Carlinhos Paulista bota as cartas na mesa
por Inácio França
Há uma semana, o Blog do Santinha publicou um artigo produzido a partir das informações colhidas com três diferentes fontes sobre um racha no elenco tricolor. Um dos responsáveis por esse suposto conflito seria o zagueiro Carlinhos Paulista, que leu e não gostou de ver seu nome envolvido na trama.
Pouco antes de embarcar para Porto Alegre, ele entrou em contato com a equipe do Blog para desabafar e acertou uma entrevista para deixar tudo em pratos limpos.
Ontem (quarta-feira, 26 de abril) finalmente aconteceu a conversa. Foram mais de 40 minutos de bate-papo na sala de entrevistas do Arrudão. Descontraído, bem-humorado e bastante paciente, Carlinhos não se esquivou de nenhuma pergunta, encarando de frente até as questões mais delicadas.
Além da sua versão sobre o que foi publicado, nossa conversa tocou em vários assuntos. Para facilitar a leitura, resolvi publicar tudo dividido em tópicos:
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a) Carlinhos Paulista por ele mesmo:
"Tenho 31 anos, sou de Campinas. Sou um cara que coloca sempre a família em primeiro lugar. Se minha mulher e meus filhos estão bem, então eu estou feliz. Tenho dois meninos, um de quatro anos e outro que vai completar dois anos. E atualmente estamos muito bem adaptados no Recife. Acho essa cidade fantástica e minha família se adaptou muito bem aqui. Tudo o que eu quero da vida está aqui em Recife".
b) A vida dentro das quatro linhas:
"No futebol, comecei a jogar no Guarani, passei pelo Juventus de São Paulo, Juventude. Aí, fui pra Alemanha e disputei a segunda divisão de lá por um clube chamado Waldhof-Mannhein. Tive que me adaptar ao futebol alemão, até de líbero e de volante eu atuei. Depois que meu empresário brigou com a diretoria do clube, os caras se vingaram em mim. Voltei pro Brasil para jogar no Figueirense, onde fui campeão estadual e disputei as finais da série C. Em 2000, fui pro Bahia para jogar a Copa joão Havelange. Aí, voltei pro Figueirense para jogar a série A em 2002 e 2003. Tive outra passagem pelo Guarani e vim pro Santa Cruz no ano passado".
c) A passagem pela seleção brasileira:
"Joguei em todas categorias de base da seleção: sub-15, sub-17, sub-19, sub-21, sub-tudo. Fui convocados cinco vezes para a seleção principal. Em 1995, até fiz um gol. Foi num amistoso em Manaus contra a Colômbia, após a reforma do estádio Vivaldo Lima, no dia 20 de dezembro de 1995. A partida estava empatada em 1 a 1 e fiz o segundo gol do Brasil. Ganhamos por 3 a 1".
d) Carlinhos dá a sua versão sobre e contradiz o Blog do Santinha:
"Costumo tentar acertar quando percebo que as críticas são construtivas e tento ignorar as críticas que são feitas só para destruir. Mas quando li aquele texto, resolvi entrar em contato porque falou no meu comportamento extra-campo. Minha mulher ficou chocada e se perguntava ‘meu marido, fazendo isso?’ Nunca fui um sujeito desagregador, essa história de racha e briga com Roberto nunca existiu. Como é que eu poderia brigar com o cara que mais me ajudou a me entrosar quando cheguei aqui em 2005? Roberto foi o sujeito que, mesmo sabendo que iria disputar a posição com ele, facilitou minha vida assim que cheguei ao Recife. Tanto que ele foi o primeiro a saber que eu iria desmentir tudo".
"O que deve ter acontecido é que as pessoas interpretaram nossas brigas em campo como racha, como brigas sérias mesmo. Porque, em campo, eu brigo muito com Roberto. Discuto mesmo. E brigo muito com Neto. Nos coletivos é a mesma coisa. Para quem está vendo tudo de fora, parece que a coisa é grave mesmo. Eu até brinco com Neto dizendo que a gente só não briga quando um dos dois está no banco".
"Até o ano passado Roberto e Neto eram os dois principais representantes do elenco para discutir o valor das premiações junto com a diretoria. Esse ano, por causa da experiência e da liderança que também comecei a exercer, eu também a participar das negociações. Isso é natural no futebol, mas pode ser que alguém tenha interpretado como se fosse uma disputa".
