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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Folga carnavalesca

A redação do Blog do Santinha está de férias até a quarta-feira de cinzas, no mais tardar, quinta. Ficamos a pensar e chegamos a uma conclusão: só sendo muito tabacudo mesmo para ficar olhando um blog em pleno Carnaval. Pior que isso: só sendo muito tabacudo para escrever crônicas em pleno Carnaval. Breve voltaremos, com muitas novidades e novos blogueiros. Inácio e Samarone.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Birigüi canonizado

Na foto, Alexandre dos Anjos (www.tricolorpe.cjb.net) entrega a placa
A torcida tricolor não esperou pelo Papa e tratou de canonizar Marcos Antônio Gomes, o São Birigüi. Além dos aplausos e da recepção calorosa, os torcedores responsáveis pelo site TricolorPE entregaram ao ex-goleiro uma placa com a seguinte mensagem:
"Uma homenagem da torcida do Santa Cruz Futebol Clube ao São Birigui, um dos maiores orgulhos da torcida Coral.
Com Carinho.
Recife, 22/02/2006"

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Noite de estréias no meio do povo

Ana Rita, ao lado do filho, estréia em grande estilo Minha Cobra surpreendeu as arquibancadasBirigüi fez o impossível: Vila Aurora jogou bem
No intervalo, Charles já sentia saudades da aula de matemática
por Inácio França
Ana Rita Araújo está pertinho de completar seus 70 anos. É uma tricolor que dedica minutos e até horas preciosas dos seus dias alimentando a paixão pelo Santa Cruz Futebol Clube.
Ela escuta todas (todas mesmo, não é força de expressão) as resenhas esportivas, confere as matérias nos jornais, fica atenta aos bate-bocas sobre futebol em suas andanças pelo bairro de São José e conhece detalhes da vida dos jogadores contratados pelo time. Quando algum parente comete a insensatez de marcar casamento ou aniversário em dia de jogo, leva radinho de pilha para ficar ligada no placar.
O amor de Ana Rita contudo, era platônico. Ela nunca tinha ido assistir a um jogo do Santinha. Dona-de-casa, temia a agitação e a multidão. Católica praticante, sentia-se constrangida com palavrões. Às vésperas da partida contra o Vila Aurora, anunciou, para espanto e satisfação da família, que iria ao Arruda. E foi, acompanhando a Sanfona Coral e ao lado da troça carnavalesca Minha Cobra.
É bem verdade que o time de Givanildo poderia ter caprichado um pouco mais para satisfazer a mais nova freqüentadora do Mundão do Arruda, mas sua estréia teve todos os ingredientes para tornar inesquecível a noite de 22 de fevereiro: antes da partida, ganhou uma camisa oficial do filho Paulo; a cobra coral gigante entrou nas arquibancadas sob um "tri-tricolor" de arrepiar os mais desalmados; o Santa venceu, o que lhe valeu a imagem de pé-quente; para quem não suporta (ou suportava) palavrões, ela deu a sorte de sentar junto de um torcedor inspiradíssimo que, aos 3 minutos de partida, já tinha chamado até o gandula de feladaputa-cornosafado-viado-vaidarocu-fioderapariga.
No final, Ana Rita garantiu timidamente, mas com firmeza: "gostei".
Disposta a sondar a alma da mãe, a filha (uma alvirrubra que, mesmo depois de um dia puxadíssimo no trabalho, fez questão de acompanhar a primeira vez da mãe num jogo do Mais Querido) quis saber: "do que a senhora mais gostou?"
A resposta não poderia ser mais pragmática: "Do resultado, lógico! Nos classificamos!"
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A Minha Cobra é simpática e impressionante, mas, decididamente, não dá para ir aos estádios. É trabalhosa e calorenta demais: imagine o que são de 15 a 20 pessoas passando pela roleta, embaixo dos panos da cobra, com os da frente querendo andar mais depressa depois de entregar o ingresso e os outros se enrolando lá atrás.
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Charles da Silva, simpatizante da Inferno Coral, gazeou aula numa escola em Campo Grande para ir ao jogo do Santa. No intervalo, estava arrependido e querendo compensar o tempo perdido calculando uma equações da tarefa de casa. "O jogo tá pior que a aula de matemática", lamentou.
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Tá certo que o time do Santa está jogando um futebol desorganizado e sem graça, mas pela arrumação e vontade de jogar do Vila Aurora, dá para perceber que Birigüi é um técnico com várias qualidades.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Dia de Birigüi e da Minha Cobra

O quê? Prévia carnavalesca da troça Minha Cobra Quando? Hoje (quarta-feira), concentração às 18h30min e saída para o estádio às 21h Onde? No bar O Brasão, na avenida Beberibe, que todo mundo chama de "amarelinho", mas está todo pintado de vermelho. Como? A cobra acima retratada em estado de repouso irá adentrar as arquibancadas do estádio José do Rego Maciel Porquê? Para homenagear Birigüi e pretexto para uma gréia arretada Quem? A Sanfona Coral e todos os tricolores dispostos a uma farra (até os sócios-patrimoniais, que bancaram a fabricação da cobra, podem ir)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

O pintor de alegrias

Francisco, eletricista profissional e pintor amador Obra de arte em Monsenhor Fabrício Fabiana vetou as tintas na geladeira e no gesso

por Inácio França Tem gente que ama o Santa Cruz e sabe tocar um instrumento musical, aí leva a sanfona pro Arruda e compõe música de improviso para expressar esse amor. Alguns têm o clube dentro do coração e sabem escrever, aí montam um blog para expressar o sentimento. Outros têm carro, aí botam adesivo no vidro e bandeirinha tricolor na janela para que todos saibam do seu compromisso. Francisco Araújo Souza Júnior não tem carro, não tira som de instrumento nenhum e nunca teve muita intimidade com a escrita. Como sabe pintar bem, usa os pincéis para colorir tudo ao seu redor de preto, branco e vermelho. Primeiro foi o muro de sua casa, na avenida Maurício de Nassau (a paralela da Caxangá), em Monsenhor Fabrício. Depois, o poste da Celpe, a bicicleta, o meio-fio e aqueles ferros que se colocam na calçada para impedir que carros estacionem. Pra ninguém ter dúvida sobre suas preferências futebolísticas, dois bandeirões tricolores enfeitam a área. “Eu queria pintar geladeira, mas a mulher não deixou. Agora, já tô juntando tinta para a fachada da casa”, anunciou Francisco Júnior, freqüentador assíduo das gerais do José do Rego Maciel e fã incondicional de Zé do Carmo, na sua opinião o maior jogador que já vestiu a camisa tricolor. Outra coisa que ele não conseguiu colorir foi o gesso da perna de sua mulher, Fabiana, vítima de uma fratura exposta na perna há dois meses. As filhas Poliana, de oito anos, e Mônica, de cinco, também escaparam, afinal elas poderiam ser alérgicas à tinta. Mesmo assim, ele diz afirma que seu maior orgulho são os resultados obtidos com as meninas: “A pequena é mais fanática do que eu. Não pode ver um jogo passando na televisão que me chama para ver o Xanta Cus (Santa Cruz, na língua de uma menina de cinco anos)”, assegura o pintor, que, na verdade, é eletricista de automóveis. O empenho de Francisco em colorir o mundo à sua volta não sensibilizou o coração de Fabiana. A mulher não gosta nem um pouquinho de futebol e nem quer saber de ir ao estádio. Mesmo assim, ora se diverte ora se resigna com a outra paixão do marido: “Eu acho é engraçado, acho legal. Cada um com seu gosto. Eu respeito, desde que deixe a geladeira em paz. Mas tem vezes que ela exagera: dia desses, acordei às duas horas da madrugada e encontrei Júnior na calçada, retocando o escudo que estava descascando. Aí eu gritei: ‘entra em casa homem sem juízo, não tem ninguém na rua. Vou dizer pra sua mãe’”.

