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sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Dos "comentários" direto para o Blog

por Aloísio de Oliveira Bezerra (não conhecemos o autor, mas decidimos trazer para cá os versos deixados lá na seção de comentários) Quero parabenizar Inácio e sua filha Seja torcendo no Arruda Seja torcendo na ilha Em qualquer canto que seja Que esteja o nosso Santa Disputando uma Peleja Toda torcida se encanta A filha, o avô , o pai Família de tricolores Em meio de jogo não sai Pois são fieis torcedores E neste 2005 Com o Santa campeão Comunico com afinco Vou à Primeira Divisão

Sanfona, cerveja e telão

Todos os passos da Sanfona Coral serão sempre anunciados pelo Blog do Santinha. Neste sábado, por exemplo, o trio de forrozeiros tricolores se apresentará no Garrafus, o bar de Samarone Lima, que fica em Casa Amarela, na frente do Colégio Apoio. O forró começa duas horas antes do jogo contra o Grêmio e acaba duas horas depois, com telão, cerveja gelada e tira-gosto (os dois últimos itens são só pra quem pagar, lógico. De graça, só o telão e a injeção na testa) e a apresentação da faixa de 20 metros de comprimento que a Sanfona vai estrear na partida de terça-feira. Apesar do telão e da farra serem no Garrafus, quem patrocinou a superfaixa foi o Empório Sertanejo, da rua da Hora.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

De como se faz a tradição

por Júlio Vila Nova, músico e mestrando de Letras da UFPE. É pai de Lívia de Castro Alves Vila Nova, pequena tricolor que balança de amor um coração quanto canta com a voz miúda de dois anos de idade: “Papai um dia me ensinou a ser feliz / olhar a vida com respeito e muito amor / a ser criança, cultivar minha paixão / e conservar meu coração bem tricolor” (PAPAI TRICOLOR, de Fátima de Castro) Amigos tricolores, este momento de alegria que vivemos com o nosso Santinha deve ser aproveitado com todo empenho. É preciso pendurar a bandeira tricolor na janela; ouvir o repertório todo dedicado ao Santa (por exemplo, os frevos e sambas do CD Veneno da Cobra Coral, de Bráulio de Castro); ir ao estádio, vibrar a cada gol a plenos pulmões, e emocionar-se quando ouvir de novo no rádio; tirar muita onda com os rivais (principalmente a coisa, é claro !); tomar muita cerveja (quem puder, se não for dirigir). Tudo isso porque o tricolor tem deixado a certeza de que, num futuro distante, quando estivermos levando nossos netos ao Mundão, matando sua curiosidade sobre as glórias do Santinha, teremos o orgulho de dizer “Eu vi aquele time jogar !”. E declinaremos a escalação inteira, de um fôlego só. Podemos sem receio falar assim, sem perigo de soarmos arrogantes ou pedantes, porque isso não é do feitio tricolor. Somos apenas o povão feliz, caminhando pelas ruas da cidade, descendo os morros, enchendo os ônibus, becos, bares da felicidade em três cores. Ficamos particularmente emocionados pelas crianças, que estão agora aprendendo lições de tradição no embalo das vitórias dessa campanha fantástica no Brasileiro, no peito ainda a faixa gloriosa de campeão pernambucano de 2005. Nós, que acompanhamos há muito os caminhos dessa História, sabemos que é mais doloroso aprender ou relembrar tais lições em época de revés: uma olhada na participação do Santa no campeonato pernambucano, por exemplo, mostra amargos intervalos sem taça, como esse de nove anos que quebramos agora. No entanto, aprendemos. E ensinamos. E é bom ter sempre na ponta da língua nossas muitas razões de sermos tricolores, a qualquer momento: seja na alegria confiante de mais um título em que, por toda fé e energia empenhadas, acreditamos; seja na descrença pelas fracas campanhas que muitas vezes, ainda assim, acompanhamos até o fim. Não importa. Para os que batem no peito inflado de empáfia o argumento de que vale mais a quantidade de títulos, lembramos que vale mais mesmo a qualidade dos títulos incontestáveis, conquistados na base do talento, de fato e de direito (como os nossos, todos, a exemplo deste, de 2005). Não se pode falar em tradição sem uma olhada para trás, em busca de saber quem começou e quem ajudou a continuar esta História. Quando os outros relembram seus heróis, poucos conseguem dizer as escalações das suas primeiras equipes, cheias de Lathans, Olivers, Franks, Pickwoods, Kings, Grants, Smiths, alvi-rubros e rubro-negros da mesma estirpe britânica, uma infeliz elite outrora crente que os campos seriam para sempre seus. Nós, evocando os primeiros garotos reunidos na calçada da Igreja de Santa Cruz, dizemos nossos heróis assim, mais simples: Ilo e Pitota (primeiros ídolos), Tará, o homem de dez gols num jogo só (“depois de Garrincha e Pelé, vou lhe falar, o maior do mundo foi Tará”, canta Bráulio de Castro), Lacraia (o primeiro negro), Sebastião da Virada, Zé de Castro, Nequinho, Sidinho, Siduca, Mazinho, Betinho, Givanildo, Birigüi, Zé do Carmo, Valença, Bala... (Rozembrik é simplesmente o Mago). E o Santa Cruz é simplesmente O Mais Querido ! Clube das Multidões ! Ora, alguns troféus a mais em outras salas podem render algum orgulho. Que sejam felizes com ele! Mas não incomodarão nossa certeza de que a tradição se constrói solidamente sobre algo mais. Temos feitos heróicos para contar ! Mostremos às nossas crianças as páginas de livros e jornais que contam esta História: a primeira vitória de um time do Nordeste contra uma equipe do sul (Santa 3 X 2 contra o Botafogo-RJ) e as comemorações que ofuscaram a passagem de Santos Dumont pela cidade, em 1919. A vitória contra a Seleção Brasileira em 1934. A maior virada da História, contra o América, em 1917, e a espetacular conquista do campeonato de 1993, em cima do náutico. A maior goleada em clássicos (7 X 0 contra o sport, em 1937: vejam a bola do jogo, exibida lá em nossa sala de troféus, cuidada com zelo por Dirceu Paiva). O nome do único jogador de um clube nordestino a figurar entre os artilheiros do Campeonato Brasileiro (Ramon, em 1973). As vitoriosas excursões internacionais: na década de 70, invicto contra times como Paris Saint Germain e seleção da Romênia; ou na década de 90, também invicto, com o pioneirismo de levar o futebol aos vietnamitas, campeões em campos de batalhas mais cruéis. E que tal os meninos do futsal na Suíça, de onde voltaram campeões invictos este ano, após vencer equipes européias como Werder Bremen e Bayer Leverkusen, da Alemanha ? Por fim, não dá pra falar em tradição sem que todos esses nomes e feitos heróicos sejam eternizados em alguma forma de arte, por essa gente tricolor, abençoada pelo dom de fazer o mundo melhor a cada vitória. Para sorte nossa, ou por merecimento mesmo, a nossa arte é a música. A música popular, é claro! Em Pernambuco, é o Santinha que junta melhor no caldeirão cultural os ingredientes de nossa identidade brasileira, pernambucana: frevo, carnaval, futebol, forró e alegria do povo. Muito obrigado, Capiba, Levino Ferreira, Nelson Ferreira, João Santiago, Edson Rodrigues, Irmãos Valença, Bráulio de Castro, Fátima de Castro, Maciel Melo, Getúlio Cavalcanti, José Menezes, Walmir Chagas, Antônio Carlos Nóbrega, Naná Vasconcelos, Maestro Forró etc. etc. etc. Saudações tricolores ! E viva a Sanfona Coral !

