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sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Memória em três cores

por Inácio França e Samarone Lima Fazia tempo que guardávamos com usura esse depoimento de Rodolfo Aguiar em nosso arquivos. Resistimos à tentação de publicá-los durante o campeonato brasileiro, pois não havia sentido colocar no ar um material tão precioso enquanto a bola estivesse rolando. Receávamos, com razão, que informações tão valiosas, de um homem tão honrado quanto apaixonado, passassem desapercebidas no vendaval de emoções da Segundona. Além disso, quando deixamos o escritório do ex-dirigente, no bairro da Boa Vista, em março desse ano, no início de uma tarde de muito sol e pouca brisa, tínhamos consciência de seria preciso muito carinho para editar a entrevista e transformá-la em texto. O mesmo carinho que Aguiar têm pelo Santa Cruz, evidente na sua fala, nos seu olhar e na sua memória. Originalmente, os textos teriam como destino o site do grupo de oposição Confraria Ninho da Cobra. Por falta de dinheiro e problemas técnicos de difícil compreensão para quem não é especialista em informática, a tal home-page passou poucos dias no ar e a entrevista permaneceu quase toda inédita. A partir de agora, publicaremos esse depoimento em formato de série. O primeiro trecho foi o único publicado no site. A partir de amanhã, só textos inéditos. Decidimos manter sua fala original, com o mínimo de edição. .................................................. O início de tudo e a primeira vez "Esse sentimento pelo Santa Cruz vem de muito longe... meu time de futebol de botão, em 1948, na minha terra natal, que é Nazaré da Mata, já era Santa Cruz. E era Teobaldo, Salvador e Pedrinho; Laerte, Pereira e Rubinho; Guaberinha, Araújo, Tara, Cidinho e Siduca. Era meu time de botão e era ao time do Santa Cruz. Na época, eu tinha 10 anos. Eu vim parar no Recife porque todas as minhas irmãs (tenho três irmãs mais velhas que eu) vieram estudar em Recife. Nazaré da Mata sempre teve muita tradição no ensino, mas para fazer o ginásio, era melhor o Recife. E todas as três foram encaminhadas para a capital. Nós éramos de uma família de classe média, apesar dos meus avós serem proprietários rurais, serem fazendeiros. Meu pai era funcionário público federal, dos Correios & Telégrafos. Eu acompanhava o Santa Cruz pelo rádio e minha paixão pelo Santa Cruz, veja bem... o Santa Cruz na década de 1950 era conhecido pejorativamente como Farrapo Humano, ou Time de Nêgo. E minha inclinação para os mais fracos me conduziu ao Santa Cruz, não foi outra coisa, foi isso mesmo. Eu vim morar no Recife em 1947, no ano em que completei 10 anos. Ficava aqui no Recife no período escolar, mas na época das férias tinha que ir para Nazaré. E lá eu me expandia no Futebol de Botão. Meus pais nunca se interessaram por futebol. Nessa época, o Santa foi bicampeão em 1946 e 1947. Em 1948, iria ser tricampeão, mas se retirou da Federação e não disputou o campeonato. Nessa época, eu ia aos jogos com a emoção de um garoto que se realizava. Ia sozinho, mas quando era menor ia junto de amigos mais velhos do que eu. O primeiro dia em que fui assistir a um jogo do Santa... O primeiro dia foi um jogo em que o Santa perdeu de 2 a 1 para o Sport, na Ilha do Retiro. Fui uma frustração grande, mas foi uma frustração que me deu mais convicção. Muito mais convicção! Foi em 1948. Lembro que fui com um amigo que morava próximo e era tricolor, o Otávio. Era mais velho do que eu e era bem responsável. A emoção foi grande, mas eu ainda era muito pequeno para ter a mesma emoção que vivi depois, aos 12, 13 anos. Como, por exemplo, em 1953, num jogo contra o Sport nos Aflitos, quando o Santa passou 45 minutos do primeiro tempo martelando e não conseguiu nada. Depois ficou até os 43 minutos do segundo tempo, ben...ben...ben..., martelando e conseguiu furar. Aí vem o Sport e marca um gol de falta. Depois, um lançamento na área e marca outro gol. Em dois minutos! Ou num jogo de 1955, quando jogávamos já sem muita responsabilidade porque não havia como ganhar o turno, contra o Sport também nos Aflitos, e vencemos por 3 a 0, com Vassil, um meia que o Santa Cruz trouxe de Maceió. Depois desse jogo, minha família passou a morar razoavelmente próximo do Arruda, numa rua chamada José de Vasconcelos, na Tamarineira. Eu ia a pé, fugia de casa, fazia de tudo para ver o Santa jogar, mesmo com a proibição de minha mãe. Eu era garoto... tinha 15, 16 anos de idade, e acompanhava tudo no clube. Tudo! Não perdia treino, saía daqui pro Cabo para ver o time treinando no campo do Destilaria.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Não vejo a hora de ler o resto do relato

12/16/2005 05:42:00 PM  

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