Pela primeira vez, dedico um texto a alguém: para a alvirrubra que me revelou e levou ao homem que pinta alegrias. E a quem desejo alegrias de todas as cores, sempre.

Passado e futuro do carnaval tricolor

Quem achava que a Sanfona Coral era uma grande novidade, vai precisar rever seus conceitos depois de curtir esse quadro de Bajado, cuja reprodução foi enviada pelo designer gráfico Anízio das Olinda, tricolor de quatro-costados e admirador da obra do mais popular pintor olindense. Novidade mesmo é a Minha Cobra, que irá sair do largo do Amparo às 10h da segunda-feira de carnaval. Antes, a troça genuinamente tricolor, com sua cobra gigante de 27 metros e 68 centímetros, irá fazer uma prévia no estádio do Arruda, em pleno Santa Cruz x Vila Aurora. A concentração começa às 18h30min de quarta-feira, no bar Amarelinho, na avenida Beberibe (o nome é outro, mas todo mundo só chama de Amarelinho).

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Nossa cobra

Quando a cobrinha entra no gramado...
Só a cabecinha...
por Geraldo Lima, zabumbeiro da Sanfona Coral e sócio-fundador da Troça Carnavalesca Tricolor Minha Cobra. Ontem, finalmente conseguimos convencer o artesão a liberar a cobra de vinte e poucos metros (a medição oficial ainda não foi realizada) que irá acompanhar os desfiles do bloco Minha Cobra - cuja estréia será na segunda-feira de carnaval em Olinda. O local de concentração será definido em breve. Acima, fotos da visita que a cobra fez ao templo sagrado. Não havia treino, mas, tinha alguns torcedores nas sociais (nunca imaginei que até quando não tem treino, tem torcedor que vai para lá). Pensem numa arriação com a cobra: a galera já imaginando a cobra nos jogos, idéia de botar um leão na boca dela no jogo contra o burro-negro, convite para sair na troça Cobra Fumando, enfim, os poucos doentes que estavam por lá, já viajaram na estória da Minha Cobra e tiraram a maior onda. O problema é que precisamos ainda de R$ 315,00 para cobrir os custos de fabricação da cobrona. Quem se habilita a cooperar com alguns trocados, por favor entre em contato pelos e-mail gerralima@gmail.com ou gerralima@uol.com.br Abaixo, segue a relação dos primeiros "sócios-patrimoniais" da Minha Cobra, gente que pagou pra segurar na dita cuja: Milton Júnior Abraão Zé Paulo Inácio França Emília Miranda Marluva Robson Senna Márcio Patu Bruno Carvalho Marconi Luciana Félix Esquerdinha Lula Adams Marcel Tito Flávio Lins Em tempo: o bloco já tem hino, de autoria do compositor Bráulio de Castro (vejam bem: o frevo da Minha Cobra é do Bráulio...)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Procura-se um boteco coral

Blog do Santinha convoca a massa coral a procurar, na imensa cidade do Recife, um boteco genuinamente tricolor, para assistirmos as partidas do Mais Querido. O último jogo, no Recanto Paraibano, foi um desastre dentro e fora das quatro linhas, com péssimo atendimento e somente a imagem no telão, sem som. Depois da partida, o sentimento foi unânime: precisamos encontrar o "nosso boteco". Algumas características necessárias para o Bar Coral: Não precisa ser grande, um boteco tamanho médio está bom; É recomendável ter a moldura do Santa Campeão 2005 - se tiver Campeão do Primeiro Turno 2006, ganhará mais pontos; Uma TV 29 polegadas já resolve o problema; O proprietário tem que ser tricolor; Não pode ser também nos cafundós dos judas; WC organizado para nossas senhoras e senhoritas; o do macharal pode ser só o básico mesmo, que é o mijador; Pode até ter garçom que torça pela coisa ou barbie, mas a massa coral será atendida exclusivamente pelo garçom tricolor, por sinal, o mais simpático e feliz de todos; Se tiver um aparelho de som, para colocarmos o CD "O veneno da cobra", antes, durante e depois dos jogos, melhor ainda. Aguardamos sugestões. em tempo: amanhã (18/02), prévia da Troça "Os Barba", no Poço da Panela, a partir de 12h21. Todos convidados. A farra vai até a noite. A Troça tem 80% de tricolores. O restante é complemento, para pegar peso e vender camisa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

A crônica da ruindade (a quatro mãos)

