por Inácio França
Quando resolvemos escrever sobre o amor entre o Santa Cruz e a torcida coral, era inevitável que incluíssemos os ídolos, personagens dessa história do qual todos nós, torcedores, somos ao mesmo tempo protagonistas e co-autores.
Um dos nossos objetivos é encontrar e dar voz aos atletas que passaram pelo Santa, encantaram a torcida e desapareceram da vida do clube, mas não da sua história. Me auto-designei responsável por essa tarefa, pois Samarone chegou ao Recife em 1987 e não conhece tantas histórias assim.
Nessa história de procurar os ídolos do passado, sempre aproveitando um tempinho livre do trabalho, escolhi três nomes para procurar: Gabriel
doido, Django e Wilson Carrasco. Dos dois primeiros, nenhuma pista para seguir. Mas Carrasco, meia-esquerda de toque refinado e chute violento, foi fácil. Ele é treinador dos juniores do Ferroviária, de Araraquara.
Assim que consegui o telefone da casa dele, estava pronto para desligar quando o funcionário perguntou se eu também não gostaria de entrevistar Pio. “Pio? Como é que encontro ele?”. Fiquei sabendo que o titular absoluto da camisa 11 tricolor entre 1974 e 1978, é o diretor de futebol do mesmo clube, hoje na quarta divisão paulista.
Logo no primeiro contato, percebi que estava conversando com um homem que tem o Santa Cruz no coração: “Uma entrevista para a torcida do Santa? É comigo mesmo”.
Pio contou que até hoje tem saudades do Recife e do tempo em que jogou no Santa, onde veio parar meio por acaso. “O Zé Nivaldo e o Mariano Matos tinham ido ao Palmeiras para contratar o Raul Marcel, goleiro, e Celso. Eu tinha sido bicampeão brasileiro como titular daquele time da Academia, que tinha o Ademir da Guia e o Luís Pereira, mas estava só treinando no clube, tinha recusado uma proposta do Botafogo e queria o passe-livre”.
Alguém do próprio Palmeiras falou de Pio para os dois dirigentes, que foram conversar com o jogador só por desencargo de consciência. Afinal, contratar Pio seria a mesma coisa de, hoje em dia, tentar trazer para o Recife um Marcinho, do Palmeiras, por exemplo. “Percebi que eles eram homens honestos, de palavra, e decidi aceitar a proposta. Passei quatro anos maravilhosos no Recife”.
A estréia foi contra a
coisa (que, naquele tempo, ainda não era chamada assim, mas neste blog não citamos os nomes dois outros times locais). “Tinha um jogador paraguaio no time deles, um tal de Molina, que era a estrela, tinha sido da seleção paraguaia e tudo mais. Quando começou o jogo, pensei: ‘vou pra cima dele. É ele ou eu’. Entortei o cara, até hoje ele me procura. Ganhei a torcida na estréia”.
Pio foi bi-super em 1976 e chegou às semifinais do Brasileirão em 1975. Depois de uma briga com Evaristo de Macedo - treinador que ele considera um grande profissional, mas que, de acordo com suas lembranças, sempre se coloca do lado dos cartolas em detrimento dos jogadores -, aceitou uma proposta do Colorado (clube que na década seguinte fundiu-se com o Pinheiros para formar o Paraná Clube) e partiu para Curitiba.
Além de diretor da Ferroviária, ele é professor universitário no curso de Educação Física da Unesp e olheiro da seleção da universidade, umas das mais importantes do estado de São Paulo, ao lado da USP e Unicamp. É casado com Ana Lúcia (“ela guarda todas fotos e álbuns de figurinhas daquela época”, diz ele) e tem três filhos: Alexandre, Luciana e Liliana. Seu nome verdadeiro é Osmar Alberto Volpe.
E como hoje ele completa 61 anos, resolvemos publicar esse texto como presente de aniversário da torcida do Santa Cruz.
Nas fotos: em 1975, titular da ponta-esquerda do Santa (imagem do arquivo do Diário de Pernambuco, cedida com exclusividade para o Blog do Santinha). À direita, trinta anos depois com a esposa Ana Lúcia.
12 Comments:
Golaço, Inácio ! Parabéns por trazer de volta ao convívio tricolor esses nossos heróis do passado, exatamente agora, quando estamos vivendo esses dias de alegria com o Mais Querido.
Acho que Pio é primo ou tio de Inácio. se botar aqueles óculos ovais é a cara do cara.
É igualzinho, hahahahahahahaha! Parece até montagem...
O Gabriel é o de 83? se for eu posso tentar o contato pra vc. ele morea em campina grande.
Saudações TRicolores
Bosco,
Bom tê-lo de volta ao nosso convívio. Não leve a mal as brincadeiras, mas é porque você jogou a toalha muito cedo.. Acredito que tenha servido de lição! depois de 1993, acho que nenhum tricolor deveria jamais sonhar em jogar a toalha enquanto houver 0,0000001% de chance!!
Eu queria ver os cálculos de oswald de souza na hora que tivesse 1 x 0 pro Nautico aos 38 do segundo tempo naquele jogo!!!
Arigatô disse...
Retificação: o ingresso pra torcida visitante é Cadeira Lateral e sai por R$ 25,00.
Amigos, tomei a liberdade de criar no Orkut a comunidade da Torcida Sanfona Coral... vamos divulgar e incentivar... o blog já é um sucesso absoluto... vamos divulgar a comunidade... http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6532806 quero ver vocÊs lá... Dá-lhe Santa!!!! Adoro os textos de vcs, é maravilhoso transcrever em texto o sentimento de paixão que sentimos... todos lá no orkut... Alberto (alberto_jas@hotmail.com)
Putz, meus irmãos, cada dia fico mais contente com esse blog, sensacional!!
A idéia de trazer velhos ídolos, é fantástica, Fumanchu e agora Pio. Quem teve o privilégio de vê-los jogar sabe a emoção que estou sentindo. Parabéns.
Marcos-Garanhuns
Inácio, esse seu trabalho é fabuloso. Você é o Nereu do jornalismo pernambucano.
Abraço
Parabéns
Inácio, pede a Pio para escanear e mandar as páginas do Santa dos álbuns de figurinhas que ele guarda, segundo a esposa. Seria arretado botar no blog as caras dos craques daqueles timaços !
Putz! É igualzinho a Inácio mermo...
Inácio, tem 2 livros fuderosos de Aramis Trindade chamados, salvo engano, "Centrefó de Armação" e "Beque de Espera". Contam causos do futebol de PE em tempos antigos, o que poderia e muito ajudar nas suas buscas.
Parabéns pelo empenho e por pesquisar os craques tricolores que não vi jogar.
Como provocação, sugiro alguns nomes que vi quando era muito pequeno, mas que garanto terem muito afeto pelo mais querido:
Do Bi de 87:
-O grande arqueiro Birigui
-O baixinho Gilson Gênio
-O craque Dadinho
Abraços e Sdçs
Bem lembrado, Dan. Vou mandar umas histórias do "Centrefó de Armação", do Aramis Trindade pro Inácio postar quando puder. Não é um livro exclusivo sobre o Santa, mas tem histórias interessantes sobre o futebol pernambucano em geral.
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