por Inácio França
No início dessa década tentaram acabar com os campeonatos estaduais. Não lembro se foi em 2001 ou 2002, mas tenho certeza que os cartolas baianos, algum executivo bem remunerado da Rede Globo e os profissionais da mídia com vocação para boneco de ventríloquo, defenderam e profetizaram a extinção dos campeonatos estaduais.
Os argumentos eram os mesmos, repetido pelos personagens acima citados: os estaduais eram deficitários, os times arcavam com os prejuízos... e assim seguia a ladainha. Não pretendo discutir ou rebater esses argumentos, mas, salvo engano, ninguém falava de afastar e punir os dirigentes, como se déficit e prejuízo fossem obra do divino-espírito-santo ou um fenômeno natural.
Felizmente, os campeonatos estaduais sobreviveram. Para o bem do esporte, pois me arrisco a dizer que esses torneios são uma das causas da intensa, contínua e, pelo jeito, inesgotável capacidade de renovação de talentos do futebol brasileiro.
Sei que não dá para esquecer os fatores sociais e culturais, mas não dá para subestimar uma estrutura que, ao longo de meses, mobiliza, duas vezes por semana, pelo menos uns 200 clubes e milhares de atletas.
Em qual outro país isso se repete? Alguém já ouviu falar, por exemplo, dos campeonatos provinciais da Galícia e da Andaluzia? Ou do campeonato estadual da Patagônia? E da copa regional do Piemonte, na Itália? Ou da Baviera, na Alemanha?
Os estaduais revelam técnicos (só um exemplo: Muricy Ramalho, bicampeão pernambucano pelo Bangu local), que aproveitam para lançar jovens promessas (lembro de Rivaldo no Mogi-Mirim, no Paulistão de 1992, e de Fred, no Cruzeiro vice mineiro de 2005) ou consolidam talentos em formação (Juninho Pernambucano, na coisa em meados dos anos 1990, ou Rogério Ceni, no São Paulo da mesma época).
Quando o campeonato brasileiro foi criado, o Brasil já era tricampeão mundial.
Foi o Expresso da Vitória, o Vasco, sei lá quantas vezes campeão carioca na década de 1940, que serviu de base para a seleção de 1950. Foram o Santos, todo-poderoso paulista, e o Botafogo, hegemônico no Rio, que municiaram as seleções de 1958 e 1962. Para quem não sabe, o Torneio Rio-São Paulo, era curto, durava pouco tempo, e movimentava poucos clubes - no máximo 10, se não me falha a memória.
As rivalidades que arrastam multidões aos estados são alimentadas nas disputas locais, afinal se a fogueira de clássico regional está alta no campeonato brasileiro é porque o fogo foi ateado ao longo da história, em confrontos “provincianos”.
Aliás, por falar nisso, não fosse o campeonato pernambucano, esse ano o bangu (ou barbie, para quem gosta de judiar de bonecas) e a coisa não teriam a oportunidade enfrentar o Mais Querido.
Por isso, quando o Santinha entrar em campo no próximo domingo, não estará voltando a disputar um torneio de menor importância, mas algo que faz o futebol brasileiro ser o melhor do mundo.
Para quem não sabe, os ingressos para os quatro jogos do Santa no Arruda podem ser comprados num pacote de R$ 25,00 (acima).
12 Comments:
Atenção cães-de-guarda: no campeonato estadual todo cuidado é pouco!
Ah, uma enquete rápida: como vamos chamar o time da Rosa e Silva? de bangu pernambucano ou de barbie mesmo?
É verdade que no jogo de estréia contra a barbie, o Central vai entrar com 7 jogadores?
Gente amiga,
Enfim, chegou 2006 para podermos matar a saudade do Santinha. Agora, peço cuidado a todos pelo salto alto. Tivemos muitas baixas. Algumas q eram essenciais para o time (o paredão kléber e Osmar, p. ex.) outras nem tanto (Leonardo, Andrade, Reinaldo, etc).
O Estadual é uma delícia, movimenta a economia de pequenas e médias cidades pernambucanas, incentiva rivalidades regionais, mas, ouso dizer o óbvio: não são a mesma coisa do Brasileirão. Como este não é a Libertadores da América. Cada um com seu qual, devemos nos preparar este ano para fazer uma boa campanha na série A.