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Arruda, 1970 (a foto de uma lenda)

Ele entrou para a história do Santa Cruz como Sebastião da Virada. Essa é uma das poucas imagens do jogador que, durante, quase duas décadas foi o atleta-símbolo do Santa. Quarto- zagueiro do time tricampeão pernambucano de 1931-32-33 (cuja principal estrela era José Rato Podre Fernandes), Sebastião defendeu o tricolor nos anos 30 e 40 e se tornou ídolo da torcida por ser extremamente disciplinado e cheio de garra. Na década de 1970, enquanto o Arruda estava sendo construído, a diretoria do clube localizou o antigo craque morando numa favela pras bandas de Casa Amarela. Como as obras estavam em andamento, Aristófanes de Andrade aproveitou para construir um quarto para o ídolo junto às arquibancadas, onde ele morou até morrer pouco tempo depois. Assim, podemos dizer que Sebastião foi fotografado em sua própria casa. Ele, literalmente, viveu e morreu no Arruda. Uma bela história de amor recíproco, de um homem pelo seu time de coração e do clube por um dos seus craques. Nossa breve pesquisa ficou incompleta: gostaríamos de descobrir: a) porque Sebastião tinha esse apelido "da Virada"? b) em que ano ele morreu? c) durante exatamente quanto tempo ele jogou pelo Santinha? Se alguém puder nos ajudar, favor mandar as informações na seção comentários desse blog.

Cosa Nostra III (ou pega-ladrão I)

Sempre que os cartolas do Santa Cruz são questionados sobre o número de sócios em dia, sempre respondem que existem dois mil e poucos sócios em dia. Nunca ultrapassa esse número, pelo menos das palavras dos ditos "diretores" do clube. Se eles estivessem falando a verdade, as sociais estariam quase vazias na partida contra o Santo André. E não foi isso que aconteceu: fazia tempo que não tinha tanta gente nas sociais. Quem conhece o Arruda, afirma que havia pelo menos 10 mil naquela parte do estádio. E, aproximadamente, 55 mil no Arruda todo. Repetimos a sugestão de pauta para os colegas jornalistas das editorias de esportes: convidem um técnico do Ipem para calcular a lotação do Arruda no próximo jogo, contra o Grêmio. Talvez seja um esforço muito grande para aqueles que estão acostumados a escrever matérias ditadas pelas fontes oficiais, mas vale a pena tentar fazer um pouco de jornalismo. Se a evasão (palavra bonita para substituir "furto") for confirmada, é preciso perguntar para onde vai o dinheiro. Será que os cartolas, por amor ao clube, estão fraudando o borderô para iludir o INSS e a Justiça do Trabalho? Ou será que os cartolas estão furtando o clube também? Nesse caso, não seria melhor nós, torcedores, pararmos de reclamar que nem velhas fofoqueiras e acionarmos o Ministério Público e a polícia (Polícia Federal, bem entendido, visto que as outras duas polícias estaduais não servem para quase nada)?

terça-feira, 27 de setembro de 2005

O lance em que a terra parou

por Danilo Marinho de Souza, estudante de Publicidade, mas pediu para a gente identificá-lo como mascote do bicampeonato estadual de 1986/87, que, segundo ele, é mais importante. Ou seria o dia?! Poderia ser o dia do bombardeio a Hiroshima, mas não foi. Poderia ser o dia em que estreou a primeira peça de Shakespeare. Também não. Homem na lua? Tem muita gente que diz que ele nem foi lá, o dia também não foi esse. -Já sei! A invenção da... -Máquina a vapor, eletricidade, roda. Nada disso. -O dia em que a terra parou?! Não é a música de Raul Seixas e digo o porquê. Na música, ninguém saiu de casa pra fazer nada, pois o nada também não estava lá. Só que no lance em que a terra parou, tinha era gente assistindo. Era um dia dois do mês de setembro, ano de 2001. Domingão. Dia de futebol no Colosso. O Santa ia jogar contra a forte equipe flamenguista de Edílson e cia. O Arrudão tinha um bom público disposto a empurrar o Tricolor e um surpreendente número de paraibacas a fim de estragar aquele domingo de sol. Sol? Só foi farejar os torcedores sem-time que Thor disse: toma, Joãozinho. E tome chuva desde o início do dia. O jogo estava 0x0 e pau a pau. O goleiro Júlio César tinha a bola em suas mãos, após mais uma investida do ataque Coral. O modo como ele chutou a bola pra frente foi o primeiro sinal. A terra estava pra parar. No meio do caminho tinha um juiz. A bola bateu em seu cutuvelo. Eu sempre quis escrever essa palavra assim e não havia momento mais propício. Segundo sinal. A bola que ia pro campo tricolor ficou na intermediária flamenguista. Luizinho se aproximou da bola e deu um totozinho por cima. É. Ele tentou dar de cobertura, seria um golaço. Encobrindo o vigia que ainda voltava pro gol após a reposição. Seria impossível conseguir uma parábola tão alta a ponto de tirar o goleiro e tão curva a ponto de cair no gol. Thor era muito ousado e já tava cheio dos quequé na geral. Tinha tomado as dois quartinhos de aguardente antes de entrar, garantia de jogão. Mais umas 12 latinhas, levando uma chuva da peste que ele mesmo tinha feito só pra Joãozinho poder fazer o segundo gol tricolor, o do desempate. Aquele que a bola deu uma morridinha na poça. Ele sabia que esse gol ia acontecer, mas pra entrar o segundo, era preciso haver antes o primeiro e tinha que ser naquele lance. Um rápido movimento com o martelo e... De repente, o vento parou de soprar. A chuva que caía parou. Não, não parou de chover. As gotas pararam onde estavam. Uma inclusive, entrando na latinha de Thor. Os jogadores pararam, a bola parou a 2 metros do pé de Luizinho Vieira, que também parou. Um cavalo negro de oito patas se aproximou. Cavalgando no ar, Odin, Deus dos Deuses chegou e perguntou ao bêbado que merda foi essa. Thor falou que a bola ia entrar. Com a negativa do supremo, propôs uma aposta. Odin não tinha time, nem gostava tanto assim de futebol até aí, mas não resistia a uma aposta. - Aposto com (hic) voxê que entra(hic), agora antes (hic)quero um trato. - Fala logo, porra, que se Frigg me pega apostando eu... - Se der a impressão à torcida que a bola vai entrar, garanto que a estatura média da arquiba tricolor cai em 3 cm. – falou já com a voz normal, coisa do chefe. O acordo foi feito, a terra voltou a andar. Como que em câmera lenta, as pessoas começaram a abaixar e fazer pequenos movimentos com a mão. 2 cm a menos em todo o estádio. 2 e meio. 2,7 “Desce, desce, desce!”, pensavam os apaixonados tricolores, fazendo pequenos movimentos com a mão e se dirigindo à bola. Odin foi descendo. Isso porque, nesse momento, grande parte da torcida estava quase ajoelhada, implorando pelo gol. As pessoas no estádio estava com quase 5cm a menos da estatura média. Odin ainda tentou escorar de cabeça, mas o gol foi mesmo de Luizinho. Explodia a Nação Tricolor, num lance em que até os deuses achavam que ela não ia entrar. No lance em que a terra parou. P.S - Sabendo tempos antes que isso ia acontecer, o deus dos deuses viking, Odin, virou dia de semana. Dia de futebol. Odin´s day, wednesday, quarta-feira. Ps2.: Thor foi bebemorar na conta de Odin, que voltou pros braços de sua Frigg completamente apaixonado. Pelo Santa, claro.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Carta para Júlia

