por Inácio França
O episódio da goleada de 5 a 0 para o Bahia foi um episódio tão traumático no meu início de adolescência que não esqueço a data: domingo, 5 de abril de 1981.
Sei de vários tricolores que se recordam de detalhes daquele dia ou mesmo das horas seguintes à tragédia. Eu, por exemplo, lembro que começamos a acompanhar a partida pelo rádio ainda no apartamento dos meus avós, na avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem. Com o aparelho quase enfiado no ouvido, papai ia relatando "Dois a zero pro Bahia"... "Fizeram outro!"De lá, fomos pra missa, na igreja de Santa Luzia, na Estância, já humilhados pelo resultado.
Sofri muito. Chorei um pouco, engolindo as lágrimas goela abaixo. A missa estava mais pra velório. Alguns tricolores ainda mantinham os radinhos ligados para ver se conseguiam acreditar nas notícias transmitidas direto de Salvador. No dia seguinte, fui pro colégio arrastado. Por mim, nem tinha acordado.
Cresci com a certeza que o goleiro Wendell foi o único que não tinha se "vendido" naquela tarde soteropolitana.
A goleada foi um divisor de águas na história do Santinha. Encerrou-se naquele momento, a nossa gloriosa década de 1970.
Por isso, nem quero ouvir falar desse bairrismo estúpido de que a queda do Bahia foi ruim para o Nordeste (aliás, esse sentimento tão comum entre os cronistas esportivas merecerá uma crônica futura). Adorei o rebaixamento dos baianos para a terceira divisão, só lamento o fato da
coisa não ter ido junto, mas até isso foi culpa do Bahia. Quem mandou levar aquela virada ridícula na Ilha do Retiro?
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