segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Birigüi canonizado
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Noite de estréias no meio do povo
Ana Rita, ao lado do filho, estréia em grande estilo
Minha Cobra surpreendeu as arquibancadas
Birigüi fez o impossível: Vila Aurora jogou bem
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
Dia de Birigüi e da Minha Cobra
O quê? Prévia carnavalesca da troça Minha Cobra
Quando? Hoje (quarta-feira), concentração às 18h30min e saída para o estádio às 21h
Onde? No bar O Brasão, na avenida Beberibe, que todo mundo chama de "amarelinho", mas está todo pintado de vermelho.
Como? A cobra acima retratada em estado de repouso irá adentrar as arquibancadas do estádio José do Rego Maciel
Porquê? Para homenagear Birigüi e pretexto para uma gréia arretada
Quem? A Sanfona Coral e todos os tricolores dispostos a uma farra (até os sócios-patrimoniais, que bancaram a fabricação da cobra, podem ir)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
O pintor de alegrias
Francisco, eletricista profissional e pintor amador
Obra de arte em Monsenhor Fabrício
Fabiana vetou as tintas na geladeira e no gessopor Inácio França Tem gente que ama o Santa Cruz e sabe tocar um instrumento musical, aí leva a sanfona pro Arruda e compõe música de improviso para expressar esse amor. Alguns têm o clube dentro do coração e sabem escrever, aí montam um blog para expressar o sentimento. Outros têm carro, aí botam adesivo no vidro e bandeirinha tricolor na janela para que todos saibam do seu compromisso. Francisco Araújo Souza Júnior não tem carro, não tira som de instrumento nenhum e nunca teve muita intimidade com a escrita. Como sabe pintar bem, usa os pincéis para colorir tudo ao seu redor de preto, branco e vermelho. Primeiro foi o muro de sua casa, na avenida Maurício de Nassau (a paralela da Caxangá), em Monsenhor Fabrício. Depois, o poste da Celpe, a bicicleta, o meio-fio e aqueles ferros que se colocam na calçada para impedir que carros estacionem. Pra ninguém ter dúvida sobre suas preferências futebolísticas, dois bandeirões tricolores enfeitam a área. “Eu queria pintar geladeira, mas a mulher não deixou. Agora, já tô juntando tinta para a fachada da casa”, anunciou Francisco Júnior, freqüentador assíduo das gerais do José do Rego Maciel e fã incondicional de Zé do Carmo, na sua opinião o maior jogador que já vestiu a camisa tricolor. Outra coisa que ele não conseguiu colorir foi o gesso da perna de sua mulher, Fabiana, vítima de uma fratura exposta na perna há dois meses. As filhas Poliana, de oito anos, e Mônica, de cinco, também escaparam, afinal elas poderiam ser alérgicas à tinta. Mesmo assim, ele diz afirma que seu maior orgulho são os resultados obtidos com as meninas: “A pequena é mais fanática do que eu. Não pode ver um jogo passando na televisão que me chama para ver o Xanta Cus (Santa Cruz, na língua de uma menina de cinco anos)”, assegura o pintor, que, na verdade, é eletricista de automóveis. O empenho de Francisco em colorir o mundo à sua volta não sensibilizou o coração de Fabiana. A mulher não gosta nem um pouquinho de futebol e nem quer saber de ir ao estádio. Mesmo assim, ora se diverte ora se resigna com a outra paixão do marido: “Eu acho é engraçado, acho legal. Cada um com seu gosto. Eu respeito, desde que deixe a geladeira em paz. Mas tem vezes que ela exagera: dia desses, acordei às duas horas da madrugada e encontrei Júnior na calçada, retocando o escudo que estava descascando. Aí eu gritei: ‘entra em casa homem sem juízo, não tem ninguém na rua. Vou dizer pra sua mãe’”.
Pela primeira vez, dedico um texto a alguém: para a alvirrubra que me revelou e levou ao homem que pinta alegrias. E a quem desejo alegrias de todas as cores, sempre.