Primeiro tempo (por Inácio França) Na saída do bar, Bruno avisou: "se vocês fizerem uma crônica desse jogo, vai ser a prova de que vocês não tem vergonha nenhuma na cara. Não vale a pena dar trabalho aos neurônios por causa de um futebolzinho desses". Ele é médico, urologista, e não sei o que prostáta tem a ver com neurônios, mas acredito que há alguma base científica para um afirmação tão categórica. O problema é que, às vezes, é necessário escrever sobre um acontecimento ruim para se livrar do peso que ele deixa na alma. Mesmo assim, o médico tem razão numa coisa: o futebol do Santa e do Vila Aurora não vale que desgaste meus neurônios para escrever nem o de vocês para ler. A matéria-prima da crônica do jogo – pior de assistir do que corrida de Barrichello - não entrou em campo: estava na mesa, na reação dos amigos e conhecidos em torno das garrafas de cerveja. Uma frase, de autoria de um barbudo ao meu lado, resumiu tudo: "Pra eu prestar atenção nas mulheres do bar com o Santinha jogando, é que o jogo tá muito ruim mesmo". Se a digníssima esposa do barbudo tivesse ido, ele não teria o que fazer durante os 90 minutos. Do outro lado da mesa, outro tricolor seguiu a mesma linha de raciocínio e emendou assim que o juiz apitou o fim do primeiro tempo: "É, a única coisa que vai passar nos melhores momentos é a imagem em câmara lenta da galega de saia branca saindo do banheiro do bar". Sim, o bar tinha garçons antipáticos e o som baixo, mas o público feminino era, digamos, bastante eclético. Nem isso serviu para persuadir Samarone a ficar. Justiça se faça a Givanildo. O jogo mal tinha acabado e o marreco foi logo denunciando: "O juiz não entende nada de futebol". É verdade, se entendesse tinha terminado a partida com 20 minutos do segundo tempo e dado um esporro nos 22 jogadores. Segundo tempo (por Samarone Lima) Quando terminou o primeiro tempo, eu já tinha chegado à conclusão que tinha pisado em rastro de corno. O jogo estava uma desgraça, o garçons do Recanto Paraibano eram uma revoada de boçais, então comecei um abaixo assinado para ligarem o som, para a gente escutar a narração do jogo. "O jogo já começou? Quando começar, a gente aumenta". Não pude curtir a entrevista de Birigui no intervalo, mas fiquei babando com as defesas espetaculares que a Globo mostrou. Na mesa, todos os tricolores ficaram nervosíssimos, com medo de que alguma daquelas defesas não tivesse acontecido de fato. Santo goleiro, deus do céu, que merece uma homenagem no Arrudão, na próxima quarta-feira. Como sugeriu Inácio França, "uma placa, entregue debaixo da barra". Eu, Naná, Gerrá e Alessandra, fizemos nossa rebelião, porque eu sou puto com esse negócio de pagar e ainda ser maltratado. Fomos assistir ao segundo tempo num pequeno boteco na Estrada do Encanamento. Mal sentamos, pedimos uma cerveja, olhei para a parede e estava lá, a moldura: o símbolo da coisa. Puta que o pariu, pisei em rastro de corno mesmo, e foi gaia grande, pensei logo. Segue o jogo, que merda. Bola pra cá, pra lá, que merda. Ataque do Santa, que merda, o Vila Aurora no ataque, que merda. Foi quando surgiu a idéia lancinante de um arrumadinho. Acho que o jogo estava tão ruim, que o cozinheiro resolveu caprichar. Amigos corais, veio um arrumadinho de uns três quilos com uma charque macia (a R$ 8,00), que se tornou, imediatamente, o melhor lance do jogo, depois das defesas de Birigui. Comemos o arrumadinho, vendo nosso time cada vez mais desarrumadinho, perdão pelo trocadilho. Bebericamos nosas cervejas e de vez em quando maltratamos a vista, olhando aqueles 22 jogadores correrem. Quando o juiz apitou o final, acabou a agonia. Pagamos a conta e voltamos para casa. A sorte é que a conta do boteco deve ter sido bem menor que aquela desgraça do Recanto Paraibano (nem me chamem, que não volto), e Gerrá nos deu carona. Já pensaram: depois de um jogo daqueles, pagar uma conta bem alta e ainda voltar para casa a pé? Do alto da minha prosopopéia, aponto os dois melhores lances do primeiro jogo do Santa pela Copa do Brasil: as defesas do São Birigui, no intervalo, e o arrumadinho de três quilos, no bar de um burronegro. Desse jeito, fica difícil manter meu emprego de cronista aqui no Blog...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Vila Aurora sem mistério

por Samarone Lima, enviado especial a Rondonópolis via Telemar Amigos corais, depois de um exaustivo levantamento topográfico, geológico, físico, psicológico e futebolístico, a redação do Blog do Santinha conseguiu decifrar um pouco o mistério em torno do escrete do Vila Aurora, primeiro adversário do Santa Cruz na Copa do Brasil, nesta quarta-feira. E agora, eis os resultados dessas investigações, tudo bem explicadinho. O clube O “Vila”, como é chamado por sua torcida, é mantido por empresários do Mato Grosso, e só começou a disputar a Primeira Divisão do Estadual em 1990, após conseguir a conquista da Segundona, em 1989. Por motivos ainda não muito bem explicados, o clube saiu do campeonato, em 1995, retornando somente em 2000. A maior torcida do Estado é a do glorioso escrete do União Esporte Clube. Depois da volta, o time começou a melhorar. Em 2004, foi o terceiro colocado no estadual e, em 2005, o momento mais importante: o título estadual, sob a batuta do mestre Birigüi. O clube chegou a ir bem na série C, mas foi eliminado pelo Nacional, de Manaus, em um jogo com dramaticidade de proporções bíblicas – o gol da vitória do Nacional foi marcado com de mão, quase uma cortada de vôlei, e isso tirou a chance do clube ficar entre os oito melhores da Série C. O local do espetáculo e o público O jogo contra o Santinha será realizado no Estádio Engenheiro Lutero Lopes, que aqui no Recife ganharia logo o apelido de “Luterão”, mas ninguém chama assim. Chama de “Lutero Lopes” mesmo, e segundo o repórter J. Moraes, da Rádio Clube Rondonópolis, abriga 18 mil torcedores. “Se apertar, cabe 20 mil”, informou. Mas não vai ser o caso de apertar ninguém, porque a expectativa é de no máximo cinco mil torcedores do “Luterão”, como acabo de rebatizar o estádio. O jogo A crônica desportiva do Mato Grosso avalia que o Santinha vai pegar uma pedreira no Luterão, mas a julgar pelas informações colhidas por este Blog, o Santinha só não ganha se jogar muito, mas muito mal. Vamos aos detalhes: O goleiro, Ronaldo, tem 36 anos, e dizem que está em forma. Bem, tenho lá minhas dúvidas e vai minha sugestão aos jogadores do Santa: vamos chutar de longe, que essa bola entra. Os dois bons laterais, Tironi (lateral direito) e Calado (esquerdo, óbvio), estão fora do match, por motivo de contusão. Jefferson vai entrar na lateral direita, e Birigüi vai quebrar a cabeça para improvisar na esquerda. Sugestão do Blog: explorar as laterais, porque vai ter reserva fazendo estréia em Copa do Brasil. O time joga com três zagueiros: Thiago “Fofão”, Zé Luciano e Kaká. Nada foi constatado de especial sobre os referidos atletas, a não ser aquele famoso jargão de que é uma zaga que “joga duro, joga forte”. Tradução: devem ser limitados tecnicamente, e descem a lenha. Sugestão do Blog: botar o magro Rosembrick para infernizar lá na frente, com aqueles dribles de futebol de salão. O meio de campo vai de Constantino, Sandro e Joel. Aqui vai o alerta do Blog do Santinha: dois radialistas falaram muito bem do Joel, que é aquele caso típico do jogador-veterano-que-decide-uma partida. É rodado, tem experiência e pode resolver tudo com suas batidas de falta. Falta perto da área, amigos corais, façamos orações, porque é meio gol. Na última partida contra o Barra do Garça (o placar foi 1 x 1, fora de casa) o gol foi desse tal Joel, numa cobrança de falta. Sugestão do Blog: nada de falta perto da área, caralho! O ataque: Coelho e Gil, jogadores considerados medianos. Pela graça divina, o “Moreno”, destaque do time na última campanha, foi para o futebol mineiro. Dizem que ele iria infernizar nossa zaga, que anda vacilando. Palpite deste cronista coral: vitória por 1 x 0, porque se ganharmos de 2 x 0, não vamos poder matar saudades de Birigui, em pleno Arrudão, no jogo de volta.
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RECADOS DO BLOG
A Sanfona Coral e seus cúmplices irão assistir ao jogo no Recanto Paraibano, na avenida 17 de Agosto (Parnamirim). Todos estão convidados, desde que paguem suas respectivas contas.
Por falar em conta: a Minha Cobra, uma cobra coral gigante, de 28 metros de comprimento (maior do que o dragão do Eu Acho é Pouco), está pronta para desfilar do carnaval, mas são necessários mais R$ 453,26. O artesão só entrega a cobra se esse valor for pago.
Quem quiser e puder colaborar, favor levar uns trocados a mais para o Recanto Paraibano e trate com o zabumbeiro Gerrá (não deixem dinheiro na mão de Chiló não, que ele é meio demente). Se tudo der certo, a Minha Cobra desfilará na segunda-feira de carnaval, em Olinda. A orquestra está garantida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

