Análise filosófica da Copa, após 16 peladas
Por Samarone Lima
Amigos, comecei o dia hoje levando um baita carão do editor-executivo do Blog do Santinha, o digníssimo Inácio França. Motivo: não escrevi a jato a crônica sobre a pelada envolvendo a Sociedade Esportiva Coréia do Sul 2 X 1 Grêmio Recreativo Togo. Tentei me explicar, que estava no Cabo de Santo Agostinho, sem Internet, mas fui alvo de uma dezena de palavrões, de forma que estou aqui, em plena manhã de quarta-feira, meio ressacado, numa lan-house meia boca na Conde da Boa Vista (R$ 1,50 a hora), deixando de assistir Espanha Futebol de Regatas x Sociedade Futebolística Ucrânia, para limpar meu nome na praça e não ser demitido do Blog do Santinha.
Agora, vamos e convenhamos – o cara sentar para escrever uma crônica sobre um jogo medíocre como Togo x Coréia, faltando poucas horas para começar o jogo do Brasil, é o ápice da sacanagem. Pior: todo mundo ganhou jogo bacana para escrever. Eu, um dos fundadores deste renomado blog, peguei a sobra da sobra da sobra, é aquele negócio famoso, santo de casa não faz milagre.
Antes de ir ao texto sobre a pelada, gostaria de dizer que estou frustradíssimo com a Copa. Vinha comemorando o fato de poder assistir todos os jogos, mas a cada partida, cada pelada, digo, descubro que o futebol empobreceu, e já começo a sentir saudades mesmo é do velho Arruda. Diante dos peladeiros, das caneladas, da bola eternamente recuada, imploro: uma partidinha do meu Santa, pelo amor de Deus!
Depois de 15 jogos (estou perdendo um agora, por causa do senhor Inácio), estou sentindo um certo tédio espiritual, uma azia na minha alma futebolística. Parece que os caras só fazem mesmo é trocar de camisa, porque o futebol é o mesmo. Um golaço, pelo amor de Deus! Uns dribles secos, fazendo fila, levando todo mundo! Um sem-pulo, de fora da área! Um lançamento espetacular, por Deus!
Os africanos foram recolonizados no futebol, deixaram a criatividade de lado, e agora nem se divertem, nem ganham jogo, nem porcaria nenhuma. Antes, era uma grande esculhambação, os caras queriam fazer um gol somente para dançar umas duas horas, tirar uma onda do carai, tomar todas na concentração, mas agora correm feito uns loucos, não conseguem dar um drible, e pensam que músculo ganha jogo. Agora, leitor, dê uma olhadinha no banco de reservas – só tem treinador branco! Lanço aqui o meu brado: que os negões treinem os negões! Que volte aquela esculhambação do Roger Milá! Estão matando a África até no futebol!
Os melhores comentaristas da Copa continuam sendo, disparado, as mulheres. Tenho inclusive percebido que quanto mais velha a mulher, melhor o comentário. Na metade de Sociedade Esportiva Coréia X Grêmio Recreativo Togo, minha tia-avó Flocely, de 79 anos, soltou esta pérola:
“Estou achando esse campo pesado, a grama está muito alta...”
Amigos, eu quase bati palmas.
O jogador mais feio da Copa, eleito por mim, tia Flocely e Renato, é o senhor Chun Soo Lee, aquele coreano com o cabelo pintado de Wanderleia. Como bem disse tia Flocely:
“Esse é triste”.
Foi só esculhambar o triste, que ele fez o gol.
Lá pelas tantas, a mesma tia, irritada com o fraco futebol dos africanos, soltou essa:
“Se cor ganhasse jogo...”
O momento mais bonito da Copa foi o jogo inteiro de Inglaterra Futebol de Regatas x Sociedade Sulanqueira Paraguai. Cada vez que o Roque Santa Cruz pegava na bola, a minha TV ficava brilhando. É que na camisa do jogador, estava escrito somente isso:
Santacruz.
E vou deixar minha crônica do jogo de ontem para mais tarde, ou para nunca, porque todo mundo vai querer falar sobre aquela pelada do Brasil, ontem, contra o escrete da Croácia.
O Inácio que se dane, mas vou ali correndo, pegar o segundo tempo do jogo da Espanha, para ver se a “Fúria” diz alguma coisa, ao menos nesta Copa.
Em tempo: sugiro uma reunião dos Blogueiros do Santa, durante a semana, para tomarmos algumas cervejas e avaliarmos nossa pulsante cobertura da Copa.
3 Comments:
O cara escolhe o jogo para avaliar e agora vem com essa de "peguei a sobra da sobra da sobra". Peruca, manda a tia Flocely avaliar o jogo da próxima vez. Ela e Juarez tem lugar garantido no blog. Ironia a parte, gostei. Só um adendo. A Costa do Marfim tem um bom time. Escolhe um jogo deles para dar continuidade a filosofia. Abraço.
Ei, Samarone: se está reclamando, devolve os honorários que o Blog já pagou a todos os "comentaristas".
Agora, que pasteurizaram o futebol de vez, isso é a mais pura verdade. Estranhei não ter negão com cabelo de chapinha...
O destaque da Copa deve ser descobrir se alguém está cobrindo a Fátima Bernades, que entende muito de futebol e fica toda feliz quando viaja sem o marido.
Não tem negão de cabelo chapinha, mas tem um (de Angola, salvo engano) com aquele penteado xereca meia lua na testa, inventado pelo Ronaldo Ogro em 2002
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