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terça-feira, 11 de outubro de 2005

O Pagão do meu pai

por Bosco Filho, direto de João Pessoa (PB) Desde que consigo argumentar sobre futebol com meu velho pai, ouço-o endeusar Maradona. Para ele, o portenho é insuperável: "Tudo o que Pelé fez com duas pernas, cabeça, tronco e membros, Maradona fez, apenas com a perna esquerda". Tem uma certa lógica, mas não concordo, até porque Pelé foi mais completo. Para mim, Pelé foi o melhor e pronto. Ponto! Mas sempre me doeu os ouvidos de tanto meu pai falar do Pibe. "Pelé nunca ganhou uma copa sozinho. Em 86, só deu Dom Diego", não cansa de repetir. Lembro-me muito bem de meu velho falando que a seleção de 82 só tinha "armandinho" (designação para jogadores de meio campo que só criavam mas não finalizavam). Era pura maldade. Aquele time que até hoje não sai da minha cabeça? Qual é pai, deixa de ser raivoso! Em 86, era o time os armandinhos envelhecidos. "Se no auge da forma perdemos, imagina agora", dizia. Quatro anos mais tarde veio a famigerada copa da Itália, com o mais famigerado ainda Lazzaroni (esse sujeito deveria ser banido do futebol) e aquela seleção retrancada, jogando um "catenaccio" de primeira qualidade. Não deu outra, perdeu. Onde já se viu uma seleção brasileira jogar à italiana? Mesmo assim ainda quase saio no tapa com o velho de tanto ele me perturbar depois daquela jogada genial de Maradona. Estados Unidos 94, o mesmo "catenaccio", mas dessa vez ganhamos. Tínhamos Romário para fazer a diferença. Meu pai, entretanto, não perdeu a chance. "Com um time desses, era melhor ter perdido", respondeu a minha mãe que estava feliz pelos filhos finalmente poderem comemorar um título mundial. Em 98, foi aquela coisa de amarelar pra cá, amarelar pra lá. Nike, Adidas, etc...Concordei com ele. Chegou 2002, nessa copa, estranhamente ele torceu pelo Brasil. Eu nunca havia visto meu pai torcer pela seleção. O que teria acontecido? Simples. Tinha Rivaldo. Criado no tricolor, colocado pra fora por pressão da torcida, mas tricolor de verdade. Rivaldo vinha sendo esculachado pela imprensa, sobretudo a do sudeste, capitaneada por Galvão Bueno, com as jogadas bonitas, mas inoperantes, de Denílson. Várias vezes foram feitas enquetes sobre quem deveria sair para a entrada do atleta do Betis. Sempre Rivaldo era o mais votado. Não houve uma única vez em que o resultado foi outro. O sangue tricolor do meu pai falou mais alto e ele torceu como nunca para que o nosso Rivaldo fosse o melhor da copa. E foi! Apesar da votação oficial ter dado um certo goleiro Alemão. A ironia é que justamente ele deixou escapar aquela bomba forjada nos campinhos de Paulista! Afinal, de onde vinha tanto ódio com a canarinha? Lembro do entusiasmo dele ao falar de Mané. Das jogadas de 58, 62 e 70. Por que tanta raiva? A resposta é simples para qualquer tricolor. Meu pai até hoje não engoliu o corte de Nunes - o cabelo de Fogo - da seleção que disputou a copa de 78. Nunes seria o primeiro, e único, jogador atuando em um clube nordestino a jogar uma copa. Mais imperdoável que o corte em si, foi a maneira que ele aconteceu. Inventaram uma contusão no nosso artilheiro e ele acabou alijado da disputa. O engraçado é que poucos dias depois, ainda antes da copa, ele jogou pelo Santinha, salvo engano contra a coisa, e marcou três gols. É, meu pai tinha razão. Foi uma maldade sem precedentes o que fizeram com o nosso Cabelo de Fogo. Descobri enfim o grande ídolo de meu pai. Para ele não tem Garrincha, Pelé, Tostão ou, muito menos, Maradona. Assim como Chico Buarque tem o seu Pagão, meu pai tem o seu Nunes. É isso! Outro dia contarei da visita que Nunes fez ao velho Bosco, meu pai, quando descobriu que ele não torcia pela seleção desde o corte em 78.

