por Laércio Portela, jornalista, foi secretário de Comunicação do Min. da Saúde na gestão de Humberto Costa e hoje trabalha como free-lancer em Brasília (acima, numa foto no ano 2000)
Eu já ouvi mil histórias de como os meus amigos se tornaram tricolores. Um tio que os levou para ver o primeiro jogo. Um irmão mais velho. Um vizinho que era apaixonado pelo Santa. O pai. O pai é sempre uma grande referência.
E a verdade é que eu sempre busquei na memória esse momento mágico. O dia em que acordei, definitivamente, tricolor. Durante anos vasculhei minhas memórias da infância em busca do meu big-bang. E nada.
Minha família é pequena e não tem ligações realmente importantes com o futebol. Tenho dois tios mais próximos. Um não gosta e não torce. O outro é alvirrubro. Meus vizinhos de infância? O pessoal da rua e do colégio? Não recordo de nada marcante.
Quanto ao meu pai, esse sim gostava de futebol. Era mineiro e torcedor do América. “Ameriquinha”, na verdade. Era assim que ele tratava com carinho o seu time na troca de carta com amigos que deixou na sua Minas Gerais.
Mas meu pai faleceu quando eu sequer tinha completado um ano de vida. Engatinhava nos meus inocentes 11 meses de fralda.
Dia desses, minha mãe me falou que ele, um homem de esquerda e admirador dos movimentos das massas populares, gostava do Santa e que ela me contou isso quando eu era criança e me incentivou a seguir esse caminho.
Não estou certo disso. Me pareceu que ela queria me dar aconchego. Me ajudar nessa busca sem fim. E encontrou um jeito bonito de fazer isso. O que pode ser mais valioso para um filho do que a memória do pai? De se saber continuando os passos do pai?
Mas mãe é mãe e ela quis me ajudar. Quis me dar esse presente. Mas, pelo que me lembro, fui eu quem a fiz gostar do Santa. Fui eu quem trouxe o Santa para nossa casa. E, por tabela, encantei alguns primos meus. Hoje, temos uma legítima linhagem tricolor na família.
Outro fato curioso é que grande parte (quase todos) dos meus amigos de infância torciam pelo Sport ou pelo Náutico. Sabe como é, colégio de classe média na década de 70 e começo dos 80.
Eu me lembro bem que aos 12 anos já me aventurava a ir sozinho para o Arruda acompanhar os jogos do Santa. Ia andando, de Parnamirim, ali próximo do Hospital Agamenon Magalhães, no começo da Estrada do Arraial, até o Mundão do Arruda. Para desespero da minha mãe.
Só passei a ir com amigos para os jogos algum tempo depois. Amigos que eu fiz nas peladas de rua. E que dividiram comigo muito das primeiras alegrias que o Santinha me deu.
Hoje, depois de tanto pensar, de tanto procurar o meu primeiro momento, o meu dia D, o dia em que me enamorei definitivamente do Santa, é que percebi a verdade, o porquê dessa lacuna: é que eu nasci tricolor.
Eu não precisei de vizinho, de amigos, de família... Não tive um lance, um gol, ou um ídolo fundador da minha paixão. Eu simplesmente sempre fui tricolor. Já vim ao mundo assim, predestinado.
Tenho 35 anos e os amigos de minha idade lembram quando seus pais os levavam para ver o vitorioso Santa da década de 70, anos do nosso glorioso pentacampeonato e da disputa da semifinal do Brasileirão. Mas esse Santa eu pouco conheci.
Pouco ou nada me recordo desse tempo. Não tinha quem me levasse ao campo. Eu comecei mesmo a ir para os jogos do Santa no começo da década de 80, do tricampeonato do Sport. Dessa época eu me lembro. Das brigas no colégio com os rubro-negros eu me lembro. E como me lembro.
