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domingo, 21 de agosto de 2005

7 a 1 + 4 a 1 = 11 a 2

por Inácio França Já faz algum tempo que professo a tese de que todo mundo deseja, ri, festeja ou fica aliviado com a desgraça alheia, mas só no futebol é possível admitir isso sem correr o risco de inviabilizar o convívio em sociedade. Por conta dessa tendência, que segundo minha tese é universal, sinto um certo prazer com as algumas tragédias que se abatem sobre terceiros. Quando a tragédia atinge os adeptos da coisa, o prazer vira regozijo. Sempre tive vontade ver as caras dos rubro-negros quando o time deles leva um gol do Santinha, principalmente lá na Ilha. Quando digo “ver as caras”, me refiro ao semblante de dor e sofrimento de cada um deles e não à multidão silenciosa, sem identidade, que a gente vê do lado oposto das arquibancadas. Disposto a testemunhar a decepção desses elementos, saí de casa no sábado à tarde para assistir ao jogo da coisa contra o Marília num barzinho com aparelho de tevê. Para mim, seria uma experiência inédita. A escolha do local não poderia ser mais acertada: o bar, em pleno bairro da Jaqueira - o de maior renda per capita do Recife -, estava infestado de jovens endinheirados vestidos de vermelho e preto. Se esse pessoal já é arrogante por natureza, imaginem então com uma gorda mesada no bolso. Alguns das camisas tinha o número 100 às costas, uma alusão óbvia ao centenário. Esse detalhe me deu a convicção de que a tarde seria muito divertida. Só não imaginava quanto. O público que seria objeto de observação estava curiosamente empolgado. Me pareceu que eles ainda viviam no final dos anos 1990, se comportavam como se o time deles fosse favorito diante um grande time do Sul. Aliás, essa turma ainda não percebeu que o tempo passou e as coisas mudaram. Mas no intervalo do jogo, alguns deles bocejavam, talvez se acordando de um sono de meia década. Não me recordo de ter visto a coisa passar da linha intermediária nos primeiros 10 minutos do segundo tempo. Pode ser que isso tenha acontecido em alguns dos breves instantes que me voltei para encher meu copo. Por mais interessante que fosse vê-los acuados na deefsa, bom mesmo foi o primeiro gol do Marília. Tive a ilusão de que a lambança do zagueiro rubro-negro (um tal de Ramalho, me informou um amigo rubro-negro que teve o azar de sentar ao meu lado) provocaria uma debandada do bar, o que me deixaria inconsolável. Mas, para minha surpresa, todos se levantaram para agredir e expulsar um gordinho inofensivo que gritou gooool no momento do gol. Ora, estranho seria se ele gritasse goool se a bola tivesse passado uns três metros acima da barra, como fizeram alguns deles em duas cabeçadas bizarras, ainda no primeiro tempo. Enquanto o gordinho era expulso a garrafadas do bar (realmente, as elites econômicas são intolerantes e apreciam uma baixaria), os rubro-negros gritavam o “Casa-casá”. Foi uma emocionante demonstração de amor ao clube, fiquei impressionado. Pena que a cena não se repetiu nos outros três gols dos paulistas. Aliás, lamento não ter condições de descrever com fidelidade a fisionomia dos adeptos da Coisa durante a definição da goleada. Acho que não tenho dotes literários para tanto. O que posso dizer é que alguns deles, principalmente os mais jovens, pareciam ter se engasgado com alguma coisa grande, provavelmente caroços de prepotência. Outros esbugalharam os olhos, como se tivessem visto o próprio capeta. Ou será que foi a terceira divisão no horizonte? A comemoração da goleada se prolongou noite adentro, mas o melhor ainda estava por vir. A caminho de casa, às quatro da madrugada, fui testemunha de uma bela cena, de uma beleza que só a madrugada é capaz de proporcionar: debaixo duma chuva fina, um torcedor, de vermelho e preto com a inscrição Hexal em amarelo na camisa, empurrava uma bicicleta com a corrente quebrada. Sem nenhuma misericórdia no coração, acompanhava o esforço do pobre coitado, quando escutei uma voz que saiu do nada. “Para rubro-negro, todo castigo é pouco”. Era o guarda da turma do apito, rindo com a desgraça alheia.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Companheiro, só um verdadeiro jornalista para se submeter a tamanha "tortura" - ficar junto de tantos coisas, para nos deliciar com seu texto de um humor ácido - para eles, e sadio para nós. sou tão tarado pelo santinha, quanto por desportos, e já tive a oportunidade de assistir a alguns jogos das cadeiras da ilha. realmente, precisaríamos ser saramago ou gabriel garcia marques, para descrever a cara dos leões sem dentes, quando levam uma surra. êpa! lembrei-me de uma coisa, como suassuna descreveria esta temporada?
depois de darem adeus à segundona, vão ficar nos secando os arrogantes.
há, há, há, n adianta nos secar! tô nem aí, o santinha vai subir!

8/23/2005 03:59:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

E tem "nêgo" que ficou puto por quê só foi de 4 .

8/24/2005 02:37:00 PM  

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