Passado e futuro do carnaval tricolor
Quem achava que a Sanfona Coral era uma grande novidade, vai precisar rever seus conceitos depois de curtir esse quadro de Bajado, cuja reprodução foi enviada pelo designer gráfico Anízio das Olinda, tricolor de quatro-costados e admirador da obra do mais popular pintor olindense.
Novidade mesmo é a Minha Cobra, que irá sair do largo do Amparo às 10h da segunda-feira de carnaval. Antes, a troça genuinamente tricolor, com sua cobra gigante de 27 metros e 68 centímetros, irá fazer uma prévia no estádio do Arruda, em pleno Santa Cruz x Vila Aurora. A concentração começa às 18h30min de quarta-feira, no bar Amarelinho, na avenida Beberibe (o nome é outro, mas todo mundo só chama de Amarelinho).
sábado, 18 de fevereiro de 2006
Nossa cobra
Quando a cobrinha entra no gramado... sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Procura-se um boteco coral
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
A crônica da ruindade (a quatro mãos)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Vila Aurora sem mistério
por Samarone Lima, enviado especial a Rondonópolis via Telemar
Amigos corais,
depois de um exaustivo levantamento topográfico, geológico, físico, psicológico e futebolístico, a redação do Blog do Santinha conseguiu decifrar um pouco o mistério em torno do escrete do Vila Aurora, primeiro adversário do Santa Cruz na Copa do Brasil, nesta quarta-feira. E agora, eis os resultados dessas investigações, tudo bem explicadinho.
O clube
O “Vila”, como é chamado por sua torcida, é mantido por empresários do Mato Grosso, e só começou a disputar a Primeira Divisão do Estadual em 1990, após conseguir a conquista da Segundona, em 1989. Por motivos ainda não muito bem explicados, o clube saiu do campeonato, em 1995, retornando somente em 2000. A maior torcida do Estado é a do glorioso escrete do União Esporte Clube.
Depois da volta, o time começou a melhorar. Em 2004, foi o terceiro colocado no estadual e, em 2005, o momento mais importante: o título estadual, sob a batuta do mestre Birigüi. O clube chegou a ir bem na série C, mas foi eliminado pelo Nacional, de Manaus, em um jogo com dramaticidade de proporções bíblicas – o gol da vitória do Nacional foi marcado com de mão, quase uma cortada de vôlei, e isso tirou a chance do clube ficar entre os oito melhores da Série C.
O local do espetáculo e o público
O jogo contra o Santinha será realizado no Estádio Engenheiro Lutero Lopes, que aqui no Recife ganharia logo o apelido de “Luterão”, mas ninguém chama assim. Chama de “Lutero Lopes” mesmo, e segundo o repórter J. Moraes, da Rádio Clube Rondonópolis, abriga 18 mil torcedores. “Se apertar, cabe 20 mil”, informou.
Mas não vai ser o caso de apertar ninguém, porque a expectativa é de no máximo cinco mil torcedores do “Luterão”, como acabo de rebatizar o estádio.
O jogo
A crônica desportiva do Mato Grosso avalia que o Santinha vai pegar uma pedreira no Luterão, mas a julgar pelas informações colhidas por este Blog, o Santinha só não ganha se jogar muito, mas muito mal. Vamos aos detalhes:
O goleiro, Ronaldo, tem 36 anos, e dizem que está em forma. Bem, tenho lá minhas dúvidas e vai minha sugestão aos jogadores do Santa: vamos chutar de longe, que essa bola entra.
Os dois bons laterais, Tironi (lateral direito) e Calado (esquerdo, óbvio), estão fora do match, por motivo de contusão. Jefferson vai entrar na lateral direita, e Birigüi vai quebrar a cabeça para improvisar na esquerda. Sugestão do Blog: explorar as laterais, porque vai ter reserva fazendo estréia em Copa do Brasil.