E o que me faria optar por aquele caminho de dor e confronto? O que me faria ser quase que uma voz solitária na minha sala de aula a defender o meu time, contra tudo e contra todos, se eu não fosse um tricolor de nascença? Um legítimo e puro tricolor de nascença.
É isso o que eu sou. Um torcedor incondicional. Um apaixonado. Eu nasci assim.
E, se não tenho um momento-fundador do meu amor, guardo como lembrança a recordação dos meus primeiros encontros com o Santinha. Quando, moleque, sozinho, bandeira de baixo do braço, passo acelerado (numa combinação da ânsia de chegar logo ao estádio e do medo de ser assaltado), eu ia pela Rua Cônego Barata, na Tamarineira, sorrindo por dentro, cantando por dentro esse canto sem fim: Tri-tricolor, tri-tri-tri-tri, tricolor. Sou feliz porque sou tri, tricolor, tri-tri-tri-tri, tricolor...
Nota dos editores: desde que lançamos o Blog do Santinha, aguardávamos por um texto desse sujeito, mas não sabíamos que ele nem ao menos conhecia o Blog. A partir de agora, Laércio será um dos nossos colaboradores permanentes.
23 Comments:
Laércio,
já recebemos e publicamos um bocado de textos que revelam o amor ao Santinha, revelando como foi feita a escolha pelo Mais Querido.
Mas, sinceramente, é um dos textos mais bonitos que já li. Emocionante e tranquilo. Diria que parecia uma daqueles lançamentos do mago Rosembrik, sem muito esforço, deixando outro tricolor de frente para o gol.
Aguardamos novos textos.
Samarone Lima
Ps. Inácio, providencia logo um contrato para Laércio!
Laércio, adorei teu depoimento. Parece que eu estava te vendo quando lia. Imaginei vc contando isso tudo para o Lucas, sentando em baixo de uma árvore bem frondosa, com o pequeno te olhando com os olhos arregalados.
Matheus adorou ver Lucas em uma foto aqui no blog. Beijo
Tive uma idéia!
No final desse ano, quando teremos o santinha na primeira divisão e uma infinidade de textos fantásticos no blog do santinha, vamos editar um livro!
Não precisa ser um livrão capa dura e cheio de charme como os de Samarone Peruca. Pode ser até uma apostila. O que sei é que todos os torcedores do mais querido que acompanham esta janela da alma tricolor gostariam de ter em suas estantes as alegrias, os dramas, as histórias e as lembranças que passam todos os dias por aqui.
Inacio e Sama, a força está com vocês.
Laércio, um forte abraço!
Saulinho, tire a máscara.
Grêmio, vá tomar no cu!
J.
Jota,
fazemos pela Livro Rápido, de Tarcisio. Só precisamos alguém que faça a parte da edição. Sai barato, e fazemos a quantidade que quisermos. Se acabar, a gente faz mais.
Aguardo a resposta dos ricaços para patrocinarem a Sanfona Coral, rumo a Porto Alegre.
Vamos que vamos.
sama
Jota,
tudo bem, vou tirar a máscara de homem sensato e bondoso. Eu ODEIO o Grêmio quase tanto quanto odeio o Sport e meu segundo maior objetivo é que a gente bata nesses prepotentes desgraçados em pleno Olímpico para mostrar quem é o melhor time deste campeonato (o maior objetivo é subir, claro)!!! O único jogo realmente importante para o Santinha no Olimpico é este!!! É o jogo da primeira divisão e do título!!
Vamos ganhar lá dentro com dois gols de bala, para ele virar artilheiro por merecimento deste campeonato!!!
Saudações a todos os tricolores pernambucanos e os Gremistas que vão pastar longe daqui!!
