetido o que fez contra o Altético-PR, que deu mais velocidade e acendeu o time.Mes ele só mexeu depois de levar o 2º gol, além do mais colocou Elvis...

A torcida até gritou pedindo substituições, mas o banco de reservas estava muito longe. Mas seguimos nossa saga sem vitórias nesse campeonato e a luz de alerta agora é a da lanterna. Vamos ver se os reforços estarão aptos para poder ajudar o time contra o Juventude, que por sinal venceu o Botafogo por 1x0. Mesmo perdendo, já combinei com alguns tricolores para apresentar-se em minha residência às 18:30hs para assistirmos a partida contra o gaúchos do Juventude.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

"Eu quero é que o negócio melhore!"

Gerrá em ação, ao lado de Chiló e do "faz tudo coral" Josimar
por Gerrá Lima, zabumbeiro da Sanfona Coral Não sei porque, mas quando penso em escrever algo para o Blog do Santinha, vem logo à minha cabeça problemas e preocupações futebolísticas. Até já discuti isto com a minha psicóloga, Dra. Emília Miranda, Phd. Muita coisa vem me preocupando nestes últimos dias, o PCC tocando o terror, a Petrobrás na Bolívia, as chuvas chegando no Recife, o vírus que atacou Inácio e Samarone, João querendo matar torcedor, mas o que está me deixando aperreado mesmo é a Copa do Mundo e o Santa Cruz, é lógico. A seleção canarinha está com um favoritismo danado, e desde que me entendo de gente, escuto falar que o Brasil só ganha a Copa quando sai daqui desacreditado. Além disso tenho um amigo que foi para a França e estava naquela final de 1998. O camarada cismou e vai de novo. Como tenho um medo arretado de alma e acredito em cumadre florzinha, se o time de Parreira perder, a culpa é de Rafael. E o Santa Cruz? O que danado está acontecendo? Dizem que foi a diretoria, dizem que foi Givanildo, tem gente que acha que é coisa de panelinha, enfim, é uma “achologia” das grandes. Eu não quero saber quem foi, eu quero é que o negócio melhore! Estamos todos secos para ver uma vitória, para tomar uma grande, pra passar uma semana vestindo o manto sagrado. Quero ver de novo a Kombi Coral percorrendo as ruas no dia de jogo lá no mundão. Quero ver de novo a Sanfona Coral fazendo a festa no salão do Colosso. Quero jogar cerveja pra cima na hora do gol. Quero gritar: é gol porra!!! Será que isto é pedir muito? Se for, então só quero uma coisa: ver meu Santa Cruz ganhar.
EM TEMPO: Inácio França e Samarone Lima estão dividindo a coluna Folha Seca, no site do Diário de Pernambuco. Os textos estão sendo atualizados periodicamente. O endereço é www.pernambuco.com/copa/folhaseca

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Almanaque do Futebol: o Blog indica

Eu tinha uns vinte e poucos anos e me considerava o tal porque era repórter da sucursal paulista de Globo. Tinha certeza que escrevia bem. Até que li uma crônica de jogo assinada por Lédio Carmona, da editoria de esportes do jornal. Quando cheguei ao ponto final, compreendi que não escrevia nada e que tinha muito a aprender. Anos depois, quando eu já tinha me voltado para o Recife, Lédio estava mergulhado até o pescoço no projeto de um jornal exclusivo sobre futebol: o Lance. Foi quando ele me chamou para fazer umas matérias pro jornal, em regime de free-lancer. Fui até a redação, ainda em obras, e finalmente o conheci. Topei a oferta e passei a acreditar que, finalmente, estava aprendendo a escrever. É por essa razão que o Blog do Santinha orgulhosamente apresenta o Almanaque do Futebol, escrito por Lédio Carmona e Gustavo Poli. O livro, segundo o release que ele mandou, é como "se fosse um estádio que abriga todas as torcidas, o almanaque é mais que um livro sobre essa modalidade que existe há cerca de 150 anos e definitivamente se tornou uma paixão dos brasileiros. Contém dados preciosos e curiosidades sobre o tema, e serve para entreter leitores, torcedores eventuais, ocupar as estantes dos mais aficionados por futebol, e funciona como guia de consulta para conversas de bar e para esclarecer dúvidas sobre fatos e conquistas, lendas e mitos do futebol". Abaixo um trechinho do livro. Em tempo, o exemplar custa R$ 49,90: "Que espetáculo é esse, capaz de atrair a atenção de um bilhão de pessoas por noventa minutos? Que mistério é esse, capaz de fazer um sexto da população mundial parar para acompanhar 25 homens correndo em direções desconexas sobre um palco verde com linhas brancas? Por que apenas um desses homens, com uma esfera nos pés, é capaz de hipnotizar a multidão e, a seguir, surpreendê-la? Por que algo tão simples como chutar uma bola modifica vidas, produz riqueza, paralisa países? (…)"

Vai Bala, vem dinheiro e reforços = Deus existe

Bala salva a lavoura até quando vai embora
Por Samarone Lima Amigos corais, me perdoem a sinceridade, mas a minha análise sobre a venda do nosso querido Carlinhos Bala para o Cruzeiro de Regatas se resume a uma constatação: demos uma sorte do caralho. Gosto do futebol do Bala, tive muitas alegrias com o nosso artilheiro, mas vamos e convenhamos, o garoto estava meio de saco cheio do Santa. Estamos vivendo uma daquelas raríssimas separações, em que as duas partes ficam felizes, não há brigas pelos CDs e livros, e ao invés do rancor e acusações, nasce uma grande amizade. Foi melhor para os dois lados. O Santa Cruz Futebol Clube recebeu a visita da deusa Sorte. Estou me sentindo como aquele cara que só tinha R$ 2,00 no bolso, para comprar um pedaço de carne, e resolveu comprar um bilhete do Pernambuco da Sorte. Resultado: ganhou R$ 100 mil e um carro zero quilômetro. Vejamos os detalhes da negociaçao com o Cruzeiro de Regatas, pelo menos do que saiu na Imprensa. O Bala vai receber R$ 3 milhões em três anos, que não é pouca grana. Além disso, receberemos do Ipatinga Futebol Clube, o goleiro Rodrigo Posso (que vem fechando o gol nos jogos decisivos), o meia Enrico (que fez gols nos três últimos jogos), e o atacante Wando, que tem nome de cantor, mas deve ser mais afinado com a pelota do que o senhor Val Baiano. Inácio França teceu rasgados elogios ao goleiro e ao meia. Inácio, pelo que conheço, é uma fonte confiável. Como o Gilmar - considerado um “Paredão”, por Chiló, Sanfona Coral e João Magro Valadares – resolveu papar frangos a torto e a direito, a vinda do Rodrigo Posso é uma dádiva, presente dos deuses, matamos dois coelhos com uma caixa d'água só. Val Baiano pegaria o terceiro time na pelada dos Caducos, aqui no Poço da Panela, então, seu Wando, venha logo, pelo amor de Cristo. Pelo que vi, o Santa ainda vai receber uma “compensação em dinheiro”. Os valores, por questões de Imposto de Renda, creio, não foram revelados. São os velhos mistérios financeiros que envolvem o Santa Cruz. Como aqueles cornos mansos, somos sempre os últimos a não saber, quando o assunto é dinheiro. Diante do exposto, chego à conclusão que Deus realmente existe. Me parece que temos que mandar rezar uma missa, preparar um bom despacho e botar numa esquina, servir umas doses para o santo, acender velinhas e incensos. Sem querer, demos uma sorte imensa. Vai embora um bom jogador, mas que já deu o que tinha que dar, chegarão três reforços, o time vai ganhar uma cara nova, e a torcida volta a ficar motivada. Só falta dar uma lapadinha no Palmeiras, no domingo, para renasceremos das cinzas - o que não é nenhuma novidade, em se falando do Santinha. Nota: Hoje à noite, tem Flamengo x Ipatinga, pela Copa do Brasil. Poderemos ver os futuros jogadores do Santa em campo. Claro que seremos Flamengo desde pequenos, porque o Ipatinga precisa ser desclassificado rápido, para os reforços chegarem.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Folha Seca