O Santo

Quarta-feira é dia de rever Birigüi na TV Ramón, Isidoro, Birigüi e Édson em foto da Placar de fevereiro de 1983 por Inácio França No dia em que o Vaticano se render aos fatos e resolver canonizar Birigüi, não terá muito trabalho. Ao contrário de outros santos que fazem os cardeais da Igreja dar um duro danado, os milagres do goleiro mais querido e mais lembrado pelos torcedores do Santa Cruz são de fácil comprovação: estão registrados nos arquivos das emissoras de TV. Sem falar nos testemunhos de milhares de torcedores que gritaram seu nome nas arquibancadas do Arruda. Birigüi está no coração de todos os tricolores. E a torcida coral nunca saiu do coração de Birigüi, o técnico do Vila Aurora, o campeão mato-grossense que irá enfrentar o Santa Cruz lá na distante Rondonópolis. Foi por isso que, mesmo depois de ler a bela matéria que o Diário de Pernambuco publicou com o ídolo, resolvemos manter nossa programação inicial. Conforme combinamos com o repórter Nílson Rachid, da Rádio Clube de Rondonópolis, telefonamos para tentar encontrar o ex-goleiro. "Birigüi está aqui do meu lado…" O homem nem deixou o radialista acabar a frase e tomou o celular: "Alô, Inácio. Estava esperando a ligação de vocês. Vamos empatar o jogo aqui. Nosso time vai jogar para fazer o resultado e poder ir ao Recife. Tô doido pra fazer esse jogo aí, quero entrar no Arruda de novo". Contei que o DP havia publicado uma matéria de uma página e, por essa razão, sobraram poucas perguntas para mim. Ele repetiu o que já havia contado ao jornal: a maior emoção da sua vida foi na curta passagem pela coisa em 1989, quando a torcida rubro-negra começou a gritar seu nome no seu primeiro clássico contra o Santa, na Ilha do Retiro."Pensei que a torcida tricolor iria me vaiar, me xingar, mas nada disso: gritaram meu nome com mais força. Era como se estivessem dizendo que eu jogava no Sport, mas era tricolor. Eles estavam certos. O Santa é meu time de coração até hoje". Outra passagem lembrada por esse modesto escriba: "Você lembra que em outra partida contra a coisa, a gente estava ganhando de um a zero, quando você inventou de tirar a bola da área com um chute, em vez de agarrar? A bola bateu nas costas do zagueiro e entrou no gol. Gol contra do goleiro…". "Lembro sim. Foi em 1986, no Campeonato pernambucano. A bola bateu nas costas alguém e entrou no gol. Uma senhora bobagem. Sabe o que a torcida fez? Enquanto os rubro-negros comemoravam o empate, a torcida do Santa gritou meu nome com tanta força que sufocou a alegria do lado de lá. Vencemos por 2 a 1." Antes de vir para o Arruda, São Birigüi era titular do Guarani, mas uma falha num derby contra a Ponte Preta o deixou em má situação diante da torcida. Os dirigentes do Santa Cruz souberam disso e foram atrás dele. "Minha estréia foi contra o Central, uma vitória por 3 a 1. Entrei no segundo tempo no lugar de Luís Neto para ir pegando ritmo de jogo, nunca irei me esquecer desse dia". Foi três vezes campeão estadual (1983,1986 e 1987). Depois, transferiu-se para o Famalicão, de Portugal. De 1991 a 1995, jogou no Olímpia, União Barbarense e Velo Clube, todos do interios paulista. Encerrou a carreira no Operário, de Campo Grande. Bem informado, ele quer saber dos desfalques do Santa: "Rosembrink joga é? Vou ter que providenciar uma marcação especial nele. Quem é esse Lecheva que vai jogar no ataque? Graças a Deus Carlinhos Bala não vem." Birigüi pergunta mais do que o entrevistador. Quer saber dos jogadores do elenco, está curioso sobre os reforços para a Primeira Divisão e revela que sonha em voltar a trabalhar no Santa Cruz. E está convicto de que a saudade é recíproca. Admito: estou torcendo por um empatezinho com o Vila Aurora ou uma vitória mixuruca por 1 a 0. Se houver a partida da volta, é capaz de Birigüi atravessar o gramado e se jogar em cima do escudo do Santinha.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Saudades do Anapolina

