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quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Santa, ajuda-nos a carregar nossas cruzes

por Sérgio Travassos - jornalista, assessor de Imprensa do Núcleo de esportes da Universo Não importa perder, não importa empatar, não importa ganhar. O que realmente importa é amar. O Santa Cruz nos ensina a amá-lo desde que o conhecemos. Mas aprendemos muito mais que isso. O Santa Cruz é feito de união. A união solidária, só encontrada nas derrotas - e isso é mais comum que as conquistas. E parece que, quanto mais se perde, mais cresce esse amor pelo clube das três cores. Para termos uma idéia, quando o clube disputava a 2a Divisão, em 1999, jogos no Arruda chegavam a superar os 60 mil espectadores. Já na 1a Divisão o público máximo foi de 54 mil, logo no início da temporada. Aprendemos também a ser mais críticos que os demais torcedores. Tão críticos que somos capazes de perceber a “barca furada” e, mesmo assim, vestir a camisa e ir ao estádio. Claro que para xingar e comprovar com os próprios olhos que entendemos mais do que futebol, entendemos de Santa Cruz. Essa é outra constatação. O torcedor Coral gosta muito de futebol, mas é completamente tarado e apaixonado pelo time. Prefere ver o Santa Cruz jogar contra qualquer time, de qualquer lugar ou divisão, preterindo embates de outros clubes ou da seleção na tv. Outro fato é preferir ver seu time jogar mal, mas vencer. Ou então, ver seu time perder, jogar mal, mas jogar com alma, garra e dedicação. Daí a comprovação que: em primeiro lugar vem a paixão ao Tricolor do Arruda - futebol fica em segundo plano. Tantos outros clubes unem classes, castas, crenças, cores, mas no Santa Cruz isso é mais visível. É um clube do povo nordestino, mais sofrido que o brasileiro médio. Nasceu da brincadeira de meninos de todas as classes, foi o primeiro em Pernambuco a incluir em seu quadro um negro – o craque Lacraia, conquistando para si a simpatia da maior fatia da população, àquela que não é pesquisada ou respeitada e que só vale em bando. E essa turba de torcedores tem voz no Arrudão ou onde o Santa Cruz estiver. É da horda plebéia que se faz ouvir a voz do tricolor, a voz do biscateiro, do marginal, do sem-teto, do sem-emprego, do sem-diversão, do sem-vergonha, que se unem, sem preconceito algum, aos gritos da classe média, da elite financeira, cultural ou da intelectual. Todos em busca de um grito de vitória para vingar a semana desgraçada, da vida desgraçada, um grito de revolução contra os vovôs coronelistas pintados em campo de vermelho e preto ou vermelho e branco. Ser Santa Cruz é ser de corpo e alma e ser sempre de coração um apaixonado, um sofredor, um romântico conformado. E quem olha as coisas da vida com o coração percebe melhor que existe vitória, história e riqueza, também nas derrotas. E nelas - as derrotas, quase morrer. Sempre cuspir no manto sagrado das três cores e, muitas vezes, sequer esfriar a cabeça e já bradar aos quatro ventos que no próximo jogo estará presente para ver seu time triunfar. Ah! E quando existe um triunfo - como o que temos esperança que venha a acontecer, o tricolor sente-se no paraíso. Tem recarregadas as baterias para mais um sem número de derrotas no campo e na vida – que elas não venham. É tanta alegria que não se contenta em sorrir, ele chora. É tanta euforia que não só grita, ele cala. É tanta admiração que não só aplaude, se esmurra, não só canta, urra. E vibra por inteiro, abraça o negro da esquerda, o rico da direita, o estrangeiro da frente, a matuta de trás. Neste momento o mundo tem um significado a mais. O mundo presta porque aquele momento basta. E as favelas, os morros, as escolas, as ruas, as fábricas e lojas estarão em festa e tudo vai valer à pena. E todos dançarão com tamanha alegria que parecerá que uma nação foi libertada da escravidão das derrotas e das chacotas. E esta nação livre contará a história da conquista para todo o sempre, com a mesma emoção do dia da vitória. E isso, para o tricolor, vale mais que qualquer troféu. E isso se aprende desde cedo e nos faz ser, a cada dia, mais cobra-coral.

9 Comments:

Anonymous Anônimo said...

absolutamente lindo o texto. "O mundo presta porque aquele momento bastava" é demais. Desconfio que o blog está começando a garimpar uma "literatura coral".
abraços,
samarone

9/15/2005 07:38:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Adorei a crônica!! Vê-se mesmo que são palavras de um tricolor apaixonado!!

9/17/2005 07:55:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Sou rubronegra e dei uma olhada nesse blog por um pedido de um amigo tricolor. No primeiro momento de leitura do texto conclui que essa tal paixão incondicional pelo santa, que é descrito com muita propriedade, é desculpa pra tentar justificar as tantas derrotas. Mas, num segundo momento, consegui sentir a dor, a emoção que o torcedor tricolor senti pelo seu clube. Em suma reconheço que um torcedor tricolor é um torcedor literalemente apaixodado. Excelente texto, Verdadeiro, apaixonante...

9/17/2005 11:56:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Belo texto.
João Valadares

9/18/2005 06:04:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

quero parabenizar os idealizadores desta página pela iniciativa e pela excelente seleção de textos. li e reli este texto e fiquei arrepiado. parabéns ao jornalista Sérgio que conseguiu descrever sua emoção em letras. uma verdadeira obra de arte que copiei e guardarei para todo o sempre.

9/21/2005 12:49:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Lágrimas efetivamente brotaram dos meus olhos ao ler esse texto. Belíssimo, e não poderia ser mais verdadeiro: não existe amor como o de um tricolor pelo Santa Cruz - um amor verdadeiro e desinteressado.

Recebam os meus mais efusivos parabéns!

tiago

9/22/2005 07:39:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Sérgio, muito bonito teu texto, assim como alguns outros aqui postados. Não concordo somente com a parte onde dizes que somos um "romântico conformado". Não que em alguns momentos não fiquemos assim, mas deveríamos, na maioria das vezes, estar sempre inconformados, uma vez que há tempos estamos numa situação que não condiz com nossa grandiosidade. Saudações, Raul Cavalcanti.

9/23/2005 04:47:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

serginho, consegui um tempo p mandar, aqui mesmo do trabalho, um oi. gostei muito do seu texto, pq n envia outros? espero q vc arrume tempo p ler este comentário.

9/27/2005 02:57:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

oi, de novo, mandei errado. um abraço de marcos

9/27/2005 02:57:00 PM  

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