No meio do campeonato, o afastamento
por Samarone Lima (texto) e Inácio França (edição)
Depois da conquista do Estadual, o Santinha começou a jornada na Segundona. Se o clube ia bem nas quatro linhas, fora delas as coisas começaram a mudar. Rosemberg Rafael, que tinha passado pela agonia de 35 dias em coma, por causa de uma meningite, finalmente recebeu alta. Voltou a ir ao Santa, mas já não tinha o mesmo ânimo de continuar no Mais Querido. A questão da saúde pesou, mas ele já não se sentia tão à vontade para continuar o trabalho.
“Eu não concordava com muita coisa que acontecia no Santa”, diz, sem entrar em detalhes. Para ele, o próprio nome “clube” já aponta para o tipo de trabalho a ser realizado, com muitas pessoas dando sua contribuição. “Quando começa a centralizar, dificulta muito. Um clube grandioso como o Santa, tem que ter a participação de todos. Isso eu realmente não senti”. Com o sentimento de estar incomodando, Rosemberg foi o primeiro a sair.
Depois de Rosemberg, o Departamento de Futebol continuou com Fred Carvalho, Edson Nogueira e Sílvio Belém. Mas algo já estava diferente no Mundão do Arruda. Em 9 de agosto, após a classificação antecipada entre os oito melhores da série B, foi a vez do restante do Departamento sair. Edson Nogueira decidiu se afastar. Ele avaliou que não estava mais tendo condições de trabalhar no clube. Chegou no gabinete da presidência e falou:
“Presidente, não dá para nós dois. Quero continuar sendo seu amigo, mas não dá mais”. (veja a entrevista completa com Edson Nogueira na próxima atualização do Blog) . Neste momento, Silvio Belém e Fred Carvalho também resolveram encerrar a participação no Departamento de Futebol.
“Saí do Santa por questões éticas e morais”, conta Belém, sem entrar em detalhes. Ele reconhece que a saída foi um momento difícil, até porque o time já estava a caminho da classificação, na série B.
“As desavenças administrativas foram aumentando, até que chegou ao ponto da ruptura. Nos sentíamos quase incomodando”, diz Fred Carvalho, sem também entrar em muitos detalhes.
Mesmo afastados, eles não deixaram de ir aos jogos e ajudaram a empurrar o time de volta à série A. “O lugar do Santa é na Primeira Divisão. Espero que tenhamos a maturidade para ficarmos muitos anos por lá, até porque, dos 22 clubes que estão disputando o nacional, o Santa ficaria tranqüilamente entre os 13 primeiros”, avalia Fred.
“O lugar do Santa é na elite do futebol brasileiro, de uma forma profissional e planejada”, destaca Rosemberg. Para Sílvio Belém, o jogo do Santa contra a Portuguesa teve aquele sabor do “agora ou nunca”, e o Santa mostrou que tinha um time realmente “de primeira”.
Futuro engavetado
Mesmo fora do Santinha, os ex-diretores torcem para que o clube passe pelas mudanças necessárias à sua modernização. “Esperamos um planejamento para que o clube saia dessa situação financeira. É fundamental perenizar a receita, ampliar a quantidade de sócios, conseguir patrocinadores regulares e explorar racionalmente o estádio”, coloca Fred.
Ele destaca para a necessidade de uma vida social no clube, para que o torcedor freqüente não apenas em dias de jogos. Um exemplo simples, segundo ele, aconteceu logo após a conquista antecipada do Estadual, em março. Três dias após a conquista, o time entrou em campo para a festa, mas o torcedor não encontrava sequer um chaveiro para comprar de lembrança. “Na Primeira Divisão, temos que capitalizar isso. O Santa não é meu, não é seu, não é de ninguém, é de todos nós”.
Rosemberg tinha também vários projetos a serem colocados em prática, mas que ficaram no caminho: a ampliação das parcerias, o fortalecimento do lado social do clube, organização da arrecadação, cobrança de sócios etc.
“Um clube como o Santa é absolutamente viável. A forma de administrar é que está errada”, avalia. Ele espera que o clube se mantenha na Série A e que adote uma forma de trabalho profissional. “O Santa deve ser aberto para que todos participem e ajudem”, pondera.
Sílvio Belém segue a mesma linha. Acredita que o mais importante, o acesso à Série A, já foi alcançado. O que falta agora é um bom planejamento, “com transparência e sem dúvidas”. Ele diz que há muitos anos o clube não vive uma fase tão boa. “Esse modelo tem que ser alterado. Temos reuniões do Conselho Deliberativo com quatro, cinco pessoas. É hora de se repensar o Santa Cruz. Se a direção fosse agregadora, todo mundo estaria lá dentro, contribuindo”, finaliza.
"Foi um grupo que trabalhou em total harmonia. É um grupo que se respeita muito e são, todos, acima de tudo, de uma lealdade canina ao trabalho, acima de qualquer coisa", destaca Edson Nogueira a respeito do ex-integrantes do Departamento de Futebol.
Na foto, Rosemberg Rafael
13 Comments:
bem ... acho q só eu a esta hora da madrugada para comentar no blog!! confesso que temo muito pelo futuro do santa, pois, ao contrário dos nossos rivais locais, temos os dirigentes mais desunidos do estado. só se vê divergências! como atingiremos o nível de organização e apoio necessários para se manter na primeirona?? acho q este tema vale um post! fica a sugestão.
saudações tricolores!
