Nossa história pelas lentes do DP
por Júlio Vila Nova, professor, mestrando em Letras da UFPE e nosso mais assíduo colaborador. Acima, o autor do texto e a pequena Lívia, que já sabe cantar "Papai tricolor", de Bráulio de Castro
A série de fotos do Arruda foi algo sensacional. Acompanhamos a evolução de nossa história através da construção do nosso Mundão, a casa de todos os tricolores - e às vezes do resto dos torcedores de Pernambuco, que se acabam de inveja (vale até citar o hino do Inocentes do Rosarinho, do saudoso Luiz de França: “Nossos acordes fazem a mocidade ter alegria / E faz inveja a muita gente em ver o Inocentes como o rei da folia...”).
Tenho certeza de que, como eu, muitos tricolores pelo mundo afora salvaram as imagens e textos para a posteridade, com a sincera gratidão a vocês e a Joezil Barros.
Muitos tricolores mais velhos (meu pai, por exemplo) se emocionaram com aquela do Arruda em dia de clássico, casa cheia, nos idos dos anos 70. Bons tempos que não tivemos a sorte de viver, mas que parecem estar de volta.
Vocês até trouxeram de volta o craque Fumanchu para o convívio tricolor, deixando todo muito contente com a sua declarada simpatia que o tempo não apagou ! E a gente fica a imaginar que momentos felizes devem povoar a memória do craque, quantas cenas inesquecíveis gravadas ali, no coração, de arquibancadas lotadas, de sorrisos largos e saudações da galera, de gols de placa marcados por ele ou pelos companheiros daqueles esquadrões lendários do nosso Santinha. É a força do Mais Querido, minha gente !
Particularmente, admirei a foto da lenda, Sebastião da Virada, por sua figura emblemática. Um craque dos velhos tempos, negro, pobre, um símbolo eterno de amor ao Santa Cruz, esse grande Clube das Multidões. Que bela imagem!
Uma lida nos registros da história do futebol em Pernambuco dá conta de que o primeiro título da gente só foi conquistado depois de 15 anos da fundação do clube, período em que amargamos vários vice-campeonatos, muitos dos quais perdidos para equipes que burlavam o regulamento e escandalizavam o mundo esportivo com a contratação ilegal de jogadores profissionais, numa época de amadorismo e verdadeiro amor à camisa . Sobre o campeonato de 1916, por exemplo, Givanildo Alves escreve : “Rubro-negros Burlam a Lei e Levantam Título” (é assim que abre o capítulo sobre o certamente de 1916, no seu 85 Anos de Bola Rolando, p.140).
Mesmo assim, era o Santa, primeiro alvinegro, depois para sempre tricolor, que conquistava a simpatia da maioria da população, a cada ano. Imaginem, pois, o delírio dessa conquista, em 1931, repetida em 1932 e 1933, nosso primeiro tri-campeonato. Sebastião da Virada está lá, nas escalações das equipes campeãs. Depois, em 1934, o feito inigualável de vencer a seleção brasileira. Dizem que ninguém notou a passagem de Santos Dumont pelo Recife naquela noite, que o povo só queria saber de festejar a vitória do Mais Querido. Em 1937, ficou guardada a bola do jogo em que o Santa massacrou e humilhou a coisa com um sonoro 7 a 0. Sebastião deixou a relíquia de presente, nas mãos de Dirceu Paiva, que providenciou um espaço de destaque lá na sala de troféus.
Parabéns, camaradas, por darem essa valiosa contribuição, vocês também, para a gente guardar essas coisas que vão compondo a memória afetiva da raça tricolor. Com esse golaço, vocês juntaram mais uma vitória.
11 Comments:
Esse blog é do caralho!! Eu amo o Santa Cruz!!!!
Júlio, mais um belo texto de sua autoria, muito bom mesmo, chego a me emocionar, pois como sabe tô morando em SP e além de estar longe da família, amigos, colegas, noiva, etc, sinto muita falta de estar perto do nosso Santinha. Juntarei uns tricolores que foram transferidos pra cá(que foram comigo pro Canindé) e faremos um churrasco no terréo do prédio, aguardando o momento do jogo começar( depois do empate dos Gayuchos temos a obrigação de vencer!) e assistirei pela sportv com a narração de Rebrandt Júnior( só tem ele, fazer o que?). Abraços e até a vitória! Allan Robert - Alphaville - SP
Parabéns pela nova vitória sobre as barbies. Conforme previsto, o Náutico é saco-de-pancada, mas sábado que vem, no Olímpico Monumental, o bicho vai pegar. Garantam-se contra a lusa.
Vamos jogar sábado com o time que mostrou o futebol mais horrível de todos, por mim nem considero isso, pois nem futebol existe é só bola levantada na área e pancadaria solta(com conivência da arbitragem). Santa rumo a 1ª divisão, o melhor desde o começo, mostrando futebol clássico demais pra vcs( Gayuchos) saberem o que é isso... Em tempo, em terra de cego, caôlho é rei!
Cuidado Allan,
não vi nada de clássico hoje. O que vi foi o Náutico dominar e perder por detalhe. Quem tudo quer, tudo perde.
Bastou uma arbitragem melhorzinha pra gente ver que o time do Grêmio de Futebol Catimba e Regatas é aquilo ali mesmo. Com um juiz que não tolera a catimba e a pancadaria, e quando Anderson não joga (e ele agora tá se lixando pro Grêmio, porque já foi negociado), aparece a verdadeira cara do Grêmio. Mas o empate até que foi bom ! Arigatô,um Sayonara pra você ! O plcar de hoje foi injusto (seria uns 3 a 0 pelo menos contra a barbie). arigatÔ, me responda uma coisa: tenho uma tia que é nascida e criada em Potugal. O que é que ela é ?
Coralina, detalhes foram aqueles três gols que o Santa não marcou, que tornariam o placar mais justo. Tudo bem. Os deuses do futebol talvez tenham guardado esses para o Olímpico, contra o Futebol e Regatas Portoalegrense
Quem não sabe reconhece as virtudes do inimigo, perderá todas as batalhas. (Sun Tzu)
Ha, ha, ha, ha !! É por isso que essa infeliz se chama "cega" mesmo ! Tá explicado ! Será que torcedor do Grêmio sabe o que significa "vareio" de bola ? Acho que só conhecem bem o significado de ouras palavras, como catimba, retranca e pancada
Timezinho safado, retranqueiro e esse sim ajudado pelo juiz. Que penalty foi aquele que o puto não marcou?! Aí vem um cego me dizer que o Santinha é ajudado. Eu posso com um negócio desses?
Saudações do futuro campeão!
Só uma correção: "Papai Tricolor", que está no CD Veneno da Cobra Coral, é de Fátima de Castro, prima e esposa do velho Bráulio. Trata-se de uma homenagem ao pai dela, cantada lindamente pela própria compositora, acompanhada pelo seu violão e pela flauta de Laurivan, neto do grande compositor de frevo-de-rua Levino Ferreira, tricolores todos, é claro!
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