Blognovela de amor coral - capítulo I
Ela o conheceu há muitos anos, no bar Segunda sem lei, e comentou com a irmã, sem pensar duas vezes: “Eu vou casar com ele, e hoje vou dançar com ele”. Parecia uma premonição. Não dizia quando iria casar com ele. Para aquele momento, se contentava em dançar. Então, Alessandra Lisieux de Holanda Lins chamou Geraldo Ferreira de Lima Júnior, o Gerrá, para dançar. E dançaram. Mas ficou por ali a gestação do amor. Muitos anos depois, ao me contar a história, ela lembrou o que a fez dizer aquela frase tão decisiva. “O jeito, a boca, essas coisas sempre me chamaram muito a atenção”.
Mas a vida é cheia de atalhos, e como é muito comum na vida, os dois desencontraram. Sejamos mais simples: foram viver o que precisavam viver, antes do reencontro. Ela virou advogada, casou, ele se formou em administração, virou técnico do Judiciário, saiu namorando pela vida. Em 2001, aos 29 anos, ela fez uns exames de rotina, e descobriu que estava com um aneurisma cerebral. Fez uma cirurgia no cérebro, saiu do circuito, quatro meses recolhida. “Por isso curto mais a vida. Todo momento agora é importante”, diz Alessandra.
Neste período, ela decidiu separar, e eles seguiriam por aí, ao deus dará, se não tivesse aparecido no caminho dos dois uma outra paixão – um time de futebol. Sejamos mais específicos, o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, o Mais Querido.
Gerrá, neste momento, fazia parte de um grupo que tentava, inutilmente, refazer os caminhos administrativos do nosso clube, conhecido por viver um estranho paradoxo: um clube de massas, com um estádio com capacidade para 80 mil pessoas, nunca consegue sair do vermelho. Bem, mas isso os desmandos de gestão do nosso clube é assunto para outra crônica, talvez um livro ou uma auditoria independente.
Pois bem, Alessandra é apaixonada pelo Santinha, Gerrá não menos. Recuperada, separada (de um rubronegro, diga-se de passagem, vôte!), ela voltou a fazer algo que faz parte de sua vida: ir ao estádio. Ficou sabendo do grupo que estava tentando reorganizar o clube e decidiu participar. “Quando fui à primeira reunião, descobri: é ele”.
Quantos anos haviam se passado? Eles não sabem. Ah, meus amigos, deixemos a razão de lado. O tempo do amor não se conta assim, com o passar dos anos. Para ela, poderiam ter passado somente alguns segundos, desde aquele encontro no bar.
“Só me lembro dele, as datas não. Quando as pessoas são marcantes, a lembrança fica”, completa Alessandra.
Como todo grupo que tenta modificar algo no Santa, a turma de Gerrá, conhecida como "Confraria Coral", foi devidamente enxotado. Não confundir com a "Confraria Ninho da Cobra", que dizem ainda existir.
"Nossa Confraria era a dos pobres, não tinha reunião no Boi Preto não, era no Arruda mesmo. A gente tomava umas pelos bares ali de perto", lembra Gerrá.
Devidamente enxotados, Gerrá e Alessandra começaram a ir para o estádio juntos. Depois, um lançamento de livro, aquelas aproximações lentas que todo mundo sabe no que vai dar. No final de 2001, após vários jogos, comemorações, vitórias e derrotas, o primeiro beijo.
Mas o malandro do Gerrá ficou por ali, tapeando. “Só aquele rolinho de vez em quando”, contou ele. Ela bateu o pé. Não queria esse negócio de rolinho. Disse até uma frase que eu nunca tinha escutado:
“Não gosto desses parraxaxá não”. No Reveillon, ela foi para o Marco Zero, ele foi para a praia de Boa Viagem. Pelo andar da carruagem, cada um pegaria um novo atalho, certo?
Errado. Entrou aí o que meu amigo Gustavo chama de “concomitâncias”, que traduzo parcamente como “simultaneidade”. Coincidência não existe.