Desde ontem, os editores do Blog do Santinha, Inácio França e Samarone Lima dividem a responsabilidade de assinar as crônicas da coluna Folha Seca no site especial sobre a Copa do Mundo do Diário de Pernambuco. Para ler os textos - o primeiro, de autoria de Inácio, já está no ar - basta acessar www.pernambuco.com e clicar no especial Copa 2006, onde há um link com o nome da coluna. Além disso, o Blog está selecionando um time de tricolores bons de escrita para o período da Copa do Mundo. Já estão confirmados o músico Júlio Vila Nova, o advogado Paulo Araújo e os jornalistas João Valadares e Marcel Tito, além dos próprios editores. Quem viver, lerá.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Dois tricolores, dois textos, dois apelos

Uma torcida perplexa e à beira do desânimo
O Blog do Santinha abre a terça-feira publicando dois desabafos, em tons completamente distintos, redigidos pouco depois da derrota para o Atlético Paranaense. O primeiro, logo abaixo, é do publicitário João Henrique, que estava irado com o comportamento da torcida. O outro, mais moderado, é do estudante de Direito Frederico Dias, um dos fundadores da Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz (Atasc). É sempre bom lembrar que a opinião dos colaboradores muitas vezes não coincide com os pontos de vista dos editores do blog. ********* por João Henrique Futebol é o vício popular. E o Santa Cruz é das substâncias mais alucinógenas e causadoras de dependência. As pessoas quando nascem em famílias que louvam a oitava arte - e torcem com paixão para o tricolor - não têm escapatória. O pai é tricolor, o avô é tricolor, o bisavô foi amigo de Lacraia e viu o Santa nascer. Pode ter certeza de que esse sujeito aí, da família encarnada, preta e branca, vai amar o clube do Arruda como se fosse a sua pátria. Neste caso, é mais fácil escolher o sexo do rebento do que o time, pois este já está no DNA, entranhado antes mesmo da concepção. Anteontem eu fui ao José do Rego Maciel assistir ao jogo Santa Cruz e Atlético Paranaense. Já íamos na quinta rodada do campeonato brasileiro da série A e, até então, o Santa não havia vencido. O jogo era de vida ou morte, pois a cada rodada ia ficando mais difícil se afastar da zona de rebaixamento para a segundona. A torcida estava lá, com suas barrigas cheias de almoço do dia das mães e uma fome animalesca de vitória. O time repetiu as atuações recentes e decepcionou mais uma vez a massa coral, que fritava ao fogo do sol. O futebol apresentado foi medíocre, indecente. Tudo isso me deixou muto puto da vida, mas o que me tirou da rota, me fez sentir ódio mortal e vontade de partir pra porrada não surgiu daqueles vermes jogadores, mas sim da torcida. Eu fico muito irado quando a porra do time está perdendo, passando por um momento ruim ou mesmo se cagando no campo e a sua própria torcida começa a gritar olé em todo passe do adversário. Olé, ooooolé. E a cena patética e deprimente alí, na frente de todos. Os jogadores do Santa Cruz acuados pelo adversário e humilhados por sua torcida. O senhor nas sociais tendo que explicar o caso à esposa. O filho, na arquibancada, fitando o pai, pedindo socorro. O cuspe pra cima, caindo na cara do próprio torcedor. É como, no dia das mães, dar de presente um prato fundo cheio da mais fétida merda do universo. É igual a comer a namorada do melhor amigo. Ou mesmo escrever no rabo da sua esposa “venha comer que é promoção”. Muita raiva disso tudo. Eu fico puto quando o Santinha perde. Vaio, esculhambo o elenco, cobro, achincalho a diretoria, xingo o senhor meu Deus. Vamos cobrar jogadores e pedir uma postura digna, mas o tal do olé, meu amigo, é demais pra mim. A vontade alí era enfileirar todos os filhos da puta e matar de um por um, enrolando uma bandeira da coisa e outra da barbie na cabeça de cada um e tacando fogo. Hoje, mais calmo, eu só daria uns bons tabefes e pronto. Mas a forca não é o que esses porras merecem mesmo? Quando o cara nasce em berço tricolor, é batizado com cachaça nas dependências do Arruda e considera o Santa Cruz uma ótima razão pra achar esse mundo babilônico uma coisa um tantinho melhor, não pode concordar com esse ato masoquista. Uma péssima semana a todos que gritaram olé. ******* por Frederico Dias Ressacado com os últimos acontecimentos no tricolor do Arruda, em particular a derrota do ultimo domingo para o Atlético/PR, resolvi parar um pouco e pensar na nossa responsabilidade como torcedor do mais querido, Santa Cruz. Amigos, uma realidade não muito difícil de se reconhecer começa a se vislumbrar diante de nossos olhos : a segunda divisão. E na tentativa de mudar esse panorama temos de tomar a primeira atitude que deve ser tomada quando as coisas estão dando errado: admitir nosso erro! Desde o começo do ano, todos nós, sem exceção erramos. Givanildo Oliveira, na época do planejamento, por ter acreditado que o time que subiu para Serie A era suficiente para uma boa campanha no Pernambucano 2006 e na 1ª Divisão, a diretoria por ter concordado com o antigo treinador, não ter-nos trazido reforços à altura, que deveriam ter chegado já em janeiro e além de tudo por não trazer parceiros para o clube na tentativa de melhorar o caixa para a difícil disputa do Brasileirão 2006. E agora vem a hora da maior crítica e que talvez alguns não entendam. Nós torcedores também erramos! Erramos quando protestamos quando da possível venda de Carlinhos Bala e Rosembrick, erramos quando não cobramos pelos reforços no começo da ano, erramos por termos nos iludido com a Serie B do ano passado, erramos também por em muitos casos termos sido omissos. A realidade hoje é a que enxergamos: tínhamos um time muito bom ano passado. Ocorre que ano passado estávamos na Serie B. No entanto, venho através desta crônica pedir calma! Isto mesmo! Calma. É disso que precisamos mais do que nunca agora. Se nos afobarmos e contratarmos quem aparecer pela frente talvez seja pior, muito pior. A conta será paga pela futura geração de tricolores, assim como nós pagamos a conta da geração passada. O que fazer então? Eis a pergunta que não quer calar. Este blog, antes de mais nada, é instrumento de convívio de pessoas formadoras de opinião, caso raro (infelizmente) no meio da torcida tricolor, tão pobre em sua maioria, que não se aplica em outro lugar um retrato sociológico tão claro da nossa própria nação brasileira, ou seja, alguns poucos formadores de opinião detentores do poderio econômico que podem fazer a diferença de um lado e de outro a grande massa. Manobrável, emocional, carente de um salvador. Infelizmente tenho uma notícia para lhes dar: Este salvador nunca vai aparecer. Este salvador somos nós. Sim! Nós que somos os formadores de opinião! Nós que temos acesso a este blog, nós que podemos mudar a realidade. Hoje, além de primeiramente moderação e calma o Santa Cruz precisa que nós torcedores de classes privilegiadas, nos ergamos, esqueçamos o orgulho, esqueçamos o medo, deixemos de lado as “coisas erradas” que tanto ouvimos falar acerca desta e de outras diretoria e nos unir. Logo venho fazer através deste importante meio de discussão da torcida coral um apelo para diretoria, para a oposição, ninho da cobra e demais facções do santa cruz: Unam-se. Diretoria : seja transparente. Oposição: ajude agora! Ninho da Cobra: Apareçam para unir o clube! Portanto, caros amigos, mais do que nunca precisamos que todas os grupos do nosso clube se unam à atual diretoria, pois não vejo outro caminho para nossa permanência na 1ª divisão que não esse. É necessário mudar? É! É necessário contratar? Logicamente! Mas antes de tudo precisamos de uma palavra:União! Então, muita calma nesta hora, ou então já vemos claramente onde vamos estar em 2007.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Fome de bola (em alta resolução)

A pedidos, o Blog do Santinha publica a foto do fotógrafo Rodrigo Lobo, do Jornal do Commércio, em tamanho GG.

