Eternos dribles
Os organizadores do blog do Santinha irão dar preferência a textos assinados pelos nomes verdadeiros dos seus autores. Só publicaremos crônicas ou comentários daqueles que, por motivos profissionais, precisem manter o sigilo de suas identidades, como é o caso de Nunes, autor que estréia hoje em nosso Blog.
Não sei exatamente os dias, meses, turnos ou equivalentes. Só vou me preocupar em relatar um dos momentos mais sublimes do futebol pernambucano. Quem quiser checar as informações aqui citadas, que vá no arquivo público. Dou apenas uma dica: anos de 1987 ou 1988. E problema de quem duvidar. Sorte minha e de quem presenciou a saraivada de dribles que por diversas um ponteirinho-direito aplicou tão bem aplicados num lateralzinho-esquerdo (ao contrário do primeiro caso, este diminutivo expressa apenas a situação penosa, daquelas que daria dó se o elemento não vestisse uma certa camisa). Sim, peço perdão no mesmo momento que aviso: as divagações serão constantes num relato como este.
Bom, era um tal de vira-pra-cá, puxa-pra-acolá, que resultava numa angustiante mexidas de cadeira de Luizinho, camisa 6 do Sport, muitas vezes caído com os quartos no chão, pernas viras para riba e os olhos procurando o endiabrado Marlon. Ir para um Sport x Santa no chiqueiro era algo glorioso quando se sabia que na escalação haviam dois nomes. As poucas bilheterias, a entrada apertada, a arquibancada acanhada de campo de interior e poças de mijo eram esquecidas sem o menor problema. Era um massacre! Algo que deveria ser impedido pelas autoridades. Mas o que Marlon fazia diante de um rubro-negro (não tenho nada contra Luizinho, nem Marlon tinha. O rapaz até que evoluiu vestindo a camisa coral anos depois) era permissível e valeu pra mim mais do que centenas de gols.
Ninguém, mais ninguém mesmo, expôs tão claramente a relação entre o Santa Cruz e o Sport que Marlon. E Luizinho, no fundo, sabia disso, por mais que sofresse com aquela agonia, semelhante a uma muriçoca de brasa entrando pelo ouvido de um cidadão. Por mais que batesse, quando conseguia acerta o nosso ponteiro, ele tinha consciência de que fazia parte da história.
Quando o Sport resolveu trocar o lateral, o revés foi pior. Num tenho a menor idéia do nome do elemento, mas certa vez entrou um novato com a camisa 6. Acho que por sacanagem, Luizinho não contou o que haveria de acontecer com o novo companheiro. Bastaram alguns minutos para o pobre desmoronar diversas vezes no campo, receber o cartão vermelho e ser dispensado pela diretoria do Sport nos vestiários. Aí, Luizinho voltou e tudo seguiu normal. Se alguma televisão editasse as imagens dos dribles de Marlon sobre os marcadores rubro-negros, elas bem que poderiam ser mostradas paralelamente às de Garrincha (embora o repertório de Mané deixe um pouco a desejar).
Lamento que o clube e a torcida não reverenciem os seus deuses. Não deixou de ser emocionante ver a torcida do São Paulo levar faixas para o Morumbi exaltando Telê como “eterno”. Todo ídolo é eterno e o garotinho Marlon, hoje empresário, bem que merecia uma estátua no Colosso, aplicando um drible no lateralzinho do Sport.
Até a próxima!
(por Nunes)
1 Comments:
Marlon, Fumanchu, Nunes, Ramon, Tará, Detinho, Mituca, Paraíba, Birigüi, Luís Neto, Marco Antônio, Django, Gabriel "O Louco", Luciano, Givanildo - Graças à Deus ainda está conosco. tantos são os nomes de jogadores q, mesmo sem tanta técnica, não nos saem da lembrança. Me vem a lembrança de um menino que fui e que, quando o assunto é futebol, quero continuar sendo, para me lembrar sempre como poesias, dos golos, das arrancadas, dos dribles, das defesas destes deuses tricolores q, se não foram agraciados com estátuas pelas diretorias do arruda, pelo menos vivem a brilhar em nossas mentes. Valeu a recordação.
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