Com a família, em Itu, numa foto recente (no alto); comemorando gol contra a coisa em 1983 (acima)
por Inácio França
O Santa Cruz já havia perdido o primeiro turno do estadual de 1983 e as coisas não se encaminhavam bem no segundo. A imprensa e a torcida sabiam que o então treinador Carlos Alberto Silva queria um centroavante matador, que jogasse enfiado na área. Exatamente o que Giba pede 23 anos depois.
Quem desembarcou em Recife foi o desconhecido Django, apelido de Luiz Paulo Lemes, que aos 26 anos atuava no minúsculo Primavera, do interior de São Paulo. Grandalhão e meio desengonçado, ao chegar Django não inspirou muita confiança na torcida.
Por conta do seu jeito, do apelido e das entrevistas bem humoradas, era motivo de piada por parte dos radialistas e dos torcedores adversários. Depois do título do tri-supercampeonato e dos 16 gols marcados praticamente apenas no terceiro turno, só os tricolores davam risadas.
Django passou menos de seis meses no Recife, mas virou uma lenda no imaginário da torcida tricolor.
"O Santa Cruz tá precisando de alguém para jogar enfiado na área? Então eu vou voltar", brincou ao ser localizado pelo
Blog do Santinha em Itu, onde mora com a mulher Márcia e os dois filhos, Pedro e Stefan. Seu primogênito, Trévor, é atacante do Capivariano e em 2007 deve jogar no Puebla, do México.
No Recife, Django morou no hotel Jangadeiro, em plena praia de Boa Viagem, mas saudades mesmo ele sente do Arruda: "Rapaz, só tenho lembranças boas da torcida do Santa. Fui muito bem tratado aí no Recife. Até hoje recebo carinho dos tricolores".
Pouco depois da estréia com a camisa tricolor, o centroavante foi o pivô de uma enorme confusão na decisão do segundo turno, vencida pelos alvirrubros. O Santa já havia tomado um gol, quando Django foi desarmado, o que possibilitou um contra-ataque do time da Rosa e Silva. "Você acha que o time ia tomar o segundo gol por minha culpa? De jeito nenhum".
Nosso camisa 9 deu um pulo por cima do jogador alvirrubro (Baiano, salvo falha da memória), o que deu início a uma confusão generalizada, com cenas hilárias, como a de Zé do Carmo arrancando o pau da bandeira fincada no centro do gramado para usar como arma. Até o educado e sizudo Carlos Alberto Silva saiu no tapa. "No vestiário, ele veio se queixar que brigou por minha causa".
Depois de ser campeão pernambucano, Django foi contratado pelo Ituano e se tornou o maior artilheiro da história do clube, com 147 gols - foram 349 em toda sua carreira. Depois de uma rápida passagem pelo futebol de Santa Catarina, transferiu-se para o Bremscheid, da Alemanha, onde jogou de 1987 a 1989.
Antes de encerrar a carreira e se fixar em Itu, rodou pelo interior paulista. Às vésperas de completar 50 anos, ele dono de uma casa lotérica e de uma loja de celulares, mas alimenta o sonho de ver o filho marcando gols pelo Santa. Antes de encerrar a ligação dá o recado: "Manda um abraço pro Luís Neto. Ele foi um grande amigo que deixei aí".
A foto de Django em sua passagem pelo Santa em 1983 pertence ao acervo do Diário de Pernambuco e foi cedida para o Blog do Santinha por intermédio do superintendente Joezil Barros.
21 Comments:
taí, porque não trazem o filho de django e o de birigui para o santa cruz.
garanto q pior do que marco brito e alex oliveira eles não são, e com certeza vão dar sangue pelo tricolor.
Valeu, Inácio ! Mais uma matéria de primeira. Vai pros arquivos,com a permissão do blog. Eu tava naquele jogo da confusão,e jurava que tinha sido Henágio a partir pra cima do jogador da barbie com a bandeira na mão(esta, tenho certeza, foi arrancada da área de corner, e não do meio do campo)
aquele jogo eu também vi. bandeira de corner arrancada do meio campo... não entendi.
como o desconhecido django, por aqui passou rincón e grafite, mais recentemente. grafite(q nome esquisito!!), até tapa levou de um torcedor, mas o negão depois mostrou serviço.
mesmo com estes exemplos, a imprensa e boa parte da torcida só que jogador famoso.
Parabéns Inácio pela matéria, o Django foi o meu primeiro grande ídolo, foi quando comecei a freqüentar o Arrudão com meu pai. Grande título o de 1983!!!
Mais uma prova da importância do blog do santinha. é a história do clube coral que passa por esse canal maravilhoso.
Ô Django, manda teu filho dar um pulinho no arruda pra ver se ele desenrola o traçado! O méxico dá futuro não.
Valeu pelo SUPER!
Grande abraço e...
welcome to the django!!!
Alfredo
é esse o time:
gilmar, osmar, adriano, valença, lateral-esquerdo;
bruno lança, fernando miguel, zada, tiano ou rosembrick;
bala, val baiano.
banco: anderson, um zagueiro, carlinhos paulista, jamesson, xavier/sandro miguel, neto/pilar, jr maranhão, tubarão, tiano ou rosembrick, thiago, outro atacante.
K2, tu pode ver o negócio do www.blogstars?
afinal, tu és nosso representante internacional.
sama
muito bonzinho esse blog. mas deveria ser preto/branco/vermelho.
e ter o escudo do mais-querido.
É. Faz sentido o comentário do estilista internauta acima. Samarone e Inácio, acionem aí os assessores para assuntos leiáuticos bloguísticos!
gostaria de saber onde o casal samarone e inácio estão pensando em assistir ao jogo sábado.
divulga aí.