domingo, 14 de maio de 2006

Carência de pai

Pedro, aos quatro anos, numa praia potiguar
por Inácio França Pedrinho ainda não tinha completado três anos quando entrou no Arruda pela primeira vez. Foi num feriado de 7 de setembro, numa partida contra o Central. A tarde estava ensolarada e a partida foi sofrível, mas o Santinha venceu por 1 a 0. De lá pra cá, eu e ele compartilhamos inúmeras tardes e umas poucas noites no cimento que abriga a torcida tricolor. No Arruda, Pedro realizou o sonho de ver o Santinha campeão. No Arruda, ele lambuzou-se de sorvete e guaraná, enquanto se apaixonava pelas cores preto-branco-e-vermelho. Nas gerais do Arruda, tomou seu primeiro banho de chuva para testemunhar uma vitória sofrida contra o Flamengo. Foi se divertindo que meu filho aprendeu a amar o Santa Cruz. E foi sofrendo, chorando em alguns vexames de envergar a alma, que me ensinou que o amor por um clube de futebol é puro, livre de interesses, é forjado na dor e não apenas por vitórias. “Nunca pensei em torcer por outro time. Nem mesmo naqueles dias em que a gente saiu chorando”. Ele me disse isso pouco antes de uma partida do ano passado, enquanto caminhávamos pela beira-canal a caminho do estádio. Essas palavras, ditas com tranqüilidade e sem afetação, me emocionaram naquela tarde e voltam a me emocionar hoje, depois de mais uma derrota e enquanto Pedro cruza alguma estrada enlameada do norte do Mato Grosso, perto do rio Araguaia, onde meus filhos vão morar com a mãe. Não sei quanto tempo ficarei distante do meu mais assíduo companheiro de futebol, mas já sinto uma falta enorme do aperto dos seus abraços na comemoração dos gols. Ou da sua cabeça, encostada silenciosa no meu corpo nos segundos prenhes de irrealidade que se seguem a uma derrota.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Como não ser um tricolor indelicado no Dia das Mães

Por Samarone Lima Amigo coral, deixe de cinismo, pare de falsidade, não entre nessa de que está preocupado com o Dia das Mães, neste domingo. Você pode disfarçar, pode enrolar a sua esposa, os filhos, até a própria mãe, mas por dentro, lá no coração, você sabe muito bem – o Dia das Mães caiu justamente no domingo, o domingo que o Santinha mais precisa de você! Pior: Dia das Mães, quando o Santa joga em casa contra o Atlético Paranaense! Mais que isso, quando o Santinha pode conquistar a primeira vitória! Não, amigo, não precisa ficar com sentimento de culpa, se sentindo o pior dos filhos, porque toda a família vai estar reunida, babando a velha, dando presentes, e você vai estar somente pensando em um objeto – o relógio, com os ponteiros que caminham a passos largos para as 16h, e você ainda não está nem perto do Arruda.

Antes que você se sinta um verdadeiro canalha, lembro que é preciso muita calma nesta hora. Nada de loucuras. O Blog do Santinha está aqui para isso, para ajudar a massa coral a viver mais feliz. Depois de longas e intensas conversas filosófico-existenciais com o amigo Inácio França (que também tem mãe), consegui levantar algumas estratégias para viver o Dia das Mães sem apertos. Ou: “Como não ser um tricolor indelicado no Dia das Mães”. Estratégia número 1: Não marque almoço fora, em hipótese alguma Amigo coral, não faça a besteira de almoçar fora. Todos os restaurantes vão estar lotados, você vai ficar muito tenso, alino China 48, na Picanha do Futuro, no Guaiamum Gigante, não vai conseguir se concentrar em nada, vai ficar somente olhando para o relógio. Se o ponteiro marcar duas e meia da tarde, você vai ter um ataque dos nervos, vai dar esporro no filho porque ele pediu o guardanapo, vai esculhambar o garçom porque não trouxe a conta, e você vai lembrar que ainda está na metade do almoço. Se você não sabe cozinhar, contrate alguma cozinheira e marque o almoço para o meio dia em ponto, na sua casa, que fica mais fácil encerrar a história. Estratégia número 2: Se vai almoçar fora, antecipe o almoço em uma hora e faça reserva! Isso é fundamental. Se o almoço está marcado para 12h30, puxe para 11h30. Diga que é só por precaução, para garantir um lugar melhor, que vai pegar bem. Você vai ver que esta hora vai fazer a diferença, especialmente quando estiver entrando no Arruda, pontualmente às 16h. Importantíssimo: jamais esqueça de fazer a reserva de uma mesa, de preferência perto da saída do restaurante. Estratégia número 3: Seja o primeiro a chegar no almoço. Sim, nada de vacilar. Se marcaram para o meio dia, chegue 11 horas, já com o presente, e vá fazendo logo pedidos de almoços. Quando os demais irmãos chegarem, fale bem alto – “poxa, pensei que tu não vinha!” Você terá a desculpa de sair mais cedo. Estratégia número 4: Sente ao lado da mãe. Fundamental. Sente ao lado dela. Dê muitos abraços. A melhor regra é o exagero. Estratégia número 5: Não vá com a camisa do Santa! Isso é importantíssimo, amigo coral. Se você for com a camisa, tudo o que fizer vai dar na cara. Você vai estar somente dizendo, em alto e bom som, que está louco para ir embora. “Ele está fazendo essa macaquice toda só para ir ao Arruda”, vai dizer aquele seu irmão-mala, que não gosta de futebol. “Nem no Dia das Mães ele esquece o Santa”, vai lamentar aquele irmã chata, cheia de varizes, que está ficando rancorosa. Lembre que você não pode brigar com os irmãos em hipótese nenhuma!

Estratégia número 6: Dê uma de sonso. Se alguém falar de futebol, você terá que olhar cinicamente para os lados e dizer: “Mas tem futebol hoje? Meu deus, estou mesmo no mundo da lua...” Estratégia número 7: Compre logo o ingresso. A compra dos ingressos, no Arruda, é sempre uma guerra civil. Vá para o almoço com a mãe já levando um ingresso no bolso. Mesmo que tome umas no almoço, você está proibido de ficar mostrando os ingressos, se exibindo à toa. Estratégia número 8: Pela primeira vez na vida, seja um mão aberta. Sim, amigo, quando chegar aquele momento crítico em que você tem que sair de qualquer jeito do restaurante, vá direto ao caixa e pague a conta. Não faz mal gastar um pouquinho a mais, uma vez na vida. Você evita dois problemas graves – o cafezinho e a sobremesa. Só aí, você ganhou 22 minutos. Estratégia número 9: Saia do restaurante lentamente, como se nada estivesse acontecendo. Esse negócio de pagar a conta, entrar no carro, vestir a camisa do Santa, ligar a rádio na AM e sair cantando pneu, como se o Arruda estivesse em Foz do Iguaçu, não funciona. Saia de mansinho, dando tchau a todos. Melhor: antes de entrar no carro, volte até a sua mãe e dê um abraço nela. Só depois, faça as loucuras. Agora, se a sua mãe é tricolor, apaixonada pelo Santa, mande todo mundo se foder, dê um abraço demorado nela, diga “te amo, mãe, obrigado por ter me ensinado a amar o Santinha, ligo para o teu celular na hora do gol”. E se a tua velha responder um “vai nessa, filho, vai torcer pelo nosso Santinha, que esse negócio de almoço no Dia das Mães é a maior caretice”, então, meu amigo, és o filho mais feliz do mundo. Para todas as mães corais, feliz Dia das Mães.

Novos padrões do Santinha!

