Carência de pai
por Inácio França
Pedrinho ainda não tinha completado três anos quando entrou no Arruda pela primeira vez. Foi num feriado de 7 de setembro, numa partida contra o Central. A tarde estava ensolarada e a partida foi sofrível, mas o Santinha venceu por 1 a 0.
De lá pra cá, eu e ele compartilhamos inúmeras tardes e umas poucas noites no cimento que abriga a torcida tricolor. No Arruda, Pedro realizou o sonho de ver o Santinha campeão. No Arruda, ele lambuzou-se de sorvete e guaraná, enquanto se apaixonava pelas cores preto-branco-e-vermelho. Nas gerais do Arruda, tomou seu primeiro banho de chuva para testemunhar uma vitória sofrida contra o Flamengo.
Foi se divertindo que meu filho aprendeu a amar o Santa Cruz. E foi sofrendo, chorando em alguns vexames de envergar a alma, que me ensinou que o amor por um clube de futebol é puro, livre de interesses, é forjado na dor e não apenas por vitórias.
“Nunca pensei em torcer por outro time. Nem mesmo naqueles dias em que a gente saiu chorando”. Ele me disse isso pouco antes de uma partida do ano passado, enquanto caminhávamos pela beira-canal a caminho do estádio.
Essas palavras, ditas com tranqüilidade e sem afetação, me emocionaram naquela tarde e voltam a me emocionar hoje, depois de mais uma derrota e enquanto Pedro cruza alguma estrada enlameada do norte do Mato Grosso, perto do rio Araguaia, onde meus filhos vão morar com a mãe.
Não sei quanto tempo ficarei distante do meu mais assíduo companheiro de futebol, mas já sinto uma falta enorme do aperto dos seus abraços na comemoração dos gols. Ou da sua cabeça, encostada silenciosa no meu corpo nos segundos prenhes de irrealidade que se seguem a uma derrota.

13 Comments:
É Inácio, o Santa tá carecendo de um pai, ou melhor, um líder. Mas, como não tem, desisto, jogo a toalha, a paciência chegou ao limite. Só espero que essas PUTAS consiguam pelo menos vencer uma partida durante o campeonato antes da descida à série B, para não morrerem com o dedo no CÚ. Vou torcer po isso. SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!
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foi praga de mãe!!!!!
Sds,
Filho desnaturado (estive no mundão sob protestos maternos, deu nisso!!)
Inácio, deve ser difícil enfrentar essa ausência, nessa distância arretada. Força aí, meu irmão. No dia das mães, coração de pai também se enche de emição. Não fui ao Arruda porque minha Lívia, de dois anos e pouco, esteve internada desde sábado num hospital em Olinda, por causa dessa virose que tá derrubando todo mundo. Resultado: sofrimento dobrado, por Lívia e pelo jogo (ouvido no rádio). Mas tive que encontrar forças ainda pra confortar Cristiane, fazendo-a ver que um dia das mães assim nesse sufoco vale como prova de resistência, pela doação que o amor aos filhos exige. Quanto ao jogo: como fez muitas vezes à frente do nosso Santinha, Givanildo ganhou o jogo na substituição, com nosso goleiro dando as duas mãozinhas para o cabeceio do reservba goleador.
Goleirinho bufa.
Ainda bem que não vi Anderson jogar. Se ele é pior que essa desgraça acredito que estaria respondendo a um processo por homicídio!
Precisamos de poucos reforços: 02goleiros; 02 laterais que saibam marcar;02 zagueiros que prestem para ajudar Valença; 02 volantes que marquem e saibam sair jogando; 02 meias que joguem bola (afinal Rosembrik, Zada e Tiano sabem mas não estão jogando!)02 atacantesum para centro-avante e outro que bote Daiane "Bala" dos Santos no banco
o time é ruim. a diretoria é inexperiente e foi incompetente. isto é fato.
além do apoio da torcida, o que deve ser feito para sairmos desta situação vergonhosa?
eu não sei.
só agora li, frança, o texto sobre pedrinho e o tricolor está belíssimo.
samarone
porrrrraaaaaaaaaaaaaaaaa
to puto!!
Belo texto.
João Valadares
Sou gremista, mas não pude deixar de ler sem que meus olhos se enxarcassem. Alguém poderia? Não tenho filhos - ainda - e amo o futebol como você. Me arrepiei. Só posso deixar meus parabéns pelo texto.
Texto muito bonito, emocionante, valeu à pena como sempre vir aqui, bom encontrar postado aqui esses depoimentos dos verdadeiros torcedores do Santa Cruz, não aqueles que vão à campo vaiar o time e dar olé pro adversário, uma vergonha.
Inácio, vi pedrinho pequeno ao seu lado quando ainda trabalhávamos no DP. Reencontrei ele ao seu lado de novo já um rapazinho naquela dia lá no mercado da boa vista. Como mãe - e pai tb porque eu e Pedro revezamos as tarefas bem e sabemos o que é ser pamãe e mapai - sei que vc deve estar morrendo de saudades de seus dois tesouros. Mas tenha certeza, o seu Pedro - mesmo lá longe na Amazônia - vai levar para sempre o bom exemplo do que é ser um tricolor de fé, um homem de bem, um amigo fiel e um pai maravilhoso! Força ai amigão!
Inácio,
só hoje, 18/05, pude ler seu texto.
Não há pai no mundo que não se emocione com o que você escreveu, pois a gente sabe exatamente o que você está sentindo.
Quando não tinha filhos, sabia viver muito bem sem eles. Hoje, não me imagino distante deles.
Desejo-lhe que tenha muita força pra superar essa dor (e isso dói muito mesmo!) que a ausência dos seus filhos lhe traz.
Tenho certeza que quando reencontrá-los, seus encontros serão muito mais prazerosos e alegres.
Agüenta firme, cara. Você supera mais essa.
Um abraço, Fernando Arruda.
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