"Tirando aquela confusão entre Bala e Thiago, nunca houve nenhum conflito no elenco. O que realmente aconteceu é que, em 2005, havia um sentimento maior de união. Esse ano isso não aconteceu até pelo cansaço físico e mental. Todos nós só tivemos, no máximo, de 10 a 15 dias de férias depois do final da série B. Nos reapresentamos antes do Natal e começamos a jogar pelo estadual logo depois do Ano Novo. Ninguém se sentia muito disposto a, depois do treino, parar para conversar ou ficar mais uma hora treinando finalizações, por exemplo. Voltamos a fazer isso agora, depois que perdemos o campeonato pernambucano".
e) A pressão na reta final do estadual:
"Quando começou a reviravolta no final do campeonato pernambucano, passamos a sofrer uma pressão muito grande. Eu senti uma pressão muito grande em cima de mim, principalmente porque todos falavam que a zaga tava mal, que a zaga tava batendo cabeça e tudo mais. Mas aí, quando se pensa em zaga, ninguém lembra que o sistema defensivo é composto por dois laterais, dois zagueiros e dois volantes".
"A mudança de treinador aconteceu nesse momento, no início da reviravolta. E isso foi muito complicado para o grupo. Ninguém sabe, por exemplo, que na véspera da partida contra o Central (3 a 2, no Arruda), treinamos em dois expedientes, o que é comum lá em São Paulo onde Giba trabalhava, mas aqui não tínhamos esse condicionamento. E todo mundo se matou no treino para mostrar serviço por técnico novo. O resultado é que, no segundo tempo, eu, por exemplo, estava cansado demais, as pernas pareciam pesar cem quilos. E o cansaço deixou o time inseguro".
f) O pênalti no primeiro jogo da decisão:
"Aquele pênalti não existiu. O juiz inventou e desestabilizou todo o nosso time. Depois do pênalti, ficamos irritados, nervosos. A desatenção no segundo gol foi provocado por essa irritação. O time estava revoltado com a arbitragem. O que mais me revoltou é que, depois do jogo, o juiz (Leonardo Gaciba, gaúcho de Pelotas) veio se justificar para mim. Ele falou: ‘Mas eu dei um pênalti para vocês também, mas vocês perderam’. Eu me irritei e disse assim: ‘Então dava primeiro pra gente, pô’".
g) Carlinhos avalia a queda de rendimento em 2006:
"Aconteceu um negócio no inconsciente de todos nós do grupo: o fato de ter chegado à série A nos deu um status diferenciado. Botamos na cabeça que tínhamos que ganhar, jogar bonito e convencer sempre. Esquecemos da necessida de marcar quando estamos sem a bola, que é preciso correr e, às vezes, é preciso jogar feio para ganhar. Na série B, jogamos feio muitas vezes e ganhamos partidas na base da raça. Como não estávamos conversando muito, essa necessidade de jogar bonito ficou na cabeça de todos. Agora não, agora estamos conscientes que precisamos ser eficientes e estamos conversando muito sobre isso".
h) A série A:
"Depois que a gente perdeu o estadual, o presidente Romerito me procurou e falou que iria precisar da minha liderança para ajudar a recuperar o ânimo do grupo. Eu respondi que iríamos botar uma pedra no passado e entrar na guerra do Brasileirão bastante concentrados e de astral renovado".
"Acabou o jogo contra o Inter e ficamos todos olhando um para a cara do outro no vestiário, todo mundo em silêncio, pois sabíamos que poderíamos ter vencido a partida. Aí, eu pedi a palavra e falei que o resultado foi ruim, mas só conseguiríamos vencer os jogos se continuássemos a trabalhar para isso. Não sei se foi nesse jogo que Giba começou a dar a cara dele ao time, como você diz, porque ele usa um sistema de jogo diferente de Givanildo. Com Giba, por exemplo, os laterais jogam mais recuados. E nós ainda estamos assimilando isso. Ainda falta assimilar muita coisa, mas está sendo muito bom trabalhar com Giba".

12 Comments:
Carlinhos Paulista:
A assessoria de imprensa do Santa Cruz (quero dizer a comunicação do clube para a torcida, e não criticando o assessor de imprensa!) está muito falha e bem sabemos que a imprensa daqui detesta calmaria no Arruda (grande parte dela). Isso tem de ser revelado, para que, quem está de fora, como nós, não fique imaginando mil e uma possibilidades.