Por Samarone Lima Amigos corais, Não sei o que vocês sentiram quando a CBF divulgou a tabela do Campeonato Brasileiro 2006, mas posso falar por mim, pois gelei da cabeça aos pés. Na verdade, só agora caiu a ficha para algo que vinha sendo processado desde o final do ano passado: estamos novamente no melhor do futebol brasileiro. Cada jogo marcado na tabela, me dava mais agonia. Em poucos segundos, eu já estava a suar frio com a pedreira que teremos pela frente, a partir de 15 de abril. Vamos ver somente os primeiros seis jogos: Dia 15/04, o Santinha pega o Figueirense, no Arrudão. O "Figueira" conseguiu permanecer na Série A, e teve aquela novidade do renascimento do Edmundo, que agora está no Palmeiras. Quem espera jogo fácil, vá tirando o cavalinho da chuva - o clube terminou a primeira fase do estadual em primeiro lugar, e há poucos dias anunciou o projeto de modernização do seu estádio, com capacidade para 40 mil pessoas, seguindo as exigências da Fifa. Dia 23/04, viajamos para o Porto Alegre, para enfrentar o vice-campeão brasileiro e atual líder do Campeonato Gaúcho, o Internacional. Sem comentários. Dia 29/04, o Mais Querido viaja para enfrentar o atual Campeão do Mundo, o São Paulo Futebol Clube. Sem comentários. No dia 06 de maio, eu já estarei com 37 anos, e ganharei de presente uma vitória contra a Ponte Preta, a famosa "Macaca", no Arruda, com a presença da Sanfona Coral e tudo o mais. O time está cheio de garotos das divisões de base, e está no bloco intermediário do Campeonato Paulista, com 10 pontos. O Corínthians tem cinco pontos a mais. Não nos enganemos: a exemplo do jogo contra o "Figueira", vai ser pau. Quando lembro dos nossos combates contra Anapolina, Ceará, Ituano e outras maravilhas, chega dá um calafrio. Dia 13 de maio, receberemos a visita do Atlético Paranaense, e poderemos matar saudades do nosso glorioso Kléber Paredão. Torcerei para que ele leve uns três frangaços do nosso querido Carlinhos Bala, e mais um no finalzinho, contra, uma lambança da sua zaga, para deixar o treinador deles, o Lothar Mathaus, doidinho da vida. Nossa sexta jornada esportiva será contra o escrete do Palmeiras, lá em São Paulo, e se continuarmos com esse time e esse futebol, vai ser bilolada das grandes. Não me dou nem ao trabalho de analisar o restante da tabela, porque o que vem de trola pela frente não é brincadeira. A realidade nua e crua é somente uma, e me desculpem o pessimismo, maior do que o de João Magro Valadares: com o time atual e o futebol que estamos a jogar, lutaremos com unhas e dentes para não cairmos. Cada jogo no Arruda será uma decisão de campeonato. E que saudades dos jogos contra Anapolina, Ceará, Ituano, barbie, coisa etc...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Carrasco: nome ou vocação?

Foto atualizada, enviada pelo ex-craque da camisa 10 tricolor Carrasco em 1978 na sala de musculação do Arruda (foto cedida pelo Diário de Pernambuco para a Confraria Ninho da Cobra)
por Inácio França Em outubro, se não me falha a memória, encontrei uma figurinha amassada daquela coleção Futebol Cards e cismei de sair procurando antigos ídolos da torcida. O primeiro foi Luiz Fumanchu, que atualmente é comentarista esportivo numa rádio de sua cidade, no interior capixaba. Depois decidi que tinha de localizar Wilson Carrasco, um meia-esquerda arretado daqueles timaços do final dos anos setenta. Era apenas um menino de nove anos, no máximo 10, nem lembro do seu futebol, mas iniciei as buscas sabendo exatamente o que me motivava: deixaram marcas na minha memória as transmissões do locutor Ivan Lima, narrando os chutes fortes, as cobranças de falta mortais que saíam dos pés de Carraaaassco, Wiiilllsonnn Carraaaasco. Imaginava um sujeito implacável, com cara de mal, deixando os goleiros dos times do Sul em pânico. Por isso minha primeira pergunta era inevitável: "Carrasco é nome ou apelido por causa dos seus chutes?" "É meu nome de família, sou descendente de imigrantes espanhóis. É um sobrenome espanhol", respondeu Carrasco, com a tranqüilidade e o sotaque de caipira do interior paulista. Admito: passei esses anos todos imaginando que aquele era o apelido digno para um destruidor de defesas. Foi uma decepção, quase que perco a graça de continuar a conversa por telefone. Mesmo sem jeito, ouvi ele me confirmar o que um radialista tinha me antecipado: aos 56 anos, o velho camisa 10 mora nos subúrbios de Araraquara e é treinador dos júniores da Ferroviária, seu primeiro clube, de onde saiu direto para o Santa Cruz por indicação do ídolo Pio (também já entrevistado pelo Blog do Santinha). "O Santa Cruz foi o clube que me abriu as portas do futebol nacional. Tive uma boa passagem, disputei dois campeonatos brasileiros ao lado de Nunes, Fumanchu e Joãozinho. Foi uma excelente oportunidade jogar ao lado deles". Pura modéstia. Carrasco estava a altura dos companheiros.
Do Arruda, chegou a ir ao Morumbi, mas o treinador Rubens Minelli o vetou por considerar que, com 1m72cm, era baixo demais. Seu destino acabou sendo a Portuguesa, onde dividiu quarto com Enéas, maior ídolo da história do clube do Canindé.
Depois, o meia rodou. Voltou ao Recife e foi campeão por um time de camisa vermelha-e-preta, com sede na Madalena. Há 20 anos, Carrasco veio pela última vez a Pernambuco para jogar exatamente contra o Santinha. "Foi pelo brasileirão de 1986, estava no Comercial de Mato Grosso do Sul. Empatamos em 0 x 0 no Arruda". Acredito que fui a esse jogo: o Santa perdeu muitos gols e matou a torcida de raiva.
Em 1992, se aposentou quando jogava no Varginha, do interior de Minas. Se aposentou, mas não encerrou a carreira: "Eu era assistente-técnico de Valdir Perez e precisaram de alguém para compor o meio-de-campo num coletivo. Fiz um gol no treino e acabei jogando mais oito vezes pelo time principal da Ferroviária, que na época disputava a segunda divisão do campeonato paulista. Mas aí desisti por causa da condição física, porque futebol eu tinha".
Até esse ponto, a conversa fluia num ritmo lento, quase aos empurrões por conta da timidez do entrevistado, sujeito reservado. Até que uma pergunta mudou o tom da sua voz e o ritmo das respostas:
"Minha maior emoção quando jogava no Santa? Ah, foi também a maior emoção da minha carreira: empatamos em 2 x 2 com o Operário, em Campo Grande, no Brasileiro de 1977, o que nos deixou a um passo da semifinal. Quando chegamos, tinha umas três mil pessoas no aeroporto. Foi tanta festa que demorei uma hora para chegar em casa, e olhe que eu morava no edifício Transatlântico, na praia de Boa Viagem, que é bem pertinho do aeroporto". Então, de repente, ele se transformou no Wilson Carrasco da minha infância: "Jogar no Arruda lotado era demais. Quando a torcida tricolor gritava o nome da gente, ficava arrepiado, com vontade de degolar os caras".