O time joga com três zagueiros: Thiago “Fofão”, Zé Luciano e Kaká. Nada foi constatado de especial sobre os referidos atletas, a não ser aquele famoso jargão de que é uma zaga que “joga duro, joga forte”. Tradução: devem ser limitados tecnicamente, e descem a lenha. Sugestão do Blog: botar o magro Rosembrick para infernizar lá na frente, com aqueles dribles de futebol de salão.
O meio de campo vai de Constantino, Sandro e Joel. Aqui vai o alerta do Blog do Santinha: dois radialistas falaram muito bem do Joel, que é aquele caso típico do jogador-veterano-que-decide-uma partida. É rodado, tem experiência e pode resolver tudo com suas batidas de falta. Falta perto da área, amigos corais, façamos orações, porque é meio gol. Na última partida contra o Barra do Garça (o placar foi 1 x 1, fora de casa) o gol foi desse tal Joel, numa cobrança de falta. Sugestão do Blog: nada de falta perto da área, caralho!
O ataque: Coelho e Gil, jogadores considerados medianos. Pela graça divina, o “Moreno”, destaque do time na última campanha, foi para o futebol mineiro. Dizem que ele iria infernizar nossa zaga, que anda vacilando.
Palpite deste cronista coral: vitória por 1 x 0, porque se ganharmos de 2 x 0, não vamos poder matar saudades de Birigui, em pleno Arrudão, no jogo de volta.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
O Santo
Quarta-feira é dia de rever Birigüi na TV
Ramón, Isidoro, Birigüi e Édson em foto da Placar de fevereiro de 1983
por Inácio França
No dia em que o Vaticano se render aos fatos e resolver canonizar Birigüi, não terá muito trabalho. Ao contrário de outros santos que fazem os cardeais da Igreja dar um duro danado, os milagres do goleiro mais querido e mais lembrado pelos torcedores do Santa Cruz são de fácil comprovação: estão registrados nos arquivos das emissoras de TV. Sem falar nos testemunhos de milhares de torcedores que gritaram seu nome nas arquibancadas do Arruda.
Birigüi está no coração de todos os tricolores. E a torcida coral nunca saiu do coração de Birigüi, o técnico do Vila Aurora, o campeão mato-grossense que irá enfrentar o Santa Cruz lá na distante Rondonópolis.
Foi por isso que, mesmo depois de ler a bela matéria que o Diário de Pernambuco publicou com o ídolo, resolvemos manter nossa programação inicial. Conforme combinamos com o repórter Nílson Rachid, da Rádio Clube de Rondonópolis, telefonamos para tentar encontrar o ex-goleiro.
"Birigüi está aqui do meu lado…"
O homem nem deixou o radialista acabar a frase e tomou o celular:
"Alô, Inácio. Estava esperando a ligação de vocês. Vamos empatar o jogo aqui. Nosso time vai jogar para fazer o resultado e poder ir ao Recife. Tô doido pra fazer esse jogo aí, quero entrar no Arruda de novo".
Contei que o DP havia publicado uma matéria de uma página e, por essa razão, sobraram poucas perguntas para mim. Ele repetiu o que já havia contado ao jornal: a maior emoção da sua vida foi na curta passagem pela coisa em 1989, quando a torcida rubro-negra começou a gritar seu nome no seu primeiro clássico contra o Santa, na Ilha do Retiro."Pensei que a torcida tricolor iria me vaiar, me xingar, mas nada disso: gritaram meu nome com mais força. Era como se estivessem dizendo que eu jogava no Sport, mas era tricolor. Eles estavam certos. O Santa é meu time de coração até hoje".
Outra passagem lembrada por esse modesto escriba: "Você lembra que em outra partida contra a coisa, a gente estava ganhando de um a zero, quando você inventou de tirar a bola da área com um chute, em vez de agarrar? A bola bateu nas costas do zagueiro e entrou no gol. Gol contra do goleiro…".