Minha filha, é verdade que foi cansativo, muito cansativo, levá-la até o Arruda, ora nos braços ora nos ombros, debaixo daquele sol que iluminou o Recife no sábado. Foi estranho sair do estádio sem estar dominado pela euforia que todos sentiram após uma vitória tão bonita e importante. As dores no corpo de tanto carrregar seu peso e sua inocência (ou o peso de sua inocência, para quem gosta de imagens mais rebuscadas) não permitiram tamanha expressão de alegria. Quase não pude dar atenção ao seu irmão, que para meu espanto pressentiu o gol de Carlinhos Bala, exatamente um minuto antes dele acontecer. Não foi fácil dividir a atenção entre você, inquieta como sempre, querendo escapar pela multidão ou chorando por atenção, e a bola rolando. Ainda cansado, tentei escrever uma crônica falando da cota de sacrifício que um pai precisa fazer para que seus filhos vistam a camisa com as cores certas. Joguei o texto fora. Não gostei de ler o que havia escrito, mas só agora identifiquei o porquê: não há sacrifício algum nisso. O que há é prazer. E, em consequência, não havia nada da minh`alma ou do meu amor de pai naqueles parágrafos. No texto descartado, não falei do orgulho de vê-la recusar a camiseta de estampa colorida que tentei lhe impor antes de sair de casa porque você queria se vestir igual ao seu pai e ao seu irmão mais velho. Agora vou revelar a enorme satisfação de, hoje, contar para meus amigos que tive de levá-la sem camiseta mesmo, até comprar um manto sagrado preto-branco-vermelho na avenida Beberibe. Vou contar para todos que você, quando viu a chuva de papel picado lá pras bandas da arquibancada, se fartou da tranquilidade das sociais e resmungou, exigindo ir para perto da Inferno Coral colecionar os quadradinhos cortados de páginas de revistas velhas, como fez naquela partida contra o Avaí. Quero que todos os tricolores saibam da da beleza de sua voz cantarolando os versos "junta mais essa vitória/ao teu passado de glórias", com seu jeitinho que não consigo reproduzir aqui por ser um velho sem graça. Minha pequena Jujuba, como não aprendi a acumular patrimônio (nem pretendo a essa altura da vida), é provável que além do meu nome que tento manter honrado e do sonho de construir um mundo melhor, minha única herança para você e para Pedrinho seja o amor pelo Santa Cruz Futebol Clube. um beijo do seu pai. Inácio P.S - Um recado para Pedro: filho, não fique com ciúmes. No seu aniversário também vai ter uma carta assim. Aliás, tive a idéia de escrever isso quando você, no caminho para o Arruda, disse que nunca pensou em torcer por outro time, mesmo me acompanhando no estádio em partidas de muita dor. Júlia foi ao Arruda cinco vezes: tem quatro vitórias (4 x 0 no Petrolina; 2 x 1 na Barbie; 2 x 1 no Avaí e 3 x 0 no Santo André) e um empate (1 x 1 contra o Ituano). Quinta-feira, dia 29, ela faz três anos.

Anotações sobre o delírio coral

Recife, 26 de setembro de 2005. Por Samarone Lima *** Estou aqui, aguardando o Globo Esporte, para ver os melhores lances da vitória do tricolor, sábado, contra o Santo André. É que participei ativamente da fundação da Sanfona Coral, desde cedo, e bebi uns aperitivos a mais na casa de K2 (esse negócio de vira vira é foda), depois em seu Vital, e finalmente na Colosso. Resultado - não lembro de praticamente nenhum lance, nem dos gols. Ontem de manhã, eu estava a perguntar ao jornaleiro: "O Santinha ganhou de dois a zero, foi?" Levei um baita carão. *** Tenho dito aos amigos que daqui a muitos anos, vamos lembrar do atual time do Santinha, um dos melhores dos últimos anos. Qual o time que não queria ter Kleber, Valença, Rosembrick e Carlinhos Bala no time? *** Quem está longe do Recife, pode se lamentar - o Arruda, no sábado, estava emocionante. É mesmo uma torcida do caralho, essa do Santa Cruz. *** Disseram que tinham 45 mil torcedores no estádio. O sábio Dinho Papeira falou tudo: "Então o Arruda encolheu". *** O juiz que andava roubando nos jogos do brasileirão, era o que mais rezava antes de cada jogo... *** A coisa perdeu mais uma na Copa Pernambuco, e agora está na nona posição, creio. E viva o centenário! *** Que venha o Grêmio. Minha intuição diz que a classificação virá em pleno Olímpico. *** E viva a Sanfona Coral!!!

sábado, 24 de setembro de 2005

A Sanfona Coral no coração do Arruda

por Samarone Lima Chiló, Gerrá e Aleksandra Malvina. Grave bem estes nomes, amigo tricolor, porque, a partir de hoje, o Arrudão não vai ser palco apenas do show dos jogadores em campo. Nas arquibancadas, sociais, no cimento da geral, teremos a presença da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral. A cada jogo, o trio promete incendiar a massa coral. A estréia festiva será a partir das 14h, no restaurante Colosso, com entrada solene no estádio a partir das 15h. Após o jogo, a Sanfona Coral segue para o Garraffus, um bar genuinamente tricolor, para um pequeno show. Ontem, a pedido do Blog do Santinha, o lendário trio entrou nas dependências do José do Rego Maciel, para uma sessão de fotos. A rotina de compra dos ingressos foi quebrada pela entrada imponente do sanfoneiro Chiló, ao lado do destemido zabumbeiro Gerrá, e sua amada Aleksandra, que toca triângulo. Depois da sessão de fotos, o momento mais emocinante da tarde – o encontro com o "Mago" Rosembrick, que acabava de chegar. Corado, com cara de descansado e jeito de quem está de bem com a vida, o "Mago" tirou fotos com o Trio, mas não teve tempo de escutar o novo sucesso:"É Rosembrick, Rosembrick, Rosembrick/Pra poeira levantar". A Sanfona Coral foi fundada oficialmente a 13 de julho de 2005, mas vinha fazendo alguns ensaios para o grande dia. O Blog do Santinha teve acesso à ata de fundação da Torcida Musical e reproduz, em primeira mão, todo o conteúdo, anotado nas tradicionalíssimas mesas do Empório Sertanejo. Vale salientar que o Empório é o patrocinador oficial dotri. Vamos ao texto. Ata de Fundação da Torcida Musical Organizada Sanfona Coral: "Aos 13 de julho de 2005, no Empório Sertanejo, após a gloriosa vitória do super-tricolor do Arruda sobre o Criciúma por 3 x 1, e ao som de "Can buy me love", dos Beatles (perdão se estiver errado, a cana foi grande), nós, abaixo assinados tricolores, estabelecemos que: I. Está fundada oficialmente a Torcida Musical Organizada Sanfona Coral; II.Revoga-se dispositivos contrários. Quanto ao funcionamento e organização: 1. A TMO Sanfona Coral irá ao Arruda comandada pelo glorioso sanfoneiro Chiló; 2. Na falta do sanfoneiro (mediante apresentação de atestado médico oude óbito), a Sanfona Coral permanecerá calada. Em caso de morte de Chiló, outro sanfoneiro será escolhido pela massa coral para assumir oposto em questão; 3. A Sanfona Coral tocará sempre que possível, em lugares distintos doArruda (e fora dele); 4. Jamais haverá "Diretoria" ou tabacudices do tipo; 5. A Sanfona Coral estará sempre ao lado do Santinha, chova ou faça sol, com ou sem tufão, tempestades, pestes, terremotos ou rompimentode barragens; 6. "Ei, Sport, vai tomar no cu!"; 7. "Quer dar cu/ Quer dar cu/ Vai torcer pelo timbu!"; 8. Ode fundacional: "A coisa gemeu/ no ano do centenário" (grifo nosso, pois Ode Funcional é coisa de acadêmico pernóstico muito embriagado); 9. A Sanfona Coral deverá participar, como atividade extra-campo (ou apronto), de casamentos tricolores, batizados corais, aniversários e festas da massa tricolor, cobrando sempre preços módicos e acessíveis a todos; 10. A cada 13 de julho, no Pátio da Santa Cruz, na Boa Vista, será celebrado o aniversário da Sanfona Coral;" 11. Chiló é declarado, desde já, imortal como o Santinha; 12. Fica, desde hoje, firmado e registrado, que a Sanfona Coral se encarregará de comandar, no Arruda, uma Sanfonia Coral, com a participação da Orquestra Sanfônica de Pernambuco, no ano do nosso centenário. Deixando de frescuras, assinaram a ata fundacional: 1. Emília Bezerra de Miranda; 2. Chiló; 3. Amaro Filho (Raízes do Fole); 4. Samarone Lima; 5. Andréa Ferraz; 6. Rita Azevedo (Ritinha); 7. Inácio França; 8. Geraldo de Lima Pereira Júnior (Gerrá); 9. Aleksandra Malvina Sem mais para o momento, foi dada por encerrada a ata fundacional, nascendo assim a lendária Sanfona Coral. A torcida tem o apoio cultural do bar Empório Sertanejo (de Robertinho), lá na rua da Hora, do Blog do Santinha, já que os dois responsáveis (Inácio e Samarone) são também membros fundadores. Fernando Veloso também é considerado apoiador informal, pois emprestou a máquina digital para a sessão de fotos, além da simpática Aleide, a funcionária do Santa que abriu os portões para que adentrássemos o sagrado terreno.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