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

O torcedor que virou goleiro

Por Samarone Lima Amigos corais, estava hoje de manhã aqui no Unicef, onde trabalho com meu amigo Inácio França, tendo uma profunda discussão filosófica sobre o nosso goleiro titular, Anderson. Entre uma Brahma fictícia e outra, à espera de uma reunião de consultoria, fui colocando minhas impressões sobre nosso arqueiro, que assumiu a função com uma responsabilidade desumana: ocupar a vaga do nosso "Cléber Paredão". Avaliei que temos um bom goleiro, que pode se tornar excelente. Aqui vai uma confissão: quando Cléber começou a ir embora, chorei dois dias seguidos, mergulhei numa fossa tremenda. Um grande goleiro para o clube de coração, amigos, é tão importante quanto um grande amor. Foi como a partida de um amigo para a guerra. Quando veremos Cléber novamente no arco coral? Talvez nunca. Então, o sofrimento foi imenso. Passei dias arrastando minha cachorrinha, desolado, triste, descrente. Nunca mais a nossa barra será a mesma, repeti várias vezes, entre um lexotan e outro, entre um porre e outro. E súbito, veio o Anderson. Fui olhando de esguelha, ressabiado, fazendo minha avaliação particular. Um, dois, três jogos, até que senti que ele tinha passado pelo momento mais difícil: os primeiros jogos com Cléber lhe fazendo sombra. A insegurança diante da torcida. Os primeiros e difíceis jogos. Não, não se trata ainda de um paredão completo, como vimos ano passado, mas acho que esse garoto vai longe, se conseguir se firmar mesmo o restante do campeonato. Inácio, que tem fontes em todos os buracos do Arruda, que recebe telefonemas informando até sobre a troca de um azulejo no banheiro, ficou sabendo de um detalhe poético, existencial e metafísico, sobre nosso jovem atleta. O Anderson é louco, apaixonado, doente pelo Santa. Fica debaixo da barra, atento ao jogo, mas gostaria mesmo era de estar no meio da Inferno Coral, gritando e empurrando o time. É mais apaixonado pelo Santinha do que todos os músicos da Sanfona Coral. Dizem por aí que ele sofre intensamente quando leva um gol, mesmo que seja em treino. Está, então, realizando o sonho máximo de um ser humano: é o torcedor que se tornou titular do time que ama. Ouvi algumas críticas ao jovem arqueiro, especialmente no gol que levou do Central. Acho que precisamos de uma dose de paciência e apoio. Não é fácil ser o guarda-metas do Santa, principalmente depois daquele abençoado Cléber ter fechado tudo, antes de ir se tornar o titular do Atlético Paranaense. Tenhamos paciência, torcida coral. Falta pouco para gritarmos, lá da arquibancada: "ão, ão, ão, meu goleiro é paredão!"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Eleição de 2004 vai a julgamento

Extra! Extra! Notícia exclusiva! Aconteceu ontem à tarde, na Décima-quinta Vara da Justiça a audiência de conciliação entre a chapa que disputou a eleição do Santa Cruz em dezembro de 2004 e a chapa de situação, da dupla Romerito Jatobá-José Neves. A conciliação ficou só no nome da audiência, pois Antônio Luís Neto e seus advogados José Antônio Alves de Melo (ex-presidente da coisa!!!) e Misael Wanderley afirmaram categoricamente que não existia possibilidade de acordo com os integrantes da diretoria do clube. Romero Jatobá e seu advogado Carlos Neves Filho também disseram que não tinham interesse em se conciliar com ninguém. Agora, o juiz rubro-negro Dorgival Soares de Souza vai marcar a data da audiência de instrução, quando será definida a validade ou não da eleição que manteve o clã dos Neves no poder no clube tricolor do Arruda. Além de alegar descumprimento da lei por conta da não publicação dos editais, a oposição recheou seu pedido com provas documentais de criação de sócios-fantasmas que só apareceram para votar. Rápido o trabalho da Justiça...

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Torcida tricolor 2 x 0 barbie

Sorriso de criança: único alegria possível no primeiro tempo

Torcida tricolor desmente a lógica, a matemática e o bom senso

por Inácio França Partida antecipada para três da tarde, calor de rachar catedrais nas gerais, prévia de carnaval em tudo quanto é canto, praia de manhã, jogo do Ypiranga televisionado e um futebolzinho xoxo no meio da semana. A lógica, a matemática e o bom senso não deixavam dúvidas de que o Arruda seria palco de uma daquelas partidas que só entram para as estatísticas, jamais para a história. Até a metade do segundo tempo, futebol do Santa Cruz e dos cor-de-rosa pareciam confirmar que as oito mil pessoas que pagaram ingressos seriam apenas testemunhas do desfecho medíocre de um evento insignificante. O desolamento das gerais castigadas pelo sol reforçavam essa impressão. Aí, tudo mudou. A notícia de que o adversário havia perdido um pênalti injetou um ânimo inexplicável na torcida tricolor (ora, o placar das duas partidas continuavam exatamente como antes). Foi uma explosão de garra, de energia, de fé, de sei-lá-o-quê. De repente, o barulho era tanto que parecia que o estádio estava lotado. A torcida do coadjuvante cor-de-rosa foi tragada pelo cimento, sumiu. O amor da torcida embalou o time. Os passes ganharam direção, as mãos de Anderson se firmaram e a defesa ganhou confiança. O gol tornou-se o sentido da vida dos 11 jogadores com a camisa de três cores. Pouco importa o tamanho do público pagante registrado no borderô: a torcida do Santa Cruz foi protagonista de um momento épico e ganhou um turno com ajuda do time.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