8 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Seu pai não foi o único a não engolir aquela injustiça. Antes do início da copa da Argentina, Nunes estava totalmente recuperado e fez até gol de bicicleta. Na ocasião, Reinaldo estava com os joelhos podres e Roberto Dinamite já estava velho e ultrapassado. Nas eliminatórias, Nunes pintou e bordou, era o melhor centro-avante do Brasil (aliás, grande parte do tricolor da época era de nível de seleção: Joãozinho, Nunes, Fumanchu, Wilson Carrasco, Betinho, Givanildo e Carlos Alberto Barbosa). Essa turma do sul sempre foi muito nojenta nesse tratamento dos craques dos times d'aqui. Aposto que se Cleber, Valença, Rosembrik e Carlinhos estivessem jogando no Santos, por exemplo, já teriam sido convocados. Estão esperando apenas as transferências.
Carlos Medeiros.

10/11/2005 02:09:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Esses interesses que sempre envolveram a Seleção Brasileira, com técnicos, patrocinadores, redes de televisão, dirigentes e jornalistas corruptos, são de lascar. Prefiro mil vezes assistir e torcer em jogos do Santa que em qulaquer jogo da seleção nacional. Carlos Medeiros.

10/11/2005 02:17:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Bosco, o negócio foi o seguinte:

1-Existia(e existe) a rixa entre a imprensa Paulista e a Carioca;
2-O favorito da imprensa Paulista era Serginho do São Paulo, que foi suspenso no início de 1978 por agredir um bandeirinha;
3-O da imprensa carioca era Roberto, que jogava no time do então presidente da antiga CBD, almirante Heleno Nunes;
4-O nome que unia as duas era o do Reinaldo do Atlético/MG, só que ele estava "podre".
5-Nunes vinha "arrebentando" desde o brasileiro de 77 e tinha iniciado o de 78 com tudo, enquanto o Roberto não estava fazendo nada.
6-A seleção foi convocada para uma excursão à ásia e europa, onde jogamos contra a Arábia saudita e um time campeão de lá (parece que era o Al alguma coisa), nesses jogos - os primeiros Reinaldo entrou de frente e marcou 2 gols, só que no segundo jogo Nunes entrou no finzinho e deixou o dele. Resultado: contra os pesados zagueiros europeus Reinaldo não se deu bem e Nunes a cada jogo mostrava mais competência, culminando por ser seu o gol da vitória contra a então campeã mundial a Alemanha Ocidental, por 1x0.
7- Quando a seleção voltou para o Brasil, ninguém discutia que Nunes era imprescindível à Seleção, até a imprensa carioca silenciou.Mas tudo não passava de uma armação,na minha opinião, senão vejamos:
a)O Treino já havia acabado e Nunes ficou "treinando chutes a gol de fora da área" sózinho, como divulgaram na época;
b)meia hora depois, já escuro, chegou um reporter de rádio do Rio dizendo que Nunes estava "cortado" por que tinha se contudido no "treino" - quando todos perguntaram: Que treino? Foi que souberam que ele havia ficado sozinho, se aprimorando.
c)Só um repórter da Rádio Jornal abriu o bocão na hora prá dizer que aquilo era safadeza (parece que era Luciano Duarte o nome dele), mas no outro dia calou-se.
d)no dia seguinte Roberto era convocado (como queria o presidente da CBD) e Nunes voltava à Recife.
e)Reinaldo, mesmo com todos os seus problemas físicos foi mantido no grupo.
8-Nunes chegou numa terça-feira, na quinta um colega de escola (Ailton-que hoje tem uma padaria em Itapissuma) o viu correndo com o preparador do Santa Cruz na praia de Boa Viagem - NA AREIA!
9-Na semana em que a seleção empatou com a Espanha (2º jogo da primeira fase)Nunes voltou a jogar contra o Fluminense (de outros "injustiçados":Marinho Chagas e Carlos Alberto Pintinho, além do goleiro Wendell) e marcou o gol da nossa vitória por 1x0 numa linda cabeçada - e eu estava no Arruda para presenciar sua volta.
10- o resto todos sabem: Reinaldo perdeu a posição para os seus meniscos e Roberto entrou e fez 3 gols (1 na Áustria) e 2 na Polônia (aproveitando rebotes de chutes de dirceu e Nelinho)e Cláudio Coutinho nos deu o título de segundo ele, "Campeões Morais da copa", depois do jogo em que a Argentina precisava de 3 gols de diferença e meteu 6x0 no Peru.
11-O que se comentou na época é que o Lídio Toledo ganhou uma grana para engessar o tornozelo de Nunes e não cortar o Reinaldo (se Nunes vai para a Copa com aquela saúde e fazendo gol de tudo quanto é jeito, Roberto não teria a menor chance). Também comentou-se que o Santa Cruz recebeu uma bolada "pelo" prejuízo em receber o atleta "contudido" e o próprio Nunes embolsou uma boa grana para participar da palhaçada.
No fim da história quem realmente bancou os palhaços fomos nós torcedores, que ainda acreditamos nessa máfia sem escrupulos que comanda o futebol brasileiro.
Desculpe o desabafo e o longo texto, mas aquele fato também me deixou por demais puto com nossos cartolas, e com o próprio Nunes depois que naquele mesmo ano, bandeou-se para o Fluminense.