"Lembro sim. Foi em 1986, no Campeonato pernambucano. A bola bateu nas costas alguém e entrou no gol. Uma senhora bobagem. Sabe o que a torcida fez? Enquanto os rubro-negros comemoravam o empate, a torcida do Santa gritou meu nome com tanta força que sufocou a alegria do lado de lá. Vencemos por 2 a 1."
Antes de vir para o Arruda, São Birigüi era titular do Guarani, mas uma falha num derby contra a Ponte Preta o deixou em má situação diante da torcida. Os dirigentes do Santa Cruz souberam disso e foram atrás dele.
"Minha estréia foi contra o Central, uma vitória por 3 a 1. Entrei no segundo tempo no lugar de Luís Neto para ir pegando ritmo de jogo, nunca irei me esquecer desse dia". Foi três vezes campeão estadual (1983,1986 e 1987). Depois, transferiu-se para o Famalicão, de Portugal. De 1991 a 1995, jogou no Olímpia, União Barbarense e Velo Clube, todos do interios paulista. Encerrou a carreira no Operário, de Campo Grande.
Bem informado, ele quer saber dos desfalques do Santa: "Rosembrink joga é? Vou ter que providenciar uma marcação especial nele. Quem é esse Lecheva que vai jogar no ataque? Graças a Deus Carlinhos Bala não vem."
Birigüi pergunta mais do que o entrevistador. Quer saber dos jogadores do elenco, está curioso sobre os reforços para a Primeira Divisão e revela que sonha em voltar a trabalhar no Santa Cruz. E está convicto de que a saudade é recíproca.
Admito: estou torcendo por um empatezinho com o Vila Aurora ou uma vitória mixuruca por 1 a 0. Se houver a partida da volta, é capaz de Birigüi atravessar o gramado e se jogar em cima do escudo do Santinha.
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Saudades do Anapolina
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
Carrasco: nome ou vocação?
Foto atualizada, enviada pelo ex-craque da camisa 10 tricolor
Carrasco em 1978 na sala de musculação do Arruda (foto cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra)quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006
O torcedor que virou goleiro
Por Samarone Lima
Amigos corais, estava hoje de manhã aqui no Unicef, onde trabalho com meu amigo Inácio França, tendo uma profunda discussão filosófica sobre o nosso goleiro titular, Anderson. Entre uma Brahma fictícia e outra, à espera de uma reunião de consultoria, fui colocando minhas impressões sobre nosso arqueiro, que assumiu a função com uma responsabilidade desumana: ocupar a vaga do nosso "Cléber Paredão". Avaliei que temos um bom goleiro, que pode se tornar excelente.
Aqui vai uma confissão: quando Cléber começou a ir embora, chorei dois dias seguidos, mergulhei numa fossa tremenda. Um grande goleiro para o clube de coração, amigos, é tão importante quanto um grande amor. Foi como a partida de um amigo para a guerra. Quando veremos Cléber novamente no arco coral? Talvez nunca. Então, o sofrimento foi imenso.
Passei dias arrastando minha cachorrinha, desolado, triste, descrente. Nunca mais a nossa barra será a mesma, repeti várias vezes, entre um lexotan e outro, entre um porre e outro.
E súbito, veio o Anderson. Fui olhando de esguelha, ressabiado, fazendo minha avaliação particular. Um, dois, três jogos, até que senti que ele tinha passado pelo momento mais difícil: os primeiros jogos com Cléber lhe fazendo sombra. A insegurança diante da torcida. Os primeiros e difíceis jogos.
Não, não se trata ainda de um paredão completo, como vimos ano passado, mas acho que esse garoto vai longe, se conseguir se firmar mesmo o restante do campeonato.