Convoco a todos os leitores do blog a apoiarem o time este ano. Para os q nao confiam na diretoria, pelo menos se associem e paguem as mensalidades para podermos tira-los do poder no final do ano...
Em relação à enquete. Como chamaremos o clube rosa e silva?
Muita sacanagem com o Bangu, meu velho. Um clube de história, de macho, de bicheiro, de contraventor...
barbie é barbie! é ou não é?
J.
Inácio/Samarone,
Aconselho vocês a deixarem de lado, o dia 26.11.l2005, aquele sábado de trevas para o Clube de Máscaras de Rosa e Silva, pois tem muito doido naquela agremiação.
Para o Luiz Oliveira, apesar de concordar com a necessidade do torcedor se associar ao Santa, discordo totalmente quanto a algumas baixas (vão em paz) citadas: Andrade (pé torto), Leonardo Caninha e Reinaldo, o qual Eu poderia abater a tiros fácil fácil. Quanto ao "J", este sabe das coisas. Barbie é barbie!
Lembrem-se:
Mais vale uma abelha voando do que duas na mão...
SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!
Amigos do blog, pergunto: nos dia de hoje, quaís são as vantagens de ser sócio do santinha?
- Para assistir os jogos das sociais? R- não, porque entra gato e cachorro sem comprovar que é ou um dia foi sócio.
- Para ter acesso a área social do clube? R- não, que área social? o parque aquático, os bares, as festas, tudo uma verdadeira M****.
-Para pagar R$ 28,00 para os 4 primeiros jogos do pernambucano enquanto o pacote para quem não é sócio paga R$ 25,00. R- Claro que eu vou comprar meu ingresso de sócio em cada dia de jogo.
- Para ter direito a voto? R- não, se tivermos 3 mil sócios aptos para votar, a gang "arruma" o batalhão composto de mulheres que nem sabem onde fica a sede do clube, inclusive tiram pessoas de dentro das ingrejas (como na eleição passada) só para votar e receber 15 conto (como diz zé deves)e sair rindo da gente.
Fica aí meu desabafo.
Saudações Tricolores acima de tudo.
Tri-super
é barbie. e domingo começa a arrancada pro hexa tricolor, para acabar com essa putaria das bonecas aflitas.
santa 2 a 1,
coisa empata,
e a barbie perde.
Pra dormir amanhã escutando a canção natalina...
Noite Feliz
Noite Feliz
Tricolor vencedor
Pobrezinho e feliz também
Com o Santinha não tem pra ninguém
Corre pro Bi, Santa Cruz
O Bi é teu, Santa Cruz
Como vocês mesmo já denominaram aqui, voto pelo nome de ASSOCIAÇÃO RECREATIVA BONECA BARBIE, que, dizem, vai transferiri sua sede dos Aflitos para AFOGADOS. Domingo é dia de cerveja ou caninha com carne de bode no mercado da Boa Vista, pra manter a tradição.
Inácio, concordo com tudo o que vc disse em ralação aos estaduais, mas aquele campeonato do nordeste organizago e lucrrativo não deveria ter acabado nunca.
Vida longa aos estaduais. Somente a imbecilidade reinante no país (há muito e em todas as áreas) queriam "copiar" o fim dos estaduais - já que eles não existem na Europa (pelo menos nos principais países). DETALHE: quando se quer copiar algo do judô, procura-se o Japão. Do basquete? EUA. Só aqui, CINCO COPAS DO MUNDO E O MELHOR FUTEBOL, é que saimos à procura de copiar modelos que não dão certo.
- Por isso, sou contra o campeonato de pontos corridos, até porque o Brasil, continental, tem de ter mais times nas 1ª e 2ª Divisões.
- Temos de reconhecer: Bode Rouco da FPF, seja por interesse próprio ou não, foi um dos que mais lutou pela continuidade do Pernambucano
- Nada impede que volte a Copa Nordeste. Para mim o que não existe é um Brasileirão de 8 meses.
O Santa Cruz é minha pátria!
Coronel Peçonha
Acabar com os estaduais? Só poderia ser idéia de cartola baino, lá não tem time, pelo menos nas duas principais divisões do futebol nacional. E ainda dizem que são melhores que agente, só sendo baiano mesmo pra pensar uma insanidade dessas!!!almirmisterius@ig.com.br
O Nordestão era muito legal, alimentava as rivalidades entre os estados e revelava novos talentos, qual é a probabilidade de voltar?
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