Memória em três cores (parte III)
Continuação do depoimento de Rodolfo Aguiar a Inácio França e Samarone Lima
E surge o estádio do Arruda
"Em 1953, Aristófanes... Aristófanes de Andrade foi presidente do Santa Cruz em 1953-1954... O Santa Cruz estava negociando com os Lundgren o terreno onde hoje é o estádio e a prefeitura não tinha numerário suficiente para pagar... o quê fez Aristófanes? Aristófanes foi ao Banco do Povo e procurou Aquiles Marques, que era diretor-geral, torcedor do Santa Cruz, e disponibilizou 150 mil, mas a prefeitura deveria completar os 400 mil... era esse valor na moeda da época, 1954, já não sei qual era a moeda. Ou seja, a prefeitura não dispunha de numerário suficiente para completar a negociação e Aristófanes conseguiu que o Banco do Povo emprestasse o dinheiro para a prefeitura pagar pelo terreno. O terreno foi comprado pela prefeitura e doado ao Santa Cruz, não foi desapropriado, não foi ação de força, foi uma ação comercial.
Isso foi na época em que José do Rego Maciel era prefeito do Recife e presidente do diretório estadual do PSD, inclusive era compadre de Etelvino Lins que, se não me falha a memória, era padrinho de Marco Maciel.
Em 1964, foi construído o primeiro lance de arquibancadas do Arruda. Desde a compra do terreno, em 1954, demandou muito tempo porque havia um aterro muito grande a ser realizado, um aterro ali na frente, onde é a sede. Antes do Arruda, o Santa mandava os jogos de acordo com o que ofereciam em relação à taxa de campo. Logo depois da doação do terreno, fizemos um estádio, mas eram arquibancadas de madeira adquiridas ao deputado Alcides Teixeira, que tinha em Santo Amaro o campo do Vovozinha. O Santa Cruz comprou as arquibancadas de madeira e a iluminação. Nesse campo, o Santa Cruz treinava e fazia a maioria dos seus amistosos a partir de 1956. Bangu, Madureira... esses times jogaram no primeiro do campo do Arruda em partidas amistosas, com o público nas arquibancadas de madeira.
A primeira arquibancada de concreto construída foi aquela no meio do campo mesmo, onde hoje são as sociais. E quem primeiro comprou cadeira cativa no estádio fui eu, oficialmente fui eu. Eu tinha o recibo 0001, mas não tenho mais porque doei para o museu. Está lá no museu Dirceu Paiva, ta lá, catalogado, exposto num quadrinho e tudo".
Atendendo a pedidos, repetimos a foto do Arruda, em sua primeira versão. A fotografia, pertencente aos arquivos do Diário de Pernambuco, foi tirada num dia de clássico contra a coisa, pelo campeonato pernambucano de 1971.
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