Da redação do Blog (e era para ser de onde, Pedro Bó?) Acabamos de fisgar da Coralnet as imagens dos novos padrões do Santa Cruz Futebol Clube. Como tricolor gosta de discutir até o formato e a cor da catraca para entrar no Arruda, optamos por não fazer comentários, deixando aos leitores o espaço para avaliações as mais diversas. Informamos que o editor Inácio França ainda está mal da virose, e deve ser desfalque para domingo.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Givanildo: do banco para as estantes

A capa do livro sobre o Mestre Giva
Conforme o Blog do Santinha anunciou há mais de seis meses, o jornalista Marcelo Cavalcante (manda-chuva da página de esportes do JC OnLine e assessor da prefeita de Olinda, Luciana Santos) concluiu a biografia do treinador Givanildo Oliveira. O lançamento do livro será às 20h da segunda-feira, dia 15 de maio, com a presença garantida do Mestre Giva, já que ele vai estar desempregado depois da derrota do Atlético-PR na véspera. O local marcado para a noite de autógrafos é um tal de Spirit Sport Bar, na rua do Futuro, um lugar totalmente mauricinho, muito mais adequado para receber a torcida da barbie do que a massa tricolor. O autor manda avisar que, quem comprar um livro, vai ganhar um chope de brinde.

Nem só no boteco da esquina se discute futebol

Pernas tortas tão importantes quanto "Os Sertões", do Euclides da Cunha.
Essa é para quem gosta de ir além da conversa de boteco, movida a espetinho enfumaçado e cerveja de qualquer marca, à beira do estádio. Começou ontem, na UFPE, o seminário “Futebol, Cultura e Globalização”. A palestra de abertura coube ao ex-craque e ex-deputado federal Reinaldo, do Atlético Mineiro. Ele abordou Futebol e Política, mas a gloriosa equipe do Blog estava entregue ao Departamento Médico, e não pôde acompanhar os trabalhos. O ilustre Inácio França estava num morre-não-morre no bico da pequena área do seu apartamento, tendo convulsões por causa da febre, enquanto o também ilustre Samarone Lima, ainda convalescente, foi pego em flagrante, tomando um tremendo chá de alho com limão. Hoje (quinta-feira), a partir das 9h, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, o lendário CFCH, que a turma chama de “Cefiche”, teremos um debate bastante inovador, sobre um tema que nós tricolores, graças a deus estamos imunes: “a paixão que um clube de futebol desperta em seus torcedores”. Pelo time da barbie, falará um médico, que deverá dar explicações sobre “como levar um gol jogando contra um time com apenas sete jogadores em campo: o caso Grêmio de Regatas”. Do lado da coisa, chamaram um advogado, que, julgamos, deve ser de defesa. Pelo nosso glorioso Santa, foi chamado o senhor João Caixero de Vasconcelos, que foi presidente do clube e diz estar escrevendo um livro sobre o Mais Querido. Vamos ver o que ele tem para dizer. O Blog tinha sugestões mais originais, como, por exemplo o Walmir Chagas, o Véio Mangaba. Na sessão da tarde, cujo início será às 15h, o tema será “Futebol, Cultura e Identidade”, e o Blog promete estar presente, com gravador e máquina-fotográfica-emprestada-por-Gerrá. O antropólogo Sérgio Leite Lopes vai falar sobre “Futebol e identidade cultural”. Já o cientista político Túlio Velho Barreiro abordará o tema “A invenção do futebol-arte”. Por último, o sociólogo Paulo Marcondes Futebol vai discutir “Futebol e Arte”. Todos os temas, como podemos ver, estão repletos do universo santa-cruzense. Na sexta-feira (12), o ziriguidum continua, com o tema “Os craques contam suas histórias". A partir das 9h, jogadores falarão sobre suas experiências dentro dos gramados, um ídolo para cada time pernambucano: Ivan Brondi (barbie), Roberto Coração de Leão (coisa) e o lendário Ramon (Santa Cruz). À tarde, 15h, o último tema: "Futebol e Globalização". Pablo Alabarces, sociólogo e professor da Universidade de Buenos Aires vai entrar de sola com o tema: “Mitos e estereótipos nacionais em um futebol globalizado - o caso de Argentina e Brasil”. Nós do Blog discordamos dessa história de “caso” Brasil e Argentina. É pau mesmo. "Globalização, mundialização e esporte: o futebol como megaevento" é o assunto abordado pela socióloga Tarcyanie Cajueiro dos Santos. Por último, o também sociólogo José Luiz Ratton discorre sobre "Mundialização do futebol e mudanças nas regras”. Nos demais, solicitaremos um minuto de silêncio, em homenagem ao Seu Jura, pai do lendário sanfoneiro Chiló, que morreu ontem pela manhã. E vai o registro: hoje é o aniversário da tricolor Andréa Ferraz, que nasceu numa família de barbies, mas botou moral e se tornou a dissidência coral na família. Parabéns, Déa!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Fome de Bola*

Texto: João Valadares/Foto: Rodrigo Lobo A pátria de chuteiras está descalça. É com os abraços dos magricelas e com os pés no chão duro da favela que o futebol se inventa. A meta, formada por duas latas enferrujadas, é invadida pelo chute sem seriedade. A alegria chega assim. De carrada. Perfeitamente redonda. A periferia reinventa as traves e diminui a distância para o gol. A habilidade que ganha corpo quando a bola começa a conhecer os pés sem chuteiras. Futebol onde o verde não é farto. O punhado de jogadas que desrespeita o limite das quatro linhas. É preciso se alimentar de euforia e lambuzar a boca com o prato de alegria na miséria. Futebol que alimenta o talento frouxo daqueles que se acostumaram a formar dupla de ataque com o vazio. São todos cúmplices da tabelinha de primeira com o imaginário. É no vazio que o futebol se faz. É nele que a bola entra sem bater na porta. Bem no meio de duas canelas finas. O espaço milimetricamente calculado por uma máquina apelidada de intuição. Quando a bola passa tirando fino do nada, nasce o grito de olé. Um berro do desrespeito. O mínimo esforço é o máximo. É aí que o balé dos famintos se apresenta e desnuda sua face de beleza. A fome de bola é daqueles que chutam o mundo de canhota. Nasceram assim. Dando um bicudo na vida e um banho de cuia na objetividade. Pronto. A vida começa a fazer sentido. É um soco no andar correto e um drible da vaca na formalidade. A displicência fundamental. Não me venha com cartão vermelho para embaixadinhas debochadas no meio do campo. Exemplo de homem cordial e solícito é aquele que desdenha do adversário com dribles desrespeitosos em estádio com casa cheia. Para mim este é o verdadeiro gentleman. Um lance em branco e preto. O futebol é contradição. É um lançamento em profundidade para a magreza dos gestos. Força necessária apenas para a bola ultrapassar a risca. Não é jogo para os cretinos fundamentais, a quem se referia Nélson Rodrigues. Nem tão pouco para os idiotas da objetividade. O jogo dos pés se forma no palavrão inocente das crianças desnutridas. Cria-se nos becos onde as bolas se escondem. Na gíria do torcedor mais fanático. Alimenta-se na rede furada e na esperança televisiva. Aqueles onze atrás da bola correm para aliviar o desemprego e a amargura da platéia que abre a boca para bebericar gotas redondas de ilusão. Quem consegue compreender a complexidade de uma pelada pode se considerar um homem de bem. Quem consegue sofrer com a angústia do goleiro, tem um lugar no céu. No par ou ímpar, o time de craques se forma. Os nomes dos ídolos são personificados em gente comum. Futebol é assim. Paixão primária e sem muita explicação. Futebol é macumba das boas. Saravá. *O texto do jornalista tricolor João Valadares faz parte da mostra sobre futebol, que o Canal 03 vai participar em três cidades do Nordestes, incluindo Recife. A data e o nome da mostra ainda não foram definidos, mas o Blog do Santinha publica em primeira mão, para saciar nossa fome de beleza.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