Começo a me preocupar com 2007! Tenho medo da capacidade de destruição de Romero, Zé Neves e cia!
saudações tricolores!
O problema é que a vaidade está sempre em primeiro lugar. Cada um que queira aparecer mais que o outro. O Clube nunca está em primeiro lugar. Todos tem que engulir seus respectivos orgulhos e ajudarem o Santa a montar uma estrutura capaz de se manter na Primeira divisão.
É, minha gente. Temos um papel importante a cumprir, cobrando a seriedade que às vezes desaparece do Arruda. Depois que subimos, em 99, o bom trabalho de Jonas Alvarenga foi jogado fora, compraram um placar eletrônico de sucata e fuderam o clube. Caimos de novo. O Goiás, que subiu junto conosco, está aí, nas pontas da tabela da série A. Acho que o blog é um espaço valioso para a defesa dos nossos valores, de forma sadia e inteligente, vigilante e exigente. Bola pra frente !
No texto, pela construção da idéia, avalio que a passagem "Mesmo afastados, eles deixaram de ir aos jogos e ajudaram a empurrar o time de volta à série A." está capenga de um NÃO. Eles não deixaram de ir aos jogos.
J.
tão vendo, amigos tricolores...depoimentos de pessoas de dentro, temos que nos unir.
sugiro pra quem já pensa em se candidatar que, esta é a hora de solicitar ao clube a listagem dos sócios, pra começo de conversa. depois tentar, junto a torcedores sérios, dispostos a colaborar, tirar esse pessoal que aqui está sendo alvo de críticas merecedoras.
já afirmo que, certamente estarei fazendo parte dessa turma.
passada a euforia da subida a serie A, tambem sou muito pessimista no que se refere ao destino do santa en 2006. Basta ver os nomes que estão a frente do nosso glorioso : são os mesmos de antigos carnavais. pra completar no ano que vem tem eleições e essas lacraias vão colocar as mãos nas arcas do clube como fizeram em tempos passados.
Depois de todas aquelas rendas ainda há um débito com o elenco de aproximadamente R$ 1.300.00,00 e nem foi pago ainda o mês de outubro? O que é isso?
URGENTE, CAMPANHA "Mostra a lista Romerito"*
*Lista de Associados.
Sou obrigado a discordar de Júlio Vila Nova, a respeito de Jonas Alvarenga. Bom trabalho? Nem fudendo, meu amigo. Aquele cara foi um dos que fuderam o Santa Cruz isso sim. O time de 99 subiu na raça e na cagada, isso sim!
Façamos uma conta.
Vamos dizer, por baixo, que:
60 mil ingressos vendidos no último jogo.
30 mil arquibancada e 30 mil sócio, geral e estudante.
arquibancada, todas a 10 reais= 300 mil
meia entrada a 5 reais = 150 mil
total = 450 mil
Vamos tirar 50 mil de custos, sobram 400 mil.
Agora vamos lembrar que nessa etapa final tiveram mais 2 jogos em casa com um público ligeiramente inferior.
Nos 2 jogos (náutico e grêmio), imaginemos um lucro líquido de 250 mil cada, o que dá 500 mil.
500 + 400 é ou não é 900?
Isto é sinal que tem dinheiro entrando, meus amigos. Não acuso a diretoria, mas gostaria de ter as informações. Inclusive, acho que esta diretoria está de parabéns, Romerito mostrou competência e ele é o presidente que botou o Santa na primeira. Fato!
Porém, precisamos de esclarecimentos em relação às movimentações financeiras do mais querido.
Topo a campanha de abertura das contas do clube. O Santa é de todos nós!!!
Marcelo
Gostaria de lembrar aos ilustres Tricolores dos Oficiais de Justiça que estão em dias de jogos na Porta do Arruda e os acordos que o Santa tem na Justiça do Trabalho... Tem muita gente pra reclamar e pouca pra ajudar...
Quem vai ajudar será benvindo? Ou só o dinheiro que levar será benvindo?
Quem ajuda é respeitado?
Quem ajuda pode andar sossegado sem medo dos capangas de Romerito se tiver alguma opinião divergente?
Quem cobrar transparência pode ficar tranquilo, sem medo de ser espancado?
Caro Geraldo, é bem provável que você conheça melhor do que eu o que rolou na administração de Alvarenga. Até onde sei, e posso estar enganado, acho que ele fez um trabalho sério. O que me lembro é que, apesar dos desacertos daquela política de trazer medalhões, tipo Mancuso e Paulinho McLaren (sacudiram a galera, mas não nos levaram a lugar nenhum) foi iniciada um campanha de arregimentação de sócios, com preços bem acessíveis, que deu um fôlego ao clube. Aliás, algo parecido com a idéia foi anunciado este ano, uns dois meses atrás, pelo próprio Alvarenga nas rádios e jornais, mas depois não se falou mais nisso, não se sabe por quê. E afinal, foi ele o presidente que levou o Santa à primeira, dando carta branca a Nereu. Quando caímos, dois anos depois, era bem outra a administraçaõ do clube, mesmo depois de toda grana que entrou da série A.
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