CD "O Veneno da Cobra Coral" está de volta

Recife, 22 de setembro de 2005. Da redação do blogdosantinha A torcida do Santinha acaba de ganhar mais um presente. O CD “O Veneno da Cobra Coral”, lançado em 2003 por Bráulio de Castro “Véio Mangaba”, Xaruto & Cia, vai ser relançado a partir do próximo sábado, nas imediações do Arruda, naquele velho esquema recifense de “venda na bicicleta com caixa de som”. Serão apenas 200 cópias (a primeira tiragem esgotou) desta verdadeira jóia coral, graças a uma vaquinha feita pelo próprio Bráulio, autor de parte das músicas. É um caso raro e muito novo no mercado fonográfico - o autor do trabalho vai piratear sua própria produção e vender a preços bem acessíveis à massa coral. O CD, bem diferente dos que geralmente são produzidos esporadicamente (hino do Santa e alguns gols), chama a atenção pela alta qualidade das composições, revelando uma verdadeira cultura musical em torno do “Mais Querido”. A preciosidade (quem tem sabe) vai ser vendida a R$ 7,00. Quem quiser levar mais de 10 unidades, paga somente R$ 5,00 por CD. Agora vamos ao CD, canção por canção, já que a redação do “blogdosantinha” é apaixonada pelo CD: “Nasci Santa Cruz” é um frevo de Bráulio de Castro, cantado por Bubuska. “Não adianta mudar, seu dotô/Meu coração sempre será tricolor/ Eu não me canso de dizer/Sou Santa Cruz até morrer”. Depois vem o samba “História de um Super-Campeão”, cantado por Walmir Chagas, uma bela canção que conta a história do Santinha, lembrando torcedores ilustres, como Santo de Pantera, Anízio Campelo, Ivanildo da Buzina, entre outros. “O Papa Taças”, frevo-canção dos irmãos Valença, é interpretado por Edy Carlos. “Quem é que quando joga/a poeira se levanta/é o Santa, é o Santa”. A quarta música é certamente uma das mais belas do CD, e mostra o cotidiano de um torcedor apaixonado pelo Santa (perdão pela redundância), que sai de manhã para o jogo e já avisa: “Mulé, oh mulé/Você não precisa me espera/Eu vou chegar fora de hora/Pois o meu Santa vai jogá. Bráulio de Castro é autor também do frevo-canção “Cobrinha Sapeca”, e do partido alto “O veneno da Cobra Coral”. A Edy Carlos coube a responsabilidade de cantar “O Mais Querido”, que a torcida sabe antes mesmo de dizer “mamãe” ou “papai”. “Santa Cruz/ Santa Cruz, junta mais essa vitória..” “Veneza Brasileira” é um sambinha que fala amorosamente do Recife e do Santa. “A cobra vai fumar” é um frevo-canção para animar qualquer festinha tricolor. “Mestre Tará”, de Bráulio, é uma homenagem a um dos grandes jogadores da história do Santinha. “Santa, Campeão Arretado” e “Papai Tricolor” fecham o disco, uma preciosidade que não pode faltar na discografia de nenhum tricolor. Quem quiser falar com o próprio Bráulio de Castro, um tricolor arretado, pode ligar para o 3051.0054. Ele deixou uma cópia na Rádio Jornal, para galera pedir ao Edson Peixoto,no programa Resumo Final (resumofinal@radiojornal.com.br). Vale a pena pedir a inesquecível “Bandeira do Santa Cruz”, ou “História de um Super-Campeão”. É um daqueles CDs para botar num volume um pouco acima da média, abrir uma cerveja e esperar os amigos chegarem, perguntando: “Onde foi que tu comprasse esse CD?”

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Arruda, 1970 (em dia de casa cheia)

Nossa pretensão era aguardar um pouco mais para publicar essa foto, que deve ser um dos poucos registros da primeira planta do estádio José do Rego Maciel em dia de clássico, mas não resistimos. Além da importância documental e histórica, imaginem o valor para quem conheceu o Arruda deste tamanho. O ex-presidente Rodolfo Aguiar (cujas histórias vocês ainda vão ler aqui, pois temos quase três horas de conversa gravada com ele), ficou com olhar meio perdido, como se estivesse vendo uma imagem que pensava só existir na sua memória ou mesmo na imaginação. O melhor é que, provavelmente, o Santa venceu essa partida cujo instante foi imortalizado, afinal o tricolor foi bicampeão pernambucano em 1970. O detalhe é que, pelo que podemos deduzir, o fotógrafo subiu na torre de iluminação para produzir essa imagem fantástica. Como vocês já sabem, a fotografia pertence ao Diário de Pernambuco e foi cedida pelo tricolor Joezil Barros (diretor do DP, para quem não é jornalista e não é obrigado a saber dessas coisas) à Confraria Ninho da Cobra.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

