Um ano muito esquisito
por Paulo Araújo
Eu não me considero supersticioso, quer dizer, eu não me considero muito supersticioso, mas confesso que ando desconfiado desse ano de 2006. Vou logo aos fatos e às provas, pois alguém puramente racional não pode ficar baseando suas suspeitas em achismos (dá azar fazer isso...).
2006 já começou em dezembro do ano passado, com a renovação de vários jovens talentos do Santa Cruz, como Roberto e Carlinhos Paulista.
Antes do início do Pernambucano, muitos tricolores apostavam no bicampeonato com o pé nas costas. "Sei não", eu dizia, "Sei não, estamos em 2006".
Sai Givanildo, vem a confusão de Tubarão e Bala, vem Giba e entregamos uma invencibilidade de mais de 40 partidas no Arruda e o título aos bossais da coisa, os "argentinos" da Ilha da Fantasia. Típico de 2006.
Sai Giba, vem Espinosa e a invicta e inédita série de dez partidas sem vencer, acompanhada da desonrosa lanterna. A Copa traz um alento temporário, mas somente neste ano tivemos o dia 6-6-6 (que, para quem acredita, é o número do anjo caído. Vade Retro!).
O Brasil favoritíssimo faz uma estréia de regular a ruim, Ronaldo Fenômeno imita Val Baiano e depois ainda vimos a Argentina, cujo povo se orgulha, como alguém já disse, de um império que nunca existiu, meter 6 x 0 (olha o seis aí de novo: tem algo muito estranho) na Sérvia-Montenegro. E logo numa sexta-feira, dia de Exu parece. Mais: a sexta-feira caiu no dia dezesSEIS. Pavor total.
Por falar na seleção da Argentina, considero-a "a coisa" do futebol mundial: bossais, julgando que têm o maior jogador do mundo, tudo lá é melhor, há muito não têm nada e seu maior adversário é que é o maior. Assim como sempre associei a Holanda a um time da Rosa e Silva, pois é aquele apagadinho que mesmo com bons times não consegue o que quer.
No entanto, não me impressionei com esse "chocolate" platino em um time que nem país é mais: a Sérvia e o Montenegro formalizaram a separação pouco antes da Copa, deve estar havendo uma briga interna ou desmotivação muito grande e certamente o sentimento de equipe sumiu. Para quem não entende de geopolítica, deve estar ocorrendo com a seleção desses agora separados países o que ocorreu no Santa Cruz este ano na Primeira Divisão, ou seja, tem grego e troiano juntos.
No sábado 17, acordei bem disposto e fui bater minha pelada. Contrariando algumas poucas pessoas mal informadas, meu futebol mantém a média, apesar do peso, da idade e de três cirurgias nos joelhos. Fiz até gol hoje, o meu terceiro este ano, só podendo acompanhar o jogo de Portugal e Irã quando não estava soberano no campo. Gol meu, gol de Deco, gol de Cristiano Ronaldo, Felipão e vitória de Portugal, vi que o dia prometia. Já durante as cervejas pós-pelada, acompanhei e torci pela seleção de Gana – com um futebol tipicamente africano, como pedia Samarone: agilidade individual, alegria e irresponsabilidade – contra a seleção da República Tcheca (que de simpático só tem a lembrança que o nome da república me traz).
Confesso, porém, que antes da vitória de Gana, 2006 se fez presente de novo e me recordou que ainda faltam 6 meses para ele ir embora para sempre: um ataque cardíaco tinha levado o humorista Bussunda para outra dimensão. Fiquei triste, acompanho a Turma do Casseta e do Planeta desde quando faziam uma revista e um jornal chamados Casseta Popular e Planeta Diário, com uma renovação, à época, de um humor que há muito não trazia novidades. Foi embora pouco antes de comemorar seus 44 anos de vida e na certa não atentou, daí não tomou cuidado, que estava vivendo em 2006.
Foi embora Bussunda, ficando seus personagens futebolísticos mais famosos, quais sejam Marrentinho do Tabajara Futebol Clube e Ronaldo Fofômeno, com uma ironia, que é perceber que hoje, pode ser que amanhã não, Marrentinho e Ronaldo Fofômeno foram incorporados pelo verdadeiro Ronaldo Fenômeno, seja pelo peso, seja pelo inexistente futebol. Vai ver que foi uma homenagem antecipada a Bussunda prestada pelo namorado de Raica, aquela modelo magrinha onde devem caber lá dentro umas cinco Juliana Paes...
Por isso tive a certeza que a Itália não passaria tão fácil pelos EUA. Claro que torci pela Itália, sou um admirador da comida italiana, do campeonato italiano, de vinho, do Império Romano, do Coliseu, de Roma (não do time da Roma, tampouco do Milan, por causa das cores), enfim, um país em que moraria sem dificuldades – eles têm até duas instituições muito conhecidas por nós brasileiros: motorista ruim e máfia. Go home, Yankee. Nada de George Bush, USA, junk food, etc. Não deu, 2006 foi bonzinho e deixou o empate.
Ainda bem que 2006 não enxerga direito e no domingo enfrentamos um time de cores verde e amarela também. A esperança de que ele pode se confundir foi confirmada e confirmamos nosso favoritismo. Por falar nisso, é bom não precisar de pontos para nos classificarmos contra o Japão; é que o técnico deles já perdeu 4 Copas – 1978, 1982, 1986 e 1998 – e dá uma azar medonho ao Brasil, como fria, racional e corretamente lembrou o meu irmão.
Sem contar que se 2006 fizer o que está pensando, a taça vai para Los Hermanos, provando que desgraça pouca é bobagem. Porém, pensar nisso é muito pessimismo para quem tem de esperar por milagre este ano na Primeira Divisão.
Boa sorte a todos, principalmente a nós tricolores, que sonhamos que o Santa Cruz pare de ser perseguido por 2006 e que guardamos um pouco de sonho para o nosso 6º (olha o seis de novo, não estou dizendo!) título mundial.
Desse jeito, acho que o Santa Cruz será o 6º colocado, no mínimo o 6º de baixo para cima, que implica ser o 15º colocado e que 1+5 é seis, que...
3 Comments:
???
oxi!!!
Misericórdia!
TOC, TOC, TOC...
SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!!
Muito bom, Paulo. Já tô me benzendo...achei muito boa a comparação entre a Argentina e a coisa ruim. MAs fazer o mesmo com a Holanda e o clube da barbie é uma puta sacanagem com o futebol holandês. Ou você vai dizer que Cruyff já foi uma espécie de Vasconcelos, ou Dedeu ?
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