O que falam de Espinosa

Será que a escolha foi acertada?
Em busca de mais informações sobre o novo treinador do Santa Cruz, o Blog do Santinha apelou para o Google e descobriu que - como todo mundo no mundo - há quem o respeite como um bom profissional, como é o caso dos cearenses do Fortaleza e Ceará. Outros lembram de vários fracassos recentes, como os torcedores do Bahia, que testemunharam com sofrimento sua passagem pelo clube na campanha do rebaixamento à Terceira Divisão, onde já pegou o barco afundando. Abaixo, um pouco do que foi publicado na mídia sobre Valdir Ataualpa Ramirez Espínosa (tomamos o cuidado de não repetir o lenga-lenga do título mundial pelo Grêmio e o campeonato carioca de 1989 pelo Botafogo). "Curitiba - O Atlético Paranaense apresenta nesta terça-feira Gílson Nunes como treinador de sua equipe no restante do Campeonato Brasileiro. Ele irá ocupar o lugar de Valdyr Espinosa, demitido no domingo à noite pela direção rubro-negra. O nome do novo profissional foi uma indicação de Antônio Lopes, que era o primeiro nome da lista da diretoria. Gilson Nunes já começou a trabalhar no CT do Caju". Jornal da Mídia, em 01 de outubro de 2002 Uma polêmica no ar conturbou o ambiente do Brasiliense no final da semana passada, no treinamento da última sexta-feira, o meia Alex Oliveira abandou o gramado ao ser substituído pelo técnico Valdir Espinosa. Algumas informações vindas de Brasília apontaram que o jogador teria paralisado o treino e até tirado satisfação com o treinador. No entanto, o técnico Valdyr Espinosa garante que não houve nada. "Não tive qualquer desentendimento pessoal com Alex,ele não gostou de uma situação que aconteceu, ficou chateado e teve uma atitude de indisciplina. Mas tudo está sendo contornado da melhor maneira possível pela diretoria e comissão técnica, com profissionalismo e o mais importante é que este caso não desestabilizou o grupo", afirmou o teinador No momento, Alex está afastado do elenco do Jacaré,alguns jogadores, quando perguntados sobre o fato, acharam melhor minimizar e não falar sobre o assunto."Mostramos ao atleta toda a nossa insatisfação com a situação que foi criada. Uma equipe que pretende ganhar títulos e tem espírito vencedor, não pode ter incidentes como este.Ele está afastado do grupo por tempo indeterminado e vamos esperar para ver como ele agirá durante este tempo", explicou Valdir Espinosa. Fanáticos por Futebol, em 08 de junho de 2005 - Olha aí uma ótima notícia: quem sabe ele não bota Alex no olho da rua... BRASÍLIA - O técnico Valdyr Espinosa sabe que pode perder o cargo por conta da derrota para o Corinthians por 4 a 2, neste sábado, pelo Brasileiro. O treinador admite que os resultados não têm sido satisfatórios, mas prefere deixar a palavra final para a diretoria do clube. - O cargo não é do treinador. É do clube. Não é uma posição vitalícia. A última ou a primeira palavra é sempre da diretoria. Tenho tranqüilidade de que o trabalho está sendo feito, mas também sei que os resultados não são os esperados. Mas decidir isso é papel do empregador - disse Espinosa. Globoesporte.com, em 18 de junho de 2005 "O técnico Valdir Espinosa fez acordo para a rescisão do seu contrato com o Ceará, que prevê sua volta ao comando do clube alvinegro cearense a partir de novembro, quando será iniciada a preparação da equipe para o Campeonato Cearense de 2006. Ele e sua comissão técnica acertaram o recebimento de todos os salários e atrasados com os gestores da empresa que é parceira na gestão do Ceará. Diferentemente de anos anteriores, quando os jogadores do clube saíam e ficavam de posse de muitas promissórias, para receber no futuro, todos tiveram suas dívidas quitadas", Terra, em 14 de setembro de 2005 (logo depois da eliminação do Ceará na Segundona do ano passado) "Espinosa estava desempregado desde o fim da Série B, onde não conseguiu levar o Ceará, maior rival do Fortaleza, para a segunda fase. O treinador já comandou em sua carreira grandes equipes como Grêmio, Botafogo, Fluminense e Corinthians. O Fortaleza será a segunda equipe que Espinosa dirigirá neste Campeonato Brasileiro da Série A. O gaúcho começou o Brasileirão dirigindo o Brasiliense, mas acabou demitido e substituído por Joel Santana. Espinosa já trabalhou em Fortaleza, ano passado, quando esteve à frente do Ceará", Yahoo, em 18 deoutubro de 2005 O presidente Ribamar Bezerra confirmou que Valdir Espinosa acertou com o Leão para temporada 2006. “Apenas está faltando á assinatura de contrato então já está 99% eu acredito que está certo para o ano que vem”. A reportagem do Artilheiro, Conversou com o presidente Tricolor e afirmou que a partir de agora, o treinador vai passar uma relação dos jogadores que ele pretende ficar para próxima temporada. Esses jogadores que estão atuando no Brasileirão. “Não conseguir começar esse ano com uma equipe, mas agora com um planejamento feito, vamos começar o Campeonato Cearense com um time,” o presidente também afirmou que conversou com o Valdir. “Na hora do almoço no hotel e passamos para ele que vai ficar agora á critério dele as contratações, o crivo será dele. Sobre as contratações da minha ossada foram encerradas e ás contratações de cunho, mais importantes serão trabalhadas juntamente com Valdir Espinosa e o gerente futebol Toninho Cecílio”, declarou o Presidente do Leão Ribamar Bezerra. Site não-oficial do Fortaleza, em 28 de novembro de 2005, durante a passagem de 10 jogos em que comandou o time para tentar a vaga na Sul-americana. Após a derrota para o Madureira, o técnico Valdir Espinosa admitiu deixar o comando do Flamengo. Ele disse que ainda não conversou com a diretoria, mas qualquer decisão será "aceita com tranqüilidade".... "Nesta quinta, o alvo preferido dos apupos foi o goleiro Diego. Ele, que estava mal posicionado no primeiro gol e hesitante no segundo, não entendeu o porquê das vaias: "Não sei [o motivo]. Mas não me importo com isso". Já Espinosa saiu do Maracanã aos gritos de "queremos treinador"."É uma decisão da direção e será bem aceita, qualquer que seja", disse o técnico, que encarou com tranqüilidade as vaias:. "Se eu me olhar no espelho agora também vou me vaiar". Uol, 2 de março de 2006, durante o campeonato carioca.

domingo, 7 de maio de 2006

Situação Espinosa

O "novo" treinador do Santa, mais rodado que Fusca 68...

Por Nunes, jornalista esportivo, puto da vida

A diretoria do Santa Cruz, que tanto me surpreendeu positivamente em 2005 e até no início de 2006, deu o seu primeiro passo concreto rumo à segundona. Tirar Giba, depois de ter trazido apenas um jogador solicitado pelo técnico, é além de um erro grosseiro, já que interrompe a seqüência de um trabalho, a transferência de foco do principal problema da equipe: a falta de qualidade técnica. Treinador nenhum dá jeito neste time que está aí. David Coperfield, sim. Mister M, também. O que me irrita e me deixa profundamente pessimista são os motivos que levaram a derrubar Giba. Escutei de pelo menos quatro torcedores diferentes, em locais distintos, na saída do Arruda, no último sábado, a mesma frase: “Giba fica na beira do gramado e não briga com ninguém. Fica tranqüilo, etc”. Foi assim na descida da escada das cabines, no Colosso, vindo do motorista do táxi que peguei... Tudo fruto de uma campanha escrota encabeçada por radialistas como José Silvério e Aldeci Lima e cujo refrão, infelizmente, a maioria dos torcedores tapados repete alienadamente. Quando defendo Giba não o faço por acreditar que se trata do melhor técnico do mundo. Apenas tenho informações que é um cara que saca de futebol, é trabalhador e honesto, qualidades que boa parte dos radialistas detesta. A diretoria foi “emprenhada” literalmente pelo ouvido, como se dar chilique á beira do gramado ganhasse jogo. E como se não bastasse, talvez por indicação de alguma sumidade entendida de futebol como as citadas acima, a diretoria acerta com Valdir Espinosa. Só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto pra cima da gente. Além da queda, um coice de mamute. Nota da redação do Blog: Nem sempre os textos aqui publicados refletem, na íntegra, o pensamento dos editores do Blog, até porque os editores também divergem entre si em vários caminhos e descaminhos do Mais Querido. Consideramos de fundamental importância a publicação dos colaboradores, no "calor da hora", para dar o pontapé inicial nas discussões e posicionamentos. Bem, leitores, a bola já está rolando, vamos ao debate.