Saulinho - o profeta
Gostei João! Pense numa idéia da bobônica! Já imagino a primeira edição com uma pequena tiragem de pelo menos 1.000.000 de exemplares, que obviamente estarão esgotados na noite de autógrafos. Agora, voltando a mira para o jogo do próximo sábado lá no Olímpico, confesso que estou com um pé atrás, por dois motivos: 1) Após a segunda vitória contra a barbie, começei a sentir uma certa acomodação na equipe, apesar dos discursos contrários (espero que seja apenas impressão minha) e se jogarmos sem raiva, muita raiva mesmo pelo que nos fizeram nas duas últimas partidas lá no sul, nada conseguiremos neste jogo contra o Regatas. 2) Giva tem que lembrar aos seus gafanhotos que linha burra, reclamação por falta não marcada a nosso favor (nem que haja fratura exposta) ou qualquer outra inversão, terão que ser engolidas de qualquer maneira, pois a vitória para o time de Regatas é dada como certa(o trio de arbitragem é Paranaense). Lembro também que nossa diretoria não pode se descuidar quanto a preparação da comida da nossa equipe, pois se aqui em Brasília tentaram o que tentaram (calmantes - os cozinheiros do hotel foram comprados pelo bandido do Luiz Estêvão), imaginem do que a mente fashion dos Gaúchos não será capaz. Do foguetório não teremos como escapar mas, podemos ficar numa cidade vizinha e acho que uma distância de 200 km não vai ser problema. Diretoria Tricolor, todo cuidado é pouco e repito, a vitória do time de Regatas é dada como certa lá no CÚ do Brasil, ou melhor, no Sul do Brasil. Bem, acho que em matéria de trambique a nossa Diretoria poderia contratar consultoria com o velho Bivar. Calma, foi só uma sugestão. Espero muitíssimo que até sábado o Mestre Giva consiga colocar na cabeça dos seus gafanhotos que do pescoço prá baixo É CANELA e quem amarelar VAI TOMAR NO PAPEIRO!!! SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Idéia massa a do livro. Não poderão faltar algumas fotos também, como aquelas da construção do Mundão e, principalmente, a foto da lenda, Sebastião da Virada.
Valeu !
Para aqueles terão a felicidade de serem campeões em POA, fica o aviso de um amigo meu gremista para ter cuidado com a torcida "Alma Castelhana". É a torcida alma sebosa de lá.
Esse jogo contra o Regatas deve ser vencido não pelo acesso à primeirona. Isso podemos conquistar, com muita competência, contra a Lusa, no Mundão. Temos que vencer os gaúchos por uma mera questão de vingança e de honra. Temos a melhor campanha do campeonato, os melhores números e, estou certo, o melhor time. Amarelamos em todos os jogos contra os gaúchos. Faltou aos nossos jogadores a RAIVA citada por alguns tricolores neste blog. Faltou correr para roubar cada bola aparentemente perdida, disputar cada rebote como se fosse o último, atacar com vontade de matar o adversário. Quero vencer os gremistas a todo custo. Mesmo que perca da Lusa, no Arruda, e fique com o vice. Vencer o Grêmio é uma questão de HONRA!
Saudações tricolores.
Zeca,
Perder da Lusa no mundão já é demais, né? heheheheheh. Mas eu quero sim ganhar do Grêmio de qualquer jeito!!!
Arigatô,
Vai pro Japão ou pro Paraguai que é o melhor que você faz!!!
Hudson Pimenta
Convido todos os tricolores que residem no DF a conhecer um bar de TRICOLORES de verdade. O Bar é o Raízes (110 norte - 3033.7330), o proprietário do bar e torcedor apaixonado pelo santinha é Pablo, ele já botou pra gelar duas grades de cerva e um litro da autentica PITÚ, que vamos bebemorar no dia 26/11.
No bar que tem a temática do reggae tem a faixa de campeão do PE deste ano e com certeza terá a do título nacional.
Espero encontrar vocês lá pra comemorarmos juntos este grande título.
Cobra Coral - DF
PS - só corais uniformizados terão direito a beber de graça.