Inácio, que tem fontes em todos os buracos do Arruda, que recebe telefonemas informando até sobre a troca de um azulejo no banheiro, ficou sabendo de um detalhe poético, existencial e metafísico, sobre nosso jovem atleta. O Anderson é louco, apaixonado, doente pelo Santa. Fica debaixo da barra, atento ao jogo, mas gostaria mesmo era de estar no meio da Inferno Coral, gritando e empurrando o time. É mais apaixonado pelo Santinha do que todos os músicos da Sanfona Coral. Dizem por aí que ele sofre intensamente quando leva um gol, mesmo que seja em treino. Está, então, realizando o sonho máximo de um ser humano: é o torcedor que se tornou titular do time que ama.
Ouvi algumas críticas ao jovem arqueiro, especialmente no gol que levou do Central. Acho que precisamos de uma dose de paciência e apoio. Não é fácil ser o guarda-metas do Santa, principalmente depois daquele abençoado Cléber ter fechado tudo, antes de ir se tornar o titular do Atlético Paranaense.
Tenhamos paciência, torcida coral. Falta pouco para gritarmos, lá da arquibancada: "ão, ão, ão, meu goleiro é paredão!"
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Eleição de 2004 vai a julgamento
domingo, 5 de fevereiro de 2006
Torcida tricolor 2 x 0 barbie
Sorriso de criança: único alegria possível no primeiro tempo
Torcida tricolor desmente a lógica, a matemática e o bom senso
por Inácio França Partida antecipada para três da tarde, calor de rachar catedrais nas gerais, prévia de carnaval em tudo quanto é canto, praia de manhã, jogo do Ypiranga televisionado e um futebolzinho xoxo no meio da semana. A lógica, a matemática e o bom senso não deixavam dúvidas de que o Arruda seria palco de uma daquelas partidas que só entram para as estatísticas, jamais para a história. Até a metade do segundo tempo, futebol do Santa Cruz e dos cor-de-rosa pareciam confirmar que as oito mil pessoas que pagaram ingressos seriam apenas testemunhas do desfecho medíocre de um evento insignificante. O desolamento das gerais castigadas pelo sol reforçavam essa impressão. Aí, tudo mudou. A notícia de que o adversário havia perdido um pênalti injetou um ânimo inexplicável na torcida tricolor (ora, o placar das duas partidas continuavam exatamente como antes). Foi uma explosão de garra, de energia, de fé, de sei-lá-o-quê. De repente, o barulho era tanto que parecia que o estádio estava lotado. A torcida do coadjuvante cor-de-rosa foi tragada pelo cimento, sumiu. O amor da torcida embalou o time. Os passes ganharam direção, as mãos de Anderson se firmaram e a defesa ganhou confiança. O gol tornou-se o sentido da vida dos 11 jogadores com a camisa de três cores. Pouco importa o tamanho do público pagante registrado no borderô: a torcida do Santa Cruz foi protagonista de um momento épico e ganhou um turno com ajuda do time.
sábado, 4 de fevereiro de 2006
Paixão posta em prática
por Inácio França
A reunião começou com atraso de uma hora. Todos esperavam o presidente, Gustavo, aparecer no salão de festas de um condomínio na Jaqueira. Convidado por um dos fundadores, fui o último a chegar à reunião da Atasc, a Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz.
Em torno de várias mesas de plástico enfileiradas, estão advogados, analistas de sistemas, gerentes, microempresários, universitários com duas coisas em comum: são todos jovens e apaixonados pelo clube das multidões.
O perfil de Gustavo, Beto, Jamesson, Fábio, Fred e dos outros participantes é um pouco diferente da maioria da torcida coral. Nada demais, pelos critérios do IBGE, os editores e a maioria dos leitores desse blog também não podem ser considerados "excluídos". O amor pelo Santinha é o traço de identidade que nos une.