O mago

por Júlio Vila Nova, músico e mestrando em Letras na UFPE Por um fenômeno fonético que a Lingüística bem explica, às vezes o magro é chamado de mago. Aqueles que cultuam a infâmia do preconceito vêem aí um motivo para a discriminação, sobretudo contra pessoas de classe social mais baixa, mas os lingüistas vêm esclarecer que se trata de um exemplo de variação, fenômeno que atesta a riqueza da nossa língua, falada de tantas diferentes maneiras neste país gigante. Vítima de muitas injustiças e preconceitos, o povão às vezes supera tudo com provas de criatividade, na vida e também no trato com a língua, tal como o craque a deixar um joão-marcador boquiaberto, com dribles desconcertantes. Hoje, na santa alegria de um momento feliz em que celebra a festa do bom futebol, o povão tricolor oferece um bom exemplo dessa criatividade: batizar de mago o magro Rosembrik, transformando magreza em magia. E o povão ri. Quando o mago tem a bola nos pés, milhões de olhos presentes e ouvidos atentos ao pé do rádio se preparam para alguma surpresa, platéia de mágico. E na velocidade de poucos segundos o passe, o drible, o chute assumem nas arquibancadas a forma de sorrisos privilegiados. E muitas vezes a alegria explode ruidosa em gritos de gol. Mas mesmo que o gol não venha, a alegria está garantida quando a bola passa pelos pés do mago, maestro de um time em que figuram outros dez, que não poderiam faltar para completar o show. Talvez sabendo que o filho era um predestinado, o pai tirou dos gramados da Holanda um nome que encantou o mundo da bola e fez história num carrossel que gira até hoje, agora nas voltas do Mundão do Arruda. E a torcida, povão que é orgulho tricolor, diverte-se em trocadilhos com seu nome, chamando-o às vezes “Rosembrinque”, para lembrar que a alma do futebol é a brincadeira, e que deveríamos todos continuar crianças que se divertem, encantados com passes de mágica e habilidade de malabaristas que ainda existem para superar a tristeza dos esquemas táticos retranqueiros e a estupidez da violência. Que sorte nossa, tricolores ! Quanto estamos lá no Mundão, a gente não se cansa de sorrir e pedir outra vez: “faz mais um truque com a bola, mago !”

* A foto acima foi surrupiada do site da Coralnet

domingo, 18 de setembro de 2005

Cosa Nostra II

Horas antes da partida de estréia no quadrangular semifinal da Segundona 2004, contra o Brasiliense, uma comissão de jogadores formada, entre outros, pelo goleiro Guto e pelo zagueiro Roberto ouviu a promessa do então presidente do clube, José Neves: "a renda do jogo será revertida para o elenco". Foi a fórmula encontrada para a diretoria saldar as dívidas com os jogadores. A partida, na noite da sexta-feira que antecedeu às eleições municipais, acabou em 0 x 0, mas o Arruda quase enche. Os jogadores nunca viram a cor do dinheiro da renda. O time não se classificou para o quadrangular final. Em compensação, Zé Neves não foi reeleito vereador, apesar do volumoso esquema de boca-de-urna. Esse ano não tem eleição. Ainda bem.

sábado, 17 de setembro de 2005

Manhã tricolor

por Samarone Lima Recife, 17 de setembro de 2005. Manhã de sábado no Recife. Um sol dos diabos lá fora. Fui despertado logo cedo por dona Fátima, que cuida da minha casa uma vez por semana. Hoje ela chegou, dei uma olhada no rosto dela. Dona Fátima era um sorriso da cabeça aos pés. Pensemos numa pessoa que não tem cabeça, troncos e membros, como a gente aprende no colégio. Dona Fátima é sorriso, sorriso e sorriso. Ela é tão tricolor, que não vai ao estádio porque tem medo de passar mal. Fica mais nervosa que eu, Inácio, João Valadares, Marcel e Bruno juntos. Acabei de dar uma passadinha em seu Vital, para tomar o primeiro gole de café do dia. Seu Vital abriu aquele sorriso. Nem precisei perguntar se tinha café. Ele foi colocando meu copinho e beberiquei, pensando no jogo de ontem. Olhei para a sala de seu Vital, e estava lá, em cima da cadeira que ele cochila durante o dia – a toalha do Santinha. O jornaleiro acabou de passar, em sua bicicleta. “Tricolor, tricolor, tricolor”, gritou três vezes, quase caindo da bicicleta. Ainda não parou de beber. Como sempre, nos nossos triunfos, ele vem me trazer o jornal. “Tá demais, tá demais, tricolor”, diz ele, com aquele bafo de Pitu que eu vou dizer. Ele nunca me chamou pelo nome, e creio que nem saiba. Eu nunca o chamei pelo nome. Sei apenas que ele é “o tricolor”. Ele sabe apenas que sou “o tricolor”. Chega Naná, o glorioso motorista da nossa Kombi Coral. Só de calção, descalço, achando a vida linda. “Rapaz, quem segura o tricolor?”, pergunta ele. Ninguém, Naná, ninguém. Passa Ely, em sua bicicleta. Há três dias, não tira a camisa do Santa. Já queria combinar a ida ao Arruda no sábado. Amigos, ainda falta uma semana para o jogo, e Ely já quer combinar a ida ao estádio! E assim amanheceu o sábado, aqui no Poço da Panela, depois da vitória contra o Avaí, por 3 x 1, em pleno estádio da Ressacada. Perdão pelo trocadilho, amigos, mas quando o Santinha joga, não sabemos o que é ressaca. Que venha o Santo André, depois o Grêmio. Como disse um amigo, do jeito que o Santinha está jogando, é arriscado nosso clube ficar com as duas vagas da segundona. Vou aqui aumentar o som: “Santa Cruz/Santa Cruz/Junta mais essa vitória...”

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Arruda, 1970 (uma imagem que vale ouro)

Quem está perto de completar 50 anos de idade deve lembrar da primeira versão do Arruda. Inicialmente, o estádio foi construído com capacidade para, no máximo, 20 mil pessoas, pouco maior do que a atual Casa da Barbie. Com a realização da Minicopa de 1972 no Brasil, a antiga CBD escolheu o novíssimo Arruda para sediar os jogos que seriam realizados em Recife, mas exigiu a ampliação do estádio. Assim, as obras recomeçaram no início de 1971, por isso pouca gente se recorda desse "desenho" retratado aí em cima. Essa raríssima fotografia aérea, numa época em que os meios de comunicação dificilmente faziam sobrevôos para documentar imagens, também pertence aos arquivos do Diário de Pernambuco e foi cedida para a Confraria Ninho da Cobra. Vale a pena forçar a vista para constatar que um treino estava sendo realizado no momento do clique e identificar, ao fundo, a estrada de terra que viria a ser a avenida Beberibe.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Santa, ajuda-nos a carregar nossas cruzes