Saudações Tricolores!

Enildo

10/11/2005 09:56:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Se Nunes tiver mesmo participado dessa tramóia, é melhor que ele fique lá pelo Rio de Janeiro mesmo. Prefiro acreditar que isso é lenda, mas, se for verdade, não merece palmas de tricolor nenhum. Ouvi dizer até que tinha enlouquecido e que vive de favores do pessoal do Flamengo. Carlos.

10/12/2005 01:28:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Enildo,

obrigado pelas informações!

quanto a Nunes ter participado da palhaçada, isso para mim não é novidade! de qualquer forma, o que faria um jogador novo, de um time "pequeno" do nordeste naqueles anos de chumbo?
Já discuti muito isso com meu pai e outros colegas.

Entendo - mas não concordo, nem acho que tenha sido a melhor opção - a situação de Nunes, naquela época, sobretudo, isso poderia representar um fim da sua cerreira!

Para os mais velhos, o caso do Afonsinho, jogador do vasco que entrou na justiça contra o clube é emblemático! sua carreira acabou ali. Ele acabou ficando mais conhecido pela cançao "Meio-de-campo", de Gilberto Gil!.

é só para jogar a discussão no ar!

10/12/2005 08:56:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Nunes trabalha lá no Flamengo, não sei em que situação, exatamente, se vai vivendo de favores ou não. Apesar de tudo, se tudo isso for verdade mesmo, acho que ainda ssim ele merece uma homenagem da torcida coral, ao lado de Fumanchu, Givanildo, Pedrinho e Ramon. Servirá, no mínimo, para reabrir a discussão e relembrar essa safadeza, que, aliás, não é nenhuma novidade, considerando o que é a CBF, e a ficha corrida de gente pustulenta feito Ricardo Teixeira, João Havelange e outros da mesma laia. Será que alguém dessa nossa imprensa esportiva teria coragem e culhões para mexer na história ? Ou será que é mais uma tarefa para os jornalistas deste maravilhoso blog, que, aliás, estão dando show de bola nesse campo da História tricolor.
Vamos ver !

10/12/2005 11:54:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Segundo a revista Placar deste mês, Nunes passou por uma maré braba, ficou liso e dormindo embaixo das arquibancadas do campo de treinamento do Flamengo, na gávea (fato que segundo a revista, ele nega).
Hoje, segundo seu depoimento, é assessor do Ministério dos Esportes (o que não foi confirmado pelo órgão). É idealizador do projeto Nunes 9 - O artilheiro das grandes decisões, nome de um curso dirigido a jogadores em fim de carreira ou aposentados, desenvolvido pela FGV e aprovado pelo Ministério dos Esportes.
Mora na Ilha do governador.

Saudações Tricolores!

Enildo

10/13/2005 08:53:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Se ele recebeu mesmo dinheiro pra ser cortado da seleção em 78, não merece pena nem homenagem. Minha frustração naquela oportunidade não tem preço. Eu era menino ainda, tinha orgulho do time maravilhos do Santa, e agora fico sabendo de uma sujeira dessas!! Se ele for pro Arruda, vai ter minha vaia. Carlos.

10/14/2005 12:24:00 PM  

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