Amanhecia o dia, o primeiro de 2002, Gerrá estava saindo de Boa Viagem (não perguntei se estava cheio dos quequéus, mas creio que sim, todo mundo enche a lata no Reveillon), e Alessandra tinha saído do Marco Zero, para encontrar as amigas em Boa Viagem. Foi ele dando a primeira acelerada, e ela aparecendo no calçadão. Não perguntei, mas acho que ela estava de vestido, com os cabelos desgrenhados, cheia dos paus e descalça, como um bocado de mulher daqui do Recife e do resto do mundo, após o Reveillon.
Ele parou. A primeira frase do casal que começava a nascer foi linda: “Vou ao Mercado da Madalena comer. Quer ir?”, disse ela. “Quero”, respondeu ele.
O Mercado, que nunca fecha, estava fechado. Acabaram no poético Posto Nassau, perto do Aeroporto. Antes mesmo de ficarem juntos, já saiu a primeira arenga. Gerrá comentou que uma amiga dela tinha “muita saúde”, um recurso baixo do ser humano masculino, para dizer que uma mulher é muito da gostosa.
“Era para eu ter dado uma surra nele ali mesmo”, conta Alessandra. Mas ela não deu a surra. Deu foi o ultimato: “Só me ligue se quiser namorar comigo”. À noite, o malandro ligou, desconfiado. “Alessandra...” “Que é?”, respondeu ela, já enfezada. “Olhe, saiba que se for pra ficar junto, é pra ficar junto mesmo”.
Começaram a namorar. Veio o Carnaval, que é um teste de fogo para qualquer casal. Eles não só passaram a folia juntos, como ajudaram a criar o bloco “Ou esfola ou arrebenta”, que continua esfolando e arrebentando até hoje.
(Amanhã eu conto o que aconteceu de 2002 a 2006, para criar aquele clima de suspense. O surgimento da Sanfona Coral, os novos amigos, a gravidez, o casamento. Aguardem. A Globo não tem sua “Páginas da Vida?” Então o Blog do Santinha já tem sua primeira "Blognovela").
25 Comments:
Samarone,
Eu te amo!!! Perfeito!!!
Admiradora secreta
Samrone,
A cada 5 minutos entro no blog para ver a atualização. Não chego a ter a mesma opinião da admiradora acima, mas você detonou geral nessa blognovela, meu caro.
O amor é lindo e ainda mais com um rubro-negro sendo escanteado por conta deste é que fica mais lindo ainda!!
Os tarados do blog já começaram a comentar. Mal entrou a atualização. A galera ta seca demais!!
Esse suspense é que acaba com a gente Sama.
Saulinho
POrra, Esta Alessandra eh macho mesmo, botou quente em Gerra! ahahhahahahah, o bicho ainda ta tentando tomar jeito...
Vamos trazer um empate do Mineirao!
Lucci
Sama, muito bom. Bota logo o próximo texto porra...
João Valadares..
Tenho uma sugestão. Acho que cada um deveria assistir ao jogo domingo no mesmo local onde assistiram ao jogo contra o Fortaleza.
Só faltou uma coisa: "um par de chifres no ex rubro-negro". Não recebeu por conta da seriedade da Dona Alessandra, mas que merecia merecia...
#Acho que o Cruzeiro vai complicar pro nosso lado. Porra, com um elenco daqueles, já são 03 partidas sem vitórias e pra piorar, vão botar o Bala de frente.
Quem sabe não trazemos 01 pontinho.
Tomara Deus que eu esteja completamente errado e que consigamos os 03 pontos
SAUDAÇÕES TRICOLORES!
Love is a many splendored thing
1) TI BUNITINHO!!!!
2) Que sorte o Gerrá tem... desgraçadamente, a minha mulé é 'torcedora' da coisa.
3) Arriscado a chegar atrasado numa reunião importante, acabei de formatar essa joça aqui... eu mereço, eu mereço uma grade de BOHEMIA!!!
Um abraço,
Anizio, Designer Gráfico & Formatador de Blogue
Concordo com o Analista.
Mesmo que isso não tenha ocorrido, o autor dessa novela precisava inventar uma história de traição com o tal ex-marido rubro-negro. Ele tinha que ter levado pelo menos uma "gaínha", Samarone.
O enredo era o famoso:
Ô... Ô,Ô,Ô; MULHER DE RUBRO NEGRO SÓ FODE COM TRICOLOR;
Obs.(com todo o respeito ao casal Gerrá e Alessandra; que Deus abençoe essa família)
Cadê a “cheia de saúde” que é amiga da Alessandra?