por Sérgio Travassos - jornalista, assessor de Imprensa do Núcleo de esportes da Universo Não importa perder, não importa empatar, não importa ganhar. O que realmente importa é amar. O Santa Cruz nos ensina a amá-lo desde que o conhecemos. Mas aprendemos muito mais que isso. O Santa Cruz é feito de união. A união solidária, só encontrada nas derrotas - e isso é mais comum que as conquistas. E parece que, quanto mais se perde, mais cresce esse amor pelo clube das três cores. Para termos uma idéia, quando o clube disputava a 2a Divisão, em 1999, jogos no Arruda chegavam a superar os 60 mil espectadores. Já na 1a Divisão o público máximo foi de 54 mil, logo no início da temporada. Aprendemos também a ser mais críticos que os demais torcedores. Tão críticos que somos capazes de perceber a “barca furada” e, mesmo assim, vestir a camisa e ir ao estádio. Claro que para xingar e comprovar com os próprios olhos que entendemos mais do que futebol, entendemos de Santa Cruz. Essa é outra constatação. O torcedor Coral gosta muito de futebol, mas é completamente tarado e apaixonado pelo time. Prefere ver o Santa Cruz jogar contra qualquer time, de qualquer lugar ou divisão, preterindo embates de outros clubes ou da seleção na tv. Outro fato é preferir ver seu time jogar mal, mas vencer. Ou então, ver seu time perder, jogar mal, mas jogar com alma, garra e dedicação. Daí a comprovação que: em primeiro lugar vem a paixão ao Tricolor do Arruda - futebol fica em segundo plano. Tantos outros clubes unem classes, castas, crenças, cores, mas no Santa Cruz isso é mais visível. É um clube do povo nordestino, mais sofrido que o brasileiro médio. Nasceu da brincadeira de meninos de todas as classes, foi o primeiro em Pernambuco a incluir em seu quadro um negro – o craque Lacraia, conquistando para si a simpatia da maior fatia da população, àquela que não é pesquisada ou respeitada e que só vale em bando. E essa turba de torcedores tem voz no Arrudão ou onde o Santa Cruz estiver. É da horda plebéia que se faz ouvir a voz do tricolor, a voz do biscateiro, do marginal, do sem-teto, do sem-emprego, do sem-diversão, do sem-vergonha, que se unem, sem preconceito algum, aos gritos da classe média, da elite financeira, cultural ou da intelectual. Todos em busca de um grito de vitória para vingar a semana desgraçada, da vida desgraçada, um grito de revolução contra os vovôs coronelistas pintados em campo de vermelho e preto ou vermelho e branco. Ser Santa Cruz é ser de corpo e alma e ser sempre de coração um apaixonado, um sofredor, um romântico conformado. E quem olha as coisas da vida com o coração percebe melhor que existe vitória, história e riqueza, também nas derrotas. E nelas - as derrotas, quase morrer. Sempre cuspir no manto sagrado das três cores e, muitas vezes, sequer esfriar a cabeça e já bradar aos quatro ventos que no próximo jogo estará presente para ver seu time triunfar. Ah! E quando existe um triunfo - como o que temos esperança que venha a acontecer, o tricolor sente-se no paraíso. Tem recarregadas as baterias para mais um sem número de derrotas no campo e na vida – que elas não venham. É tanta alegria que não se contenta em sorrir, ele chora. É tanta euforia que não só grita, ele cala. É tanta admiração que não só aplaude, se esmurra, não só canta, urra. E vibra por inteiro, abraça o negro da esquerda, o rico da direita, o estrangeiro da frente, a matuta de trás. Neste momento o mundo tem um significado a mais. O mundo presta porque aquele momento basta. E as favelas, os morros, as escolas, as ruas, as fábricas e lojas estarão em festa e tudo vai valer à pena. E todos dançarão com tamanha alegria que parecerá que uma nação foi libertada da escravidão das derrotas e das chacotas. E esta nação livre contará a história da conquista para todo o sempre, com a mesma emoção do dia da vitória. E isso, para o tricolor, vale mais que qualquer troféu. E isso se aprende desde cedo e nos faz ser, a cada dia, mais cobra-coral.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Como uma paixão se revela

por Júlio Bandeira (pseudônimo de outro jornalista tricolor, repórter de esportes e que, por isso mesmo, precisa manter o sigilo de sua identidade) Era a final. O refúgio era um Corsa. O som emitido pelo rádio, cheio de ruídos, era a minha ligação com o templo que, nem sabia na época, iria se transformar no meu reduto. Sim, era o Arruda, cheio de gestos e gritos, como eu ficaria acostumado a ver. O Santa Cruz estava em campo, decidindo o segundo turno do Campeonato Pernambucano. Naquela tarde de maio de 2000, porém, eu estava longe. Havia chegado há pouco mais de um ano no Recife. Cambaleava no casulo, sem nutrir qualquer paixão pelo futebol pernambucano, apesar de admirar o esporte. Conheci os fanáticos, de várias cores e estereótipos. Torcedores de cálida arrogância, preocupados mais com a tristeza, impacientes e até fúteis. Torcedores silenciosos, de glórias passadas e futuro incerto. E outros tantos sofredores. Era o início. Foi natural. Começou na dor contida da derrota parcial. Longe do estádio, senti pela primeira vez a horrível sensação de levar um gol. Hoje imagino a cena nas arquibancadas naquele tarde. A bandeira recolhida em silêncio. Os olhos apertados, buscando explicações, encontravam espelhos. Quantos palavrões, quantos culpados apareceram? Desabafo de um, de dois, de três. Volta o aplauso, música que clama a reação. Sofredores e vencedores apaixonados. Uma nação de cabeça erguida, pronta para entrar em campo. Um povo simples, capaz de transformar vilões em ídolos em questão de segundos. Capaz de subjulgar a tristeza, nem que por 90 minutos. Guerreiros da vida, guerreiros do campo. Virei um deles. Nesse dia, quem vestia a camisa do Santa Cruz, escutou os brados e pôs fim ao drama. O alívio da igualdade. O primeiro grito de gol. Felicidade compartilhada pelo rádio. O barulho da inconfundível da torcida coral. Nascia mais um tricolor. Pé quente. O segundo gol veio logo depois. Imagino todos procurando dividir a empolgação, encontrando abraços em meio as escadarias. A vontade era estar no Arruda. Os olhos se fechavam, imaginavam cenas, remetiam à memória e se abriam voltados ao céu. A noite se fazia presente e aumentava a agonia, superada na redenção, no terceiro grito solitário de gol. Um chute enviesado acerta as redes e milhares de almas tricolores. Descobri, na saudade antecipada, a paixão. Um amor incondicional celebrado, hoje, na cerveja com os amigos antes de mais uma partida. Nos comentários adversos nas arquibancadas. No aprendizado lento dos hinos e gritos de guerra. No abraço em um dos tantos desconhecidos ao gritar mais um gol, comemorar títulos, festejar a alegria.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Vingança de menino

por Inácio França O episódio da goleada de 5 a 0 para o Bahia foi um episódio tão traumático no meu início de adolescência que não esqueço a data: domingo, 5 de abril de 1981. Sei de vários tricolores que se recordam de detalhes daquele dia ou mesmo das horas seguintes à tragédia. Eu, por exemplo, lembro que começamos a acompanhar a partida pelo rádio ainda no apartamento dos meus avós, na avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem. Com o aparelho quase enfiado no ouvido, papai ia relatando "Dois a zero pro Bahia"... "Fizeram outro!"De lá, fomos pra missa, na igreja de Santa Luzia, na Estância, já humilhados pelo resultado. Sofri muito. Chorei um pouco, engolindo as lágrimas goela abaixo. A missa estava mais pra velório. Alguns tricolores ainda mantinham os radinhos ligados para ver se conseguiam acreditar nas notícias transmitidas direto de Salvador. No dia seguinte, fui pro colégio arrastado. Por mim, nem tinha acordado. Cresci com a certeza que o goleiro Wendell foi o único que não tinha se "vendido" naquela tarde soteropolitana. A goleada foi um divisor de águas na história do Santinha. Encerrou-se naquele momento, a nossa gloriosa década de 1970. Por isso, nem quero ouvir falar desse bairrismo estúpido de que a queda do Bahia foi ruim para o Nordeste (aliás, esse sentimento tão comum entre os cronistas esportivas merecerá uma crônica futura). Adorei o rebaixamento dos baianos para a terceira divisão, só lamento o fato da coisa não ter ido junto, mas até isso foi culpa do Bahia. Quem mandou levar aquela virada ridícula na Ilha do Retiro?