sábado, 6 de maio de 2006

Santa 1 x 1 Ponte Preta, pela Internet, parte II

Por Samarone Lima Terminou o primeiro tempo, fui dar um pulinho em Vital, cisquei por ali, falei com um outro, daqui a pouco entro na venda e seu Vital me olha com uma cara de zangado. “Gol da Ponte Preta”. Escutamos pelo rádio dele. Maldita hora em que fui sair de casa! Dei azar ao time, sinto, e volto correndo para casa. Val Baiano dá lugar a Luciano. Sai vaiado de campo. Deve ter sido aquela desgraça de sempre. A torcida do Santa começa a vaiar o treinador Giba. “Resultado que derruba treinador”, diz a rádio, e já acho sacanagem. Escanteio para o tricolor. A zaga tira. Novo escanteio. A zaga tira. Novo escanteio. Porra, cadê um atacante ou um calmante! Bala cobra novamente, e nada. Luís Cavalcante fala da “Síndrome do segundo tempo”. Novo escanteio. Luciano bate. Carlinhos manda uma bicicleta para fora. “Teve tudo para desempatar o jogo...” Uma jogada de Tiano. A bola bate na zaga. “Pra fooora!!!” Danilo desce pela Ponte. “Bateu pra foooora”. Amigos, não mereço estar sozinho em casa. 39 minutos e 30 segundos do segundo tempo: Lá vem aquela velha agonia... “Aqui no Arruda o time gasta o tempo. O goleiro Jean faz uma cera incrível”, informa o locutor. “Cadê a bola?”, continua. O juiz deu três minutos de acréscimo. Vamos a 48. Bala chuta mais uma por cima do gol. Escanteio. Finzinho do jogo. 47 minutos e 15 segundos. Faltam 45 segundos. Falta para a Ponte, era só o que faltava. Contra-ataque para o Santa, mas acaba o jogo. Chegamos aos dois pontos, dois reles pontinhos, com dois empates em casa. Perdemos quatro pontos contra dois times intermediários: Figueirense e Ponte Preta. A torcida grita “burro, burro, burro”. Aguardo agora a análise de quem esteve no Arruda. Mas que a situação está braba, está... Estamos na vice-lanterna. Se o Palmeiras vencer no domingo, vamos para a Lanterna. Ula lá...

Santa x Ponte Preta, pela Internet: ninguém merece! (parte I)

Por Samarone Lima Há pouco, Naná passou com a Kombi, vestido com a reluzente camisa da Coralnet. Me deu uma carona até a locadora - fui alugar uns filmes, para matar o tédio dessa virose, que me derrubou desde quarta-feira. Voltamos, e estava a turma em Seu Vital, Peitão, mais cinco tricolores, André, o filho de dona Fátima, e o filho de Ciço Boi. Sinto muito, amigos, 99% dos apelidos aqui do Poço são relacionados com animais. Fui pedir o radinho de Seu Vital, levei um sonoro "não", porque perdi seu radinho de estimação, ano passado, em algum jogo louco da Série B. Liguei a Internet, e depois de mil peripécias, conectei na Rádio Jornal. O Santa já estava ganhando de 1 x 0, gol do Carlinhos Bala. Estou no intervalo, Luís Cavalcante, "o comentarista da palavra abalizada" acaba de me informar que o Santa jogou bem o primeiro tempo, só teme o que "estarão conversando nas vestiárias", porque o Mais Querido tem jogado bem somente na primeira etapa. "Se voltar jogando menos, não vai segurar a vitória". Acabei de tomar um copo de suco de maracujá, para acalmar os nervos. Fico imaginando Naná e a galera no estádio, fora a Sanfona Coral, aquela farra toda. Luis Cavalcante acaba de dizer que o elenco do Santa Cruz é daqueles para o treinador dizer "vamos lá, vamos comer grama, vamos para a bola como se fosse para um prato de comida". Concordo com o comentarista. "É um grupo para bater palma e dizer - vamos lá, moçada, ganhar o jogo. Espero que não venham com lambanças, firulas. Que venham com mais raça do que a etapa inicial". Adriano sentiu uma contusão na panturrilha, não voltou para o segundo tempo. Volta o lento Carlinhos Paulista. Ai, meu deus... ps. Se terminarmos assim, subiremos sete posicões na tabela. Vamos aguardar.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Sanfona Coral série A

Chiló de volta com a sanfona: estréia na série A
O quê? concentração da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral antes da partida contra a Ponte Preta. Onde? Mercado da Boa Vista, por trás da Igreja de Santa Cruz (local de fundação do Mais Querido) Quando? às 12h Como? com música e cerveja Quem? o zabumbeiro Gerrá; os triangueiros Malvina e Josimar; o sanfoneiro Chiló, de volta aos estádios após a recuperação do seu pai, seu Jura; leitores do Blog do Santinha e outros. Por quê? Pra beber, farrear... ora essa, pergunta mais besta! Ausências confirmadas: Inácio (que vai estar com os filhos pequenos e vai direto pro estádio para não cansar a pequena pé-quente Júlia - 6 jogos: cinco vitórias e um empate - e o já veterano Pedro) e Samarone (doente, arriado com febre alta, tremores no corpo, dor nas juntas e perebas espalhadas da cabeça aos pés) Senhores integrantes da Sanfona Coral: não farrapem pra não desmoralizar o Blog!!!

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Em Peixinhos, um porto seguro para os tricolores

Zé Carlos e sua maior relíquia, o pôster do time pentacampeão em 1973
por Inácio França "Você vai pela presidente Kennedy, aí quando passar o mercadinho Campeão, precisa dobrar à esquerda logo no primeiro retorno. Depois é só perguntar que todo mundo sabe onde é". Acostumado a andar pelos territórios conhecidos dos bairros de classe média da capital pernambucana, com ruas pavimentadas, avenidas iluminadas, placas de sinalização e gente metida a besta, admito que não levei muita fé na última parte das instruções fornecidas por Zé Carlos, o tricolor dono do Bar do Tricolor. Fui lá acompanhado por Geraldo Lima, que atende por Gerrá quando carrega sua zabumba, e boa parte do pessoal que acompanha a Sanfona Coral na arquibancada. Dobramos à esquerda no tal retorno e, logo na primeira esquina, resolvemos testar a credibilidade do tricolor-dono-de-bar: havia cinco rapazes e duas moças conversando na calçada. Pagode e funk tocavam em casas da vizinhança, no que parecia ser uma disputa entre os proprietários das melhores caixas de som da periferia de Olinda. "Por favor, algum de vocês sabe onde é o Bar do Tricolor?"

Todos os sete adolescentes, eu disse todos, apontaram em direção a uma rua sem calçamento mais adiante. A rua de barro têm um nome pomposo: avenida Nacional. Há 25 anos esse é o endereço do estabelecimento de José Carlos da Silva, nascido e criado no bairro de Peixinhos.

O bar é simples, cadeiras de plástico e de metal espalhadas na calçada e protegidas da chuva por um enorme toldo branco. A decoração é caótica, misturando pôsteres do Santa Cruz, cartazes de cerveja e calendários. Um botequim como milhares de outros nos bairros pobres do Grande Recife. A diferença está na alegria contagiante de Zé Carlos e de seus filhos que o ajudam no serviço.

O ambiente ideal para uma farra sem quaisquer frescuras. Dois minutos depois de chegar, já estávamos do outro lado do balcão, beliscando os petiscos e dando pitaco na decoração do bar.

"Isso aqui é um reduto dos tricolores de Olinda. Em dia de jogo televisionado vem gente de Peixinhos, Jardim Brasil , Águas Compridas, Caixa D´água, Sítio Novo... parece uma romaria de gente chegando com camisa do Santa", conta Zé Carlos, que exibe com orgulho uma foto sua com o treinador Nereu Pinheiro, feita logo depois do vice-campeonato da Segundona, em 1999.

"Não vou entregar os nomes dos jogadores que já passaram por aqui. Tem uns que ainda estão na ativa e não quero sujar ninguém. Dos ex-jogadores, Luís Neto e Ramón aparecem de vez em quando".