Putz, esse blog está cheio de malucos.
samarone
Tricolores,
Vamos repetir todos os passos das últimas 04 partidas. Minha parte tá garantida e os trabalhos começam(ou recomeçam?) agora, as 17:51 H.
#Pablo, tem uma galera do Cruzeiro que se reune num boteco da 210 Norte. Bem, o nome do boteco eu não lembro, mas fica colado no "Botequim". Agora, tem um detalhe, é bom levar reforço, pois no empate contra o Goiás, tive notícias de que sobrou cadeirada pras 02 testemunhas alvi-verdes.
Acho que é um bom desafio e tenha certeza de uma coisa, estarei orando por vocês.
SAUDAÇÕES TRICOLORES!
Rapaz, hoje à tarde fui ao casório no cartório. Fui testemunha. A noiva atrasou 1:30h. Teve arroz no final e buffet também - 40 grãos de arroz que a irmã de Alê levou e um pacote de cavaquinho que deu conta do buffet. Festa linda!! Muita foto, muita gente e muito calor no cartório. Que venha Abdia ou Abdala!
Parabéns amigos!!
Saudações Tricolores!!
Amigos, navegando agora terminei sabendo o resultado do jogo na ilha de Babaxola e não me contive. Mandei mensagem por celular para os amigos torcedores daquela porcaria, perguntando "Sabe onde eu moro ? PAULISTA, porra, PAULISTA!!!"
JULIO VILA NOVA, do Janga
Analista, o curintians tinha sete partidas que não vencia e modestia a parte tem um elenco muito melhor. Olha, tenho assistido aos jogos na casa de um amigo lá em Sobradinho, pretendo continuar assim, pois tem dado sorte. hehehe
Saudações Tricolores
Pablo - DF
Ps.: tem aparecido muito burro negro aqui no bar, cadê os tricolores aqui de Brasília porra. Preciso de ajuda para enfrentar essa corja leonina que tem ido lá, por ser um bar de pernambucano.
Porra Pablo em vez de trabalhar estás aí né? cadê Victor? E Isabela, tens notícias? Viestes aqui e a gente nem se viu... sabes quem é?
Dentre os amigos novos que fiz, quando conheci a Sanfona Coral, tenho um carinho especial por esse casal aí, inclusive já estiveram hospedados aqui em minha casa, em Garanhuns. Parabéns ao Samarone e felicidades aos três tricolores.
porra, bem que o blog podia colocar a foto da "cheia de saúde" pra gente conhecer...
EXPRESSO BH!!!
UAI É O CARAI!
Aê tricolorzada! tô aqui na capital mineira, como prometido! Vim só, pois como alguns sabem, Saulinho o Profeta também prometeu vir, mas deixou o amigo na mão.
Tô saindo agora pra procurar uma cachaçaria que preste e, depois de ficar doidão, tirar onda com cruzeirense.
Mulé de cruzeirense só fode com tricolor!
Se der, mando mais notícias daqui! Ainda não li jornal e tô numa ressaca do carai.
Bora Santa!!!
J.
1) Bom dia amigos. O fim de semana começou glorioso, com a humilhante derrota da coisa para o glorioso e foderoso PAULISTA DE JUNDIAÍ (kkkkk)...
2) Lucci, empate é o caraio!
3) Cadê a segunda parte de blognovela?
Um abraço!
acho novela, ainda mais com "blog" na frente, uma tremenda pisada na bola. Eh coisa de marica.
Pessoal, os esprit de porco saíram por aí dizendo que o SAnta só venceu o Framengo porque eles vieram com o time B. Ontem, a leoa hemorróidica perdeu para o time B do glorioso Paulista. Porra, nunca me orgulhei tanto de morar em Paulista ! Vou tomar uma no Caldinho do Lira, aqui no Janga. Fui !!!
esse mariano baltazar deve ser o burro-negro q foi trocado pelo tricolor. te fode baltazar!!!
Oh anônimo! Se eu fosse adivinho, jogaria na mega sena. Diz logo o teu nome porra e deixa de frescura, pois frescura é coisa de burro negro.
Saudações Tricolores
Pablo - DF
Ps.: tanto Victor quanto Izabela estão bem. Valeu!
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