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sábado, 3 de setembro de 2005

Sobre vaias e distrações

por Inácio França Marcone não conseguiu entender o porquê das vaias ao final da partida contra o Ituano. Julgou que a torcida estava sendo exigente demais com um time que lidera com folga a Segundona e mantêm uma senhora regularidade. É verdade que deixou as arquibancadas um tanto irritado por conta de um sinalizador da Inferno Coral que chamuscou sua reduzida cabeleira, mas satisfeito com a força do time de Givanildo, que, afinal, manteve o controle do jogo nos dois tempos. Na avenida Beberibe ainda deu a sorte de se encontrar comigo, disposto a rachar um táxi até a estrada do Arraial e economizar uns trocados. Dentro do carro, ainda na engarrafada Beberibe, ele comentou que estava arretado da vida. Nem deixei a frase ser concluída e fui logo pro ataque: “Correr o risco de perder a liderança por causa de um gol no último minuto, num cruzamento besta daquele”. Meu amigo me olhou como se estivesse diante de um maluco e riu, perguntando de que jogo estava falando. “Ué, desse que a gente acabou de assistir”. Foi aí que Marcone retornou do planeta para onde tinha sido abduzido nos minutos finais da partida: “E quanto foi o jogo? Não foi 1 a 0 não? E pediu socorro ao filho de 12 anos, espremido junto à porta do Fiat Uno. “Gabriel, quanto foi o jogo Gabriel?”. O menino tinha acompanhado o pai na viagem: “Pensei que a gente tinha vencido de 1 a 0”. Os dois garantiram que não arredaram o pé da arquibancada antes do apito final, o que deve ser verdade, pois já assistimos dezenas de jogos juntos e sei que ele não é homem de desistir fácil. Expliquei como foi o gol no último minuto e, com ajuda do rádio ligado no táxi, comparei superficialmente a situação do Santa, do Santo André e do Grêmio. Ele culpou o sinalizador da Inferno e me autorizou: “Pode gozar da minha cara”. Prometi que não iria deixar por menos e acabo de cumprir minha promessa. Se Marcone não entendeu as vaias no final, eu muito menos. Estranhei ainda mais quando escutei a resenha no sábado à tarde (não tenho o péssimo hábito de acompanhar o estelionato que é o noticiário de futebol) e fiquei sabendo que Carlinhos Bala estava indignado por ter sido chamado de “mercenário” por torcedores sociais. Ora, meu amigo deixou de ver o gol do Ituano porque estava, literalmente, com a cabeça quente graças às faíscas do sinalizador. Pior são esses torcedores que não enxergam porque não querem ver. O time jogou bem, Givanildo descobriu mais uma jóia rara que é o tal do Elvis e Carlinhos foi caçado em campo o tempo todo. Vaiar por quê? Porque ele recusou propostas do exterior para apostar em fazer seu nome no Brasil com a camisa tricolor? Ou porque ele e todos os seus colegas do elenco querem receber os salários mensalmente? Antes de vaiar o excelente elenco do Santa Cruz, é importante se perguntar se são os jogadores que desaparecem com o dinheiro das rendas ou se foi o treinador quem empregou a família Neves no clube. No Arruda, muitos merecem ser vaiados e insultados, mas nenhum deles entra em campo. Assim, cumpro mais uma promessa: a de criticar a indecente “diretoria” do Santa Cruz.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Parabéns ao Inácio pelo posicionamento adotado na coluna. Eu, que frequento as sociais e às vezes tenho o mau hábito de ouvir as resenhas,não entendo a razão de certas vaias e alguns comentários desprovidos de alguma inteligência (aliás, no mundo do jornalismo esportivo, infelizmente, a inteligência é produto raro, com algumas exceções). A constatação de que no Arruda muita gente merece vaia, mas nenhum desses entra em campo é absolutamente precisa. Não é que nosso clube virou um feudo dos Neves ? até o bar, como noticiou o DP recentemente, está entregue ao clã de Romerito. Mas alguns radialistas acham que a torcida não deve se envolver em política do clube.É de lascar ! Há poucos minutos, liguei para o programa de Ednaldo Santos para elogiar o time, condenar as vaias e a diretoria (por que o ingresso do anel superior não foi, p.ex., 3 reais ?) e afirmar que a torcida do Santa vai mostrar sua verdadeira força nessa segunda fase. Aí, pouco depois, ouço Luís Cavalcanti dizer que a torcida não deve se preocupar com política. Qual é, meu irmão ? Ainda pensam que torcedor deve ser uma massa de manobra, emocionada e alienada. Num é assim mais não. A verdade ém,esmo que há rumores de tenebrosas transações e negociatas espúrias nos gabinetes tricolores. Acho que precisamos concentrara a energia para a caminhda firme rumo à primeirona. E aí, objetivo alcançado, o Santa recebendo muito mais $$, é ficar atento e cobrar com veemência alguma honestidade da diretoria.

9/04/2005 03:25:00 PM  

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