Memória de algum prazo
Por Chiló, sanfoneiro da Torcida Organizada Musical Sanfona Coral e psicólogo
Foi só sentar para assistir ao telejornal local que meu pai apareceu com uma cópia impressa de um e-mail que alguém tinha lhe enviado, era mais um desses e-mails sobre esses episódios do cenário político brasileiro que estamos acompanhando diariamente pela TV. Com o papel na mão, bradou “povo sem memória é o nosso...”
Lamento, meu pai, mas há muitos anos venho escutando os persistentes argumentos e as duradouras recordações de uma certa torcida, que tem como endereço a Casa da Barbie, a respeito dos seus seis títulos conquistados em série há mais de três décadas. Tantos campeonatos conquistados assim, um atrás do outro, realmente merecem tanta importância, principalmente porque representa 30% do total de títulos já conquistados por essa agremiação.
Tragicômico é que esses moços, pobres moços, não percebem que a menina-dos-seus-olhos é também a cruz que os impossibilitam de dar um salto qualitativo no cenário nacional.
Mas outros fatos e situações contradizem aquele desabafo do meu pai.
No dia do jogo que vencemos (já tá ficando chato) o Vitória, durante a resenha com os amigos líderes, escutei uma frase significativa de um outro amigo (não posso chamá-lo de outro jeito) adepto da coisa e que teve a petulância de sentar em nossa mesa. Apesar de evitarmos falar de futebol por uma questão, vamos dizer assim, ética, ele saiu-se com essa: “já ouviram falar em libertadores da América, de América para os íntimos...”.
Lamento meu pai, lamento mesmo, mas o povo brasileiro, mais especificamente o pernambucano, tem memória, está preso ao passado. Não sei se chamo isso de memória de longo ou curto prazo, fica a critério dos psicólogos. E, como dizem alguns deles, são realmente essas vivências de antigamente que norteiam a vida de algumas pessoas. Fazer o quê, né...
1 Comments:
Não sabia que a coisa tinha ganhado a Libertadores "de" America... É que nem o Brasileiro é? Quando foi? Ah sim! Papai noel, coelhinho da páscoa... Aquela história, sei, sei...
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