Sobre mugangas e superstições
Por Samarone Lima
Amigos corais, ninguém que conheço é um supersticioso declarado, mas em 2005, o Santa Cruz chegou à Primeira Divisão por dois motivos: o futebol apresentado dentro de campo, e um exército de mungangueiros, catimbeiros, uma multidão de simpatias que deixou todos os orixás, guias, santos e protetores ligadíssimos nos atletas. Alguém duvida que a defesa de Cléber, aos 44 do segundo tempo, teve a presença dos deuses?
Na minha breve enquete, sobrou doido para contar peripécias. Chiló, o sanfoneiro que comanda a lendária Sanfona Coral, sempre ia ao estádio com um "anel coral", uma bijouteria finíssima, comprada a R$ 1,99 ali na rua do Bom Jesus. O ritual, para dar sorte, incluía a mesma roupa: um sapato sem meia, bermuda cáqui e a camisa que ganhou da amada.
A munganga começou dia 18 de junho, data da estréia da Sanfona e, como deu sorte, ficou sendo assim até o último jogo. O detalhe: antes de começar a tocar, dentro do estádio, Chiló tirava a singela peça do dedo mindinho, e a guardava no bolso. A única vez em que esqueceu o anel, foi no jogo contra a Lusa, no Canindé. "Deu no que deu, né?", comenta o sanfoneiro. Então está explicado o motivo da derrota de 4 x 1 para a Lusa, no Canindé. A culpa foi do anel de Chiló.
Outra munganga do sanfoneiro é gostar de assistir o segundo tempo do lado da defesa. "Eu tiro bola, dou empurrão em jogador, dou bicuda para a arquibancadas. Sou mais um jogador de defesa do que de ataque", explica.
Com o ataque, ele não precisa se preocupar mesmo, porque está o João "Magro" Valadares, que só vai ao estádio de bermuda verde, "uma sandália velha" e a mesma camisa. Na mão, a camisa da decisão contra o Náutico, em 1995. "Quando o time está perdendo, vou para o lado do ataque, fazer o gol", diz o magro. Então, tricolozada, relaxemos. Tem Chiló na zaga e Valadares no ataque.
João tem outras mungangas. Jamais vai ao banheiro, "para a zaga não ficar desguarnecida". Num jogo contra o Avaí, o Santa ganhava de 1 x 0 e João resolveu dar uma mijadinha básica. Gol do Avaí. "Culpa minha", reconhece João.
Seguir o mesmo roteiro também faz parte da turma da munganga. João acordava às 9h, passava no boteco de Seu Vital, no Poço, "tomava duas quentes", passava na casa de João Henrique e depois, Arrudão.
A camisa, quase um pênalti
A camisa utilizada pelos milhares de corais, a cada jornada da Segundona, passava por critérios os mais malucos, mas todos garantem que funcionou (tanto é que o time subiu). "Há um vínculo cósmico nessas coisas", lembra Inácio França, editor do Blog do Santinha. Para ele, camisa só pode ir ao estádio depois de "muito suor". Antes de entrar no Arrudão, é fundamental usá-la no trabalho, no passeio, ir para um jogo menos importante, até se tornar "a" camisa.
Inácio inclusive faz a penitência pública. É dele a culpa pelo empate com o Grêmio de Regatas, no Arrudão (Reinaldo pode respirar aliviado). No dia do jogo, ele comprou duas camisas oficiais, novinhas, uma para ele, outra para o filho Pedro. "Deu no que deu", conclui, fazendo coro com Chiló.
Para o último jogo, Inácio se recompôs. Usou a camisa que utilizara em 1999, no Goiás x Santa, quando o time subiu. "É uma camisa com experiência em reta final de Segundona", explica o jornalista. Após a vitória, ele tomou uma decisão solene: vai tombar a camisa no seu patrimônio, guardá-la num saquinho. "Só voltarei a usá-la em alguma ocasião de urgência total", diz.