Eles têm consciência de que a idéia de juntar torcedores capazes de arrecadar dinheiro para investir no patrimônio do clube não é nova. Outros já tentaram fazer o mesmo pelo Santa Cruz ou ainda fazem por outros clubes. O exemplo do Remo, de Belém, é lembrado a todo instante: um grupo de torcedores resolveram juntar esforços para auxiliar o clube, que havia sido rebaixado para a Série C. Hoje, arrecadam R$ 130 mil mensais. Na Atasc, dinheiro ainda é escasso e mal vai dar para bancar o panfleto que será distribuído no jogo contra a barbie.
Apesar da idéia não ser nova, parece que há algo de inédito na reunião nesse grupo de rapazes: a franqueza com que todos discutem os próximos passos a serem dados. São sinceros, não medem palavras e não temem discordar uns dos outros. As queixas são feitas às claras, na frente de todos. Algum tricolor mais experiente poderia arriscar que os rapazes são imaturos. O que vi foi honestidade. E não consigo deixar de lembrar os meninos que, no dia 3 de fevereiro de 1914, tiveram uma idéia que, ainda hoje, 92 anos depois é capaz de mobilizar tantos outros meninos.
Vida longa à Atasc.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006
É hoje!
por Danilo Marinho de Souza, cujo maior trófeus é ter uma foto na sala de trófeus do tricolor.
É aniversário do clube, é tempo de relembrar muita coisa. E sei até nem lembro tanto ou o suficiente. Eu vou começar e espero que vocês continuem, nos comentários, rememorando fatos históricos do Santinha ou mesmo coisas simples que vivemos, comemoramos, ou simplesmente sabemos da saga dos 92 anos!
Já ganhamos das seguintes seleções (que eu saiba): Brasileira, quando jogava Leônidas da Silva, o diamante negro inventor do gol de bicicleta. Nenhum outro time de Pernambuco ganhou do Brasil; da Tchecoslováquia quando aterrorizava (sem os maldosos sentidos mais atuais) na Europa; da Romênia, Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes, quando fomos Fita Azul (Sim! Somos Fita Azul!); de Honduras, que pouco tempo depois venceu a seleção canarinha.
Fomos o primeiro time de futebol pernambucano onde um atleta negro pôde jogar (o atacante craque Lacraia).
Somos o clube querido das multidões, terror do Nordeste no gramado! Somos Tri-Super Campeões Pernambucanos! Isso significa que quando a final é um triangular entre os três rivais, adversários se ajoelham.
Tivemos no nosso time craques como Tará, Lanzoninho, Barbosa, Birigui, Marcelo (goleiro), Ramon, Givanildo, Nunes, Felipe Alvim, Sérgio China, Luís Carlos, Luizinho, Dadinho, Gilson Gênio, Rivaldo, Carlinhos "a Bala" e tantos outros. Treinadores fuderosos como o mestre Giva, Evaristo de Macedo, Abel Braga e, por que não dizer, Nereu e seu "Time Macho".
Somos a torcida mais loucamente apaixonada do universo. Moramos no Colosso do Arruda, o palco do mais sofrido e apaixonante dos futebóis. Parabéns Tri. 92 anos de Glórias. "És o terror do Nordeste e nos gramados e nos nossos corações!
Parabéns torcida Coral. E como gritaria um doido que assiste aos jogos nas sociais: "Santa Cruuuuuuuuuz! Eu te amo, porra!!!"
Sobre os 92 anos do Mais Querido
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
Viagem ao centro do fracasso
Luiz Diazepan dormiu mais do que o zagueiro Roberto
Alegria na derrota: Sanfona Coral muda o significado do verbo sofrer
O centralino Xandinho foi uma má companhia para o sanfoneiro Chiló
por Inácio França
Conheço várias pessoas, profissionais de ramos diferentes, que viajam para Caruaru quase todo santo dia, indo num pé e voltando no outro pela BR duplicada, limpinha, cheirando a coisa nova. Era pra ser uma viagem curta, para chegar em casa antes da uma da manhã e dormir o sono dos justos.
Era pra ser, mas não foi.
