
Desde que o Santa foi vice-campeão brasileiro, a redação do
blog do Santinha recebeu inúmeros textos enviados pelos leitores. Dá até a impressão que o apito final despertou a ânsia de escrever nos tricolores: o jogo acabou e milhares de escritores saíram do estádio direto para a tela do computador.
Como o blog tem limites gráficos e de espaço, vamos selecionar os melhores trechos das crônicas, artigos e desabafos enviados e publicá-los em blocos de até dois autores. Começamos com
Luciana Teixeira,
a moça coral, jornalista que mora em São Paulo, e
Luís Fernando Oliveira, servidor público federal
.
Por Luciana Teixeira
"Em poucos momentos pensei em jogar tudo para cima e voltar para Recife. Sexta-feira foi um desses dias que a saudade doía tanto que quis voltar. Desesperada, procurei saber quanto custaria ver a revanche do Santinha. Desliguei o computador ainda mais frustrada: R$ 2 mil. Por mais que não tenha preço ver o
Mais Querido subir para a primeira divisão, não tinha como pagar".
"...Acordei ansiosa. Era o dia. Uma dúvida tremenda: assisto ou não? Achei melhor não arriscar. Tinha uma viagem marcada às 16h30. Exatamente o horário do jogo. Não desmarquei. Resolvi deixar rolar... vai ver que realmente não era para eu ver o Santinha ganhar. Deixa para o próximo ano. No ônibus, a cada dois minutos um telefonema: e aí ? ...
"Medo. O Santinha estava perdendo. Concentração total. Fechei os olhos e comecei a pedir pelo Santinha. Alegria. O Mais Querido estava na frente, 2X1. O tempo parecia que não passava... até que o telefone tocou e escutei: Santinha é 1ª divisão! Não resisti. Dei um grito: é primeira divisão! Abracei quem estava sentado ao meu lado; gritei mais uma vez; vontade de descer e sair avisando a todo mundo: O meu, o nosso time está na primeirona!De repente, uma voz: 'fala baixo, porra!' Gritei: meu time é primeira divisão!"
Luciana está nessa foto à esquerda, junto da Sanfona Coral, dentro de um vagão de metrô em São Paulo. Ela está de preto, segurando na barra de alumínio e com um balangandã na outra mão.
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por Luís Fernando Oliveira
"Perto do meio-dia, iniciei meu ritual de todo jogo, desde que voltei a morar em Recife. Desci para o Pátio de Santa Cruz – e foi bom presságio escutar o gari cantarolando o hino tricolor quando limpava as ruas. Parei em frente à Igreja, no mesmo lugar onde certos rapazes jogavam bola e decidiram montar um time. Foi aí que eu, que não sou católico, rezei. Eu, que acredito que as coisas d'Ele não são desse mundo, pedi por um resultado justo. Eu, que não bebo, pedi uma branquinha no bar Santa Cruz. E eu, que não estava com fome, comprei um pão doce na padaria Santa Cruz."
"...logo em seguida, passou por mim a kombi da Sanfona Coral. Reconheci a cabeleira de Samarone e gritei seu nome. E não é que acabei tendo a felicidade de uma carona? Foi inesquecível ver todo o pessoal de quem conheço só da leitura diária do blog. E ainda descolei uns apitos para distribuir".
"... não é preciso falar do jogo. Digo apenas que depois do segundo gol, não consegui conter as lágrimas e chorei como menino. Todas minhas memórias afetivas ligadas ao futebol surgiram na minha cabeça. Desde quando criança, no meio de uma classe com mais de 60 alunos, era o único a torcer pelo Santinha (eu, quem diria, estudava num antro da burguesia recifense). Somente no último ano que lá estudei, fui ter um companheiro de cores. Seu nome? José do Rêgo Maciel Neto. Isso mesmo, o neto do homi, nome do Estádio".
"... lembrei do meu pai, que nunca me levou a um estádio (diz que deixou de torcer depois que o Santa levou aquela trágica lapada do Bahia na Fonte Nova, no mesmo ano em que seu pai – meu avô – morreu do coração). Mas quando eu comecei a ir para o Arruda sozinho, ele me levava de carro até a Av. Beberibe e depois eu voltava a pé, economizando a grana do táxi.
"...lembrei da quinta-feira anterior, quando estive nas Repúblicas Independentes do Arruda, a fim de pagar minha mensalidade e pegar meu ingresso. Na sala reservada aos conselheiros, passou por mim Carlinhos Bala. Estava o ídolo sentado, quando alguém disse "Mas Carlinhos, tu é feio mesmo!". Ele, de pronto, rebate "Feia é tua irmã!", como quem diz, acreditando em si mesmo, 'eu sou bonito'".
Por exclusão óbvia, Luís é o da outra foto.
2 Comments:
Valeu, baixildo! Show de bola! Só a paixão por essas três cores pode explicar a emoção que sentimos. Nada igual, é "felomenal" como diria aqueloutro!
Não é à toa que o chamamos de o "Mais Querido", título esse que nenhum outro time alcançará, porque esse, contraditoriamente, não se ganha dentro das quatro linhas, e sim fora delas, pois só essa multidão tricolor é capaz de expressar tamanho amor, tamanha paixão, em forma de pura poesia, por esse pendão ao qual nos reportamos, carinhosamente, "O Santinha".
Um grande abraço, meu velho!
Grande Simba, meu amigo, ainda me lembro da época em que trabalhamos juntos, no mesmo ano em q o Santinha subiu na raça, em 99. É uma satisfação saber q compartilhamos mais esta alegria. Abração amigo velho!
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