Suas respostas fazem bastante sentido.
Inácio/Samarone: parabéns. Vamos escutar outros jogadores, pois isso serve para unir também a torcida.
Coronel Peçonha
Boa explicação Carlinhos, agora fique um pouco sentado no banco, que depois que você sentou nele, a saúde da defesa teve uma boa melhora. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!
o coronel aí tá certo. era bom q este blog fizesse entrevista com outros jogadores. até para ver se o que o paulista tá dizendo é verdade.
carlinhos paulista:
parabens pelo Homem que você pela entrevista demonstrou ser. sabemos que no futebol atual não existe mais essa de jogar por "amor a camisa", mas o profissionalismo do atleta é que demonstra se ele será ou não bem sucedido em sua carreira.
Quero lançar-lhe um desafio, unir o grupo em torno de nos proximos 8 jogos fazermos no minimo 18 pontos e ficarmos bem na tabela antes da copa começar.
a recompensa? vocês se reunirem e entregarem cada um, uma cesta basica a uma entidade filantropica de sua escolha. a torcida também pode ajudar como foi no ano passado.
um abraço!
santa cruz na cabeça que vai ser campeão 2006
Cláudio, moro em Alphaville(Barueri) a menos de meia hora do Morumbi. No sábado, estarei nas proximidades do estádio a partir das 13hs.
Um lugar pra concentrar a galera coral é um pouco complicado, se for próximo do estádio. Tem o Shopping Butantã, mas de lá pro estádio à pé é uns 15minutos de caminhada. Agora próximo da entrada dos times, que fica ao lado da arquibancada/geral amarela, onde ficará a torcida do Santinha, ficará vários ambulantes vendendo cerva(Skol) em lata a R$ 2,00.
Poderia combinar com o pessoal´pra ficar nessas proximidades e aproveitaríamos pra dá uma força ao time quando eles chegarem no vestíario.
Um abraço e quem for ao jogo no Morumbi, mesmo de SP ou os que virão do Recife, podem me ligar pra combinar(11)8505-3610.
Saudações Corais!
Allan Robert
agradecemos a Inácio França e sobretudo a Carlinhos Paulista pela possibilidade de esclarecimentos das coisas no Arruda. O jogador demonstra assim uma postura de profissionalismo respeitável. O fato de estar no momento à disposição do treinador no banco de reservas não invalida o seu esforço na campanha de 2005. Seria bom mesmo que o canal de comunicação que é o blog fosse usado também para outros jogadores e comissão técnica exporem suas opiniões. Acho que um contato desse tipo, em alto nível, com a torcida, só favorece a todo mundo, mesmo que a gente eventualmente reclame da qualidade do futebol em algumas partidas. O que se viu em Porto Alegre, porém, foi uma sensível melhora da equipe, apesar da derrota, o que confirma as declarações de Carlinhos Paulista sobre a renovaçao de Ânimo da equipe e a assimilação do trabalho de Giba. Precsiamos apoiar esse grupo, porque o potencial dele é muito grande. Vamos que vamos !!
ouvi dizer que fernado pilar, volante q veio do estudantes, está arrebentando nos treinos e caindo nas graças do treinador. será verdade?
se for, nossas preces estão sendo ouvidas.
mais um volante bom no elenco, para afastar de vez os netos e os maranhãos do time.
O blog do santinha está sendo homenageada pelo CWT ( confederação web de tricolores) a CWT homenageia os seus 211 pt. tão rápidos no blogstars.
É verdade, Fernando Pilar arrebentou nos treinos e foi muito elogiado por Giba, que ficou impressionado com o seu futebol (site coralNET), vai ficar no banco contra o São Paulo, podendo entrar no decorrer da partida. Eu já acho que ele deveria entrar como titular, mas, quem vai resolver é Giba. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!
O que é essa CWT e esse blogstar ? Explica aí, globalized people ! De qualquer maneira, vida longa ao blog
CWT não tenho uma mínima idéia. E Blogstars é uma espécie de selo de qualidade dos blogs, promovido pelo IG. Para o blog ganhar uma qualificação melhor precisa ter boa audiência e a galera precisa votar a favor (clicando no selo, no menu do lado direito, aparece o campo pra votação).
Alguém deve ganhar dinheiro com isso. Menos a gente.
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