Tô aqui escrevendo com o senso de humor estragado. Por alguma razão que a Física desconhece, a distância entre as duas cidades foi multiplicada por três, por quatro, por cem. Posso jurar que passamos por Arcoverde, Mirandiba, Carnaubeira da Penha, São José do Rio do Peixe na Paraíba e nada de Caruaru chegar. Na volta, o Recife parecia estar além-mar.
Comecei a desejar a transmissão insossa da Globo ainda no Cais do Apolo. A aparência do ônibus verde-e-branco inspirava cuidados. Lá dentro, tive a sensação de que já o conhecia: fiquei com a nítida impressão que o veículo era veterano do bacurau Aeroporto dos tempos de faculdade.
A viagem de ida foi uma corrida contra o relógio. Ficamos presos em engarrafamentos em Afogados (pois é, fomos para Caruaru pela rua Imperial) e na frente da Ilha do Retiro, onde paramos uns 15 minutos cercados de carros por todos os lados. Enguiei. Alguns passaram o resto da noite se queixando de azia.
Chegamos ao Lacerdão/Pedro Victor aos 20 minutos do primeiro tempo. É insuportável entrar num estádio com o jogo rolando, é muito chato mesmo. Da partida não preciso falar, todo mundo viu na tevê. O Santinha levou um vareio de bola, mas isso foi secundário.
Ainda tínhamos o retorno, percorrido em desagradáveis três horas e meia madrugada adentro. Sim, 210 minutos de Caruaru ao Recife. Velocidade média: mais ou menos 38 quilômetros por hora, com direito a paradas para fazer xixi (uma), lanchar (duas vezes), pagar R$ 20,00 de toco à Polícia Rodoviária Federal por falta de uma autorização de viagem (uma vez) e um pneu estourado em Jaboatão.
Não duvidem: passar parte da madrugada num ônibus com pneu estourado é pior que perder pro Central.
Estou velho demais para esse tipo de aventura. Viajar de madrugada para ver jogo de campeonato estadual é coisa para adolescente tabacudo. Algo que, pelo jeito, eu sou (adolescente não, tabacudo sim).
Deu no Blog
A aventura da Sanfona Coral em Caruaru
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
Um olhar zoológico
No canto superior esquerdo da capa do DP, carinho e amassos dos leões.
por Nunes (pseudônimo)
O choro em forma de rugido do início do Pernambucano chamou inicialmente a atenção de zoólogos de várias partes do país: teria sido descoberta uma nova espécie de leão cuja existência nunca havia sido cogitada?
Com base nas observações feitas no decorrer das primeiras rodadas do estadual pôde-se perceber que além de chorar intermitentemente, o animal era capaz de atitudes intempestivas, com ataques verbais poderosos. Chamava a atenção, no entanto, a capacidade de conviver com animais de outras espécies, embora com fortes laços genéticos, especialmente durante as refeições.
Peculiaridades como estas trouxeram ao Recife o senegalês Monjaa Reinor, especialista da Universidade de Cultford, na Inglaterra, e que estuda há mais vinte anos a mudança de atitude em diversas espécies de leões de origem africana. Segundo Monjaa, algumas dessas espécies, após anos e anos fazendo tipo de ferozes e agressivas, passam a assumir posturas mais espontâneas nos momentos de êxtase.
O senegalês pôde comprovar ao chegar na Ilha do Retiro, no domingo, que o pobre leão em questão nada mais é que fruto de mutação antropomórfica, com influência de vidas passadas. Ou seja, de tanto correr atrás de veados, na antiguidade, para comê-los (óbvio), a espécie hoje sofre de um tipo de remorso metafísico e tente a imitar as atitudes dos cervídeos.
O registro feito pelo fotógrafo do Diário de Pernambuco, em sua edição de segunda-feira, logo na primeira página, era a documentação que Monjaa queria para comprovar a toda comunidade científica: em Pernambuco, leão peida na farofa!



