por Geraldo Lima, funcionário da Justiça Federal e zabumbeiro da Sanfona Coral
Viajar a São Paulo para assistir à partida de sábado foi mais do que uma aventura, foi viver uma seqüência inesquecível de grandes e pequenos encontros.
Já no aeroporto dos Guararapes fomos encontrando alguns tricolores que também estavam indo torcer pelo nosso Santinha. O vôo que estava marcado para 00h01 foi cancelado porque a aeronave deu problemas (ainda bem que foi antes de subir) e só saímos do Recife por volta das 2h30 de sábado. Pra não perder tempo, fizemos um ensaio da Sanfona Coral no salão de embarque, instigados por uma turma da cidade de Limoeiro, que também tinha o Canindé como destino final.
Chegamos em São Paulo por volta das 07h da manhã. E fomos direto para casa de Lu, a Moça Coral. Conseguimos dar apenas uma pequena cochilada: a ansiedade cortou nosso sono. Então o jeito foi começar a preparação do fígado por volta das 10h, ouvindo o CD Veneno da Cobra. Saímos da nossa concentração às 11h30 direto pra o Shopping D, que fica ao lado do Canindé, onde fomos encontrar com outros torcedores do Santa Cruz. O pessoal aceitou nossa sugestão e fundou a
Sampa Cruz, com direito à faixa e tudo mais.
No percurso de ida até o estádio, mais encontros: fomos fazendo aquele forró, sendo identificados por alguns nordestinos, que distribuíam largos sorrisos. Lembro de um taxista que, na rua, que gritou: “É isso aí Santa Cruz! Eu sou de Caruaru!”
Aos poucos a torcida do Santa Cruz foi aparecendo, chegava nordestino por todo lado. Entenda-se nordestino como o cara que é daqui e mora lá há muitos anos.
Um momento inesquecível, pois, todos queriam reencontrar forró autêntico e conversar um pouco com a gente: queriam saber sobre o Santa, onde morávamos, queriam dizer de onde eram, comentar fatos de tempos passados e por aí vai. A sanfona e o time significavam o encontro com as raízes de cada um.
A figura que simbolizou tudo isto foi seu Armando, um senhor na faixa dos 60 e pouco anos, que há mais de 40 não vinha a Pernambuco e que a esposa torce pela portuguesa. Nós já estávamos no corredor das arquibancadas, quando ouvimos um grito: “É Santa Cruz”, olhamos para trás e o vimos. Paramos para lhe dar a atenção mais do que devida.
Quando seu Armando começou a falar sobre sua vida em São Paulo e suas recordações do Recife, dei a idéia de tocar as músicas do Santa. Bastaram os primeiros acordes do “Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais esta vitória....” e não deu outra: seu Armando caiu no choro. Nós também.
Quando chegamos dentro do estádio uma verdadeira massa tricolor já estava lá. Era gente de todos os lugares de Pernambuco. Tinha nêgo de Palmares, Garanhuns, Lajedo, Cachoeirinha, Abreu e Lima, Caruaru e do Recife, mais precisamente Água Fria. Até o irmão de Sidraílson (nosso zagueiro que está em Portugal) com seus primos, juntou-se a nós, fazendo um forró que o Canindé nunca viu.
Muitos se aproximavam para perguntar sobre o time: quem é o jogador fulano de tal? quem é o cara da camisa 10? Um sujeito de Palmares ficou do meu lado o tempo todo, a tirar dúvidas sobre o time. Tive que, ao mesmo tempo, tocar zabumba e dizer toda a escalação do Santa Cruz.
Não fosse o placar negativo, nossa ida teria sido 100%. Mas, fizemos nossa parte, e o que mais nos impressionou foi que os tricolores que moram em São Paulo são realmente o espelho da nossa torcida, formada por pessoas humildes, sofridas e apaixonadas pelo Santa Cruz.
E como o nordestino que está por lá se identifica com o forró. Quando seu Armando chorou, parecia que o Santa Cruz simbolizou a pátria e o forró o hino nacional.
Agradecemos a todos que nos deram apoio logístico lá em São Paulo: Patu, Lú, Gabi, Allan, Cláudia, o casal de amigos Bia e Luiz e todos os outros.
Na foto da esquerda, seu Armando e a Sanfona Coral nos corredores do estádio. Na direita, acima: o grupo na Marginal Tietê.
8 Comments:
Ô Samarone,
deixa de ser besta sô.
Tu és cearense do Crato que eu sei.
Teu negócio é rapadura com farinha de mandioca e o Fortaleza.
Larga de fazer marquetingue com os pau-dégua.
Gerrá, fiquei chateado por não ter comparecido ao local combinado(shopping D), até fui lá, mas vcs já tinha saido e ido pro estádio. Fiquei próximo de vcs para ouvir um forró autêntico da terrinha, por que aqui os paulistas dizem que Calypso é forró... nem precisa comentar... Façãm a festa ai no sábado que acompanharei pela TV. Com certeza o time reagirá contra o Grêmio e chegará no último jogo contra a Lusinha, dependendo apenas de uma simples vitória pra ser campeão. Comprarei minha passagem pra esse jogo e tomaremos umas por ai. Um grande abraço e desculpa qualquer coisa. Allan Robert - Alphaville - SP
Sei que deve ser bem difícil responder, mas....
Quantos tricolores tinha mais ou menos?
O narrador disse que tinha por volta de 500! Pelo o que eu vi na Tv acho que ficava por aí mesmo.
Obrigado!
beleza allan. independente do placar, pra nós da sanfona coral, ficou o momento marcante da confraternização pernambucana em são paulo.
quanto ao público, não sou muito bom de estimativa, mas acho que tinha mais de 500 e menos de 1000.
sábado todos ao arruda.
gerrá, o diário de bordo ficou arretado. Lembrei de um monte de coisas que tinham se perdido nas brumas da farra.
E o taxista que nos acenou, a caminho do metrô?
bem, acho que foi só a primeira viagem, das muitas que virão.
preparemos o fígado para sábado, pois.
sama
Seu Armando chorou, Geraldo chorou e eu também chorei, lendo esse belíssimo texto.
pessoal faço um pedido, antes do jogo contra o gremio, entreguem esse texto aos jogadores (carlinhos paulista ou roberto por exemplo por serem os lideres do time), pois eles precisam sentir na pele que temos de nos unir e fazer até impossivel se for preciso para subir o santa, que tem uma torcida tao apaixonada como esta.
obrigado!
quase q conquistávamos sampa, n? gostaria muito ter ido c vcs - pena q o time n entrou em campo, ou melhor, n seguiu o forró tocada por vcs.
estou juntando grana p seguir p o olímpico , pois lá, o santinha vai subir!
abçs,
ps- na primeira vez q viajei à sampa, estava perdido da silva quando fui surpreendido c um rapaz c a camisa coral. meu onxi foi o código p conversarmos e ele me indicar como teria q fazer p andar em sampa.
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