Gostei da foto de Django depois de enfiar a bola no orifício da leoa banguela do mangue. Rapaz, como é bom ver o Santa enrabando a leoa, principalmente quando é no chiqueiro dos festejos. Pena que não vi esse campeonato de 1983, era pequeno na época, pagava pra ver essa cena do guerreiro Zé do Carmo. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!
Esse lance de saber onde o casal vai assistir o jogo é muito indiscreto.
Deixa os cara!
Notícia do coralnet: Thiago o gentil barão vai para o banco. Mais um ponto pra Giba. Vamos ver se Val Baiano corre pra recuperar-se da merda que fez (ou melhor, dos gols que não fez)contra o Inter. O ataque é ele e Bala. A turma aqui fez tanto vodu que Neto saiu do treino machucado, no tornozelo, chorando muito - tadinho....
Já circula o rumor de que vao demitir Givanildo. Pobre Givanildo, se pensou que iria durar muito lá no Atletico, foi muito inocente. Nordetino e cabeçudo em Curitiba é carne pra piranha.
Ele não merece isso.
Só foi o Leão ficar sem trabalho pra os clubes derrubarem treinadores pra contratar esse rubro-negro.
Quem pensa que nome da garantia de pontos no campeonato se engana.
Lamentaaaaaaaaaaavel !
A equipe do Blog concorda: o layout do Blog deixa a desejar. Como não entendemos nada dessas coisas de tecnologia, tivemos de nos contentar com as opções oferecidas pelo Blogger.
Se algum webdesigner tricolor se dispuser a nos ajudar seria excelente, pois temos muitas fotos da torcida e do estádio que poderiam compor o novo visual.
O problema é que precisa aparecer uma alma caridosa para nos ajudar nessa história do layout. Eu e Samarone não temos conhecimento técnico e tempo para aprender a fazer isso.
abraço
Inácio França
Na época, só se dizia que era um personagem de filme de bang bang, Tal qual Gabriel, que dizem que veio tuberculoso da Paraíba e aqui foi raça pura.
Por falar em filme e de bang bang, o "casal" Inácio e Samarone, "entendidos" de cinema, indicam:
1- O Segredo de Brokeback Mountain (cowboys e "machos")
2- Capote (jornalista e "macho")
Ingresso nas gerais: R$7,00
Pacote da TV Paga Série A: R$450,00
Ver Neto no banco: não tem preço (apesar desse jogador dever ser respeitado pelo que fez no Santa Cruz).
João Comeleoa
Ôxi, ôxi, ôxi,
E vai ficar assim é?
Inácio, Samarone, cadê a defesa de vocês? Tem não?
"Anônimo" e "João Comeleoa" pegaram pesado. Acho que o silêncio pode dar asas a imaginação dos frequentadores do blog.
Sugiro, porém, que no comentário de abertura do blog - "Inácio e Samarone são jornalistas e acreditam que a paixão pelo Santa Cruz pode andar acompanhada de música, literatura, política e beleza", sejam acrescentados mais 02 assuntos: birita e putaria.
Sei não!
SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!
a próxima campanha poderia ser:
preconceito não!!
somos gays!!
Esse campeonato PE de 1983 (naquela época o estadual era quem classificava pra Taça de Ouro –que era a série A) devia inspirar eternamente os elencos do Santa em termos de raça e vontade de vencer. Em 83,estávamos falidos eliminados precocemente da Taça de Prata, coisas e barbies tinham feito uma campanha histórica (pra eles, que nunca tinham ficado entre os 8 do Brasileirão), tinham Baiano, Mirandinha, Denô, Heider, Carrasco,
E nós com apenas um craque (Henágio) e dez guerreiros desconhecidos e limitados simplesmente incendiamos a massa e fizemos renascer a mística da camisa tricolor, com direito a jogar 10 vezes com os eternos coitados (naquele tempo não era ainda coisa) vencer 6 e não perder nenhuma. Sobre esse doido, tive vergonha do que ele fez, chutando Alberis já estendido no gramado, o que resultou em toda a confusão e numa barração pelo técnico Carlos Alberto Silva, que nas partidas finais acabou o trazendo de volta (mais ou menos como Nereu fez em 99 com o uruguaio Millar). Django, como bem disse o Inácio, virou uma figura lendária, sem chute potente mas sempre de direção certeira, em seus gols a bola entrava mansamente nas redes como uma alegria em que o tempo de espera se agrega à euforia. Valeu, blogdosantinha.
Concordo com o joaocomeloa: Neto merece o carinho e o respeito da torcida pelo fato de ter ajudado o Santa na campanha do ano passado, por ser um jogador esforçado e volutarioso, por ter raça e tentar acertar.
Não merece ser dispensado, só ficar no banco, pq as deficiências dele já apareceram e o Santa precisa de qualidade na saída de bola.
Saudações tricolores:
São Paulo 1 x 3 Santa Cruz
Ass.: Mãe Diná
Parabéns Inácio pela entrevista. Eu, naquela final, estava me formando no ABC, se não me engano, clube dos Sargentos e Sub-tenentes, não lembro. A única coisa que realmente me lembro é de eue mais dois tricolores que também se formavam comigo, estarmos indo de tempo e tempo falar com o segurança que era tricolor e tinha um radinho de pilha, onde ficamos sabendo que eramos TRI-SUPER CAMPEÃO. Jamais vou esquecer aquela formatura tricolor. Saudações Tricolores
Pablo Feitosa
Postar um comentário
<< Home