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terça-feira, 30 de agosto de 2005

SuperNunes

Por Nunes, pseudônimo de um jornalista que precisa manter o sigilo por motivos profissionais Havia me comprometido de fazer um levantamento em edições antigas de jornais para contar neste blog o episódio da transação do artilheiro Nunes e do ponta-direita Fumanchu para o Fluminense, em 1979, na época a maior negociação do futebol brasileiro. Acabei dando que minha intenção neste espaço é resgatar histórias de um torcedor, carregadas do prazer de ser tricolor, não me preocupando com a exatidão das datas, valores, nomes. Por isso, peço perdão se a memória me trair em algum momento. Serei fiel, no entanto, às memórias de uma criança que aos seis anos de idade colocava o pé primeira vez no Arruda e começa a conhecer um dos maiores ídolos da história do Santinha. Entendam “colocar o pé” como uma força de expressão. Até porque naquela decisão do supercampeonato de 76, o estádio estava entupido e poucas pessoas conseguiam tocar o chão. Muito menos uma criança que, como eu, acompanhou nos ombros do pai Jadir e Nunes marcarem os gols do título. As lembranças mais marcantes de Nunes vêm nos anos seguintes ao título de 76. Especialmente, em 78, ou seria 77? Bom, sei que era um Brasileiro, tipo fase de oitavas-de-final, num grupo que tinha o Palmeiras, Remo, Operário e o Santinha. Na penúltima partida, o Tricolor foi ao Pacaembu pegar o Verdão. O jogo passou, inclusive, pela televisão, algo muito raro na época. Foi um vareio de bola. Teve até um gol de falta de Nunes, golaço! Não fosse o roubo absurdo do juizinho, algo semelhante ao do BC de Fortaleza, o placar teria sido bem superior aos 3 x 2. O larápio não só anulou o gol de falta de Nunes, uma bomba do bico da grande área, como tirou o nosso artilheiro da última partida da fase, contra o Remo, no Arruda. Por causa do gol anulado erradamente, o Santinha precisaria vencer os paraenses por dois gols de diferença para não depender de uma derrota do Comercial, que jogava com o Palmeiras, no Mato Grosso. A ausência do artilheiro foi suprida em parte. Fumanchu e Volney, substituto de Nunes, marcaram. Mas aos 45 do segundo tempo, após cobrança de escanteio, Mesquita (até hoje não esqueço do nome do desgraçado) diminuiu e o Santa dançou por causa de um golzinho. Era a chance de chegar novamente numa semifinal nacional, como em 75. Tinha time para isso. Em 79, mais uma vez, a oportunidade bateu em nossa porta. Mas a situação era diferente. O adversário era o Internacional. O fantástico time do Inter, de Falcão, Caçapava, Carpegiane. O Santinha precisava vencer por dois gols de diferença no Arruda, após perder para os gaúchos em Porto Alegre. Nunes, sempre ele, arrancou pela esquerda, passou por um zagueiro e soltou um tirombaço entre o goleiro Benitez e a sua trave direita. O Arruda quase explode. No segundo tempo, no entanto, o Colorado, que viria a se tornar campeão brasileiro invicto, virou para 2 x 1. A eliminação para o Inter foi café-pequeno em relação à notícia de que Nunes e Fumanchu seriam vendidos para o Fluminense. Foi um baque daqueles. Não era apenas um jogador que ia sair do clube. Era uma espécie de super-herói - daqueles que no imaginário de uma criança poderia estar reunido com o Super-Homem, Aquaman, na Sala da Justiça - que morria. Só anos depois poderia compreender que a história do Cabelo de Fogo no Arruda era mais que forte que qualquer super-herói. Nota dos editores: salvo engano, minha memória registra que a vitória do Santa sobre o Palmeiras foi por 3 x 1, pois também vi este jogo pela TV, uma National colorida, na casa em que morava no bairro de Piedade. (Inácio França) Errata do autor, segundo suas próprias palavras: "Tem razão. Consultando um cd da Placar que tem as fichas do Brasileirão de 71 a 2001, vi que o placar foi 3 x 1. Um de Nunes e dois de Fumanchu. O 3 x 2 que me confundiu foi em 75, também em SP. Outro lapso de memória foi quanto ao ano do jogo com o Inter. Na verdade, em 78. Bons tempos em que podíamos nos confundir quanto às belas campanhas do Santinha...

4 Comments:

Blogger Samarone Lima said...

De vez em quando, no Arruda, me perguntam: e aí, Nunes, vai entrar no segundo tempo?
Então percebo que preciso cortar também o meu cabelo de fogo, e sinto saudades do Nunes que não vi jogar no Arruda.
belo texto, pena que nao saibamos quem é o autor.
mas isso é o de menos.
samarone lima

8/31/2005 05:23:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

De:Pedro

É "super tricolor" esse blog
só sinto falta de ma coisa:
Uma tabela

Ah

www.pedrolopesdefranca@blogspot.com

9/03/2005 12:44:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Tive a sorte de ver, embora fosse um pirralho ainda, alguns shows de bola de Nunes e de outros craques daqueles timaços da década de 70. Uma coisa que me interessa muito é como é tratada a memória das coisas que se referem ao Santa, exatamente para que aqueles que não tiveram a chance de presenciar os fatos possam ir às fontes de informação que mantém vivos o orgulho e a história do nosso clube. Outro dia, numa livraria da cidade, peguei para folhear o livro do carioca Ruy Castro sobre a história do Flamengo, curioso que estava sobre as informações acerca do nosso (e depois deles também) ídolo, o Cabelo-de-Fogo. O título, copiado do romance de Stendhal, levou-me a fazer um breve ritual de proteção espiritual antes de tirá-lo da prateleira (a coisa se chama O Vermelho e o Negro). Para minha decepção (que não chegou a ser uma surpresa), a biografia de Nunes fala da sua vinda de Feira de Santana-BA, sua terra natal, e de sua passagem pelo Fluminense carioca, antes de ir para o Flamengo. Nem uma linha sobre o Santa Cruz, de onde Nunes apareceu para o Brasil! É de lascar ! Como esse pessoal do Rio só consegue enxergar o próprio umbigo! E vejam que se trata de um bom pesquisador e escritor. Pois bem. Tentei um contato via e-mail com o infeliz, mas só consegui através do site da editora (A Companhia das Letras, se não me engano), que me respondeu dizendo que repassaria a mensagem a ele. Aí, cobrei um pouco mais de precisão e consideração nas informações acerca de Nunes, fazendo o autor lembrar que o clube de onde ele saiu para o Rio, em 79, é o mesmo que havia batido o time dele (de Ruy) havia pouco tempo por 2 X 1, (gols de Luzinho Vieira e Joãozinho); o mesmo que o Flamengo não conseguira vencer nos últimos confrontos recentes, até então. Pois é. Se tiverem alguma oportunidade, mandem uma mensagem para esse cara, desejando que o Flamengo dele se arrombe em 2005 !
Valeu ! Julio VIla Nova

9/07/2005 10:19:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

O nome do juiz ladrão safado daquele jogo é José Roberto Wright. Roubou demais e expulsou Nunes no primeiro tempo, após o gol dele.

11/17/2005 02:14:00 PM  

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