O lance em que a terra parou
por Danilo Marinho de Souza, estudante de Publicidade, mas pediu para a gente identificá-lo como mascote do bicampeonato estadual de 1986/87, que, segundo ele, é mais importante.
Ou seria o dia?!
Poderia ser o dia do bombardeio a Hiroshima, mas não foi. Poderia ser o dia em que estreou a primeira peça de Shakespeare. Também não. Homem na lua? Tem muita gente que diz que ele nem foi lá, o dia também não foi esse.
-Já sei! A invenção da...
-Máquina a vapor, eletricidade, roda. Nada disso.
-O dia em que a terra parou?!
Não é a música de Raul Seixas e digo o porquê. Na música, ninguém saiu de casa pra fazer nada, pois o nada também não estava lá. Só que no lance em que a terra parou, tinha era gente assistindo.
Era um dia dois do mês de setembro, ano de 2001. Domingão. Dia de futebol no Colosso. O Santa ia jogar contra a forte equipe flamenguista de Edílson e cia. O Arrudão tinha um bom público disposto a empurrar o Tricolor e um surpreendente número de paraibacas a fim de estragar aquele domingo de sol. Sol? Só foi farejar os torcedores sem-time que Thor disse: toma, Joãozinho. E tome chuva desde o início do dia.
O jogo estava 0x0 e pau a pau. O goleiro Júlio César tinha a bola em suas mãos, após mais uma investida do ataque Coral. O modo como ele chutou a bola pra frente foi o primeiro sinal. A terra estava pra parar. No meio do caminho tinha um juiz. A bola bateu em seu cutuvelo. Eu sempre quis escrever essa palavra assim e não havia momento mais propício. Segundo sinal. A bola que ia pro campo tricolor ficou na intermediária flamenguista. Luizinho se aproximou da bola e deu um totozinho por cima. É. Ele tentou dar de cobertura, seria um golaço. Encobrindo o vigia que ainda voltava pro gol após a reposição. Seria impossível conseguir uma parábola tão alta a ponto de tirar o goleiro e tão curva a ponto de cair no gol.
Thor era muito ousado e já tava cheio dos quequé na geral. Tinha tomado as dois quartinhos de aguardente antes de entrar, garantia de jogão. Mais umas 12 latinhas, levando uma chuva da peste que ele mesmo tinha feito só pra Joãozinho poder fazer o segundo gol tricolor, o do desempate. Aquele que a bola deu uma morridinha na poça. Ele sabia que esse gol ia acontecer, mas pra entrar o segundo, era preciso haver antes o primeiro e tinha que ser naquele lance. Um rápido movimento com o martelo e... De repente, o vento parou de soprar.
A chuva que caía parou. Não, não parou de chover. As gotas pararam onde estavam. Uma inclusive, entrando na latinha de Thor. Os jogadores pararam, a bola parou a 2 metros do pé de Luizinho Vieira, que também parou. Um cavalo negro de oito patas se aproximou. Cavalgando no ar, Odin, Deus dos Deuses chegou e perguntou ao bêbado que merda foi essa. Thor falou que a bola ia entrar. Com a negativa do supremo, propôs uma aposta. Odin não tinha time, nem gostava tanto assim de futebol até aí, mas não resistia a uma aposta.
- Aposto com (hic) voxê que entra(hic), agora antes (hic)quero um trato.
- Fala logo, porra, que se Frigg me pega apostando eu...
- Se der a impressão à torcida que a bola vai entrar, garanto que a estatura média da arquiba tricolor cai em 3 cm. – falou já com a voz normal, coisa do chefe.
O acordo foi feito, a terra voltou a andar. Como que em câmera lenta, as pessoas começaram a abaixar e fazer pequenos movimentos com a mão. 2 cm a menos em todo o estádio. 2 e meio. 2,7 “Desce, desce, desce!”, pensavam os apaixonados tricolores, fazendo pequenos movimentos com a mão e se dirigindo à bola. Odin foi descendo. Isso porque, nesse momento, grande parte da torcida estava quase ajoelhada, implorando pelo gol. As pessoas no estádio estava com quase 5cm a menos da estatura média. Odin ainda tentou escorar de cabeça, mas o gol foi mesmo de Luizinho. Explodia a Nação Tricolor, num lance em que até os deuses achavam que ela não ia entrar. No lance em que a terra parou.
P.S - Sabendo tempos antes que isso ia acontecer, o deus dos deuses viking, Odin, virou dia de semana. Dia de futebol. Odin´s day, wednesday, quarta-feira.
Ps2.: Thor foi bebemorar na conta de Odin, que voltou pros braços de sua Frigg completamente apaixonado. Pelo Santa, claro.
6 Comments:
Darwin Gets Schooled
Posted Tuesday, Sept. 27, 2005, at 2:48 PM PT Bloggers respond to a Pennsylvania trial about the teaching of intelligent design in public schools; they also rub their eyes at Michael Brown's continued presence ...
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Eu tava lá ! No outro dia, na televisão, foi massa a imagem do povão na arquibancada repleta de guarda-chuvas e sombrinhas, parecendo uma multidão de passistas comemorando o golaço de Luizinho. No ano anterior, o Flamengo só não se fudeu no Arruda também porque arrancaram o empate no final, gol desse Adriano que joga na seleção.
Julio Vila Nova
Só lembrando....
o público DIVULGADO foi de 17 mil. Mas, lembro bem que tinha mais.
E o gol de Luizinho foi eleito o gol do fantástico e depois foi o gol do internauta no globo esporte.
fantástica lembrança. ainda hj este gol é mostrado nas tvs. outra, este gol ficou passando por umas duas semanas. b lembrado tb o fator público q, realmente era maior.
meu caro publicitário, conta a verdade, vc foi convidado p bebericar c thor na conta de odin, n? viagem este texto. gostei muito.
O cara tava pagando né...
=D
Valeu!
Abraços e sdçs tricolores,
Danilo
Eu estava atrás do gol do inimigo ao lado de Samarone Lima. Quando Luizinho chutou, disse: "fela da puta. Como faz uma merda dessa." A bola subiu 20 andares e morreu lá dentro. Eu quase morro também.
JOÃO VALADARES
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