Apesar do nome e da ótima fama, a pintura do local não é preta, branco e vermelha, como poderia se esperar. Zé Carlos explica que a cervejaria que patrocina o estabelecimento mudou a cor da fachada, condição para publicar uma foto numa revista que circula entre donos de boteco pelo País afora. "Mas já estamos providenciando a pintura tricolor de novo. Vai tudo voltar ao normal".

Saímos do bar com a sensação de que, depois de muita busca, encontramos o lugar com o clima ideal para acompanharmos o Santinha nos estádios da primeira divisão. Um lugar com a cara e o jeito do povo, como o Santa Cruz Futebol Clube.

Sete motivos para não ter um bar coral

por Samarone Lima Amigos corais, andaram me sugerindo que eu continuasse minha conhecida carreira de dono de Bar, depois das empreitadas do La Prensa e Garraffus, que se tornaram, obviamente, reduto coral. Elenco alguns motivos para indeferir os pedidos e continuar a buscar, com a massa coral, o “nosso boteco”. Motivo 1: A síndrome-do-problema-técnico-quando-o Santa-entra-em-campo. Você acorda cedo, é domingo, todo mundo está na praia, você, feito uma rapariga, está contando as cervejas, vendo se já estão gelando, para João Magro Amarelo Valadares não ficar enchendo o saco, porque a cerveja pode estar congelada, que ele sempre diz que a cerveja está quente. Você confere a NET, liga tudo, duas horas antes do jogo, a imagem está linda, começam a ligar. “Vai passar o jogo do Santa?” Milhares de tricolores se preparam para a invasão, tudo vai ser lindo. Tudo segue perfeito, cerveja gelada, se João ainda não reclamou, é porque não chegou. Joãozinho Peruca chega com a namorada, a família, amigos, Saulo já chega meio cego. O Santa entra em campo, a galera vem abaixo: “Tri, tricolor, tri tri tri tri tricolor”. Então, a imagem inexplicavelmente some, por algum fio que saiu do canto, algum problema de última hora, mesmo que a mensalidade da Sky esteja rigorosamente em dia. Você se torna o pior vilão do Recife, o mais elegante te chama de burro, fora os que dizem que “esse cara não quer ganhar dinheiro”. O pior é aquele "de novo!", que arrasa o dia do sujeito. Todos vão embora, cantando pneu, e dificilmente retornam. Se voltarem, vai ser pior, porque já chegam esculhambando, perguntando se você pagou a Sky. Motivo 2: A derrota é sempre culpa do bar, e o dono do bar é sempre um pé-frio Não adianta. O Santa pode ganhar 221 jogos no bar, colecionar títulos, recordes, dominar o futebol no estado, no Nordeste, no Brasil, mas basta uma derrota, um reles 1 x 0 quando já estava classificado, que soltam a acusação, à boca miúda: “Esse bar é que está dando azar”. “O Samarone é realmente um pé frio”. “Não volto mais aqui”. “Não te avisei?” Motivo 3: Se o time perder, você precisa contratar mais cinco caixas Se o time chegar a perder, o dono do bar precisa ter cinco caixas de reserva, com as contas todas somadas, dinheiro para troco e agilidade de um McDonalds. Todos resolvem ir embora de uma vez, os pedidos da cozinha são cancelados, todos perdem a fome, e dois minutos de atraso na conta resultam numa guerra civil entre os tricolores e o dono do bar, que se torna imediatamente um feladaputa de marca maior. Os amigos chegam e falam, na cara dura: "Tu não tem jeito de se organizar, né Sama?" Motivo 4: O dono do bar quer matar o garçom rubronegro ou alvirrubro Durante o jogo, você flagra várias vezes o garçom rubronegro ou alvirrubro fazendo figa, lamentando uma bola perdida pelo adversário. Você olha para a cozinha, repleta de facas, e pensa em acertar um deles, como fazem no circo. Pior: o garçom usa o isqueiro com o símbolo do clube adversário. Em caso de derrota, o que mata é aquele sorrisinho falso com o canto da boca. Motivo 5: Como os adversários sabem que o bar é de tricolor, querem tirar onda Basta uma vitória sobre o Treze de Campina Grande, que barbies e coisas chegam aos magotes, para comemorar. Como você precisa pagar as contas, não pode dar cadeiradas no quengo deles, e fica vendo as tais camisas em seu reduto. Pior, parece que o dono do bar tem um ímã, e ficam todos ao redor, enchendo o saco, feito aquelas moscas de padaria. Motivo 6: Nas vitórias, muitos esquecem de pagar a conta O Santa ganhou aquele jogo, faturou o título, a festa rola solta, e a negada enche o caneco. Daqui a pouco, misturam as mesas, quem bebeu diz que “tomei só cinco”, quando foram umas doze, e você ainda é esculhambado no dia de comemorar o título. Motivo 7: Se o cozinheiro for tricolor, o bar vai ter problemas Se o cozinheiro for tricolor e gostar de beber, na metade do primeiro tempo ele já está fazendo um bife ao molho madeira com pedaços de fígado assado, e no intervalo ele vai dizer que “precisa comprar um cigarro”, mas toma dois quartinhos de cana no boteco mais próximo. No segundo tempo, ele vai estar chumbado, e quando você entrar na cozinha, ele vai partir para o abraço: “Samarone, você é um tricolor do caralho” – enquanto a baba escorre pela roupa. Pior: ele vai continuar", com aquele famoso bafo de Pitú: "Sabia que eu sou tricolor de corpo e alma?" Diante dos motivos acima citados, acho melhor este Blog do Santinha fazer uma campanha,uma votação, uma enquete, sei lá, para saber onde vamos ver os jogos do Mais Querido. Jogador se aposenta, bancário se aposenta, jornalista se aposenta, o Inácio França um dia vai se aposentar, e no meu caso particular, após duas experiências no ramo, afirmo: Pendurei as chuteiras para a vida de dono de bar. E cá entre nós: o tal do João Valadares reclamando da cerveja quente é um chute no ovo.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Psicologia, fé, endomarketing...