Paixão posta em prática

por Inácio França A reunião começou com atraso de uma hora. Todos esperavam o presidente, Gustavo, aparecer no salão de festas de um condomínio na Jaqueira. Convidado por um dos fundadores, fui o último a chegar à reunião da Atasc, a Associação dos Torcedores e Amigos do Santa Cruz. Em torno de várias mesas de plástico enfileiradas, estão advogados, analistas de sistemas, gerentes, microempresários, universitários com duas coisas em comum: são todos jovens e apaixonados pelo clube das multidões. O perfil de Gustavo, Beto, Jamesson, Fábio, Fred e dos outros participantes é um pouco diferente da maioria da torcida coral. Nada demais, pelos critérios do IBGE, os editores e a maioria dos leitores desse blog também não podem ser considerados "excluídos". O amor pelo Santinha é o traço de identidade que nos une. Eles têm consciência de que a idéia de juntar torcedores capazes de arrecadar dinheiro para investir no patrimônio do clube não é nova. Outros já tentaram fazer o mesmo pelo Santa Cruz ou ainda fazem por outros clubes. O exemplo do Remo, de Belém, é lembrado a todo instante: um grupo de torcedores resolveram juntar esforços para auxiliar o clube, que havia sido rebaixado para a Série C. Hoje, arrecadam R$ 130 mil mensais. Na Atasc, dinheiro ainda é escasso e mal vai dar para bancar o panfleto que será distribuído no jogo contra a barbie. Apesar da idéia não ser nova, parece que há algo de inédito na reunião nesse grupo de rapazes: a franqueza com que todos discutem os próximos passos a serem dados. São sinceros, não medem palavras e não temem discordar uns dos outros. As queixas são feitas às claras, na frente de todos. Algum tricolor mais experiente poderia arriscar que os rapazes são imaturos. O que vi foi honestidade. E não consigo deixar de lembrar os meninos que, no dia 3 de fevereiro de 1914, tiveram uma idéia que, ainda hoje, 92 anos depois é capaz de mobilizar tantos outros meninos. Vida longa à Atasc.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

É hoje!

por Danilo Marinho de Souza, cujo maior trófeus é ter uma foto na sala de trófeus do tricolor. É aniversário do clube, é tempo de relembrar muita coisa. E sei até nem lembro tanto ou o suficiente. Eu vou começar e espero que vocês continuem, nos comentários, rememorando fatos históricos do Santinha ou mesmo coisas simples que vivemos, comemoramos, ou simplesmente sabemos da saga dos 92 anos! Já ganhamos das seguintes seleções (que eu saiba): Brasileira, quando jogava Leônidas da Silva, o diamante negro inventor do gol de bicicleta. Nenhum outro time de Pernambuco ganhou do Brasil; da Tchecoslováquia quando aterrorizava (sem os maldosos sentidos mais atuais) na Europa; da Romênia, Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes, quando fomos Fita Azul (Sim! Somos Fita Azul!); de Honduras, que pouco tempo depois venceu a seleção canarinha. Fomos o primeiro time de futebol pernambucano onde um atleta negro pôde jogar (o atacante craque Lacraia). Somos o clube querido das multidões, terror do Nordeste no gramado! Somos Tri-Super Campeões Pernambucanos! Isso significa que quando a final é um triangular entre os três rivais, adversários se ajoelham. Tivemos no nosso time craques como Tará, Lanzoninho, Barbosa, Birigui, Marcelo (goleiro), Ramon, Givanildo, Nunes, Felipe Alvim, Sérgio China, Luís Carlos, Luizinho, Dadinho, Gilson Gênio, Rivaldo, Carlinhos "a Bala" e tantos outros. Treinadores fuderosos como o mestre Giva, Evaristo de Macedo, Abel Braga e, por que não dizer, Nereu e seu "Time Macho". Somos a torcida mais loucamente apaixonada do universo. Moramos no Colosso do Arruda, o palco do mais sofrido e apaixonante dos futebóis. Parabéns Tri. 92 anos de Glórias. "És o terror do Nordeste e nos gramados e nos nossos corações! Parabéns torcida Coral. E como gritaria um doido que assiste aos jogos nas sociais: "Santa Cruuuuuuuuuz! Eu te amo, porra!!!"

Sobre os 92 anos do Mais Querido

Alguns leitores do Blog andaram reclamando o fato de termos "passado em branco" sobre o aniversário de 92 anos do Santinha. Nós, que fazemos parte deste espaço democrático de cultura e paixão pelo Santa, acreditamos que estamos sempre celebrando o nosso time, ora resgatando a história, através de fotos e depoimentos, ora acompanhando as jornadas do time, ora criticando o que precisa ser criticado. De uma forma modesta, estamos acumulando um acervo referente à "Cultura Santa Cruzense", como costuma dizer o inesquecível tricolor Véio Mangaba, vulgo Walmir Chagas. Nossos votos de muitos e muitos anos de glória ao Santinha, mas lembrando sempre que ainda não conquistamos, em nosso clube, algo que a sociedade brasileira vem ampliando a cada ano: democracia. Sem ela, muitos e muitos tricolores ilustres estão afastados do clube, deixando de dar uma grande contribuição para que tenhamos não apenas um grande time, mas um grande clube. Um dia chegaremos lá. Na verdade, é um equívoco desejar muitos e muitos anos ao Santa, porque o Santa é eterno. Parabéns a todos os tricolores. Inácio França e Samarone Lima, editores do Blog do Santinha.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Viagem ao centro do fracasso

Qualquer maneira de dormir vale a pena
Luiz Diazepan dormiu mais do que o zagueiro Roberto Alegria na derrota: Sanfona Coral muda o significado do verbo sofrer O centralino Xandinho foi uma má companhia para o sanfoneiro Chiló por Inácio França Conheço várias pessoas, profissionais de ramos diferentes, que viajam para Caruaru quase todo santo dia, indo num pé e voltando no outro pela BR duplicada, limpinha, cheirando a coisa nova. Era pra ser uma viagem curta, para chegar em casa antes da uma da manhã e dormir o sono dos justos. Era pra ser, mas não foi. Tô aqui escrevendo com o senso de humor estragado. Por alguma razão que a Física desconhece, a distância entre as duas cidades foi multiplicada por três, por quatro, por cem. Posso jurar que passamos por Arcoverde, Mirandiba, Carnaubeira da Penha, São José do Rio do Peixe na Paraíba e nada de Caruaru chegar. Na volta, o Recife parecia estar além-mar. Comecei a desejar a transmissão insossa da Globo ainda no Cais do Apolo. A aparência do ônibus verde-e-branco inspirava cuidados. Lá dentro, tive a sensação de que já o conhecia: fiquei com a nítida impressão que o veículo era veterano do bacurau Aeroporto dos tempos de faculdade. A viagem de ida foi uma corrida contra o relógio. Ficamos presos em engarrafamentos em Afogados (pois é, fomos para Caruaru pela rua Imperial) e na frente da Ilha do Retiro, onde paramos uns 15 minutos cercados de carros por todos os lados. Enguiei. Alguns passaram o resto da noite se queixando de azia. Chegamos ao Lacerdão/Pedro Victor aos 20 minutos do primeiro tempo. É insuportável entrar num estádio com o jogo rolando, é muito chato mesmo. Da partida não preciso falar, todo mundo viu na tevê. O Santinha levou um vareio de bola, mas isso foi secundário. Ainda tínhamos o retorno, percorrido em desagradáveis três horas e meia madrugada adentro. Sim, 210 minutos de Caruaru ao Recife. Velocidade média: mais ou menos 38 quilômetros por hora, com direito a paradas para fazer xixi (uma), lanchar (duas vezes), pagar R$ 20,00 de toco à Polícia Rodoviária Federal por falta de uma autorização de viagem (uma vez) e um pneu estourado em Jaboatão. Não duvidem: passar parte da madrugada num ônibus com pneu estourado é pior que perder pro Central. Estou velho demais para esse tipo de aventura. Viajar de madrugada para ver jogo de campeonato estadual é coisa para adolescente tabacudo. Algo que, pelo jeito, eu sou (adolescente não, tabacudo sim).

