Memória em três cores (parte II)
"Em 1957 nós tivemos o maior título da história do Santa Cruz! Naquele tempo só existiam rádio e jornal, mas a torcida do Santa Cruz tem o perfil de ouvinte de rádio, não é? Torcedor do Santa Cruz não lê jornal porque não sabe ler ou porque não pode comprar. Quando eu era presidente, nas entrevistas eu dizia que o torcedor do Santa Cruz quando acorda de manhã não sabe para onde vai, não tem café-da-manhã, não tem emprego, não tem destino, mas só tem uma certeza: vai ter um radinho de pilha tocando ao seu lado às 7h da manhã. Em 1957 nós tivemos um time bom, mas chegamos a contratar 11 zagueiros, porque não acertavam. Nós tínhamos uma excelente intermediária para uma época que se jogava no esquema WM. Nós começamos o campeonato enfiando 3 a 0 no América, na Ilha do Retiro, com Mauro, Tomáz, um lateral direito que veio do Vasco, e Lanzoninho. Lanzoninh jogou no ataque do São Paulo, era um monstro sagrado do São Paulo e jogava num ataque que tinha Magri e Teixeirinha. Na época, ele custou 500 mil da moeda da época. E o bicho dele foi a liberação dele, a liberação do passe dele. Aquele foi um campeonato muito valorizado para a comunidade do Santa Cruz, então o Santa Cruz deu passe para Lanzoninho no final. E Lanzoninho surpreendeu contra o Náutico, pois as pessoas comentavam que não esperássemos muito de Lanzoninho no jogo contra o Náutico... um comentário maldoso! Ganhamos de 2 a 0, com dois gols de Lanzoninho. Então em 1957 nós tínhamos Mauro e Aníbal, dois goleiros. Mauro já vinha no Santa desde 1954, o apelido dele era Mauro Gato Preto. E Aníbal era o titular, mas em 1956 perdemos o campeonato numa fatalidade tremenda num jogo contra o Sport na Ilha do Retiro. Fizemos uma boa partida, mas numa bola parada de fora da área, a bola bateu na trave, bateu na cabeça de Aníbal e entrou, nos tirando do resto do campeonato. Nós tivemos diversos laterais, começamos Calado, tivemos Tomáz, o garoto que veio do Vasco, tivemos Jaiminho, lateral que foi campeão pelo Náutico, pelo Fluminense, bom jogador, de uma geração extraordinária do Náutico. E terminamos com a adaptação de um central, Diogo, e Sidnei. Esses dois jogadores eram medianos, mas Zequinha, Aldemar e Edinho eram extraordinários. Zequinha que foi reserva na Copa de 62. No ataque, No ataque, Lanzoninho, Faustino, Rudimar e, Mituca e Jorginho. Também colocar uma coisa que mostra qual era a nossa participação na população do Recife. Considero isso importante para reflexão: em 1957, a população do Recife era de 500 mil habitantes, e, no estádio no dia da decisão, havia 35 mil e uma fração com ingressos pagos. Trinta e cinco mil e fração! Trinta e cinco mil espectadores na Ilha do Retiro para a decisão Santa Cruz x Sport, no primeiro supercampeonato. Só pagantes, afora os não-pagantes. Uma superlotação do estádio, quase 8% da população do Grande Recife! É um percentual muito grande! Fosse hoje é como se tivesse quase 200 mil pessoas no Arruda.
1 Comments:
Meus caros amigos, fico muito feliz com estas matérias reveladoras sobre a saga do nosso amado Santinha. Reitero minha opinião de que deveríamos - digo, deveríamos, pq me sinto parte deste blog, enfim, deveríamos iniciar a compilação do que de melhor saiu no blog para montarmos um livro. Livro este q, o próprio Santinha já merecia por sua rica história. Não é à toa que cantamos: "Sou Tricolor de coração, sou do time que é sempre campeão". sempre. Não importa o resultado ou para onde o troféu vai. Somos campeões de amor por este clube. Estou correndo atrás de patrocínio para este livro que, creio, será o primeiro que partirá da torcida, para a torcida. Não de um clube ou alguma pessoa, nem só de História, mas de histórias. abçs
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