Os leitores do Blog já começaram a apelar para a psicologia e para a religião

Futebol não é nada, marketing é tudo (título original) por Coronel Peçonha, advogado e responsável pelo blog www.metiope.blogspot.com O slogan que originou o título dessas minhas aflitas palavras é de um refrigerante (Imagem não é nada, sede é tudo. Obedeça sua sede...) e, aumentando ou não as vendas da bebida, inegável que pelo menos para mim ele funcionou a ponto de eu não esquecê-lo. Não sou publicitário, não sei definir com exatidão o que é marketing, nem sei se o que eu estou defendendo é marketing, mas tenho certeza que marketing é tudo. Deve ser. Marketing, no meu entender, seria o que fez Ronaldo, o Fenômeno, continuar vendendo inúmeras camisas "9" do Barcelona mesmo após sua chegada no Real Madrid, inimigo histórico do time catalão; seria o que faz o Real Madrid ganhar cifras milionárias com a chegada de jogadores como o citado Ronaldo ou o inglês Beckhamn, este o exemplo maior do marketing. Mas uma boa campanha de marketing deve incluir algo de auto-ajuda, de incentivo aos atletas e mesmo de incutir pensamento positivo na torcida. E por que esse "papo cabeça", quando minha cabeça só pensa no Santa Cruz? É que estou defendendo a contratação – urgente! – de uma empresa de marketing de alto astral para o Arruda (o marketing para vender camisas pode ficar para depois!). Sim, pode ser uma empresa, um profissional, um pastor, um padre, um psicólogo (aqui já rola um interesse pessoal, pois sou casado, irmão, primo e cunhado de psicóloga) ou qualquer entidade que possa nos reerguer moralmente, pois estamos no fundo do poço, ou como diria Nelson Rodrigues ou lembrou Samarone, com o "complexo de vira-latas" entranhado no espírito. Alguém ou alguma empresa que prove que nós somos da elite do futebol, que o nosso time tem tradição, que devemos honrar as cores do Santa Cruz, que a torcida não se sinta no lixo, que não julgue sempre o adversário invencível, que não sinta saudades da Segundona!!! E por que defendo isso? Pelo que vejo e pelos nossos antecedentes históricos: 1 – Faltam 35 partidas, enfrentamos dois candidatos ao título do Brasileiro da Série A na casa deles e – para a imprensa, para as demais torcidas pernambucanas e, pior, para grande parte dos tricolores – já estamos rebaixados. Inferioridade entranhada. 2 – Nossa lembrança recente acerca de nossas participações na Primeira Divisão é um último lugar em 2000 e a confirmação do rebaixamento em 2001. Só. Ou melhor, inúmeros insucessos ridículos nas tentativas de voltar à elite (quando éramos desclassificados para sampaio correia, americano/RJ, etc). Derrotismo enraizado. 3 – Ano passado, na Série B, começamos e terminamos o campeonato disputando a liderança (diga-se melhor: tivemos a maior pontuação). E o que se dizia? Cavalo paraguaio. Pior é que pensávamos se seríamos mesmo um cavalo paraguaio. Tanto é que só vencemos o time do grêmio, uma máquina de bater e jogar retrancada, uma só vez, já que o time gaúcho representava a notícia mais concreta de Série A (não pelo time, mas pelo que impunha). Insegurança instalada. 4 – Em 2003, o melhor time da Segunda Divisão foi o palmeiras. Será que alguém se lembra o que ocorreu nas sete, eu disse sete, primeiras rodadas (de 20 e poucas no total)? O time que veio a ser campeão daquele ano estava na zona de rebaixamento!!! E um dos motivos foi que não sabia como se comportar na Série B – quem quiser que discorde disso, mas foi só o palmeiras acordar para isso que sua campanha só fez ascender. Esquecimento da história. 5 – Em 1999, tínhamos um time com "estrelas" no começo do ano. Levamos uma surra de 5x1 para o américa/MG dentro do Arruda, depois um 3x0 para o tunaluso e tudo mudou. Nereu Pinheiro pediu carta branca, mandou muita alma sebosa passear, ficou com a prata da casa e subimos em verdadeiro milagre (na primeira fase, só ganhamos um jogo fora de casa, o último). Milagre, mas assim eu chamo porque o time viajava com dois pastores evangélicos, que faziam pregações antes das partidas. Limpando o ambiente, o grupo assimilou aquelas mensagens positivas e deu no que deu (para quem não se lembra, apenas um detalhe do nosso então valoroso plantel: o lateral esquerdo titular era Wellington, que era lateral direito e que todos nós conhecemos bem). Força latente desprezada. 6 – Por falar em passado recente, entre 1995 e 2001, salvo engano, sempre tivemos recordes de público no país (dois exemplos: em 1998, quase 70 mil contra o volta redonda/RJ, e em 2001, cerca de 27 mil contra o corinthians, quando já estávamos rebaixados). Poder de captação de incentivo inutilizado. 7 – Idem em 1983, quando o Santa Cruz contratou uma psicóloga para o grupo. Fatos positivos não repetidos. 8 – Na derrota para o são paulo, para mim esse nosso complexo apareceu de forma impressionante. Parecia ser pecado fazer gol no "bom moço" Rogério Ceni ou mesmo ser impossível faturar ao menos um ponto do atual campeão mundial. Enquanto isso, o time adversário fazia inúmeras faltas, reclamava o tempo todo, jogou duríssimo, o bom moço puxava a bola para trás, colocando a barreira mais distante sem o árbitro ver, etc. E Carlinhos Bala disse que não tinha sofrido falta na área, um fairplay digno de aplausos e de... gols contra. Até Nosso Senhor usou o chicote nos mercadores do templo e bondade não quer dizer bobagem. 9 – E quem disse que Primeira Divisão é só toque de bola bonitinho? É corre-corre, tranco forte, disputa ríspida, igualzinho àquelas partidas de finais de semanas em campos de várzea, com a diferença, é claro, da parte técnica. Vale chamar o juiz de FDP, simular com inteligência (e não com pavonices), dizer que não cometeu falta, suar a camisa e tudo mais. Não sabemos onde estamos. Podem até me dizer que o Real Madrid está em crise, que seu futebol não está mostrando resultados, etc e etc, o que invalidaria essa minha tese; ledo engano! O marketing – ou seja lá o que eu estou querendo – não imuniza o time de futebol, ainda que possa vaciná-lo temporariamente. Mas duvido que não traga a torcida de volta e com o coração aberto (não racional e pessimista, como tem sido), que não faça o time entrar em campo com a consciência de suas limitações mas com a gana da superação, tudo gerando um ciclo positivo para o Santa Cruz Futebol Clube. Duvido que cada um dos torcedores do time espanhol do Real não vá aos estádios com a certeza da vitória! Por isso, após limpar os maus fluidos no Arruda, voltem os pastores de Jonas Alvarenga, tragam Paulo Coelho, Lair Ribeiro, contratem Duda Mendonça, Marcos Valério, enfim, Diretoria do Mais Querido, faça alguma coisa pela nossa estima, que está tão baixa, até já aceitando que bom mesmo é disputar as divisões inferiores (e comemorar vitória contra o pato branco, expressinho da vila, folha d’água, etc), entrando em campo de cabeça baixa e pedindo desculpas por tentar vencer. Uma empresa de marketing, por exemplo, já teria gerado um fato novo no Arruda após a derrota para o são paulo, para afastar a pressão e esquecer o lamentável fato. Wanderley Luxemburgo fez isso no campeonato estadual, quando o santos perdeu para o são paulo (dizendo que tinha sido paquerado pelo árbitro), tirou o foco do plantel e sagrou-se campeão após 19 anos, com um elenco bem inferior ao desejado por ele. Pensamento positivo com realismo e inteligência, então. O Santa Cruz é a minha pátria.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Uma voz clama por Giba

por Nunes, jornalista esportivo que faz uma homenagem ao velho artilheiro com esse pseudônimo Mais do que nunca é preciso apoiar o técnico Giba. Aos poucos, ele anda exorcizando alguns fantasmas que estavam atrapalhando a vida do Santinha em 2006. O preço de ficar “viuvando” os heróis da bela campanha de 2005 pode custar muito caro, a ponto de nos jogar de volta pra segundona. Atletas e comissão técnica já tiveram o devido reconhecimento por parte da imprensa, blog, sites e torcida, além de terem obtido valorizações nos respectivos currículos. Ninguém deve nada ninguém. Coube a Giba iniciar esta caça aos fantasma de 2005, coisa que o nosso querido Givanildo, de tão envolvido no processo, não soube fazer. Sabiamente, o Giba está tirando as peças podres da equipe e dando moral a outros que não vinham tendo chance. Com isso, ele acaba com os cargos vitalícios no time. Ou seja, quem não doar sangue em campo sai. Outra bela sacação do treinador foi evitar aquela vassourada radical. Até mesmo por não dispor de tantas peças de reposição, ele vem anunciando as dispensas homeopaticamente. E avisando aos que ficam que fulano saiu porque não vinha bem e que outros podem seguir o mesmo destino. Com isso, ele fica com uma carta na manga e um instrumento de pressão para fazer com que um Alex Oliveira da vida se sinta na obrigação de suar a camisa sob pena de ser dispensado. O pedido de apoio ao treinador parte de uma preocupação. Tecnicamente, nosso time ainda não está em condições de brigar por boas colocações numa Série A e os maus resultados neste início poderão levar o pescoço do técnico para a forca. Principalmente, se Givanildo não demorar no Atlético Paranaense. Com Giva livre, qualquer tropeço será motivo para que as viúvas voltem à carga e a trairagem de algumas peças do elenco, hoje em baixa, ganhe fôlego. Até mesmo porque Giba não tem muito a simpatia de grande parte da imprensa. Os radialistas seriam os primeiros a colocar no ar a campanha “Volta Givanildo”. Embora não tenha nada contra o Marreco - muito pelo contrário -, Giba vem pondo um trabalho sério em andamento e interromper esse processo agora significaria retornar ao ponto zero.