Deu no Blog

Em 30 de novembro, o Blog do Santinha encerrou uma série de reportagens sobre os bastidores da montagem do time que ganhou o título estadual e, em seguida, subiu para a primeira divisão. Naquele dia, o vice-presidente licenciado Édson Nogueira fez uma previsão ousada que, agora, ganha ares de profecia: "Nogueira diz que já está preocupado com o futuro do Santa Cruz em 2006. “Espero que os atuais responsáveis pelo Departamento de Futebol e o próprio presidente entendam que, além de colher os frutos do passado, é preciso saber que tudo o que ocorreu, já passou. É preciso ser frio e rápido para montar um bom time. Série A não tem moleza. Se a gente se complicar com o Flamengo, logo depois vem o Santos, depois o Palmeiras, aí vem o Cruzeiro e assim por diante. Não tem CRB, Anapolina e São Raimundo para recuperar pontos perdidos não!” As dificuldades, na sua opinião, já deverão começar no próprio campeonato estadual. E ele faz uma aposta ousada: para Edson Nogueira, no próximo ano os times do Interior serão protagonistas: “O campeonato será decidido nas partidas com os times do Interior. Eles estão se planejando muito bem. O Estudantes de Timbaúba, por exemplo, contratou Erandir Montenegro (técnico campeão pernambucano pelo Santa Cruz, em 1990) e o Ypiranga trouxe Leivinha (ex-barbie) para ser o técnico e os experientes Lima e Dário (ex-barbie e ex-coisa)". Podem checar no nosso arquivo de postagens, no menu aí do lado direito da tela. À noite, o editor Inácio França poderá publicar sua versão da viagem à Caruaru. Quem viver, verá.

A aventura da Sanfona Coral em Caruaru

Por Samarone Lima Amigos corais, pelo visto o editor deste Blog, Inácio França, ainda não se recuperou dos estragos etílicos e futebolísticos do jogo de ontem, em Carurau, contra o Central. Todos sabem que o Mais Querido tropeçou e perdeu a chance de ficar pertinho do primeiro turno, mas um detalhe importante precisa ser registrado: A Sanfona Coral fez a segunda caravana de sua história, a bordo de um ônibus especialmente fretado pelo zabumbeiro e coordenador de eventos da Sanfona, Gerrá. O ônibus vai receber os devidos comentários durante a semana. Como fui acusado e difamado de "pé frio", nos dias antes da partida, fiquei abatido psicologicamente, morguei geral e resolvi ficar em casa. Assisti a partida ao lado do glorioso Bita, aqui do Poço, tomando suco de caju e comendo salgadinhos, e vibramos muito com o empate, mas seus dois cachorros quase avançaram, então me aquietei. Hoje pela manhã, o glorioso Naná, o gordinho mais tricolor do Brasil, me repassou alguns informes, que publico, a título de fofoca, sobre a aventura da Sanfona Coral e seus seguidores, para ver o jogo em Carurau. Vamos aos detalhes: * O ônibus lotado de tricolores datava de 1976, remendado com durepoxi. * Luis Diazepan Nunes, Oswaldo Titio e Naná beberam, juntos, 55 cervejas em lata. Não sei quem pagou. * O motorista do ônibus desconhecia itinerários, percorreu labirintos inexplicáveis, e chegar a Caruaru foi um verdadeiro milagre. * O grupo só chegou ao Recife às 3h55 da manhã de hoje. * Muita gente ficou para lá de Caruaru, chegando a Bagdá, por causa dos birinaites. * "A derrota foi o de menos, bom mesmo foi a farra", disse Naná. * Não foi registrada ocorrência policial. * A Sanfona ganhou dois seguranças no estádio, surgidos do nada. * Aguardemos o relato de Inácio França, bem como as fotos. E a grande pergunta da massa coral: Teremos o "Fezão Coral", no próximo domingo, Jota Peruca?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Mais um olhar zoológico

O colaborador Paulo Araújo, advogado e dublê de observador de animais amador, envia capa de uma prestigiada revista científica com foto semelhante ao flagrante do Diário de Pernambuco.

Um olhar zoológico

No canto superior esquerdo da capa do DP, carinho e amassos dos leões. por Nunes (pseudônimo) O choro em forma de rugido do início do Pernambucano chamou inicialmente a atenção de zoólogos de várias partes do país: teria sido descoberta uma nova espécie de leão cuja existência nunca havia sido cogitada? Com base nas observações feitas no decorrer das primeiras rodadas do estadual pôde-se perceber que além de chorar intermitentemente, o animal era capaz de atitudes intempestivas, com ataques verbais poderosos. Chamava a atenção, no entanto, a capacidade de conviver com animais de outras espécies, embora com fortes laços genéticos, especialmente durante as refeições. Peculiaridades como estas trouxeram ao Recife o senegalês Monjaa Reinor, especialista da Universidade de Cultford, na Inglaterra, e que estuda há mais vinte anos a mudança de atitude em diversas espécies de leões de origem africana. Segundo Monjaa, algumas dessas espécies, após anos e anos fazendo tipo de ferozes e agressivas, passam a assumir posturas mais espontâneas nos momentos de êxtase. O senegalês pôde comprovar ao chegar na Ilha do Retiro, no domingo, que o pobre leão em questão nada mais é que fruto de mutação antropomórfica, com influência de vidas passadas. Ou seja, de tanto correr atrás de veados, na antiguidade, para comê-los (óbvio), a espécie hoje sofre de um tipo de remorso metafísico e tente a imitar as atitudes dos cervídeos. O registro feito pelo fotógrafo do Diário de Pernambuco, em sua edição de segunda-feira, logo na primeira página, era a documentação que Monjaa queria para comprovar a toda comunidade científica: em Pernambuco, leão peida na farofa!
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A pedidos: a concentração do bloco carnavalesco-tricolor Minha Cobra começará às 17h do dia 3 de fevereiro (aniversário do clube), no Mercado da Boa Vista, na rua de Santa Cruz, centro do Recife. A saída triunfal ao som de uma orquestra de metais acontecerá pontualmente às 19h13min27seg. Depois, só na segunda-feira de carnaval.