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Cartas de tarô

por Inácio França "Tenho um baralho de tarô aí numa dessas gavetas". Estávamos no finalzinho do jantar, já raspando a panela de risoto, quando a alvirrubra que tomou conta do meu coração fez essa revelação esotérica. Não sei exatamente porque as cartas apareceram na conversa, mas pouco antes falávamos sobre coisas do amor. Como nunca tinha sido apresentado a um baralho de tarô, pedi para trazê-lo, principalmente porque vinha acompanhado de um manual de instruções, pois era brinde de uma revista feminina. Seria possível brincar de ver o futuro. Quis saber o que o tarô dizia sobre o Santa Cruz e a luta pela Primeira Divisão. Aposto que seres humanos normais aproveitam para saber se vão ganhar dinheiro ou se terão sorte no amor, mas um sujeito que faz um blog como esse, decididamente, não é normal. Cortei o baralho seguindo as instruções da revista e escolhi as cartas. Não vou dizer como é que se faz isso para evitar que um chatíssimo lenga-lenga afaste os leitores neste parágrafo, mas posso garantir que a última carta foi a de número 11. Interpretei como um sinal óbvio que Carlinhos Bala vai marcar um gol decisivo. Lendo o manual, a dona do mais belo par de olhos negros que conheço explicou que a primeira carta significa o "ponto de partida e está associada com as circunstâncias a favor ou com o passado". Nessa posição estava O juízo, uma carta que se refere ao "discernimento, objetividade, razão e reflete imparcialidade, com justa medida". Ora, era uma referência clara a Givanildo Oliveira, cuja contratação foi o ponto de partida para o excelente desempenho em 2005. Duas linhas abaixo, a certeza que minha interpretação foi acertada: "Reencontro com alguma coisa que vem do passado e se mostra noutra face... reconciliação com o passado. Renascimento". Givanildo, é lógico. Alguém duvida? A segunda carta simboliza, segundo a tal revista, como nos relacionamos com aquilo que está ao nosso redor, mas também diz respeito "às circunstâncias contra e o futuro imeditado". A que estava na mesa era O Diabo. Quase que desisto. "Enganador, mentiroso e traiçoeiro... é o inimigo íntimo". Talvez tenha alguma ligação com a diretoria do clube, mas havia um recado claro na linha final: "Resolva as questões em privado antes de as expor em público. Preste atenção a papéis, contratos e acordos". Aí, entendi tudo. Os cartolas precisam pagar os salários dos jogadores, senão podemos nos complicar. O louco foi a terceira carta cuja posição, entre outras coisas, se relaciona com os fatores que serão decisivos no futuro. Esse personagem do tarô é "livre de culpa, fora das normas, aventureiro, encontra tesouros onde outros não os vêem. Sem possuir nada, tem tudo". Essa foi fácil: é a torcida coral, que será fundamental nos próximos jogos e se encaixa como uma luva na descrição acima. Confesso que não gostei da quarta carta. Aliás, nem entendi direito o que caracteriza essa posição, pois se refere aquilo que está na raíz e, por isso mesmo , está mais oculto. Associa-se também "às motivações íntimas". Eu puxei uma carta chamada O Enforcado, coisa que achei de mau-agouro, principalmente por causa desse trecho do seu conteúdo: "Por muito desagradável, humilhante o incômoda que seja sua posição, continue à espera e tenha esperança". O riso quase-gargalhada da alvirrubra à minha frente era uma insinuação de que nós, tricolores, continuaríamos esperando pela primeira divisão. Mas, agora, entendo que não, afinal a carta diz respeito à nossa motivação íntima, ou seja, a esperança. Vamos adiante. Pelo que entendi desse negócio de tarô, a quinta carta é a tampa de crush. E eu puxei O Sol. Bom sinal. A quinta carta (lembra que era 11 ª do monte?) é a chave, o eixo, a síntese de tudo. E o sol tem uma mensagem otimista, pois fala que tem uma energia que a tudo contagia, "distribui boa disposição, amor, calor e movimento". E fala de "prazeres imediatos". Beleza! Mas, adverte: "Não se deixe deslumbrar por nada, nem por ninguém. Nem tudo que reluz é ouro". Sabem o que isso quer dizer? Que é só deixar de já-ganhou e esquecer o primeiro lugar na fase inicial, que isso faz parte do passado, reluz, mas não é o ouro da Primeira Divisão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Cosa Nostra I

Todos - absolutamente todos - os funcionários que tinham cargos de confiança no gabinete de José Neves na Câmara Municipal ganharam emprego no Santa Cruz, depois que "chefe" perdeu a eleição para vereador, em 2004. Será que algum deles está com o salário atrasado?

terça-feira, 6 de setembro de 2005

O clube que estamos perdendo

por Samarone Lima Recife, 5 de setembro de 2005 (escrito antes da publicação das notícias sobre o caso Carlinhos Bala) Olho aqui o mural, defronte à minha mesa. Está repleto dos ingressos amassados que consegui guardar, nos jogos do Santa, em muitas jornadas, no Arrudão, Ilha e Aflitos. Posso me considerar um torcedor fiel, um canino tricolor, que já foi capaz de abandonar o casamento pela metade, para ir ver o Santinha perder para o Palmeiras (2 x 1). Do Maranhão, certa feita, fiquei usando o celular de um colega de trabalho, para saber, a cada cinco minutos, como estava o Santinha, que jogava uma partida decisiva contra o finado Criciúma. Os telefonemas no celular da empresa, me causaram alguns problemas, mas eu tinha uma desculpa importantíssima: “Mas era um jogo do Santinha...” Teria dezenas de histórias de quem vai ao estádio sempre, de quem compra o jornal e vai primeiro ler as notícias do Santinha, para depois saber a quantas anda o País e o restante do mundo. Teria também muitas alegrias para contar, após a conquista antecipada do Estadual de 2005, o Arrudão lotado, para o último jogo contra os timbus (“Sai do chão/sai do chão/Santa Cruz é Campeão”). Depois, veio esta campanha maravilhosa, na segundona, com a classificação antecipadíssima para a próxima fase, na primeira colocação. Teria todos os motivos para estar muito feliz com tudo o que está acontecendo com o clube, mas, a cada dia que passa, tenho mais motivos para temer quanto ao futuro do Santinha. Diria que o time vai bem, graças ao trabalho rigoroso e sério do nosso Givanildo Oliveira e à safra de jogadores que vestem a camisa coral com orgulho e raça, como Valença, Rosembrick, Carlinhos Bala, Osmar, além do paredão Kleber, entre outros. A impressão que tenho, no entanto, é que há algo terrível acontecendo lá por dentro do nosso tricolor. Algo de muito ruim, feito de silêncio e negócios obscuros, que vai piorando com o tempo. Não sei se os amigos já perceberam, mas os integrantes da diretoria que saíram resolveram falar muito pouco, para não dizer silenciar, em nome de algo maior – a classificação para a primeira divisão. É louvável a postura, bem como a posição da Confraria Ninho da Cobra, de apoiar o clube, mas não a diretoria. Mas é justamente isso que me deixa preocupado. Há um enorme silêncio sobre os bastidores do Arruda. À boca miúda, escutamos que as coisas estão complicadíssimas. O atual presidente coral, que conseguiu se eleger graças a uma das maiores falcatruas eleitorais da história futebolística de Pernambuco - algo que deixaria Eurico Miranda corado de vergonha - , conseguiu afastar diretores que vinham trabalhando com afinco pelo clube. O Santa Cruz, hoje, é uma metáfora triste – o time das multidões está passando por sua maior solidão. Estarei em todos os jogos, como sempre, ao lado de tricolores abnegados, como Oswaldo Titio, o velho Nana, Saulo “Profeta” (acertou mais uma, um gol do cabeção no último jogo), Inácio, enfim. Torcerei, ajudarei o meu time com a bandeira no pescoço, suportando com paciência os banhos de cerveja de Luis Diazepan, fumando cigarros surrupiados dos amigos de arquibancada. Mas temo o pior, num futuro próximo. É quando soubermos, enfim, tudo o que anda acontecendo nos bastidores do Santa Cruz Futebol Clube, enquanto comemoramos vitórias feitas de raça, talento e paixão. Quando o silêncio for rompido, quando alguma prestação de contas for feita sobre este período, acho que teremos muito o que lamentar. Talvez tenhamos que dizer – “por que não fizemos nada antes?” Será o momento de juntar todas as cabeças pensantes e que amam o Santinha, para trazer o clube de volta às multidões.