Temendo o pior, sanfoneiro Chiló não teve dúvida. Recebeu a camisa novinha da Sanfona Coral na reta final do quadrangular, e para não dar mole ao azar, passou a usar as duas camisas, a mais velha por debaixo. Ficou um calor infernal, mas ele não reclama:
"Tudo vale a pena, quando o time não é pequeno".
O zabumbeiro Gerrá levava duas zabumbas para o pré-jogo. Tocava com uma nova, mas era a velhinha, surrada de muitos forrós, que o acompanhava aos estádios. "Foi assim desde o começo, tinha que continuar", explica. A camisa nova Gerrá não usou, apesar dos protestos do sanfoneiro. "Tive medo de dar azar. O importante é o tricolor", disse ele, sem se preocupar com a reclamação do patrocinador.
Fuga do estádio
O caso mais dramático aconteceu com o procurador Paulo Araújo. Ele decidiu sair do estádio, logo após o gol da Lusa. Contou a Inácio França que sentiu estar dando azar. O jogo rolando, e ele na churrascaria Colosso. Veio o gol de empate, os garçons se abraçaram e disseram que ele já poderia voltar. Paulo Araújo preferiu não vacilar. "Estou dando azar", confessou.
Ele ficou o jogo inteiro fora do Arruda, só retornando após o apito do juiz. Sabia que se retornasse, o empate da Lusa estaria a caminho. Resultado: Santa na Primeirona.
Um santo, um sujeito desse. Merece uma estátua no Arruda, ao lado da de Givanildo.
Até logo, mulé...
Se o assunto é munganga, de Brasília Laércio Portela manda avisar que tá dentro e contou uma coisa que, à primeira vista, pode parecer exagero, mas foi (segundo ele) decisiva para a vitória no último jogo da série B. Trata-se de uma decisão difícil que ele tomou na intimidade do lar.
Ele teve de negociar com a própria mulher, Juliana, para que ela não ficasse em casa na hora do jogo. É que o retrospecto da moça não é lá essa coisa toda (ela inclusive diz que é rubro-negra, mas Laércio prefere se iludir e afirma que "é só por dizer e tem lá sua simpatia pelas três cores"). Pois bem, depois de muito relutar e alguma dificuldade de marcar um programa xcom as amigas durante o jogo), Juliana acabou aceitando e saindo de casa. O gesto, grandioso, deixou Laércio relativamente mais tranqüilo e em condições de assistir ao jogo.
10 Comments:
Não acredito nessas superstições. É uma fraqueza do homem, que não deveria se deixar levar pelo imponderável. Contudo, por via das dúvidas, sempre que tem um jogo muito importante, compro uma camisa nova e faço a estréia nesta partida. Não é à toa que tenho uma gama de camisas corais. Só não deu certo uma vez. Comprei uma camisa branca, de Aílton (9), para a partida contra o Flamengo. Perdemos por 1x0. Foi só. Todas as outras camisas estreadas foram vitórias garantidas. Ah, descobri o porque da camisa do Aílton não ter dado certo: comprei de um vendedor rubro-negro que elogiou o Santinha ( credo!). kkkkkk
Eu sabia q superstição ia chegar aqui no blogdosantinha!!
Eu tinha 11 anos qndo o Santa foi campeão nakela virada historica em 1993,pois bem eu estava nas sociais(mais ou menos onde tem escrito o nome multidões),e qndo teve a falta q Paulo Leme bateu meu pai disse:"Filha o nautico vai fazer um gol",o q eu fiz??Uma promessa na mesma hora,fechei os olhos e me concentrei-Se o Naútico fizer esse gol meu Deus,eu juro q fico de joelhos e de costas pra o jogo na hora da prorrogação"!E nem vi o gol,só ouvia a torcida da barbie vibrando e já gritando é Campeão!Ai veio o segundo tempo,e eu esperando o milagre,e naum vinha,até q Deus resolveu escutar as preces de uma criança q sonhava com o grito de campeão há quase dois anos(é tb estava na final de 90 contra a coisa),bom qndo o santa fez o segundo gol,eu nem esperei o apito final,fikei de costas pra o campo e de joelhos(detalhe usava bermuda e as sociais do arruda é em concreto o q friu os meus joelhos),mas todo sacrificio pro Santa vale,só lembro q no final um monte de velhinhos me abraçava e agradecia pq tinha feito akilo e dizia q foi minha promessa q ajudou ao Santa!!Foi demais akela noite,até meu pai acendeu uma tuia de velas no predio q quase incendiou a casa,mas tudo bem,o q vale é ver a alegria do povo,mesmo q seja atraves dessas mandingas!
