Acima, reprodução da página da revista Placar (edição de novembro) com reportagem sobre a Sanfona Coral
Por Samarone Lima
Amigos tricolores,
No último jogo contra o Náutico, nos Aflitos, vi uma cena que se tornou comovente. No meio de uma multidão, perto do estádio, enquanto cantávamos felizes a nova versão do Hino de Pernambuco, comandados pela
Sanfona Coral, um PM da tropa de choque, um cara imenso e sério, com um bigode também imenso e sério, abriu um sorriso de canto a canto. Ali, ele se desarmou. Deixou que a beleza da música entrasse em sua alma. Por instantes, por alguns minutos, aquele homem deixou de ser um policial, um sujeito preparado para bater sem perguntar, e sentiu algo parecido com a alegria.
Falo isso porque a torcida do Santa Cruz, de uns tempos pra cá, vem fazendo algo que muitas torcidas têm esquecido: está levando alegria a todos os cantos por onde passa, sob o comando do nosso sanfoneiro Chiló. É uma alegria tão boa, tão simples, que até um PM da tropa de choque se deixa, por alguns momentos, invadir pela beleza.
É uma alegria que aproxima as pessoas, que agrega, que une, que atrai coisas boas. No dia de jogo, de cada jogo, temos agora uma festa, que começa muitas horas antes do apito do juiz, e não tem hora para terminar. Passamos por bares, mercados, andamos pelas ruas cantando e sorrindo, entramos em cabeleireiros, lojas de DVD, lanchonetes. Ah, amigos, feliz de uma torcida que anda pelas ruas, cantando e sorrindo, de bem com a vida...
Esta pequena louvação à
Sanfona Coral tem um motivo especial. Cada vez que vejo as torcidas se agredirem, se odiarem, alimentando raiva e rancor, cada vez que algum torcedor morre por causa do ódio que nutrem pelos adversários, todos nós perdemos muito. Por mais que tiremos onda com os rubronegros, com a
coisa, por mais que tripudiemos em cima dos timbus, das
barbies, acredito que não passa pela cabeça de nenhum de nós agredir o outro somente porque torce pelo time adversário. Cantar e tirar onda é uma coisa, descer o cassete numa pessoa, é realmente o fim da picada, o lado mais sombrio do futebol.
Então vejo que estamos levando uma mensagem de paz aos estádios. É uma besteira, mas quantas besteiras importantes não fazem a vida ser melhor, mais plena, mais humana? Muitas torcidas que vão com bombas para as arquibancadas. Vamos com uma sanfona, uma zabumba, um triângulo e um ganzá. Muitas torcidas espancam qualquer pessoa que passe com a camisa do time adversário. Nós, cantamos uma paródia de uma canção, sorrimos, e a deixamos passar.
Quantos amigos rubronegros tenho? Alguns. César Maia, Giba, Ivanzinho, Silvinha, por aí vai. Não consigo sequer imaginar essas pessoas serem agredidas por estarem usando a camisa do seu clube, como tem acontecido em tantas cidades do Brasil. Eles erraram na vida, é preciso, isto sim, o exercício do perdão. Quantos amigos timbus tenho? Alguns. Walter Barba, Barreto, Felipe. São pessoas que bebem comigo, que convivem comigo, são amigos que torcem por outro time, e se escolheram o timbu para torcer, tenhamos compaixão. O único erro, claro, é quando eles querem que os filhos e sobrinhos sigam no sofrimento, percam o caminho da beleza, que é a torcida do Santinha. Então, a obrigação de cada tricolor é levar o sobrinho, filho de rubronegro desleixado, ao estádio. É dever de casa comprar uma camisa do Santinha para o filho do vizinho que está querendo torcer pelo timbu.
Lembro das horas antes do jogo contra o Grêmio de Regatas, no Mercado da Encruzilhada. Quando cantamos o hino do clube, na “versão Chiló”, o mercado veio abaixo. A Sanfona foi ovacionada por um mercado inteiro! Acho que Chiló já teve muitas emoções na vida, mas o sujeito ser ovacionado em um mercado do Recife, em plena manhã de sábado, haja coração!
Então, para este ano tão especial, quando finalmente voltamos a ser campeões, diria que chegou uma sanfona para nossos corações.