Parabens pelo depoimento.. tambem moro em Parnamirim e, obviamente, quando vou andando ao arruda faço o mesmo percurso. Antigamente voltava mais triste do que feliz..hoje as coisas melhoraram :)
saudações tricolores
Guilherme,
Acho que seu time é outro então, porque o Santinha só me deu alegria sempre!! Não lembro de nehuma tristeza..
abraços,
René
Li preocupado na coluna "Folha Esportiva" de hoje o seguinte comentário sobre o juiz do nosso futuro embate: "...Sobre Heber pesam as constantes falhas. Vi inúmeras este ano. Além disso, foi cogitada sua participação na “Máfia do Apito”, embora nada tenha sido provado." Sugiro que se pesquise o endereço e fone do meliante, e se disponibilize neste prodigioso blog.
Carlos Alberto.
um poema concretista:
ai
a
aa
i
ii
aiai
aaaai
aiiiiiiiiiii
AAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
ass: um gremista
Fiquei preocupado quando soube da escalação da arbitragem. O careca não merece confiança, já melou vários jogos por aí. Além de tudo (de acordo com o www.fanaticosporfutebol.com.br) o pessoal do Grêmio de Catimba e Regatas anda dizendo que a pressão sobre as arbitragens, principalmente da parte de Pernambuco, prejudicaram a equipe deles, vejam só! Estão chorando por quê, se o STJD até absolveu os agressores do jogo contra o Sto. André ? Parece que a atuação menos ruim foi a do Wagner Tardelli, do Rio, no jogo Grêmio X Portuguesa. Dizem que o cara não engoliu o conhecido CATIMBOL gaúcho, embora tenha feito vista grossa em alguns lances em que aquele zagueiro de usina, o Escalona, desceu a lenha nos atacantes do time paulista. Temos que ficar de olho ! Vamos esperar a divulgação do enedereço e do número do telefone !
JULIO VILA NOVA
cara, esse gremista é deveras inteligente. parabéns pelo estilo.
J.
Bar Raízes, 110 Norte, sábado 19.11.2005 as 15:00 h. Estarei lá com minha esposa e mais meia dúzia de TRICOLORES amigos nossos, exilados aqui no DF. Concordo com a condição de todos estarem usando o manto sagrado para terem direito a pelo menos um copo de cerva grátis (só 02 caixas). Espero que a presença de torcedores do Regatas seja desaconselhada. Acho bom o Pablo reforçar o estoque, porque vai dar no meio da canela. Então, cantem comigo: É PAU NO GRÊMIO E COM QUEM O GRÊMIO ESTIVER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!
tricolores os dados do bandeirinha ta indo:
Roberto Braatz
Tel: (45) 3284-1603
Rua Goslar, 210
Frankfurt - Marechal Cândido Rondon - PR
CEP: 85960-000
Vamos em busca dos outros dois:
Heber Roberto Lopes e Gilson Bento Coutinho
Não vamos deixar esses canalhas usurpar o glorioso
Cobra Coral - DF
P/ o anonimo que se referiu a mim
voce acompanhou o santa na decada de 90??? essa decada foi foda!
É por causa dessa qualidade de socialista que o mundo está essa merda ! Que socialismo defende esse cara, que tem esse sentimento de comprar tudo com o dinheiro ?(ainda mais, deve ser dinheiro sujo, das contribuições de Pedro Correia e outros, pra ser lavado lá na Abdias de Carvalho) Acho que o velho Arraes não deve estar muito satisfeito com esse presidente do seu partido.
Guilherme,
Acompanho o santa desde 1980 ativamente e digo mais uma vez: este ytime só me deu alegrias, sempre!! Mesmo nas derrotas ele caiu com honra!!
Eu amo o Santa Cruz!!!!
Essa idéia do livro é arretada. Gostei muito dela. Valeu, J.
Antes que eu esqueça:
Grêmio, vai tomar no cú.
Galera de Recife, onde vamos assitir o jogo MAIS QUERIDO neste sábado?
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