Qual o seu volante (tricolor) inesquecível?
Nota da redação
O Blog do Santinha passa a publicar textos sobre futebol, sob diferentes pontos de vista, de vários lugares do Brasil. Para iniciar, publicamos o texto do escritor José Roberto Torero (www.blogdotorero.blog.uol.com.br), onde ele pergunta: qual o seu volante inesquecível?
Como ninguém é de ferro, deixamos a pergunta à massa coral: qual o seu volante tricolor inesquecível? Aceitamos sugestões de textos para publicação.
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Qual o seu volante inesquecível?
por José Roberto Torero
Eleger o volante inesquecível é um paradoxo, pois o volante é o mais esquecível dos jogadores. E antes que o leitor franza o cenho, pense em quantas vezes você gritou o nome dos volantes do seu time. Poucas, muito poucas. Gritamos os nomes dos artilheiros quando eles marcam gols, dos meias quando dão belos dribles, dos goleiros quando fazem grandes defesas, dos zagueiros quando salvam um gol em cima da linha e, às vezes, até dos laterais quando cruzam com perfeição.
Mas os volantes, que são os que saem mais sujos de campo, nunca têm o seu nome gritado. E eles não reclamam. O volante é, antes de tudo, um discreto.
Ele é um destruidor, mas não o destruidor-salvador, como os zagueiros e os goleiros. Ele não mata o dragão que solta fogo pelas ventas. Mata-o quando mal começa a engatinhar. O volante acaba com a jogada antes que a jogada seja realmente uma jogada. Por isso não é visto como herói, mas como operário. E ninguém bate palmas para os operários. Ou você já parou em frente a uma construção e começou a aplaudir os pedreiros dizendo: “Que alinhamento de tijolos! Uma beleza, uma beleza!”? Não, meus caros, os volantes nasceram para a sombra.
Mas há exceções. Creio que as duas maiores são Zito e Dunga, que nas Copas lideraram suas seleções. Eles são símbolos de eficiência e garra, mas também foram os generais de vitórias inesquecíveis (se bem que, cá entre nós, o pessoal lembra mais de Pelé, Garrincha e Romário).
Existem vários tipos de volantes. Há o volante-jumento, que distribui patadas para todo lado, e entre estes o meu ídolo era Chicão. Seu bigode de bandido mexicano impunha respeito. E o bigode combinava com seu futebol.
Há o volante-gato, que tem um estilo mais aristocrático. É o caso de Zé Carlos, que desfilou seu futebol pelo Cruzeiro e pelo Bugre, de Andrade, que jogava o fino no Flamengo, de Dudu, símbolo palmeirense, de Carlos Alberto Pintinho, do Superfluminense, e de Marcos Assunção, que jogou algum tempo pelo Santos. Desta estirpe também são muitos meias recuados, como Cerezo, Falcão, Carpegiani, Renato, Juninho Pernambucano e Rincón.
Batista, do Inter, fez o caminho inverso. Era um volante e virou meia. E era dos mais completos. Marcava, tinha um bom passe e um fôlego de camelo.
Aliás, os volantes-camelos são um capítulo á parte. Eles correm muito e nunca se cansam, como Biro-Biro, César Sampaio, Paulo Almeida, Flávio Conceição, Fabinho, Mineiro, Josué e o belo Amaral.
Há o volante-carrapato, como Caçapava, China, Wilson Mano, Galeano, Bonamigo e seu exemplo máximo: Mauro Silva, que desde os tempos de Brangantino já transformava times médios em equipes competitivas.
E o volante-formiga, típico do São Paulo, como Pintado, Doriva e Dinho. Esses são bem fáceis de esquecer. A não ser que você seja são-paulino, porque os volantes do nosso time, a gente lembra.
Pelo Santos, por exemplo, além dos já citados Zito, Chicão, Dunga, Paulo Almeida, Renato, César Sampaio e Marcos Assunção, lembro de Dema, que parecia que iria chegar à seleção, Lima, o cornga, que no começo dos anos 70 se fixou por ali, Clodoaldo, o tricampeão, Carlinhos e Gallo, do time de 95, e agora há este Maldonado, tão bom que é o principal xodó da torcida. Apesar de ser volante.
Mas há outros, muitos outros. Há Vampeta, boa mistura de habilidade e velocidade e marcação, Vanderlei, daquele Atlético campeão brasileiro em 71, Nasa, um volante-volante, Claudecir, que até fazia gols, Márcio Araújo, que pôs Falcão na reserva, Bernardo, que parecia ter dois metros e meio, a dupla da seleção, Émerson e Zé Roberto, que tanto sucesso faz em terras estrangeiras, e os outros que eu esqueci. Mas, como já disse nas primeiras linhas, os volantes são esquecíveis.
O meu voto só revelarei amanhã, aqui na seção "Sábado do criolo doido". É um voto tão particular que merece um texto especial. Mas você pode votar já. Diga aí: Qual o seu volante inesquecível?
Ps. nos últimos dias, temos tido dificuldade para acessar o Blog do Santinha. Estamos tentando ver qual é o problema, e aceitamos a colaboração dos feras da computação.
7 Comments:
Tá explicado,
Pois basta, ao término de cada partida, uma rápida olhadela na situação do uniforme dos nossos volantes, onde não encontraremos nenhuma mancha e, quem sabe, a muito custo, um pouco de suor.
Tá explicado.
SAUDAÇÕES TRICOLORES!!!!!!!!!!!!!
amigos do Blog,
estamos com dificuldades de acesso à página. Não sabemos ainda qual o problema. Tenhamos paciencia.
samarone
Pra mim, que eu vi jogando, Zé do Carmo.
Leonardo.
Givanildo, de longe.
Inácio
de todos os tempos givanildo, mas que eu vi jogar, zé do carmo...
Eu acompanhei Zé do Carmo em fim de carreira, lá pra 95, e admito que pouco me lembro. O melhor que já vi passar no Santa foi Juliano em 2002. Me lembro que nos primeiros jogos ele nao tinha ido bem, mas num jogo contra a coisa, na ilha, ele fez o gol da vitória nos últimos minutos. Daí em diante engoliu a bola.
Tem também um insquecível pro lado ruim...
Final de 2004, quando Marco Antônio acabou com Santa. Até hoje tenho pesadelos com esse cara.
E os volantes de hoje em dia hein...
Dos que eu vi jogar, Givanildo disparado. Dos que "vi" pelos comentários do meu pai, Zequinha, que fez história no Palmeiras.
Saudações Tricolores - Rumo ao BI!
Enildo
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