Nós que queremos somente que nosso clube seja um clube democrático, com eleições honestas e sem sócios fabricados, para que possamos ajudá-lo a sair da crise financeira e gerencial que se encontra; nós que sonhamos com um clube moderno, acessível a todos, com prestação de contas do dinheiro que colocamos lá dentro; nós que queremos somente torcer com alegria e fazer festa; nós que gostamos de nos juntar, de celebrar, de ir juntos aos estádios, levando as pessoas que amamos; nós que acreditamos que é possível torcer pelo nosso clube sem machucar nem agredir nenhum adversário; nós que sonhamos com uma polícia que nos proteja, e que não precise usar cavalos para controlar multidões; nós que ficamos loucos de felicidade quando a rede balança, e o Santinha faz mais um gol; nós que temos um blog para desaguar nossa paixão; nós que sentimos algo estranho, quando nossos jogadores entram em campo e o Arrudão fica enlouquecido...
Nós ganhamos uma sanfona para nossos corações, e não é preciso muito esforço para perceber que estamos levando aos estádios e ao futebol uma pequena e modesta mensagem de paz, de convivência e alegria.
É pouco, mas é muito.
Para o Chiló, Gerrá, Alessandra e Robertinha, pelos momentos inesquecíveis de 2005, especialmente Porto Alegre.
E para o meu amigo Inácio França, que toca comigo o delicioso e cada vez mais instigado Blog do Santinha.
9 Comments:
valeu, sama!! parabéns por mais um show de sensibilidade!!
saudações tricolores!
Parabéns pessoal.Ainda sonho como encontro entre o Boi da Macuca (da minha região) e a Sanfona Coral pra fazer a maior festa que um estádio já presenciou. Estou articulando com o Zé da Macuca e tá praticamente certo, apesar dele ser alvi-rubro, concordou que a torcida mais bela que existe é a nossa. Então, vamos aguardar e contra a Portuguesa, certamente estaremos juntos, sem ter hora pra acabar. Abraço a todos.
Bela mensagem Sama!
Cada vez que vocês falam da Sanfona me dá uma grande vontade de estar junto nessa festa! Espero ansioso o anúncio do roteiro desta organizada musical para o Jogo do Ano!
Abraço,
Yuri
Sama... se é q posso te chamar assim... hehehe... cara... onde será o encontro Tricolor domingo no arrudão, q hora vcs chegam... onde vao ficar antes do jogo... quero me agregar a essa empreitada... eheheh :-D Valeu
A torcida do Santa é inigualável!!
Sr Samarone peruca,
O seu belo texto me deixou bastante sensibilizado. Acho que o importante da vida é tirar boas lições de cada mensagem contundente a que temos contato. Por isso, agradeço de coração. Estas suas palavras me dão ainda mais vontade de sair por aí dando porrada em alvirrubro e quebrando a cabeça de burronegro.
Amém
Samarone, o texto tá muito bom. Como resido atualmente na CASA DO CARALHO, terei que me contentar (ou não) com a transmissão do jogo pela tv e o pior é aguentar a voz do pé frio/rubro-negro "Renbram" e do cabeça-de-vento "Zé do Carmo". Tem nada não, o NOSSO SANTA vai fazer o dever de casa bem direitinho, quebrando o "ESPINHAÇO" da "barbie" pela 5ª vez este ano. Finalizando, gostaria de levantar "QUESTÂO DE ORDEM": 1º - A SANFONA CORAL entrar em lanchonetes, bares, lojas de dvd e etc, tudo bem. Agora, ENTRAR EM CABELEIREIROS é uma coisa muito séria. Pois é, se o pessoal leva a coisa ao pé da letra a SANFONA CORAL vai ser literalmente perseguida por uma legião em busca de carinho. Cuidado, muito cuidado... 2º - Dizer que não podemos dar porrada num rubro-negro só pelo fato dele ser nosso amigo também não dá, pois no caso do Cézar Maia (que não vale o que o gato enterra) Eu abro uma exceção. Que me perdoe Dona Eduarda mas, exceções são exceções. 3º - SANFONA CORAL & Cia LEMBREM-SE: ÁGUA DEMAIS MATA A PLANTA!!! SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!
Marcos de garanhuns, liga pra mim 81-99768985, pra gente trazer zé e o boi,no jogo contra as portuguesas. se vc ver bacalhau, diz a ele q domingo vai ter feijoada e eu estou convidando ele. diz q ligue pra mim.
diz a zé da macuca q esse forró nos estádios quem tá fazendo é chiló, gerrá e alessandra, ele é amigo nosso. se vc vier domingo, ligue pra mim.
GERRÁ.
Que texto arretado, Sama ! Realmente, a Sanfona está dando show. Os relatos e fotos da nossa brava gente nordestina e tricolor em São Paulo (e também de paulistas pouco acostumados à alegria das torcidas) comprovam isso. E aqui, entãso, nem se fala ! Que Deus ilumine a Sanfona Coral sob o sol dessa terra do frevo ! Canta aí, minha gente, que a gente merece essa alegria !
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