Amigos Tricolores,
Odeio essa história de superstição mas, confesso que também jogo na zaga, mesma posição do Lendário Sanfoneiro/Gurú Chiló e sou daqueles zagueiros de usina. Dessa forma, fica impossível pra mim, pelo menos enquanto a pelota tá rolando, sequer pensar em banheiro e se o Santa toma gol, tenham certeza, o motivo foi no mínimo que algum fela da puta me desconcentrou, perguntou alguma coisa, sei lá. Eu fico muito puto e como não me dou bem no ataque fico na desvantagem. Bem, acho que que já é hora de deixarmos de bobagem mas, por via da dúvidas, guardemos nossos amulêtos.
SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!
Samarone: quero corrigir duas informações. (1) Quando saí aos 35 minutos do 1º tempo (para só voltar no final da partida) eu não fui para o Colosso, mas para o bar das sociais - que efetivamente fechou no segundo tempo, para o pessoal ir para a torcida. (2) Eu não acredito em superstição. TENHO CERTEZA que o Santa Cruz só virou porque eu estava dando azar! Ficou científica e empiricamente. E você ainda quer dizer que é superstição minha? Saudações Corais.
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Vocês precisam conhecer um sujeito chamado Artur Perrusi, que inclisive colabora com o meu blog, ele é o famoso Ateu Moderno, aquele que acredita em todas as supertições relacionadas ao santa cruz. em um dos textos, logo o referente ao jogo contra a lusa, no canindé, ele assume a culpa. No dia do jogo um menino do mst lhe pediu uma ajuda e ele deu um boné do santa. o garoto era do sport...
certa vez, na final de 2001, quando estávamos saindo de joão Pessoa para recife, um timbú parou na frente do carro e sorriu para nós, quase voltamos na mesma hora. ali descobrimos que o título não viria...
confesso que até não acreditava muito nisso, mas depois da convivência com o profesor Artur, tenho certeza que tudo isso existe...em um dos meus textos, o último antes do grande jogo decisivo, eu narrei a minha epopéia mística, só para mandar os deuses às favas...
Saudações Tricolores
agora fiquei sabendo pq joão valadares desapareceu durante o uma parte do jogo. exatamente na hora da virada, ele saiu de perto da gente. deve ter ido lá pro ataque.
só prá ilustrar mais, eu sempre toquei com a mesma baqueta e colocava a zabumba no mesmo local do carro(banco traseiro do lado esquerdo).
p.s.: analista, manda o endereço para a gente enviar as camisas.
Descobri que todas as vezes que fui ver o santa jogar, ou ele ganhou ou empatou, nunca perdeu. O problema é que fui ao jogo do santa com o náutico... Mas, pelo menos, meu amor tricolor ficou feliz!
Engraçada essa colocação do Sama... num é q tem isso mesmo... putz, na maioria dos sabados q o santinha jogou eu tive q trabalhar até 1/2 dia antes de ir pro jogo... todo tricolor q se preza gosta de esbanjar a linda camisa tricolor e por algumas vezes já saia de casa vestindo o manto sagrado... só q toda vez q eu fazia isso o santa perdia... depois de umas duas lapadas... percebi o problema... entao eu saia sempre com a camisa guardada dentro do carro... só vestia depois de largar do trabalho... assim era certo... empate ou vitória... :-D Todos na confraternização!!!! Dá-lhe Santa - Alberto (alberto_jas@hotmail.com)
Peraí rapá!!! É muito doido junto!!!
SAUDAÇÕES TRICOLORES
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