domingo, 4 de setembro de 2005

Arruda, 1969

O Arruda começava a ficar com cara de Arruda. Enquanto o time conquistava o título de 1969 mandando seus jogos na (argh!) Ilha do Retiro, as obras continuavam e o primeiro espaço destinado às cadeiras cativas começava a ganhar forma. O comprador da cadeira número 001 foi Rodolfo Aguiar, na época colaborador da diretoria de futebol: "E quem primeiro comprou cadeira cativa no estádio fui eu, oficialmente fui eu. Eu tinha o recibo 0001, mas não tenho mais porque doei para o museu. Está lá no museu Dirceu Paiva, tá lá, catalogado, exposto num quadrinho e tudo". Para variar, a foto pertence aos aquivos do Diário de Pernambuco e foi cedida à Confraria Ninho da Cobra.

sábado, 3 de setembro de 2005

Sobre vaias e distrações

por Inácio França Marcone não conseguiu entender o porquê das vaias ao final da partida contra o Ituano. Julgou que a torcida estava sendo exigente demais com um time que lidera com folga a Segundona e mantêm uma senhora regularidade. É verdade que deixou as arquibancadas um tanto irritado por conta de um sinalizador da Inferno Coral que chamuscou sua reduzida cabeleira, mas satisfeito com a força do time de Givanildo, que, afinal, manteve o controle do jogo nos dois tempos. Na avenida Beberibe ainda deu a sorte de se encontrar comigo, disposto a rachar um táxi até a estrada do Arraial e economizar uns trocados. Dentro do carro, ainda na engarrafada Beberibe, ele comentou que estava arretado da vida. Nem deixei a frase ser concluída e fui logo pro ataque: “Correr o risco de perder a liderança por causa de um gol no último minuto, num cruzamento besta daquele”. Meu amigo me olhou como se estivesse diante de um maluco e riu, perguntando de que jogo estava falando. “Ué, desse que a gente acabou de assistir”. Foi aí que Marcone retornou do planeta para onde tinha sido abduzido nos minutos finais da partida: “E quanto foi o jogo? Não foi 1 a 0 não? E pediu socorro ao filho de 12 anos, espremido junto à porta do Fiat Uno. “Gabriel, quanto foi o jogo Gabriel?”. O menino tinha acompanhado o pai na viagem: “Pensei que a gente tinha vencido de 1 a 0”. Os dois garantiram que não arredaram o pé da arquibancada antes do apito final, o que deve ser verdade, pois já assistimos dezenas de jogos juntos e sei que ele não é homem de desistir fácil. Expliquei como foi o gol no último minuto e, com ajuda do rádio ligado no táxi, comparei superficialmente a situação do Santa, do Santo André e do Grêmio. Ele culpou o sinalizador da Inferno e me autorizou: “Pode gozar da minha cara”. Prometi que não iria deixar por menos e acabo de cumprir minha promessa. Se Marcone não entendeu as vaias no final, eu muito menos. Estranhei ainda mais quando escutei a resenha no sábado à tarde (não tenho o péssimo hábito de acompanhar o estelionato que é o noticiário de futebol) e fiquei sabendo que Carlinhos Bala estava indignado por ter sido chamado de “mercenário” por torcedores sociais. Ora, meu amigo deixou de ver o gol do Ituano porque estava, literalmente, com a cabeça quente graças às faíscas do sinalizador. Pior são esses torcedores que não enxergam porque não querem ver. O time jogou bem, Givanildo descobriu mais uma jóia rara que é o tal do Elvis e Carlinhos foi caçado em campo o tempo todo. Vaiar por quê? Porque ele recusou propostas do exterior para apostar em fazer seu nome no Brasil com a camisa tricolor? Ou porque ele e todos os seus colegas do elenco querem receber os salários mensalmente? Antes de vaiar o excelente elenco do Santa Cruz, é importante se perguntar se são os jogadores que desaparecem com o dinheiro das rendas ou se foi o treinador quem empregou a família Neves no clube. No Arruda, muitos merecem ser vaiados e insultados, mas nenhum deles entra em campo. Assim, cumpro mais uma promessa: a de criticar a indecente “diretoria” do Santa Cruz.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

A cobra vai fumar

por Inácio França Algo vinha nos incomodando nesse blog: estávamos muito calminhos, com boas doses de literatura, de poesia, de história e excessiva neutralidade. Conversamos (eu e Samarone Lima) e decidimos que era hora de nos posicionarmos politicamente. O Blog do Santinha é um espaço de oposição à atual diretoria do Santa Cruz Futebol. Não tenham dúvidas quanto a isso. Ao contrário do que falam os radialistas e pensam torcedores cativos das resenhas esportivas, não há hora mais adequada para expressarmos essa postura. Fácil é ser oposição e rasgar críticas aos cartolas quando o time está mal. Pois bem, assumimos essa postura agora, horas antes do jogo em que o time pode assegurar o primeiro lugar na primeira fase. Razões não nos faltam. Só pra começo de conversa, essa diretoria é ilegítima, nem deveria estar aí, pois as eleições foram fraudades desavergonhadamente. Eu estava lá e vi centenas de moças, das comunidades onde o ex-vereador Zé Neves tem seus cabos eleitorais, "associadas" ao clube e votando em troca de poucos reais e muita pressão. Curiosamente, essas mocinhas jamais foram às sociais do clube durante as partidas do campeonato estadual e da Segundona. Mesmo se tivessem sido eleitos de forma legal, esses senhores tem uma relação, no mínimo, esquisita com o dinheiro que entra e sai do clube. Prestação de contas decente, nem pensar. O estádio vive cheio nos dias de jogo em casa, mas a renda e o público são diminutos. Sugestão de pauta para meus colegas jornalistas: levem um técnico do IPEM na próxima partida e façam uma matéria sobre as discrepâncias entre seu relatório e o borderô. Não fazem isso nos desfiles do Galo da Madrugada? Então usem a mesma idéia para fazer jornalismo sério. A cartolagem e seus papagaios das emissoras de rádio vivem se queixando da torcida e dos tricolores que não ajudam financeiramente. Nenhum deles tem credibilidade para se queixar de torcedor nenhum. Aliás, se não entra dinheiro porque tanto esforço, tanta briga, para se garantir na estrutura de poder? Uma sugestão polêmica aos tricolores endinheirados: só coloquem um dinheiro para ajudar a diretoria em troca de uma auditoria nas contas do clube. Como prova de independência, aí vão críticas para o pessoal da Ninho da Cobra, a única oposição organizada do Santa Cruz. É preciso sair do discurso e passar a agir como oposição, acionando Ministério Público e usando a legislação em vigor, incluindo o Estatuto do Torcedor. Não há razão alguma para temer ser mal interpretado pela torcida, se vocês freqüentassem as arquibancadas, iriam entender que radialista e cartola só enganam aqueles que querem ser enganados. Os torcedores sabem que o excelente desempenho no ano de 2005 se deve a Givanildo e ao profissionalismo do elenco. Por enquanto, é isso: além de literatura, poesia e memória, os leitores poderão encontrar boas doses de violência verbal. Recado dado.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Arruda, 1967

O campo já estava com jeito de estádio dois anos depois do início das obras. Este trecho da arquibancada é a curva que fica à esquerda de quem entra nas sociais, perto da trave que dá para a rua das Moças. Ao fundo, se vê algumas casas da rua das Moças e, no campo, um barracão que deveria servir de refeitório para os operários ou depósito de material. Essa foto, como todas as outras desse resgate histórico da construção do estádio José do Rego Maciel, foi cedida pelo Diário de Pernambuco à Confraria Ninho da Cobra.